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recordando um célebre “merceeiro do porto”

8 Agosto, 2014
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Semanas depois de ter enfiado 900 milhões de euros numa empresa já reconhecidamente falida, e de aparentemente o ter feito sozinho, sem ter sequer consultado os seus colegas da administração, o cidadão Granadeiro apresentou a demissão de todos os cargos que exercia na PT. Alega só agora o ter feito para cuidar dos interesses dos accionistas, que, a avaliar pela forma exemplar como os tem ultimamente defendido, lhe devem ter ficado imensamente gratos por mais estes preciosos dias passados à frente da empresa. Quanto à massa “emprestada”, uma “pipa” dela, como diria o cessante presidente Barroso, foi-se pelo ralo da pia ou pelo cano de esgoto, conforme as preferências de estilo. Já sobre as razões que o terão levado a  tomar tão notável acto de gestão, que ditou o fim dos seus dias à frente da empresa (dessa e de outra qualquer, num país normal), Granadeiro limitou-se a dizer que a auditoria mostrará “que agi nos interesses da empresa”.

Esta miserável estória de contornos sicilianos tem somente um único mérito: demonstra, à evidência, as razões pelas quais um célebre “merceeiro do Porto” nunca poderia ter ficado à frente dos destinos da PT, e o que levou à tramoia que juntou todos os interesses do regime para impedir que ele assumisse o controlo da empresa, como teria sucedido pelas normais regras de mercado que esses interesses cuidaram de corromper. Ou será que alguém concebe o hoje demissionário CEO a “defender” deste modo os accionistas da PT, se Belmiro de Azevedo comandasse a empresa?

Amadores

7 Agosto, 2014

É verdadeiramente espantoso que uma empresa da dimensão da PT demore semanas para reagir a uma decisão suicidária e altamente prejudicial.

É incompreensível como uma empresa como a PT tem forma de funcionamento interno tão deficiente que possibilita que alguém, sem controle e sem dar cavaco aos orgãos de gestão, decide gastar mil milhões. Assim, na boa, apenas porque sim. E ups, chatice, perdeu-se….Mas que amadores são aqueles? Quem é essa gente que aceita ter gestores tão primáriamente incompetentes?

Repare-se que os sócios brasileiros foram rapidíssimos (como é proprio de quem pretende assegurar a boa gestão dos seus bens) a reagir, mudando de imediato o acordo de fusão,pois avisadamente disseram «fizeram m***, fiquem com ela». Mas foram os únicos a reagir adequadamente.

Tudo o mais pareciam vacas a pastar. Nem os demais sócios mexeram uma palha, aparentemente indiferentes à perda de uma pipa de massa (na elegante expressão do cherne da UE) . Nem os reguladores chamaram de imediato a atenção para a estranheza e mais do que duvidosa natureza do negócio, nem pediram satisfações, nem alertaram sócios para a situação. Enfim, «regularam» à moda da Dona Inércia.

Uma coisa é certa, os donos da PT ou são tolos ou ineptos.

O mundo pula e avança, como bola colorida nas mãos de uma criança

7 Agosto, 2014

“O fim da austeridade não é uma promessa: é uma necessidade”. Esta frase é extremamente curiosa: substituindo palavras por sinónimos seria algo como “o fim do rigor não é um compromisso: é uma obrigação”.

Recordemos o edil lisboeta em 2007:

Bom, com muito rigor, precisamente, sem fantasias e só podendo gastar aquilo que temos. E isso era opção fundamental do plano de saneamento financeiro que tinha duas medidas: por um lado um empréstimo, para pagar as dívidas que herdamos; mas por outro lado muito rigor no exercício orçamental para não gerarmos novas dívidas que outros tenham que pagar. Ora, já temos uma das medidas; precisamos da outra. E isso começa já neste plano e orçamento: portanto, com uma redução de 32% no conjunto da despesa; são cortes de 253 milhões de euros que temos que cortar de despesa, mas que é absolutamente essencial para podermos sanear as finanças do município e não pagar dívidas agora para ter mais dívidas amanhã. —António Costa para a RTP

Fórum Literário

6 Agosto, 2014
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Gosto de espaços, pontos de encontro de gente civilizada, fóruns onde é possível manifestar opiniões livres, sem constrangimentos. Quando uma dessa zonas de confronto de ideias abre as portas a gente inteligente, pessoas com aguçado espírito crítico, com uma apurada compreensão dos temas em debate e com uma  capacidade de argumentação ímpar, o sucesso é garantido. As cerejas no topo do bolo são a qualidade literária, o bom trato dado à língua portuguesa e a elevação da linguagem.

