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Critérios

12 Março, 2014

dualidade-forcas-policias

Tudo menos reformar o Estado

12 Março, 2014

António Costa no DE: A pouco mais de dois meses do fim do programa de ajustamento e de um acto eleitoral, as europeias, já cá faltava um manifesto, de espectro partidário amplo, mas com uma ideologia única, de Esquerda. O manifesto que defende a reestruturação da dívida pública tem um objectivo, mas não é aquele que os subscritores anunciam, é outro, é manter o modelo de negócio que temos, o Estado que temos, e atirar a dívida para trás das costas. (…) Com mais dívida, que resulta de défices sucessivos, não é certamente o melhor caminho para a economia voltar a crescer, é preciso, por isso, reduzir este fardo, que vale 129% do PIB, não apenas por imposição do Tratado Orçamental, mas por necessidade, porque consome recursos aos privados. Mas, de que forma? A resposta, no manifesto, é envergonhada, mas clara. Reestruturação é apenas um eufemismo, o objectivo é outro, indizível, é trocar a reforma do Estado – a dita austeridade – por uma solução muito mais simples, leia-se, a mutualização europeia da dívida pública, que nos pouparia a novos e grandes trabalhos. Como se fosse possível regressar à normalidade pré-‘troika’.

O manifesto da reestruturação da dívida sublinha, claro, que Portugal deve cumprir, sem hesitações, as boas regras orçamentais, “de acordo com as normas constitucionais”, o que, para bom entendedor, quer dizer que o Governo pode fazer tudo, desde que não reforme o Estado, o sistema de pensões e o modelo de organização da Função Pública. Sim, pode fazer tudo o resto, até aumentar ainda mais os impostos.

Os subscritores do manifesto sabem que o Governo não tem feito outra coisa, desde que chegou, também porque falhou sucessivos objectivos. Já renegociou – isto é, reestruturou – o défice e a dívida, nos prazos e no preço. E quer, e vai, continuar fazê-lo, com os credores oficiais, mas também com os credores privados, por exemplo, quando o IGCP decide ir ao mercado recomprar dívida ou quando faz troca de dívida. Aliás, a análise da curva de pagamento da dívida quando começou o programa de ajustamento e o que existe agora é a prova de que já houve uma reestruturação activa, que não teve esse nome.

 

o mister responde: a táctica do beliscão

12 Março, 2014
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O Professor João Cardoso Rosas, cada vez mais o novo arauto ideológico da facção segurista do PS, anunciou, no seu artigo de hoje do Diário Económico, os objetivos e a táctica socialista para o próximo “ciclo político” que aquele grupo promoverá se chegar ao poder.

Quanto aos objetivos: “Precisamos por isso, com urgência, de libertar o Estado da teia de interesses à qual está hoje submetido, no sentido de voltar a conferir-lhe o papel de protecção e serviço aos seus cidadãos. Essa será uma tarefa prioritária do próximo ciclo político”. Ou seja: regressar ao modelo de estado paternalista, ou nanny state, em que vivemos nas últimas décadas, a expensas dos contribuintes e seus herdeiros até à quinta geração, com os magníficos resultados que estão à vista de todos. Vai ser excelente e ficaremos todos, de novo, muito felizes, e arranjar dinheiro para isso será um pequeno pormenor.

Quanto à táctica: “É mais do que tempo de exigir ao Governo de Portugal que defenda o país em vez de seguir a estratégia da Alemanha. Aquilo que é inaceitável é que o Estado português continue a emagrecer e a deixar de cumprir em grande medida os seus compromissos com trabalhadores, pensionistas e a sociedade em geral, ao mesmo que tempo que não belisca sequer os outros e iguais compromissos com os seus credores institucionais”. Portanto, estado anafado, coisa que obviamente o nosso já não é, incumpridor perante quem ainda lhe vai emprestando dinheiro para sustentar o seu apetite, mantendo a oportuna ficção de que a Alemanha é a grande causadora da tragédia que se nos abateu, o que é muito bom para alijar responsabilidades e não termos de enfrentar as causas verdadeiras dos nossos problemas. E como se faz isso? É fácil e o mister dá a táctica: atacando os credores e os seus sórdidos interesses aos beliscões, como um jovem magala de folga ataca as moças num baile de paróquia. É a táctica do beliscão.

Toda esta ciência da governação, suportada por um método de elevado rigor científico na execução, é o que o Professor Cardoso Rosas nos lega neste artigo de hoje. O mister responde, esclarece e ensina. Para bem de todos nós.

