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uma eloquente demonstração

7 Março, 2014
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2011-11-24t191705z-01-rfm07-rtrmdnp-3-portugalNas últimas décadas, o estado português, arvorado em estado social, gastou dinheiro a rodos oferecendo tudo a todos, transformando todos os bens e serviços utilizados pelos seus cidadãos em serviços e bens públicos, logo, pela letra e espírito da sua Constituição, universais e gratuitos. Com isso, criou escolas, universidades, politécnicos e cursos desnecessários, duplicou pontes e estradas que quase ninguém usa, criou gabinetes ministeriais de proteção ao mexilhão da Costa da Caparica e ao javali alentejano, subsidiou artistas e cançonetistas, gastou milhões em rendimentos mínimos sem controlo nem tutela, prestou generosa assistência a bancos arruinados, a televisões comerciais sem audiência, a empresas transportadoras cronicamente deficitárias e tecnicamente falidas, patrocinou campeonatos europeus de futebol, realizou obras vultuosas em aeroportos que se preparava para demolir e substituir por outros, enfiou milhões em escritórios de advogados, arquitectos e técnicos para pareceres e projectos, e contratou e pagou a uma enorme burocracia, que praticamente triplicou em vinte anos, para executar as suas ciclópicas tarefas e nobres fins. Fê-lo com os impostos dos contribuintes, a partir de decisões políticas legitimadas pelo voto popular. Ao longo dessas décadas, os impostos subiram sempre, a dívida pública também e a insatisfação popular com os serviços prestados igualmente. Nesta euforia proteccionista, o estado social português, distraído nas suas funções sociais, esqueceu-se daquilo para que essencialmente foi criado: garantir a segurança das pessoas e da sua propriedade.

Por isso, as manifestações enraivecidas de polícias que recebem, em média, a miséria mensal de 1000 euros para arriscarem as suas vidas a defender os outros, é a mais eloquente demonstração do seu fracasso.

Ó camarada Filipe importa-se de indicar a data das últimas manifestações de polícias em Cuba?

6 Março, 2014

Deputado António Filipe diz que manifestação das forças de segurança ‘é compreensível’

E na saudosa URSS quand tiveram lugar? E na RDA?…

Suicídio sindical

6 Março, 2014

“Eles podem estar no poder, mas nós somos o poder”

Seja qual for o governo que vier a seguir os sindicatos das polícias e muito mais grave as próprias polícias serão esvaziados de importância. Da marinha à GNR, das polícias de segurança fragmentadas por ministério e pela chefia do governo… sucessivos governos de cores políticas diversa fizeram-no quando foi preciso. Ou seja de cada vez que uma força policial ou militarizada achou que podia dizer “Eles podem estar no poder, mas nós somos o poder”.

Já agora os jornalistas guardem as edições que fizeram hoje sobre esta manifestação e daqui a dois anos revejam-nas pf.

Perseguir unicórnios

6 Março, 2014

O que se está a passar agora em frente à Assembleia da República, além de decorrente da (ir)responsabilidade individual dos intervenientes, é o fruto de uma oposição e opinion makers irresponsáveis que inflamam a opinião pública com unicórnios anti-austeritários.

Um dia a revolta virar-se-á contra estes. É pena termos que passar pelo passo intermédio.

Fuga para a frente

6 Março, 2014

Tendo saído dos palcos efémeros a baronesa europeia, eis que entram em acção os pesos pesados da UE no apoio ao estranho bando que tomou conta de parte da Ucrânia. O Conselho da UE assume a função de tribunal constitucional e decreta que o referendo na Crimeia é inconstitucional e portanto ilegal. Embora historicamente tenha na ocasião apoiado e aceite referendo semelhante no Kosovo e não se tenha ainda pronunciado sobre o da Catalunha, é de realçar a assunção destas novas importantes funções do CE. E não se ficaram por aí. Numa nova prova de total insensatez decidiram que o Acordo de Associação entre a UE e a Ucrânia será assinado com o actual «governo provisório» antes mesmo de um novo governo se instalar como resultado de eleições já marcadas para Maio. Não há que correr riscos de os ucranianos afinal não estarem de acordo e a UE perder a ocasião…..É o que se pode chamar «roteiro para o disparate».

Mas foi mesmo por isso que o programa foi criado!

6 Março, 2014

“Só não vou votar no cara que tirar o Bolsa Família”

Não há nada como a coerência

6 Março, 2014

Alguém ainda recorda a patetice das “camisetas sexistas”?

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Dizem as más línguas…

6 Março, 2014

…que a melhor forma de evitar a manifestação dos polícias é passar notícia que está a haver um assalto na Assembleia da República.

hollywood conta pouco

5 Março, 2014
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“Mas o que poderá o homem fazer perante uma agressão tão bárbara?”, perguntam, indignados, alguns comentadores do meu anterior post, assim se referindo, sem que disso provavelmente se apercebam, à impotência norte-americana para alterar os factos que ocorrem na Ucrânia.

A questão está, todavia, mal formulada, porque não se trata de saber o que Barack Obama pode fazer para impedir a invasão russa da Ucrânia – nada, como está à vista de todos – mas como deveria ter conduzido a sua política externa para evitar o crescimento da Rússia e de Vladimir Putin, que aconteceu durante o seu já longo mandato como Presidente dos Estados Unidos da América.

