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Novo ano lectivo

2 Setembro, 2014

Está aí mais um ano lectivo; mais um em que milhares de professores terão que lutar contra a autoridade perdida ao longo de muitos anos de perversão da vocação pela proletarização da profissão; mais um em que milhares de professores terão que lutar contra o permanente estado de reboliço revolucionário de colegas que tratam por tu, como camaradas, sabendo-se lá com quantos sapos engolidos, tudo para manter um equilíbrio entre a vocação e um periclitante bem-estar nas escolas progressivamente transformadas em extensões das ambições de poder político; mais um para a ladainha abrilista; mais um para organizar a-maior-manifestação-de-sempre de sempre, sempre em defesa da coisa pública e-ah-já-agora dos alunos, sabe-se lá como; mais um com jogos de culpa, de acusações, de irritações, de confusões, de centralizações; mais um para afagar o ego colectivista, centralista, unionista, anti-individualista-dos-outros-que-não-eu; mais um para a fátua discussão entre Übermensch e Übermensch-wannabe, trigo do mesmo saco, cara e coroa da mesma moeda.

Votos de felicidade e sincero sucesso para alunos, pais, comunidades. A maior força para os professores que ainda conseguem lamentar mais um destes anos lectivos.

Obras roubadas

2 Setembro, 2014

A minha sugestão para actrizes com fotos divulgadas sem consentimento é que se inscrevam na SPA. Assim, sempre que um idoso comprar um computador para ver os netos imigrantes pelo Skype, as actrizes poderão obter uma justa compensação. Bem sei que ninguém tem direito de roubar fotos dos outros, mas não há motivo para se perder uma justa compensação através do ilícito alheio, particularmente em Portugal.

PL 246/XII

1 Setembro, 2014

Já está no Parlamento a proposta de alteração da denominada Lei da Cópia Privada. Embora o texto final seja ligeiramente diferente do aqui divulgado, mantêm-se integralmente as certeiras críticas tecidas aqui ou aqui.

Nunca é demais recordar o que está em causa: a “compensação equitativa” que a proposta de lei vem acrescentar a um sem número de equipamentos electrónicos não serve para combater a pirataria, mas apenas para, alegadamente, compensar os autores e os titulares de direitos conexos dos danos por estes sofridos pela realização, legal, de cópias das suas obras.

Como o próprio preâmbulo da proposta salienta, “caso se verifique a existência de dano significativo para os titulares de direitos, incumbe aos Estados preverem a criação de uma compensação equitativa“.

Ora, a existência de tais danos está, no caso português, longe de estar demonstrada – e esta demonstração é indispensável para poder afirmar-se que Portugal estaria a violar a directiva caso não alterasse a lei. Ler mais…

Matrioshka de Antónios

1 Setembro, 2014

petrushka-joe

A harmonia musical em todo o cânone ocidental leva ao conceito de acorde, a sobreposição de duas notas a uma raiz (ou tónica) separadas por intervalos de 3ª, compondo um conjunto que pode ser definido por 1–3–5. Estes números, claro, pertencem à sequência de Fibonacci. Uma oitava musical representa a duplicação de frequência da nota original. Quer 8 (da oitava), quer o 2 (da duplicação de frequência) são número de Fibonacci. A cor de um acorde, se é “maior” ou “menor”, é determinada pela proximidade da 3ª à raiz: maior proximidade, maior a tristeza. “Longe da vista, longe do coração”, já diziam os antigos. O meio caminho entre uma e outra oitava (o intervalo cuja distância para a raiz e a sua oitava é igual) denomina-se por trítono, o som do Diabo. O acorde Petrushka, do bailado epónimo de Stravinsky, é obtido pela justaposição de dois acordes maiores (felizes) cujas raízes estão separadas por um trítono, gerando assim uma dissonância de duas cores “felizes”. Nesta obra, Petrushka é uma boneca tradicional que ganha vida e consequentemente emoções. Em boa parte, Petrushka é recriada como a hipersexualizada Joe no filme Nymphomaniac de Lars von Trier (em dois volumes). No fim, a audiência fica sem saber o quão de Petrushka (e de Joe) é real.

As eleições legislativas regulares em Portugal originam um trítono: entre o cumprimento das 4 sessões legislativas e a tomada de posse do novo governo é usual o alargamento do intervalo de 4ª para 4ª aumentada. Como em Petrushka, só no fim do mandato 2015–2020 ficará na audiência o sentimento de dúvida sobre a essência da realidade. Até lá, venha outro acorde maior, aparentemente feliz na sua inócua justaposição de números de Fibonacci, sempre previsíveis mas com dificuldade de cálculo acrescida a cada iteração. Os Antónios prometem o fim da austeridade. De forma circular, e como Joe disse em Nymphomaniac, “each time a word becomes prohibited, you remove a stone from the democratic foundation. Society demonstrates its impotence in the face of the concrete problem by removing words from the language”.