Chamo-vos a atenção particular para o uso criativo da pontuação, para a multiplicação impetuosa de símbolos gráficos, para a leveza quase libertina da escolha da forma da palavra escrita, para a desconstrução permanente das regras que impõem amarras e limites à línguagem.

Fiquem com alguns dos melhores momentos dos últimos dias do melhor fórum literário do ciberespaço em língua portuguesa, o grupo do Facebook: Amigos de José Sócrates. Tudo dos últimos 3 dias.

 

Sobre Nuno Melo:

“Olha o arruaceiro, o crápula do Nuno Melo a não querer que se fale politicamente do BES. Porquê?”

“Nogento!”

“este incompetente devia estar no manicómio”

“Este advogadozeco de meia tigela”ganhou” alguma notariedade pelo ataque obsessivo a Vitor Constancio e agora quer que todos fiquem calados????”

“O que são é Lacáios do governo e do CAVACO cá fora não tinham onde cair mortos, indejaveis”

“Ai que filho dum corno.”

“Já nem oiço este crápula.”

“Um monte de merda.”

“Ser nojento, prepotente, sempre com a mania de que é o dono da verdade. Está bem acompanhado com o seu partner Paulo Porcas.”

“UM BADAMECO DE M………………”

“Este naminha Terra já tinha levado o jeito no gargalho este bacoco.”

“…o bandalho nem falou perdeu o pio. Sim sr este Homemmandou-lhe com as verdades a cara desse paspalho”

“O que é que este palhaço do Nuno Melo faz no País…”

Ler mais…

já o mercado entende muito bem o que se está a passar

6 Agosto, 2014
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E tem sempre razão: manter activos de risco, em bancos de risco, num país de risco não interessa a ninguém.

também está à espera que lhe expliquem

6 Agosto, 2014
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O Ministro da Economia também está à espera que lhe expliquem o que se passou no BES e na PT. Segundo ele, as situações ocorridas “são completamente atípicas e, acima de tudo, inexplicáveis”. Vamos ficar a aguardar.

alguém será capaz de nos explicar o que se passou nos últimos dois anos?

6 Agosto, 2014
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Há pouco mais de dois anos, o BES rejeitou o auxílio do fundo de capitalização da banca, que, entre outros aspectos, determinaria a nomeação de administradores externos ao núcleo central accionista que mandava no banco. Na altura, esta decisão foi interpretada como um sinal muito positivo sobre a saúde financeira do banco, o que levou a opinião pública a exaltar a excelência da sua gestão, corporizada no seu presidente Ricardo Salgado, também conhecido pelo DDT (Dono Disto Tudo). Essa foi a mensagem que passou para o mercado, sem qualquer retoque ou comentário das autoridades fiscalizadoras. As acções do BES valorizavam-se, o banco, em contraciclo com todos os demais concorrentes, obteve ganhos em bolsa muito justamente considerados “surpreendentes” e dispunha, também ao contrário dos demais bancos nacionais, de resultados financeiros muito confortáveis. Estes números poderiam ter sido certamente verificados pelas contas do banco e, em caso de causarem alguma reserva, ter sido alvo de auditorias que os analisassem melhor.

Ao fim de pouco mais de dois anos sobre essa emblemática rejeição de auxílio do estado, o BES apresenta um gigantesco buraco de vários mil milhões de euros (os números conhecidos só podem, por enquanto, pecar por defeito), de tal modo que o regulador foi obrigado a determinar o seu fim e a criação de uma outra entidade que ficará sob a sua gestão, o mesmo é dizer, teve de o nacionalizar. Por ora, a intenção é a de nacionalizar somente os activos saudáveis e deixar aos accionistas os prejuízos. Veremos se estes se conformam com a estratégia, ou se irão pedir responsabilidades a quem tinha de verificar a saúde do banco e transmitir ao mercado o diagnóstico real em que ele se encontrava. Quanto a Ricardo Salgado, o mago da gestão do BES, foi há dias transportado por um carro celular a um juíz de instrução criminal, donde só se livrou da prisão preventida por se ter disposto a pagar a mais elevada caução judicial da história da  justiça portuguesa. Alguém será capaz de explicar o que aconteceu no BES nestes últimos dois anos?

