Espero que os factos não venham atrapalhar
Agora que já toda a gente deu a sua opinião sobre o caso Relvas, a ERC vai tentar descobrir o que realmente aconteceu.
Se fosse no Estado Novo
dava-se este caso como um exemplo dos efeitos tragicómicos a que levam a censura e a auto-censura: no fim do tarde lia-se na edição on line do EXPRESSO Freeport: Sócrates ameaça processar quem invocar o seu nome. Perante o título desta notícia não se percebe nada do que se passa com José Sócrates e muito menos porque reage ele assim. Lendo a notícia constata-se que houve uma outra notícia que não foi dada devidamente pelo EXPRESSO e que versava as declarações de Alan Perkins no julgamento do Freeport. Se isto fosse uma batalha naval dizia-se que alguém anda a dar tiros no porta-aviões.
Activismo instantâneo
Nas últimas eleições norte-americanas os temas fortes foram o aquecimento global e Guantanamo. Agora que Guantanamo parece ter fechado tal é o desinteresse sobre o assunto e que o aquecimento global se evaporou temos o casamento entre homossexuais. Na próxima campanha o casamento entre homossexuais estará na mesma prateleira onde dormem os argumentários sobre Guantanamo e o aquecimento global. E os activistas das causas freneticamente instantâneas continuarão a apoiar frenética e instantaneamente a nova causa. Seja ela qual for. Porque o que conta não é causa em si mas sim o unanimismo que ela gera.
Acessores ou ascensores
Os assessores são meros gestores de acessos. Em primeiro lugar, gerem o seu próprio acesso ao lugar que ocupam ao qual… acederam. No exercício de suas funções, gerem o limitado acesso aos favores e benesses distribuidos pelos seus chefes, guardiões da enorme gamela que é o orçamento de estado.
Em vez de assessorar, apenas acedem e acessam. E ascendem. Não são assessores, mas acessores… ou ascensores.
Lembrete: não esqueçam de renegociar as PPPs
Pôr cobro ao insustentável escândalo público das PPP’s exige coragem, determinação e um elementar sentido de justiça. E um governo capaz, claro!
No meu artigo do Correio da Manhã
Integração europeia….
«Several hours before the polling stations closed in Serbia, the European Union Council sent to journalists a press release congratulating elected president Tomislav Nikolic. The press teams of the European Commission and the European Council use to prepare press releases but this one was sent to journalists. The premature release was quickly removed from the web half an hour later, but it caused major turmoil in Serbia online media. The statement said that European Council President Herman Van Rompuy and EC President Jose Manuel Barroso congratulated Serbia’s new president, Tomislav Nikolic, on his victory.»(*)
antecipar, antecipar só depois de rebentar…
Este homem…
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Não antecipou a bronca do BPN.
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Não antecipou os sarilhos do BCP.
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Não antecipou a falência do BPP.
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E, agora, alegrem-se os incréus e os Velhos de Restelo:
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“Não antecipa saída da Grécia da zona euro”.
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Agora, sim, podemos dormir descansados…
Demagogo e chantagista
Tsipras garante que votar no Syrisa “é uma grande oportunidade” para “salvar o euro”
Mas o tipo anda em promoção nos media, que se deslumbram de forma acéfala com populistas deste calibre.
A propósito do blackout
Miguel Relvas ameaçou o PÚBLICO com um blackout governamental.
Já a Sócrates ou melhor dizendo ao PS várias direcções editoriais parecem ter oferecido a benesse de um blackout sobre o Freeport.
A propósito de Miguel Relvas
“A Grécia é um país soberano (…). Não cabe à senhora Merkel decidir se vamos ou não vamos avançar para um referendo” – declarou o líder da coligação da esquerda Syriza, Alexis Tsipra. Mesmo dando de barato que os países endividados não são de facto soberanos, o senhor Tsipra não pode esquecer que esta frase tem um reverso: a Alemanha também é um país soberano cujo povo pode muito rapidamente reivindicar a soberania de não andar a colocar as sua spoupanças em risco colocando (mais) dinheiro na Grécia.
