3 anos de Troika
Os Governos Civis
Uma das primeiras medidas do governo foi a extinção dos Governos Civis. Os governos civis serviam apenas para que os governos eleitos colocassem 18 militantes do partido em lugares bem remunerados e inúteis. E no entanto, apesar da bancarrota, a medida foi contestada. O PCP tratou de defender que nenhum funcionário poderia ser despedido . O serviço é inútil, mas o Estado tem que continuar a pagar aos funcionários. Para os autarcas, a extinção dos governos civis fez com que Lisboa ficasse mais longe. Citações como “Há um vazio de poder na região [desde que extinguiram os governo civis]” são deliciosas. Como não podia deixar de ser, a extinção dos governos civis foi inconstitucional. E também foi uma grande causa de desorganização no combate aos incêndios. Rui Pereira, ex-ministro do PS considerou a decisão precipitada, um erro. António Galamba, governador civil de Lisboa, demitiu-se quando a extinção foi anunciada, em nome da defesa dos bombeiros, das forças de segurança e dos cidadão. O último Governador Civil do distrito de Bragança considerou a extinção “uma decisão tão errada que, quem a tomou, já deve estar arrependido”. O ex-secretário de Estado da Protecção Civil, José Miguel Medeiros, chamou-lhe “imprudência grave”.
“Há um vazio de poder na região”
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/extincao-dos-governos-civis-lisboa-ficou-mais-longe
“Há um vazio de poder na região”
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/extincao-dos-governos-civis-lisboa-ficou-mais-longe
“Há um vazio de poder na região”
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/extincao-dos-governos-civis-lisboa-ficou-mais-lo
Entretanto, o lastro dos governos civis ainda não foi completamente digerido. Estado não conseguiu realocar os edifícios a outras actividades ou vendê-los pela melhor oferta. Continuam a existir umas assembleias distritais completamente inúteis, algumas sem dinheiro para pagar salários.
Bazuca Rui
Rui Tavares, indivíduo que saiu de um partido para formar outro, diz que “direcções partidárias fracturaram a esquerda”. Estando disposto a “ir a jogo” com partidos de esquerda como o PS, PCP e BE (porquê discriminar os outros partidos de esquerda?), admite que “ainda não entrou na cabeça” de dirigentes que entendimentos “implicam muito esforço”, o mesmo tipo de esforço que Rui Tavares não foi capaz de ter quando se chateou com o partido que lhe proporcionou visibilidade suficiente para agora ser entrevistado em candida auto-crítica.
É como o tipo que entra num banco de bazuca e dispara indiscriminadamente: “Vocês obrigaram-me a isto. Porque não podem simplesmente fazer o que vos digo, dando-me o dinheiro?”
Duh!
já nem a idade respeitam
Os mercados criminosos continuam a sua nefasta acção contra Portugal. Desta vez, deve ser mesmo só para chatear o Dr. Mário Soares e o PS.
Se o ridículo matasse…
O Bloco foi queixar-se à Comissão Nacional de Eleição sobre a realização, em Sintra, de uma conferência do Banco Central Europeu por «a lei eleitoral ser bem clara ao estipular que é proibido no dia das eleições qualquer tipo de propaganda que influencie, direta ou indiretamente, o sentido de voto dos cidadãos». Quando soube do movimento do Bloco, o PS veio logo correr dizer que só não apresentava também queixa na CNE porque o Bloco já o tinha feito. Ao que parece a vinda a Portugal dos responsáveis máximos do BCE, do FMI e da Comissão Europeia, além de ser uma provocação, poderá influenciar o sentido de voto dos portugueses. Por ventura por telepatia: o encontro de Sintra, como se pode ver no programa, começa com um cocktail pelas 18h30 de domingo, isto é, quando faltarão uns 30 minutos para as urnas fecharem, pelo que se imaginam inúmeros directos das televisões para captarem, entre o croquete e a flute de champanhe, a frase assassina por que os eleitores esperam, para no último minuto da última hora de um domingo eleitoral mudarem o seu sentido de voto. Que se cuidem os presidentes das mesas, vai haver engarrafamento ao final da tarde,
Três anos de oposição

caso contrário a vulgarização dos linchamentos no Brasil e na Argentina seriam matéria de notícia e de indignação:
Tudo doidinho
Cronologia – Mais de uma década de impasse em torno da Casa Manoel de Oliveira
Obs. O que continuo sem perceber é a razão que levou uma autarquia a construir uma casa para o realizador viver com a sua família. Supor-se-ia que uma vez este falecido os seus filhos, netos, bisnetos… por ali continuariam? E quem pagaria a manutenção, o IMI…?