Falta pouco para o segundo acorde maior do Petrushka, o que lhe dará a dissonância. Muito em breve testemunharemos a abolição da palavra austeridade, em preparação para o evento. A dissonância será obtida pela disjunção entre o que será prometido e o que será efectuado. E tal como Nymphomaniac, a história é contada em dois volumes.

Muito nos conta senhor vereador

31 Agosto, 2014

Ao jornal I Sá fernandes declara a propósito dos brasões: “Não iremos destruir nada, porque o tempo já se encarregou disso. Não iremos acabar com nada, porque há 20 anos que não existem ali brasões.”

Ó almas santas quer isso dizer que durante 20 anos os 130 jardineiros da CML mais as empresas privadas contratadas para cuidarem dos espaços verdes da cidade resolveram por sua conta e risco não tratar dos jardins da praça mais visitada da cidade? Ou resolveram não tratar de buxos e só cuidar das begónias? Ou só tratam de buxos com formas que lhes agradem? E ninguém na CML deu por isso? Ou foi a CML que resolveu que não se cuidasse daqueles buxos e determinava que rosas ao pé do marquês de Pombal sim senhor mas os buxos do império nem vê-los e muito menos podá-los? 

Enfim a realidade é sempre supreendente. E na CML é mesmo um caso de literatura fantástica.

Mas qual é o problema?

31 Agosto, 2014

Para se terminar com esta pungente e indigente questão da falta de mulheres na Comissão Europeia – Martin Schulz alerta para risco de “chumbo” de Comissão Europeia com poucas mulheres –  proponho que os candidatos a comissários de declarem todos pessoas transgender, não confundir com  com os andróginos nem com os intersexos nem com as outras variantes todas em que os pretéritos e arcaicos homens e mulheres agora se dividem. Assim pelas minhas contas dá mais ou menos uma espécie de género, sub-género ou lá o que o que for por candidato a comissário.  Além do mais ganhava-se alguma animação  nas roupas e no calçado e quando fossem todos à Ucrânia a guerra parava de certeza.

 

Os Zés que fazem falta

31 Agosto, 2014

Os brasões da Praça do Império tema do meu artigo de hoje no Observador:  Sá Fernandes desgostoso com o Tejo que não lhe deu amêijoas nem corvinas, triste com a Tapada da Ajuda que não produzia azeite nem vinho, traído pelos ventos que não geraram energia, malquisto com o solo da capital que qual praga bíblica ora se desfazia em pó ora se fendia, virou-se para os buxos da Praça do Império. Não trata deles. E pronto! Desde que Gomes da Costa nos finais do século XIX resolveu adequar à sua visão da História os quadros dos vice-reis da Índia e demais notáveis da nossa História que ornamentavam o Palácio do Governo na Índia portuguesa que não se via uma coisa assim. O militar, que havia de chegar a Presidente da República, não satisfeito com as representações pouco grandiosas desses nossos preclaros antepassados, avançou de pincel para os quadros e, mais barba menos armadura, compôs-lhes as vetustas figuras com a mesma resolução que depois o notabilizaria na guerra e nos golpes de Estado. O resultado foi mais devastador para a memória do Império que o arranque dos buxos dos brasões que o senhor vereador se propõe agora levar a cabo: ao certo não se sabe quem é quem naquela sucessão de heróis que nos olha, severa e atónita com o despautério, em 75 painéis, 42 dos quais recriados a gosto por aquele que anos mais tarde se tornaria no marechal Gomes da Costa. Ora não há-de o senhor vereador ser menos que Gomes da Costa. Ele criou-nos um imbróglio histórico com as barbas de Afonso de Albuquerque e chegou a Presidente da República. O senhor vereador que por esse seu percurso também me parece talhado para mais altos voos quer alterar os brasões. Por mim, como lisboeta que sou, estou por tudo.

Falta pouco para o nirvana

30 Agosto, 2014

la-catrina

Debates entre Costa e Seguro decorrerão, perante as câmaras de televisão, nos dias 9 e 23 de Setembro. Haverá um outro mas, e devido ao carácter muito diferente dos candidatos, ainda não foi possível chegar a acordo no que à data respeita. As diferenças dos candidatos é patente em assuntos de fundo para a resolução da crise nacional tais como a duração dos debates: 45 minutos é a duração proposta para o álbum pelo incumbente, 25 é o tempo proposto para o single de lançamento do novo artista, também ele oriundo da boy band partidária.

É necessário lançar um concurso público para assegurar as pipocas a tempo.

Embora o assunto não seja muito popular nas redacções

30 Agosto, 2014

Leopoldo López líder da oposição venezuelana preso desde Fevereiro tem nova sessão de julgamento marcada para 10 de Setembro. O líder da oposição venezuelana tem tido as visitas supensas e o julgamento está longe de correr de uma forma jurídica aceitável. Dia 10 vai continuar e é bom que seja notícia.