Manifesto por menos dívida

12 Março, 2014

Sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos minimamente suficientes a favor do crescimento. (manifesto dos 70)

O manifesto dos 70 é o reconhecimento por parte da elite cainesiana portuguesa de que a dívida prejudica o crescimento. Depois de andarem anos a dizer que não há crescimento sem défice e dívida agora dizem que com tanta dívida não pode haver crescimento. Levaram uns 10 ou 20 anos a perceber, mas finalmente perceberam os custos do endividamento. Esta evolução positiva leva-me a crer que dentro de 10 ou 20 anos percebam que um país que tem como estratégia o regresso aos mercados não pode ameaçar os credores com reestruturações.

Ainda estais a tempo de ter vergonha

11 Março, 2014

Algumas considerações prévias sobre o manifesto dos com mais de 70:

dívida pública tornar-se-á insustentável na ausência de crescimento duradouro significativo

Reparem: a dívida pública é o crédito que vocês solicitam a outrem para gastarem no que vos apetece; o crescimento é aquilo que nós produzimos a mais em relação ao ano anterior. Vocês estão a dizer que o nosso esforço é para vocês gastarem. Pelo menos, queremos um jantar e cinema antes, para criar ambiente.

o Estado continuará enredado e tolhido na vã tentativa de resolver os problemas do défice orçamental e da dívida pública pela única via da austeridade

Pois. Mas reparem: nós não queremos saber do vosso problema que é terem um défice orçamental; nós, quando temos um défice orçamental, somos obrigados a gastar menos. Quando vocês acusam incapacidade para resolver o vosso défice orçamental através de austeridade, estais a dizer que pretendem usar as nossas poupanças para poderem continuar as fazer férias nas Caraíbas. Nós não estamos interessados nisso, percebem?

a “direita peluche”

11 Março, 2014
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Alguns comentadores anónimos do Blasfémias estão a ensaiar, para ver se pega, uma adjectivação caricatural da direita que aqui escreve, a saber, a “direita peluche”. O nome é cabotino, porquanto, a não ser aí o hayekezinho do lado, o peluche de merchandising criado pelos geniais criativos do nosso blog (em trânsito para a Lucasfilm Entertainmente), não se vê a que possa a coisa referir-se (a caixa de comentários está aberta para que nos possam esclarecer). Mas a ideia compreende-se: eles precisam de um contraponto à famosa “esquerda caviar”, que tão bem lhes assenta, e cai como uma luva naqueles que confundem as dores de barriga provocadas pelos canapés papados nas vernissages de “luta” que frequentam, com as dores existenciais do proletariado. Mas é muito fraquinha, pá! Arranjem outra.

a câmara alta

11 Março, 2014
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Estes ajuntamentos de personalidades que, de tempos a tempos, fazem manifestos e pronunciamentos a exigirem coisas, muitas coisas, dos governos em funções têm o inegável mérito de permitir antever o que seria uma câmara alta do nosso parlamento, o célebre senado, no qual teriam lugar, com o dinheiro dos nossos impostos, as eminências pardas do regime, para aconselhar os políticos e iluminar a plebe. A lista das 70 figuretas que hoje assinam este documento não anda muito longe do que seria, neste momento, a composição de um órgão desse género e o seu padrão de intervenção. Um verdadeiro horror a que o legislador constitucional felizmente nos poupou. Uma das poucas coisas bem feitas na Constituição de 76, diga-se em abono da verdade.

o apelo das 70 personalidades

11 Março, 2014
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Explicando o manifesto

11 Março, 2014

Em resumo, existem três potenciais prejudicados pela reestruturação da dívida portuguesa: os depositantes, os depositantes ou os depositantes. Noutros tempos poderiam ter sido as pernas dos banqueiros alemães a tremer perante a perspectiva da reestruturação da dívida, hoje só tremerão as pernas daqueles que vão tendo depósitos nos bancos portugueses. Seria bastante interessante então saber onde têm as suas poupanças os assinantes do manifesto pela reestruturação da dívida portuguesa.

Ler tudo: “Reestruturar o dinheiro dos depósitos“, de Carlos Guimarães Pinto.

Abriu a season de caça ao tolo

11 Março, 2014

Sempre entusiasmado com folclore manifesto-peticionário, dou por mim a receber o brinde matinal da abertura da season na TSF, sem anúncio prévio, e logo por “notáveis da esquerda e da direita”.

