Saltar para o conteúdo

Notável Sequência de Disparate

19 Março, 2014
by

Na sequência de um ´post´no Facebook, chamo também aqui a atenção para uma notável sequência imparável de disparates desta “entrevista” de Raquel Varela à SIC-N. Algumas pérolas da Raquel:

“Se nós produzimos 100 e temos 130 para pagar, é óbvio que não é pagável.”

Este argumento é mesmo de quem não percebe nadinha do que está a dizer e cai, uma vez mais, na habitual falácia de confundir fluxo com stock. Na escala da Raquel, produzimos 100 num ano, 200 em dois, trezentos em 3, 1000 em 10. E a dívida é 130.

“Nós neste momento já não temos filas de miseráveis que colapsam por ausência de emprego”.

Quando é que tivemos?

“suspender o pagamento de dívida pública, que aliás aconteceu na Irlanda.”

Aconteceu o quê, na Irlanda? A Raquel não para. Há uma atração para o abismo que se apodera dela e, do meio das roupas de marca e dos gadgets capitalistas de que a Raquel tanto gosta, brota um verdadeiro concentrado de palermice. Ler mais…

Leituras

18 Março, 2014

«Ron Paul: Crimea secedes. So what?»

Tu não te desgraces

18 Março, 2014

Alguns malucos em Vigo consideram a união à República Portuguesa como estado-cidade federada.

Como visitante assíduo de Vigo e península do Morrazo, agradecia que parassem de tentar estragar a Galiza.

será que rima?

18 Março, 2014
by

Insanável com irrevogável?

Não se chama manifesto dos jarretas por acaso

18 Março, 2014

Pacheco Pereira (65 anos) diz que “cada vez mais se generaliza em Portugal a idade como insulto, diminuição, culpa, e [que] todos são ‘velhos’ por associação“. Não se entende: um país que de 5 em 5 anos – isto em períodos de abundância – precisa arranjar estratagemas para a sustentabilidade da segurança social (sempre por mais 20 anos, até à próxima reforma dentro de 5) andar a preocupar-se com a idade das pessoas que reivindicam tolices.

Qual o relevo de analisar idades de pessoas que querem calote à dívida que eles próprios ajudaram a criar se, daqui a 20 anos, não estão cá para pagar os custos desse calote? É uma pergunta retórica.

jarretas-pensoes

Falar, falar, todos devem poder. Até parece que nunca se ouviu o “auditoria à dívida”, “não pagamos” e outros floreados típicos de acampamento com plantação de rabanetes no Rossio. De Pacheco Pereira já se espera a defesa de tudo e do seu contrário. Porém, a melhor resposta a Pacheco Pereira sobre os deméritos do manifesto é dada pelo próprio Pacheco Pereira:

O pequeno e imenso problema é o “ruído” do mundo. As acções humanas, sejam na economia, na sociedade, na cultura, na política, estão cheias de “ruído”, que gera um enorme fosso entre as intenções proclamadas e os resultados obtidos. Quase que se pode dizer que a regra é os resultados serem muito diferentes das intenções. É a regra que Weber lembrava aos políticos de que a maioria das suas acções tem resultados exactamente opostos ao pretendido. Aplica-se também aos economistas a fazer política. – Pacheco Pereira, Março 2012

Atrevo-me até à acrescentar: aplica-se também aos políticos que vão na onda dos economistas que fazem política.

não deixa de ser divertido

18 Março, 2014
by

A saloice do nosso politicamente correcto esquerdista, capitaneada por Mário Soares nos seus quilométricos artigos do Diário de Notícias, anda entusiasmadíssima com o Papa Francisco, sobre quem opina que está a “mudar a Igreja”, certamente no sentido do que eles, quase todos ateus, acham que a Igreja deve ser.

A coisa funciona, nestas mentes altamente bafejadas, do seguinte modo: a Igreja Católica tem sido, nas últimas décadas, um antro de conservadorismo bafiento, um coio de pedófilos protegidos ao mais alto nível do Vaticano, um centro de interesses políticos e financeiros mafiosos, em conclusão, uma verdadeira seita que se afastou da pureza original da mensagem de Cristo, o primeiro verdadeiro socialista da humanidade. Neste panorama, João Paulo I foi o Papa assassinado por querer enfrentar o polvo, João Paulo II, o seu sucessor, o ícone maior do conservadorismo bota-de-elástico e um protetor de pedófilos, e Bento XVI, apesar de ser um homem inegavelmente inteligente e culto, não deixou de ser o guardião de uma ortodoxia retrógada que afastou a Igreja da modernidade.