 

Tu és o mercado, estúpido

29 Agosto, 2014
louca-sheriff

Possível estampagem para meta-T-Shirt

Porque “das ideias nascem os mercados”, como bem salientou o doutor Louçã, é a partir de ideias simples – como o assassínio de pessoas – que podemos criar toda uma moda religiosa-fashionista de revolução burguesa a partir dos nossos computadores americanos, no conforto da nossa sala IKEA e dos nossos mojitos com Contessa em vez do ultra-mainstream (que seca, bróder) Bacardi.

che-t-shirts

Che: fooling middle class white kids since 1967

Celebrando a diversidade – e o facto de, lamentavelmente para o doutor Louçã, Israel ainda existir – apresento-vos uma loja de produtos verdadeiramente nada-ofensivos para a ditadura do mercado, o tal que saca os parcos rendimentos aos proletários do isto-não-se-aguentismo-sent-from-my-Mac pela ignomínia atroz do inconformismo luso-tosco.

Em www.che-mart.com podemos encontrar pins como o “Viva la torture and executions of political opponents!” ou t-shirts como a “I bought this t-shirt before Castro died”.

Como mendigar não é bem visto a não ser que o nosso nome leve com prefixo académico, e segundo a máxima de Mark Blyth de que o dinheiro deve ser distribuído directamente às pessoas (largado de helicóptero, provavelmente), limito-me a sugerir que toda a gente deveria possuir, pela dignidade, pelo menos uma bela “rich parents cramping your style? Wear a Che Guevara T-shirt”.

O rapaz do pijama parlamentar

28 Agosto, 2014

Louca-pijama

A histeria do disparate é a maluqueira do politicamente correcto que permite censurar pijamas enquanto ansiamos por um Pol Pot qualquer.

E se fosse uma burka às riscas com uma estrela vermelhinha de 5 pontas?

Não são monstros, são só socialistas

28 Agosto, 2014
Joyce Thacker e um daqueles cartazes muito bons sobre igualdade de oportunidades para crianças e essas coisas bonitas.

Joyce Thacker e um daqueles cartazes muito bons sobre igualdade de oportunidades para crianças e essas coisas bonitas.

Joyce Thacker é a responsável pelo serviço social de crianças em Rotherham desde 2008. Com um salário anual de £130.000 (11.600€ mensais, em 14 meses), em 2012 foi responsável pela retirada de três crianças a casal de acolhimento por este ter filiações ao UKIP, partido que viria a conquistar 10 dos 21 lugares em eleição para o Rotherham Council em Maio deste ano. O casal do UKIP, segundo a responsável, não oferecia condições a essas crianças por ambos os membros se oporem ao “multiculturalismo”.

Durante 14 anos, Rotherham (população 257.600 em 2012) pouco viu de especial no que diz respeito a violações por grupos1, banhos de gasolina e plateia infantil para violentas (redundância) violações2. Nada de especial, não: já em 2006 se sabia da existência de profissões “alternativas” para jovens paquistaneses e outros denominados no Reino Unido como “asians” no tráfico sexual de crianças3.

Já referi que a maioria das vítimas foram crianças brancas, do sexo feminino4? Este facto é importante para que os socialistas bons me possam apelidar de racista. Note-se: nenhum dos responsáveis – como a senhora Thacker – é um monstro; são apenas socialistas na engrenagem da máquina socialista. O lado positivo é que a polícia de Rotherham não é conhecida por barrar a entrada pela porta das traseiras a grupos de jovens negros que a filma. Logo, nem tudo está perdido em Rotherham.


1 “One young person told us that ‘gang rape’ was a usual part of growing up in the area of Rotherham in which she lived”. Página 31.

2 “We read cases where a child was doused in petrol and threatened with being set alight, children threatened with guns, children who witnesses brutally violent rapes and were threatened that they would be the next victim if they told anyone”. Página 36.

3 “In her [Dr Heal] 2006 report she described how the appeal of organised sexual exploitation for Asian gangs had changed. In the past, it had been for their personal gratification, whereas now it offered ’career and financial opportunities to young Asian men who got involved’. She also noted that Iraqi Kurds and Kosovan men were participating in organised activities against young women”. Página 92.

4 “In a large number of the historic cases in particular, most of the victims in the cases we sampled were white British children, and the majority of the perpetrators were from minority ethnic communities. They were described generically in the files as ‘Asian males’ without precise reference being made to their ethnicity”. Página 35.

Contrastes

27 Agosto, 2014

Rotherham, 2012
Três crianças retiradas a casal de acolhimento por filiação ao UKIP. [Em inglês]

Rotherham, 2014
Comissário da polícia de Rotherham recusa demitir-se após publicação de relatório sobre exploração sexual de 1400 crianças ao longo de 16 anos. [Em inglês]

O assistente-social-modelo(*)

27 Agosto, 2014

(*) Referência a um texto num jornal nacional sobre paranoia racista, um bom título para o destaque a negrito (minha autoria) do texto contido no relatório “Independent Inquiry into Child Sexual Exploitation in Rotherham (1997 – 2013)”.