Obs. Os franceses do senhor Hollande já começaram a fazer as contas: Chaque Français dispose d’un crédit de 1000 € sur la Grèce
a ocasião…
Enquanto, à esquerda e à direita, os indignados com as ingerências governamentais na comunicação social não exigirem, como questão prévia ao debate, a necessidade da saída incondicional do estado de todos os meios de comunicação social que (ainda) controla, qualquer polémica sobre quaisquer Relvas da vida, este ou qualquer outro dos que o antecederam e lhe sucederão, não passa de puro oportunismo político-partidário.
A única certeza nacional: Louçã será sempre notícia
Impressões
Pressões
O problema de eventuais conversas sem testemunhas é que cada um pode contar a sua versão. Em todo o caso, é um tema que carece de esclarecimento. Ler mais…
já perceberam, agora, por quê?
Só por excesso de ingenuidade ou distração congénita se pode imaginar um governo que não pressione jornais e jornalistas. Qualquer governo democrático, obviamente, porquanto nos outros não há jornais nem jornalistas para pressionar. Em todos encontramos um Santos Silva, um Gomes da Silva, um Relvas disposto a fazer, ou a mandar fazer, telefonemas para as redacções dos jornais, a enviar mensagens e mensageiros a ameaçar com cortes publicitários (directos ou indirectos…), a fazer discursos lacrimejantes e ridículos sobre a malvadez das «forças de bloqueio» instaladas nas redações dos pasquins lusitanos, etc.. Com menos frequência, encontramos mesmo chefes de governo que se prestam a entrar pessoalmente em jogadas de baixo recorte para calar jornalistas, como sucedeu com Sócrates, a TVI e Manuela Moura Guedes. Os governos não são, por estas e muitas outras razões, locais frequentáveis por espíritos que prezem a liberdade, a sua e a dos outros. Assim, só por excesso de ingenuidade, repita-se, se podem agora espantar com o ministro Relvas aqueles críticos da instrumentalização governamental da comunicação social que, há uns meses, não estranharam – ou mesmo até apoiaram – a decisão do mesmo senhor ministro de não empandeirar a putrefacta RTP, dinossauro vivo do nosso sovietismo doméstico. Já perceberam, agora, por quê?
A ler
Os telefonemas de governantes para as redacções na Porta da Loja
Obs. Eu acrescento que nas guerras entre que os políticos e grupos económicos travam entre si os jornalistas são instrumentais. Conviria que os jornalistas e neste caso muito particularmente a direcção do EXPRESSO não esquecesse que no fim da da operação os instrumentos vão para o lixo.
Obviamente, demita-se
«Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.» (*)
Refilar com razão.*
Na próxima terça-feira, terá início a quarta avaliação ao cumprimento, por Portugal, do memorando de entendimento, celebrado entre o Governo e as entidades representadas pela denominada “troika”. Até agora, os 3 exames efetuados foram positivos. Portugal foi passando nesses testes parcelares, superando, mesmo, as expectativas. Espera-se, agora, a mesma nota positiva e, consequentemente, o envio de outra parcela (4.000 milhões de Euros) da ajuda financeira total, acordada com o Estado.
Eduardo Catroga, o representante do PSD nas negociações de há um ano atrás, com a “troika”, referindo-se ao bom desempenho de Portugal, afirmou que deveríamos continuar a ser “bons alunos”, porém, “um pouco mais refilões”. No fundo, Catroga apenas aplicou a velha máxima de que quem não berra, não é ouvido – máxima muito enraizada (a meu ver, nem sempre bem!) no nosso pensamento coletivo.
