O partido do rigor

O rigor do Inverno, demonstrado pelas luvas e cachecol quentinhos.
Rigor (s.m.)
1. Rigidez, inflexibilidade. 2. Força, aspereza, o mais forte de. 3. Severidade extrema. 4. [Figurado] Concisão, exactidão, sentido próprio (da frase ou do vocábulo). 5. Exactidão, pontualidade. 6. [Portugal: Minho] Fita do cabelo. 7. Guarnição de saias. 8. Debrum de chancas e tamancos. 9. Faixa avermelhada no céu, ao poente ou ao nascente. 10. [Botânica] Planta poligonácea.
“rigor”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://priberam.pt/dlpo/rigor [consultado em 20-04-2015]. Destaques meus.
A patetice indignada do dia
O PÚBLICO está indignado, Do alto da sua indignação escreve: “Mulheres forçadas a espremer mamas para provar que amamentam”. Coitadinhas das mulheres que tiveram de mostrar as mamas. E espremer as mamas. Como bem se sabe as mamas das mulheres não podem ser vistas. Aliás quando vamos ao médico nem nos despimos. No dentista fechamos a boca. No otorrino tapamos as orelhas. Como é óbvio também não se pode dar de mamar em público porque isso então é um horror. As gravidezes e os partos são vividos no resguardo do lar para que ninguém veja as mamas e a barriga a crescerem. Isto para já não falar doutros exames, do parto em si mesmo e do pós-parto em que a bem da decência é melhor não ir a hospital algum. Já se pensou nos exames que se têm de fazer para provar que está de licença de parto? Uma coisa que dá títulos como mulheres forçadas a despirem-se para provarem que vão ter um parto. Um horror!! Aliás não percebo como não se indigna o PúBLICO com o os exames horrorosos que exigem às pessoas para provar que estão doentes. Ora se uma pessoa beneficia de um horário especial porque amamenta exigir-lhe prova da amamentação parece-me elementar. Mas pronto pode passar a fazer prova de que salta à corda, lê versos e toca piano.
Será depressão, astenia, desgosto de amor, puro desinteresse, desnecessidade ou simples preguiça?
Fátima Bonifácio no PÚBLICO sobre os “desencorajados” e os departamentos de catequese em que se transformaram as faculdades de ciências sociais: Num recente artigo neste jornal, João Miguel Tavares exprimiu o seu espanto pelo facto de o Observatório sobre Crises e Alternativas, coordenado por Carvalho da Silva (C.S.), um organismo do CES da Universidade de Coimbra dirigido por B. Sousa Santos, ter produzido um trabalho em que se contabilizava 29% de desempregados em Portugal. Intrigado com este número bombástico, J.M.T. tratou de averiguar como se chegara àquela cifra, concluindo que se tratava de “desemprego em sentido lato”, que abarcava, entre outras, a categoria enigmática de “inactivo desencorajado”. Ler mais…
País de papel
serviço público
Seguem os links para a tradução brasileira (que não conhecia) do Law, Legislation and Liberty, de Friedrich August von Hayek, talvez o livro mais importante para se compreender o que é o mercado, ou a ordem espontânea ou cataláctica, ou a mão invisível, tudo expressões sinónimas, segundo o Liberalismo Clássico. Hayek foi o John Locke do nosso tempo e este livro é o seu Two Treatises. Por outro lado, quem quiser criticar o liberalismo e nunca tiver lido este livro, não sabe do que está a falar.
Volume I: http://www.libertarianismo.org/livros/fahdllvol1.pdf;
Volume II: http://www.libertarianismo.org/livros/fahdllvol2.pdf;
Volume III: http://www.libertarianismo.org/livros/fahdllvol3.pdf.
Vão ler!
Espremer contribuintes para espremer mamas
Queria pedir às pessoas que lançam este tipo de notícia, “mulheres forçadas a espremer mamas para provar que amamentam” para que continuem a publicar este tipo de notícias, um serviço público essencial. Estas práticas no local de trabalho têm que ser denunciadas. Anda uma pessoa a contratar um médico para a função pública e vai-se a ver, o tipo é um tarado por lactantes? Esta falta de critério na contratação de funcionários públicos tem que acabar: a protecção laboral a que estão sujeitos, com a conivência dos sindicatos, serve de defesa para que o pobre contribuinte continue a ser, ele próprio, espremido para alimentar os fetiches alheios.
Pequeno lembrete para as eleições presidenciais
Fiz um pequeno vídeo que – espero – ajude a identificar todos os candidatos às eleições presidenciais. Creio que todos devem ter as mesmas oportunidades – de acordo com a Constituição – para apresentarem as propostas de forma a que o informado e atento povo português possa ponderar diligentemente a forma de executar correctamente a escolha pelo voto. Abril de 2015 sempre!
o primeiro mérito
Da candidatura do Paulo Morais: obrigou o candidato do PS a assumir-se, no exacto dia em que apresentou a sua. Não é mérito pequeno e revela o cuidado com que está a ser avaliado.
Não percebo o problema
De António Costa com as dívidas do PS à banca. Mande Pedro Nuno Santos dizer aos bancos: “Não pagamos!” Se há no PS quem defenda isto para o país pq não começam por aplicar este programa ao PS a ver como corre?
Absolutamente em desacordo
A evolução natural do mercado laboral
Quotas de mulheres nas empresas. Uma medida importante pelo “efeito replicador”. Começo, sinceramente, a ponderar votar neste homem que promete resolver vários problemas, incluíndo o problema demográfico, permitindo o efeito replicador obtido pela presença obrigatória de mulheres em empresas através de quotas.
A “participação da mulher na vida da sociedade é um problema da própria sociedade”. Isto não se inventa, isto não é tanga, isto sai naturalmente da boca do candidato a primeiro-ministro. Quem não ambiciona “uma nova lógica de organização da sociedade”? Apesar deste novo paradigma, continuo a imaginar todas as possibilidades do “efeito replicador” por mulheres no trabalho e espero a máxima compreensão destas para a tarefa replicadora que lhes é destinada. Pela nação.
Notícias da decadência
A notícia chegou. Nada que espantasse mas que apenas confirma o que já se sabe: os cristão são perseguidos, mortos e torturados pela sua religião: Italian police: Muslim migrants threw Christians overboard
Mas há sempre algo que nos surpreende. Na página on line da Sábado esta história ficou assim: Discussão religiosa dentro de embarcação mata 12 imigrantes. Durante uma luta entre muçulmanos e cristãos 12 corpos foram atirados ao mar. Os detidos vão ser ouvidos pelas autoridades italianas e vão responder por homicídio múltiplo
Francamente da notícia da Sábado só me ficou uma dúvida: os 12 corpos que não se percebe se já ali estavam ou se resultaram da “discussão religiosa” foram atirados ao mar pelos animistas?
O contrário não se aplica?
Lição prática de microeconomia
Hoje o país começa a dar uma lição prática de microeconomia ao ministro Moreira da Silva e aos nossos inteligentes deputados. Em resumo, o preço de um bem (neste caso, a gasolina) não resulta do seu custo acrescido de uma margem fixa, mas sim da procura específica que esse bem tem, por pessoas concretas, em locais concretos, que prestam uma dada qualidade de serviço (real ou percepcionada) e da oferta pelos agentes económicos desse bem, a essas pessoas, nesses locais com essa qualidade de serviço.
Ultraneocons
Vê-se alguma celeuma nas redes sociais (sim, é redundância) a propósito deste exercício do Observador que consiste em apresentar uma proposta de revisão da Constituição.
Não se entende o motivo da confusão: não conseguimos, em 40 anos, atingir o objectivo proposto no documento inicial de caminho para o pleno socialismo; por outro lado, a actual Constituição não endereça os problemas modernos que este fantástico sistema político de disciplina social – o socialismo – enfrenta neste milénio: a destruição das praias pela prospecção de petróleo, as mudanças climatéricas, a crise demográfica, o retrocesso civilizacional na saúde e na educação e a crescente influência do neoliberalismo no empobrecimento dos povos, neoliberalismo este que mata, como bem diz o Papa Francisco.
Seria suposto serem os socialistas a pretenderem corrigir as distorções na Constituição que impedem o caminho para o verdadeiro socialismo. Mas não, no fundo, os socialistas portugueses são apenas meros conservadores.
Onde posso prescindir da minha parte da TAP?
Sei que a possibilidade da TAP ser de nós todos entusiasma muita gente. Mas eu não quero ser accionista da TAP. Dou a minha parte a quem a quiser. Onde posso fazer a dádiva?
16 de Abril de 2015: “Dos 62 comboios programados em todo o país, 24 são de serviços mínimos e os restantes cinco fizeram-se a mais”, refere a porta-voz da CP. Greve foi convocada para contestar as privatizações e fusões decididas pelo Governo no sector dos transportes.”
15 de Abril de 2015: Pilotos da TAP aprovam greve de dez dias Os pilotos da TAP reunidos esta tarde em Assembleia resolveram avançar para uma greve de dez dias, a começar no dia 1 de maio
15 de Abril: A greve do Metro de Lisboa que estava marcada para esta sexta-feira foi suspensa. Tratava-se da segunda data para esta greve do metro. A paralisação da última sexta-feira tinha sido adiada depois de serem decretados serviços mínimos. Agora novo adiamento. Também depois de serem decretados serviços mínimos.
Três hipóteses explicativas para a quebra da natalidade
A hipótese do macho desconsiderado: Esta hipótese parte da ideia de que os homens têm que ser extremamente apaparicados para quererem ter filhos, dado que a incerteza sobre a paternidade é um factor difícil de eliminar. Neste contexto, os homens tenderiam a exigir em troca de constituírem uma família as seguintes contrapartidas:
- Absoluta fidelidade da(s) mulher(es);
- Estatuto social elevado adquirido pela paternidade;
- Reconhecimento do seu poder e caminho livre para adquirir mais poder.
Quando estas condições não estão reunidas, os homens desinteressam-se da paternidade e dedicam-se a ver jogos de futebol ou à literatura.
A hipótese dos primos em 3º grau: Também conhecida pela “hipótese da prima boa”. Esta hipótese diz-nos que existe um grau de parentesco óptimo que maximiza a fertilidade. Se o parentesco for demasiado próximo há problemas graves de consanguinidade. Se for demasiado afastado as diferenças genéticas são demasiado grandes havendo baixa fertilidade. Existirá um ponto óptimo, digamos, os primos em 3º grau. O problema é que a urbanização afastou-nos dos nossos primos em 3º grau.
A hipótese da pílula contraceptiva: Não, não é a ideia de que agora as mulheres tomam a pílula e por isso não engravidam. É a ideia de que a pílula bloqueia a capacidade de decisão das mulheres na escolha de um parceiro compatível ao bloquear a forma como interpreta linguagem não verbal.
não pode ser apenas por estupidez
As sucessivas ameaças de greve da TAP têm uma finalidade única: impedir a privatização da companhia, enviando aos (cada vez menos) possíveis investidores a mensagem de que irão pôr dinheiro numa empresa onde o poder de decisão não reside nas mãos dos accionistas. Os resultados desta estratégia não podem ser senão bem sucedidos e ainda ontem a Globalia declarou a sua desistência da companhia: «Desistimos dessa ideia, não se pode comprar uma empresa com tanto endividamento que não possamos reestruturar e gerir. Não podemos investir e ficar de pés e mãos atados. Desistimos por não podermos gerir de acordo com critérios privados». Por que é que são os pilotos da TAP, provavelmente os trabalhadores mais privilegiados da empresa, a optar por uma estratégia de destruição dos seus próprios postos de trabalho é que é uma pergunta que fica, por enquanto, sem resposta. Mas não poderá ser apenas por estupidez.
declaração de apoio
A esta sugestão da Maria João Marques, a criminalização do revenge porn, o mesmo é dizer, o vazamento na net de imagens da intimidade sexual dos casais, quase sempre da autoria de namorados ou maridos ciumentos e raivosos, de baixíssima índole moral. Apenas com uma ressalva: a de que as senhoras que se deixam filmar ou fotografar nessas poses («para mais tarde recordar») sejam igualmente punidas e que a medida da pena seja o dobro da que for destinada aos tratantes dos maridos.
Aproveitando o ensejo legiferante, sugiro também a aplicação de coimas (não há, ainda, necessidade de criminalizar) às meninas e senhoras que se deixem tatuar com os nomes dos queridos de circunstância em certas zonas mais erógenas (habitualmente, o fundo das costas), sob pretexto da prática de bulling sexual exercido sobre eventuais futuros companheiros. Ele há coisas que podem ter efeitos nocivos para o resto da vida…
E os deputados votam isto sem desatar a rir?
Elite reprodutiva
Gostava de perceber o que leva o Partido Socialista a propor as 35 horas na função pública como medida de promoção da natalidade.
Será um elogio às características genéticas dos nossos funcionários públicos?
Um tentativa de criar uma elite reprodutiva de ociosos?
Será que os trabalhadores do sector privado devem abdicar de ter filhos para que os funcionários públicos os possam ter?