In just over a third of cases, children affected by sexual exploitation were previously known to services because of child protection and neglect. It is hard to describe the appalling nature of the abuse that child victims suffered. They were raped by multiple perpetrators, trafficked to other towns and cities in the north of England, abducted, beaten, and intimidated. There were examples of children who had been doused in petrol and threatened with being set alight, threatened with guns, made to witness brutally violent rapes and threatened they would be next if they told anyone. Girls as young as 11 were raped by large numbers of male perpetrators.
…
By far the majority of perpetrators were described as ‘Asian’ by victims, yet throughout the entire period, councillors did not engage directly with the Pakistani-heritage community to discuss how best they could jointly address the issue. Some councillors seemed to think it was a one-off problem, which they hoped would go away. Several staff described their nervousness about identifying the ethnic origins of perpetrators for fear of being thought racist; others remembered clear direction from their managers not to do so.

A próxima moda

26 Agosto, 2014

Depois dos banhos gelados vamos ter a mania dos pedidos com velas

O pedido de casamento visto dos céus que emocionou a polícia de Londres

Recordo que Portugal é um país cujo clima é bem diferente do de Londres

É importante que as crianças aprendam as “novas” tecnologias

26 Agosto, 2014

Sabemos que a educação é um mero pormenor eleitoral quando, e além da jactância dos avelhados que se auto-promovem à gineta, produzimos produtos destes, cujos requisitos são Microsoft Windows Vista ou superior e leitor de CD-Rom e apresentam na capa um iPad e o texto “consulta e explora o manual que levas para a escola no teu computador ou tablet”.

manuelparreira_2014-Aug-26

A Leya Educação deve vender tablets com leitor de CD-Rom. Pergunta: já contempla cópia privada?

Les beaux esprits???

26 Agosto, 2014
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Ok Rui, admitamos que a divina providência faz a vontade ao Costa e o põe a defrontar o “seu amigo” Rui Rio em legislativas. E se este ganha? Será que o Costa manteria idêntico “espírito colaborante” para uma revisão constitucional?…

les beaux esprits…

25 Agosto, 2014
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Com este governo, esta maioria e, sobretudo, estas pessoas, não vamos lá: o défice voltou a entrar em descontrolo e adivinha-se novo aumento de impostos.

Por razões próprias e alheias, este governo não fez as reformas que tinha que fazer para domar a despesa pública, isto é, para atacar as causas profundas do défice. Pelo contrário, convenceu-se o governo de que o nível da despesa pública até poderia ser mantido ou baixar pouco («vamos manter o estado social», não cansaram de proclamar os seus dirigentes), caso os impostos aumentassem e as exportações também, fórmula mágica que dificilmente se consegue manter por muito tempo, porque explica o bom senso que nenhuma economia se desenvolve se não conseguir aforrar e investir. Um erro de amadores, portanto.

Por outro lado, no que o governo tentou mexer – salários e subsídios da função pública e pensões – o Tribunal Constitucional não deixou, porque a Constituição protege, de facto, o modelo social que o governo afirmou também que defenderia e, consequentemente, enquanto esta Constituição mantiver o modelo, o Tribunal Constitucional não autorizará que ele seja revertido por via orçamentária.

Leva-nos isto à seguinte conclusão: o país só voltará a ser sustentável se forem feitas as reformas necessárias para uma brutal contração da despesa pública, o que poderá suceder por duas únicas vias: por simples implosão do estado social vigente e a sua substituição por um modelo de governo autoritário, hipótese completamente fora de questão na União Europeia, ou por um entendimento entre os dois partidos que podem reunir os 2/3 de votos necessários para a reforma da Constituição que venha a permitir uma verdadeira reforma do estado.

E é isto que anda António Costa a dizer, quando insinua estar disponível para um bloco central com um PSD liderado pelo seu amigo Rui Rio. A coisa tomou já tais proporções, que, na entrevista ao Expresso de sábado passado, ele desafiou Rui Rio a fazer no PSD o que ele fez no PS: desafiar a actual liderança para uma disputa interna pela mesma. É com ele, com Rui Rio, que António Costa conta começar a governar o país por daqui a alguns meses.

Dê ou não dê resultado, não tenho quaisquer dúvidas que o Tribunal Constitucional e a opinião pública em geral aceitariam com muito mais tolerância um fim do actual estado social se promovido por um governo liderado pelo PS, do que se liderado pelo PSD em coligação com o CDS. No fim de contas, não será muito diferente do que sucedeu, no passado, com o governo do Bloco Central, liderado por Mário Soares, e que está actualmente a suceder na França de Hollande. No fim de contas, «les beaux esprits se rencontrent».

les beaux esprits…

25 Agosto, 2014
by

Com este governo, esta maioria e, sobretudo, estas pessoas, não vamos lá: o défice voltou a entrar em descontrolo e adivinha-se novo aumento de impostos.

