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Que bom, um burocrata!

26 Março, 2014

Assunção Cristas nomeia coordenador da bolsa de terras”. Parece um título do Inimigo Público mas, infelizmente, não é piada. A nomeação da pessoa não me interessa particularmente, interessa-me a existência de tamanha palermice como um coordenador de bolsa de terras para a tontice que é uma bolsa de terras. Não há palavras melhores.

O objectivo é “promover a dinamização e divulgação de bolsa de terras”. Estas destinam-se à “utilização agrícola, florestal ou silvopastoril no sentido de potenciar as estratégias nacionais para a agricultura, para a floresta e para o desenvolvimento rural”. Um cluster, portanto.

É o que a agricultura precisa para o desenvolvimento: mais burocracia.

O João Miranda tem razão

26 Março, 2014

isto é um indício claro de abuso da classificação de NEE para alunos que a única característica especial que têm é reprovarem nas provas de avaliação. – João Miranda

O Paulo Guinote, no seu estilo contundente e ligeiramente inflamado, publicou esta tabela que demonstra que uma grande parte dos alunos só são mesmo NEE no 4º e no 6º ano, quando dá jeito que passem para o ciclo seguinte. Já no 9º ano, nada a fazer, vão ficar por ali mesmo.

nee2

Em certos aspectos, não deixa de ser paradigmática a necessidade de fleuma.

Adenda: entretanto o Paulo comentou que eu não entendo que NEE têm exames diferenciados. Pois, é isso, entendo, entendo.

O gráfico do brutal aumento de pobreza

26 Março, 2014

pobreza2012

Algumas coisas a reter sobre o “brutal aumento de pobreza”:

  • Após transferências de pensões, há menos pessoas em situação de risco de pobreza que em 2009;
  • Sem transferências sociais o aumento de situações de risco em relação a 2009 é notório mas esse aumento é colmatado com aumento de prestações sociais para os mais desfavorecidos;
  • O “brutal corte de pensões” não ocorreu nas pensões mais baixas, pelo contrário.
  • O gráfico demonstra mais igualdade, não se compreende o que aborrece os suspeitos do costume.

Os Verdes do PS já têm avais

26 Março, 2014

Enquanto o PS anuncia as listas para as europeias, a nossa ala preferida do mesmo partido (a “morte aos crucifixos”) acaba de contar “avais” para as primárias:

  1. Rui Tavares – 22,9%
  2. Ana Matos Pires – 5,4%
  3. Luísa Alvares – 5,2%
  4. Palmira Silva – 5,2%
  5. Todos os outros – menos de 5%.

Como, com sorte e jeitinho (e muito esforço e carinho), o máximo que o LiVRE consegue eleger é 1 deputado, resta a hipótese de mobilização de simpatizantes para seleccionarem o cabeça de lista adequado. Sugiro uma mulher.

A exorbitação

26 Março, 2014

Deve ser uma telha nacional. Uma espécie de síndroma Sr. Oliveira de Figueira. Não há um acontecimento onde eles não se espetem no lugar central. Soares tem levado os últimos anos a colocar-se em tudo o que foi agenda: foi segundo recordação de Soares  graças a Soares que Mandela foi libertado  pois terá sido ele Soares a dizer a De Klerk  «Liberte Mandela», foi graças aa ele Soares que a Espanha entrou a CEE«Quando eu quis que Portugal entrasse na CEE, fui de carro pela Europa falar com os líderes da altura. Ele [Suarez] pediu-me que, nesses encontros, eu falasse também da Espanha e eu fiz isso. A Europa estava muito desconfiada.» e que o PCE foi legalizado: «Politicamente, ele [Suarez] também teve a coragem de ajudar Santiago Carrillo e legalizar o Partido Comunista Espanhol. Eu defendi esse processo e convenci-o. Ganhei-lhe um grande respeito. Ele ao princípio não queria, por causa dos generais. Eu sugeri-lhe que o fizesse num dia em que os militares estivessem distraídos. E assim se fez, num dia de Páscoa.»

Otelo Saraiva de Carvalho padece do mesmo mal mas em versão revolucionária. Agora acha que foi ele o responsável pelas ocupações da  Reforma Agrária: 25 Abril: Otelo assume que se excedeu “largamente” na ocupação de terras

O grande problema das pessoas que não fazem o que devem, que frequentemente ainda não sabem o que fazem e mais frequentemente ainda que fazem o que não devem é que acabam a achar que fizeram tudo e mais alguma coisa.

Precisamos de estádios para reduzir pobreza

26 Março, 2014

A pobreza em Portugal aumentou brutalmente, circula por aí. A “taxa de risco de pobreza aumentou em 2012 para 18,7%, ou seja quase dois milhões de portugueses”, dizem as notícias. Dito de outra forma, este valor aumentou de 17,9% em 2009 para 18,7% em 2012 (subiu 0,8pp). Claro, a população em 2009 era 10.568.200 e em 2012 de 10.514.800; isto significa que em 2009, tempo de maravilha pró-TGV e novo aeroporto em Lisboa, havia 1.881.140 em risco de pobreza, “quase dois milhões”. Agora são 1.966.267, “quase dois milhões”.

Bem, adiante. Dizem que atingimos níveis de pobreza idênticos aos de 2004. Isto significa que temos tantos pobres como os que tínhamos quando podíamos fazer 10 estádios, organizar um europeu de futebol, e gastar 74,1 milhões em estudos para o TGV.

Para a redução da pobreza, parece-me óbvio o que temos que fazer: construir mais 10 estádios e organizar um mundial de futebol.

Perspectivas

25 Março, 2014

Gráfico socialista

grafico-socialista

 

Gráfico realista

grafico-realista

Que fazer com o artigo 30º?

25 Março, 2014

Do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras:

Artigo 30.º Idoneidade dos membros dos órgãos de administração e fiscalização
1 – Dos órgãos de administração e fiscalização de uma instituição de crédito, incluindo os membros do conselho geral e de supervisão e os administradores não executivos, apenas podem fazer parte pessoas cuja idoneidade e disponibilidade deem garantias de gestão sã e prudente, tendo em vista, de modo particular, a segurança dos fundos confiados à instituição.
2 – Na apreciação da idoneidade deve ter-se em conta o modo como a pessoa gere habitualmente os negócios ou exerce a profissão, em especial nos aspetos que revelem incapacidade para decidir de forma ponderada e criteriosa, ou a tendência para não cumprir pontualmente as suas obrigações ou para ter comportamentos incompatíveis com a preservação da confiança do mercado.

Programa Ler+ para crianças do 1º ciclo

25 Março, 2014

literatura-ler+capa

 

literatura-ler+1

 

literatura-ler+2

Fariseus estatais

25 Março, 2014

Não se pode fazer um post sobre educação sem se obter tiradas demonstrativas de falta dela por professores. Não me afecta (cada um sabe de si e da imagem que quer projectar para o mundo, em particular para os encarregados de educação); no entanto, revela o princípio de funcionamento da função pública: nenhum professor do privado, com hipótese real de perder emprego, sujeitando-se a ter trabalho mediante escolha pelos encarregados de educação, seria apanhado em texto a tratar como imbecil alguém de quem discorda. É uma questão de marketing.

Há muito bons professores no ensino público: com 86% dos estudantes (básico e secundário), não poderia ser de outra forma. Há é excesso de zelo oriundo de conforto contratual por uma micro-minoria que apenas contribui para se interpretar a árvore como sendo a floresta.

Cativos do tempo

25 Março, 2014

O tempo, tema do meu texto de hoje no DE: O tempo ganha quando consegue que as suas vítimas fiquem captivas numa imagem de si mesmas algures no passado, e falem e actuem como se ainda lá estivessem, acabando, graças a esse exercício grotesco, a derrotar-se a si mesmas. O que é, ou quem é, um derrotado pelo tempo? Temos vários mas um dos exemplos mais cruéis é o de José Sócrates, perplexo, num estúdio de televisão, com o que lhe estava a acontecer: o programa que ingenuamente acreditou que lhe ia servir para atacar os inimigos, de repente já não era isso. E ele falava, falava da sua época, sem perceber que o seu tempo político acabou não por ter perdido as eleições em 2011 mas sim porque ficou cativo nesse tempo. Nunca saiu de lá. Por momentos, na sua estupefacção crispada era como se acreditasse que uma vez saído daquele estúdio ia tomar as medidas necessárias para que o incómodo entrevistador mudasse de profissão e que tanto ele como o País poderiam e deveriam voltar a 2011.

