Skip to content

Uma crónica usando o template do Fernando Alves

17 Maio, 2017

Um homem aparentando os setentas ou, quem sabe, os oitentas, carregando no ombro um periquito azul, sentara-se no banco de jardim onde Richelieu, em tempos, soltara um sonoro flato, e aí permaneceu por tempo suficiente para despertar a atenção do jovem Marchand, então inexperiente na que se tornaria numa longa carreira com abundante sucesso como jogral. Que teria este homem, tão misterioso, envergando encardido paletó servindo de pousio à exótica ave para que o distraído e ocioso bardo reparasse nele? Seria a baba que abundava pelos cantos da boca, como represas de digestão de uma vida de sabedoria? Seria a rebelde indiferença com que misturava meia azul num tornozelo com a meia branca do outro? Ou seria, porventura, o vigor com que esgalhava hirto pessegueiro em tão avançada idade, antes de comprimidos azuis, que tardariam a aparecer no mercado para salvar tantos anciões da precoce obsolescência na arte do amor, sem que denunciasse pudor e decoro perante púdicos transeuntes? Nunca saberemos. Mathis veio a escrever, uns anos mais tarde, que “é na agitação quotidiana que a tez se enruga de candura”. Na sua crónica de ontem, no Diário de Lomé, Hervé Gnassingbé escreve que Il y a des choses qui échappent et il y a des choses qui sont, como que recordando o homem que, em tempos, se sentou na espuma dos dias em banco partilhado por Richelieu a demolir preconceitos do seu e do nosso tempo.

Advertisements
14 comentários leave one →
  1. Aventino permalink
    17 Maio, 2017 13:59

    Muito bem observado. Já agora; será que o sócrates se vai safar?

    Gostar

    • carlos alberto ilharco permalink
      17 Maio, 2017 17:52

      Claro que se vai safar.
      Pode eventualmente vir a ser condenado, no caso extraordinário de haver julgamento e conseguir ser proferida sentença o que desconfio pois vai haver profusão de incidentes processuais.
      Mas no fim começam os recursos, para apreciar o camião TIR de documentos vão ser anos, acredito que no mínimo de dez anos para cada recurso ou que dará um largo meio século.
      Quando a sentença se tornar efectiva já cá não deve estar nenhum dos condenados.
      Sobre o post nada digo, parece que o tal Fernando Alves trabalha para a TSF.
      Nunca ouço.

      Gostar

      • 17 Maio, 2017 20:57

        E…também importante: porque no final de mandato em 2018, Joana Marques Vidal será substituída. Mau sinal para a investigação.
        Outra, estou convencido que também nesse ano haverá legislativas antecipadas, provocadas por (mais uma) golpada do AC-DC neste ano. O P”S” precisa de maioria na ARepública para decretar, fazer o que lhe convier…também na justiça. Para o MarceloCarmonaThomaz, tudo numa boa sob arco-íris.

        Gostar

  2. piscoiso permalink
    17 Maio, 2017 14:24

    É assim um misto de Bocage, Boris Vian e Gainsbourg, para que alguém tenha uma visão de Sócrates.

    Gostar

  3. FGCosta permalink
    17 Maio, 2017 15:48

    O FAlves é impagável. A fim de tantos “encores” continua convencido que falar redondo sobre uma coisa que nunca chegamos a perceber o que é polvilhando aqui e acolá (estou a ficar contagiado) com umas citações eruditas e umas lamentações melancólicas, é o passaporte para o génio literário. Para já, não é mau: tem o dinheirito da crónica diária sobre não se sabe o quê.
    Template perfeito. Parabéns.

    Gostar

  4. 17 Maio, 2017 16:18

    Optimo post.

    Não sei quem é FAlves, o que faz. Nem me interessa.
    Sobre Sócrates, o caso Sócrates,José, há quem queira dar-nos música com o genial Vian, o excelente Gainsbourg e poesia doutro génio, o Bocage –que desancaria num Sócrates da sua época–, mas “acho” mais semelhantes ao “menino de ouro do P’S'” por exemplo o Lula da Silva e o Bettino Craxi.

    Gostar

  5. Baptista da Silva permalink
    17 Maio, 2017 17:03

    Imaginei o FAlves a declamar essa treta na TSF, logo pela manhã. Muito me divertí.

    Gostar

  6. 17 Maio, 2017 18:26

    Excelente!

    Gostar

  7. Arlindo da Costa permalink
    17 Maio, 2017 18:47

    Sócrates é motivo de inspiração para todos os quadrantes. Incluindo o da Literatura.
    No tempo de Esopo, o nosso antigo-PM teria direito a uma fábula.

    Gostar

    • 17 Maio, 2017 20:16

      O quê ?, mais um livro que seria comprado aos milhares pelo amigo, por lobbys, por maçons, pelo P”S” e pelas câmaras “socialistas” para “dar um ar” de “besta-selere” no top de vendas, assim enganando totós ?

      Gostar

    • Euro2cent permalink
      17 Maio, 2017 23:00

      Ou até um Seneca para o aboborar …

      https://en.wikipedia.org/wiki/Apocolocyntosis

      Gostar

    • licas permalink
      19 Maio, 2017 20:50

      Com que então “Fábula” ?
      Já passou o tempo em que os animais falavam
      Ficou um para exenplo: O que se auto-designa
      Arlindo da Costa. . .

      Gostar

  8. 17 Maio, 2017 20:49

    VCunha,

    na mouche !

    Gostar

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: