então, e o costa fica-se?
“Moção de Seguro diz que não é sério responsabilizar apenas um governo pela crise”
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“O PS assume por inteiro todas as suas responsabilidades passadas e presentes”
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Assim se vai construindo a “unidade” no PS. Até ver…
Arrisque senhor deputado, arrisque.
O deputado Pedro Nuno Santos escreveu uma carta a Alexandre Soares dos Santos. A dita está recheada dos lugares comuns que preenchem o discurso dos autoritarismos – o grande empresário que não quer pagar impostos; que destrói os pequenos comerciantes e que enriquece enquanto os outros empobrecem – Felizmente para nós que o deputado Pedro Nuno Santos não tem os poderes da nomenclatura bolivariana e não pode mandar fechar lojas. Mas de qualquer modo o deputado Pedro Nuno Santos (que creio ser o mesmo deputado Pedro NUno Santos que tinha como solução para a crise recorrermos à bomba atómica: a “bomba atómica é simplesmente não pagarmos. Se não pagarmos a dívida e se lhes dissermos as pernas dos banqueiros alemães até tremem” garantia ele) não acaba a sua explanação sem propor a Soares dos Santos um negócio: «Desenvolva, por exemplo, uma bicicleta eléctrica: proponha-se entrar no capital de uma empresa portuguesa de bicicletas já existente, contrate uma equipa de jovens engenheiros para conceberem baterias eléctricas, invista no design da bicicleta e na sua promoção e use a rede de distribuição de que dispõe para as lançar no mercado.» Com tudo tão clarinho na sua cabeça cabe perguntar pq não avança o senhor deputado ele mesmo para o negócio? Arrisque senhor deputado, arrisque. A bicicleta eléctrica é certamente um bom negócio. Só terá Vossa Excelência o problema de convencer os bancos a facultarem-lhe crédito porque algum deles deve ter medo de ficar com as pernas a tremer quando Vossa Excelências lhes disser que vai recorrer à bomba atómica mas como bem se sabe os banqueiros não guardam rancores.
injustiça
O PS quer reduzir o salário de António Borges. É uma injustiça. Ninguém consegue tirar tantos votos ao PSD como ele.
há vazios fáceis de preencher
Por qué no te callas?
idolatria

A extrema-esquerda sempre foi muito atreita à beatificação dos seus ídolos. Acabou, agora, de ganhar um novo santo. Esperam-se, então, os habituais comentários branqueadores de alguns leitores do Blasfémias. Deixo já aqui uma sugestão: alguns Papas (e os Faraós) também são embalsamados. Força, rapazes, é pegar na deixa. Francamente, não vejo outra melhor.
O reporter estava lá
A investigação da Autoridade para a Concorrência tem algumas características que revelam a sua verdadeira natureza. A acção foi dirigida a 16 bancos por suspeitas de partilha de informação com o objectivo de cartelizar os preços dos serviços bancários. Note-se que são serviços sobreregulados em que a informação sobre os preços é pública. Em algumas versões não são 16, mas 25 bancos. Porque é que a AC foi a 16 ou mais bancos e não apenas a 2 ou 3? Porque não sabe do que anda à procura nem o que é que anda à procura. Mas vamos supor que existe um cartel de 16 bancos em Portugal. Quanto tempo demorará a documentação que o prova a ser processada? Anos. A não ser que estejam à espera de encontrar um documento com o título: “Protocolo de constituição do cartel da banca”. Poderíamos ser tentados a pensar que este é mais um megaprocesso destinado a arquivar daqui a anos, e que permite a alguém ter poder sobre alguém, não servindo para mais nada. Mas não foi para isso que serviu. Sabe-se que a acção foi acompanhada por uma equipa de reportagem da SIC, que esteve com um grupo da AC num dos bancos. Estou em crer que a presença desta equipa de reportagem é o verdadeiro objectivo desta intervenção.
Sebastião, os bancos e a Adc.
Finalmente – mesmo finalmente também porque em fim de mandato do seu Presidente – a Autoridade da Concorrência (Adc) faz , por sua iniciativa, qualquer coisa sensível e que suscita realmente a atenção do país.
Ao contrário de outros antecedentes casos mediáticos para os quais foi “empurrada”, ficando a ideia (certa ou errada) na opinião pública(da) de que tinha sido meramente reativa (vg., revenda de combustíveis), a Adc, desta vez, agiu e espera-se que seja consequente. Consequente significa ser rápida e assertiva a investigar, usando os novos poderes inquisitórios que a Lei nº 19/2012 lhe proporciona e seja efetivamente conclusiva. Conclusiva significará, também, ser transparente ou seja, emita uma decisão em que os factos apurados e relevados fundamentem, clara e inequivocamente, a decisão (ao contrário do que sucedeu, já, por vezes – vg., novamente, “estudo” sobre o mercado da revenda dos combustíveis).
Os filhos do Zip-Zip
Governo aprova a “flexisegurança” laboral.
O Governo socialista do messias (há uns meses atrás) Hollande, note-se!
“Democracia” formal
Segundo Mário Soares: Chàvez nunca foi um ditador.
(Leitura complementar: post antecedente – “O legado”….. , pelos vistos, de um “não” ditador)
o legado

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A imagem acima é da favela Petare, a maior do mundo ocidental, situada à porta de Caracas e onde vivem – calcula-se – mais de 1 milhão de almas. A favela não tem parado de crescer nos últimos anos, e o governo parece estar de costas voltadas para o problema. Esta favela tem, pelo menos, três vezes a dimensão da Rocinha, no Rio de Janeiro, sendo que não é a única de Caracas, sendo de destacar, pelo menos também, a 23 de Enero. Recorda-se que a Venezuela tem as maiores jazidas de petróleo do mundo e não consta que tenha um bloqueio comercial norte-americano que impeça o seu desenvolvimento económico.
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Sobre os direitos humanos e políticos na Venezuela de Chávez, aconselha-se a leitura deste relatório da Human Rights Watch, que, acredito, não seja uma sinistra organização instrumentalizada pela CIA. Nele podemos ler os assaltos à “independência dos tribunais”, à “liberdade de imprensa” e os abusos governamentais exercidos pelo governo de Chávez sobre pessoas concretas e instituições concretas de oposicionistas ou simples defensores dos direitos humanos.
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Para que conste, e para que não embarquemos todos neste mantra laudatório do líder recém falecido e do seu regime, independentemente do respeito que sempre se deve ter por quem parte deste mundo e, no caso de Chávez, até por algumas características pessoais do falecido. Mas a morte não pode servir para branquear o que foi feito na vida pública, nem a ideologia nos deve cegar ao ponto de não vermos as evidências que temos perante os olhos.
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Leituras complementares: “O Senhor da Venezuela e dos pobres”, pelo Miguel Noronha.
“Santo Chávez e o pecado da soberba”, pelo Daniel Oliveira.
Chavez, a agonia de um cativo
Há aproximadamente um mês escrevi isto sobre a doença de Chávez e a falta de senso de títulos como este – Chávez está «muito deprimido» e já não assumirá presidência – que procuravam mascarar a luta pelo poder em Caracas. Os últimos tempos de vida de Chávez foram uma agonia prolongada por aqueles que o apoiavam. Correm agora rumores que terá morrido em Cuba para onde o terão transportado numa derradeira tentativa de o manter vivo para lá de toda a dignidade.
As políticas sociais para os mais desfavorecidos
Nesta peça da RTP Informação (minuto 22) que não diverge do que anda para aí explica-se a popularidade de Hugo Chavez com as “políticas sociais para os mais desfavorecidos”. Um dirigente pode, como sucedeu com Chavez, levar um país à ruína, torná-lo num dos mais inseguros do mundo, fomentar o ódio… mas desde que diga umas coisas alegadamente de esquerda torna-se um amigo dos pobres. Só se por políticas sociais para os mais desfavorecidos se entender multiplicar o número dos mais desfavorecidos e nesse sentido pode falar-se de políticas para eles.
uma noite no recife
No dia da morte de Chavez, aproveito para recordar um episódio que me fez cruzar com ele lá para os idos de 2003, 2004, já não tenho a certeza exacta.
Estava eu a começar a jantar com um casal amigo numa churrascaria da praia da Boa-Viagem, no Recife, quando um ligeiro e breve sururu se fez sentir na sala. Procurei perceber o motivo e percebi que Hugo Cavez tinha entrado para jantar, acompanhado por uma reduzida comitiva de algumas pessoas, que não chegariam a uma dúzia, e um segurança de plantão, discretamente encostado a uma parede. Tinha tido, nesse dia, uma cimeira com Lula, a cimeira acabara e ele e os seus decidiram ir jantar a um bom restaurante, desprovidos do protocolo, sem as tradicionais honras de estado, despretensiosamente. Quem os visse mais pareciam um grupo de pernambucanos esfomeados, animados pela ideia de limparem uns quilos de picanha e alcatra, regados com umas caipirinhas geladas, o que certamente terão feito. Pensei, na altura, que uma cena destas seria impossível na Europa Ocidental, onde o protocolo de estado não deixa um segundo de privacidade a um governante de visita a um país estrangeiro. Isso reforçou a minha já então grande simpatia pelo tom despretensioso com que, na generalidade, os latino-americanos se tratam e convivem, mesmo nas relações mais formais.
Hoje, o homem morreu e deu, involuntariamente, a sua melhor lição de vida, aquela que só um homem poderoso pode dar a quem a quiser entender: o poder, todo o poder, mesmo o endeusado como foi o seu, é sempre precário e efémero. Ou, como se diz nas terras transmontanas, cheios de homens insubstituíveis estão os cemitérios.
chavez
Morto Hugo Chavez, fica por saber se o país que deixa – incomparavelmente mais miserável e extremado do que antes de si – conseguirá manter os restos ténues da democracia que já foi, realizando eleições livres no prazo constitucionalmente previsto, ou se prosseguirá na via autoritária, procurando, por todos os meios (o último foi mesmo a própria doença de Chávez), impedir as eleições e perpetuar, no poder, o chavismo sem o seu criador. Para já, o exército desceu à rua, o que não augura nada de bom. Paz à alma de Chavez, pois então, mas paz à vida dos venezuelanos, sobretudo.
O grotesco da demagogia
Visto de fora este tipo de argumentário é absolutamente grotesco. Mas para quem está sob a alçada deste tipo de discurso tudo isto faz sentido. É a demagogia. Para muitos venezuelanos o que se passa com a agonia de Hugo Chávez é tão razoável quanto na Coreia do Norte o Estado legislar sobre cortes de cabelo.
yoani sánchez
A Yoani Sánchez está no facebook e é merecedora de todo o apoio daqueles para quem a liberdade não é uma palavra vã, nem uma figura de retórica ou de estilo literário. Yoani é uma jovem mulher de inabalável coragem, que enfrentou sozinha a tirania que os irmãos Castro instituíram na ilha-prisão de Cuba. Tem sido sujeita a todo os género de perseguições e vilezas e, mais não fosse, seria só por isso merecedora do nosso apoio. Mas há mais: Yoani luta pela liberdade onde ela não existe. É muito diferente de lutar pela liberdade quando ela não nos falta. Vamos dar-lhe o nosso apoio na sua página do facebook.
Narrativas
JN: «Sondagem mostra um Governo de costas voltadas para o povo. O Governo vai cortar no Estado Social, quando deveria fazê-lo nas Parcerias Público Privadas e nos juros da dívida. Uma sondagem para o JN revela um divórcio claro entre a austeridade com que o Governo ameaça e os cortes que os portugueses defendem.» Os autores da sondagem podiam ter acrescentado uma outra pergunta: E se os os cortes que defende não chegarem corta-se onde?
