Critérios

Tudo menos reformar o Estado
o mister responde: a táctica do beliscão
O Professor João Cardoso Rosas, cada vez mais o novo arauto ideológico da facção segurista do PS, anunciou, no seu artigo de hoje do Diário Económico, os objetivos e a táctica socialista para o próximo “ciclo político” que aquele grupo promoverá se chegar ao poder.
Quanto aos objetivos: “Precisamos por isso, com urgência, de libertar o Estado da teia de interesses à qual está hoje submetido, no sentido de voltar a conferir-lhe o papel de protecção e serviço aos seus cidadãos. Essa será uma tarefa prioritária do próximo ciclo político”. Ou seja: regressar ao modelo de estado paternalista, ou nanny state, em que vivemos nas últimas décadas, a expensas dos contribuintes e seus herdeiros até à quinta geração, com os magníficos resultados que estão à vista de todos. Vai ser excelente e ficaremos todos, de novo, muito felizes, e arranjar dinheiro para isso será um pequeno pormenor.
Quanto à táctica: “É mais do que tempo de exigir ao Governo de Portugal que defenda o país em vez de seguir a estratégia da Alemanha. Aquilo que é inaceitável é que o Estado português continue a emagrecer e a deixar de cumprir em grande medida os seus compromissos com trabalhadores, pensionistas e a sociedade em geral, ao mesmo que tempo que não belisca sequer os outros e iguais compromissos com os seus credores institucionais”. Portanto, estado anafado, coisa que obviamente o nosso já não é, incumpridor perante quem ainda lhe vai emprestando dinheiro para sustentar o seu apetite, mantendo a oportuna ficção de que a Alemanha é a grande causadora da tragédia que se nos abateu, o que é muito bom para alijar responsabilidades e não termos de enfrentar as causas verdadeiras dos nossos problemas. E como se faz isso? É fácil e o mister dá a táctica: atacando os credores e os seus sórdidos interesses aos beliscões, como um jovem magala de folga ataca as moças num baile de paróquia. É a táctica do beliscão.
Toda esta ciência da governação, suportada por um método de elevado rigor científico na execução, é o que o Professor Cardoso Rosas nos lega neste artigo de hoje. O mister responde, esclarece e ensina. Para bem de todos nós.
Manifesto por menos dívida
Sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos minimamente suficientes a favor do crescimento. (manifesto dos 70)
O manifesto dos 70 é o reconhecimento por parte da elite cainesiana portuguesa de que a dívida prejudica o crescimento. Depois de andarem anos a dizer que não há crescimento sem défice e dívida agora dizem que com tanta dívida não pode haver crescimento. Levaram uns 10 ou 20 anos a perceber, mas finalmente perceberam os custos do endividamento. Esta evolução positiva leva-me a crer que dentro de 10 ou 20 anos percebam que um país que tem como estratégia o regresso aos mercados não pode ameaçar os credores com reestruturações.
Ainda estais a tempo de ter vergonha
Algumas considerações prévias sobre o manifesto dos com mais de 70:
dívida pública tornar-se-á insustentável na ausência de crescimento duradouro significativo
Reparem: a dívida pública é o crédito que vocês solicitam a outrem para gastarem no que vos apetece; o crescimento é aquilo que nós produzimos a mais em relação ao ano anterior. Vocês estão a dizer que o nosso esforço é para vocês gastarem. Pelo menos, queremos um jantar e cinema antes, para criar ambiente.
o Estado continuará enredado e tolhido na vã tentativa de resolver os problemas do défice orçamental e da dívida pública pela única via da austeridade
Pois. Mas reparem: nós não queremos saber do vosso problema que é terem um défice orçamental; nós, quando temos um défice orçamental, somos obrigados a gastar menos. Quando vocês acusam incapacidade para resolver o vosso défice orçamental através de austeridade, estais a dizer que pretendem usar as nossas poupanças para poderem continuar as fazer férias nas Caraíbas. Nós não estamos interessados nisso, percebem?
