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A incidentologia

25 Fevereiro, 2015

Com o PS a recusar detalhar as suas propostas eleitorais os estrategas da campanha socialista vão optar pela criação de incidentes. O ensaio foi a reacção as ida de Maria Luís à Alemanha. A comunicação social reagiu como se esperava: de repente era como se Portugal não tivesse sequer relações diplomáticas com a Alemanha e Maria Luís tivesse num ímpeto inexplicável viajado, por iniciativa própria, para uma qualquer Coreia do Norte.
Até ao fim da campanha vai ser sempre assim. Usaram e abusaram da técnica nos tempos de Sócrates e agora acreditam que vai ter sucesso.

Se non è vero, è ben trovato

25 Fevereiro, 2015

Quem é o autor do plano Varoufakis? Segundo o jornalista da BBC Yannis Koutsomitis o autor é um funcionário que representa a Comissão Europeia na troika.

Costa já capitulou perante a Alemanha.

24 Fevereiro, 2015

António Costa diz que a estratégia nacional não pode ignorar negociações na Europa

Numa referência à Grécia, António Costa afirmou que “numa união a 28 não é possível prometer um resultado que depende de negociações com várias instituições, múltiplos governos, de orientações diversas”.

O Syriza que faça o trabalho sujo, que ande a tentar mudar a Europa, que cá o Costa já interiorizou que quem manda é a Alemanha.

Há um mês Costa dizia: “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha”

O melhor do melhor

24 Fevereiro, 2015

Um carro alemão:

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Estética alemã:

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Mulher alemã:

CLAUDIA SCHIFFER

Governo mais alemão que o alemão:

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Apelo sincero à família Soares

24 Fevereiro, 2015

Todos nós temos – ou tivemos, nos casos em que, infelizmente, já nos faleceram – um ou outro familiar que hesitamos em convidar para o casamento de um filho; ora porque baixa as calças durante um discurso sobre a hermenêutica do presunto, ora porque tenta beijar a noiva enquanto coça a virilha pelo bolso e menciona os perigos de um surto de patite B, ora porque bebe demais e se torna agressivo para com desconhecidos na casa funerária, ora ainda porque escreve artigos de opinião no DN com os pés e, eventualmente, sobre os próprios pés. No caso do doutor Soares, seria útil que prescindissem das suas opiniões no DN: não tanto por ele as ter e sim por nós não conseguirmos deixar de olhar para elas, como se olha para um acidentado numa estrada, tentando juntar as peças do puzzle que compõem o corpo do motoqueiro ou, voltando ao caso do doutor Soares, os fragmentos da coerência perdida no ido baú da sanidade.

Esta semana, doutor Soares presenteou-nos com algumas frases memoráveis (no sentido do tio que baixa as calças durante o discurso no casamento) que julgo servirem de prova da total incúria familiar ao permitir que sejam publicadas, como se o doutor Soares fosse um mero professor doutor Adão e Silva. Eis uma pequena selecção:

  • …o contraste do imenso calor com o enorme frio faz que, por um lado, haja desmedidas secas e, por outro, enormes frios,…
  • Os seres humanos têm morrido de múltiplas maneiras…
  • O Parlamento é dominado pela coligação que tem a maioria, é certo.
  • A grande maioria dos portugueses foi obrigada a emigrar…
  • A diferença entre o período pós–25 de Abril de 1974 e o do atual governo é abissal [é verdade, mas para melhor]
  • Em matéria de saúde dos portugueses e sobretudo das crianças tudo vai mal.
  • O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, que eu tanto estimo e admiro, e o seu ministro das Finanças, Varoufakis, têm-se mostrado grandes lutadores.
  • [Tsipras e Varoufakis] …têm conseguido impor-se a vários países, infelizmente com exceção[sic] de Portugal,…
  • A subserviência do governo português relativamente à senhora Merkel e ao senhor Schäuble, hoje tão desacreditados…

(link para artigo completo no DN)

Isto é triste. Parem com este carnaval, que em nada dignifica o grande Eusébio e que se arrisca, num futuro muito longíquo, a ter que partilhar cripta com alguém que será lembrado como o tio altamente inconveniente que baixa as calças nos casamentos.