Como dizia Teixeira dos Santos nos dias prévios ao resgate quando Ana Jorge e Helena André tentavam sugerir umas intervenções pontuais: “Num chega” E mesmo que não estivéssemos em crise no que à segurança social respeita “num chegava” por causa de um factor chamado demografia como aqui se explica
Novas cartas portuguesas
Camionete fantasma
Mário Soares no PÚBLICO: «O Governo tem de se demitir. Esta é a boa oportunidade para o fazer, antes que o Tribunal Constitucional se pronuncie, os portugueses se enfureçam e a democracia desapareça, porque os partidos também estão todos a ser criticados. Porque se não for a bem – enquanto o “Povo é sereno” -, será a mal, com o povo indignado, como sucedeu no fim da monarquia…» Por acaso não foi o povo indignado quem derrubou a monarquia que era um regime bem mais tolerante e provavelmente melhor suportado pelo povo que aquele que lhe sucedeu. Chamar “povo indignado” à carbonária foi uma tragédia que acabou na camionete fantasma.
A erva daninha
Miguel Relvas deixou de ser ministro o ano passado, faz agora um ano.
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Andou a corrigir-se a si mesmo no parlamento, em sucessivas piruetas «que não conhecia», afinal conhecia; que «nunca estivera com», afinal estivera; que fora «um encontro social», afinal fora almoço de trabalho, que «nunca recebera emails», afinal recebeu. E então quando passou a «equivalente», o seu mandato terminou mesmo ali.
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Ele nem notou ou fez-se de desentendido. E continua, até hoje, a ir ao gabinete como se ainda fosse ministro. Em mais um passo em falso, o primeiro-ministro renovou-lhe a confiança na hora de aperto pensando assim manter um ministro. Não se apercebeu, ou não se importou de que com tal gesto perder na mesma um ministro e ficar com um pendura que só lhe traz dissabores e ao qual ficará sempre ligado. O que só pode significar desastre.
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Manteve-se Relvas alegremente com o dossier da privatização da RTP, promessa eleitoral e objectivo do governo. Ele foi Grupo de reflexão, foi plano de reestruturação, foi nova administração, foi canal parlamento na tdt, foi o guru Borges a anunciar concessão, ou o fecho da rtp2, Mas Relvas ia dizendo «está a ser estudado e será anunciado até ao final do ano». Novo ano, e anuncia que nada faz. Melhor dizendo. Faz: Desistem. Abandonam a venda. Fica tudo como dantes, com o acréscimo de decidirem torrar mais 42 milhões. Pior era difícil.
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Na verdade, quem melhor do que um falso ministro sem autoridade e acossado para ceder a tudo e a todos? Quem o manteve no lugar sabia o que estava a fazer. Foi a melhor garantia de que não haveria venda, nem mais concorrência, nem concurso para novos canais na TDT, nem coisa nenhuma.
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Mas Relvas não é só rtp. Também foi o autor de uma mal amanhada, inútil e de muito duvidosa legalidade «reforma admnistrativa» que de reforma não tem nada para além de incomodar inutilmente as pessoas, e potenciar o caos nas próximas eleições autárquicas. Caso típico de muito barulho para nada.
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Mas é assim em cada dossier que alguém teve a infeliz ideia de lhe entregar em mãos. Se face à natural resistência a qualquer reforma os verdadeiros ministros já tem dificuldade de implementar os seus projectos, imagine-se com um falso ministro…
A solução por vezes tem sido mesmo ignorar a sua existência. Só a imprensa não o faz, dando-lhe microfone sabe-se lá para quê. Deve ser por ter a tutela do sector, e sabe-se como neste país se aprecia ser tutelado….Também é para isso que servem os telefonemasinhos para os directores.
Incidentes nos estádios? Relvas diz que «há a segurança no Desporto». O que vale é que por vezes nem o próprio governo liga para o que ele diz.
Não devem saber bem o que fazer com ele. O problema é que ainda vai tentando fazer. Mal, como sempre.