Regresso ao mundo real: o irrealismo de uma barragem
Tenho sorte: viajei em tempos na Linha do Tua. Posso por isso testemunhar o que era esta linha ferroviária única – única em Portugal, única no Mundo. E recordar um vale que está quase a deixar de o ser. Troço esquecido da rede ferroviária nacional, ramal em via estreita apenas percorrido por toscas automotoras que transportavam raros passageiros de uma região em rápido despovoamento, a Linha do Tua e o vale do mesmo rio estão hoje a ser vítimas da ignorância arrogante de quem por ali nunca perdeu as botas. Vítimas sob a forma de uma barragem decidida pelo pior género de tecnocratas: os que estão sempre no poder.
Percorri pela primeira vez a Linha do Tua há uns 25 anos, numa época em que o comboio já só ligava Foz Tua a Mirandela e ainda ninguém falava de desenvolvimento turístico. Nunca mais me esqueci do assombro que era mergulhar naquele desfiladeiro. “A garganta, estreita e alta, parecia inacessível” – escrevi na altura, numa reportagem para o Expresso. “De ambos os lados, as margens são abruptas, quase verticais, rochosas e escalavradas. No fundo corre, torturado, o rio, e quase sentimos vertigens quando nos debruçamos da janela do comboio. A linha, estreita e curvosa, parece correr numa prateleira em precário equilíbrio sobre o precipício, afundando-se, aqui e além, em túneis britados nos rochedos”.
A grande asneira dos eurocratas (e não só)
Foi terem recusado liminarmente o referendo que Papandreou se propunha fazer na Grécia em Novembro passado para validar o 2º pacote da Troika. Com grande probabilidade, o eleitorado grego aceitá-lo-ia e daria o inerente acordo à continuação no euro. Meio ano passado, após uma crise política e um terramoto eleitoral na Grécia, vem Ângela Merkel sugerir um referendo ao euro.
Consultar e respeitar a decisão dos eleitorados para cada novo “aprofundamento europeu” teria porventura evitado muitas crises. Verdadeiro ou falso, este é um estigma do qual os eurocratas jamais se libertarão.
P.S.: Entretanto, como é habitual, já veio um porta-voz garantir que é só fumaça…
Reforma do Governo Local
Hoje, às 21.15h, estarei no Porto, a convite do PSD/JSD – Litoral, na sua sede na Rua de Diu, para falar da Reforma.
Amanhã, ao princípio da tarde, a convite da Presidente da Junta de Freguesia de Badim, estarei em Monção para falar acerca da reorganização territorial autárquica.
Amanhã, ainda, às 18h, a convite dos Presidentes das Juntas de Freguesia de Cabana Maior, Carralcova e Grade, estarei nos Arcos de Valdevez para um Colóquio sobre a Reforma.
novas oportunidades, vícios antigos…
Apesar dos 1.800 milhões de euros gastos (espatifados) e que estamos agora a pagar, as “Novas Oportunidades mudaram pouco a vida dos inscritos”. Mais uma bela medida keynesiana de incentivo ao emprego e à economia a ir por água a baixo. Quem diria!?
o estado, pessoa de bem
Dedicado a todos quantos ainda acham que devem confiar a condução das suas vidas ao estado:
já era
A Grécia no euro. E quem diz no euro, diz na União Europeia, vista a coincidência de propósitos e o modo como foram entrelaçados aquilo que chegou a ser um saudável projecto de livre-comércio e aquilo que é uma arriscada manobra de engenharia económica e política. A propósito, veja-se esta entrevista de Durão Barroso, onde o Presidente da Comissão Europeia confunde intencionalmente o que foi o projecto do mercado comum com o que tem sido a moeda única. Por outro lado, convém que nos vamos preparando, porque a saída da Grécia do euro/UE será tudo menos pacífica. Um efeito dominó de consequências nefastas será inevitável, apesar dos eurocratas se estarem a esforçar em garantir o contrário. Mas não basta “pensamento positivo”, ou, por outras palavras, optimismo keynesiano, para que as coisas corram bem. É que estas são o que são e nem sempre o que esperamos delas.
Palpatine
Apagão
O Governo anuncia que tomou certas medidas no Conselho de Ministros de ontem sobre o sector eléctrico. De forma estranha tais medidas não constam do próprio Comunicado do CM.