A conciensia sosial

6 Agosto, 2014

A ortografia é um resquício fascista que oprime o livre arbítrio da interpretação individual. Apesar do enorme esforço do acordo ortográfico – aquele que permitiu alargar para 4 ou 5 as possibilidades de grafia de uma única palavra – muitas pessoas ainda conseguem determinar um único sentido para uma pequena frase. Isto tolhe a imaginação e a criatividade artística para, por exemplo, chegarmos ao ridículo de interpretação unívoca para a bula do metilfenidato do nosso (obviamente) hiperactivo filho.

Uma sociedade verdadeiramente evoluída já libertou os seus contribuintes das amarras de interpretação única dos factos através de uma abertura que permite uma infinidade de sentidos para todas as palavras, elas próprias uma limitação a um universo finito (um contra-senso) de conceitos abstractos para auto-expressão em primeiro, comunicação em segundo lugar.

Felizmente, um número crescente de proto-candidatos à docência, 62,8%, optou pelo caminho correcto, o do livre-arbítrio perante a escravatura da convenção ortográfica das 4 grafias; optaram pela 5ª, pela 6ª, pela 10ª. Os restantes 37,2% (ou, para cerca de 1500 proto-candidatos, os restantes 50%; ou, para a CGTP, os restantes 99%) continuam agarrados a velhos modelos de pensamento, como velhos do S. Francisco Xavier, retrogradamente delapidados de dignidade e conciensia sosial.

Como o Hamas dispara os seus rockets de um terreno ao lado de um hotel de jornalistas

6 Agosto, 2014
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Já fiquei alojado no Gaza Hotel (no longínquo ano de 1995) e na altura não havia tantos prédios à volta, mas havia seguramente menos jornalistas no hotel do que nos últimos dias. Não deixa por isso de ser revelador que só uma cadeia de televisão indiana tenha registado e reportado a forma como Hamas montou um rocket e depois o disparou de um terreno mesmo ao lado do hotel. Ou seja, viu aquilo que a generalidade dos enviados especiais a Gaza não tem conseguido ver.

Sobre a expropriação dos accionistas

6 Agosto, 2014

Como mencionado num post anterior, a legislação prevê os accionistas do banco mau têm direito a eventuais ganhos que ocorram na venda do banco bom:

Artigo 145.º -I
Alienação do património do banco de transição
[…]

4 — Após a devolução dos montantes previstos no número anterior, o eventual remanescente do produto da alienação é devolvido à instituição de crédito originária ou à sua massa insolvente, caso aquela tenha entrado em liquidação.

Deputados interrogam o Sr Governador

6 Agosto, 2014

O Governador do Banco de Portugal vai ser chamado ao Parlamento para explicar o que anda a fazer ao BES. O Governador limitar-se-á a explicar que está a aplicar a legislação que decorre de uma autorização legislativa dada pelos deputados para a criação pelo governo de um processo de resolução bancária. Nessa autorização legislativa pode ler-se:

3 — Fica o Governo autorizado a determinar que, quando as instituições não cumpram ou estejam em risco de não cumprir os requisitos para a manutenção da autorização para o exercício da respectiva actividade, o Banco de Portugal pode aplicar as seguintes medidas de resolução:
a) Alienação parcial ou total da actividade a outra instituição autorizada a desenvolver a actividade em causa;
b) Transferência parcial ou total da actividade para um ou mais bancos de transição.

O debate parlamentar feito no Parlamento à época pode ser consultado aqui.

Furo jornalístico e inside trading

5 Agosto, 2014

O furo jornalístico de Marques Mendes ou a queda da bolsa na sexta à tarde revelam acesso a informação privilegiada, mais precisamente a que se encontra neste decreto lei de 2012:

A fase dita de resolução compreende a possibilidade de aplicação de dois tipos de medidas de último recurso destinadas a defender interesses essenciais como os da estabilidade financeira e o da continuidade de funcionamento dos sistemas de pagamento. […] O segundo corresponde, por seu turno, à transferência de activos, passivos, elementos extrapatrimoniais ou activos sob gestão para um banco de transição criado para o efeito. Estas medidas estão reservadas para a eventualidade extrema de uma instituição de crédito se encontrar em risco sério de não cumprir os requisitos para a manutenção da autorização para o exercício da sua actividade e não ser previsível que a mesma consiga, num prazo apropriado, executar as acções necessárias para regressar a condições adequadas de solidez e de cumprimento dos rácios prudenciais.