O que se segue é um teste para saber se uma medida contribui para a reforma do Estado. Vá somando e subtraindo pontos. Se a medida atingir os 50 pontos é porque contribui para a reforma do Estado.
- Reformados vão ganhar menos e não há aumento de impostos: 30 pontos
- Haverá pessoas a sair da Função Pública por causa da medida: 20 pontos
- Haverá menos pessoas a querer entrar na função Pública por causa da medida:20 pontos
- A medida implica a venda a privados de bens públicos: 10 pontos
- A medida implica externalização de serviços: 10 pontos
- A medida implica liberalização de actividades: 10 pontos
- A medida implica fecho de departametos ou repartições públicas: 20 pontos
- A medida implica fusões de organismos públicos: 5 pontos
- O PCP está contra: 5 pontos
- O Bagão Félix está contra: 5 pontos
- O PS está contra: 10 pontos
- O Presidente da República apareceu em defesa de algum grupo por causa da medida: 10 pontos
- Foi vetado pelo tribunal constitucional: 20 pontos
- A medida implica poupanças imediatas para o Estado: 10 pontos
- A medida não é de aplicação imediata: subtrair 5 pontos por cada ano de espera
- A medida implica internalização de actividades actualmente externalizadas: subtrair 10 pontos
- A medida implica redução da liberdade económica: subtrair 10 pontos
- A medida implica mais regulação de actividades privadas: subtrair 10 pontos
- O nível de lero-lero da medida é elavado:subtrair 10 pontos
- A medida menciona a palavra “qualificações”: subtrair 5 pontos
- A medida menciona “crescimento económico”: subtrair 10 pontos
- A medida menciona “modernização”: subtrair 5 pontos
- A medida menciona “consumos intermédios”: subtrair 5 pontos
- A medida implica a criação de uma comissão, grupo de trabalho etc: subtrair 10 pontos
- A medida implica despesa: subtrair 5 pontos
- A medida está relacionada com novas tecnologias: subtrair 10 pontos
- O Paulo Portas está envolvido: subtrair 10 pontos
- A medida está embrulhada num sound bite (e.g. “menos estado, melhor estado”): subtrair 10 pontos
- Não há ninguém a estrebuchar com a medida: subtrair 50 pontos
Tudo na maior na frente ocidental
Barclays, BBVA e Deutsche Bank pretendem sair de Portugal mas ninguém quer saber. O que importa à malta é a carta ao FMI, a perpetuação da dívida (quem vier depois que feche a porta) e o ódio visceral ao presidente da república, que graças à experiência Sampaio, tornou-se na figura de estado que mais facilmente permite caminho seguro para o tacho.
Mas pronto, haverá muito jarreta e pré-jarreta por mimetização que verá na saída de 3 bancos do país uma boa notícia.
benza-a deus!
«Aumentar impostos tem um efeito menos recessivo do que reduzir a despesa», Manuela Ferreira Leite, hoje, TVI24.
A culpa não é minha
Seguro não percebe que, para ter a certeza que vence as eleições, só tem que estar calado?
Alguém tem que parar o homem e os órfãos antes que seja demasiado tarde. Esforçam-se demais: as eleições não se vencem, só se perdem.
É só alcoviteiras
O PS insiste que quer ver a carta. A carta, mostrem a carta. Queremos ver a carta. Vocês têm que mostrar a carta. Não consigo comer nem dormir, tenho que ver a carta.
E é isto o PS. Resumido a uma gaja – não confundir com senhora – como a coscuvilheira-barra-alcoviteira do bairro, a que cria um caso de cada vez que avista a vizinha em cavaqueira com o gajo da bilha do gás.
Esta procura incessante do PS pela concepção imaculada do rato gerado no ventre da montanha é mais que embaraçosa: é sintomática da indigência nacional.
E a carta? Continuar empenhados na redução do défice, de forma a respeitar o pacto de estabilidade, reduzindo a despesa e a necessidade de financiamento externo excessivo e blá blá blá…
Que esperavam que fosse a carta? Um poema ao gajo da bilha do gás?
