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psd e cds já ganharam as próximas eleições

30 Abril, 2014
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E nós não sabíamos!…

uma proposta com inspiração governamental

30 Abril, 2014
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Indexar a taxa de contribuição para a Segurança Social à execução orçamental do governo, diminuindo-a na progressão directa do aumento da despesa do estado.

não pára

30 Abril, 2014
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O saque fiscal aos contribuintes.

Entretanto, a célebre “reforma do estado” permanece no tinteiro, a RTP a labutar, a TAP por vender, a CP a carburar, os gabinetes dos ministros e secretários de estado despudoradamente cheios de boys and girls, e a imaginação do governo e o tempo dos senhores ministros empenhados em coisas como esta, certamente de suma importância no Reino da Patetolândia.

Em cima disto, depois de quatro anos de sacrifícios, que nem sempre o governo mereceu, teremos, em 2015, António José Seguro como primeiro-ministro e o PS no governo, cheios de bondade social e ímpetos justicialistas para distribuirem “justiça social”a montante e a jusante, à custa dos contribuintes.

Salve-se quem puder!

Criminalizar crimes

30 Abril, 2014

Criminalizar a praxe faz tanto sentido como criminalizar o enriquecimento ilícito, ou seja, nenhum. Em primeiro lugar, não se pode criminalizar a existência de um ritual por si só sob consequência de ilegalizar o baptizado católico, o casamento gay, os discursos no 25 de Abril ou o Sócrates na RTP. Em segundo lugar porque qualquer ritual envolvendo crimes já constitui… crime.

Uma ideia melhor para o espírito regulador português seria a criação de uma lei de criminalização de crimes.

Onde estavas?

29 Abril, 2014

“Onde estavas no 25 de Abril” é pergunta sem qualquer interesse. A pergunta que importa é “onde estavas no 28 de Abril?”

E respondendo a essa pergunta, há sempre outra que a sucede: “e quando deixaste de lá estar?”

Uma possível resposta para os que não aguentam será “ainda estou na função pública”.

Dão-se alvíssaras

29 Abril, 2014

para a primeira polémica em que participem elementos da esquerda radical e em que estes logo para início de conversa não invoquem Salazar, o salazarismo e não passem o alvo das suas críticas a tipo ou equiparado.  Lendo o livro de Raquel Varela “História do Povo na Revolução Portuguesa”  percebe-se bem porque uma das palavras de ordem gritada mas manifestações das segundas-feiras na RDA era  precisamente “Nós somos o povo”.

Obs.  A ler este retrato feito por RV dos  portugueses residentes em África.

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Sempre queremos os brioches

29 Abril, 2014
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Um dos problemas das prosas neorrealistas contemporâneas é que já não vivemos no mesmo Portugal do neorrealismo original. Já não há aqueles miúdos esfarrapados, e tantas vezes descalços, das fotografias de há 40 anos ou 50 anos, como bem ilustrava a capa do Público do passado dia 25 de Abril. Mesmo assim não se deixa de fazer um esforço para retratar um Portugal bem neorrealista e muito sofredor:

Ao fazer o doutoramento, Gabriela Trevisan, professora da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, no Porto, verificou como as crianças identificam reflexos da crise no quotidiano. “No meu dia-a-dia, às vezes, não tenho coisas que quero”, disse-lhe, por exemplo, um miúdo de nove anos, que entrevistou numa escola pública de Braga. “Não tenho cereais e outras coisas e tenho de comer pão.”

Pão há, pelos vistos. Faltam é os brioches. Sob a forma de corn flakes ou, de preferência, chocapic. 

 

O lobby do fibrocimento

29 Abril, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE:  enquanto o País celebrava em verdadeiro espírito de jogo de solteiros contra casados o 25 de Abril – sou obrigada a constatar que encontros, como o que teve lugar no Largo do Carmo, entre terroristas, comunistas e socialistas fazem mais pela democracia parlamentar que centenas de textos de opinião tanto mais que em 2014 ninguém quer apear governo algum mas simplesmente condicionar o próximo líder socialista que for primeiro-ministro – a mim o que me fazia crescer a irritação era o saneamento do avião e do eléctrico do Parque do Alvito em Lisboa, vítimas do zelo do que à falta de melhor definição denomino como lobby do fibrocimento.