Aqui está a tabela das personalidades de acordo com o Público:

ESQUERDA DIREITA
Adriano Moreira
Freitas do Amaral
Bagão Félix
Manuela Ferreira Leite
António Capucho
Ferro Rodrigues
Manuela Arcanjo
João Cravinho
Carvalho da Silva
Francisco Louçã
Eduardo Paz Ferreira
José Reis
António Saraiva
João Vieira Lopes
Esmeralda Dourado
Henrique Neto
Ricardo Bayão Horta
Joaquim Gomes Canotilho
Jorge Novais
Pedro Bacelar de Vasconcelos
Alfredo Bruto da Costa
António Sampaio da Nóvoa
Boaventura Sousa Santos
José Silva Lopes
Adriano Pimpão
Luís Braga da Cruz
Adalberto Campos Fernandes

 

Aparentemente, estas personalidades receiam não terem hipótese de gastar dinheiro antes de 2035, altura em que, segundo Keynes, já deverão estar mortas. Comparando SCUTs com guerras mundiais e estádios de futebol com a reunificação alemã, estes “notáveis de esquerda e da direita” estão também preocupados com as suas reformas, numa bela sequela ao “Adeus, Lenine”.

Aplausos. Começou a caça ao tolo.

só faltou o júnior

11 Março, 2014
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A família socialista esteve ontem reunida em torno do seu patriarca, o Dr. Mário Soares, por ocasião da entrega do prémio Personalidade do Ano de 2013, que lhe foi justamente atribuído pela Associação de Imprensa Estrangeira. Estiveram presentes António Costa, José Sócrates, Ferro Rodrigues, Almeida Santos, João Galamba, Sérgio Sousa Pinto, Paulo Campos, Marcos Perestrello, entre outros. Verdadeiramente, a crème de la crème socialista. A nata do Rato. A elite dirigente da oposição democrática. O patriarca, do alto da sua longevidade, lucidez, grandeza histórica e magnanimidade democrática deve ter-se sentido profundamente orgulhoso com tamanha homenagem. É que estavam lá todos. Não faltou ninguém. Pelo menos, ninguém que lhes fizesse falta.

Deve sossegar imenso os credores presentes e futuros…

11 Março, 2014
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…saberem que o inventor das PPP rodoviárias é o promotor do manifesto a favor pela reestruturação da dívida.

11 Março, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DEA mais poderosa ideia existente em Portugal – uma casa na duna durante o Verão mas isolada do mar no Inverno. Ou por outras palavras um regime especial para os privilégios e outro, geral, para os deveres. E assim temos pessoas que não se casam porque não querem mas que depois enquanto trabalhadores, inquilinos ou pensionistas reivindicam direitos iguais àqueles que casaram. Funcionários públicos que querem ser iguais aos trabalhadores do sector privado na hora de negociar salários mas não no momento de se discutir a idade e o cálculo da reforma, os dias de férias ou número de horas de trabalho. Polícias que querem ter as regalias inerentes à sua condição de agentes de segurança mas com direito a organizarem-se em sindicatos e e a manifestarem-se . Uma Associação Sindical dos Juízes Portugueses que propõe que a Constituição blinde o estatuto remuneratório dos juízes…

A propósito do medo que as forças de segurança inspiram ao poder político ver este quadro do Público (via Insurgente):

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A gravidez ainda vai ser determinada por providência cautelar

10 Março, 2014

Juíza mantém Maternidade Alfredo da Costa aberta

muito bem

10 Março, 2014
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Esta sugestão da Juventude Popular de reforma da lei do aborto no sentido de introduzir taxas moderadoras para a sua prática no SNS, devendo as mesmas ser progressivas nos casos de aborto recorrente. Menos do que isto, ou seja, o regime em vigor, próprio do paternalismo habitual do estado social, é introduzir um tratamento diferenciado entre pessoas doentes que têm de pagar para se poderem tratar no SNS  (e a gravidez, pelo menos por enquanto, não parece que seja uma doença), e quem vai lá abortar sem qualquer encargo. Por outro lado, se todos – até mesmo os defensores da liberalização absoluta – concordamos em que o aborto é um último recurso, sempre deplorável e a evitar, consagrá-lo como um direito universal gratuito é um incentivo à falta de responsabilidade dos indivíduos. É certo que não será com mais taxa, menos taxa que os números do aborto no SNS cairão significativamente. Mas a mensagem que o estado passa com a legislação actual é a de que ninguém precisa de pensar nas consequências dos seus actos, porque ele lá estará para as assumir. E de graça, para que a desresponsabilização seja total.

olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

10 Março, 2014
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Típico, muito típico, do estado social: impor aos outros, sobretudo aos particulares e às empresas privadas (os exploradores capitalistas, cheios de dinheiro para dar aos pobres), aquilo que o próprio estado não cumpre. Aqui falamos da medicina no trabalho, mas se formos olhar para o que se passa com a limpeza das florestas, o cumprimento dos prazos de pagamento de impostos, o respeito por normas de segurança em edifícios escolares, os alvarás (ou a falta deles…) de funcionamento desses mesmos edifícios, as licenças dos bombeiros, etc., etc., etc., não encontraremos cenário muito distinto. O estado social é uma coisa extraordinária! Uma conquista da civilização e um farol de iluminação para toda a humanidade. Só é pena são ser um estado de direito.

Mas podia lá ser doutro modo?!

10 Março, 2014

Coreia do Norte anuncia eleição com 100% dos votos para Kim Jong-un

A candidata surpresa do CDS partilha ideias com a “nova esquerda”

“Dêem-me um tiro na cabeça” foi uma expressão imortalizada por Fernando Nobre

10 Março, 2014

O João André, de alguma forma, tenta uma critica ao meu post sobre andar na rua com simbologia nazi ou comunista, que representa a morte de milhões de pessoas, contrapondo a estupidez de tal post com símbolos associados a religiões.

Só tenho a agradecer o esforço demonstrado para caracterizar o socialismo-nacional e o comunismo como seitas religiosas. Longe de mim sequer tentar tal coisa.

Qual a surpresa?

10 Março, 2014
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O prefácio de Cavaco Silva deixou muitas almas em estado de choque. Afinal a austeridade não vai acabar. Pois não. Basta recordar as regras que foram aprovadas na União Europeia e com as quais se comprometeram PSD, PS e PSD. Cito o prefácio:

– No que se refere à política orçamental, os Estados da Zona Euro devem assegurar um défice das administrações públicas não superior a 3 por cento do PIB e um défice estrutural (…) não superior a 0,5 por cento.

– Em caso de défice excessivo, o défice estrutural deve ser reduzido pelo menos 0,5 por cento do PIB em cada ano.

– No caso de excesso de dívida pública, em relação ao valor de referência de 60 por cento do PIB, os Estados-membros deverão reduzi-la ao ritmo médio de um vigésimo por ano. O cumprimento desta regra por parte de Portugal apresenta-se bastante exigente, tendo em conta que se prevê que, em 2014, a dívida pública seja superior a 126 por cento do PIB.

– Pressupondo um crescimento anual do produto nominal de 4 por cento e uma taxa de juro implícita da dívida pública de 4 por cento, para atingir, em 2035, o valor de referência de 60 por cento para o rácio da dívida, seria necessário que o Orçamento registasse, em média, um excedente primário anual de cerca de 3 por cento do PIB. Em 2014, prevê-se que o excedente primário atinja 0,3 por cento do PIB.

– A partir do Orçamento para 2014 os Estados-membros submeterão as suas propostas de Orçamento, assim como o quadro macroeconómico em que se baseiam, à Comissão Europeia e ao Eurogrupo antes de serem submetidas aos respetivos parlamentos nacionais. A Comissão pode requerer a revisão das propostas de Orçamento.

– Os países da Zona Euro que beneficiem de programas de assistência financeira, como é o nosso caso, estão sujeitos a uma supervisão económica e orçamental reforçada, como a que tem vindo a ser regularmente efetuada pela “troika”. Depois de concluir os respetivos programas de ajustamento, estes países continuarão sujeitos a uma supervisão pós-programa até terem reembolsado pelo menos 75 por cento dos empréstimos que lhes foram concedidos pela União Europeia. [Ora no nosso caso] não se prevê que ocorram reembolsos antes de 2025 e que a percentagem de 75 por cento dos reembolsos seja atingida antes de 2035.

Nada disto devia surpreender ninguém, pois são regras bem conhecidas e pacatamente aceites. 

Não gostam? Então digam com clareza como se pode fazer de forma diferente. Fora do euro? Fora da Europa? É uma escolha. Era bom que alguém a defendesse assumidamente nas próximas eleições.  