A resposta não é unívoca, nem simples. Mas há um velho princípio de política internacional que Obama parece ter ignorado: não existe espaço vazio na comunidade internacional, e quando ele surge imediatamente é preenchido por alguém. Assim, as hesitações e dúvidas estratégias em relação ao Iraque, a tolerância (incentivo?) com que os EUA deixaram cair velhos aliados, como Mubarak, arriscando trocá-los por fanáticos islâmicos ou ditadores torcionários, o entusiasmo pateta face à maravilhosa “Primavera Árabe” e os frutos democráticos que ela produziria, a fraqueza na Síria, algumas atitudes dúbias para com Israel e o Irão, as reações atolambadas nos casos das escutas e da espionagem só poderiam da à Rússia e a Putin um protagonismo que nunca teriam tido com Reagan, George Bush pai e filho, ou com Clinton.

A errática política externa de Obama e da Senhora Clinton, alicerçada em tudo e em coisa nenhuma, e agora magnificamente sintetizada pela vacuidade de Kerry (outro erro grave de Obama, porque não se entrega uma pasta destas a um tipo destes, já há muito em perfeito estado de decomposição política), faz lembrar a fórmula mágica do “diálogo” do nosso Guterres. Vai dar bons resultados, pela certa, até porque em política externa norte-americana Hollywood conta muito pouco.

“como com ratos”

5 Março, 2014
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5815982517_ObamaRat_xlargePerante a ameaça de invasão russa da Ucrânia e a justificação dada por Putin para essa agressão militar (proteger os russos da Crimeia), Barack Obama terá dito qualquer coisa do género, “as palavras de Putin não enganam ninguém”.

Não me lembro, nem nos tempos do surrealista Jimmy Carter, de uma declaração tão aloucada e irresponsável de um presidente americano, menos ainda em matéria de política internacional e logo perante a Rússia. Estas questões não são jogos de enganos que se compadeçam com floreados retóricos, os tais em que a pop-star do partido democrático é especialista, muito menos quando há soldados e tanques russos a ultrapassar as linhas da fronteira de países soberanos. São relações de força, e fugir por aquela via é uma inequívoca demonstração de fraqueza que, neste caso, a Crimeia, a Ucrânia, a Europa e os EUA já estão a pagar a preço elevado.

De resto, a retórica discursiva de Putin anda muito superior à de Obama, nos últimos tempos. Depois da humilhação da carta publicada na comunicação social americana, utilizando os valores tradicionais das democracias ocidentais para envergonhar Obama, Putin voltou agora à carga, com esta crise, seguindo a mesma linha de humilhação: “Às vezes tenho a impressão de que, em algum lugar da América, uma equipa está a conduzir experiências, como com ratos, sem entender as consequências dos seus actos”, afirmou, dando a entender que os EUA estavam a incentivar um “golpe de estado” na Ucrânia, contra a ordem legal que ele, Putin, irá repor.

Infelizmente, ainda que pelas razões erradas e com os piores objectivos, quanto à inconsciência desta Administração norte-americana, Vladimir Putin está cheio de razão.

Primeiro resgate

5 Março, 2014

Em 1978, após o resgate do FMI à primeira bancarrota socialista do pós-25/4, Eugénia Melo e Castro (Covilhã, 1958) emigrou para o Brasil aos 20 anos com uma filha nos braços.

Desde então gravou vários discos e participou em duetos com artistas como Tom Jobim, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gal Costa e Adriana Calcanhoto.

Não encontro cartas e crónicas pungentes com perdas simbólicas nos jornais da altura.

A cultura não pode morrer, tem que sobreviver para se poder anunciar nova morte por ocasião do 4º resgate por bancarrota socialista.

Bom tema para o primeiro dia da Quaresma.

Foi no Carnaval mas mesmo assim

5 Março, 2014

Pinto Monteiro acusa o Governo de estar a imitar o regime nazi ao criar guetos no interior do país.  Ao comparar-se o que não é comparável banaliza-se o inaceitável. Não quererá o ex PGR fazer uma experiência comparativa das condições ser judeu no gueto de Varsóvia durante o nazismo (já agora podia alargar as referências  ao comunismo igualmente farto em campos de concentração) e a vida numa vila portuguesa cujo tribunal vai encerrar?

Perseguindo ambulâncixs

5 Março, 2014
Imitador de Liza Minnelli

Imitador de Liza Minnelli

A piada da apresentadora dos Oscars, Ellen DeGeneres, lésbica, referindo-se a Liza Minnelli como “a melhor imitação de Liza Minnelli que vi – parabéns, senhor”, já causou mossa com a indignação florzinha dos defensores de igualdade de género. São pessoas muito sensíveis. O realizador Bruce LaBruce, autor de obras tão importantes como “No Skin Off My Ass” e “Gerontophilia”, considerou a piada “transfóbica e desrespeitosa”; enquanto isso, o peticionário perseguidor de ambulâncias lá da zona (sem relação com o de cá), Steve Schonberg, lançou uma petição exigindo um pedido formal de desculpa (via Huffington Post).