 

Já se aguenta melhor

28 Abril, 2014

Abril está a chegar ao fim, graças a Deus.

Depois de 30 dias a antecipar o 40º aniversário de uma revolução com um grau de romance que envergonharia qualquer escritor de canções pimba, tudo (incluindo a peste negra) parece anti-clímax ou, pior, tão insignificante para qualquer português como o efeito da emigração do Fernando Tordo na produção de novas canções.

Vem aí o 1º de Maio e, com isso, nada como providenciar tempo de antena ao braço estalinista da sindicância socialista-nacional, o PCP/CGTP. Conversas de socialismo escandinavo servem de fachada ao objectivo de socialismo hoxhiano: pobres mas honrados, manda cá mais um cravo no caixão da liberdade contratual.

A única verdadeira vantagem dos primeiros meses da Primavera é antecederem a silly season da silly season permanente, a silly-silly season. O calor do Verão e os bikinis, que isto não se aguenta, acalmam a ânsia revolucionária mesmo a tempo do início de novo ano lectivo e armazenamento de lenha para a lareira de mais um ano em que isto não se vai aguentar, mais uma vez.

Pf

28 Abril, 2014

Pede-se encarecidamente aos jornalistas que:

a) Não chamem monstro nem repitam  “caça ao homem” para referir a perseguição policial a um suspeito de homicídio;

b) Expliquem-me qual é a parte da Primavera árabe que eu não entendi e que levou a isto Egipto recomenda pena de morte para mais 700 islamitas (Se bem que mal pergunte já não varrem a Praça Tahir?)

c) Quando entrevistam aqueles manifestantes muito indignados que estavam a fazer uma manifestação tão legitimamente revoltada junto à AR no dia 25 de Abril? Só quando trocarem os símbolos da extrema-direita pelos da extrema-esquerda que valha a verdade nunca é referida enquanto tal?

Mercado visto por socialistas

28 Abril, 2014

Segundo o Jornal de Negócios, o governo estará a estudar a normalização obrigatória das botijas de gás para facilitar a mudança entre concorrentes. O problema, claro, é que a botija do gás não é uma parte neutra do negócio do gás. É um factor de diferenciação através da inovação. Duh!

menina do gás

Penso lentamente removido sobre pêlos

27 Abril, 2014

Eu avisei. Basta a omissão de obstetrícia para gerar a confusão desnecessária e a trauliteirice de toda e qualquer imbecilidade. O argumento costuma ser sempre o mesmo: “só quem não conhece a realidade…”. Permitir isto através de documentos alarmistas sem nexo pelo atraso entre a especificação e a concretização é um lamentável tiro no pé. A Portaria nº 82/2014 de 10 de Abril do Ministério da Saúde é um penso a ser removido lenta e dolorosamente em vez de rápida e firmemente.

Como se chama o regime proposto por Vossas Excelências?

26 Abril, 2014

Vasco Lourenço: o Governo “tem de ser apeado”

Manuel Alegre: “Este primeiro-ministro acha que a democracia começa e acaba no dia das eleições. Não. Há muitas outras formas de viver e de praticar a democracia e quando um Governo se fecha e não ouve a voz do povo e não ouve a opinião pública, isso pode levar a situações de ruptura que nunca se sabe como começam e nunca se sabe como podem acabar”

alguém que lhe explique

25 Abril, 2014
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Ao fim de quarenta anos de regime, o presidente da Associação 25 de Abril, o tenente-coronel Vasco Lourenço, parece não ter ainda entendido que, na democracia de que ele se reclama um dos progenitores, existe um método legítimo de “apear” governos: as eleições. Alguém que lhe explique, por favor.