Não é normal

24 Março, 2014

*Que um ex-primeiro ministro passe a comentador

*Que passando a comentador na verdade não comente nada e leve todo o tempo  falar do seu governo  e enquanto ex PM

*Que se indigne porque o jornalista de serviço o confronta com dados do seu governo

 

Guia definitivo para Sócrates na RTP este Domingo

24 Março, 2014

Funcionou. Estão a falar de Sócrates. Estão a dizer mal, bem, a amar, a venerar, a odiar, a ridicularizar, a justificar, a explicar, a desconversar… Eu estou a escrever (mais) um post.

Alguém sabe porque se fala de Sócrates? Foi porque lhe fizeram perguntas e respondeu qualquer coisa? Foi porque disse uma ou outra frase caricata? Não: fala-se de Sócrates porque funcionou. A campanha está em curso e é necessário meter o nome na praça. Digam mal, digam bem, insultem, idolatrem… É indiferente: falem dele, que é o que ele quer.

Errar o alvo

24 Março, 2014

Esta reportagem da RTP, “Mulher que empurra cadeira de rodas da filha durante 10 quilómetros para ir ao médico”, está a causar muita consternação no lamentador profissional pelos motivos errados.

O motivo certo seria pensar no que leva uma equipa da RTP a deslocar-se à freguesia de Vaqueiros com uma carrinha, que usa para filmar a mulher a empurrar a cadeira de rodas, podendo usar o veículo para dar boleia às mulheres.

Aparentemente são “cinco euros e tal” para pagar o serviço aos bombeiros e 24.000€ para pagar à Catarina Furtado. Quanto custou a reportagem?

Sobre a selectividade de memória dos portugueses, que é igual à dos outros todos

24 Março, 2014

Quatro notas sobre a aparente mas não real selectividade de memória dos portugueses:

  • Cavaco perde as presidenciais em 1996 porque as pessoas se lembram do passado recente (governo de Cavaco);
  • Cavaco vence as presidenciais de 2006 porque as pessoas se lembram do passado recente (Guterres) e têm boas memórias (sentir versus lembrar) de quando eram mais novas 10 a 20 anos (Cavaco primeiro-ministro);
  • Nem Sócrates nem Passos poderiam concorrer a presidenciais já. Pelos motivos anteriores, Guterres está bem colocado. Quando Sócrates puder concorrer a presidenciais, já o PS teve que governar: talvez lá perto dos 70 anos, se conseguir estar calado o suficiente para não se eclipsar antes.
  • A experiência presidencial de Soares, sucedendo a governação, não se repete enquanto não houver um período de uma década após uma revolução ou semelhante.

Alguém recorda ao certo o que se disse quando caiu o ditador Mubarak?

24 Março, 2014

Egipto condena à morte 529 apoiantes da Irmandade Muçulmana

T-shirt do dia

24 Março, 2014

O assunto do dia é dos mais interessantes dos últimos tempos. Não se trata do assunto do mês, não é o assunto da semana e, mesmo para assunto do dia, está limitado pela probabilidade de acontecer algo a que se possa chamar “notícia”, obrigando o assunto do dia a passar para terceiro ou 16º plano. Mesmo assim, para já, enquanto escrevo isto, é o assunto do dia (e a chuva, a chuva também).

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Pode não gostar de se dar uma notícia

24 Março, 2014

mas convenhamos que a arrevezada forma que a TSF arranjou para noticiar as municipais francesas é uma coisa assim para o anedótico:  Extrema-direita francesa conquista câmara municipal pela primeira vez

Não evoluiram nada. Não mudaram nada

24 Março, 2014

Este testemunho de um trabalhador das urgências médicas de Madrid a propósito do comportamento de alguns indignados perante os polícias feridos numa das últimas manfestações em madrid  – ‘Dejadlos morir’ – dá conta de como a extrema- esquerda está em 1934 e gosta disso. Não evoluiram nada. Não mudaram nada. Também por isso evocar Adolfo Suarez é ainda mais importante.