Por razões próprias e alheias, este governo não fez as reformas que tinha que fazer para domar a despesa pública, isto é, para atacar as causas profundas do défice. Pelo contrário, convenceu-se o governo de que o nível da despesa pública até poderia ser mantido ou baixar pouco («vamos manter o estado social», não cansaram de proclamar os seus dirigentes), caso os impostos aumentassem e as exportações também, fórmula mágica que dificilmente se consegue manter por muito tempo, porque explica o bom senso que nenhuma economia se desenvolve se não conseguir aforrar e investir. Um erro de amadores, portanto.

Por outro lado, no que o governo tentou mexer – salários e subsídios da função pública e pensões – o Tribunal Constitucional não deixou, porque a Constituição protege, de facto, o modelo social que o governo afirmou também que defenderia e, consequentemente, enquanto esta Constituição mantiver o modelo, o Tribunal Constitucional não autorizará que ele seja revertido por via orçamentária.

Leva-nos isto à seguinte conclusão: o país só voltará a ser sustentável se forem feitas as reformas necessárias para uma brutal contração da despesa pública, o que poderá suceder por duas únicas vias: por simples implosão do estado social vigente e a sua substituição por um modelo de governo autoritário, hipótese completamente fora de questão na União Europeia, ou por um entendimento entre os dois partidos que podem reunir os 2/3 de votos necessários para a reforma da Constituição que venha a permitir uma verdadeira reforma do estado.

E é isto que anda António Costa a dizer, quando insinua estar disponível para um bloco central com um PSD liderado pelo seu amigo Rui Rio. A coisa tomou já tais proporções, que, na entrevista ao Expresso de sábado passado, ele desafiou Rui Rio a fazer no PSD o que ele fez no PS: desafiar a actual liderança para uma disputa interna pela mesma.

Dê ou não dê resultado, não tenho quaisquer dúvidas que o Tribunal Constitucional e a opinião pública em geral aceitariam com muito mais tolerância um fim do actual estado social se promovido por um governo liderado pelo PS, do que se liderado pelo PSD em coligação com o CDS. No fim de contas, não será muito diferente do que sucedeu, no passado, com o governo do Bloco Central, liderado por Mário Soares, e que está actualmente a suceder na França de Hollande. No fim de contas, «les beaux esprits se rencontrent».

Odiar o ódio é odiar na mesma

25 Agosto, 2014

A Maria Teixeira Alves escreveu um artigo com boas intenções, certamente, mas que evidencia a assimilação do jacobinismo que torna tudo unitário a montante de nós próprios.

And, you know, there is no such thing as society. There are individual men and women, and there are families. A inteligência é fundamental para não se deixar seduzir por estas ideias colectivas. Pelos estereotipos. Não existem, são meras simplificações mentais.

Não são simplificações mentais, são pura formatação trotskista, pensada, bem fomentada, devidamente recriada nos centros de sociologia e antropologia e outras -ias dentro das academias, locais estes onde se recrutam, como Anthony Quinn a Giulietta Masina em La Strada, membros para uma nova burguesia de estado social para o ideário identitário de sociedade através da própria estratificação que desprezam. O “eu fragmentado” e tretas do tipo cujo significado é invariavelmente o brilhantismo do “eu”, o que projecta, ironicamente, para o que deve ser o destino dos outros.

Pensar que um miúdo que cresce em Londres e canta rap, pode ter a perversão de cortar uma cabeça a outro ser humano, que nunca lhe fez mal nenhum, a sangue frio, é pensar que há um potencial monstro sempre ao virar da esquina, que toma banho todos os dias e vai à escola ou vai trabalhar. Os sinais têm de estar lá. Porque ninguém começa a odiar alguém em nome de um povo de um dia para o outro, por decreto.

Odiar é aceitável, MTA. A coisa mais intolerante dos nossos dias é a mania da tolerância, como se fosse suposto entrar na cabeça de cada um e educar (os chineses tentaram) o que cada um é suposto pensar. Se não há “sociedade”, no sentido que lhe pretende atribuir, também não há o “ninguém”, como também não há o “toda a gente”. Aliás, a imbecilidade do politicamente correcto está mesmo aí: tentar dirigir o ódio para pessoas que decidiram serem dadas a odiar. Já reparou que é a esquerda sem muro de Berlim quem dita isto tudo? Acha que é amor quando a tratam como se fosse idiota?

Todas as pessoas com ódios irracionais a povos, grupos, culturas, religiões, classes são potenciais terroristas.

Não são, não. Potenciais terroristas são aqueles que têm certeza absoluta de redenção, pela próprio benefício que deixam, pelas acções, à tal de “sociedade”. Provavelmente sem querer, a MTA acabou por dizer que qualquer colectivista é um terrorista em potência quando, a grande maioria é apenas alegremente ignorante (o que não tem mal nenhum).

Cada um de nós devia combater esses ódiozinhos irracionais. Está em cada um de nós essa tarefa. Só assim os ódios colectivos se dissipam e não têm terreno fértil para prosperar.

