Ninguém quer prejudicar alunos…
…só impedir que concorram à universidade.
A chave da greve passa precisamente pelos Conselhos de Turma do 12.º ano. Porque aí jogam-se outras questões fundamentais, nomeadamente o acesso ao ensino superior. E enquanto não houver notas de 12.º ano, não há Universidade para ninguém. Já aconteceu isso em 1989, é verdade, mas aí os tempos eram outros. Neste momento, nenhum ministro aguentaria tal situação. Nuno Crato ruiria como um castelo de cartas. — Ricardo Ferreira Pinto
uma frase familiar
Minutos antes de anunciarem a cedência aos manifestantes e a anulação do aumento dos transportes públicos reivindicada nas ruas, Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo e dirigente do PSDB, terá dito a Fernando Haddad, prefeito da cidade e dirigente do PT, que estava disposto a manter o aumento e a aguentar a pressão, se ele o acompanhasse. Haddad preferiu ceder e Edson Aparecido, dirigente paulista do mesmo partido de Alckmin, disse uma frase notável, que é, para nós portugueses, particularmente familiar: “Não é hora de fazer contas, pelo amor de Deus! Temos um problema político para resolver”. Ora bem. As contas ficam para mais tarde…
Dieta em defesa da escola pública
Há uma professora da Escola EB 2+3 de Moura em greve de fome desde 3ªfeira à noite. Susana Valente tem 41 anos é professora de Português e Inglês e decidiu avançar com este protesto para dar visibilidade à luta dos professores que, na sua opinião, vivem neste momento uma situação de desespero devido às politicas seguidas pelo ministério tutelado por Nuno Crato.Ainda segundo Susana Valente os professores têm sido “desautorizados” e “enxovalhados”, por isso, apela à luta e à união dos seus colegas de profissão.
(Nota: foto poderá ser de outra pessoa)
não perceberam nada
Aqueles que supõem que o que se está a passar no Brasil é uma revolta de pobres e explorados contra a miséria imposta por capitalistas sem escrúpulos, uma espécie de «de pé, ó vítimas da fome» tropical, ou, numa bonita imagem de neo-realismo socialista do nosso leitor Piscoiso, a revolta de milhões condenados a «situações de vivência incomportáveis, em simultâneo com a exibição de riqueza por minorias protegidas», não perceberam nada do que se está a passar. Quem tem vindo para a rua é maioritariamente a classe média, que, nos últimos dez anos, dispôs de um nível de prosperidade, de bem-estar e de acesso a empregos e a bens de consumo que nunca antes tinha tido no Brasil. Estas pessoas não estão preocupadas com o que não têm e gostariam de ter. Elas estão é muito apreensivas com o que têm e não gostariam de perder. É na melhor das hipóteses, para aqueles que apreciam o método de análise, uma luta de classes ao contrário.
Numa Qimonda perto de si
- Espanhola Megasa vence privatização da Siderurgia Nacional
- Siderurgia Nacional entra no grupo das dez maiores exportadoras
- Siderurgia Nacional ameaça despedir 750 trabalhadores
- Governo não responde a ameaça da Siderurgia de deslocalizar produção
- Mexia diz que se a Siderurgia Nacional for para Espanha vai ter preços mais altos
- Megasa cerrará si no se rebaja su factura eléctrica
- Megasa pide a Feijóo que presione a Industria para impedir su cierre “Nos tiene que buscar una solución”, reclamó Carlos Bascoy, presidente del Comité
- Governo segura Siderurgia Nacional
- Siderurgia Nacional/Megasa (riscar o que não interessa) fecha portas hoje (aguarda link no futuro)
De arrebatamento em arrebatamento até não se sabe onde
A propósito de equidade
Professora leva murro de aluno Rapaz invadiu sala duas vezes. Na última trancou a turma à chave e bateu na docente
Aluno sequestra colegas, agride e ameaça professora de morte
Portugal terá verdadeiramente Ministério da Educação, sindicatos dos professores e associações de pais quando perante casos como este o ministro, os dirigentes sindicais e os dirigentes as associações de pais dediquem a a este assunto o mesmo tempo de discussão que afectam a discutir a carreira docente.