Aquela pessoa sem perna faz-me doer o braço

5 Agosto, 2014

Uma das notícias de hoje é a diminuição da taxa de desemprego. Os eternamente indignados (por tudo que é altamente indignante) indignam-se porque não consideram o número como indicativo da realidade. A partir de hoje é melhor não usarem números oriundos do INE para as indignações, OK? Pareceria hipócrita.

Deve ter havido uma notícia sobre emigração (são baratas, há sempre alguém a entrar em aviões). Por algum motivo, pessoas que não gostam do número do INE acham que todos os que emigram o fazem porque já não aguentam. Até pode ser verdade, em particular não aguentarem tanto carpir em seu nome.

Outra notícia de hoje é a indignação que muitas pessoas sentem por existirem accionistas que perdem dinheiro por terem comprado acções do BES. Infelizmente ainda não tivemos oportunidade de ouvir a dor em primeira mão, pelo relato de um accionista que “perdeu as poupanças de uma vida inteira”; ao invés, já ouvimos o quão indignante deve ser ser accionista numa altura destas pelo enorme sofrimento que eventualmente (mas certamente) estão a sentir.

Talvez pudéssemos deixar de sentir as dores dos outros como nossas. Poder, até podíamos, mas não seria a mesma coisa.

Fantasias fiduciárias

5 Agosto, 2014

inflation--300x300A discussão sobre o “grau de liberalismo” das opções do governo no que diz respeito à banca estão inquinadas à partida pelo simples facto da existência de banco central.

Em última instância, o que são perdas em moedas fiduciárias? Nessa discussão, a facção bancarrotária do Partido Socialista vai bem à frente na sua interpretação selectivamente hiper-keynesiana: por isso querem quantidade de notas em detrimento de valor (meramente fiduciário) para as existentes.

No mundo real há perdas. Mas quem disse que accionistas de bancos vivem no mundo real?

Accionistas com sorte

5 Agosto, 2014

Neste país curioso o governo é em simultâneo acusado de expropriar os accionistas do BES e de meter dinheiro dos contribuintes num banco. Destas duas acusações, a segunda é a que tem maior probabilidade de estar certa. Embora o risco para os contribuintes não seja elevado (é semelhante ao risco de o sistema bancário falir todo), a injecção de 4,9 mil milhões de euros no good bank só é viável porque o Estado garante o empréstimo da Troika ao fundo de Resolução. Sem este dinheiro o banco entraria num processo de falência não apoiada, com perdas maiores para os accionistas e eventualmente com perdas também para os obrigacionistas não subordinados.

Há dois processos alternativos, qualquer deles pior para os accionistas:

1. Falência por liquidação dos activos, sem disponibilidade de liquidez externa. O banco nestas condições não teria liquidez para pagar todas as obrigações de imediato. Este processo seria demorado e depositantes e obrigacionistas só receberiam à medida que os activos fossem vendidos,  a baixo preço para tornar a operação mais rápida. No fim dificilmente sobraria alguma coisa para os accionistas dado que todos os activos teriam que ser vendidos com desconto.

2. Aumento de capital com a conversão de dívidas em acções. Neste caso os obrigacionistas teriam que injectar os cerca de 4,9 mil milhões de euros para reforçar os  rácios de capital por conversão de dívida em acções. Nesta opção os accionistas sofreriam uma perda total (a prioridade é pagar uma parte aos obrigacionistas) e os obrigacionistas uma perda parcial uma vez que passariam a deter um activo de maior risco, acções. Cerca de metade da dívida obrigacionista seria convertida em acções.

O avançador

5 Agosto, 2014

Em que ficamos?

5 Agosto, 2014

30 Jun 2014 – O PCP defendeu hoje uma intervenção do Estado junto do grupo Espírito Santo, que pode passar pela nacionalização, considerando que a “situação é insustentável”, com a acumulação de “casos” do banco.(…) Em conferência de imprensa, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, foi questionado sobre a defesa da nacionalização do BES e respondeu que essa é “uma solução”. 

4 de Agosto de 2014: O PCP e o Bloco de Esquerda (BE) acusam o Governo de estar a recapitalizar o BES com dinheiro público. Comunistas receiam que os portugueses sejam chamados a pagar os prejuízos do Grupo Espírito Santo (afirmou Agostinho Lopes,)

O PCP que em Junho queria nacionalizar o BES é o mesmo que agora receia que os os portugueses sejam chamados a pagar os prejuízos do Grupo Espírito Santo?