Tenho uma proposta mais interessante do que a criação do Homem Novo: um exemplar processo de alteração do princípio da nacionalidade menos focado no local de nascimento e residência com efeitos retroactivos. Poucas pessoas lhe admitirão estarem prontas para votar Le Pen; votarão, exactamente, porque acreditam que há, no ocidente, eventualmente com passaporte ocidental, pessoas que desejam expulsar para que os filhos voltem a usar transportes públicos.

Combater o ódio não faz sentido. O que faz sentido é que a MTA tente explicar os motivos pelos quais os votantes Le Pen estão errados, se é que estão. Tarefa tão dantesca não quereria eu ter.

A ler

25 Agosto, 2014

Ventos de vaidade de Bjørn Lomborg: Copenhaga, capital da Dinamarca, quer ser a primeira cidade do mundo sem emissões de CO2, em 2025. No entanto, como muitas outras cidades e países bem-intencionados descobriram, reduzir significativamente as emissões de CO2 é muito mais difícil do que parece, e pode exigir alguma contabilidade criativa.

Maida Vale

24 Agosto, 2014

Na Síria para a jihad, o cantor de rap que vivia na casa londrina em Maida Vale

Bary vivia com a sua mãe Ragaa há mais de uma década numa casa em Maida Vale, zona oeste de Londres, pertencente ao Westminster Council. Se vendida no mercado livre chegaria ao milhão de libras1

Espero que o estado social britânico também tenha fornecido o bilhete de avião para a Síria. De outra forma seria uma falha gravíssima nas funções sociais do estado. Isto do multiculturalismo de generoso estado social está a funcionar às mil maravilhas.

1 Original em inglês: Bary lived with his mother Ragaa for more than a decade in a home in Maida Vale, West London, owned by Westminster Council. If it were sold on the open market it would be worth £1 million.

E a nova ordem global empresta dinheiro?

24 Agosto, 2014


A parte mais interessante não é quando chora mas sim quando (1.18) tenta enumerar as importante organizações internacionais que segundo ela apoiam a Argentina.
Eu pr mim sugiro-lhe que contacte o professor Boaventura. Não é que aquilo que Portugal lhe tem pago chegue para pagar a dívida da Argentina mas se o nosso Boaventura contactar mil boaventuras, que os há por esse mundo ocidental, vai ver que já tem qualquer coisita para entregar aos fundos ditos abutre.

Aliás o nosso Boaventura até já foi homenageado nessa terra e foi “compartir inquietudes” e “hablar de las epistemologías del Sur”. Aliás parece-me que os problemas da senhora Kirchner começaram quando na sua cabecinha achou por bem tentar pagar com “las epistemologías del Sur”.

Aqui ao lado

24 Agosto, 2014

Desfile de prisioneiros em Donetsk

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Os condescendentes

24 Agosto, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador: os incidentes no Vasco da Gama

Sai uma PPP com as “entidades gestoras dos direitos de autor”?

24 Agosto, 2014

 

O Governo aprovou esta quinta-feira as alterações à Lei da Cópia Privada, cuja proposta foi anunciada pelo executivo em janeiro do ano passado, que vem taxar todos os dispositivos que permitam gravações, como telemóveis, tablets, pens e discos rígidos. “A nossa estimativa é que as receitas [provenientes desta taxa] variem entre os 15 e 20 milhões de euros, e está prevista uma distribuição dos montantes” pelas entidades gestoras dos direitos de autor, disse Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura, na conferência de imprensa que se ao Conselho de Ministros. Segundo o documento, 40% do montante irá para os autores, 30% para os artistas, intérpretes ou executantes e 30% para os produtores de fonogramas e de videogramas.

 

 

O preto que odiava o gay que odiava o moina que odiava pretos

23 Agosto, 2014

Várias pessoas, sem que as tivesse ofendido ou sequer importunado, fizeram-me chegar um artigo de opinião intitulado “O polícia-modelo”; talvez com intuito de me alertar para o fim dos tempos e os 144.000 tatuados nas respectivas testas com o nome de Sócrates Costa, talvez porque simplesmente compreendem o meu gosto e simpatia por pessoas que se trepanam em público.

Ao ler a brilhante peça de humor involuntário fui percebendo a atracção da autora por expressões como “pessoas de pele escura”, o que me permitiu intuir que o grupo de parvalhões que causaram distúrbios no centro comercial sofriam de doença de Addison, causadora de hiperpigmentação entre outras maleitas mais maçadoras ou, em alternativa, que eram pretos (o texto não é claro).

Quem, no texto, sendo que isto é um mero talvez, não sofre de hiperpigmentação é o polícia mas, pelo artigo, fiquei sem saber se é mesmo branco, espadaúdo, se usa gravata, se é casado com outro gay (seria atenuante) ou se joga xadrez, denotando uma certa lacuna na prosa queirosiana, isto apesar de todo texto ser uma hipálage ao racismo inerente da autora (que não tem nada de mal, cada um odeia quem quiser) dirigido a polícias caucasianos.