Estes pináculos de sensibilidade etérea não defendem igualdade de género; como com tudo relacionado com o politicamente correcto, exigem tratamento diferenciado que lhes atribua uma hiper-normalidade definidora de norma e cuja base de sustentação é, precisamente, a intolerância para com os outros. Dou-vos uma novidade: os heterossexuais-baunilha-aborrecidos fartam-se de dizer expressões como “pareces uma menina”; exigir igualdade de género é, sobretudo, exigir a normalidade destas piadas para homo-, pan- e todas-as-outras-designações-de-perfeita-igualdade-sexuais.

Avisem-me quando a doideira passar

5 Março, 2014

O presidente russo, Vladimir Putin, está entre  os nomeados para o prémio Nobel da Paz deste ano, bem como o antigo agente dos serviços de segurança dos Estados Unidos Edward Snowden

O problema da banalidade

5 Março, 2014

Uma em três mulheres vítima de episódio de abuso – O problema destes estudos feitos em geral por investigadores cujo posto de trabalho depende ele mesmo da manutenção e agravamento do problema que é suposto estudarem e ajudarem a a erradicar é que fazem umas generalizações em que tudo é igual é tudo e em boa verdade toda a gente lhes cai no âmbito.

Um assunto a discutir

4 Março, 2014

Insurgente: Uma pequena alteração que faria toda a diferença na justiça Portuguesa seria uma alteração ao tratamento à mentira quer seja na prova testemunhal quer seja em alegações processuais. O perjúrio devia ter penas maiores e estas serem aplicadas na prática. Não é aceitável que seja comum que pessoas achem que compensa mentir em tribunal por um acidente automóvel por amigos ou mesmo desconhecidos.

Eu, subsídio-dependente, me confesso

4 Março, 2014

O subsídio-dependente* preferido dos portugueses em 2014 dá uma entrevista ao Público em que diz:

Eu não percebo por que é que a saída de um único cidadão, é músico mas podia ser engenheiro ou trolha, pode causar tanta confusão e tanta polémica. É por eu ser uma figura pública? O que eu leio e o que as pessoas escrevem é que o tipo está velho, já não interessa… então por quê tanta preocupação?
— in Publico

Eu explico: é porque, camarada, nenhum outro emigrante português tem direito a entrevista do jornal Público no dia de Carnaval, capisci?

Não dá para aparecer um Daniel Oliveira a queixar-se do Tordo continuar com “esta lama toda”?

* Não é um insulto, é um auto-insulto: “a questão é esta: as autarquias, que são o grande empregador dos artistas em Portugal, não têm dinheiro, ou pelo menos é o que dizem”.

Vamos festejar o Carnaval fantasiados de Hitler

4 Março, 2014

Estou a brincar. Isso seria errado. Muito errado. Além disso, seria de mau gosto.

O Carnaval é uma festa para a fantasia responsável, não faria qualquer sentido que pessoas marchassem pela rua com símbolos ofensivos que representam a morte de milhões de pessoas.

bandeiras_comunistas

Será mesmo essa a razão?

4 Março, 2014

A manifestação nacional dos profissionais das forças e serviços de segurança contra os cortes salariais vai realizar-se a 6 de Março entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República, em Lisboa, foi hoje anunciado. O percurso da manifestação foi decidido na reunião da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, disse à agência Lusa o secretário nacional da estrutura que congrega os sindicatos mais representativos da GNR, PSP, ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima. Paulo Rodrigues adiantou que este trajecto é o mais adequado, tendo em conta que se prevê uma participação em massa dos profissionais das forças e serviços de segurança

Ora com uma participação em massa desce-se a avenida. Não se enfiam os manifestantes numa rua que faz um estrangulamento.

“Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça e fazermos da tristeza graça”

3 Março, 2014

Ler Daniel Oliveira é extremamente útil para se perceber o dandismo que a esquerda urbana com aspirações intelectuais advoga na redução ao absurdo que é a sua própria superficialidade. Em primeiro lugar, Daniel Oliveira não precisa saber saber se “Tordo emigrou nas melhores ou nas piores condições” para determinar que se sentiu “obrigado a sair do país” e que “isso amargurou-o”. Depois, confunde um post no blogue do prolífico escritor Tordo júnior com “uma carta sentimental e indignada ao pai” (os selos estão pela hora da morte). Segue-se uma compreensão naturalista pelos “sentimentos fortes” gerados pela partida do Tordo sénior para o Brasil “num momento em que Portugal e a sua democracia se põem em causa”, numa manifesta sobreavaliação de importância aos movimentos que Daniel Oliveira gosta de abraçar, dos estalinistas do PCP aos trotskistas do Bloco, e daí aos estrábicos do 3D. Depois, continua com algo incoerente até admitir que “para anular a carga simbólica desta partida nada como abrir caça ao Tordo”, numa paradoxal cedência à emigração de um indivíduo como símbolo de algo. Depois queixa-se que os contratos públicos “foram esgravatados e publicados”, explicando implicitamente que, caso Daniel Oliveira tivesse algum poder, acabaria com essa indignidade dos portugueses terem acesso a listagem de contratos realizados à conta do contribuinte; talvez para evitar as “generosas doses de populismo e porções homeopáticas de rigor”, porque promover, só mesmo “a carga simbólica desta partida” de cantores que emigram após 13 anos do seu último disco.