a «revolução» sem rosto

No Brasil, o poder está prestes a cair na rua. O país enfrenta manifestações diárias de descontentamento com o status quo, que têm degenerado em actos de violência crescente, perpetrados por minorias radicais de filhos de classe média e criminosos comuns. Nas grandes cidades, para além das pilhagens ao comércio, têm-se verificado tentativas de assalto dos edifícios dos poderes públicos, e ontem, em Brasília, os limites foram ultrapassados com as ameaças ao Itamaraty e ao Congresso Nacional. Oitenta cidades tiveram manifestações simultâneas, as grandes estradas do país e das principais cidades foram cortadas por horas seguidas, aeroportos têm sido encerrados, centenas de pessoas já ficaram feridas e as mortes, embora em número ainda reduzido, já começaram a acontecer. Rio, Ribeirão Preto, Fortaleza, Salvador, Brasília, Recife, São Paulo e outras cidades têm sido palco de cenas diárias de extrema violência. Os poderes públicos mostram-se incapazes de uma reacção consistente. Governo do Estado e Prefeitura de São Paulo cederam à primeira exigência dos manifestantes (revogaram o aumento dos transportes públicos que iniciou os protestos), e as manifestações continuam sem parar, com animosidade crescente. Dilma e o governo federal permaneceram quase todo o dia em silêncio, visivelmente sem saberem o que dizer. Ao fim da tarde, emitiram um comunicado patético anunciando que estavam a ser estudadas fotografias dos cartazes exibidos nas manifestações, para se entender «o perfil dos manifestantes» e as suas reclamações. As polícias, por outro lado, oscilaram entre entradas duríssimas, no começo dos acontecimentos, e, agora, a quase ausência de reacção, provocada pelo medo de críticas e por falta de definição estratégica.
As revoluções costumam começar assim: com a eclosão de fúrias acumuladas, provocada por questões secundárias. E se é certo que o Brasil não enfrenta propriamente uma revolução – até porque o gigantismo do país é incompatível com um movimento revolucionário global – a verdade é que os poderes públicos estão sem conseguir responder ao que se está a passar. Em boa medida, porque os próprios manifestantes não sabem o que estão a exigir. Para além de uma sensação comum de desagrado com o status quo, as exigências e reivindicações concretas são dispersas e muito abstractas. E não há interlocutor. Não há um rosto, uma cara, um comité, ou seja o que for, que represente estas pessoas e as exigências que ninguém consegue ao certo determinar.
Ora, esse é o grande perigo da situação que o Brasil vive: não há um caderno de reivindicações, nem com quem negociar. De modo que, ou os poderes públicos conseguem rapidamente descobrir um interlocutor no meio da multidão, ou não se pode antecipar o que acontecerá.
Mais impostos, se faz favor
Pedro Lains pede mais impostos para que “determinadas actividades não fechem numa crise“:
O ‘desenrascanço’ português
A propósito da televisão pública grega que o governo fechou e o tribunal mandou reabrir o Herdeiro de Aécio lembra como o Conselho da Revolução resolveu em Portugal no ano de 1975 o problema de uma estação de rádio que não conseguia encerrar:
Foi mesmo à bomba!
não há pachorra
Não há coisa mais detestável do que subprodutos de literatura com sucesso editorial. Só nos últimos anos, levamos com os romances histórico-esotéricos, com os de vampiros para adultos, adolescentes e crianças, e, agora, com o soft-porno sado-maso para donas de casa desesperadas e maridos incompreendidos. O mal é que, para além dos originais, detestáveis, é certo, mas ainda assim com o mérito de terem descoberto o filão, estes êxitos editoriais provocam a publicação de um sem número de imitações de péssima qualidade, que enchem as prateleiras das livrarias e esgotam boa parte dos orçamentos das editoras. Agora, uma coisa chamada 50 Sombras de Grey, não se bastando com o formato livresco, avança para a 7ª arte, pelo que é de antever as salas de cinema cheias de filmes do “género”. É muito sadismo, não haja dúvida.
a encher chouriços
António José Seguro foi ver encher chouriços.