O sistema de ensino cura

23 Março, 2014

Um blogue convidado do Público1 publicou o seguinte quadro, demonstrando que alunos com necessidades educativas especiais frequentam o ensino público e não o privado:

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O que aqui se vê é bastante interessante: no ano 2012/2013 o sistema tinha 60.756 alunos com necessidades educativas especiais; 86% no ensino básico e menos de 9% no ensino secundário.

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Duas hipóteses:

  • ou o sistema é tão tão tão bom, que faz com que as necessidades educativas especiais desapareçam mal se termina o 9º ano ou;
  • o sistema é tão tão tão mau que não consegue fazer com que alunos com necessidades educativas especiais consigam chegar a frequentar o ensino secundário.

Aposto na primeira.


1 O blogue em questão não quer ser linkado por mim e eu sou uma pessoa que respeita muito a vontade dos outros.
Nota adicional: vou ser insultado, não vou?

Grande de Espanha

23 Março, 2014

Morreu. Hoje todos o elogiam. Mas quando esteve no poder foi assim:Entrevista inédita a Adolfo Suárez: «Soy un hombre completamente desprestigiado»

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Primárias do LiVRE

23 Março, 2014

Para votar nas primárias propriamente ditas, preencha o boletim de voto:

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O preço da condescendência

23 Março, 2014

A ditadura que talvez não o sejaDurante 20 años, el Gobierno de Japón no hizo nada por los secuestrados. Se podría decir que en aquellos años de las décadas de los setenta y ochenta toda la sociedad japonesa era rehén de Corea del Norte, que contaba con numerosos simpatizantes entre los intelectuales y en el Partido Socialista, que entonces lideraba la oposición”, afirma Tsutomu Nishioka, profesor de la Universidad Cristiana de Tokio y presidente de la NARKN. Nishioka reconoce que él mismo recibió amenazas tras ser el primero en publicar un artículo en 1991 en el que abiertamente acusaba al régimen norcoreano, y critica la cobardía y la connivencia de los medios de comunicación japoneses, que “miraron hacia otro lado frente a este ataque a la soberanía nacional de Japón”. Según Nishioka, el temor a un atentado paralizaba al Gobierno y a la sociedad.

Dizem que se chama multiculturalismo: Islamic law is to be effectively enshrined in the British legal system for the first time under guidelines for solicitors on drawing up “Sharia compliant” wills. Under ground-breaking guidance, produced by The Law Society, High Street solicitors will be able to write Islamic wills that deny women an equal share of inheritances and exclude unbelievers altogether. The documents, which would be recognised by Britain’s courts, will also prevent children born out of wedlock – and even those who have been adopted – from being counted as legitimate heirs. Anyone married in a church, or in a civil ceremony, could be excluded from succession under Sharia principles, which recognise only Muslim weddings for inheritance purposes. Nicholas Fluck, president of The Law Society, said the guidance would promote “good practice” in applying Islamic principles in the British legal system. Some lawyers, however, described the guidance as “astonishing”, while campaigners warned it represented a major step on the road to a “parallel legal system” for Britain’s Muslim communities.

Pela NSA….

22 Março, 2014

“Temos verificado em muitos casos que os países tornam-se mais fortes e mais prósperos quando as vozes e as opiniões de todos os seus cidadãos podem ser ouvidas

disse a esposa do presidente dos EUA

Carta aberta à população em geral que sofre e lê blogues na internet

22 Março, 2014

As pessoas que me conhecem sabem o profundo respeito que sinto pelos socialistas. Não há qualquer ironia nesta afirmação, é a mais pura das verdades: pessoas que passam 20, 30, 50, em muitos casos até 80 anos, enganadas, lutando por vitórias de amanhãs adiados, merecem mais que simples respeito, merecem conforto e carinho. Como com meninos, sem acesso à PlayStation enquanto erram sucessivamente os ditados sobre “elétricos” por inclusão de consoantes expurgadas, a dureza subjacente a objectivo impassível é frustrante e desmotivadora para meros pragmáticos.

Quem me conhece sabe o quão valorizo a poesia e a arte renovadora, a mensagem anímica de recompensa em Éden laico por trabalho concretizado num mundo em permanente subjugação capitalista, oprimido desde o momento em que um vertebrado foi caçar bichinhos não-igualitários deixando a fêmea a nidificar.