a “direita peluche”
Alguns comentadores anónimos do Blasfémias estão a ensaiar, para ver se pega, uma adjectivação caricatural da direita que aqui escreve, a saber, a “direita peluche”. O nome é cabotino, porquanto, a não ser aí o hayekezinho do lado, o peluche de merchandising criado pelos geniais criativos do nosso blog (em trânsito para a Lucasfilm Entertainmente), não se vê a que possa a coisa referir-se (a caixa de comentários está aberta para que nos possam esclarecer). Mas a ideia compreende-se: eles precisam de um contraponto à famosa “esquerda caviar”, que tão bem lhes assenta, e cai como uma luva naqueles que confundem as dores de barriga provocadas pelos canapés papados nas vernissages de “luta” que frequentam, com as dores existenciais do proletariado. Mas é muito fraquinha, pá! Arranjem outra.
a câmara alta
Estes ajuntamentos de personalidades que, de tempos a tempos, fazem manifestos e pronunciamentos a exigirem coisas, muitas coisas, dos governos em funções têm o inegável mérito de permitir antever o que seria uma câmara alta do nosso parlamento, o célebre senado, no qual teriam lugar, com o dinheiro dos nossos impostos, as eminências pardas do regime, para aconselhar os políticos e iluminar a plebe. A lista das 70 figuretas que hoje assinam este documento não anda muito longe do que seria, neste momento, a composição de um órgão desse género e o seu padrão de intervenção. Um verdadeiro horror a que o legislador constitucional felizmente nos poupou. Uma das poucas coisas bem feitas na Constituição de 76, diga-se em abono da verdade.
o apelo das 70 personalidades
Explicando o manifesto
Em resumo, existem três potenciais prejudicados pela reestruturação da dívida portuguesa: os depositantes, os depositantes ou os depositantes. Noutros tempos poderiam ter sido as pernas dos banqueiros alemães a tremer perante a perspectiva da reestruturação da dívida, hoje só tremerão as pernas daqueles que vão tendo depósitos nos bancos portugueses. Seria bastante interessante então saber onde têm as suas poupanças os assinantes do manifesto pela reestruturação da dívida portuguesa.
Ler tudo: “Reestruturar o dinheiro dos depósitos“, de Carlos Guimarães Pinto.
Abriu a season de caça ao tolo
Sempre entusiasmado com folclore manifesto-peticionário, dou por mim a receber o brinde matinal da abertura da season na TSF, sem anúncio prévio, e logo por “notáveis da esquerda e da direita”.
Aqui está a tabela das personalidades de acordo com o Público:
| ESQUERDA | DIREITA |
|---|---|
| Adriano Moreira | |
| Freitas do Amaral | |
| Bagão Félix | |
| Manuela Ferreira Leite | |
| António Capucho | |
| Ferro Rodrigues | |
| Manuela Arcanjo | |
| João Cravinho | |
| Carvalho da Silva | |
| Francisco Louçã | |
| Eduardo Paz Ferreira | |
| José Reis | |
| António Saraiva | |
| João Vieira Lopes | |
| Esmeralda Dourado | |
| Henrique Neto | |
| Ricardo Bayão Horta | |
| Joaquim Gomes Canotilho | |
| Jorge Novais | |
| Pedro Bacelar de Vasconcelos | |
| Alfredo Bruto da Costa | |
| António Sampaio da Nóvoa | |
| Boaventura Sousa Santos | |
| José Silva Lopes | |
| Adriano Pimpão | |
| Luís Braga da Cruz | |
| Adalberto Campos Fernandes |
Aparentemente, estas personalidades receiam não terem hipótese de gastar dinheiro antes de 2035, altura em que, segundo Keynes, já deverão estar mortas. Comparando SCUTs com guerras mundiais e estádios de futebol com a reunificação alemã, estes “notáveis de esquerda e da direita” estão também preocupados com as suas reformas, numa bela sequela ao “Adeus, Lenine”.
Aplausos. Começou a caça ao tolo.
só faltou o júnior
A família socialista esteve ontem reunida em torno do seu patriarca, o Dr. Mário Soares, por ocasião da entrega do prémio Personalidade do Ano de 2013, que lhe foi justamente atribuído pela Associação de Imprensa Estrangeira. Estiveram presentes António Costa, José Sócrates, Ferro Rodrigues, Almeida Santos, João Galamba, Sérgio Sousa Pinto, Paulo Campos, Marcos Perestrello, entre outros. Verdadeiramente, a crème de la crème socialista. A nata do Rato. A elite dirigente da oposição democrática. O patriarca, do alto da sua longevidade, lucidez, grandeza histórica e magnanimidade democrática deve ter-se sentido profundamente orgulhoso com tamanha homenagem. É que estavam lá todos. Não faltou ninguém. Pelo menos, ninguém que lhes fizesse falta.
Deve sossegar imenso os credores presentes e futuros…
…saberem que o inventor das PPP rodoviárias é o promotor do manifesto a favor pela reestruturação da dívida.
A propósito do medo que as forças de segurança inspiram ao poder político ver este quadro do Público (via Insurgente):
muito bem
Esta sugestão da Juventude Popular de reforma da lei do aborto no sentido de introduzir taxas moderadoras para a sua prática no SNS, devendo as mesmas ser progressivas nos casos de aborto recorrente. Menos do que isto, ou seja, o regime em vigor, próprio do paternalismo habitual do estado social, é introduzir um tratamento diferenciado entre pessoas doentes que têm de pagar para se poderem tratar no SNS (e a gravidez, pelo menos por enquanto, não parece que seja uma doença), e quem vai lá abortar sem qualquer encargo. Por outro lado, se todos – até mesmo os defensores da liberalização absoluta – concordamos em que o aborto é um último recurso, sempre deplorável e a evitar, consagrá-lo como um direito universal gratuito é um incentivo à falta de responsabilidade dos indivíduos. É certo que não será com mais taxa, menos taxa que os números do aborto no SNS cairão significativamente. Mas a mensagem que o estado passa com a legislação actual é a de que ninguém precisa de pensar nas consequências dos seus actos, porque ele lá estará para as assumir. E de graça, para que a desresponsabilização seja total.
olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço
Típico, muito típico, do estado social: impor aos outros, sobretudo aos particulares e às empresas privadas (os exploradores capitalistas, cheios de dinheiro para dar aos pobres), aquilo que o próprio estado não cumpre. Aqui falamos da medicina no trabalho, mas se formos olhar para o que se passa com a limpeza das florestas, o cumprimento dos prazos de pagamento de impostos, o respeito por normas de segurança em edifícios escolares, os alvarás (ou a falta deles…) de funcionamento desses mesmos edifícios, as licenças dos bombeiros, etc., etc., etc., não encontraremos cenário muito distinto. O estado social é uma coisa extraordinária! Uma conquista da civilização e um farol de iluminação para toda a humanidade. Só é pena são ser um estado de direito.
Mas podia lá ser doutro modo?!
O João André, de alguma forma, tenta uma critica ao meu post sobre andar na rua com simbologia nazi ou comunista, que representa a morte de milhões de pessoas, contrapondo a estupidez de tal post com símbolos associados a religiões.
Só tenho a agradecer o esforço demonstrado para caracterizar o socialismo-nacional e o comunismo como seitas religiosas. Longe de mim sequer tentar tal coisa.
Qual a surpresa?
O prefácio de Cavaco Silva deixou muitas almas em estado de choque. Afinal a austeridade não vai acabar. Pois não. Basta recordar as regras que foram aprovadas na União Europeia e com as quais se comprometeram PSD, PS e PSD. Cito o prefácio:
Nada disto devia surpreender ninguém, pois são regras bem conhecidas e pacatamente aceites.