Ler ou copiar faz a diferença
«Rui Rio dá tolerância de ponto para “salvar” feriado de S. João». Parabéns à jornalista Maria Lopes. Leu a lei e percebeu o que estava em causa.
A lei que altera o regime da função pública foi redigida por algum incompetente que lá meteu que os feriados municipais precisavam de autorização do Conselho de Ministros. O governo já reconheceu a burrada e vai emendar o erro.
Já a Isabel Paulo, do Expresso, Ricardo Simões Ferreira do Diário de Noticias entre outros que copiaram a notícia, estão chumbados. Não perceberam nada e limitaram-se a servir de pé de microfone ao Sindicato/CDU que também não percebeu e ficam todos mal na fotografia.
O mercado é soberano
“Não há como escapar das inexoráveis leis do mercado.” (Mises)
A presidente Dilma tem postura arrogante, de quem sabe tudo de economia e pode impor seus desejos ao “mercado”. Foi assim que ela abraçou a bandeira de combatente dos juros altos. Ela iria reduzi-los na marra, pois é “corajosa”. Faltou apenas ela combinar com a lei econômica.
Assim como um louco pode desejar muito voar, mas se ele pular do alto de um prédio seu destino será a queda pela lei da gravidade, quando o governo resolve reduzir a taxa de juros ignorando os fundamentos econômicos, o resultado será juros maiores à frente. Não dá para brincar impunemente com o mercado.
A ignorância acerca desses fatos fez com que muitos celebrassem as medidas do governo lá atrás. Dilma tinha dobrado os bancos e colocado o mercado financeiro de joelhos! Alguns poucos economistas, entre eles Alexandre Schwartsman e este que vos escreve, alertaram que o tiro sairia pela culatra. Juro menor imposto pelo governo hoje, significa juro maior imposto pelo mercado amanhã.
Leia mais aqui.
Seja como for
A UGT tem novo líder: é empregado do BES
Antes de ser candidato à UGT, o novo líder falou com Ricardo Salgado
O baixo nível de sindicalização leva a que os sindicatos sejam em Portugal uma espécie de criaturas fictícias do Shrek: falam em nome dos trabalhadores e são sustentados pelos contribuintes (às vezes tb com a generosa dádiva do grande capital) porque o poder político precisa manter viva a concertação social. Seja como for os sindicatos sem estes apoios ficavam reduzidos a quê?
Eppur si muove!
On line vão surgindo publicações que nos lembram que há vida para lá das publicações do costume. A Papel prossegue e o Vítor Elias torna-se cada vez mais indispensável. Há que tempos andava para ler uma coisa assim: «Agora que o Tribunal Constitucional obrigou o Governo a repor o subsídio de férias aos funcionários públicos, tenho sobre este assunto algo relevante a dizer. Sobre as férias, isto é. Todos já devem ter ouvido falar de casos, apócrifos ou não, em que, a caminho do Algarve, um condutor pára o automóvel na berma de uma estrada alentejana para urinar por trás de uma azinheira apenas para se ver surpreendido por um touro. Pois bem, chegado ao Algarve o azarado condutor poderia ter de enfrentar um encontro imediato do terceiro grau ainda mais assustador: deparar-se com um “caminhante”, aquelas pessoas que não gostam de se chamar “turistas”. Os “caminhantes”, “caminhadores”, “passeantes”, o diabo que os carregue em segunda classe.»