Quanto às medidas anunciadas, mas ainda não conhecidas nos seus pormenores, a intenção é de cortar até 190 milhões de euros por ano nos CIEG. Que são, recorde-se de 2500 milhões/ano….. é portanto um cortesinho… melhor que nada, mas tanta modéstia é estranha e lamenta-se. Algumas desssas medidas aparentemente são temporárias, outra implicam na verdade aumento de custos sobre os consumidores por resultarem de renogociação de prazos, provocando abaixamento nos custos anuais, mas aumentando custos totais. Também nada é dito sobre o déficite tarifário que este governo, na senda do anterior anda a empurrar para a frente. Que um dia terá de ser pago. Enfim, não parece muito promissor, mas terá que se aguardar por mais informação.
Paulo Campos
«Via do Infante ridicularizada nos jornais estrangeiros»
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e um ano depois este governo foi incapaz de resolver o assunto.
Era uma vez a Grécia
Pelo que percebi, José Luís Arnaut chocou o Sérgio Lavos e o Luis M. Jorge ao dizer que “a Grécia é um país inventado; era uma província do Império Otomano”. Tanto o Sérgio Lavos como o Luis M. Jorge resolveram ilustrar a frase com um retrato inventado de Aristóteles e Platão. A ideia deve ter sido inventar uma herança cultural para os gregos do século XIX. Como outros lhes inventaram uma língua. Até a população foi um bocadinho inventada. Bem, no século XIX inventaram-se e reinventatam-se muitos países. Só damos atenção à Grécia porque os gregos resolveram inventar as contas públicas.
Eles vêm aí
Um louco perigoso, este líder da esquerda radical grega:
«First of all, we will cancel all these austerity measures….»(*)
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«Our first choice is to convince our European partners that, in their own interest, financing must not be stopped,” Mr. Tsipras said in an interview with The Wall Street Journal. “If we can’t convince them—because we don’t have the intention to take unilateral action—but if they proceed with unilateral action on their side, in other words they cut off our funding, then we will be forced to stop paying our creditors, to go to a suspension in payments to our creditors.” (*)
As maravilhas do crescimento e do emprego
Cada lisboeta pagou 500 euros de impostos directos em 2011, mas só recebeu obras camarárias no valor de 80 euros. – Os 420 euros em falta foram consumidos pelas políticas do emprego: A Câmara Municipal da capital conta com cerca de 300 departamentos e divisões e 53 freguesias, (…) e 12 mil trabalhadores» Quanto ao crescimento que justificou tudo isto acabou por fazer crescer o endividamento de tal modo que agora nem há dinheiro para o alcatrão: Lisboa reduziu para menos de metade investimento na reparação de buracos .
uma bela teoria
A esquerda portuguesa tem, sobre o momento verdadeiramente dramático em que vivem os trabalhadores portugueses, uma tese exótica: os empregos, tal como os dinossauros pré-históricos, terão desaparecido, quase até à extinção, por factores politicamente exógenos, isto é, pelos quais ninguém é responsável na política nacional.
A explicação científica para o estranho fenómeno inspirar-se-ia, então, nas modernas teorias da flatulência dinossaurica, que, por sua vez, ajudam a perceber a extinção dessa robusta espécie: os empresários portugueses, pestilentos e intratáveis, ambiciosos e cegamente determinados pela avidez do lucro fácil e rápido, foram a razão da sua própria ruína, ao exalarem os vapores putrefactos da sua cupidez, que levaram ao quase extermínio das suas empresas. Estamos, como é fácil de perceber, em plena teoria marxista do fim do capitalismo pelas suas próprias contradições históricas. Uma bela teoria!