Não gostam? Então digam com clareza como se pode fazer de forma diferente. Fora do euro? Fora da Europa? É uma escolha. Era bom que alguém a defendesse assumidamente nas próximas eleições.
Há estratégias muito óbvias
Nós podemos de fazer de conta que Belém é a única hipótese para António Costa:
Mas ele tem acrescidas razões para não acreditar nisso:
Ucrânia
Olímpicos das constituições
O CCP – Comparative Constitutions Project analisou 720 das aproximadamente 800 constituições elaboradas desde 1789.
Um dos parâmetros recolhidos é o número de palavras. A constituição portuguesa, com 35.181 palavras, é considerada extensa, havendo apenas 39 mais palavrosas. A constituição dos EUA tem 22% da extensão da portuguesa; a espanhola tem 50%. A constituição grega tem 77% da extensão da portuguesa. Os modelos de social-democracia nórdica – Dinamarca, Suécia, Finlândia – têm, respectivamente, 18%, 39% e 36% do número de palavras em comparação com a portuguesa (100%). A França tem 29% e a Alemanha, das mais palavrosas, tem 77%.
Outro parâmetro recolhido é o número de direitos constitucionalmente consagrados. No universo da UE a 27 (a minha análise excluiu – acidentalmente – a Bulgária), Portugal é o campeão dos direitos: 86. No extremo oposto está a França (com 13) e a Áustria (com 15).
Grafando os direitos consagrados nas constituições com o ranking de liberdade económica, observa-se uma tendência para este piorar quanto maior for o número de direitos consagrados na respectiva constituição. Aparentemente, em vez de “palavras leva-as o vento”, algumas acabam é mesmo escritas nas constituições.

Nota: como já referi, esqueci-me da Bulgária. Ficam os seus números: ranking de liberdade económica é 61; direitos consagrados na constituição é 68. O seu pontinho ficaria ali perto do da Roménia.
O piroso passou a hino
Novo rumo para Portugal

2014: Novo Rumo: “Novo Rumo para a Igualdade“.
Conclusão: O trabalho de um progressista nunca está concluído e/ou arrependeu-se.
O que é a “defesa do SNS”?
É defender um sistema de seguro de saúde em que o prémio é variável consoante o rendimento, podendo inclusivamente ser nulo, e a franquia é igual para todos. Este sistema de seguro não sofre agravamentos por ser accionado múltiplas vezes.
Por algum motivo incompreensível, a “defesa do SNS” transformou-se em manutenção de edifícios, equipamento e funcionários públicos; este modelo de “defesa do SNS” é destruidor de qualquer viabilidade do sistema de seguro descrito no primeiro parágrafo.
imperdível
Para quem tiver a oportunidade de ir ver.
Três perguntas dominicais para socialistas-nacionais
Se o número de abortos aumenta com a crise, isto significa que o aborto é eugénico?
Se a mulher tem plenos direitos sobre o seu corpo, porque não pode consumir drogas ditas ilegais?
Se usamos aborto como indicador de crise, o que separa um jornal de um panfleto de propaganda?
Nota: criei um email para insultos. Podem enviar para vc.blasf@aol.com todos os impropérios com a certeza que serão lidos, compilados e editados em livro.
nem seria de esperar
O incontestado e incontestável líder do PS, o Senhor António José Seguro, resolveu dar um puxão de orelhas em público ao contestado e contestável líder da República, o Senhor Aníbal Cavaco Silva. Em causa, uma entrevista que este deu ao Expresso, dizendo algumas coisas que não lhe competiam dizer no exercício das suas funções actuais sobre a saída de Portugal da tutela plena da troika.