Sim, a igualdade de género também me preocupa profundamente: milhões de homens, privados de menstruação ao longo de séculos de opressão apenas mitigada pelo castigo da impossibilidade de incubação de nova vida, sofredores, exigem, com razão, fazer valer os seus direitos sociais de igualdade.

Alguns liberais virão com a conversa de que pessoas são capazes de decidir por si próprias, que não precisam de planeamento central, que as comunidades se organizam e providenciam forma de subsistência permitindo a inclusão de quem quer ser incluído… tudo tretas. As pessoas estão sempre zangadas porque os governos são ilegítimos, porque roubam, porque são corruptos, porque querem tacho, porque querem pagar dívidas e/ou porque aplicam austeridade. O que é um facto é que as pessoas têm sempre razão e a democracia não é muito democrática: as pessoas precisam de quem decida por elas sobre as questões verdadeiramente importantes, fracturantes e estruturantes para a comunidade, sempre de forma consensual e respeitando a vontade popular; daí que decidi que a partir de agora posso ser o vosso líder.

As diferenças

22 Março, 2014

ontem-hoje

O link do Expresso (se já estiver diferente outra vez, avise).

ADENDA: Na figura da direita a data está errada. Não sei quando mudou mas devia estar “22/3/2014 – 15h42”, correspondente à data do screenshot, não 21/3/2014.

O Livre pode mesmo ficar Preso

22 Março, 2014

Se bem me lembro, Rui Tavares tinha dito que não seria candidato ao parlamento europeu pelo PS. Realmente, não é: criou um partido para o efeito; o nome do partido, Livre (estilizado – Apple-style – como LiVRE), alberga 1001 histórias de refinada ironia, até na próprio conceito de partido político.

Mais interessante é o sistema de primárias para a escolha de candidatos ao parlamento europeu; aparentemente uma boa ideia, acarreta um risco fantástico para um partido recém-criado: ser conquistado por facções minoritárias de outro partido. Isto é tão mais curioso quanto multiplicação de acções de “união da esquerda” terminam em fragmentações adicionais.

O que faria eu se me pedissem uma estratégia para afastar Seguro rapidamente do Partido Socialista? Sugeriria fragmentar o mais possível o voto da esquerda, esvaziando a vitória de Seguro, criando-lhe o embaraço de não conseguir obter uma maioria arrasadora numa eleição que é tradicionalmente de voto de protesto. Brevemente veremos se o Livre se presta a esse papel, nem que como efeito lateral permita a Rui Tavares passar por entre os pingos da chuva e manter por mais uns anos o lugar de deputado.

Ajuda aos jarretas

21 Março, 2014

Não sendo de letras, lamento, mesmo assim, que estrangeiros tenham que ter lido um texto como este. Inicialmente tentei a correcção mas, é demasiado tarde para isso. Assim, aqui está uma outra versão que pode ser utilizada no futuro.

De nada.

louca-ingles

Dear colleagues,

As you may be aware, discussions among economists in countries under troika programs are extremely dynamic. In my country, Portugal, a manifesto by 74 economists, pensioners, sociologists, and other non-math-related unemployed “scientists”, caused an impressive – almost armageddon-like – reaction. 74 bystanders, including ex-ministers who think highly of themselves, made a call for debt restructuring and a new paradigm consisting in no austerity and lollipops aplenty. I signed it (didn’t write it though: I struggle a lot just to sound sane) and so did Mariana Mortagua, whose name is Mortágua but, as I reckon, you’re not very keen on these stupid diacritics. So, where was I? Oh, yes, Mariana Mortágua, with whom I highly recommend you to be seen yielding a basic pH, she signed the thing. We demand a new strategy for employment and growth (you know, blah blah blah).

This is of extreme importance. In a few weeks we’ll be getting rid of the bloody troika and, as you are well aware, we are eager to spend our way out of this debt crisis. Of course, the government, the bastards, they denounced our manifesto.

A foreign perspective would be of most value to us in order to convince local idiots who love to be fooled by well-known revolutionaries from abroad. Can you sign it? Would you help spreading the word among colleagues, friends and mistresses?