No fim do seu texto no Observador o JMF escreve O desconcerto das reacções da extrema-esquerda, com particular destaque para o destrambelhamento de Catarina Martins, é um sinal de que a solução acabou por surpreender mesmo os que sabem sempre tudo até antes de tudo acontecer. É fácil e tentador chamar invocar o destrambelhamento para referir as declarações de Catarina Martins – a forma como reagiu aos resultados das eleições europeias é de antologia! – mas na verdade ninguém a toma muito a sério mas tanto quanto recordo Catarina Martins nunca defendeu a nacionalização do BES. Já o mesmo não se passa com o PCP cuja sucessão de declarações sobre o caso BES está muito para lá do destrambelhamento.

Choradinho dos accionistas

5 Agosto, 2014

Neste processo de resolução bancária do BES haverá muitos choradinhos. Aquele que nesta fase está a ter destaque é o choramingo dos accionistas, cujo argumentário pode ser consultado, por exemplo, aqui. Sobre isso importante perceber o seguinte:

1. Num processo de separação entre bad bank e good bank, o good bank não é a expropriação do valor accionista do banco. O good bank tem activos, mas também tem passivos. Em princípio estes devem estar equilibrados. Portanto, não adianta fazer o choramingo “ai coitados dos accionistas que foram expropriados dos activos bons e só lhes deixam o osso”. Para o good bank são transferidos activos suficientes para pagar os credores prioritários, entre eles os depositantes e os obrigacionistas prioritários. Não adianta sequer dizer que os activos do good bank são muito bons e para os accionistas só ficaram os maus. O valor de um banco não é igual ao valor dos seus activos mas sim ao valor da diferença entre activos e passivo.

Idealmente, isto é, se o processo for bem desenhado, o valor do good bank antes de ser capitalizado seria zero. Por isso é que precisa ser capitalizado. Caso seja superior a zero, algo que só se saberá com 100% de certeza após a venda do good bank, haverá cláusulas de compensação que permitem compensar o bad bank, como se explica aqui. Portanto, não há qualquer razão para desconfiar que há uma expropriação dos accionistas. Aliás, estes processos de divisão de activos de bancos, em good e bad banks, são banais e são feitos respeitando os direitos de propriedade.

2. Um banco para operar tem que ter rácios de capital acima do mínimo legal. A razão é simples de perceber. Tendo em conta que mais de metade dos activos de um banco são depósitos e que os bancos funcionam muito alavancados, qualquer pequena oscilação de mercado pode levar a perdas consideráveis do valor accionista do banco, havendo o risco de ele falir. Ora, o BES, apesar das várias oportunidades para se recapitalizar, incluindo por fundos públicos, caiu abaixo desses rácios. Sendo o nível de desconfiança elevado, tornou-se impossível uma recapitalização privada, pelo que o banco apesar de poder ter um valor positivo, deixou de ter condições para operar. Simplesmente não reúne condições para aceder aos fundos do BCE, que são indispensáveis à actividade. Sendo assim, o banco tem que ser liquidado.

3. Os princípios a seguir na liquidação de um banco estão pré-definidos e não deverá ser surpresa para ninguém que os accionistas só recebem alguma coisa depois de todos os credores serem pagos. Não há num processo de liquidação uma distinção entre o pequeno accionista e o grande accionista, nem deve haver. As coisas são como são. Não se trata de punir A ou punir B. É só seguir as regras, regras que não foram inventadas agora.

4. Os pequenos accionistas queixam-se que foram enganados pelos reguladores, que confiaram nas palavras dos reguladores de que o banco estaria sólido. Ora, tenham lá paciência. Quem faz queixas nestes termos obviamente que não faz a mínima ideia do que anda a fazer. O prospecto do aumento de capital do BES tem 375 páginas (PDF). 375 páginas de avisos, revelação de riscos, explicação de como funciona o sistema bancário, análises de mercado, contas etc.  São as pessoas que não leram estas 375 páginas que agora se queixam.