Um dia bonito

24 Fevereiro, 2015

O governo grego vai finalmente dedicar-se a governar a Grécia.

Acabada a tournée

23 Fevereiro, 2015

há que regressar a casa.  E aí sem o apoio dos fans fica tudo mais complicado: Grécia diz que só amanhã irá entregar carta a Bruxelas.
Por cá o clube de fans do Syriza está a pensar culpar quem por este escolho no caminho que havia de ser radioso do Syriza?

Balança comercial vista pelo Observador

23 Fevereiro, 2015

9-2-2015: Défice comercial agrava-se, três anos depois

O resultado foi este: o saldo da balança comercial piorou 925,8 milhões de euros, registando um défice de 10,6 mil milhões de euros no ano passado.

23-2-2015: Saldo da economia portuguesa ainda é positivo mas está a cair

Considerando os serviços, cujo comportamento é positivo, o saldo da balança comercial atingiu os dois mil milhões de euros [positivos].

Nota: 2014 foi o 3º ano consecutivo em que a balança comercial (bens + serviços) foi positiva. Os anos de 2012, 2013 e 2014 foram os únicos de balança comercial positiva desde os anos 40. A 1ª notícia do Observador diz-nos que há défice comercial. A 2ª diz-nos que afinal há superavit, mas que isso não interessa, o que interessa é que o superavit está a descer. E o Observador é possivelmente o jornal mais à direita em Portugal.

Alguém consegue avisar as redacções deste país

23 Fevereiro, 2015

que:

a) O Syriza ganhou as eleiçoes na Grécia, não em Portugal nem em Espanha nem em França..

b) o dever do governo de cada país é defender os interesses do seu país não os interesses do Syriza

c) O facto de o PS português se ter solidarizado com o Syriza esquecendo o PASOK e as críticas deste ao Syriza não faz da protecção ao Syriza um desígnio nacional.

2014, ano de excedente comercial

23 Fevereiro, 2015

Na semana passada havia órgão de comunicação social que diziam que Portugal tinha tido défice comercial em 2014. Tais dados referiam-se apenas ao bens, em que Portugal sempre foi bastante deficitário. Os dados globais, que incluem bens e serviços, mostram que Portugal em 2014 teve excedente comercial. Isto acontece pelo 3º ano consecutivo. Para alem disso, Portugal teve excedente na balança corrente e de capital, o que implica que não teve que se endividar no exterior em termos líquidos (e globais para toda a economia, pública e privada). Foi portanto o 1º ano desde pelo menos o 25 de Abril de 1974 em que a economia portuguesa cresceu sem se endividar.

Oscar para filme europeu

23 Fevereiro, 2015
Maiores sucessos cinematográficos da década: Polónia versus Portugal.

Maiores sucessos cinematográficos da década: Polónia versus Portugal.

Ontem, em Los Angeles, um filme oriundo da Polónia (população 38 milhões, PIB per capita $15,500), “Ida”, recebeu o Oscar na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. O filme custou 2 milhões de euros e rendeu $10,7 milhões.

O filme com produção portuguesa (população 10,5 milhões, PIB per capita $27,200) mais visto na década, “A Gaiola Dourada”, custou 7 milhões de euros e, em Portugal, rendeu 3,9 milhões de euros.

Portugal (PIB per capita $27,200) tem a mania de se comparar com a Alemanha (PIB per capita $47,200). No cinema, podia começar por se comparar com a Polónia, país mais pobre e com uma lista bem mais impressionante de sucessos de bilheteira que aliam o factor comercial ao artístico. Depois talvez se pudesse ir por aí fora e comparar outras coisas.

Adenda: não vale a pena tentarem ler no texto referências a erário público, seja português, seja francês, seja polaco. É que não está lá escrito. Não está, eu verifiquei.

Tenho uma dúvida

23 Fevereiro, 2015
quando se escreve que a mulher ficou sujeita a pulseira eletrónica. está a querer dizer-se que a criatura ficou em casa com o outro filho a cargo?