“Peço desculpa, a repartição fecha às 16h30, impreterivelmente”
Isto é fascinante.
Uma certa desmesura, não?
Estão bem encaminhados
A esquerda do PS está muito perturbada com o facto do país não andar com Sampaio da Nóvoa num andor a caminho de Belém. Alguns mais imaginativos não contentes com terem inventado os baptistas da silva até já imaginam conspirações para destruir o belíssimo candidato Nóvoa. Não ponham os olhinhos na realidade não…
Cá vamos nós, outra vez
O problema da natalidade, discutido hoje no Parlamento, é um daqueles feitos à medida de socialistas, pessoas que necessitam de soluções demográficas para a sustentabilidade dos problemas de despesa que eles próprios criam e sonham continuar a criar. Desengane-se o leitor que pensa que se trata de uma questão nacional: quem discute a problemática na natalidade tem capacidade simultânea para, do seu tempo livre oriundo da ausência de filhos, se indignar com expressões como “o dia da raça”.
Discutir no Parlamento as “soluções para a crise demográfica” é particularmente manhoso: tudo que um Parlamento pode fazer é desincentivar a natalidade através dos seus incentivos à natalidade, nunca o contrário. Querem incentivar a natalidade? Permitam o consumo livre de álcool por adolescentes. Tudo o resto não passa de embriaguez do próprio Parlamento sobre o seu papel divino na orientação das necessidades e vontades alheias motivado pela capacidade comprovadamente transcendental de sacar dinheiro ao contribuinte.
Este país tem um problema de indefinição: é um país desenvolvido que, há quatro anos, procura toda e qualquer desculpa para regressar ao terceiro mundo onde nunca esteve. Medidas de apoio à natalidade são eugenia inversa e, de uma forma ou outra, consistem no mesmo: pagar aos grupos socialmente problemáticos para que se reproduzam sob pretexto de criação de mão de obra futura (“Arbeit macht frei”) que apenas multiplicará os problemas sociais do futuro.
A melhor medida de incentivo à natalidade que o Parlamento pode decretar é a promessa de não incentivo à natalidade.
dinastias
Depois dos Bush, que já levam dois presidentes dos EUA e têm um candidato promissor a caminho das próximas eleições presidenciais, os «Freitas do Amaral» iniciam, em Portugal, a honorável tradição das dinastias republicanas do poder. Com a diferença de, pelo menos até agora, nenhum deles ter ganho coisa nenhuma, nem se prever que venham a ganhar tão cedo.
Go, Johnny, go

Rui Moreira tem toda a razão. Isto é um problema sério, que merece a consideração de todos os portuenses através de uma densa e profunda reflexão que permita estabelecer limites a esta vilanagem. A descaracterização da cidade pelo turismo é notória e altamente perniciosa para a imagem da cidade invicta, agora vencida por esse rebanho de invejosos da nossa tripeiridade. Além disso, não queremos aqui turista de pé-rapado.
Sobre a identidade da cidade, por exemplo, uma pessoa já não pode simplesmente mijar contra um poste sem ver um turista de máquina fotográfica a fotografar a Torre dos Clérigos. Já nem se pode ser tranquilamente violado na Rua dos Caldeireiros, tal a quantidade de comedores de panini que saem daqueles restaurantes descaracterizados, onde já nem um cão se pode comer, mesmo com a inócua descrição no menu de “cabrito assado”. Anda um gajo a decapar a pintura do Renault 5 do vizinho e a ser preso por isso para estes labregos depois irem às galerias de arte alternativa apreciar uma decapagem de um Bel’Miró ou ouvir um poema punk de Brochnyziev.
Uma pessoa quer abrir a gabardina na Avenida dos Aliados às 21h00 para mostrar a masculinidade à universitária assustada e é logo confrontado por dezenas de estrangeiros e até portugueses que nos impedem de realizar a nossa felicidade. Anda uma pessoa a tentar ser palmada no autocarro por um carteirista de boina e tudo o que consegue é o número de telefone de uma bifa.
É preciso acabar com esta descaracterização da cidade. O Porto quer-se triste e taciturno, cheio de suburbanos que falam como uma canção dos Trabalhadores do Comércio e que regressam a casa no comboio às 18h30, não de pós-modernos a beberem os nossos cimbalinos às 22h00, hora a que qualquer café decente deveria estar fechado. Ai, Lima 5, Lima 5…
É preciso acabar com isto de ingleses no Porto. Estão a descaracterizar a cidade. Tenho dito.