Giro, giro é o último parágrafo: Daniel Oliveira “não queria saber nada de especialmente novo sobre Fernando Tordo”, referindo-se a contratos ou “apoio do Estado”. Ele não queria, por isso, você, caro leitor, também não tem que querer, percebe? Daniel Oliveira “dispensava esta lama toda” apesar de dedicar 598 palavras no Expresso a não dispensar esta lama toda. Como antes já referia, “esta crise libertou um ar tóxico e irrespirável” porque isto de os contribuintes saberem quem andam a pagar é a nova asfixia democrática. Depois rebenta com tudo referindo-se à geração de Tordo como “a geração a quem devo a minha liberdade”. Nota-se a mágoa: a liberdade permite que se publiquem contratos de ajuste directo que Daniel Oliveira não quer ver publicados porque isso “apouca” os visados. É patente o descontentamento com a falta de respeitinho, pá, por quem Daniel Oliveira decide que é preciso respeitinho, pá.

Termina com um bela pergunta: “o País [sic] deu pela partida de Fernando Tordo. Daria pela partida dos que o apoucaram nestes dias?”. Tão bonita que merece ser invertida: o país daria pela partida de Daniel Oliveira ou libertar-se-ia de parte do “ar tóxico e irrespirável”?

inédito

3 Março, 2014
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Coisa nunca vista em Portugal, onde as autoridades sempre preservam o segredo de justiça e o respeito pelos protagonistas processuais, e onde nunca se utiliza a comunicação social para vazar estrategicamente informações. No caso Maddie, “a PJ terá já informado as congéneres britânicas que “quer continuar a fazer a sua investigação no processo e não nos jornais””. Na verdade, já desde a altura em que a comunicação social foi intoxicada por “informações” incriminatórias dos pais da criança pela Scotland Yard, os bifes deviam ter sido postos em sentido. Haja quem nos proteja!

os custos do nobel da paz

2 Março, 2014
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Tunísia, Líbia, Egipto, Síria, Ucrânia, Venezuela e, sobretudo, o regresso da Rússia. O preço a pagar por uma política externa norte-americana liderada por um Nobel da Paz.

Custos de oportunidade em instabilidade cambial aumentam

2 Março, 2014

Caro Joaquim, não faço ideia se o governo vai acabar com a declaração conjunta de IRS. Parece-me paradoxal que o Estado reconheça a união de pessoas (chamando-lhe, entre outras, “casamento”, para desgosto meu) enquanto, ao mesmo tempo, contempla retirar-lhe uma função pragmática como a fiscal.

Não vejo qualquer motivo para a existência de casamento no código civil excepto, à falta de melhor termo, se use este para discriminar situações em que o Estado reconhece o direito de partilha de obrigações fiscais, concordando que pessoas vivem em economia comum. Porém, as hipóteses não se esgotam aqui: porque não há-de uma determinada religião consagrar casamento em que, opcionalmente, não seja facultado o “casamento” contemplado no código civil? A inclusão do casamento no código civil é uma opção do legislador e ultrapassa a questão económica: é uma usurpação laica de algo que transcende – até porque lhe antecede – o Estado.

Na minha opinião, a melhor forma de resolver a questão seria retirando do código civil a noção de casamento. Pessoas que assumam viver em comunhão económica poderiam solicitar acesso a uma espécie de domicílio único fiscal. Isto aplicar-se-ia independentemente das pessoas serem casadas (de acordo com a religião que professam) ou irmãos solteiros. Custa-me, sinceramente, que o Estado decida que pessoas que vivem sob o mesmo tecto com economia comum sejam prejudicados fiscalmente por não assumirem dormir juntos.

Quanto à questão inicial, de produtos subirem de preço, escolhi o exemplo dos livros da Amazon precisamente com intenção de demonstrar que o preço não é o valor nominal de algo e sim uma medida do lastro necessário para superar o custo de oportunidade do consumidor. Isto porque a lei da oferta e da procura que rege o funcionamento da Amazon não é afectada com uma perturbação residual de alguns compradores portugueses. Portanto, o preço do livro mantém-se fixo sendo, porém, “mais caro” para o português no novo-escudo que no euro. Isto acontece para além da questão cambial: com nova moeda desvalorizada dificultando todas as importações, o custo de oportunidade associado à compra do iPad ou do livro também aumenta. Por outro lado, a instabilidade monetária coloca sempre o problema da compra adiada: se o consumidor decide mesmo comprar o livro (superando o custo de oportunidade de não o fazer hoje), é confrontado com a hipótese de a desvalorização cambial lhe ser mais favorável no futuro.

Num mercado globalizado o preço não é tão somente a intersecção da oferta com a procura, é também a distância que separa economias globais das políticas ruinosas de países incapazes de enfrentarem a falácia socialista.

ADENDA: O euro funciona, para países como Portugal, como padrão ouro. Não ser ouro e sim a produtividade alemã é irrelevante para o caso: os portugueses não gostam do euro exactamente por este não ser fiat o suficiente.

E tudo a chuva levará!!!