5. Mas vamos pressupor que o pequeno accionista merece ser compensado por ter sido enganado. Quem compensa? O contribuinte? A que propósito? Se calhar devia ser o depositante no BES … Mas a que propósito?

o tempo e o contexto

5 Agosto, 2014
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“Quando o tempo e o contexto permitirem uma análise objectiva e serena do que precipitou a queda abruta do valor do BES e a consequente intervenção do Estado”, Ricardo Salgado, ao contrário do que fizeram Oliveira Costa, Jardim Gonçalves e João Rendeiro, falará. O folhetim BES só agora começou e promete emoções fortes e duradouras.

as “falhas de mercado”

5 Agosto, 2014
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Sendo, provavelmente, a actividade bancária a actividade económica mais controlada pelo estado, por que razão os bancos portugueses estoiram sucessivamente, como castanhas assadas, nas barbas de primeiros-ministros, ministros das finanças, governadores do banco central e demais reguladores e autoridades financeiras, perante a passiva bovinidade de uns e de outros, limitados a dizer asneiras e a dar o dito por não dito com mais ou menos ênfase mediática? Será esta mais uma das muitas célebres “falhas de mercado”?

banco novo, sarilhos velhos

5 Agosto, 2014
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“O primeiro-ministro garantiu, durante o debate quinzenal desta quarta-feira, que o Governo não está arrependido de ter nacionalizado o Banco Português de Negócios (BPN), frisando que os contribuintes não vão ser prejudicados com os custos dessa medida: «Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para valorizar os activos do BPN e para diminuir os encargos para os contribuintes portugueses»”.

Coisas bem feitas e coisas mal feitas

4 Agosto, 2014

Raramente se fazem coisas bem feitas em Portugal, mas ontem foi feita uma coisa bem feita, num caso extremamente complicado. As críticas que se ouvem são tão intensas como quando se fazem coisas mal feitas. Aliás, são mais intensas agora que se fez uma coisa bem feita do que quando se fez uma coisa mal feita com o BPN. É como se o país tivesse uma opinião pública falida e não fosse possível separar o Banco Bom da Opinião do Banco Mau da Opinião.

Uma inovação

4 Agosto, 2014

Não borraram a pintura.
Aguarda-se uma espiral de indignação imensa. O que é sempre um bom sinal de algo que se experimenta pela primeira vez: uma solução com sentido.

Resolução do problema do BES dentro de poucas horas

3 Agosto, 2014

Daqui a umas horas conheceremos o plano exacto que permitirá resolver qualquer questão pendente no plano de reforma do ex-ministro Manuel Pinho, avaliada em 3,5 milhões de euros.

Ainda há esperança….

3 Agosto, 2014

A esquerda radical e a esquerda mole reconhecem agora o grave erro que cometeram com a nacionalização do BPN. E face aos resultados viram agora o bico ao prego. Não será por convicção mas por pragmatismo. Mas não se pode querer tudo. Menos mal: «Não aceitamos que os contribuintes paguem o buraco do BES» (BE). «O secretário-geral do PS, António José Seguro, rejeita uma intervenção do Estado no Banco Espírito Santo (BES)».  Ah, valentes liberais! Bem vindos!

Já a esquerda totalitária mantem o seu registo de sempre com o PCP a exigir a nacionalização. Faltará saber o que defende a restante esquerda, a carreirista do PSD e a esquerda cheiro-a-mofo do CDS.

Pé-de-atleta para todos

3 Agosto, 2014

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Não tenho nada a opinar sobre iniciativas privadas que, segundo a junta, não acarretam despesa para o erário público. Fico é particularmente interessado em saber a opinião da ASAE sobre o assunto. Não sendo possível evitar fausta multa pela ausência de placa proibitiva de fumo de tabaco em estabelecimentos comerciais, esta iniciativa da praia no Jardim do Torel parece pecar pela falta de placas por eventual infecção por salmonella.
Mesmo assim são de louvar estar iniciativas que permitem levar pé-de-atleta a crianças de bairros com carências infecciosas.

Das causas às fantasias

3 Agosto, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Há alguns anos o povo lia “A Rosa do Adro” e os filhos das elites “O Capital”. Agora lêem todos “As Cinquenta Sombras de Grey”. Esta irrupção de “As Cinquenta Sombras de Grey” e seus sucedâneos pelas mesinhas de cabeceira do Ocidente tornou-se-me uma evidência, se quiserem até uma fatalidade, quando nos últimos dias dei comigo a acompanhar os acontecimentos em Gaza. Diante de tanta condescendência, quando não fascínio pelo terrorismo, pela opressão e pela barbárie presentes na ideologia do Hamas, toda aquela tranquitana de chicotes, coleiras e rituais de humilhação que agora enchem montras de lojas e páginas e páginas de sucessos de livraria configurou-se diante dos meus olhos como um símbolo: onde antes estavam as foices e os martelos estão agora os chicotes. Nos tempos da foice e do martelo boa parte da intelligentzia ocidental sonhava em ser vermelha. Agora já não sonha. Só quer que a dominem. Ver os seus a serem derrotados é a sua fantasia. E politicamente falando Gaza é a sua fantasia. Não a sua causa, que já não as tem.