Da revolta do remorso

25 Abril, 2014

… à cerimónia do despeito. A revolta do remorso procurem que logo perceberão o que foi e quando foi (mas foi mto antes de 1974). Quanto à cerimónia do despeito teve lugar hoje no Largo do Carmo e nela os participantes deram largas ao seu descontentamento por o 25 de Abril não ter instituído um regime de pensamento único em que éramos livres de escolher a esquerda e de ver o país a ser esfanicado pelas lutas suicidárias que essa mesma esquerda trava entre si.

O povo é quem mais ordena

25 Abril, 2014

povo

Eu é que fiz o 25 de Abril

24 Abril, 2014

Foi para isto que fiz o 25 de Abril. Sim, eu fiz o 25 de Abril. Não, não andei nas ruas em 1974, só nasceria uns meses mais tarde; mas fiz: fui à escola, pago impostos, vou votar e exijo que o meu voto tenha significado, nomeadamente através da manutenção dos governos eleitos até ao fim do mandato. Os governos podem, por livre iniciativa, deixar mandatos a meio; de resto não reconheço qualquer autoridade a sindicatos, partidos minoritários e sobretudo bancarrotários para que, em nome de uma suposta rua – a que dirigindo-lhe palavra não me responde, sob risco pessoal de diagnóstico de loucura – se fabrique opinião pública.

Eu fiz o 25 de Abril para isto. Escolhendo, aceitando, penalizando – através do voto – quando goradas as minhas expectativas. Eu fiz o 25 de Abril para saber perder eleições. Como eleitor já as perdi muitas vezes. Não me vão tirar isso com cantigas de cravos e muito menos com promessas de unicórnios.

Crónicas da doideira

24 Abril, 2014

Nos 40 anos do 25 de Abril, desafiámos os atores do Teatro O Bando a ocupar a TSF. A palavra correu sem descanso, livre e provocadora

Em primeiro lugar a performance é de tal forma medonha que deve contribuir para que o teatro perca ainda mais público. Mas o mais espantoso é o que está por trás desta peregrina ideia da TSF em que uma rádio encena valorizando-a a ocupação das suas instalaçõs ou seja o silenciamento dos seus profissionais. Podia pensar-se que a ocupação era feita por censores que queriam continuar a censurar como Estado Novo, ocupantes que os queriam mandar embora como no República e na Rádio Renascença em 1975… Não, nada disso. A performance da ocupação reproduz o actual imaginário da esquerda que acha que pode entrar onde quer, interrompendo quem fala e impondo a sua presença. Logo os ocupantes são vistos como bonzinhos. Enfim ocupa amigo a TSF está contigo. Até ao dia em que trocarem os punhos erguidos, as foicinhas e os martelinhos por outros simbolizinhos mais aerodinâmicos e depois quem sabe lá se na TSF perceberão que há coisas que não se fazem. Nem a brincar.

Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril

24 Abril, 2014
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Já chega. Ao fim de semanas e semanas a ouvir repetir por todo o lado inanidades sobre os “valores de Abril”, o “destino de Abril” ou a “traição ao 25 de Abril”, ao fim de meses a anunciarem-me que vinha aí o autoritarismo, se é que já não tinha chegado, ou a preverem o regresso de um salazarismo sem Salazar, hoje achei que era demais ver o António-Pedro Vasconcelos, na capa do i, a proclamar que a “democracia faliu”.

Mas “faliu” porquê? Deixou de haver liberdade nos jornais e nas televisões? Fecharam a Internet ou o twitter? Algum militar entrou de pistola em punho pela Assembleia dentro? Proibiram as eleições marcadas para o próximo mês de Maio? Prenderam alguém por delito de opinião ou actividades subversivas? Falsificaram as eleições?

Aparentemete nada disso sucedeu. Apenas sucedeu que APV acha que a democracia não dá resposta aos problemas das pessoas. E não dá porquê? Porque ele odeia o Governo e detesta o PS de Seguro.