Porque não volta Guterres?
irmão catita
O mano Castro mais novo, o Raul, é um tipo catita. Tão catita, tão catita, que até acha o Obama «um homem honesto», ao que lhe pediu, de homem honesto para homem honesto, para pôr termo ao embargo a Cuba. Comovido com a singeleza do momento, o Nobel da Paz e Grande Libertador e Democratizador do Mundo Árabe disse ao catita do irmão Castro mais novo que «o tempo em que os Estados Unidos interferiam livremente nos assuntos regionais acabou». Tudo catita! Só falou perguntar ao mano Castro mais novo quando é que a Famiglia estará disposta a tirar as patas de Cuba. Uma mão lava a outra. Ou, pelo menos, deveria lavar.
Chamaram-lhes retornados
Hoje no Observador publico um texto sobre a primeira grande leva de retornados. São aqueles que chegam a partir de Setembro de 1974.
Anúncios como estes foram durante alguns meses os únicos sinais de que os retornados estavam a chegar.
Durante meses os retornados são invisíveis nas páginas dos jornais portugueses. Também não se fala deles nas rádios nem na televisão. Informa-se em tom crítico que a minoria branca está a fugir de Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Medo infundado e receio de perder privilégios são as razões geralmente apontadas para essa fuga. Vítor Crespo, Alto-Comissário de Moçambique, é um dos dirigentes que mais associa a vontade que muitos portugueses manifestavam de deixar Moçambique ou Angola a uma espécie de aleijão moral e político. Moçambique só seria independente em Junho de 1975. Mas até lá Portugal sujeitaria os seus cidadãos naquele território a um regime que só não se diz totalitário porque a possibilidade de fugir continuava a existir. O que não quer dizer que não se tivesse tentado impedi-los dessa última liberdade, a liberdade de partir: na reunião da Comissão Nacional da Descolonização, presidida pelo Presidente da República, que teve lugar a 4 de Novembro de 1974 equacionou-se nesse dia a possibilidade de Portugal obrigar os seus funcionários públicos a permanecer em Moçambique depois da independência.
Temos de falar sobre o Kevin
Eu devia falar do Sócrates, que até montou uma conferência de imprensa muito bonita para o efeito, esperando que dissesse mal, bem, ou fosse o que fosse, desde que falasse. Devia porque, não o fazendo, alguém pode esquecer o homem, a obra, o legado, a bancarrota, o homoerotismo pinga-amor saloio e a arrogância que regista como determinação nas moças de companhia do regime em Louboutins incapazes de ofuscar pronunciados joanetes, o menor dos defeitos.
Devia, mas já não interessa. Como qualquer desgraçada pendurada que jura não mais depender da bondade de homens casados, a velha carcaça socialista confunde abusado e abusador, diluindo-os em exigência de estupidez que permita engolir a má-fé que apregoa como forma de redenção.
Que o PS não tenha sido remetido para a obsolescência eleitoral, apesar da mais que notória inquietude pela possibilidade, é um fenómeno que só poderá ser explicado se conseguirmos continuar a fingir que a eventual corrupção de Sócrates é o maior embaraço na existência da patética figura na história portuguesa do século XXI. Não é. O maior embaraço dos portugueses é o constante enfatuamento por pastiches das ébrias recordações fabricadas dos anos 70, como Sampaio da Nóvoa não conseguirá deixar de demonstrar ao fazer aparecer o aquilino nariz num genérico muzak de celebração do 25 de Abril.
Pf para o rapto use um avião da TAP
Augusto Santos Silva: “Se fosse possível, era o primeiro a ir raptar António Guterres a Genebra”
…e de uma vez por todas resolva o mistério guterriano do acordo com os pilotos da TAP: Os pilotos há muito que reclamam o direito a uma participação até 20% no capital da TAP a privatizar. Já houve ameaças por parte dos pilotos para fazer cumprir aquilo que se diz ser um acordo assinado entre o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e o ministro das Obras Públicas do primeiro Governo de António Guterres.
Tal como se esperava
Os jornalistas começaram a fazer as malas.
Os notáveis já não saem do carro para entre câmara e microfones o visitarem.