O fascínio e a submissão perante o estilo Varoufakis

23 Fevereiro, 2015

que anima muita cabecinha neste país não deixa de ser constrangedora: Marcelo: Portas é um “mini-Varoufakis” e Passos devia aprender com ele

Tenho a certeza que tal como disse isto na TVI amanhã o mesmo Marcelo pode fazer uma palestra de horas sobre os riscos do estilo Varoufakis. É assim o nosso  professor Marcelo.

o ópio dos intelectuais

22 Fevereiro, 2015
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Ludwig_von_Mises 2O único texto de Ludwig von Mises traduzido e publicado em Portugal foi o seu célebre artigo de 1926 Interventionismus, publicado em Coimbra, no ano de 1944, com tradução e prefácio do Professor José Joaquim Teixeira Ribeiro, já então professor catedrático de Ciências Jurídico-Económicas da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

No prefácio da edição portuguesa, Teixeira Ribeiro, que contactara Mises para obter a necessária autorização para a publicação do artigo («queremos agradecer a boa vontade com que prontamente acedeu a dar-nos a dar-nos a honra desta tradução»), escreveu algumas coisas merecedoras de referência:

«Este artigo foi publicado pela primeira vez em 1926 (…) e nêle se condensa a crítica mais séria que, do lado liberal, até hoje se moveu à intervenção na vida económica. (…)

Assim: vão corridos 18 anos, entretanto inúmeras políticas económicas se tentaram, poucas com relativo êxito, quasi todas com nítido fracasso – e o Intervencionismus mantém em muitas das suas páginas uma actualidade impressionante: ainda agora, quem quiser defender a intervenção de qualquer Govêrno ou de quaisquer organismos oficiais na economia, há-de afastar primeiro, e um a um, os argumentos de von Mises, ou sujeitar-se – caso contrário – às consequências por êle lucidamente entrevistas (…)».

Vale a pena lembrar que, em 1944, quando Teixeira Ribeiro escreve estas sábias palavras, já o mundo conhecera a aplicação prática de muitas doutrinas políticas e económicas, cujas «políticas económicas» Teixeira Ribeiro considerava de «nítido fracasso» ou de «êxito relativo», como o socialismo bolchevista russo (com o qual, de resto, se inicia o artigo de Mises), o New Deal, o Corporativismo fascista italiano, o Nacional-Socialismo, etc..

O que é mais interessante constatar é que o mesmo Teixeira Ribeiro que escreveu estas tão elogiosas palavras para com as ideias de Mises foi, trinta anos depois, vice-primeiro ministro do V Governo-Provisório, governo de extrema-esquerda chefiado por Vasco Gonçalves. Dá que pensar, não dá?

antecipação noticiosa

22 Fevereiro, 2015
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“Antes que seja tarde, vamos reagir”, apela o deputado eleito pelo Partido Socialista.

O deputado Manuel Alegre, um símbolo da resistência anti-fascista em Portugal e do próprio Partido Socialista, partido do primeiro-ministro António Costa, fez duras críticas ao acordo assinado na sexta-feira em Bruxelas pelo governante: “Peço desculpa ao povo português porque participou na ilusão”, disse o político num artigo de opinião publicado no Expresso.

Alegre diz que o acordo não altera a situação anterior, apenas muda os nomes. “A mudança do nome da ‘austeridade’ para ‘poupança’, de ‘cortes’ para ‘reduções e de ‘aumento de impostos’ para ‘justiça social distributiva’ não altera nada a realidade anterior”, assinalou.

O deputado fala de “ilusões” e diz que agora cabe aos simpatizantes e militante do partido manifestarem-se para mostrar se aceitam ou não o acordo. “Antes que seja tarde, vamos reagir”, apela o deputado eleito pelo PS.

Fontes do governo português já reagiram às críticas afirmando que Alegre “não faz ideia das duras negociações” com os parceiros europeus.