Ciclos
Como António Costa não avançou -o que tornou subitamente desinteressantes as legislativas antecipadas – a ideia de um governo de unidade nacional voltar a ser popular.
direito de propriedade
não conta para nada
Embora sem grande entusiasmo, Rui Rio admite debater o tema da regionalização no âmbito de uma possível reforma política do regime. Fá-lo quando está para abandonar a cadeira da presidência da Câmara do Porto, que ocupou nos últimos doze anos, durante os quais fazia todo o sentido que tivesse utilizado a sua posição politicamente privilegiada para pôr o tema na ordem do dia. Agora, de malas aviadas, a sua opinião sobre este tema já não conta para nada.
Impressões
Esquerda “cigarra”
Em vias de voltar. O seu possível programa, em três pontos: dívida, dívida e mais dívida.
Governação com ou sem sentido
Os “cortes” devem ser maiores nos ordenados dos polícias ou em algumas instituições não essenciais? Aqui reside um dos principais problemas.
Para memória futura
- ‘Com a ida do jornalista Licínio Lima para a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, elevam-se para 10 – convém repetir este número: dez – os jornalistas que transitaram da redacção do Diário de Notícias para cargos de nomeação directa do Governo de Pedro Passos Coelho. Por ordem alfabética: Carla Aguiar é assessora do ministro da Administração Interna, Eva Cabral é assessora do primeiro-ministro, Francisco Almeida Leite é vogal da administração do Instituto Camões, João Baptista é assessor do ministro da Economia, Licínio Lima foi nomeado para director-geral adjunto de Reinserção, Luís Naves é assessor de Miguel Relvas, Maria de Lurdes Vale é administradora do Turismo de Portugal, Paula Cordeiro é assessora do ministro das Finanças, Pedro Correia é assessor de Miguel Relvas e Rudolfo Rebelo é assessor de Pedro Passos Coelho. Espero não me estar a esquecer de ninguém.
- José Miguel Tavares, in «E vão dez», Público, 1 de Março de 2013
Entre a abstenção e a indignação.*
A Europa acordou estremunhada após as eleições italianas, com as gargalhadas truculentas de Beppe Grillo. Estremunhada e subitamente receosa. Curiosamente, houve uma certa similitude entre essa reação e aquela que, há uns anos atrás, surgiu na sequência do então efémero movimento populista holandês de Pym Fortyun. Como já alguém disse, com efeito, parece que a Europa não aprendeu com os erros. Mas – pergunta-se – que erros? O que é que suscita votações em movimentos aparentemente apartidários, sem propostas de governação viáveis, ultra populistas e ultra nacionalistas? O que é que motiva os eleitores quando elegem quem manifestamente não está preparado para compreender o funcionamento político institucional (nem quer) e faz da “conversa de café”, descontraída e irrefletida, uma espécie de programa político. Eleitos que criticam a democracia representativa e tentam repristinar uma espécie de “ditadura do proletariado” anti-ideológica e anti-partidária, sob a capa difusa das vantagens da democracia direta?
Contabilidades
As manifestações de hoje foram grandes, mas menores do que algumas realizadas bem recentemente. Eu sei que não é isso que estão a dizer nas rádios e televisões, mas é isso que se retira de algumas das imagens de conjunto que têm vindo a ser mostradas.
Não sou só eu que digo. Um dos repórteres da TSF no Terreiro do Paço também afirmou a certa altura que lhe parecia que a manifestação da CGTP tinha sido maior. Não sei a que manifestação da CGTP se referia, mas olhemos para estas imagens (as de hoje correspondem ao momento em que se cantou o Grândola, retransmitidas depois no noticiário das 19h):
Do estúdio interromperam o repórter e proclamaram que não cabiam no Terreiro do Paço nem mais dois alfinetes. Pelo que eu só quero ter um alfinete desses…
PS. Houve, felizmente, quem fizesse uma contabilidade minimamente sensata:
Ó Catarina… ó João…
A repórter da SIC no Terreiro do Paço trata os dirigentes do BE por João e Catarina. Entretanto cada manifestante no Terreiro do Paço é uma reencarnação heteronímica de Fernando Pessoa: cada manifestante vale por meia dúzia.