Ou seja, APV está mais ou menos como todo o coro que temos ouvido por estas semanas. Se fosse a menina Guidinha escreveria uma redacção mais ou menos assim: “Eu gosto muito da democracia. Eu não gosto nada do que esta democracia me deu. Eu acho que isto não é democracia”. Se em vez de ser a menina Guidinha fosse antes um Vasco Lourenço substituiria a palavra “democracia” por “25 de Abril” e a redacção também estaria perfeita.

É pena vermos as comemorações do 40º aniversário da revolução que acabou com um regime autoritário e repressivo velho de 48 anos reduzidas a esta caricatura.

Não é de hoje, nem de ontem, a disputa sobre o significado do “25 de Abril”. O primeiro jornal em que trabalhei, está quase a fazer 38 anos (eu tinha na altura 19), chamava-se, não por acaso, “25 de Abril do Povo”, e representou uma fútil tentativa de prolongar o movimento otelista e aquilo que aquele grupo achava ser “o verdadeiro” 25 de Abril. Durou apenas três meses, pois nessa altura (1976) a revolução já tinha acabado. Mas como se verificou abundantemente nas últimas semanas, muitos dos revolucionários de então continuam a achar que havia qualquer coisa no seu muito especial e específico 25 de Abril que nunca foi cumprido, e se nessa época saltitavam de fábrica para fábrica, por estes dias andaram por mais bem confortáveis salas de conferência dando vazão à sua imensa nostalgia.

Nada me incomodaria nesta pequena indústria comemorativa não fosse esta tendência para confundirem democracia com a sua ideia específica do que deve ser o destino do povo, a sua eterna tendência para acharem qque a sua liberdade é melhor e mais pura do que a liberdade dos outros.

De facto uma das coisa que distingue as democracias dos regimes revolucionários é que as democracias são muito menos exaltantes. Mas muito mais realistas. As suas imperfeições são a sua força, já que aquilo que verdadeiramente as distingue não é nelas se escolher periodicamente um governo, é nelas se poder, pacificamente, correr com um governo de que não se gosta. São regimes de tentativa e erro, onde se podem corrigir tragetórias e onde existem mecanismos que limitam o poder das maiorias.

Eu sei que muitos revolucionários, mesmo quando acham que são genuinamente democratas, sofrem horrores sempre que o povo ignaro escolhe seguir por caminhos diferentes daqueles que eles prefeririam. Também sei que já não é nada mau que não sejam suficientemente revolucionários para acharem que podem, de cima para baixo, como líderes iluminados, imporem a sua vontade ao povo, qual modernos Robespierre. Mas lamento muito que andem por aí, no 40º aniversário do 25 de Abril, a desmerecer a democracia.

Já chega.

um panelazo argentino tinha-nos feito muito bem

23 Abril, 2014
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José Sócrates diz que só chamou o FMI em 2011 por esmero prudencial, não tendo havido razões de emergência para isso. Poucos dias depois, o seu ministro das finanças, Teixeira dos Santos, não se coibiu de dizer que a situação financeira do país é hoje muito mais grave do que quando ele se precipitou, à revelia do chefe, a chamar o FMI para pagar as contas do mês seguinte. Por sua vez, o bom povo português, pelo que nos dizem as sondagens, prepara-se para devolver o poder a um Partido Socialista que mantém a versão socrática dos acontecimentos que nos conduziram à bancarrota e à pobreza, como se esta não fosse uma consequência daquela. No fim de tudo isto, ultrapassada a terceira falência democrática do país, arriscamo-nos a não ter aprendido nada. Não há dúvida que dois ou três meses de panelazo nos tinham feito muito bem.