Há estratégias muito óbvias

10 Março, 2014

Nós podemos de fazer de conta que Belém é a única hipótese para António Costa:

António Costa vai ser forçado pelas circunstâncias a ser o candidato do PS às Presidenciais de 2016″. A frase é de um dos secretários nacionais de António José Seguro em declarações ao Económico e é sustentada na ideia de que se o actual presidente da Câmara de Lisboa quiser ainda ocupar um cargo de relevo na cena política, Belém é a única hipótese

Mas ele tem acrescidas razões para não acreditar nisso:

Marcelo  “recebe, no barómetro i/Pitagórica de Março, 49,3% das escolhas para uma eventual candidatura presidencial. E se, ainda em Janeiro, António Costa acompanhava de perto o ex-presidente do PSD (a três pontos de distância), agora o socialista tem mais de dez pontos de desvantagem para Marcelo. Na segunda posição, Costa soma 38,4% das preferências dos inquiridos. Isto, depois de três meses em que o presidente da câmara de Lisboa liderou a tabela, à frente do professor (em Julho, Outubro e Dezembro de 2013). E isto, também, no mês em que Jorge Coelho colocou Costa no trilho para Belém como ainda ninguém no PS tinha feito.

Ucrânia

10 Março, 2014

António Balbino Caldeira: Ao fugir, ao recuar, o cobarde aumenta o perigo, porque não o faz por tática, por juízo de oportunidade ou busca de melhor campo: fá-lo por medo.

Francisco Seixas da Costa: os Estados europeus constatarão que, dentre eles, alguns sentirão mais do que outros o preço de uma quebra dos mecanismos de relação político-económica com a Federação Russa. E isso não deixará de ter consequências imediatas na sua unidade decisória, muito para além da conversa bruxelense, à qual Putin colocará a questão posta por Estaline face à condenação da sua política pela Santa Sé: “Quantas divisões tem o Papa?” (…) a Europa perdeu um ensejo precioso de desenhar um modelo de relacionamento “possível” com Kiev, porventura menos ambicioso mas bastante mais pragmático. Um modelo à medida do país muito particular, geopoliticamente falando, que a Ucrânia é e continuará a ser.

Olímpicos das constituições

9 Março, 2014

O CCP – Comparative Constitutions Project analisou 720 das aproximadamente 800 constituições elaboradas desde 1789.

Um dos parâmetros recolhidos é o número de palavras. A constituição portuguesa, com 35.181 palavras, é considerada extensa, havendo apenas 39 mais palavrosas. A constituição dos EUA tem 22% da extensão da portuguesa; a espanhola tem 50%. A constituição grega tem 77% da extensão da portuguesa. Os modelos de social-democracia nórdica – Dinamarca, Suécia, Finlândia – têm, respectivamente, 18%, 39% e 36% do número de palavras em comparação com a portuguesa (100%). A França tem 29% e a Alemanha, das mais palavrosas, tem 77%.

Outro parâmetro recolhido é o número de direitos constitucionalmente consagrados. No universo da UE a 27 (a minha análise excluiu – acidentalmente – a Bulgária), Portugal é o campeão dos direitos: 86. No extremo oposto está a França (com 13) e a Áustria (com 15).

Grafando os direitos consagrados nas constituições com o ranking de liberdade económica, observa-se uma tendência para este piorar quanto maior for o número de direitos consagrados na respectiva constituição. Aparentemente, em vez de “palavras leva-as o vento”, algumas acabam é mesmo escritas nas constituições.

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Nota: como já referi, esqueci-me da Bulgária. Ficam os seus números: ranking de liberdade económica é 61; direitos consagrados na constituição é 68. O seu pontinho ficaria ali perto do da Roménia.

O piroso passou a hino

9 Março, 2014

Novo rumo para Portugal

9 Março, 2014

2010: Miguel Vale de Almeida renuncia ao mandato de deputado considerando que a “tarefa” para a qual foi eleito está “cumprida” com a consagração legal do casamento de pessoas do mesmo sexo.

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2014: Novo Rumo: “Novo Rumo para a Igualdade“.

Conclusão: O trabalho de um progressista nunca está concluído e/ou arrependeu-se.

O que é a “defesa do SNS”?

9 Março, 2014

É defender um sistema de seguro de saúde em que o prémio é variável consoante o rendimento, podendo inclusivamente ser nulo, e a franquia é igual para todos. Este sistema de seguro não sofre agravamentos por ser accionado múltiplas vezes.

Por algum motivo incompreensível, a “defesa do SNS” transformou-se em manutenção de edifícios, equipamento e funcionários públicos; este modelo de “defesa do SNS” é destruidor de qualquer viabilidade do sistema de seguro descrito no primeiro parágrafo.

imperdível

9 Março, 2014
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Red-platform-boots,-1971iPara quem tiver a oportunidade de ir ver.