Eleições que importam
Tenho andado arredado da blogosfera e das redes sociais. Também não tenho lido jornais. Toda a informação que tenho consumido tem sido através do telejornal de um canal qualquer, lá no fundo, sem som, com um ou outro rodapé a clamar atenção. Nestas circunstâncias, e como parece que decorre uma campanha eleitoral com a normalidade do costume, estou mais habilitado para comentar o que parece estar em jogo nestas eleições.
Ninguém na “minha rua” fala de eurobonds, mutualizações, solidariedade europeia ou espirais de qualquer geometria. Na “minha rua” fala-se do tempo, do futebol, do carro, da escola dos miúdos, de bebés e de como os políticos são todos bandalhos.
Não faço ideia quem vai ganhar as eleições e, tirando os cabeça de lista do PSD/CDS e PS, o Rui Tavares e aquela moça rouca do Bloco, não sei quem são os candidatos. Não sei se alguém diz algo interessante ou que consiga gerar alguma diferenciação perante os outros candidatos. O que sei é que ninguém da “minha rua” quer saber do Parlamento Europeu. Na “minha rua” estas eleições servem para distribuir lugares para burocratas emplumados inconscientes, inclusivamente através de uma solicitude de boa vontade, da sua própria insignificância.
Na “minha rua” ninguém liga às eleições europeias. A “minha rua” está muito mais preocupada com as eleições que realmente importam, as eleições para o Tribunal Constitucional.
quase uma família
Pedro Passos Coelho acaba de garantir, em directo e ao vivo, que «no PSD nos sentimos bem uns com os outros». Na primeira fila da assistência, Santana Lopes, Ferreira Leite, Marques Mendes, Rebelo de Sousa e Filipe Menezes concordam, com inegável entusiasmo. Um pouco mais atrás, Rui Rio deixa cair uma lágrima de sensível empatia com as palavras do líder.
comovente
E quase a fazer chorar as pedras da calçada, o discurso de Francisco Pinto Balsemão, na comemoração dos 40 anos do PSD, em defesa das «traves mestras» programáticas do partido enunciadas em 1974, impregnadas de justiça social, ética redistributiva, defesa dos mais pobres e carenciados, dos pensionistas e reformados. Por pouco, certamente por muito pouco, Pinto Balsemão ter-se-á esquecido de reivindicar o fim dessa pouca pouca vergonha que é a RTP, privatizando-a, verdadeiro albergue espanhol de todos os regimes, que consome recursos públicos sem fim, que bem poderiam ser destinados aos pobrezinhos a quem ele vota uma dedicação quase paternal.
Um país que resiste a 40 anos de PSD é um país imune a qualquer tragédia. A troika que se cuide.
ora vamos lá a ver
Em entrevista ao Expresso e à SIC, António José Seguro disse não poder garantir que um futuro governo liderado por si diminua a actual carga fiscal. Isso significa, para qualquer mediano mentecapto, que António José Seguro se prepara, se e quando alguma vez chegar ao governo, para manter as taxas de impostos em vigor, as mesmas que foram violentamente aumentadas pelo governo de Passos Coelho, Vitor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, e que ele tanto censurou no momento em que foram aplicadas. Ora, se as censurou foi porque as julgou desnecessárias e parte significativa dos sacrifícios ilegítimos que o governo que ele quer derrubar e substituir aplicou, segundo ele, cruelmente aos portugueses. Daí que, em coerência, ele não possa deixar de fazer, de duas uma: ou diminuir essa brutal violência assim chegue ao governo, ou retratar-se por a ter considerado desnecessária, mantendo-a quando for primeiro-ministro. Tentar esquivar-se a qualquer uma destas duas únicas posições possíveis, alegando, por exemplo, nada poder por ora garantir por desconhecer o país que irá receber, é próprio de um vulgar aldrabão de feira, que se espera não seja o chefe do governo de Portugal.
Aparentemente há um estudo que diz que “os colégios inflacionam notas”. Também aparentemente, isso parece ser um problema mas, mesmo que não seja, eu tenho uma solução: acabam-se com as notas internas das escolas e colégios.
Para todas as resoluções propostas há sempre um problema fácil de elaborar.