E eis que surge Francisco, vindo da América Latina dos pobres e desfavorecidos, jesuíta transformado em franciscano, pregador dos fracos e humilhados, crítico do estado de um mundo capitalista em vias de extinção, tal e qual eles juram há mais de duzentos anos que irá suceder. O sucesso do novo Papa é tal, que hoje mesmo ele operou o seu maior milagre: acabou de converter Mário Soares, que deixou de ser ateu para nos elucidar que os pobres são “todos são filhos de Deus”.

Acontece que o Papa Francisco não “mudou” a Igreja, pelo menos no sentido que este seu novo séquito de admiradores gostaria que mudasse. Mexeu nuns cardeais, imprimiu um estilo próprio – o seu, obviamente – ao papado, manifestou, como sempre o fazem os altos dignitários da instituição, a preferência desta pelos mais pobres e necessitados, disse umas coisas, habituais no discurso católico, sobre a ganância dos ricos e a cupidez dos poderosos, e por aí se ficou. Isto é uma mudança de vulto na Igreja Católica? Não é, nem poderia ser, porque a Igreja, por definição, é dogmática e conservadora nos seus princípios, e se os andasse a mudar ao sabor da opinião pública passaria a ser outra coisa qualquer.

Mas houve, de facto, algo que efetivamente o Papa Francisco conseguiu mudar: a percepção dos críticos sobre a sua instituição, que passaram a elogiar como se fosse coisa muito diferente da que eles abominavam, quando se mantém exatamente igual a si própria e ao que sempre foi. Não deixa de ser divertido.

Deus dá, o governo tira

18 Março, 2014

familias-perdem-irs-JN

Mediante o seu objecto de fé, pode, no título, substituir “Deus” por “Estado” ou até, numa referência memofante a Elisa Ferreira, pela suprema divindade nacional, o “Partido Socialista”. Repare-se na subtileza deste título do JN (podia ser outro jornal, hoje toca a este): as pessoas perdem algo, implicando a sua posse prévia, um direito de propriedade adquirido (usucapião?) fruto da bondade supra-humana que só o Bem pode permitir. É indiferente que benefícios fiscais sejam distorções para colmatar outras distorções, também estás provocadas por “o Senhor dá”, tornando indiscutível a bonomia do novelo-de-lã fiscal sobre aquilo que seria por demais evidente, a vantagem de um sistema escorreito sem mais excepções do que regras.

Não é de surpreender que Seguro anuncie, com razão, existir uma “divergência insanável entre o PS e o governo”. Não é com este governo, é com qualquer governo: o PS tem divergências insanáveis com o acto de governar pelo simples facto de a sua vocação ser dar para que outros tenham que tirar.

Coadjuvado pelos poetas partidários e pela proliferação de cursos de letras (“é para fugir à matemática no 10º ano”), é fácil ser líder da oposição em Portugal: nós damos, os outros tiram. É tudo uma questão de percepção mas, se o placebo funciona com a “geração mais bem preparada de sempre”, porquê esperar? É avançar já com todas as medidas ansiosamente aguardadas, as que verdadeiramente interessam, as “eu vou dar” do comedor de brioches que se segue.

O país visto da pastelaria Versailles

18 Março, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE: Estou em crer que caso Cravinho e Bagão Félix tivessem escolhido um daqueles restaurantes suburbanos que agora propõem pratos de pataniscas, mão de vaca com grão ou massada de delícias do mar, mais sopa, vinho e café por 5 euros e meio outro teria sido o teor do manifesto dos 70. Afinal a crise vista diante de um croquete na Versailles é coisa bem diversa da perspectiva obtida face a uma dose de cozido que dá para três num restaurante da Buraca (que ainda oferece uma caixa para se levarem os restos para casa).

Obs. Versailles ficou Versalles (pode pronunciar-se com sotaque castelhano para ter mais graça) mas os croquetes continuam muito razoáveis

Temos de derrotar ESTA política de austeridade! Qual?