Três perguntas dominicais para socialistas-nacionais

9 Março, 2014

Se o número de abortos aumenta com a crise, isto significa que o aborto é eugénico?

Se a mulher tem plenos direitos sobre o seu corpo, porque não pode consumir drogas ditas ilegais?

Se usamos aborto como indicador de crise, o que separa um jornal de um panfleto de propaganda?

Nota: criei um email para insultos. Podem enviar para vc.blasf@aol.com todos os impropérios com a certeza que serão lidos, compilados e editados em livro.

nem seria de esperar

9 Março, 2014
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O incontestado e incontestável líder do PS, o Senhor António José Seguro, resolveu dar um puxão de orelhas em público ao contestado e contestável líder da República, o Senhor Aníbal Cavaco Silva. Em causa, uma entrevista que este deu ao Expresso, dizendo algumas coisas que não lhe competiam dizer no exercício das suas funções actuais sobre a saída de Portugal da tutela plena da troika.

O incontestado sentiu necessidade de reforçar a sua incontestável liderança utilizando o contestável como objeto da sua incontestada autoridade. Não o deveria ter feito. Na verdade, não só Cavaco tem alguns anos a mais do que Seguro, e o respeito pelas pessoas mais velhas é um exemplo que deve ser dado pelas personalidades inspiradoras da comunidade, na conta do que ele certamente se tem, como também deve haver alguma deferência por quem fez na vida mais do que nós, no caso o contestado, que antes de entrar na política já cá andava a sustentar a família com cursos, doutoramentos e a ensinar o que nesses anos de estudo aprendera, enquanto que o incontestável fez toda a sua fulgurante carreira nos bancos da Juventude Socialista e, durante e depois, nos da Assembleia da República, o que não é exatamente a mesma coisa, embora também não seja muito diferente.

Mas há ainda um aspecto superior a estes dois que o incontestável deveria ter ponderado antes de puxar as orelhas ao contestado. É que este último, por mais absurdidades que possa dizer, não se representa a si próprio, mas à República, a amantíssima e inspiradora forma política da nação, cuja ética imaculada deve ser para todos exemplar. Ora, ao malhar em Cavaco, Seguro não se limitou a censurar a persona do Professor Aníbal Cavaco Silva. Verdadeiramente, e aos olhos de todos, ele pontapeou a República, pela qual todos os cidadãos e políticos (cidadãos de primeira em contraste com os cidadãos de segunda) devem ter o máximo respeito. Porque, na verdade, ao tratar-se assim, ao mais alto nível de responsabilidade política, os símbolos maiores da comunidade politicamente organizada, é esta que se põe em causa.

Como é evidente, o Dr. António José Seguro nem disso se lembrou, tendo-se limitado a olhar para o Chefe de Estado apenas como mais um actor político, igual ao Paulo, ao Pedro, ao Zé e ao António, que como ele andam à caça de simpatias e de votos para se alçarem e manterem no poder. Um protagonista tão criticável como qualquer outro, portanto, que recebeu apenas  de parte da população votante a legitimidade do seu cargo, não o representando a ele nem aos seus, porque eles votaram noutros candidatos, a quem preferiam muito mais do que ao que acabou por ser eleito.

É também por este género de razões, que cada vez mais a Monarquia Constitucional se configura como a forma política mais adequada ao sistema de governo parlamentar. É que aí, o chefe de estado é exclusivamente um símbolo, não é eleito por uma simples parte dos eleitores, não pode intervir politicamente e, por isso, não pode nunca dividir por ser politicamente inexistente. “Limita-se” a ser um símbolo da res publica, que a une pela sua dimensão inteiramente simbólica e pela referência pessoal, e ao qual é devido o respeito necessário ao essencial não avacalhamento das principais instituições de um país, sobretudo daquela que é o símbolo vivo da comunidade.

Esta é uma diferença muito significativa que explica a estabilidade política habitual nos países em que os regimes democráticos parlamentares são enquadrados na forma monárquica, contrastando com a conflitualidade e a instabilidade crónica dos sistemas de governo parlamentares sob a forma republicana.

Obviamente que ao incontestável António Joé Seguro, obcecado como anda com a ideia de não perder o comboio que o levará a sentar-se, juntamente com amigos e compinchas, em São Bento, semelhante coisa não passou pela cabeça. Nem seria de esperar que passasse.

O jovem devia era entrar para a PSP e assim já podia injuriar e empurrar à vontade. Na escadaria da AR, naturalmente

9 Março, 2014

Jovem detido por injúrias e empurrões a agente da PSP

Dias internacionais com dedicatória

8 Março, 2014

Queria dedicar esta lista de dias internacionais a todas as pessoas que celebram hoje o dia internacional da mulher.