O incontestado sentiu necessidade de reforçar a sua incontestável liderança utilizando o contestável como objeto da sua incontestada autoridade. Não o deveria ter feito. Na verdade, não só Cavaco tem alguns anos a mais do que Seguro, e o respeito pelas pessoas mais velhas é um exemplo que deve ser dado pelas personalidades inspiradoras da comunidade, na conta do que ele certamente se tem, como também deve haver alguma deferência por quem fez na vida mais do que nós, no caso o contestado, que antes de entrar na política já cá andava a sustentar a família com cursos, doutoramentos e a ensinar o que nesses anos de estudo aprendera, enquanto que o incontestável fez toda a sua fulgurante carreira nos bancos da Juventude Socialista e, durante e depois, nos da Assembleia da República, o que não é exatamente a mesma coisa, embora também não seja muito diferente.
Mas há ainda um aspecto superior a estes dois que o incontestável deveria ter ponderado antes de puxar as orelhas ao contestado. É que este último, por mais absurdidades que possa dizer, não se representa a si próprio, mas à República, a amantíssima e inspiradora forma política da nação, cuja ética imaculada deve ser para todos exemplar. Ora, ao malhar em Cavaco, Seguro não se limitou a censurar a persona do Professor Aníbal Cavaco Silva. Verdadeiramente, e aos olhos de todos, ele pontapeou a República, pela qual todos os cidadãos e políticos (cidadãos de primeira em contraste com os cidadãos de segunda) devem ter o máximo respeito. Porque, na verdade, ao tratar-se assim, ao mais alto nível de responsabilidade política, os símbolos maiores da comunidade politicamente organizada, é esta que se põe em causa.
Como é evidente, o Dr. António José Seguro nem disso se lembrou, tendo-se limitado a olhar para o Chefe de Estado apenas como mais um actor político, igual ao Paulo, ao Pedro, ao Zé e ao António, que como ele andam à caça de simpatias e de votos para se alçarem e manterem no poder. Um protagonista tão criticável como qualquer outro, portanto, que recebeu apenas de parte da população votante a legitimidade do seu cargo, não o representando a ele nem aos seus, porque eles votaram noutros candidatos, a quem preferiam muito mais do que ao que acabou por ser eleito.
É também por este género de razões, que cada vez mais a Monarquia Constitucional se configura como a forma política mais adequada ao sistema de governo parlamentar. É que aí, o chefe de estado é exclusivamente um símbolo, não é eleito por uma simples parte dos eleitores, não pode intervir politicamente e, por isso, não pode nunca dividir por ser politicamente inexistente. “Limita-se” a ser um símbolo da res publica, que a une pela sua dimensão inteiramente simbólica e pela referência pessoal, e ao qual é devido o respeito necessário ao essencial não avacalhamento das principais instituições de um país, sobretudo daquela que é o símbolo vivo da comunidade.
Esta é uma diferença muito significativa que explica a estabilidade política habitual nos países em que os regimes democráticos parlamentares são enquadrados na forma monárquica, contrastando com a conflitualidade e a instabilidade crónica dos sistemas de governo parlamentares sob a forma republicana.
Obviamente que ao incontestável António Joé Seguro, obcecado como anda com a ideia de não perder o comboio que o levará a sentar-se, juntamente com amigos e compinchas, em São Bento, semelhante coisa não passou pela cabeça. Nem seria de esperar que passasse.
Dias internacionais com dedicatória
Queria dedicar esta lista de dias internacionais a todas as pessoas que celebram hoje o dia internacional da mulher.
27 Janeiro: Memória das vítimas do Holocausto
4 Fevereiro: Cancro
6 Fevereiro: Tolerância zero à mutilação genital feminina
13 Fevereiro: Rádio
20 Fevereiro: Justiça
21 Fevereiro: Língua materna
1 Março: Discriminação zero
3 Março: Vida selvagem
8 Março: Mulher Ler mais…
vai ter graça
Ver esta senhora ganhar eleições. Por enquanto, as do Parlamento Europeu, no futuro, ninguém poderá dizer.