17 Março, 2014

BE, PCP e PEV querem voto de protesto contra austeridade

Deixando de lado o BE que para o caso pouco conta cabe perguntar ao PCP/Verdes se esta sua fixação na luta contra a austeridade também engloba esta Política de austeridade

1 – Torna-se necessário definir e executar uma política de austeridade imediatamente pelas seguintes razões:

a) Limitação do agravamento tendencial de desequilíbrio da balança de pagamentos, cuja continuação acentuará o grau de dependência da economia portuguesa de tal modo que poderá tornar impossível a construção da sociedade socialista;

b) Eliminação progressiva de padrões de consumo típicos das sociedades burguesas desadaptados às possibilidades materiais da economia portuguesa; Ler mais…

Até um cheque assinaria, pá!

17 Março, 2014

Teria assinado o manifesto, seguramente, porque estou de acordo com ele”.

Leitura complementar: “Reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria”

O que é o pós-troika?

17 Março, 2014

Para pessoas com juízo é a altura a partir da qual a mediação com os credores deixa de ser feita por uma entidade avaliadora ad hoc, perigando a credibilidade e possibilidade de financiamento do país de acordo com a loucura dos políticos.

Para a oposição (inclui parte substancial do PSD e CDS) é a oportunidade para iniciar o processo que levará ao 4º resgate.

Para os restantes portugueses é a oportunidade de se irem queixando enquanto estrangeiros vão forçando as reformas necessárias em troca do financiamento que lhes dá energia para o folclore manifestativo.

Impossível, para o que eles contam gastar

17 Março, 2014

As condições apresentadas no prefácio do Cavaco Silva para se cumprir o Pacto Orçamental são as seguintes:

1- excedente primário anual de cerca de 3% do PIB
2- crescimento nominal de 4%

Cada uma destas condições têm sido quase unanimente considerada impossível de atingir.

Note-se que um superavit primário de 3% implica um défice de 1,5% no início do período de corte de dívida e de 3,75% quando a dívida atingir os 60%. Ou seja, o sonho desta malta toda continua a ser viver permanentemente com défices elevados. 1,5% não chega. Parece que nem 3% lhes chega. Quanto ao crescimento nominal de 4%, corresponde a um crescimento real de 2% se a inflação for próxima do valor de referência do BCE (2%). Também é impossível, claro, até porque eles não imaginam crescimento sem endividamento galopante.

Portanto ia tentar não aplicar o programa que negociou e assinou?

17 Março, 2014

Sócrates “Teria assinado o manifesto, seguramente”

Daniel Oliveira 2011 versus Daniel Oliveira 2014

17 Março, 2014

Em 2011 Daniel Oliveira criticava as agências de rating por baixarem o rating português sem motivo.

Em 2014 Daniel Oliveira diz que a dívida portuguesa é impagável.

Isto começa ser muito cansativo

17 Março, 2014

Os trabalhadores da Valorsul fazem greve porque não concordam com a privatização da empresa.  devidamente coligados com os presidentes dos munícipios que tb são contra a privatização  actuam como se fossem proprietários da empresa: «Sabemos que, pelo menos, o município de Loures e da Amadora, através dos seus presidentes, já declararam que não vão enviar viaturas para a Valorsul. Estamos à espera que a Câmara de Lisboa tenha o mesmo posicionamento. Se eventualmente a Câmara de Lisboa entender enviar os carros aqui para a central ou para o sanitário de Mato da Cruz (Alverca), iremos trabalhar com o piquete para que não entre nenhum carro na Valorsul», sublinhou o dirigente sindical.»

Entretanto os munícipes são intimados a guardar o lixo em casa e a pagar a taxa de resíduos. Na verdade o tratamento dos lixos já está privatizado: trata-se de uma espécie de coutada dos sindicalistas e dos presidentes dos munícipios. Aos munícipes resta ficar grato nos dias em que fazem a mercê de recolher o lixo e pagar.

Pequeno glossário para o mês de Março

17 Março, 2014

Nojo: Palavra sempre presente na caracterização de ideia, opinião ou decisão contrária à nossa convicção, a única que transcende a individualidade para o açambarcamento de toda a antropomorfia do Bem.

Bem: Plenitude com o que é justo socialmente.

Dignidade: Palavra sempre presente na identificação de ideia, opinião ou decisão contrária à passível de ser caracterizada por “nojo”.

Insustentável: Modo de algo que dava jeito que fosse de outra forma; ligeiro desconforto.

Dívida: Palavra que caracteriza uma obrigação não solicitada criada unilateralmente através de opressão pelo alegado credor contra a vontade do devedor.

Aguentar: Verbo que indica preferência por acção antagónica.

a última oportunidade

17 Março, 2014
by

António José Seguro parece ter finalmente aceitado falar com Passos Coelho e com o governo sobre o futuro do país pós-troika.

Fez muito bem. Até agora, ele tem andado a reboque do que os barões do PS querem que ele faça, convencido que assim lhes agradava e que o deixariam em paz. Enganou-se redondamente, como é óbvio, e, com a desconsideração de não ter estado presente na homenagem da passada semana a Mário Soares, que reuniu todos os históricos do partido e todos os seus inimigos declarados, ele terá finalmente compreendido – espera-se – que esta gente o vê apenas como um regente temporário dos seus interesses, enquanto o não substituem por outro, a poucos meses das legislativas.

Para além do mais, esta estratégia de conflitualidade radical e permanente, não credibilizou Seguro aos olhos dos portugueses mais atentos. É que enquanto os barões do partido que o empurraram para isto podem dizer toda a sorte de disparates, de António José Seguro, possível chefe do próximo governo, os portugueses esperam ver e ouvir muito mais, e até agora praticamente nada ouviram ou viram, a não ser um senhorito com um ar muito enfadado a dizer que não fala com o governo.

Assim, se Seguro quiser firmar-se como líder do PS e verdadeira alternativa política, não lhe resta senão arrumar, de vez, com a velha canga socialista, responsável, aliás, pelo estado lastimável em que o país se encontra, e começar a trilhar o seu próprio caminho. Falar com Passos Coelho é, embora tardio, um bom começo. E talvez seja mesmo a última oportunidade para que ele se torne no verdadeiro líder socialista.

Outros referendos

16 Março, 2014

«Venice prepares for referendum on secession from Italy» (via Carlos Novais)

Deve ser isto a que se chama nosso fado

16 Março, 2014

Supõe-se a indignação e a exigência de pedidos de desculpa se esta cena fosse ao contrário?

Já se esqueceu da vacina?

16 Março, 2014

Otelo Saraiva de Carvalho defende a democracia directa, popular, embora admita que a força do capital lhe trocou as voltas aos sonhos: “em 1974, nós podíamos ter criado aqui, instaurado um novo regime político”. Porém , reconheceu, “os Estados Unidos não iriam permitir a revolução socialista”.

Kissinger não via com maus olhos um Portugal cubanizado e transformado na vacina contra o comunismo da Europa. Otelo que segundo o PÚBLICO defende a democracia directa, popular, podia ter explicado como a norte do Tejo se tomaram à letra os conceitos de directo e popular, tornando de facto inviável que a 25 de Novembro de 1975 a esquerda radical mesmo provocando um banho de sangue fosse capaz de ir além de Lisboa e do Alentejo. Não foram os americanos que obrigaram Otelo a recolher ao palácio de Belém no dia 25 de Novembro.Foi a realidade.

Finalmente uma alternativa ao ajustamento

15 Março, 2014

O que é que tocou esta corda hipersensível de governantes, jornalistas da imprensa económica, homens da banca, alguns empresários e os seus agentes na ideologia “orgânica” do “ajustamento”? Primeiro, voltar ao bom senso e deixar os revolucionarismos de “mudar Portugal”, mostrar que há uma política alternativa, que pode ser difícil, mas é muito mais realista do que a política actual, ou seja, que há alternativas. Pacheco Pereira sobre o Manifesto dos 70

Finalmente, ao fim de 3 anos, Pacheco Pereira identificou uma alternativa à política de ajustamento e austeridade. E a alternativa é … não pagar a dívida. Muitas sinapses se devem ter queimado para chegar aqui. E, perante esta alternativa, tão longamente esperada, o que fez Pacheco Pereira quando foi convidado a subscrever o manifesto? Não respondeu.