Pequeno dicionário do nosso tempo mediático

22 Fevereiro, 2015

 A crise humanitária. O que distingue a Grécia da Venezuela? A crise humanitária. Ou seja, a Grécia vive, no dizer de muitos jornalistas portugueses, uma crise humanitária. Já a Venezuela, com as prateleiras vazias, presos políticos e uma criminalidade elevadíssima, que por sinal afecta e muito a comunidade portuguesa, vai vivendo com algumas dificuldades, nas quais se inclui aquela coisa mais ou menos folclórica de não terem papel higiénico e o facto de os preservativos custarem uma pequena fortuna. Também temos A austeridade sem esquecer A sensibilidade social mais A fome e As desigualdades. Tudo expressões que não querem dizer propriamente o que parece.

E já agora mais explicações do PS sobre as implicações da sua posição sobre a Grécia?

22 Fevereiro, 2015

Grécia: PS quer mais explicações de Maria Luís Albuquerque

E o governo mais apreciado pelos portugueses é …

22 Fevereiro, 2015

Resultados alcançados pelo Governo português nas negociações no eurogrupo:

1. Reestruturação da dívida ao FMI

2. Clara demarcação da Grécia perante parceiros europeus e mercados

3. taxas de juro a 10 anos de 2,3%

Resultados alcançados pelo governo grego no eurogrupo:

1. Fuga de depósitos dos bancos gregos

2. Corte de rating pela Standard & Poor’s

3. Corte de rating dos bancos gregos pela Moody’s

4. Juros a 10 anos acima de 10% e os juros a 3 anos na casa dos 18%-20%. Cotação da Grécia no mercado de dívida retrocedeu para níveis de 2013.

5. Desconfiança por parte de parceiros e mercado

6. Derrota em toda a linha nas negociações (zero objectivos atingidos)

7. BCE deixou de aceitar dívida grega como colateral

Governo mais apreciado pelos portugueses:

Portugueses apreciam mais o governo grego que o seu próprio

Grécia, equilíbrios macro e qualidade dos equilíbrios micro

21 Fevereiro, 2015

Se bem percebo, neste post, o Pedro Romano diz que existe um ponto de equilíbrio macroeconómico na Grécia de PIB/consumo maiores, sem desequilíbrio da balança externa nem endividamento público adicionais (mas desendividamento mais lento), que pode ser atingido por redução das metas de superavit orçamental.

Sobre o post, deixo aqui alguns comentários:

1. Caso exista um ponto de equilíbrio a PIB/consumo maiores, é necessário explicar porque é que o mercado não o atinge. O que impede a economia privada grega de se financiar para aumentar o PIB por essa via? Se é uma via sem risco, o financiamento para o consumo deveria aparecer. Ou, pelo menos, o actual equilíbrio PIB/consumo é instável e basta um pequeno crescimento do consumo para isso induzir uma espiral de crescimento. Ou um pequeno acréscimo de crédito será suficiente. Porque é que isso não está a acontecer?

2. Supondo que é possível induzir por decisão política um equilíbrio macro de PIB/consumo mais elevado, o que garante que essa indução não vai canibalizar o crescimento normal da economia por um mecanismo como o descrito no ponto 1? Note-se que superavits menores tornam mais incerto o regresso da Grécia aos mercados e aumentam o risco de financiamento da economia privada grega.

3. O fulcro do problema parece ser o seguinte: a economia grega precisa de crédito adicional (ou de menos desendividamento, o  que vai dar ao mesmo) para chegar a um ponto de equilíbrio de PIB/consumo maiores. No entanto, o mercado não está a fornecer esse crédito e o que se propõe é que sejam os contribuintes europeus a dar crédito, não aos empreendedores gregos, mas ao governo grego.

4. Os raciocínio macroeconómicos têm que ser compatíveis com os raciocínios microeconómicos. Falta explicar qual seria o mecanismo microeconómico que geraria o novo equilíbrio macro. Vamos supor que o governo grego passa a ter um superavit menor, em cerca de 2MM. Qual é o mecanismo micro que garante que o dinheiro em excesso na economia privada será dirigido à procura interna fazendo aumentar o PIB grego? O que impede o grego com mais dinheiro no bolso de comprar mais bens importados? Ou o que impede o grego de liquidar dívidas ou de colocar o dinheiro na Suíça? Interessaria perceber como é que este acréscimo de dinheiro na economia seria distribuído. Parece claro que os destinatários deste dinheiro seriam definidos com base nas opções políticas do governo grego e não por critérios de racionalidade económica. Parece também claro que, caso se acredite na tese do equilíbrio macro superior, faria mais sentido o dinheiro ser distribuído não pelo governo grego usando critérios políticos, mas por um fundo de desenvolvimento usando critérios económicos. Note-se que a qualidade da despesa destas duas opções seria muito distinta com impactos muito diferentes na balança comercial.

5. Note-se que o governo grego tem à sua disposição um mecanismo para financiar crescimento, caso exista o tal equilíbrio macro superior: as privatizações. Podem começar por aí.

6. Existem diferentes equilíbrios micro a que correspondem o mesmo equilíbrio macro de PIB/consumo mais elevados. A forma como o equilíbrio macro é atingido não é indiferente para o arranjo micro a que se chega. E diferentes equilíbrios micro, embora possam representar o mesmo PIB, têm diferentes sustentabilidades de longo prazo. Um equilíbrio atingido pelo crescimento natural da economia tem uma qualidade e sustentabilidade, um atingido por indução da despesa pública tem outra qualidade e sustentabilidade. Tenho ideia que os problemas começaram porque se tentou criar equilíbrios artificiais induzidos pela despesa pública.

7. As taxas de juro da Grécia a 10 anos estão a 10%. O mercado, cheio de especuladores e oportunistas, sempre prontos a descobrir bons negócios, não acredita que existe um ponto de equilíbrio para a economia grega a um PIB maior que possa ser atingido com um razoável nível de probabilidade. Se o mercado não acredita, é porque se calhar a tese é muito especulativa. Depende não apenas da vontade política de o fazer mas também da existência e probabilidade do novo equilíbrio macro. A especulação do Pedro Romano de que um equilíbrio macro melhor existe parece só ser atraente para o dinheiro público, ou seja, para quem aposta o dinheiro dos outros.

Os dirigentes socialistas reunidos na cimeira de Madrid

21 Fevereiro, 2015

já fizeram um comunicado a denunciar a fractura social a que conduziu o austericídio?PHOc4f28f5c-b9e4-11e4-806e-78954800f569-805x453

Imagem de hoje. França.

All’s Well That Ends Well

21 Fevereiro, 2015

Tudo está bem quando termina bem.

Os gregos obtiveram uma grande vitória, conseguindo que toda a gente perca mais tempo a designar a troika de forma genérica com “as instituições” – validando o grito de ordem “eu nunca os distingui, troika fora daqui”; também conseguiram garantir que serão ouvidos pela troika por “as instituições” no dia em que tentarem pedir uma revisão da meta acordada, como quando Vitor Gaspar o fez, com sucesso, apesar do tom menos espalhafatoso nas tertúlias televisivas entre progressistas ou, provalmente, com sucesso por isso mesmo, isto apesar dos protestos de João Galamba (PS) que considerou que tal seria apenas “alongar o martírio”. Outra coisa que os gregos conseguiram foi garantir que a troika “as instituições” guardam o fundo de recapitalização da banca grega, não vá o Tsipras entrar numa loja de guloseimas. Em acréscimo, conseguiram voltar a Dezembro de 2014 mas com perspectiva de austeridade por mais tempo e uma enorme desconfiança da parte dos parceiros, o que permite ao eleitor grego uma janela temporal alargada para analisar o significado da expressão “crise humanitária”.

Os restantes países, por sua vez, conseguiram fingir que havia uma negociação séria em curso e conseguiram tratar o ministro Varoufakis com a bonomia com que se trata a criança que não se cala com o presente que o Pai Natal trouxe.

Toda a gente está feliz. Devíamos fazer isto mais vezes.

Grande vitória de Tsipras!

20 Fevereiro, 2015

Pode manter as medidas do governo anterior ou escolher a sua própria austeridade.

Chegou a cavalaria

20 Fevereiro, 2015

No que depender de nós, a Grécia nunca mais estará sozinha numa reunião do Eurogrupo. E vamos consegui-lo já no futuro próximo. Caros concidadãos gregos: aguentem firmes, que vêm reforços a caminho.