Agora chegou a Carrossel. Ou eu só agora tive agora notícia dela. Comece-se por ler o artigo de Vítor Matos sobre a canção Grândola, Vila Morena, ou melhor dizendo sobre o que aconteceu quando Zeca Afonso tentou cantar Grândola em Grândola: : « José Afonso começou, mas não acabou, não o deixaram terminar, aconteceu o impensável: apuparam-no, assobiaram-no, gritaram-lhe “esquerdista”, estragaram o espectáculo, estava o caldo entornado, não havia fraternidade, muito menos um amigo em cada esquina, o Zeca meteu a viola no saco, literalmente. Fez o que fazem hoje alguns ministros, quando pela canção não os deixam falar, estes tempos de troika também são dos avessos. Ele foi-se embora, abalou, como dizem os alentejanos.»
Cliquem a vão ter gratas surpresas.
Financiamento e independência dos sindicatos
O que é que acontece quando um sindicato em vez de ser financiado pelos seus membros é financiado pelo Estado?
1. Os interesses dos sindicatos tornam-se com o tempo diferentes dos interesses dos trabalhadores. Os sindicatos tornam-se fáceis de controlar por quem controla o financiamento. Sindicatos passam a depender de quem tem poder para legislar ou de quem tem poder para influenciar a legislação. Sindicatos ficam sob controlo dos partidos políticos.
2. Como o sindicato não precisa dos seus membros para prosperar, os trabalhadores são instrumentalizados e os seus interesses ignorados ou usados como pretexto para atingir objectivos partidários. A longo prazo os trabalhadores ficam pior e os sindicalistas ficam melhor.
3. O sindicato tenderá a colocar os interesses dos sindicalistas à frente dos interesses dos sindicalizados.
4. Formar-se-á uma clique de sindicalistas que se eternizam no poder. Esta clique mantém o poder por se mexer bem nas nomenclaturas partidárias e por conseguir financiamentos públicos para o sindicato. O poder e o dinheiro permite a esta clique manter uma rede de militantes que os elege sucessivamente para novos mandatos. Como o sindicato não resolve problema nenhum à maioria dos trabalhadores, estes não se sentem motivados para participar na vida interna dos sindicatos, sendo esta dominada pelos insiders dependentes do financiamento público.
5. Sindicatos tenderão a ser pouco construtivos e a defender reivindicações irrealistas e populistas. A função das reivindicações irrealistas é captar alguma simpatia de curto prazo dos trabalhadores. O sindicato tem interesse em manter o seu estatuto pelo custo mais baixo possível. Mas para o sindicato é indiferente o sucesso dessas reivindicações ou se estas são construtivas. Para o sindicato as consequências de longo prazo são irrelevantes. O sucesso do sindicato não depende do sucesso económico dos trabalhadores a longo prazo.
Enlarge your city
Tanto Viana do Castelo como Viseu anunciaram este ano que ganharam o prémio “best city” da Europe Business Assembly. Mas não foram as únicas. Por exemplo, Kormorant Madibeng e Capricorn na África do Sul e Mormugão em Goa também. São todas cidades reconhecidas “pelo sucesso na sua gestão e pela dinâmica do desenvolvimento”.
Tudo indica que o esquema funciona assim:
1. Alguém criou uma organização que atribui prémios.
2. Todos os anos são enviados emails a dezenas de autarcas anunciando-lhes que são vencedores do prémio de melhor cidade.
3. Contra o pagamento de uma determinada quantia (alguns prémios custam cerca de 5000 euros aos agraciados) serão convidados a participar numa cerimónia de atribuição do prémio.
4. Alguns autarcas aceitam a honra, outros mandam o email para spam.
Como este ano há eleições autárquicas, houve 2 portugueses que caíram no conto do vigário.
Mais um pequeno poder
Governo dá às autarquias poder para cobrar coimas por incumprimentos da lei.
Estão a criar um monstro legislativo. Mais uma fonte de burocracia e corrupção.
Conceitos de democracia
Pelo que percebi, se os sindicalistas não forem pagos pelo Estado deixa de haver democracia. Têm a certeza que percebem o que é uma democracia?
Já perdemos o juízo?
À pergunta “quanto custam os sindicatos dos professores” podemos obter reacções interessantes em termos antropológicos (mas não o custo).
- Não representam ninguém apenas uma época de obscurantismo, que julgávamos já ter acabado.
- Fascistas!
- Uma pergunta que ilustra bem o desprezo destes jovens pela democracia.
- Fascistas. Fascistas sim.
- A pergunta apenas reflecte o revanchismo anti-democrático que passa por esta tropa de choque; (…) as juventudes do nacional-socialismo alemão, no começo dos anos 30, muito antes da noite dos cristais, faziam perguntas deste género nos dias de sofrimento da República de Weimar.
- Querem mudar a constituição, só pode. Oito deputados de um partido social-democrata.
- Com toda a lisura e educação que me são permitidas, nestas circunstâncias, digo-vos que os deputados do PSD que perguntaram ao ministro da Educação: “Quanto custam os sindicatos dos professores” estão neste momento a “tomar no cu”.
- (…) uns palermas da JSD que fizeram um pedido ao Ministério das Finanças sobre o custo dos sindicatos da Educação…
A verdade desportiva
Fascistas venceu Nazis por 2-1.
Ao intervalo, “tomar no cu” empata com “obscurantismo” por uma bola.
Exercício para desenvolvimento dos conhecimentos
Quanto custam mesmo os sindicatos da educação ao contribuinte, nomeadamente em salários pagos a sindicalistas por funções às quais estão vinculados e que não são executadas ? Sei lá, como dar aulas?
por uma tabela jurídico-penal do insulto
Se um “idiota” custa 2.500 euros, qual será o valor de de tabela de um “palhaço”?
uma sugestão para as moções do cds
Objectivo social da empresa: o lucro.
co-gestão no cds
Pelo CDS, a moção apresentada ao Congresso pela oposição a Portas apresenta interessantes propostas de co-gestão empresarial, no ponto 4.2., sobre Economia: “vi. Incentivar a distribuição de resultados das empresas à generalidade dos trabalhadores, tomando-os como “parceiros” dos empresários e encorajando a participação nos resultados”. Não está mal, não senhor.
‘Piquena’ dúvida
Dada a enorme indignação que vai na pátria com o facto de se ter perguntado quem paga o ordenado ao senhor Nogueira – que já agora é de? -quando estarão reunidas as condições políticas, astrais, protocolares e outras que escapam, para que se possa formular tal questão sem que tal seja uma ofensa?
É só fazer as contas
Líder da Feprof responde a deputados do PSD e diz que sindicatos nada recebem do Estado.
Educação: Há 281 professores ao serviço dos sindicatos: «O número de professores destacados nos sindicatos é actualmente de 281, dos quais 125 exercem actividade sindical a tempo inteiro e por isso não dão aulas, revelou ao Correio da Manhã o Ministério da Educação e Ciência (MEC). O CM perguntou à tutela qual a despesa que representam os professores destacados nos sindicatos e se, dada a situação de crise, o Governo a pretende reduzir. O MEC não respondeu. Pelos cálculos do CM, a despesa rondará os 9 milhões de euros. Segundo o MEC, a soma dos 125 professores dispensados a tempo inteiro mais as dispensas parciais é equivalente a um total de 212,5 dispensas. Tendo em conta que a maioria dos dirigentes se posiciona em escalões avançados da carreira docente, e com base no valor bruto auferido no 9º escalão (3091,82 euros), chega-se a uma despesa de 9,2 milhões de euros por ano. Isto contando com 14 meses de salários e não incluindo outras remunerações.Arménio Carlos, da CGTP, explicou que o total de dirigentes sindicais a tempo inteiro “não chega a meio milhar”, pelo que os 125 docentes nestas condições representam cerca de 30 por cento do total. O facto de a classe docente ser a maior na Função Pública (cerca de 150 mil profissionais) e de o nível de sindicalização ser elevado ajuda a explicar estes números.Em 2005, havia 1327 professores destacados que custavam mais de 20 milhões de euros. A ministra da Educação da altura, Maria de Lurdes Rodrigues, diminuiu esse número para 450. Em 2006, Governo e sindicatos acordaram nova redução, para 300. O número de dirigentes com dispensa de serviço docente passou a ser proporcional ao de associados dos sindicatos, pelo que a Fenprof, com 132 elementos, é a estrutura com mais dispensados.»
coligatório
“António Costa e Helena Roseta acabam de assinar o acordo coligatório para a Câmara de Lisboa”, para que Lisboa seja “bastião de resistência” à crise.
Dito de outro modo: Costa e Roseta querem gastar na Câmara de Lisboa dinheiro que esta não tem.
Esperança
A contestação profissional não tem preço. A contestação profissional é a forma de manifestar a esperança dos outros pagarem mais impostos.
felizes com a dilma

O que se tem passado, nos últimos dias, nas principais cidades brasileiras tem certamente um conjunto de motivos explicativos, mas aquele que é, de longe, mais importante é a sensação, que se instalou no país, de que o governo Dilma está a fraquejar na economia e que vêm aí novos tempos de pobreza e de elevada inflacção. Isso mesmo é sensatamente referido no Economist, e pode ser testemunhado em qualquer parte do país, em conversas com as pessoas, na leitura dos jornais, nas notícias e opiniões transmitidas pelas estações televisivas. Quem veio para a rua foram essencialmente dois grupos: um, maioritário e gigantesco, de pessoas pacíficas que querem protestar contra o rumo da política e da economia, e outro, minoritário mas muito mais impressivo, de bandidos e agitadores violentos, que aproveitam a onda para pilhar, roubar, assaltar e provocar distúrbios. Estes últimos são aqueles a quem se presta mais atenção, dada a violência dos seus actos e a cobertura que deles é feita na comunicação social. Mas que ninguém duvide que o sentido do descontentamento expresso nas manifestações nada tem a ver com essa violência oportunista, mas com a insatisfação do rumo que a política federal tem tomado ultimamente e o medo das consequências que poderá ter na vida das pessoas. De resto, o PT já compreendeu isso mesmo, e a “presidenta” e o ex–presidente têm promovido reuniões com os principais dirigentes do partido, para encontrarem novas bandeiras que os reaproximem da população. O choradinho do monopólio petista da retirada de milhões de pessoas da pobreza extrema foi considerado já gasto, e o partido procura agora um novo discurso. João Santana, o mago do marketing do PT, não tem faltado a nenhuma dessas reuniões.
Uma ofensa quiçá uma provocação
Mais uma vez se prova que cada época tem os seus interditos. Os da nossa passam por não se poder questionar o mundo daqueles que se apresentam como contestatários. No ano da graça de 2013 querer saber em Portugal quanto custam os sindicatos não só é notícia, quando devia ser um procedimento regular, e até se pergunta se for formular essa pergunta não pode prejudicar o diálogo social. Este tabu é extensível a países como a França – onde L’argent caché des syndicats se tornou notícia quando o Le Point revelou um relatório mantido secreto sobre a falta de transparência nas orçamentos dos sindicatos . O Relatório Perruchot está aí para provar que a corporação contestatária foi um bom investimento para alguns. Infelizmente à custa do dinheiro alheio. Em Espanha ainda não conseguiram fazer as contas ao número de funcionários dos sindicatos sustentados pelo contribuinte. Mas lá tal como cá existem casos interessantíssimos. Lá chegaremos ao dia em que perguntar quanto custa a contestação não será uma ofensa.