Apesar de não me ser minimamente simpática, nem por ela própria, muito menos por aquilo que defende e representa, não deixarei de estar atento ao que dirão, a propósito da(s) sua(s) vitória(s) os democratas de serviço, aqueles para quem a democracia só é boa e funciona bem quando ganham os “nossos”.
A seguir com a maior atenção.
na cabeça do indígena
Para o português médio, Jardim Gonçalves é um bandido. Ele cometeu todos os pecados capitais que não têm perdão em Portugal: foi um empresário, teve sucesso e ganhou muito dinheiro com isso. Nos EUA, na Alemanha, ou mesmo em certas regiões do Brasil (São Paulo, por exemplo), este homem seria exaltado, pessoalmente respeitado, o seu percurso de vida serviria de exemplo aos jovens empreendedores e o BCP seria um case-study nas escolas de gestão e nas universidades.
É certo que Jardim Gonçalves cometeu um erro fatal, com o qual viu destruído um percurso de vida profissional exemplar: não soube escolher o sucessor e, pior do que isso, fê-lo seguindo critérios pessoais que nada tinham que ver com o banco. Pagou pessoalmente por isso e nunca mais recuperará do rótulo de salafrário e bandido que lhe colaram na testa. O nativo lusitano é geralmente invejoso e mesquinho, e não aprecia o sucesso e o triunfo alheios. De nada valerá a Jardim Gonçalves ter revolucionado um sector – a banca – que as nacionalizações selvagens de 75 tinham destruído e relegado para práticas do século XIX, ter criado milhares de postos de trabalho, dinamizado empresas e apoiado empreendedores, desenvolvido a economia e a bolsa do seu país. Ele é um bandido, ponto. Não por aquilo de que o Ministério Público o acusa (e que duvido que tenha entendido plenamente), mas por ter sido um empresário bem sucedido.
Em contrapartida, o indígena português olha para os seus políticos – os seus ‘maiores” – com respeito e veneração. Ainda hoje, uma pessoa como José Sócrates, apenas para nos ficarmos pelos mais recentes, apesar de não ser consensual, colhe a simpatia de milhares de portugueses e a tolerância de muitos outros. Pouco importa que o seu governo tenha destruído o que ainda restava da economia nacional, gerado uma dívida que ainda chegará aos bolsos dos nossos netos, ter tomado decisões perdulárias, despesistas e irresponsávei, e ter montado com o dinheiro do contribuinte um projecto pessoal de poder que não respeitou empresas públicas e privadas, órgãos de comunicação social, bancos (o próprio BCP, por exemplo). José Sócrates é hoje uma pessoa respeitável, com direito a tempo de antena semanal na televisão pública, e ainda há-de dar muito ao país.
O nativo lusitano gosta de levar nas fuças, não entende o que lhe aconteceu, menos ainda que seria com homens como Jardim Gonçalves que teria alguma chance de sair do atoleiro onde deixou que o enfiassem. Prefere continuar a manifestar-se nas ruas a pedir emprego, do que aprender como se fazem empresas ou respeitar quem as consiga fazer.
Memórias de 2010
PSP vai deter quem se manifestar de cara tapada
A polícia entende que há fortes possibilidades de acontecer um crime se alguém ocultar a identidade em manifestações.
barrosão
De saída da Comissão Europeia, Durão Barroso afirmou que, no exercício desse seu mandato, fez “tudo o que podia por Portugal”.
Não há qualquer razão para não acreditar que assim não tenha sido. Nenhuma pessoa normal, em idênticas circunstâncias, faria de modo diferente. No caso de Barroso, esse empenho terá sido até tanto maior quanto maior foi o peso sentido na sua consciência por ter abandonado precocemente um governo de emergência nacional e entregado o país a José Sócrates.
E há também mais um significativo pormenor que confirma as suas declarações: como político experiente, Durão Barroso sabe que só teria alguma hipótese do país voltar a fazer alguma coisa por ele, se ele tivesse feito alguma coisa pelo país.
Investigue-se, se faz favor
para quando?