Sei que não é muito popular escrever isto

20 Fevereiro, 2015

A última vez que os dirigentes europeus forçaram um dirigente grego a recuar foi em 2011 quando levaram Papandreou a desistir do referendo. Que era jogada do Papandreou, populismo etc.. tudo serviu para que o referendo não seguisse em frente. Resultado? Em 2014 boa parte dos gregos e dos jornalistas europeus continuam a apresentar a Grécia como uma vítima e a achar que algures na Alemanha se esconde um Alves dos Reis que se recusa a imprimir dinheiro para dar aos pobrezinhos.

E nunca teremos romance?

20 Fevereiro, 2015

A propósito da saloice de Cavaco explicada por Clara Ferreira Alves alguém sabe onde se pode encontrar o muito cosmopolita romance de Clara Ferreira Alves E Nunca Teremos Paris? No dizer do PÚBLICO em 2006 o romance já estava há muito anunciado. Ou será que nunca teremos romance? Até podia ser saloio mas sempre havia algo para ler.

Assim não vale!

19 Fevereiro, 2015

Os discursos na primeira pessoa só são válidos para confirmar as teses e opiniões de que a esquerda gosta. Se os protagonistas chegam a outras conclusões logo tratam de o meter na ordem:  figura que escreveu sobre História, nas publicações do Pingo Doce ou pretinho salazarista foram alguns dos mimos com que brindaram Gabriel Mithá Ribeiro.

É só um jeitinho

19 Fevereiro, 2015

Diz Francisco Seixas da Costa:

Nunca mais me esquecerei das palavras espontâneas que ouvimos de Juncker, logo que António Guterres acabou de lhe expor o nosso problema: “António, podes contar comigo a 100%. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para beneficiar Portugal”. E fê-lo, a partir daí, de forma exemplar, passando a defender-nos em todos os contextos possíveis. Não houve Conselho europeu em que Juncker não tivesse estado abertamente ao nosso lado, movimentando-se, além disso, junto de outros parceiros para fazer valer os argumentos portugueses.

Pessoalmente acho lamentável que, numa união, alguém faça o que estiver ao seu alcance para beneficiar quem quer que seja. Presumo que seja um problema meu e, portanto, uma característica desejável no socialismo do favorzinho.

Apostas a feijões

19 Fevereiro, 2015

Como não há eleitores de primeira e de segunda

19 Fevereiro, 2015

Presume-se que a UE passará a dedicar a cada país o mesmo tempo que à Grécia sempre que tiverem lugar as respectivas eleições legislativas. Ou vão dizer que para esse tratamento de favor tal é necessário ganhar a esquerda radical?

Ps. A propósito que silêncio vai na pátria sobre o que sucede em França. Nem um forunzinho, nem um debate…

Ao pé deste homem a Catarina Martins é um ás da política!

19 Fevereiro, 2015

 À esquerda e à direita, os deputados perguntaram pelas propostas do PS, mas Alberto Costa disse não querer “perturbar a avaliação” dos eleitores e remeteu a apresentação de ideias para mais tarde.

Charlienismo selectivo

18 Fevereiro, 2015

Deve falar-se de pobreza não a tendo vivido? E tendo vivido e superado, pode-se referir tal coisa num artigo, como relato?

Ou, de outra forma, deve falar-se de aborto não o tendo realizado? Pode referir-se a experiência de abortar quando tal era ilegal com intenção de consciencializar para a necessidade da legalização?

Ou, de outra forma, deve falar-se de adopção gay não a tendo vivido em criança? Pode referir-se a experiência de se ter crescido em lar com casal do mesmo sexo com a intenção de consciencializar para a necessidade da legalização?

Pode substituir-se “deve” por “pode” nos parágrafos anteriores? Qual das três situações é Charlie? A esquerda Jimmy Choo parece ter ideias bem definidas do que se pode e do que se deve. A minha conclusão é que a pobreza só é fracturante nos moldes que os profissionais da fractura definirem.