O mundo nos eixos
Ou se arranja alguém de direita para culpar pelos incidentes no Brasil, pelas escutas de Obama e outras factos inexplicáveis à luz da cartilha ou a TSF tem um fanico. Hoje no forum o moderador quase passou a interveniente pq alguns dos convidados insistiam em dizer coisas que não cabiam no alinhamento ideológico daquela estação sobre a greve dos professores/greve geral. Ou o mundo muda ou eles desorientam-se. A título de consolo aqui ficam umas imagens de um sítio onde as coisas ainda são como devem ser
Olhe que não, olhe que não
Um dos muitos observatórios deste país (não conseguiremos nós transformar o Blasfémias num observatório?) concluiu que Privado discrimina doentes da ADSE. Concluiu o Observatório: “Os hospitais privados discriminam os doentes que são funcionários públicos do subsistema da ADSE (Direção-Geral de Proteção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública). Estes doentes esperam mais tempo por uma consulta – pode ultrapassar os 4 meses – e pagam mais pelos exames médicos.” Não sei quanto nos custou esta observação mas deve ter sido barata pq qualquer um de nós chega a idêntica conclusão após meia hora ao telefone a tentar marcar um exame ou consulta e imediatamente nos perguntam “É particular? Tem seguro?….” Mesmo que se admita que uma entidade privada tem a obrigada de prestar serviços a beneficiários de um sistema que paga tarde há uma outra questão a ter em conta: nos hospitais privados os beneficiários de ADSE ainda conseguem marcar consulta. Onde não conseguem marcar consulta é nos hospitais públicos porque primeiro têm de passar pelo centro de saúde.
e agora, joaquim, quem é que recebe a troika?
De tal forma as coisas correram bem na 7ª avaliação do programa de ajustamento português, que a troika resolveu aparecer um mês antes do início oficial da próxima avaliação, para uma «visita intercalar». Parece que vão adiantar uns papéis e ver uns números no Ministério das Finanças, com Vitor Gaspar. Fazem mal! Esta visita intercalar, que, de resto, deveria ser instituída como obrigatória para futuro, deveria consistir, apenas e só, numa visita ao Palácio Ratton, para que os soberanos ministros do Tribunal Constitucional informassem quais os limites aceitáveis das medidas a concretizar em cada nova visita. Não perderíamos tempo e ninguém teria desilusões. Afinal, deve sempre começar-se por falar com quem manda.
Regulação estatal de blogues
Os blogues são publicações privadas. Seja um blogue individual ou colectivo, a sua criação está disponível a qualquer pessoa ou grupo de pessoas que livremente se organizem para o efeito. Isto é terrível para um estatista: qualquer um pode publicar informação, que até pode estar errada, ou esta ser contracorrente do pensamento consentido pelo politicamente correcto.
Da mesma forma que precisamos de um Ministério da Educação centralizador de programas de ensino e uma Entidade Reguladora para a Comunicação Social protectora do público (“em particular o mais jovem e sensível“1), precisaríamos de uma entidade reguladora de blogues; no entanto, não a temos.
Este é um dos dramas lógicos do socialismo: o fraccionamento da ética centralizadora por tradição geracional. A consequência directa disto é que mantemos estruturas que demonstramos, com o advento de novos meios, não só serem desnecessárias como prejudiciais à regulação natural do (preparem-se, vem aí termo politicamente incorrecto) mercado.
1 Do website da ERC. Estas coisas não se conseguem inventar.
Anedota do dia
Bombas low cost avançam. Quem não cumprir paga multa até 44.890€
“Numa lógica de equílibrio dos interesses em presença podem, todavia, ser excluídos da obrigação de comercialização de gasolina e gasóleo rodoviários simples [não aditivados ou low cost] os postos de abastecimento que pratiquem regularmente descontos significativos nos preços de venda ao público destes combustíveis” […] , “desde que tais descontos sejam apliváveis à generalidade dos clientes”
A solução da rede de combustíveis low cost insere-se nas categorias “Soluções ‘culto da carga'” e “apostas nas ‘apostas'” do post anterior. Como a ideia inicial é estúpida (forçar parte do mercado a ter uma oferta que essa parte do mercado não quer dar quando a outra parte do mercado já tem essa oferta), introduz-se uma correcção ainda mais estúpida: isentar de oferecer não aditivados quem oferecer “descontos”. Serão produzidas dezenas ou centenas de páginas a definir o que são “descontos”, como se define “generalidade dos clientes”, qual o preço de referência, o que são combustíveis não aditivados, etc, para no fim a gasolina ficar mais cara do que estava antes. Para a semana sai um programa de desburocratização.