não tendo assinado o manifesto apenas por incúria minha em responder a tempo ao convite que me foi feito.

o fim da cadeia alimentar

15 Março, 2014
by

No seu artigo do Público desta semana, a pretexto das reações provocadas pelo panfleto assinado por setenta reformados políticos portugueses, Pacheco Pereira considera a blogosfera o “fim da cadeia alimentar” da política portuguesa. Vão longe os tempos em que a soberba de Pacheco o levava a dizer que tinha mais poder e influência a escrever diariamente no seu Abrupto, do que sentado em qualquer cadeira ministerial. Vão longe esses tempos, na verdade. E as audiências do Abrupto também.

Já pediram desculpa à Moody’s?

15 Março, 2014

O economista José Reis pedia em  2011 um inquérito às agências de rating. Uma das razões para o inquérito era a possibilidade de as agências estarem a dar ratings demasiado baixos sem qualquer fundamento.

Os economistas consideram ainda que as agências podem incorrer no crime de inside trading (informação privilegiada), além de porem em causa a “racionalidade” do quadro económico que está por detrás das constantes revisões em baixa dos ratings, nomeadamente de Portugal.

Em particular, José Reis considerou injustificado o corte de rating da Moody’s para lixo:

O professor José Reis, um dos economistas que apresentou queixa contra as agências de rating, entende que é impossível perceber a decisão da Moody’s de cortar o rating a Portugal para o nível de lixo.

Ouvido pela TSF, este professor da Universidade de Coimbra qualificou de «incompreensível como sempre, incoerente e não justificada» este decisão e considerou que «ninguém a entende» esta «lógica insaciável e cega».

José Reis é um dos subscritores do Manifesto dos 70. Vem agora dizer que a dívida portuguesa é insustentável.

O socialismo deixou de ser uma ideologia para se tornar num argumentário para que outros paguem as nossas contas

15 Março, 2014

Depois desta proposta em 2013 – O líder socialista propõe que a partir de 2021 exista uma “mutualização europeia do pagamento dos subsídios de desemprego” quando a taxa ultrapassar a média europeia  no ano passado temos agora outra proposta: – O secretário-geral do PS, António José Seguro, defendeu esta sexta-feira, em Coimbra, a mutualização dos subsídios de desemprego na zona euro, como estratégia para a criação de emprego. Concretamente, estabelecendo “um nível de referência” – 7%, exemplificou – a partir do qual o pagamento dos subsídios deixe de ser competência de cada país, para passar a ser responsabilidade do conjunto da União Europeia. “O que eu quero não é o subdsídio de desemprego, mas políticas económicas que promovam o emprego. (…) Se os países que têm taxas de desemprego razoáveis – se é que há taxas de desemprego razoáveis – fossem chamados a contribuir, podem ter a certeza de que dariam mais atenção à construção de uma política económica robusta”, explicitou, ao intervir em Coimbra, no evento “Relançar a Europa”.

Não só o nível de ingerência que os países “que têm taxas de desemprego razoáveis” passariam a ter nos países com desemprego acima dos 7% escavacaria a UE em pouco tempo – ou alguém acha que os contribuintes desses países pagariam esses subsídios sem questionar? – como ter desemprego acima dos 7% seria o objectivo de todos os países.  Qual seria o país masoquista que iria ter desemprego a 5 ou 6% que o obrigaria a pagar os subsídios dos outros quando se o tivesse a 7,1% passaria de pagador a recebedor?

Enfim a melhor ilustração para aquilo a que nos conduzirá este e outros delírios é este diálogo

02:13:40 (Robert) “Climb… climb… climb… climb…”

02:13:40 (Bonin) “But I’ve had the stick back the whole time!”

02:13:42 (Dubois) “No, no, no… Don’t climb… no, no.”

02:13:43 (Robert) “Descend… Give me the controls… Give me the controls!”

Robert takes control and finally lowers the nose, but at that moment a new hazard warning sounds, telling them the surface of the sea is fast approaching. Robert realises the ghastly truth – that he hasn’t enough height to dive to pick up speed. The flight is doomed.

02:14:23 (Robert) “Damn it, we’re going to crash… This can’t be happening!”