Ideias de António Costa para o país

18 Fevereiro, 2015

Actualmente é possível obter um visto gold em Portugal investindo 500 mil euros. O investidor recebe o visto e usufrui do seu investimento. Se comprar uma casa pode usufruir dessa casa ou do rendimento dessa casa. Se abrir um negócio pode gerir esse negócio e usufruir dos rendimentos desse negócio. António Costa propõe-se atrair investidores com os vistos gold para que o investimento reverta para um fundo a gerir pelo IAPMEI. O fundo seria usado para recapitalizar empresas endividadas. Portanto, em troca de um visto gold o investidor estrangeiro terá o privilégio de ver o seu dinheiro gerido por um fundo que investe em empresas endividadas. Não é claro se o investidor estrangeiro poderá alguma vez reaver o dinheiro nem em que condições.

Os criadores de mercados de arrendamento-eleitoral

18 Fevereiro, 2015
A empresa que gere os bairros municipais de Lisboa (Gebalis) acumulou até 2010 18,3 milhões de euros de rendas por pagar, segundo dados recolhidos pelo pelouro da Habitação.
No final de Abril de 2010 mais de 10 mil famílias deviam rendas à Gebalis, que gere um total de 23.399 fogos.
Quase metade dos moradores dos bairros municipais de Lisboa têm rendas em atraso e um em cada quatro tem atrasos de meio ano nos pagamentos,

A autarquia gasta por ano 75 milhões de euros para suportar a diferença entre a renda social e a renda técnica das 23 mil casas municipais
No Bairro Eduardo Bairrada (Ajuda), quase metade (47,7%) das famílias tem rendas em atraso.As pessoas que moram nos bairros municipais de Lisboa pagam, em média, 86,12 euros de renda por mês.

Um inquérito recente realizado pela Gebalis revelou que a esmagadora maioria dessas pessoas não tem intenção de mudar de casa – e as que têm (10,7%) só admitem a hipótese de se mudar para outro bairro social.

Os criadores de mercados

18 Fevereiro, 2015

Os socialistas apresentam mais uma medida no debate da tarde: que até 10% das aplicações do Fundo de Estabilização da Segurança Social sirva para comprar casas devolutas ou de famílias em risco de insolvência. O deputado socialista Pedro Nuno Santos defendeu a “diversificação das aplicações do Fundo de Estabilização da Segurança Social, mobilizando uma parte – não superior a 10% – para a aquisição e reabilitação de fogos devolutos e de fogos de famílias em risco de insolvência que serviriam para criar um mercado de renda acessível”.

a) O FEFSS tem uma exposição à dívida pública portuguesa de 90 por cento. Segundo as projecções inscritas no Orçamento do Estado para 2013, o governo que estiver em funções no ano de 2020 já terá de recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) para conseguir assegurar o pagamento das pensões.
Com um investimento desta natureza o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) tornar-se-ia numa espécie empresa pública de gestão de casas sociais. Que nunca serão rentáveis – logo ou o fundo assume perdas ou o dinheiro vem de imposto ou das contribuições dos trabalhadores e seus patrões. Portanto quem paga?

b) Compradas pelo FEFSS as casas das famílias em risco de insolvência que tipo de contrato faria o Fundo de Estabilização da Segurança Social com essas famílias? Está previsto que mediante um contrato de compra/venda deixem as casas quando deixarem de estar em risco de insolvência ou parte-se do princípio que serão insolventes toda a vida?

um outro olhar

18 Fevereiro, 2015
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António Costa apresentou, hoje, umas propostas para tentar suavizar o pagamento do IRC das empresas. O governo reagiu-lhes negativamente.

Este é o mesmo António Costa que há precisamente dezasseis dias recusava a proposta do mesmo governo de baixar o mesmíssimo IRC, alegando que o governo demonstrava ter uma visão «isolada e parcelar sobre o sistema fiscal», em vez de um «olhar global e de conjunto», que seria o seu. Está visto que sim.

mais uma vitória da revolução grega

18 Fevereiro, 2015
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Esta: afinal, não vai haver aumento do salário mínimo para € 750,00 na Grécia. Trata-se de uma excelente notícia para os trabalhadores gregos, que assim evitam o alto risco de despedimentos em massa e que vão poder continuar a ser contratados pelos salários de mercado, os que algumas empresas podem pagar e que eles estão dispostos a aceitar. Não sei se isto se enquadra, ou não, na economia varoufakiseana, mas parece-me que o seu mentor, o ministro das finanças Yanis Varoufakis, tem aprendido mais de economia nas últimas três semanas do que nos últimos vinte anos de vida: nada como ter que pagar contas ao fim do mês, para perceber o que ela custa…

 

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Interesse de Portugal

18 Fevereiro, 2015

Qual é o interesse de Portugal no contexto em que a Grécia pede mais dinheiro ao mesmo tempo que anuncia que pretende reverter todas as reformas feitas até ao momento?