 

 

Da miséria humana

2 Agosto, 2014

A Faixa de Gaza é um gigantesco gueto onde se amontam 1,7 milhões de pessoas num pequeno território sem recursos. Os seus habitantes são refugiados ou seus descendentes expulsos de territórios ocupados por Israel nas últimas décadas. Face a uma ofensiva militar israelita, os civis não tem escapatória possível. Não há lado nenhum onde um refugiado se possa refugiar. Com os ataques a Gaza, Israel ganha alguma hipotese de vir a ter paz com os seus vizinhos, de os obrigar a negociar? Não. Criará ainda mais radicalismo e desespero. Alimenta a sobrevivência politica do Hamas a quem também interessa um estado permanente de guerra. A presente invasão israelita apenas terá como consequencia criar miséria e sofrimento, mortos, feridos e estropiados. A actual destruição das frágeis estruturas civis que ainda havia (hospitais, escolas, estações de televisão, centrais eletricas) e de tantas habitações, tornará a vida das populações civis ainda mais infernais e sem esperança. Bem pode o estado israelita ao final pensar que «demos uma coça neles». Mas como sucede em todas as guerras, apenas se criou sofrimento e gritante desumanidade. Absoluta e tristemente inútil.

Não borrem a pintura

2 Agosto, 2014

A despesa é excessiva, diga o que disser alguém que desconhece o termo “défice”. Isto aplica-se a salários da função pública, a pensões e a outras despesas, nomeadamente despesas extraordinárias para minimizar perdas em maus negócios entre privados e entre privados e eleitos.

Os próximos dias dirão se algo mudou ou não no país. Os próximos dias decidem também quem pode perder as próximas eleições legislativas.

Não borrem a pintura.

Adenda: Aqui explica exactamente o que tem que ser feito.

O mundo é mesmo estranho

2 Agosto, 2014

À Quadratura do Círculo de ontem não faltou uma nota prévia: os intervenientes, todos eles, aceitaram um dos temas em debate seria a disputa interna do PS; mas António Costa, como sujeito activo da mesma, abster-se-ia de quaisquer comentários relacionados. Costa cumpriu. Ler mais

O mundo é um lugar estranho

2 Agosto, 2014

Fiel  à sua tradição de elevar ao cubo o número de manifestantes que apoiam causas que lhe são queridas a TSF informou (informar aqui é uma forma de expressão):  Mais de 3.000 pessoas em protesto pró-palestiniano em Lisboa. Olhando as fotos é de duvidar de tal número. Mas enfim até podiam ter sido 30 mil reformados arrebanhados pelo PCP, activistas do BE e do MAS, MRPP e a delegação do Bangladesh que, na falta de palestinianos, faziam de povo palestiniano e sorriam para os activistas. Estes fotografavam os alegados palestinianos com aquele ar embevecido  dos turistas diante da estação da CP nos Restauradores pois o manuelino é como os palestinianos: as datas e os factos não contam. O que conta é a intenção.

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Nesta manifestação teve lugar uma revelação mundial: segundo se lê num dos cartazes “Israel capta crianças palestinas para usar como escudo humano”. Tendo em conta que tal facto nunca foi referido nas notícias teria mais que oportuno inquirir o autor desta denúncia sobre tal atrocidade. Onde estão os captados? Quem os capta? São captados na faixa de Gaza e levados para Israel? Ou será que sendo captados, seja isso o que for, por Israel são posteriormente levados para a faixa de Gaza e metidos nas casas e escolas onde o Hamas guarda armas para assim os israelitas poderem dizer que o Hamas usa crianças como escudos humanos nesses paiois?… As possibilidades são infinitas e só não se percebe como perdeu a imprensa portuguesa este exclusivo mundial.

Mas sobretudo não percebo como se perdeu a oportunidade de perguntar a esta alma o que o levou ali e porque não vai neste santo preparo manifestar-se na faixa de Gaza.