27 Janeiro: Memória das vítimas do Holocausto
4 Fevereiro: Cancro
6 Fevereiro: Tolerância zero à mutilação genital feminina
13 Fevereiro: Rádio
20 Fevereiro: Justiça
21 Fevereiro: Língua materna
1 Março: Discriminação zero
3 Março: Vida selvagem
8 Março: Mulher Ler mais…

vai ter graça

7 Março, 2014
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Ver esta senhora ganhar eleições. Por enquanto, as do Parlamento Europeu, no futuro, ninguém poderá dizer.

Apesar de não me ser minimamente simpática, nem por ela própria, muito menos por aquilo que defende e representa, não deixarei de estar atento ao que dirão, a propósito da(s) sua(s) vitória(s) os democratas de serviço, aqueles para quem a democracia só é boa e funciona bem quando ganham os “nossos”.

A seguir com a maior atenção.

na cabeça do indígena

7 Março, 2014
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Para o português médio, Jardim Gonçalves é um bandido. Ele cometeu todos os pecados capitais que não têm perdão em Portugal: foi um empresário, teve sucesso e ganhou muito dinheiro com isso. Nos EUA, na Alemanha, ou mesmo em certas regiões do Brasil (São Paulo, por exemplo), este homem seria exaltado, pessoalmente respeitado, o seu percurso de vida serviria de exemplo aos jovens empreendedores e o BCP seria um case-study nas escolas de gestão e nas universidades.

 É certo que Jardim Gonçalves cometeu um erro fatal, com o qual viu destruído um percurso de vida profissional exemplar: não soube escolher o sucessor e, pior do que isso, fê-lo seguindo critérios pessoais que nada tinham que ver com o banco. Pagou pessoalmente por isso e nunca mais recuperará do rótulo de salafrário e bandido que lhe colaram na testa. O nativo lusitano é geralmente invejoso e mesquinho, e não aprecia o sucesso e o triunfo alheios. De nada valerá a Jardim Gonçalves ter revolucionado um sector – a banca – que as nacionalizações selvagens de 75 tinham destruído e relegado para práticas do século XIX, ter criado milhares de postos de trabalho, dinamizado empresas e apoiado empreendedores, desenvolvido a economia e a bolsa do seu país. Ele é um bandido, ponto. Não por aquilo de que o Ministério Público o acusa (e que duvido que tenha entendido plenamente), mas por ter sido um empresário bem sucedido.

Em contrapartida, o indígena português olha para os seus políticos – os seus ‘maiores” – com respeito e veneração. Ainda hoje, uma pessoa como José Sócrates, apenas para nos ficarmos pelos mais recentes, apesar de não ser consensual, colhe a simpatia de milhares de portugueses e a tolerância de muitos outros. Pouco importa que o seu governo tenha destruído o que ainda restava da economia nacional, gerado uma dívida que ainda chegará aos bolsos dos nossos netos, ter tomado decisões perdulárias, despesistas e irresponsávei, e ter montado com o dinheiro do contribuinte um projecto pessoal de poder que não respeitou empresas públicas e privadas, órgãos de comunicação social, bancos (o próprio BCP, por exemplo). José Sócrates é hoje uma pessoa respeitável, com direito a tempo de antena semanal na televisão pública, e ainda há-de dar muito ao país.

O nativo lusitano gosta de levar nas fuças, não entende o que lhe aconteceu, menos ainda que seria com homens como Jardim Gonçalves que teria alguma chance de sair do atoleiro onde deixou que o enfiassem. Prefere continuar a manifestar-se nas ruas a pedir emprego, do que aprender como se fazem empresas ou respeitar quem as consiga fazer.

Memórias de 2010

7 Março, 2014

PSP vai deter quem se manifestar de cara tapada

A polícia entende que há fortes possibilidades de acontecer um crime se alguém ocultar a identidade em manifestações.

in DN, 16 de Novembro de 2010

barrosão

7 Março, 2014
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De saída da Comissão Europeia, Durão Barroso afirmou que, no exercício desse seu mandato, fez “tudo o que podia por Portugal”.

Não há qualquer razão para não acreditar que assim não tenha sido. Nenhuma pessoa normal, em idênticas circunstâncias, faria de modo diferente. No caso de Barroso, esse empenho terá sido até tanto maior quanto maior foi o peso sentido na sua consciência por ter abandonado precocemente um governo de emergência nacional e entregado o país a José Sócrates.