2 Março, 2014

Quando logo à noite os virem enregeladinhos a falar de tradições, alegria e que para o ano há mais não se esqueçam de fazer as contas:

27.500,00 €  CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXECUÇÃO DE ESCULTURAS PARA O CORSO DO CARNAVAL DE LOULÉ 2014

20.500,00 € CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE ANIMAÇÃO PARA O CARNAVAL DE LOULÉ 2014

5.842,00 € Aquisição de cabos FVV para iluminação e som do corso do carnaval de torres

6.473,00 € Montagem e desmontagem de sistema de som e iluminação no corso do carnaval de torres

10.000,00 € Contratação de Serviços por paret de duas personalidades do mundo artistico para reis deo Carnaval 2014 Município da Figueira da Foz (501305580)

6.000,00 € Luís Nascimento – Rei do Carnaval Município de Elvas (501272968)

8.893,00 € desfile de carnaval dos estabelecimentos de ensino 60170000-0, Aluguer de veículos para transporte de passageiros com condutor

24.390,24 € Aquisição de serviços de organização do evento municipal “Carnaval 2014” Município da Nazaré (507012100)

17.500,00 € Espectáculo de Carnaval com a participação de Mafalda Veiga EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, E. E. M. (503584215)

8.122,65 € Transporte de crianças e respetivos acompanhantes participantes no Carnaval de Ovar 2014

25.800,00 € Locação de duas bancadas, para o Carnaval de Ovar 2014

2.500,00 € Contratação de serviços para integrar os desfilies de carnaval 2014 Município da Figueira da Foz (501305580)

2.500,00 € Contratação de Serviços para integrar os desfiles de Carnaval 2014 Grupo Desportivo da Cova Gala (500787980) Município da Figueira da Foz (501305580)

31.914,00 € Serviço de locação de tenda para Carnaval de Alcobaça

30.000,00 € Estrutura para o monumento de carnaval e de futuro objeto decorativo para rotunda da cidade Torres

18.565,00 € Transporte de crianças para o desfile do carnaval 014 Torres

Há muito mais aqui:

Contratos: da facilidade do fazer à loucura do desfazer

2 Março, 2014

Ou como se premeia quem deixa de pagar e inferniz a avida a quem tenta cumprir com as suas responsabilidades.

 

Filmes nomeados para Oscar analisados por um camarada

2 Março, 2014
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Hoje é noite de Oscars e, como vi todos os filmes, apresento-vos um resumo de cada um pela mente do militante do PCP.

American Hustle
A história do abuso policial exercido por um polícia corrupto e motivado pelo lucro, a opressão que este exerce sobre uma família de trabalhadores e a imoralidade sobre o elemento feminino objectificado por decotes que evidenciam a violência de género.

Captain Phillips
História que ridiculariza a luta do oprimido e a revolução que este inicia contra o opressor neoliberal. O grande capital que se julga propriedade ilegal do navio acaba por vencer neste filme de propaganda contra a luta do povo livre da Somália que continua a contribuiur para um mundo mais justo.

Dallas Buyers Club
História que pretende enaltecer a fuga ao fisco e o enriquecimento ilícito através da exploração do homem-pelo-homem de um bandalho que vende medicamentos que são direito adquirido pelo SNS.

Gravity
Propaganda anti-URSS, que culpa a Mãe-Rússia pela destruição de todos os satélites do planeta, mostrando o abuso americano que envia pessoas para o espaço em calções pretos e pouco mais.

Her
Um filme que analisa o fenómeno explicado pelo doutor Marinho Pinto no último Prós e Contras, o da homotecnofobia que pessoas homotecnológicas sofrem apesar de não terem culpa de estar apaixonadas pelo seu sistema operativo.

Philomena
Uma história que mostra que a igreja católica é a fonte de todos os males do mundo mas completamente arruinada pela facilidade com que a personagem principal perdoa pessoas, a cabra, em vez de fazer o que lhe compete que é rebentar com todas essas instituições opressoras e fomentar a implantação de um estado laico e socialista.

Nebraska
Um filme sobre um homem que procura o seu direito adquirido a um milhão de dólares e cujo princípio da confiança é traído pela exploração do grande capital não-regulado e a sua capacidade para enganar as pessoas.

12 Years a Slave
Um filme que alerta para os perigos do neoliberalismo quando este ainda não tinha a violência e a opressão dos nossos dias, com falsos recibos verdes e o despedimento ilegal de trabalhadores sujeitos a salários indignos como o salário mínimo nacional.

The Wolf of Wall Street
Um filme que mostra que a especulação financeira é o primeiro passo para uma vida de deboche e dependência de drogas.

Prós e contras da saída do euro

1 Março, 2014

sair-do-euro

O ataque é melhor defesa

1 Março, 2014

Luís Represas, cujo nome aparece em 11 ajustes directos com valor total de 243.805,00 €, afirma, a propósito do golpe publicitário fadunchoso de Fernando Tordo, que “estamos a fazer um esforço para defender a cultura. Não podemos crucificar um colega, um colega que é nosso e de todos os portugueses. Parem com isto. O Fernando merece respeito. Vamos ter cuidado e alguma calma. As coisas não são assim como são contadas”.

Seria interessante saber como são então as coisas, as que não são assim como são contadas. Também seria interessante saber quem são os “nós” que motivam o uso da primeira pessoa do plural para os tais que estão “a fazer um esforço para defender a cultura”.

Em última instância, seria interessante que parassem de “fazer um esforço para defender a cultura”. Estão a ter mais sucesso no seu ataque.