Infelizmente, é verdade
A falta que um «cautelar» faz
«Defesa aprova despesa de 2,8 milhões para internato feminino do Colégio Militar»(*)
No Colégio Militar, escola pública, os alunos pagam entre 160 e 680 euros de mensalidade.
Por alguma razão o Aguiar-Branco decide ali torrar 2,8 milhões dos contribuintes.
No mesmo dia, fala de «combate ao desperdício»(*). Mas é teoria e para engana-tolos. A prática é mesmo gastar-se o que não se tem.
A ler
Há fins muito tristes
Mário Soares: «A chanceler Merkel, invocando o dinheiro alemão e impondo a política dita de austeridade aos Estados vítimas dessa mesma palavra, que mata, como disse o bom Papa Francisco, tornou-se a pouco e pouco a dona da União, desde o tempo infeliz de Sarkozy e dos dirigentes da Comissão Europeia, um dos quais português, Durão Barroso, responsável com Bush, Aznar e Blair pela guerra no Irão, onde morreram muitos milhares de pessoas, de um lado e de outro, para nada…»
Wrong side of the road
4o pessoas morreram em Odessa, Ucrânia, depois de um edificio ter sido cercado e incendiado por milícias e manifestantes ucranianos.
Vendo e lendo os meios de comunicação, parece que a coisa não foi muito grave apenas porque as vítimas porque eram pró-russos. No fundo eram as vítimas «erradas», portanto, adiante. Só teriam verdadeiro significado e seriam um choque e escandalo na comunicação social, em Bruxelas ou Washington se fossem nacionalistas ucranianos. Ler mais…
Já nem podem estudar com este IVA na restauração
Ontem, durante o Prós e Contras na RTP, o constitucionalista Jorge Reis Novais afirmava, na sequência de uma intervenção em prol da redução do IVA na restauração, que “as pessoas já nem conseguem manter os filhos a estudar”.
Presumi – decerto era mesmo essa a intenção – que “as pessoas já nem conseguem manter os filhos a estudar” porque: 1) o IVA da restauração é elevado ao ponto dos filhos terem que estudar de barriga vazia; 2) uma redução do IVA da restauração originaria uma redução do preço de uma refeição.
Jorge Reis Novais não parece ouvir as declarações da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (Ahresp) que, em Agosto do ano passado, afirmava que mesmo com descida de IVA, as empresas não teriam condições para baixar os preços.
De uma forma ou outra, Portugal é isto: 40 anos a perseguir unicórnios; ou, dito de outra forma: três ginásios até subiram preço quando IVA baixou.
Frases famosas
Aníbal Cavaco Silva, 1 de Janeiro de 2013, Mensagem de Ano Novo do Presidente da República
Capas famosas
Vamos ver (atendendo aos antecedentes)
As análises e comentários sobre a «saída limpa» anunciada por Passos Coelho, parecem-me todos um pouco precipitados e levianos.
Há que ter alguma calma e ponderação, pois ainda nada pode ser tomado por definitivo. Tal como no caso da «não subida de impostos e sem perda de rendimento», julgo sensato aguardar pelo menos uns 15 dias para ver como ficam as coisas.
bulshit
A vacuidade e a demagogia rés-do-chão. Paulo Rangel: «felizmente os sacrifícios vão acabar a partir do dia 17 de Maio»(*)
Adeus, Troika, até à próxima

Isto não fica assim
O governo PSD/CDS anunciou que em 2015 os trabalhadores por conta de outrem vão ter uma diminuição do seu rendimento por força do aumento da TSU.
Anunciou também que os consumidores irão poder dispor menos do seu rendimento, por efeito do aumento do IVA.
Tais medidas são realizadas em favor dos pensionistas com pensões mais elevadas e dos funcionários públicos. E em prejuízo de todos quantos ainda tem trabalho e daqueles que estão sujeitos ao risco de desemprego, os trabalhadores privados. Os do costume.
É ano eleitoral.
Já faltam os qualificativos publicáveis no espaço público para classificar tais medidas, as quais se tem repetido vezes sem conta nos últimos anos. Ou a falta de termos para com que nos devemos dirigir aos seus autores e irresponsáveis. Nem é tanto a questão de realizarem o contrário do que dizem dias antes. Já não se espera outra coisa de quem tantas fez. Por vezes a credibilidade de um governante ou politico pode ocasionalemnte sofrer um tropeção. Mas quando ela estava já no ao nível do chão, apenas pode descer para uma cova. Cada vez mais profunda.