E há também mais um significativo pormenor que confirma as suas declarações: como político experiente, Durão Barroso sabe que só teria alguma hipótese do país voltar a fazer alguma coisa por ele, se ele tivesse feito alguma coisa pelo país.

Investigue-se, se faz favor

7 Março, 2014

para quando?

7 Março, 2014
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Para quando é que Portugal e os portugueses, em vez de se andarem a entreter com estas porcarias, se resolvem a agradecer e a homenagear Jorge Jardim Gonçalves por aquilo que fez por eles?

Mal por mal preferia os tempos em que o género ainda não sucedera à luta de classes*

7 Março, 2014

PÚBLICO (podia lá ser noutro sítio!): Em Portugal tem havido a preocupação de tornar os sinais de trânsito mais neutros do ponto de vista do género. Mas esta é uma área que resiste às mudanças (…) A pictografia sinalética trabalha, essencialmente, com estereótipos e caricaturas. É conservadora por excelência. E a sinalização rodoviária, em particular, é-o ainda mais — até porque há sempre o argumento da segurança. Se se mudarem os sinais estes perdem eficácia, os condutores podem ficar confusos.

O assunto já deu uma tese de doutoramento: Representações do masculino e do feminino na sinalética  cuja leitura recomendo.

*Se quiserem por razões absolutamente preconceituosas: o Che como bem se percebe pela t shirt à venda na nossa loja era bem mais interessante que os lideres das causas fóbicas que por aí andam e muito sinceramente não creio que fosse mais intolerante: muitos destes seres que por aí andam gritando “fobia”  a cada dois segundos se  se vissem senhores de um poder absolutos e com um revolver no coldre não de comportariam de modo diverso daquela que caracterizou Guevara

Maria de Belém Roseira viu ontem o filme “Der Untergang”

7 Março, 2014

As manifestações mais impressionantes que eu tenho assistido no país são aquelas, silenciosas e anónimas, das mães que matam filhos e se matam a seguir” —  TVI 24, 6/3/2014

(como lembrado pelo comentador Abre-Latas)

Já disponível a colecção Guarda Che

7 Março, 2014

colecção guarda cheJá está disponível na Grande Loja Blasfema a linha de produtos Guarda Che, vocacionada para revolucionários de sofá, que vêem na polícia a oportunidade para se queixarem de brutalidade policial e/ou para serem os verdadeiros revolucionários defensores da verdadeira democracia, consoante os dias.

Ontem quase que houve uma verdadeira revolução nos sofás, com o frenesim a alternar entre SIC Notícias, RTP Informação e TVI 24, colocando o Twitter no limiar do selfie e o Facebook a igualar status pró-revolução aos de fotografias de gatos.

As telenovelas começaram quase 20 minutos depois do horário previsto, pondo em causa a hora de recolhimento ao leito da geração mais bem preparada de sempre, demonstrando a necessidade de mais espectáculo para entreter massas na defesa do Estado Social em vias de destruição ideológica por governos com incapacidade para obrigar estrangeiros a financiarem défices nacionais. Durante 20 minutos todos fomos, e por esta ordem, iranianos, iraquianos, tunisinos, gregos, islandeses, egípcios, sírios, cipriotas, ucranianos, venezuelanos, crimeios(?) e, por fim, adeptos de estados policiais.

O Blasfémias compromete-se a doar 20% dos lucros obtidos com esta colecção para o fundo Vamos Trazer Fernando Tordo Para Portugal.

Princípios Fundamentais

7 Março, 2014

Artigo 2º
Princípios fundamentais

1 – Os membros das forças de segurança cumprem os deveres que a lei lhes impõe, servem o interesse público, defendem as instituições democráticas, protegem todas as pessoas contra actos ilegais e respeitam os direitos humanos.
2 – Como zeladores pelo cumprimento da lei, os membros das forças de segurança cultivam e promovem os valores do humanismo, justiça, integridade, honra, dignidade, imparcialidade, isenção, probidade e solidariedade.
3 – Na sua actuação, os membros das forças de segurança devem absoluto respeito pela Constituição da República Portuguesa, pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, pela Convenção Europeia dos Direitos do Homem, pela legalidade comunitária, pelas convenções internacionais, pela lei e pelo presente Código.
4 – Os membros das forças de segurança que actuem de acordo com as disposições do presente Código têm direito ao apoio activo da comunidade que servem e ao devido reconhecimento por parte do Estado.

in Código Deontológico do Serviço Policial