Eu sei que é pecado
invocar o santo nome de Deus em vão e que até estamos em sede vacante mas algum santo conseguirá que o PS vá amanhã para a chefia do Governo e assim a comunicação social deixar de viver em estado de arregimentação brigadista e passar para uma fase de mansidão? É que francamente o Esquerda net é mais equilibrado nas notícias sobre as manifestações de hoje do que alguns sites noticiosos.
PÚBLICO: Protestar e pôr o país a cantar a Grândola nas ruas
SIC: Movimento “Que se Lixe a Troika” espera derrubar o Governo (Note-se que a entrevistada ainda diz que o Governo foi eleito democraticamente o que face à histeria do canal em si até é um progresso. )
TVI que apela directamente à participação:
Será este o efeito das manifs?
Na sequência da manif de 15 de Setembro, o governo meteu o rabo entre as pernas e desistiu da proposta da TSU, uma medida que tinha efeitos estruturantes. Seguiu-se um “enorme aumento de impostos”. Palpita-me que depois da manif de hoje o governo se prepara para congelar o corte dos 4 bi na despesa, que a “aristocracia da corte” é unânime em rejeitar, a começar (pasme-se!) por Medina Carreira.
Esperem portanto para 2014 um “colossal aumento de impostos”. E mais recessão, obviamente. É dos livros que ela se acentua mais com aumentos de impostos do que com cortes na despesa. Mas, decididamente, temos de bater no fundo para aprendermos.
alguém sabe da sara?
O Carlos Loureiro lembrou que fazemos hoje (não é bem, bem hoje, mas adiante…) 9 anos – quase uma eternidade – e, com enorme sentido de oportunidade, linkou o primeiro post do blog, escrito pela nossa velha e perdida (nestas andanças da blogosfera, note-se) amiga Sara Muller, a primeira bloguer feminina do Blasfémias, antes da entrada da Helena Matos, com quem, de resto, não chegou a coabitar (as mulheres de forte personalidade, às vezes, são difíceis de se entender).
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A Sara era uma mulher muito especial, minha amiga, amiga do CAA, do LR, do Gabriel e do CL, que foi despertando sentimentos extremados nos nossos leitores, que oscilavam da paixão absoluta (com, inclusivamente, alguns convites para idas ao cinema…), o respeito pela sua profunda sensibilidade feminina (muito manifestado, por exemplo, na discussão do tema do aborto), ao ódio absoluto, quando expressava a sua paixão clubística pelo Futebol Clube do Porto.
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Antes do Blasfemias, a Sara fora amiga e colega de alguns de nós na Universidade, partira para o estrangeiro após o termo do curso (uma das primeiras emigrantes qualificadas da nossa geração…), donde tinha acabado de regressar após um casamento atribulado e um divórcio complicado, como quase todos o são. Com a saída dela do Blasfémias soubemos que voltara para o estrangeiro, mas há anos que nunca mais nenhum de nós ouviu falar dela. É pena, até porque seria muito bom poder contar com ela novamente no blog. Se, por acaso, algum dos nossos leitores souber do seu paradeiro, por favor deixe contacto. Obrigado.
“esta vida de marinheiro…”
De há uns tempos para cá, que me lembre, depois das argoladas da TSU, alguns ministros do governo, sobretudo os que têm pastas mais sensíveis, adoptaram uma estratégia de comunicação que passa pela exaltação das superiores qualidades e dos inigualáveis talentos do bom povo português. Passos, Portas, Gaspar e outros ministros, sempre que vêm com más notícias, apressam-se a completá-las com uns piropos ao indígena lusitano, do género: “vou-te aos bolsos”, mas “o sacrifício dos portugueses merece um prémio dos parceiros europeus”, “vamos aumentar enormemente os impostos”, mas “a paciência dos portugueses” é admirável, “continuamos sem reduzir o défice”, pelo que apelamos à “elevada coragem dos portugueses”, “o desemprego não para de aumentar”, mas “os portugueses são o melhor povo do mundo”, etc..