É do interesse de Portugal ser visto por parceiros e investidores como uma anti-grécia: um país que cumpre as suas obrigações financeiras, que mantém as reformas feitas, que não está à espera de benesses. É também do interesse de Portugal aproveitar os juros baixos para reestruturar a dívida no mercado, trocando empréstimos a taxas elevadas por empréstimos a taxas mais baixas. É do interesse de Portugal ter margem política para poder exigir aos seus parceiros concessões porque cumpriu as suas obrigações.

devem os deputados exercer os seus cargos em exclusividade?

18 Fevereiro, 2015
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É o tema em debate, hoje, no Fórum TSF. Apenas uma achega, sobretudo remetida aos puristas da transparência política: impeçam os senhores deputados de ganhar uns dinheiros cá por fora e verão o que a maioria deles fará com o poder e a influência que o cargo lhes confere.

Syriza e as reformas estruturais na Grécia

18 Fevereiro, 2015

Quando se elogia as reformas e a consolidação orçamental grega convém ter em conta as propostas do Syriza:

1. Aumento do salário mínimo para 751€

2. Eliminação do salário mínimo reduzido para jovens (desemprego jovem é de mais de 50%)

3. Eliminação do imposto sobre propriedade (2 mil milhões de euros)

4. Reposição da contratação colectiva

5. Reabertura da TV pública

6. Recontratação de funcionários públicos despedidos

7. Reposição do 13º mês para reformados

8. Congelamento das privatizações.

É difícil levar a sério a ideia de que a Grécia foi muito reformista, e por isso devemos ser muito tolerantes com a Grécia, quando o novo governo pretende reverter as principais reformas feitas ou prometidas em anteriores acordos.

Os gregos que ajudem a Grécia

18 Fevereiro, 2015

O PIB per capita da Grécia é aproximadamente igual ao PIB de Portugal. Quanto a mim, esta é razão suficiente para Portugal não ajudar a Grécia. A Grécia tem os mesmos recursos per capita de Portugal e se nós nos sabemos organizar com esse dinheiro os gregos também têm que se saber organizar. O Pedro Romano defende que o que conta não é o PIB per capita mas o sentimento de perda que os gregos têm por terem perdido rendimento per capita. Devo dizer que esse argumento não me impressiona. Não estou disposto a ajudar os gregos só porque eles agora ganham o mesmo que eu e se sentem mal porque em tempos ganharam mais do que eu. Não me convence a mim nem deverá convencer ninguém. Se não acreditam façam um peditório para ajudar a Grécia com base neste argumento. Vamos ver quem contribui.

O Pedro Romano alega ainda que o desemprego na Grécia é elevado e que as perdas para os desempregados foram colossais. É bem verdade. Mas isso também quer dizer que, dado que o PIB per capita é igual ao português, quem tem emprego na Grécia ainda tem um rendimento superior a quem tem emprego em Portugal. Quer-me parecer que quem deve ajudar os desempregados gregos são, em primeiro lugar, os empregados gregos. Socialismo funciona melhor se cada um pagar o seu socialismo, Aliás, não vejo por que motivo haveríamos de ser sensíveis ao desemprego na Grécia quando o programa do Syriza, votado pelos gregos, prevê o aumento do salário mínimo e o reforço das regras da contratação colectiva, medidas que só podem criar desemprego.

O que nos leva a outro ponto do Pedro Romano: a Grécia terá feito reformas significativas. Dando de barato que as tenha feito, todo o programa do Syriza consiste em reverter essas reformas. Ou seja, por muito boa vontade que a Europa tenha em ajudar a Grécia, é impossível fazê-lo se os gregos não querem ajudar-se a si próprios.