Os indefectíveis começam a falar dele como personagem do passado
Os que beneficiaram com o seu exercício do poder referem com ar distante aquilo que desconheciam do seu outrora líder
Agora para ele chegou o tempo da solidão. A dar a cara por ele apenas uns artistas. Obviamente artistas. Mas tenho a certeza que todos os atrás referidos andariam exultantes, eufóricos, arrebatados, correndo atrás dele, elogiando-lhe as intervenções e o espírito visionário caso ele não tivesse caído em desgraça e estivesse a caminho de outros voos. Mas dele ao menos sabia-se o que era. A sua corte essa é composta por gente que é melhor não saber o que é porque serão sempre o que for preciso.
o rapto
António José Seguro lançou, definitivamente, a confusão no PS, ao dar o seu apoio pessoal e institucional à candidatura de Sampaio da Nóvoa sem avisar a direcção do partido. As reacções estão a ser muito críticas para com o secretário-geral, e mesmo os apoiantes de Seguro consideram-se despeitados com esta atitude. Em tom de ameaça, o líder parlamentar avisou que «o PS, enquanto tal, só deve apoiar uma candidatura presidencial depois das legislativas». O que é facto é que Seguro não avisou ninguém do que se preparava para fazer, numa atitude que muitos consideram ser de profundo desrespeito institucional. Apesar do «mal-estar nas fileiras socialistas», houve quem tivesse manifestado um apoio de princípio a Sampaio da Nóvoa, como sucedeu com o histórico João Cravinho. Mário Soares ainda não se pronunciou, mas é sabido que é um apoiante do antigo Reitor da Universidade de Lisboa, apesar do nome «Sampaio» não ser do seu particular agrado. O PS avança, assim, dividido para as legislativas por causa da candidatura presidencial, o que, segundo os críticos do actual secretário-geral, demonstra a sua inabilidade política e incapacidade para atingir consensos, o que obrigará a debater a liderança após aquelas eleições, se ainda houver liderança. No meio desta confusão, o outrora arguto Augusto Santos Silva ofereceu-se para ir «raptar Guterres a Genebra». Alguns responsáveis socialistas temem que estas intenções possam originar, caso se concretizem num momento de desvario, mais um escândalo judicial de enormes proporções para o PS.
Se eu fosse o Costa,
além de bonito, espadaúdo e com uma bela voz, teria todo o interesse em ter um candidato presidencial que me deixasse em paz. Assim, se eu fosse o Costa, o meu candidato presidencial seria Marcelo Rebelo de Sousa. Claro, nunca o poderia dizer em público, se eu fosse mesmo o Costa. Poderia, sim, dizer que o meu candidato seria Guterres enquanto metia a tropa fandanga que detesta o antigo PM em lugares de destaque no partido. Poderia até sugerir um tipo como Sampaio da Nóvoa, daqueles tipos cujo nome não temos a certeza de ter escrito correctamente, tal a notoriedade da pessoa em qualquer tasca de Cinfães. Poderia dizer isso tudo mas, enquanto fazia figas, só desejaria mesmo que Marcelo se candidatasse.
conjuntos
Hoje de manhã, a TSF tratou do IMI, da reavaliação dos imóveis feita pelas Finanças ao longo dos últimos anos, a queda da cláusula de salvaguarda ocorrida este ano e o absurdo que é a actualização dos imóveis ser sempre feira para cima e não para baixo, como o mercado, a variação dos preços e a degradação desses bens aconselharia.
Ouvida sobre o tema e depois de ter perorado sobre as maldades que também aqui são feitas pelo grande capital, a deputada do Partido Comunista Paula Santos meteu os pés pelas mãos, quando lhe perguntaram se não lhe parecia que devia ser revista a actualização os imóveis baixando o seu valor, se fosse caso disso. Aí, a camarada alegou que não é «líquido» que essas variações sejam «benéficas para o conjunto dos trabalhadores», dizendo ainda que o tema «exige ponderação aprofundada».
Bom, que baixar o valor dos imóveis é benéfico para o «conjunto dos trabalhadores», parece difícil de contestar. Agora, que a mesma redução seja benéfica para o «conjunto» dos interesses autárquicos do Partido Comunista é que provavelmente será mais difícil de demonstrar.
socialismo de sacristia
Tal como Pedro, que negou a Cristo três vezes e acabou por ser o primeiro papa da Igreja, também António Guterres negou três vezes a Costa e será o próximo presidente da república. Esta é a mensagem subliminar desta notícia do Público, cuja importância e destaque só se podem entender pela referida analogia bíblica, de resto, certamente ao gosto de tão augustas personagens do nossos socialismo de sacristia. Sampaio da Nóvoa, o zelota, que se cuide.