All the best

Culturas

21 Março, 2014

Fazendo desde já a ressalva que o caso pode ter factos que desconheço o caso da «Família portuguesa em Inglaterra ficou sem os cinco filhos por “risco futuro de dano emocional”» (obs. o caso teve entretanto mais desenvolvimentos: Casal de portugueses a quem retiraram os filhos em Inglaterra foi detido) é muito revelador das diferenças culturais na educação: os cinco filhos, e repito segundo se relata na notícia mas podem existir outros dados, foram retirados a esta família porque um deles se queixou que o pai lhe tinha batido. Presumo que o choque das autoridades britâncias perante um pai que bate num filho deve ser similar aos que muitos latinos exprimentam quando de viagem por essas e outras mais nórdicas paragens se confrontam com bebés sozinhos na rua dentro dos seus carrinhos enquanto os seus pais fazem compras ou tomam café numa loja próxima ou deixam os filhos a dormir sozinhos enquanto jantam num restaurante (o facto do casal McCan ter feito isto tornou-os culpados de algo aos olhos da opinião pública portuguesa).

E num registo bem menos dramático se atentarem nas imagens abaixo de um livro norueguês sobre jardins de infância  poderão observar várias cenas que em Portugal causariam enorme consternação e indignação. Para eles o problema seria não haver homens a trabalhar com as crianças e não escrevo educadores de infância porque nessas outras e tão abastadas paragens a questão da formação de boa parte dos trabalhadores não se coloca nesses termos:

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A ouvir tb

21 Março, 2014

“Mamã, mamã quando crescer quero ir para filetes!”  Lembram-se da Menina Pescadinha?

A ler e ouvir

21 Março, 2014

Alexandre Castro Caldas

Vítor Bento

Bagão Félix explica

21 Março, 2014

Quando se fala de reestruturação da dívida – entenda-se: não pagar parte da dívida -, se isso acontecer, o FMI e os outros credores preferenciais não se sujeitam a este corte a menos que haja acordo. E quem iria apanhar sobretudo o corte se eventualmente houvesse acordo? Quem pagaria isso seriam os bancos portugueses. E, apanhando os bancos portugueses um corte desses, quem apanhava era a própria capacidade de solvabilidade dos bancos e, por tabela, os depositantes. Por isso falar de reestruturação da dívida fora do contexto efectivo de quem são os detentores dessa dívida, parece-me relativamente imprudente.

 

Bagão Félix (via Delito de Opinião)

read my lips

21 Março, 2014
by

“As contas públicas portuguesas não o permitem”.

E, já agora, Óscar, importa-se de nos esclarecer quem as pôs assim?

O bisavô dos jarretas

20 Março, 2014

José_Dias_Ferreira

Eu sei

20 Março, 2014

que o Blasfémias é um blogue muito sério e patati patata mas graças ao JCD cheguei a este site e para provar como as hemerotecas são um dos locais mais perigosos da terra aqui deixo uma sugestão para que vejam esta série de anúncios: 16 anúncios vintage de cuecas que vão te dar pesadelos

 

À atenção dos jurados

20 Março, 2014
Exhibit A
Abstract

We replicate Reinhart and Rogoff (2010a and 2010b) and find that coding errors, selective exclusion of available data, and unconventional weighting of summary statistics lead to serious errors that inaccurately represent the relationship between public debt and GDP growth among 20 advanced economies in the post-war period. Our finding is that when properly calculated, the average real GDP growth rate for countries carrying a public-debt-to-GDP ratio of over 90 percent is actually 2.2 percent, not −0.1 percent as published in Reinhart and Rogoff. That is, contrary to RR, average GDP growth at public debt/GDP ratios over 90 percent is not dramatically different than when debt/GDP ratios are lower.

We also show how the relationship between public debt and GDP growth varies significantly by time period and country. Overall, the evidence we review contradicts Reinhart and Rogoff’s claim to have identified an important stylized fact, that public debt loads greater than 90 percent of GDP consistently reduce GDP growth.

Herndon, Ash, Pollin (2013)

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Prescrições

19 Março, 2014

Afinal parece haver um tema consensual entre os partidos do governo e da oposição: “é preciso apurar responsabilidades” e “as coisas não podem continuar assim” em matéria de prescrição da responsabilidade criminal e contra-ordenacional. Sempre que se gera um consenso deste tipo, a consequência é sempre a mesma: entre grandes proclamações a propósito da justiça, da igualdade ou do Estado de Direito, muda-se a Lei.