A fobofobia

1 Março, 2014

O medo de se ser declarado homofóbico leva a que não se questione o acerto de tomadas de posição como esta: Banco Mundial suspende ajuda ao Uganda por causa de lei anti-gay. Em causa, uma ajuda de 90 milhões de euros para melhoria do sistema de saúde  A legislação do Uganda sobre a homossexualidade é criminosa e haverá formas de penalizar os dirigentes do Uganda por causa dessa legislação. Não tenho dúvidas que qualquer tipo de sanção se traduzirá num agravar das condições de vida da população do Uganda mas  suspender uma ajuda destinada ao sistema de saúde não passa de um gesto para ocidental ver a paludir nas redes sociais.

Amplas liberdades

1 Março, 2014

O PCP ficou hoje isolado no voto contra uma deliberação do PSD, PS e CDS-PP a condenar os “crimes contra a Humanidade perpetrados pelo regime da Coreia do Norte”, e advertiu para “campanhas” de desestabilização da península.
O voto de condenação refere um relatório apresentado pela ONU na semana passada “onde se acusa o regime norte-coreano de cometer violações `sistemáticas, duradouras e graves” dos direitos humanos.
“Entre estas práticas, o relatório destaca as execuções públicas, violações, torturas e outras atrocidades apelidadas de `indizíveis’ que têm vindo a ser perpetradas”, destacam os partidos, no voto.
Com base em “testemunhos e relatos de sobreviventes e dissidentes norte-coreanos”, o relatório da ONU demonstra que a “actuação da Coreia do Norte constitui evidentemente uma ameaça séria à paz nos limites das suas próprias fronteiras, como representa ameaça à segurança regional e internacional”, refere o voto.
A deliberação propõe que a Assembleia da República se associe à Organização das Nações Unidas na “condenação dos crimes cometidos pelo regime norte-coreano contra o seu próprio povo e lamenta as vidas perdidas às mãos de um regime autocrático e repressivo”.
Todas as bancadas aprovaram o voto, à excepção da bancada do PCP, que votou contra. Ler mais…

Uma promessa para a nova década

28 Fevereiro, 2014
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Blasf10Se não a cumprirmos, é sinal que o liberalismo venceu e se implantou. Mas daqui a 10 anos ainda andaremos por aqui, o que talvez não se possa dizer de alguma imprensa dita “de referência”. Estaremos mais maduros (não confundir com os outros Maduros, um de bigode certinho, outro de barba desgrenhada), de espírito igualmente jovem e tão ou mais heréticos como hoje. E na altura seremos um “case study”, um blogue quase centenário, constituído por uma plêiade de Blasfemos radicalmente diferentes entre si, individualistas até ao tutano, mas unidos por uma corrente agregadora mais consistente que as religiões ou ideologias ultras. Aliás, é vê-los a cairem que nem tordos (por vezes levantam-se), enquanto a caravana Blasfema vai passando.

Há 10 anos iniciámos um novo ciclo. Está para durar muito mais. Vamo-nos vendo e lendo por aqui.

Fássistas de todo o mundo, a desunião faz a força

28 Fevereiro, 2014

Sendo eu o mais recente membro da Ilustre Casa Blasfema, sinto o prazer de assinalar esta quase celebração cigana com o mega-aniversário d’O Insurgente e Blasfémias, frutos do laborioso esforço invernal do mês de Fevereiro, época de cultivo de cebolas, couve galega, tronchuda e repolho, assim como de alfaces, agriões, coentros e beterrabas. Como há muitos anos dizia Miguel Esteves Cardoso enquanto candidato do PPM, “Portugal é uma horta” (cito de memória). Numa época em que se bradam as virtudes das redes sociais (ou denunciam, nos casos mais homotecnofóbicos) em detrimento dos blogues, é nos últimos que se fixam as memórias de ideias e discussões que transcendem o aqui-e-agora perene.

Primeira palavra, em perfeito espírito blasfemo, para os aniversariantes do dia, n’O Insurgente: ide próraisquevosparta. É que os gajxs (cedência altamente ofensiva ao politicamente correcto) são bons. Irritantes, provocantes, acutilantes, incisivos, enérgicos, vigorosos e expressivamente robustos, com tenacidade e ritmo impressionantes.

Segunda palavra para esta própria casa, que completa algures entre o dia de hoje e amanhã, naquele dia inexistente em 3/4 dos anos, o seu décimo aniversário. Tal como com O Insurgente, fui leitor assíduo do Blasfémias muito antes de imaginar que me convidariam para blasfemar com eles (perdão, elxs, em mais uma cedência inaceitável ao politicamente correcto). Ao contrário do que fiz com O Insurgente, recuso-me a assinalar qualidades nos blasfemos, que não parecendo, são pessoas emotivas que facilmente vertem uma lágrima sempre que não são apodados de malucos.

O que vos posso dizer, em plena solenização aniversariante, é que quando se juntam pessoas destes dois grupos, não há risco para o comum transeunte na sua vidinha estatizada. Não, ao invés da dominação mundial e do controlo pulmonar centralizado de cada inspiração, são pessoas que discutem temas tão politicamente incorrectos como futebol, a superior qualidade da carne do Barroso e os méritos e deméritos do tinto do ano anterior.

Podia pedir a todos para continuarem por muitos e bons anos mas, conhecendo as peças, é muito mais provável que tal aconteça enquanto houver vontade governamental para regular o chouriço e a alheira.