02:14:25 (Bonin) “But what’s going on?”

The captain, now acutely aware of the aircraft’s pitch, has the final word:

02:14:27 (Dubois) “Ten degrees of pitch…”

Uma nota sobre votações

15 Março, 2014

Ao contrário do ex-deputado Miguel Vale de Almeida, que decidiu dar os parabéns a quem votou a favor da lei da co-adopção, eu queria dar os parabéns aos deputados que votaram a favor, que votaram contra e que se abstiveram.

Quer querem? Sou um democrata.

E saber perder?

14 Março, 2014

Circula por aí um argumento irritado com o chumbo da co-adopção no parlamento que consiste em afirmar que o/a deputado/a X, Y e Z, como homossexual, não pode/deve votar contra.

Desconheço se X, Y e Z são homossexuais (daí não referir os nomes) mas, não entendo porque esse facto, a ser verdade, teria qualquer relação com dever de voto num determinado sentido sobre uma matéria que envolve crianças. Quando muito seria relevante se estivesse em votação uma lei para a criminalização da homossexualidade.

Muitas piadas sobre Sócrates acabaram de ser validadas. Por outro lado, é interessante ver que, na derrota, o que está em causa são outra vez os direitos de homossexuais e já não os supremos interesses das crianças. É na derrota que se vê quem nunca saberia ganhar.

“Reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria”

14 Março, 2014

Via TSF (2011).

Caiu mais um mito “austeritário”

14 Março, 2014
by

Passámos os últimos anos a ouvir proclamar que uma das principais consequências da austeridade é que esta fazia aumentar as desigualdades. Várias vezes contestei essa aparente evidência, mas ainda há bem pouco houve quem ficasse genuinamente surpreendido por descobrir que a realidade, afinal, não encaixava no discurso dominante de que “os ricos estão a ficar cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”. 

Ora o FMI acaba de publicar um conjunto de estudos sobre a evolução da desigualdade e a sua relação com as políticas de consolidação orçamental que, no caso de Portugal, desmentem cabalmente essa espécie de “mito urbano” que tanto jeito dava a certos activistas. 

As evidências são tão gritantes que até o Público reconhecia em título que a “austeridade retirou 10% do rendimento aos mais ricos e 5% aos pobres“. Isto é, que a “austeridade em Portugal cortou aos mais ricos o dobro do que tirou aos mais pobres”, como se escrevia no Jornal de Negócios. 

Image

 

O caso português contrasta mesmo com o de outros países quando consideramos o impacto das medidas de consolidação orçamental no período 2008-2012, como resulta evidente deste quadro. Talvez seja por isso altura de algumas pessoas que se precipitaram a insultar Fernando Ulrich quando este foi recentemente à SIC dizer que “as pessoas que mais ganham, tiveram cortes – seja pela via dos cortes, seja pela via da carga fiscal – muito maiores do que as pessoas que ganham menos. Com esta dimensão, talvez só em 75” reconhecerem, no mínimo, que se enganaram (aqui fica apenas um exemplo)

PS. Bem sei que este estudo só vai até 2012, e por isso antevejo o seu rápido desmerecimento por alguns comentadores. Porém, se nos recordarmos da principal medida de austeridade de 2013 – o brutal aumento do IRS – facilmente podemos antever que quando o FMI colocar esse ano na sua base de dados vai, provavelmente, reforçar ainda mais as conclusões deste estudo. 

Lembram-se?

14 Março, 2014

A brigada do reumático. Num dia 14 de Março… Aqui. Ou aqui.

Diferença entre condição de sustentabilidade e condições do pacto orçamental

14 Março, 2014

O Presidente da República, no seu prefácio indicou a necessidade de Portugal atingir um excedente primário anual de cerca de 3 por cento do PIB e um crescimento nominal de 4%. Estas são as condições para cumprir o pacto orçamental. Não são as condições de sustentabilidade da dívida. A dívida é sustentável em condições muito mais moderadas (2,5% de crescimento nominal e excedente primário de 2%).