As elites, novas e velhas
Agora que se sente no ar alguma descompressão e se aproxima a saída da Troika vale a pena seguir as soluções propostas pelas velhas e novas elites. Estas soluções serão de vários tipos:
Soluções “culto da carga”: A ideia será sempre simular os sintomas de desenvolvimento imitando-os. Por exemplo, países ricos têm taxas de juro baixas, a solução para Portugal é taxas de juro baixas. Os países ricos têm elevados níveis de educação, a solução para Portugal é aumentar o número de licenciados e gastar dinheiro em educação. Os países ricos têm um número elevado de patentes, sai um subsídio para promover o registro de patentes.
Soluções “políticas”: São as soluções em que um passe de mágica político resolve um complexo problema económico. O grande exemplo desta categoria de soluções é a proposta já quase unânime entre as elites de demitir Vitor Gaspar. Mas podia ser demitir o governo, fazer um governo de salvação nacional, eleger um líder alternativo etc.
Aposta nas “apostas”: Algumas palavras chave para reconhecer más ideias: “aposta”, “prioridade”, “designio”, “cluster”, “crescimento”. Mal se sintam libertas de constrangimentos, as nossas elites vão começar a debitar mais vezes estas palavras.
Soluções “mandem dinheiro”: Eurobonds, orçamentos europeus, subsídios de desemprego europeus, juros mais baixos, perdões de dívida. Também conhecida pela solução “Pai Natal”, as nossas elites adoram dinheiro caído do céu.
Soluções “não sei fazer contas”: Tudo o que envolva resolver um problema de milhares de milhões de euros com soluções de milhares de euros. Do tipo, “temos que acabar com as mordomias dos políticos”. Outra variante é pagar o défice com dinheiro virtual, seja da economia paralela, seja dos off shores seja da Taxa Tobin.
Soluções “back to 2007”: Estas soluções envolvem recuperar o modelo de Estado e de economia pré-crise. Inclui sempre mais despesa, mais défice, mais dívida, mais obra e mais projectos sem procura.
Haverá sempre algo de comum a estas soluções: não envolverão nem trabalho, nem esforço, nem poupança.
Incinerar um incêndio
Rui Tavares faz uma descrição do problema de financiamento de países sistematicamente deficitários recorrendo a esta premissa:
Que propõe Rui Tavares para a resolução? Crescimento através de crédito fácil, ora. Tão fácil que nem tenha juros. Ou, de preferência, que nem tenha que ser pago. Uma mesada, portanto.
Se tudo isto fosse verdade, porque não estariam credores interessados? Já não se interessam pelas suas próprias “estratégias de crescimento“?
Mas acrescenta:
Não sei se o Rui Tavares tem reparado na França (é normal que não, principalmente se apoiou Hollande nas eleições) mas esse “incólumes” é capaz de ser ofensivo para franceses. Por outro lado, conviria também incluir Portugal na lista de países que não respeitaram os limites do défice; compreendo, porém, que apesar de ser verdade, estragaria toda a teoria avançada no texto.
Algumas pessoas ainda se recordam do impacto que teve a apresentação do trabalho “The Wall”, dos Pink Floyd, no já longínquo ano de 1979. Muito embora seja difícil comparar este trabalho, em termos musicais, com outros trabalhos do grupo, ressaltou parte da letra de uma das músicas:
“We don’t need no education
We dont need no thought control Ler mais…