Perante a exactidão de tamanha ciência, de nada vale argumentar com a rigidez do mercado de trabalho, com as absurdas leis proteccionistas do falso emprego, com o socialismo de estado “incentivador” da economia, com a estupidez da elevada tributação em nome de uma redistribuição inexistente, com as políticas públicas para “criar” emprego, com os milhões gastos nos “estímulos” económicos das obras públicas e das ppp’s, etc. A tudo isto, a esquerda portuguesa permanece cega, surda e muda, e prefere continuar a crucificar os poucos empresários e as empresas que mantêm ainda o país e os portugueses de pé, a perceber que o modelo socialista e assistencialista em que apostou nas últimas décadas é a origem e a causa da situação em que todos estamos.
luta de classes
Numa estratégia de afrontamento dos valores mais profundos da democracia proletária, os reaccionários do Minipreço decidiram, em conluío com os fascistas do Pingo Doce, baixar os preços da carne em 50%. Os objectivos dos plutocratas são, assim, cada vez mais claros: ao baixarem os preços da carne para valores ridículos, eles pretendem envenenar lentamente os trabalhadores, enchendo-os de gorduras e de colesterol, tornando-os mais frágeis e susceptíveis a doenças cardíacas e outras, e obtendo, desse modo, uma vantagem preciosa na luta de classes. Aguardemos, agora, as reacções da vanguarda do proletariado a mais esta afronta do grande capital.
Poderá aliviar algum sufoco
Preços do petróleo afundam para mínimos de 5 meses
Esperemos que a tendência se mantenha e se vão renovando mínimos. Os fundamentais da economia global não justificam os preços a estes níveis. Não só pela estabilização – e nalguns países queda – do consumo, mas quiçá pelo aumento que se tem verificado nas reservas de gás natural, um recurso com menores custos de extracção e distribuição e que tem visto aumentar a sua importância enquanto alternativa ao petróleo. Daqui a 3/4 anos, a Galp estará a abastecer o país com gás extraído em Moçambique, onde as reservas já comprovadas são gigantescas.
O crude pode perfeitamente descer para valores entre os 70 e 80 dólares, o que daria algum alívio ao consumidor, mas não tanto ao País. Por paradoxal que pareça, o impacto no nosso comércio externo até poderia ser negativo. Uma estabilização dos preços do crude na casa dos 80 dólares, levaria a baixar a sua factura de importação em cerca de 1.500 milhões / ano. Mas àquele nível, Angola, cujas receitas de exportação dependem em mais de 90% do petróleo, protelaria o pagamento aos seus fornecedores, coisa que já fez no passado. Isto poderá levar a uma queda abissal das nossas exportações para Angola, que este ano poderão atingir os 3.000 milhões, se mantiverem o ritmo registado no 1º trimestre.
Ou seja, a nossa exposição ao mercado angolano começa a ser assaz arriscada e, ironia do destino, susceptível de agravar a nossa balança comercial por efeito de uma descida do crude. Alternativas? China e Índia, dois mercados com uma profundidade ilimitada e situados na zona do globo que mais cresce.
Uma má solução
Ontem, na CI do BPN, Miguel Cadilhe esteve muito bem. Defendeu com vigor e lucidez as suas posições de sempre sobre a reabilitação possível do Banco em vez da nacionalização, disse, sem rebuço, o que pensava da acção de Teixeira dos santos e de Vítor Constâncio e não consentiu o habitual branqueamento em que o actual PS se especializou.
Contudo, grande parte da imprensa preferiu fazer notícia com uma opinião arrancada no final da audição sobre um facto em que Cadilhe não teve participação directa ou indirecta: as condições de reprivatização do BPN – como sabemos, Cadilhe sempre defendeu a integração na CGD e, ontem, voltou a fazê-lo. Acontece que uma solução que, para alguns (não é o meu caso) seria defensável em 2008 dificilmente seria viável em Julho de 2011, após mais de 2 anos de impasses, inércia e uma espessa dose de incompetência de gestão que degradaram inapelavelmente a marca BPN. Como hoje escreveu António Costa, no Díario Económico:
sair do euro?