Uma história exemplar da parolice nacional

23 Abril, 2014
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Estávamos em 1998, Fernando Gomes presidia à Câmara Municipal do Porto, Manuel Maria Carrilho reinava como ministro da Cultura e Manoel de Oliveira ia fazer 90 anos. Para aquelas almas profundamente imbuídas de paixões culturais nada melhor do que fazer erguer um monumento de betão – mas com pedigree cultural, pois o desenho seria de Souto Moura – com o pomposo nome de “Casa do Cinema”. Escolheram a melhor e mais refinada zona da cidade do Porto – a Foz, como não podia eixr de ser – e lá ergueram as paredes do que seria a futura residência do cineasta (seria ele um sem-abrigo desconhecido?) e, ao lado, as arrecadações para guardar o seu espólio.

A obra levou uns anos a fazer – afinal Portugal nunca deixaou de ser Portugal – e, quando ficou pronta, a câmara não se entendeu com o cineasta. A lindas paredes ficaram ao abandono, ninguém parece ter estado muito incomodado, os anos passaram, tudo se foi degradando, e entretanto Manoel de Oliveira somou mais dez anos, tornou-se centenário, nunca achou que tivesse de mudar os tarecos para um casa nova e acabou a entender-se com a Fundação de Serralves, onde entretanto está a surgir outra casa Manoel de Oliveira, esta da autoria de Siza Vieira (noblesse oblige).

Chegamos assim ao ponto de, dez anos depois, o “betão cultural” que custou mais de dois milhões de euros – não se indignem já, foi para “investimento”, ainda para mais um “investimento cultural” – ir agora à praça por apenas 1,5 milhões.

É o que se chama uma história exemplar da saloice nacional, do encantamento parolo com certos “símbolos da cultura” e da leviandade com que se gasta o dinheiro dos contribuintes. Ao menos que corra bem o leilão. 

Reciprocamente obrigados

22 Abril, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE: Não é apenas o País que está em dívida para com os militares. Os militares também estão em dívida para com o País. E não lhe devem pouco. Os militares portugueses devem ao País terem conseguido sair de forma honrada de um dos momentos mais tenebrosos da sua história – a forma como impuseram a saída de África e de Timor – e devem-lhe também poderem manter a mentira conveniente de que em Abril estavam unidos. Não é verdade: estiveram unidos na guerra. Mas dividiram-se criminosa e perigosamente na hora de negociar a paz. Por isso ainda hoje se sentem mais à vontade a falar da ditadura e da guerra do que da democracia e dos países independentes. Em boa verdade o país não tinha escolha: havia que defender as Forças Armadas. De quem? Delas mesmas. Mesmo que tal implicasse pactuar com quem atacava os interesses do País e desdenhava das suas populações mais frágeis, os civis residentes nos territórios africanos. Desfeita a hierarquia de comando nas FAP, só os sectores esquerdistas pareciam capazes de garantir um mínimo de ordem e salvar as aparências entre as tropas estacionadas em África. Daí chegavam histórias que o País não podia conhecer a bem já não da nação mas sim das suas Forças Armadas. Comandantes que por iniciativa e ideologia próprias resolviam confraternizar ou dialogar com os mesmos que combatiam na véspera e que levaram as suas companhias a cair emboscadas com mortos, feridos e sequestrados (Bambandica, Guiné)…

os equívocos de abril

22 Abril, 2014
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O 25 de Abril, que celebra 40 anos nos próximos dias, foi fonte de inúmeros equívocos que macularam indelevelmente o regime e o país. O mais grave de todos foi ter-nos legado uma “direita” cujo principal representante à data o celebra agora de cravo vermelho na lapela, lado a lado com a esquerda e a extrema-esquerda desse e do nosso tempo. Por mais que nos esforçássemos, dificilmente haveria melhor síntese dos motivos históricos que explicam o estado a que o país chegou.

Eu acuso!