Ora, nâo se pode argumentar que vamos ter que reestruturar a dívida apenas porque não conseguiremos cumpir o pacto orçamental. Caso ele não venha a ser cumprido, isso será um problema do país, que, ao optar por piores contas, vai passar a ser gerido pelo Conselho Europeu (essa é a principal consequência do pacto orçamental, quem não cumpre passa a ter a política orçamental gerida pelos parceiros europeus). Mas o incumprimento do pacto orçamental não é um problema dos credores. Estes, desde que se cumpram as condições de sustentabilidade da dívida, continuarão a ver assegurados os seus pagamentos, pelo que não verão grandes razões para reestruturar a dívida. Os credores até poderão considerar fazer alguns ajustes aos juros ou aos prazos, mas sempre com contrapartidas de reformas duras contra o despesismo, e no âmbito da governação europeia de paises violadores do pacto orçamental.

Parece haver um consenso de que o pacto orçamental será violado. Mas, se for esse o caso, a consequência não é a reestruturação da dívida para o podermos cumprir com uma baixa da dívida e dos juros, sem esforço nem custos da nossa parte. A consequência é medidas reformistas impostas pelos parceiros europeus para o fazer cumprir.

Prevejo que os próximos 20 anos serão bastante bons para Portugal, dado que vamos deixar de ser governados por políticos portugueses.

Explicando às criancinhas porque não devem fazer birras sobre o pagamento de dívidas

13 Março, 2014
by

Portugal necessita de renegociar, ou de reestruturar, a sua dívida pública? Defendo a ideia de que alguma coisa terá de acontecer há bastante tempo. Pelo menos desde Abril de 2011, ainda era Sócrates primeiro-ministro. O problema está, como veremos adiante, no quando e no como.

Quer isto dizer que os subscritores do “manifesto dos 70” têm razão? Nem pensar nisso. Não têm razão nas razões que invocam. Não têm razão nos motivos que os movem. Não têm razão nos argumentos que utilizam. Não têm razão no processo que sugerem. Não têm razão no timing que escolheram.

A razão por que defendo alguma forma de reestruturação da dívida é porque acho que ela nunca poderá ser paga nos termos estabelecidos e anunciados. O Presidente da República recordou-nos esses termos este fim-de-semana, mas eles só os distraídos terão ficado surpreendidos. O problema dessas metas não é implicarem, como dizem os subscritores do manifesto, o prolongamento da austeridade, pois se há algo que temos de ter por adquirido é que não regressaremos aos tempos de vacas gordas pré-crise. O problema dessas metas é outro: é que elas pressupõem um ritmo de crescimento nos próximos 20 anos que é virtualmente irrealizável (como defendi aqui, por exemplo).

Não é isso que se diz no manifesto. Nele até se sugere que a dívida não é um problema do modelo de desenvolvimento e do modelo de Estado que alimentámos nas últimas décadas, mas apenas uma consequência (passageira?) da crise de 2008: “A crise internacional iniciada em 2008 conduziu, entre outros factores de desequilíbrio, ao crescimento sem precedentes da dívida pública. No biénio anterior, o peso da dívida em relação ao PIB subira 0.7 pontos percentuais, mas elevou-se em 15 pontos percentuais no primeiro biénio da crise.” Lê-se esta frase, tipicamente socratina, e pasma-se quando se vê Manuela Ferreira Leite a assinar por baixo. Já se terá ela esquecido do que andou a defender na campanha de 2009?

Todo o manifesto prossegue nesta linha. Se, por um lado, como notou o João, reconhece que a dívida é um entrave ao crescimento (voltem Rogoff e Reinhart, estão perdoados…), por outro lado sugere que a única forma de haver crescimento é haver mais dinheiro para o Estado gastar: “sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos minimamente suficientes a favor do crescimento”. Ou seja, o subtexto do documento é que se deseja voltar à vida de antes da crise, com o mínimo de constrangimentos possíveis. A fraseologia escolhido anda em redor da ideia de que será necessário “rigor orçamental de acordo com as normas constitucionais”, uma forma arrevesada de dizer que será de acordo com a interpretação que estes juízes do TC fazem da Constituição, o mesmo é dizer sem nenhuma reforma substancial, pois tudo serão direitos inalienáveis. São muitos desses “direitos” que neste momento unem a esquerda eterna à “direita” que sempre teve complexos de esquerda, sobretudo quando todos têm muitos cabelos brancos, foram co-responsáveis pelo estado a que chegámos e nunca serão capazes de assumir que o país desses seus “direitos” não é sustentável e, sobretudo, não é justo.