Dilema filosófico de sexta de carnaval

28 Fevereiro, 2014

Será que a poesia é a única prova concreta da existência do homem ou será que o homem é a única prova concreta da existência da poesia?

(A resposta é 42)

Nota: O meu tio Arménio dizia, sem esconder alguma mágoa, que o empadão era a única prova concreta da existência da mulher.

parabéns a você(s)

27 Fevereiro, 2014
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Ao O Insurgente, que, apesar de ser ainda inverno, faz hoje 8 bonitas primaveras!

Depois de Kiev, a Crimeia. Como era inevitável

27 Fevereiro, 2014
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Depois da Praça Tahir, a Praça Maidan. A alma insurreccional que habita nos activistas de todos os matizes entusiasmou-se com essa nova meca da revolução popular e basista. A ponto de confundir o que é justo e até urgente – afastar Yanukovych – com o que é perigoso – como nomear os ministros em assembleia “de praça”. Isso está muito longe de ser democracia, apesar do entusiasmo do Público:

Não deverá haver muitos governos na história da democracia cuja aprovação esteja dependente dos apupos ou palmas de uma multidão. Mas esse é pelo menos o método que os manifestantes da Praça da Independência quiseram utilizar para a formação do seu executivo, que terá tarefas gigantes pela frente. A primeira foi já nesta quarta-feira, perante a Maidan.

Quando se segue por este caminho o resultado mais provável é o desastre ou, na hipótese mais benévola, a desilusão. É que, como recordava Simon Jenkins no insuspeito Guardian:

Romantics sometimes refer to the “wisdom of crowds”, and why “we are smarter than me”. They ignore the capacity of totalitarians to manipulate the masses to their will. They forget the hysteria and cruelty of which programmed crowds are capable. Even a spontaneous gathering is unmediated and unstable, inherently dangerous, as much a gift to demagogues as to aspiring democrats. Crowds rarely display judgment.

Mas não foi só a Praça Maidan – já celebrada, como não podia deixar de ser, pelo suspeito do costume, o omnipresente Bernard-Henri Lévy, para quem “Nous sommes tous des Ukrainiens” –, foi também o parlamento, que decidiu anular a lei que concede à língua russa o estatuto de língua regional, uma decisão insensata num país onde toda a população fala russo e onde a minoria russa é muito importante (a propósito: é indispensável ler, por estes dias, o excelente blogue do José Milhazes Da Rússia). Medidas como esta, e outras semelhantes, são sinais claros de que entre os revolucionários há muita gente que só deseja substituir um ditador corrupto virado para Moscovo por um autocrata porventura igualmente venal mas virado para Ocidente.

A alegria que sentimos sempre que cai um ditador não pode cegar-nos. A heroicidade de muitos dos manifestantes da Praça Maidan não nos pode fazer esquecer que a legitimidade da rua pode ser revolucionária mas, no dia seguinte a qualquer revolução, não se torna em legitimidade democrática. A denúncia dos muitos abusos e ameaças de Putin também não nos deve levar a ignorar que, para além da Rússia sentir que tem interesses fundamentais em jogo, que há fronteiras mal traçadas e que há pedaços do que é hoje a Ucrânia que nunca foram ucranianos nem são habitados maioritariamente por ucranianos. Como sucede com a Crimeia.

A Crimeia só é ucraniana porque Khrushchev crescera na Ucrânia, pelo que uniu a península conquistada pelas tropas de Catarina II à república onde fora chefe comunista, algo que no tempo da URSS era mais ou menos indiferente, como recorda aqui a sua bisneta. A solução encontrada há 20 anos para manter essa península agarrada à Ucrânia sempre me pareceu artificial, pelo que não me surpreende que numa região onde a maioria da população é russa e onde está estacionada a frota russa do Mar Negro já se fale em referendo separatista.

O problema, naquela região, é muito mais complicado do que a leitura simplista do politicamente correcto que se limita a acusar a Europa de ter agido tarde demais e com pouca determinação. Nem todos os “amigos da Europa” de Kiev são amigos nos quais possamos confiar.

Que seria de nós sem fotografias de pulmões dissecados?

27 Fevereiro, 2014

A União Europeia quer toda a gente saudável e sem vícios feios. Presumindo que as pessoas não sabem que fumar faz mal, as novas directrizes estão aí para serem aplicadas:

  • Avisos (com imagens) que terão que cobrir 65% das frente e traseira de cada maço de cigarros, incluindo avisos adicionais no topo;
  • Maços “lipstick-style” destinados a mulheres são banidos. Todos os maços devem ter pelo menos 20 cigarros para permitir espaço suficiente para os avisos do ponto anterior;
  • Tabaco de enrolar terá avisos com imagens semelhantes;
  • Proibição de elementos como “livre de aditivos” ou promovendo o produto como menos nocivo que outras marcas;
  • Proibição de cigarros com sabor, tais como mentol, fruta ou baunilha;
  • Concentração máxima de nicotina para cigarros electrónicos fixada;
  • Controlo de cigarros a nível do espaço da UE para combater contrabando;

(traduzido do Telegraph)

Ou como diz Tim Worstall aqui, numa deliciosa frase que deve continuar sem ser traduzida, “and just to show that these people really are drowning in their own syphilitic puss”, limitar nicotina em cigarros electrónicos, o método actual mais eficaz de abolição do consumo de cigarros, é só ser extremamente idiota.

as pirocas dos liberais

27 Fevereiro, 2014
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Permitam que plagie um texto meu publicado no velhinho Portugal Contemporâneo (“as pilinhas dos liberais”), que em tempos escrevi sobre as desavenças entre os liberais portugueses, sobretudo aqueles que se reclamam de maiores proximidades clássicas e conservadoras (como é o meu caso) e os que estão mais próximos do chamado libertarismo, mais conhecido por anarco-capitalismo, embora esta última designação possa ser enganadora.