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Hoje, Vitor Gaspar ultrapassou todos os limites desta bajulação comunicacional, com esta frase de lindo recorte estilístico, a fazer lembrar a letra de um fadinho da Madragoa: “Portugal tem povo de marinheiros capaz de superar as maiores tormentas”. Fantástico! Para consagrar o estilo, sugiro que se musique este tema marítimo de Vitor Gaspar, encomendando a música ao Sérgio Godinho, a letra ao Professor Boaventura, e entregando a interpretação ao grande cançonetista António Calvário, o maior entre os maiores, qualquer um dos três também muito empenhado na exaltação do ego nacional, como se pode ver por aqui.
Hoje, no Pólo Norte
Nove anos
Há nove anos, no dia 29 de Fevereiro do primeiro ano bissexto do séc. XXI,
Sócrates ainda não chegara ao poder (nem sequer a líder do PS)
Os estádios do Euro 2004 ainda estavam em construção
António Costa era líder parlamentar do PS (seria substituído, pouco depois nessas funções por um jovem…. António José Seguro).
Uma das primeiras fusões blogosféricas dava origem a este blogue.
Ainda não endoideceu tudo
Até que enfim. Após dias e dias de desvario sobre a nova cruzada da ASAE contra os “vestígios de carne de cavalo”, finalmente algum bom senso. De quem tem os pés assentes na terra. É que a carne de cavalo é tão saudável como a de vaca, se bem que mais barata, é perfeitamente recomendável para uso humano, e andar por aí a recolher toneladas de alimentos para deitar fora quando todos os dias se grita que “não se aguenta mais” a fome é, no mínimo, bizarro.
Uma ditadurazinha não?
O encenador Luís Miguel Cintra afirmou à Lusa que “estamos à beira de uma grande mudança” e considerou que os atuais protestos de rua “são curtos”, sem projeto de mudança da própria sociedade. Referindo-se à situação atual afirmou: “Não ouso prever, mas estamos à beira de uma grande mudança“. (…) Todavia, o encenador, que frequentou a licenciatura de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, e o Acting Tecnhical Course da Bristol Old Vic Theater School, em Inglaterra, considerou que “estes protestos são feitos exatamente em nome dos mesmos valores dos cortes que estão a ser feitos“. “Nunca protestariam se não existisse redução de salários e de subsídios. O sistema de valores são os mesmos dos que protestam e dos que são protestados”. “Um sistema de valores da sociedade de conforto, mas não há um projeto de mudança da própria sociedade”, disse Cintra segundo o qual “isso vê-se nas eleições, que são um desastre total”. “Vai lá tudo eleger as mesmas pessoas, que sucessivamente traem os objetivos das pessoas que votaram nelas. A certa altura não é possível a máscara demorar mais tempo, e tem de existir o nascimento de uma outra organização política e dos cidadãos que não seja esta porcaria do sistema parlamentar, que é uma fraude total“, advogou. Pena o jornalista não ter perguntado o que advoga o encenador em causa.
Pedido
Os crentes com militância política podiam pedir a Deus para que sempre que um político seja acusado de actos similares aos que, segundo alguns, D. Carlos Azevedo terá praticado o seu partido reaja como em 2013 reagiu a Igreja católica portuguesa?
parabéns ao o insurgente
O Insurgente, o melhor blog liberal da actual blogosfera portugesa, comemora hoje o seu oitavo aniversário. Ao longo deste tempo, que é um tempo imenso neste meio de comunicação, o blog fundado pelo André Azevedo Alves conseguiu juntar e manter uma equipa admirável de autores, que tem vindo permanentemente a rejuvenescer com novas revelações. Actualmente são quarenta, e muito me integrar essa longa lista, embora numa posição modesta de colaborador quase ocasional. Parabéns ao André, ao Miguel Noronha, ao Rodrigo Adão da Fonseca, ao André Abrantes Amaral, ao Rui Carmo, que creio não cometer nenhuma deselegância se disser que são os membros mais antigos em actividade, e a toda a equipa, desejando-lhes força para, pelo menos, os próximos oito anos.