Um dado curioso e que diz muito sobre as motivações dos autores do manifesto é que, dos seus 70 subscritores, nove já tinham assinado também o famoso manifesto “académico” de Junho de 2009 onde se defendia mais despesa pública. (Outra nota curiosa: entre os subscritores há também dois antigos membros do V Governo provisório, o mais radical dos executivos presididos por Vasco Gonçalves). Ler mais…

Parecem bandos de pardais à solta

13 Março, 2014

No meu post anterior apareceram comentários que diziam que a não se pagarem dívidas que seja a alemães. Alegam a segunda guerra mundial (consideram-a um jogo de computador e torcem por Estaline).

Fomos poupados ao nacionalismo socialista em Portugal durante muito tempo, salvo a existência de alguns deputados mais cómicos que providenciavam o alívio necessário em sessões parlamentares maçudas. Por algum motivo – não terem cartão Multibanco? – a comicidade começa a tornar-se norma, perdendo a piada e transformando-se em algo mais sério.

No entanto, há algo positivo a reter: se continuarem nesse discurso, poderão iniciar a maior corrida aos bancos do país contemporâneo. E por muito menos mataram o rei D. Carlos.

O nome certo é “manifesto dos jarretas”

13 Março, 2014

manifesto-70

Moral da História: se a Igreja for de esquerda pode considerar-se abençoada. Caso contrário espera-a o fogo do Inferno

13 Março, 2014

“Há uma nova esperança de que a Igreja se aproxime dos explorados” Mário Soares, Maria de Belém, Arménio Carlos e Carlos Gonçalves falam sobre o primeiro ano de pontificado do Papa que veio “do fim do mundo”. Leia os depoimentos.

O erro do Excel

13 Março, 2014

Lembram-se quando diziam que a política do Gaspar se baseava num erro do Excel?

Um estudo de Rogoff e Reinhart tinha concluído que países com dívida pública acima de 90% crescem mais lentamente. A ideia subjacente era que o endividamento prejudica o crescimento. Faria então sentido uma política de austeridade para travar o crescimento da dívida e melhorar as perspectivas de crescimento. Este argumento, para justificar a austeridade, foi várias vezes usado por vitor Gaspar.

A dada altura foi descoberto um erro neste estudo, o tal erro no Excel. A conclusão que a esquerda tentou tirar foi que, afinal, o erro provava que a dívida não faz mal nenhum e que a austeridade não se justifica. Um dos grandes promotores desta ideia foi o João Galamba. Parece que o João Galamba agora assina manifestos onde se afirma que a dívida prejudica o crescimento. É o mesmo João Galamba que em 2009, num outro manifesto, pedia mais investimento público criado por dívida.

Com dom ou sem dom?

13 Março, 2014

Nas pequenas questões de linguagem estão muitos dos tiques da contemporaneidade. Assim à lenga lenga que agora obriga a que numa verdadeira doideira gramatical se diga “portugueses e portuguesas” ou melhor ainda “portuguesas e portugueses”, “Trabalhadoras e trabalhadores”, “desempregadas e desempregados”…  temos nas notícias sobre a morte do cardeal emérito a outra causa:  a laicização das referências aos membros da Igreja. E assim temos variantas que vão de Policarpo e José Policarpo.

Carta a uma Geração Errada

12 Março, 2014

 de José Gomes Ferreira

Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vitor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?

Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:

– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!

Permitam-me uma pergunta simples e direta: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?

Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?

Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?

Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?

Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?

Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros. Ler mais…

e por que não assinar este?

12 Março, 2014
by

“Manifesto por um orçamento equilibrado” (não, não Sevinate, tenha lá paciência que quem assinou o outro não pode assinar este…).

este homem sabe o que faz

12 Março, 2014
by

“Não me arrependo de ter subscrito o manifesto”, disse Sevinate Pinto, após a sua exoneração pelo Presidente da República.

Mas será que sabe mesmo? É que talvez se arrependa depois de ler isto, escrito por quem sabe mesmo o que (sub)escreve.

afinal, são só 68

12 Março, 2014
by

Porque dois assessores deixaram de o ser.