Se tiver que concluir qualquer coisa, e por mero favor a mim próprio pelo tempo perdido que podia ser usado para ver piruetas de auto-trepanação bem mais engraçadas, é que a autora parece ser extremamente intolerante à intolerância, num loop (estrangeirismos já é queirosiano) de feedback positivo que terminará, inevitavelmente, numa explosão de ódio ressonante a si própria.

Nota final: 10 valores, pela imaginação.

Taxa da cópia privada = subsídio ao Zé Cabra

23 Agosto, 2014

Já toda a gente percebeu a imoralidade da taxa sobre cópia privada. No entanto, pouco está a ser dito sobre o factor subsídio: ao distribuir receitas oriundas da taxa por autores sem consideração pelo seu factor comercial*, o que efectivamente se está a fazer é subsidiar autores sem potencial de sobrevivência autoral. Em suma, quem sai a perder são os autores que, com o seu mérito, conseguem a aceitação do mercado e que têm que partilhar receitas com o Zé Cabra.

* Não é possível contabilizar as cópias privadas efectuadas, uma das próprias premissas da taxa.

A carta da raça

22 Agosto, 2014

Is it because I is black?

Is it because I is black?

22 Agosto, 2014

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Hamas executou 18 homens por “colaboração” com Israel
Os mortos pelo Hamas são homens. Nem civis nem coisa alguma. Homens. Não têm mulheres a chorá-los, nem filhos, nem mães. São homens. Eos homens não se choram.
Digamos que já dar-se a notícia é um avanço. Mas Boaventura Sousa Santos tem a solução. A saber: extingue-se Israel e “os cidadãos do mundo propõem a criação na Palestina de um Estado secular, plurinacional e intercultural, onde judeus e palestinos possam viver pacifica e dignamente.” Ó homem por quem é parta já para a Faixa de Gaza. leve os “cidadãos do mundo” consigo e expliquem o vosso projecto da Palestina Estado secular, plurinacional e intercultural aos senhores que têm os barretes negros. Mas Boaventura parta já hoje. Que não lhe falte a coragem nem tremam as pernas. Se acabar diante de um pelotão de fuzilamento ou com um facalhão encostado ao pescoço seja coerente e grite : Abaixo o capitalismo! Fim ao Estado de Israel! Morte ao imperialismo norte-americano.

Pode ser que a Mossad o ouça e o vá buscar.

 

A ler

22 Agosto, 2014

Corresponsales en Gaza: la verdad sea dicha Ou como aqui se pergunta Reporters Have Finally Found Hamas. What Took So Long?

 

Alternativa à lei Barreto

21 Agosto, 2014

Amazon-logoVocê pode fazer cópias privadas. Quando compra um CD está a comprar o direito ao usufruto em privado da música nele contida. Com a lei da cópia privada terá que pagar uma taxa para poder criar uma cópia para ouvir no carro ou no iPod, em privado. A ideia é que, sem a taxa, você está a impedir o autor de receber royalties pela compra de um segundo CD para ter no carro. O corolário deste princípio é que os leitores de CD dos carros deverão vir a ter um detector do número de passageiros para evitar o risco de uma pessoa que não adquiriu o CD o vir a escutar durante a boleia para o trabalho. Ou então, em alternativa, uma ranhura onde se introduzem moedas para escutar faixas de discos comprados para usufruto em privado. Tecnicamente, pode ouvir música no carro mas não é aconselhável que o faça com o vidro aberto se outras pessoas estiverem nas imediações: é que são menos cópias do disco que são vendidas, entendem? A alternativa, se pretende circular num carro onde ouve música em CD devidamente comprado na lojinha, é pedir uma licença de radiodifusão e pagar a respectiva taxa. Há muito espaço para ampliar esta brilhante lei: falem comigo, vamos extorquir dinheiro à malta.

Em alternativa, podem começar a fazer as compras de suportes digitais na empresa dos capitalistas neoliberais da figura.

Lido assim talvez se perceba melhor

21 Agosto, 2014

 

 

 

A Cópia Privada Volta a Atacar

20 Agosto, 2014
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Em Portugal, existe uma lei de extorsão de consumidores a que se chama Lei da Cópia Privada. O primeiro passo para esta moderna forma de roubo foi dado em 1998, com a publicação da lei 62/98 que regulava o disposto “no artigo 82.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos”, mais tarde alterada pela Lei 50/2004.

Nessa lei estabelece-se que “a remuneração a incluir no preço de venda ao público dos aparelhos de fixação e reprodução de obras e prestações é igual a 3% do preço de venda, antes da aplicação do IVA, estabelecido pelos respectivos fabricantes e importadores” e fixa as taxas a cobrar na venda de suportes de gravação  (Cassetes áudio e vídeo VHS – apenas VHS – CDs, CD-Rs, Minidiscs, DVDs). As taxas foram fixadas em cêntimos – por exemplo, 26 cêntimos por cassete VHS, 30 cêntimos por cada DVD-RW.