Durante mais de trinta anos, a construção europeia fez-se a partir de convicções e finalidades liberais, concretamente a de que é sobre o livre-comércio que assentam a civilização, a paz e a prosperidade. Com esses objectivos, os países fundadores das três Comunidades Europeias (CECA, CEE, CEEA) e aqueles que lhes foram posteriormente aderindo procuraram estabelecer progressivamente um mercado comum nos seus países, no qual as pessoas, os capitais e os demais factores de produção pudessem circular livremente e gerassem, desse modo, desenvolvimento, prosperidade e paz. Tratando-se de um processo de integração de soberanias e sendo conhecida a sua tendencial progressividade, aqueles que o iniciaram – Monnet, Adenauer, Schuman, Spaak, Gasperi, entre outros – não ignoravam que esse caminho tinha de ser percorrido sem dirigismos, obtendo o consenso e a adesão dos cidadãos para propósitos comuns, com os quais todos viessem a ganhar algo.
Du pareil au même
Agora que o Malomil entrou em concorrência com o Público na divulgação da felicidade radiosa das novas famílias aproveito para dar conta deste workshop: Como posso engatar ou ser engatado? E ultrapassada essa questão: como ter uma aventura sexual num espaço público sem ser visto? A estas e outras questões promete dar respostas o primeiro workshop sobre engate e sexo em Portugal, esta segunda-feira à noite, em Lisboa, inserido no movimento ‘Primavera Global’. e claro para divulgar a luta dos poliamorosos que valha a verdade são discriminadissimos sobretudos pelos defensores do casamento entre homossexuais. Enfim é todo um mundo de notícias para os activistas-repórteres das nossas redacções e uma nova era que começa para os parques e jardins. Pois certamente que os actuais jardins com três pedras e dois bambus devem ser concebidos por paisagistas que não se revêem na utilização referida neste video para os arbustos e portanto desenham uns jardins tão despojados e impraticáveis que nos livram de qualquer tentação.
um homem perigoso
François Hollande, o novo messias da esquerda que acha que a austeridade é um capricho de políticos suicidas, anunciou as seguintes três vacuidades para o seu mandato presidencial: “trazer justiça para a França”, “contribuir para a paz mundial e para a preservação do planeta” e “abrir uma nova via na Europa”, constituindo esta num “novo pacto que vai ligar a redução necessária das dívidas públicas ao indispensável crescimento das economias”. Quem, no seu perfeito juízo, se atreveria a não concordar com estas quatro maravilhas, prometidas, de uma só assentada, por um único político: justiça, paz, ecologia e prosperidade? Fica somente por esclarecer como se proporá ele realizar tamanha empreitada? A partir do Eliseu, assinando decretos presidenciais que determinem o fim da crise europeia e o regresso da prosperidade? Telefonando aos senhores Samaras, Venizelos e Tsipras, e, com palavras doces e amigas, fazê-los ver a enrascada em que se estão a meter e, por consequência, a meter-nos a todos nós? Pedir ao seu putativo amigo Obama que, de braço dado com Al Gore, o profeta, o venha desinteressadamente ajudar na preservação do planeta e da paz mundial? Combinar com “son ami” Mario a engenharia financeira para despegar da troika? Muito francamente, tantas e tão boas e piedosas intenções vertidas sobre esta iluminada cabeça, só podem fazer de François Hollande um santo, um demagogo, um ingénuo ou um genuíno socialista. Em qualquer dos casos, um homem perigoso para chefiar um país.
Posse e beija-mão
François Hollande tomou hoje posse, com a habitual pompa e circunstância gaulesa, tendo logo recebido a mais alta condecoração do País, decerto como recompensa por feitos futuros. Após a cerimónia, de “requitó” para Berlim ao beija-mão à big boss Ângela, que o respeitinho é muito lindo…
Vaselina…
Economistas surpreendidos com menor quebra do PIB no 1º trimestre
Não fosse a perspectiva de mais borrasca importada – Grécia, Espanha e JP Morgan – e eu apostaria em que o PIB em 2012 não cairia mais de 2,5%. Mérito quase total dos nossos “empresários de vão-de-escada” e de Vítor Gaspar que inverteu efectivamente o sentido da política económica.