Mas quando alguém que ainda é primeiro-ministro diz «não apresentamos nenhuma medida de mais impostos nem redução nos salários»(*), sendo tal repetido no dia seguinte pelo seu vice-primeiro-ministro(*), deixamos o dominio da política e entra-se ou na área da saúde mental dos intervenientes ou na pura ofensa gratuita. Na falta de diagnóstico, ficamo-nos apenas com a última hipótese.
Que Passos Coelho e Paulo Portas mintam descaradamente, sendo obviamente reprovável, apenas se espantará quem não acompanhe a sua actuação recente. Mas que queiram ofender e insultar os portugueses em geral, issso já não é de todo admissível. Isto não fica sssim! Bem podem os dois, mais as suas trupes, ir para o raio-que-os-parta, ou serem apeados dos seus postos e colocados a pão e água como merecem. Mas não vão andar a gozar connosco. Basta.
Para quando o dia das barrigas alugadas?
Amanhã é dia da Mãe. Vão falar mto de mães, da importância das mães…. contudo não perdem uns segundos sequer a pensar que está neste momento em discussão em Portugal legislação em que se equaciona a possibilidade de existirem aquilo a que num processo de despersonalização chamam “barrigas de aluguer”. Ou seja mães cujo papel é apagado, sendo reduzidas e definidas enquanto barrigas ainda para mais alugadas, para que outras mulheres se possam dizer mães.
Não existem nem o direito nem a obrigação de ser mãe. Há pessoas que nunca o serão por razões médicas. Sofrem certamente com isso. Mas a vida adulta é feita também do aprendermos a viver com a impossibilidade e percebermos que não vale tudo para que nós possamos ter o tudo a que aspiramos. As “barrigas de aluguer” são um dos casos em que a possibilidade de uma mulher poder ter a alegria de ouvir uma criança chamar-lhe mãe não deve suplantar-se ao apagamento da maternidade noutra mulher a que se chama barriga.
E porque amanhã é dia da Mãe deixo aqui a história de mães
Jean McConville: The Disappeared mother-of-ten
La increíble historia de las mellizas que estuvieron separadas 78 años (os jornalistas puseram a ênfase nas gémeas mas o que me impressionou foi a história da mãe e da forma como ela escolheu a filha com que ficaria)
Pôr as coisas em perspectiva
Às vezes dá-me para isto: olhar para os números, fazer umas contas, e ver como elas coincidem, ou não, com algumas narrativas dos tempos correntes.
Primeira conta: quanto nos custou a austeridade?
Quem leia os jornais ou veja televisão achará que o país está mais pobre do que nunca e que a nossa austeridade foi a pior de todas, porventura com excepção da grega. Vamos então ver quanto é que o rendimento nacional caiu desde o último ano sem crise, 2007. Os números são os seguintes, começando pelos países onde a recessão foi maior (base de dados AMECO):
| Grécia | -20,96% |
| Luxemburgo | -14,65% |
| Irlanda | -10,26% |
| Croácia | -9,85% |
| Itália | -9,22% |
| Islândia | -9,18% |
| Eslovénia | -6,40% |
| Lituânia | -6,13% |
| Portugal | -6,01% |
| Finlândia | -4,54% |
| Espanha | -4,32% |
| Reino Unido | -2,65% |
A ler
Henrique Raposo: Foto de banana é brincadeira. Já desceram a Calçada de Carriche? Ó Henrique a Calçada de Carriche, o Fogueteiro ou a Damaia são locais onde só se vai integrado em equipas multidisciplinares que fazem levantamentos para observatórios que confirmam o que já se sabia: são necessários mais cientistas sociais deviadamente apetrechados para estudarem as dinâmicas do racismo no contexto das periferias urbanas e económicas e dinamizarem grupos de cruzamento de culturas numa abordagem de aprofundamento das identidades.
Não, não é uma conclusão do estudo: é uma premissa
Ontem houve algumas reacções a quente à nova subida de impostos. Como todas as reacções a quente, não expressam a história toda, só o ângulo mais notório.