Depois, como todas as leis portuguesas, estabeleciam-se isenções: artistas, entidades de carácter cultural, etc. A lei era para extorsionar os consumidores a favor dos artistas, pelo que não faz sentido que os artistas sejam extorsionados a favor deles próprios.  Ler mais…

Os retornados começaram a chegar há 40 anos

20 Agosto, 2014

Para muitos os retornados surgiram em 1975, eram brancos e vieram na ponte aérea. Mas não: os primeiros chegaram no Verão de 74. Boa parte deles não eram brancos e muitos nunca tinham saído de África.

É uma história longa e complexa, a dos retornados. Três fugiram de bicicleta. Outros arriscaram atravessar o oceano em simples traineiras. Milhares embarcaram em paquetes para uma viagem que eles sabiam não ser de retorno nem ter retorno. Existem ainda aqueles que ao volante de camiões ou de simples automóveis inventaram rotas de fuga pelo continente  africano. Por fim, a maior parte, chegou às centenas de milhar numa ponte aérea que parecia interminável

Contudo não só eles não eram retornados como surgiram muitos meses antes de a palavra retornado ter conseguido chegar às primeiras páginas dos jornais portugueses. Desde Junho de 1974 que encontramos notícias sobre a fuga dos colonos, dos brancos, dos africanistas, dos europeus, dos ultramarinos, dos residentes e dos metropolitanos. No Observador começo a contar-lhes parte da história.

 

 

Desocupem Al-Andalus, infiéis

20 Agosto, 2014
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o emplastro do brasil

19 Agosto, 2014
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Devo ser das poucas pessoas que considera que a entrada de Lula da Silva na campanha presidencial brasileira não vai desequilibrar as coisas em favor da sua “presidenta”. Julgo até que, pelo contrário, a maioria dos brasileiros começa a estar farta do “Lulinha-carregador-de-postes”, isto é, do cabo eleitoral que elege fulanos que quase ninguém conhece, e que não irá, desta vez, na sua cantiga habitual. Na verdade, o PT tem já doze anos de poder, com histórias diárias de corrupção e escandaleiras permanentes, e as pessoas parecem começar a entender que a alternância é a principal virtude da democracia. E, no meio desse circo mediático, Lula está cada vez mais parecido com um emplastro que aparece sempre na fotografia ao lado de figurões importantes. Já não há pachorra!

O Projecto de Lei sobre a «cópia privada»

19 Agosto, 2014

Fonte amiga cedeu-nos cópia do projecto apresentado pelo Governo para a revisão da lei sobre a cópia privada.

Aqui o divulgamos para discussão pública, uma vez que afecta as liberdades individuais de todos e os consumidores em geral.

Projecto de lei 283/2014: III_7_PL2832014

Descubra as diferenças

19 Agosto, 2014

Casamento entre judia e muçulmano: uma festa e uma manifestação Quando Morel e Mahmud anunciaram o casamento no Facebook, não imaginavam que a festa ficasse marcada por uma manifestação que juntou centenas de pessoas contra a sua união, em Gaza. Centenas de pessoas partiparam num protesto contra a união de um empresário muçulmano e uma professora judia, convertida ao islamismo. A manifestação,que decorreu no domingo, foi organizada por uma organização israelita de extrema direita que milita contra “a assimilação de judeus e os casamentos mistos”.

A saber:

Uma judia casou com muçulmano..

O casamento teve lugar em Gaza.

Uma organização israelita de extrema direita foi manifestar-se em Gaza.

Haverá quem acredite que isto era possível?

 

 

Contribuintes, sempre generosos….

19 Agosto, 2014

O Comité Central da UE decidiu e o camarada Comissário dos Agricultores já anunciou que tudo fará para evitar que o malvado mercado de  produtos agricolas funcione. Meio em pânico, com receio que o fim da exportação para a Russia levasse os preços no mercado europeu a alguma descida, anunciou que os contribuintes europeus irão torrar 125 milhões de euros para evitar que a oferta de produtos vegetais aumente e consequentemente o seu preço desça. Irá usar esses milhões para adquirir a produção, retirando-a do mercado e fazendo a sua distribuição gratuita por entidades sociais; irá pagar os produtos que os agricutores livremente resolvam nem sequer colher, bem como pagará o preço dos produtos aos agricultores que os colham antes do tempo e como tal sejam inutilizados e deitados ao lixo.

A UE paga, não vá algum agricultor ficar com os tomates ou melões na mão. Nem sequer se permite que se vendam tais produtos no mercado interno. É que isso podia «fazer descer os preços». Ui, e isso a soviética UE não deixa, os agricultores não podem ter os rendimentos diminuidos, coitadinhos. Para isso existem os contribuintes que pagam  todos os subsídios  que sejam necessários e ainda pagam os produtos mais caros. Afinal, é para isso que existe a UE, não é?