A ideia era a de que uns e outros se preocupavam em dissecar publicamente as suas desavenças e desentendimentos, lidando, entre si, como aquelas crianças que, para disputarem a sua masculinidade, comparam e medem os tamanhos das suas pilinhas, em vez de procurarem o entendimento necessário para enfrentarem o estatismo asfixiante do país em que vivemos. Sem dar conta disso, eu mesmo caí no logro de olhar mais para o lado e menos para a frente. Em vários artigos publicados sobretudo n’ O Insurgente, ataquei alguns postulados doutrinais do libertarismo e alguns dos autores que os defendiam, em boa medida porque os considerava (e considero ainda) frágeis, mas, também, em forma de reacção ao que me parece ser um ataque desnecessário (e auto-destrutivo) movido por alguns libertários ao que considero ser o mais valioso (embora em crise profunda) património histórico do liberalismo contra o estatismo: os princípios estruturantes do constitucionalismo oitocentista e novecentista, deturpados e desviados, é certo, pelo Estado Social do século XX, mas passíveis ainda de serem muito úteis a quem quer conter o ímpeto do poder público.

De há uns tempos para cá, deixei de o fazer, pela razão óbvia de que me consigo entender muito mais facilmente, no que considero essencial, com qualquer libertário do que com outra pessoa que prefira o estado à liberdade. E porque, apesar de considerar que existem o que julgo serem erros nas suas construções teóricas, muito do que escrevem e dizem esses autores está muito bem dito e muito bem escrito. Deixei, assim, de medir a minha pilinha com a dos meus colegas libertários e julgo que o não voltarei a fazer.

O plágio altera o sujeito da frase de “pilinhas” para “pirocas” para o abrasileirar. O motivo é a dissenção pública, e cada vez mais profunda, entre dois muito estimáveis liberais e o que cada um deles representa, o Hélio Beltrão e o Rodrigo Constantino, na comunicação social brasileira e nas redes sociais. O Hélio tem feito um notável trabalho à frente do Instituto Mises Brasil, sendo também um excelente palestrante e um liberal que pensa muito bem e tenta agregar, enquanto que o Rodrigo, que já colaborou episodicamente no Blasfémias, é, de há uns tempos para cá, o principal autor e comentador liberal brasileiro, com obra publicada e intervenção pública regular de vulto, para além de presidir, desde há uns meses, ao também muito influente Instituto Liberal.

Assim, cumprimentando os dois e intervindo numa polémica entre eles apenas porque a tornaram pública, daqui os desafio a porem as suas pirocas dentro das calças e a dedicarem-se ao fundamental: combater um estatismo e um socialismo galopantes no Brasil, que se prepara para ver renovados, nas próximas eleições presidenciais, mais quatro anos de domínio socialista desse imenso e fantástico país. Depois não se queixem.

perceber o que nos aconteceu

27 Fevereiro, 2014
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José Manuel Moreira escreveu um brilhante artigo, hoje publicado no Diário Económico, que, para além da excelente qualidade a que sempre nos habituou, tem o mérito de tornar definitivamente clara a natureza do sistema económico que produziu a crise com que hoje nos confrontamos. Mas a importância deste texto não se esgota na sua utilidade pedagógica. Ele deveria servir para, de uma vez por todas, os políticos porem de lado a ladainha desresponsabilizadora contra algo que nunca existiu nos países agora em crise – o modelo económico capitalista/liberal e a economia de mercado não intervencionada – e enfrentarem as verdadeiras causas dos problemas, das quais não estão obviamente isentos. A insistência em encontrar culpados onde eles não existem, que sobretudo a esquerda tem procurado, é uma táctica política de fuga legítima, mas que só agravará os problemas do país e das pessoas, se mantida como orientação política de um futuro governo, porque fugirá à realidade das coisas e procurará soluções a partir de um diagnóstico errado, ou terá como consequência um agravamento da já enorme descrença popular em relação aos políticos e à política, se só servir como tema de campanha e for abandonada mal se assumam responsabilidades de governo, como sucedeu recentemente na França socialista do senhor Hollande, quando confrontado com a realidade. Por ser fundamental para todos percebermos o que nos aconteceu e não nos deixarmos cair em demagogias baratas, o artigo de José Manuel Moreira é de leitura mais do que obrigatória.

Leituras:

27 Fevereiro, 2014

«As Finanças/As SS nazis» por Daniel Deusdado

Como começar mal uma campanha

27 Fevereiro, 2014

«Europeias “são teste ao Governo”, diz Francisco Assis».

Depois queixam-se que não se debatem «as grandes questões europeias» ou da baixa participação.

Pudera! Se os protagonistas começam logo por dizer que as eleições são sobre outra coisa do que realmente são, então na verdade não são especialmente relevantes…..