As pessoas querem mesmo aumento de impostos, essa é a realidade. Talvez não todas as pessoas mas as que têm acesso a greves, marchas, protestos e indignação diária com destaque mediático. É o lobby do reumático, dos que têm emprego que, apesar da falência, nunca vai à falência: funcionários públicos, pensionistas, subsidiados e pendurados. É muita gente; é uma ampla maioria. É esta gente, as crias do monstro, que define a maioria parlamentar.
Não é preciso outro 25 de Abril: este está de perfeita saúde. O Atlas continua a encolher em perfeita sintonia com o desejo suicida de um povo cuja noção de democracia é clamorosamente oportunista; cuja noção de solidariedade consiste em esmifrar a formiga, seja alemã, seja a dona do talho do bairro.
Na realidade nem estou zangado com o governo. Limitou-se a ser um governo português, bonzinho, dos que desde sempre tomam conta dos seus em detrimento dos que têm a ousadia de abrir um quiosque.
O mais giro é este aumento transitório de IVA, com duas casas decimais, denotando uma insignificância que, decerto, até será real perante as verdadeiras necessidades de financiamento do monstro, com as suas reposições salariais que farão o bicho atingir os 25% mais cedo do que tarde.
Todos a bordo: não se avista terra firme. Preparados para navegação às cegas com a cereja no topo do bolo de uma “saída limpa”?
Gerontocracia-Estatista
O Estado Social está a tornar-se numa Gerontocracia-Estatista. Quem vier depois que se amanhe.
DEO provisório
O DEO é um documento provisório que será actualizado mal saia a decisão do Tribunal Constiitucional sobre o orçamento de 2014.
Note-se que nos próximos anos os orçamentos continuarão a ser definidos pelo Tribunal Constitucional, que a qualquer altura poderá decidir que as medidas provisórias de cortes de salários e pensões não podem continuar (TC só aceita estas medidas se forem provisórias, e a noção de “provisórias” será o que eles quiserem e quando quiserem). A primeira decisão nesse sentido pode vir já nas fiscalizações que estão pendentes. Decisão deve sair dentro de 1 mês.
DEO la deu, DEO a levou
Desde Abril de 2013 que as propostas do governo para baixar o défice são insuficientes e metade delas virtuais. A metade que não é virtual raramente passa no Tribunal Constitucional. Esta abordagem do governo não tem merecido contestação porque consiste em adiar o problema do défice e deixar derrapar o défice é popular à esquerda e à direita. De vez em quando a Troika força medidas mais concretas, que contribuam mesmo para reduzir o fdéfice, e quando isso acontece há unanimidade à esquerda e à direita contra mais cortes e mais impostos. E depois há aquela unanimidade mais pura e ingénua de que a solução é a “reforma do Estado, que corte no Estado e não nas pessoas”, isto é, “não faço ideia como isto se resolve”.
Consensual
Este aumento de impostos é consensual. Toda a gente quer reposição dos cortes, um TGV e aumento do salário mínimo. E toda a gente quer que a Manuela Ferreira Leite possa ver a pensão reposta.
Estamos todos de acordo com a rua que diz que isto não se aguenta. E pronto, não custa nada: só não há pizza grátis.
Quem se lixa é sempre o mexilhão
Num país onde quase um em cada quatro eleitores tem mais de 65 anos, o que é que acontece quando se fala de reformar o sistema de pensões em ano de eleições?
Não acontece nada. Mesmo o que tinha acontecido antes é revertido.
Num país com cada vez menos eleitores jovens e cada vez menor participação eleitoral dos jovens, o que é que acontece quando, para não mudar o sistema de pensões, se aumentam taxas e impostos?
Não acontece nada. A dor, dizem, é “repartida” e, acrescentam, o fardo assim pesa pouco.
É neste ponto que estamos. Ainda não tive tempo de ler o famoso DEO mas já ouvi a conferência de imprensa de Maria Luís Albuquerque e, sobretudo, Pedro Mota Soares. A síntese é simples de fazer: aliviam-se os reformados (e também os funcionários públicos), sacrificam-se os contribuintes, em especial os que estão empregados e descontam para a TSU.
Há sempre uns que se lixam e há sempre outros que vão às televisões queixar-se – os que por lá andam a carpir mágoas há dois anos e agora ainda são capazes de continuar a queixar-se. É esta a triste moral desta história.