No entanto… Ler mais…

Voz popular desinteressada

19 Março, 2014

Tenho uma proposta para os leitores do Blasfémias que consiste em completar uma frase recorrendo aos comentários. Para o efeito podem usar 10 palavras. Todos os comentários que não sejam completar a frase ou que ultrapassem as 10 palavras serão apagados. A frase é:

Eu acho oportuno e concordo com o manifesto dos 74 porque…

Este assunto tem de ser discutido com seriedade

19 Março, 2014

Milhares de crianças com deficiência com apoio em risco Desconheço os termos da alteração legislativa actualmente em causa tanto mais que boa parte das notícias não explica nada de nada. Sei apenas que como antiga professoras, mãe e membro que fui de associações de pais me confrontei com situações grotescas neste domínio.  Situações houve em que alunos  eram logo à partida e por atacado considerados NEE’s (Necessidades Educativas Especiais). Aliás a percentagem de crianças com NEE atingiu em algumas zonas e escolas valores completamente absurdos. A própria concepção de NEE levou a que a dado momento dificilmente alguma criança não fosse NEE. Vi pais e mães que viam no estatuto NEE uma forma de os filhos obterem melhores resultados e terem explicações de borla. Há alguns anos que ouço histórias de escolas que tentam afastar os alunos realmente com NEE porque temem que estes prejudiquem o rendimento escolar dos colegas e as façam descer no rankig e de escolas que rotulam a torto e a direito como NEE. Esta é uma matéria em que as pessoas cheias de certezas  se transformam num perigo.

Parar de escavar

19 Março, 2014
Alguns movimentos de independência na Europa

 

Albânia
Épiro do Norte
Bélgica
Flandres
Valónia
República Checa
Morávia
Dinamarca
Ilhas Faroé
Bornholm
Finlândia
Åland
Sápmi
França
País Basco
Bretanha
Córsega
Nice
Saboia
Occitânia
Alsácia
Normandia
Alemanha
Baviera
Itália
Tirol do sul ou integração na Áustria
Veneto
Sardenha
Holanda
Frísia
Polónia
Alta Silésia
Portugal
Açores (ver PDA)
Hungria
Székelyföld
Espanha
Canárias
Andaluzia
Aragão
Astúrias
Ilhas Baleares
País Basco
Cantábria
Catalunha
Castela e País Leonês
Galiza
Reino Unido
Escócia
Cornualha
Inglaterra
Mércia
Wessex
Yorkshire
Ulster
Orkney e Shetland
Hébridas Exteriores
País de Gales
Ilhas do Canal
Jersey
Isle of Man
Gibraltar

O que leva pessoas encantadas com ideias chanfradas como mutualização da dívida a não perceberem a ironia de um post como este, que avança uma ideia mirabolante de fusão de parte da Galiza com Portugal? Nas últimas semanas não faltaram referências à independência da Escócia ou ainda, em pequena escala, notícias sobre o referendo pela independência de Veneto. Houve um referendo na Crimeia pela integração na Rússia; as fronteiras, como as conhecemos, são sempre passíveis de mudar. Aliás, a estabilidade fronteiriça é a excepção e não a norma histórica na Europa, por muito que custe a compreender em países de fronteiras estáveis como Portugal.

Não faltam ideias de independência em várias regiões. Só a Espanha tem vários movimentos, incluindo os que dão o tom de alguma credibilidade à sátira do post. O Acción Galega agrega 5 partidos nacionalistas e o BNG – Bloque Nacionalista Galego, apesar da queda de votos nas últimas eleições municipais, conseguiu obter 16,52% dos votos.

O que une a maioria dos movimentos independentistas é, exactamente, a antítese da ideia mutualista de dívida pública: através da independência procuram a liberdade económica perdida no centralismo das respectivas capitais.

Que os movimentos de independência europeus têm diferentes lastros e dimensões que vão da insignificância à realização efectiva de referendos e organização em partidos com expressão não marginal, isso é dado adquirido; que representam a ideia de canalizarem os seus impostos para causa própria, também o é. Que as propostas dos jarretas e de Seguro funcionam como catalisadores de reacção anti-centralista, só não vê quem apenas frequenta pastelarias lisboetas.