Para quando é que Portugal e os portugueses, em vez de se andarem a entreter com estas porcarias, se resolvem a agradecer e a homenagear Jorge Jardim Gonçalves por aquilo que fez por eles?
PÚBLICO (podia lá ser noutro sítio!): Em Portugal tem havido a preocupação de tornar os sinais de trânsito mais neutros do ponto de vista do género. Mas esta é uma área que resiste às mudanças (…) A pictografia sinalética trabalha, essencialmente, com estereótipos e caricaturas. É conservadora por excelência. E a sinalização rodoviária, em particular, é-o ainda mais — até porque há sempre o argumento da segurança. Se se mudarem os sinais estes perdem eficácia, os condutores podem ficar confusos.
O assunto já deu uma tese de doutoramento: Representações do masculino e do feminino na sinalética cuja leitura recomendo.
*Se quiserem por razões absolutamente preconceituosas: o Che como bem se percebe pela t shirt à venda na nossa loja era bem mais interessante que os lideres das causas fóbicas que por aí andam e muito sinceramente não creio que fosse mais intolerante: muitos destes seres que por aí andam gritando “fobia” a cada dois segundos se se vissem senhores de um poder absolutos e com um revolver no coldre não de comportariam de modo diverso daquela que caracterizou Guevara
Maria de Belém Roseira viu ontem o filme “Der Untergang”
“As manifestações mais impressionantes que eu tenho assistido no país são aquelas, silenciosas e anónimas, das mães que matam filhos e se matam a seguir” — TVI 24, 6/3/2014
(como lembrado pelo comentador Abre-Latas)
Já disponível a colecção Guarda Che
Já está disponível na Grande Loja Blasfema a linha de produtos Guarda Che, vocacionada para revolucionários de sofá, que vêem na polícia a oportunidade para se queixarem de brutalidade policial e/ou para serem os verdadeiros revolucionários defensores da verdadeira democracia, consoante os dias.
Ontem quase que houve uma verdadeira revolução nos sofás, com o frenesim a alternar entre SIC Notícias, RTP Informação e TVI 24, colocando o Twitter no limiar do selfie e o Facebook a igualar status pró-revolução aos de fotografias de gatos.
As telenovelas começaram quase 20 minutos depois do horário previsto, pondo em causa a hora de recolhimento ao leito da geração mais bem preparada de sempre, demonstrando a necessidade de mais espectáculo para entreter massas na defesa do Estado Social em vias de destruição ideológica por governos com incapacidade para obrigar estrangeiros a financiarem défices nacionais. Durante 20 minutos todos fomos, e por esta ordem, iranianos, iraquianos, tunisinos, gregos, islandeses, egípcios, sírios, cipriotas, ucranianos, venezuelanos, crimeios(?) e, por fim, adeptos de estados policiais.
O Blasfémias compromete-se a doar 20% dos lucros obtidos com esta colecção para o fundo Vamos Trazer Fernando Tordo Para Portugal.
Princípios Fundamentais
Artigo 2º
Princípios fundamentais
1 – Os membros das forças de segurança cumprem os deveres que a lei lhes impõe, servem o interesse público, defendem as instituições democráticas, protegem todas as pessoas contra actos ilegais e respeitam os direitos humanos.
2 – Como zeladores pelo cumprimento da lei, os membros das forças de segurança cultivam e promovem os valores do humanismo, justiça, integridade, honra, dignidade, imparcialidade, isenção, probidade e solidariedade.
3 – Na sua actuação, os membros das forças de segurança devem absoluto respeito pela Constituição da República Portuguesa, pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, pela Convenção Europeia dos Direitos do Homem, pela legalidade comunitária, pelas convenções internacionais, pela lei e pelo presente Código.
4 – Os membros das forças de segurança que actuem de acordo com as disposições do presente Código têm direito ao apoio activo da comunidade que servem e ao devido reconhecimento por parte do Estado.