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Biblioteca do fado português

1 Agosto, 2014

Ler

1 Agosto, 2014

Fátima Bonifácio: Reformar Portugal torna-se assim mais difícil, pelo imobilismo sistemático da extrema-esquerda e de parte do PS, para quem toda e qualquer reforma de consequência constitui um atentado aos sacrossantos “direitos adquiridos”, mesmo quando a mais elementar aritmética comprova que são incomportáveis. Portugal vive refém de uma partidocracia caracterizada pela incapacidade de compromisso dos partidos à Esquerda. O mundo laboral, entregue ao Partido Comunista, tornou-se intocável ao abrigo de uma Constituição obsoleta. O PS, por medo ou convicção, não se atreve a tocar na arca sagrada dos direitos dos trabalhadores.

Se fosse esquema de Ponzi até que nem era tão mau assim

1 Agosto, 2014

No Insurgente detalham-se as razões que levam a que chamar esquema de Ponzi à Segurança Social se pode considerar ofensivo. Para o esquema de Ponzi, naturalmente

Nos últimos dias tenho ouvido diversas pessoas a chamar a Segurança Social de Esquema Ponzi. Pessoalmente, acho isso ofensivo. Por isso escrevo aqui este artigo a defender os esquemas ponzi!

Definição de Ponzi. Afinal, o que é um esquema ponzi? De acordo com a Wikipedia: “envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real”. Assim, contra a Segurança Social temos:

1. A entrada é forçada. Num esquema ponzi, eu posso ser seduzido por rentabilidades fantásticas a ser ganancioso e colocar as minhas poupanças nas mãos do sedutor. Eu tenho a hipótese de dizer não. No caso da Seg. Social, eu sou obrigado a contribuir.  Ler mais aqui

O regresso de Sócrates

31 Julho, 2014

trouxe novamente uma forma de falar e argumentar de que felizmente nos tínhamos visto livres. Alguém supõe o que teriam sido estes anos com a troika em Lisboa e Sócrates em São Bento? Cabalas, urdiduras, canalhives, tremendismos… O modelo deveria ser Cristina Kirshner: de manhã insultam-se os credores, à tarde mendiga-se-lhes mais um empréstimo não importa em que condições porque é urgente; à noite anuncia-se mais um grande investimento público

Por fim creio que nesta socrática matéria  para se estar devidamente acompanhado e não se deixar apanhar pela  rumorologia o melhor é ir seguindo o Do Portugal Profundo

Se se confirmar

30 Julho, 2014

esta notícia convém que não esqueçamos o caso Casa Pia. Que acabou com um PGR mediaticamente linchado, com as vítimas descredibilizadas e com correrias e cadeiras pelo ar na recepção efectuada pelos socialistas a um seu deputado que estivera detido no âmbito desse caso.

Destroços

30 Julho, 2014

A situação interna ucraniana é ela mesma um verdadeiro destroço. Dadas as dificuldades sentidas no desenrolar da guerra civil em curso, o Parlamento da Ucrânia aprovou uma lei de mobilização militar parcial, de modo a garantir vir a ter tropas frescas. Sob pena de todo o esforço militar colapsar por falta de meios, pois prossegue a conquista e bombardeamento das pequenas aldeias em redor de Donetsk.

Por outro lado, procurando silenciar sinais contrários à verdade oficial, o mesmo Parlamento aprovou a dissolução do grupo parlamentar do Partido Comunista, no ambito de um processo em curso que visa a sua ilegalização.

E para rematar, o governo chefiado por aquele tipo que chamava aos seus concidadãos de língua russa como sendo «sub-humanos», colapsou face à retirada de apoio de dois partidos. É que o figurão já terminou o seu papel útil, que era conseguir o grosso cheque da UE para os próximos anos. Agora é tempo de repartir o bodo. Algo complicado, tantos os grupos a satisfazer. As eleições gerais que aí virão (e que a UE tanto queria evitar) já permitirão mostrar a verdadeira face dos grupos que tomaram o poder revolucionariamente em fevereiro passado.

O do meio está mais gordo

30 Julho, 2014

ETA1

ETA-Madeira

 

(Link para a notícia)

Esclarecendo a taxa na compra da pen

30 Julho, 2014

Há muita confusão sobre a necessidade de uma taxa sobre dispositivos que providenciem armazenamento em termos de direitos de autores. Tal deve-se ao desconhecimento generalizado da forma eficaz utilizada para gerar rendimento justo para os autores de obras. Vou dar-vos o meu caso pessoal, que sei que ajudará a compreender a questão.

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Não pagamos

30 Julho, 2014

deuda