21 Abril, 2014
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Este título da Ránio Renascença é todo um programa:

Freitas do Amaral acusa Governo de ser “o mais à direita dos últimos 40 anos”

A palavra chave é, naturalmente, acusa. Pois é uma palavra com sentido pejorativo. Ninguém imagina um título ao contrário. Por exemplo:

Mário Soares acusa direcção do PS de ser “a mais à esquerda dos últimos 40 anos”

Não se trata de saber qual das frases é verdadeira – nenhuma é. Trata-se de verificar que é natural “acusar” alguém de ser de direita mas nem sequer se imagina “acusar” outro alguém de ser de esquerda. Mesmo na católica Renascença. Assim vai a “neutralidade” jornalística.

Juche-ifica-nos

21 Abril, 2014

Esqueçam resultados. O que importa é que este é o governo “mais à direita dos últimos 40 anos” e, portanto, violador do princípio sagrado e constituicional de bondade humana. Isto implica, naturalmente, que quem não é de esquerda não é filho de boa gente.

O problema de Freitas do Amaral, como de muitas outras pessoas, é a extrema necessidade do “parecer” ser mais relevante que o “ser”; portanto, para agradar aos velhos portugueses que namoram com o poder há 40 anos, a solução é fazer o que for necessário sem olhar a esquerdas e direitas mas dizer sempre que o objectivo é tão de esquerda que faça Juche soar a extrema-direita.

Alguns gráficos interessantes da 11ª avaliação do FMI

21 Abril, 2014
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A leitura dos relatórios do FMI sobre as sucessivas avaliações é sempre muito útil, e o mesmo sucede com o que foi hoje revelado. Nesta altura em que estamos a chegar ao fim do período da troika, há alguns balanços interessantes. E algumas ideias feitas que podem e devem ser desfeitas.

Gastos sociais

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Em 2012 Portugal gastava 22% do PIB com o chamado “estado social”. Isso compara com os 20,4% de média da Zona Euro e com os 18% da União Europeia como um todo. Não está mal como resultado depois do “maior retrocesso social de sempre”, ou do famoso “recuo civilizacional”, ou de tantas outras barbaridades que por aí se proclamaram.

Como se escreve no relatório:

Public pension expenditure in Portugal more than doubled relative to national income over the last 20 years, with changes only in part justified by demographic developments.1 In 2012, social benefit spending—of which pensions account for over 80 percent—stood well above European and euro area averages.

Os salários

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Este relatório fornece-nos alguma informação interessante sobre a forma como se distribuem os salários entre os vários sectores da economia portuguesa. 

Tomemos este primeiro gráfico. Alguns só verão nele a diferença salarial existente entre Portugal e países como a França, a Alemanha e a Itália. Eu vejo outra coisa: enquanto nesses países é no sector exportador que se pagam os melhores salários, em Portugal são os trabalhadores do sector não transaccionável os que, comparativamente, são melhor pagos. Isto mostra até que ponto este sector esteve protegido da competição – e até que ponto nele pesam os trabalhadores do sector público. 

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Quando olhamos para a forma como os custos salariais unitários evoluiram nos últimos anos verificamos que, se tomarmos por ponto de comparação 1995, os custos no sector não transacionável aumentaram mais de 60% (é aqui que está o Estado, que está a Banca, que estão as telecomunicações, a energia, etc), enquanto no sector transaccionável não chegaram a crescer 10%. Quando olhamos para o que se passou nestes anos de crise (desde 2009), verificamos que os custos unitários do trabalho cairam quase 15% no sector transaccionável (mesmo assim uma queda inferior à ocorrida na Irlanda e em Espanha) e, no sector não transaccionável, a dominuição desse indicador foi marginal.  Ler mais…

O fanatismo dos “anti-fanáticos”

17 Abril, 2014
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Francisco Assis não é conhecido por ser um político radical. Pelo contrário. Que lhe deu então para, na sua coluna semanal, insultar Pedro Lomba – “pequeno apparatchik ligeiramente alfabetizado” – e Bruno Maçães – um aparente “pateta” que escreve “num inglês próprio de quem nunca leu Shakespeare”?

O texto, ao contrário do que é habitual em Assis, não argumenta, vai apenas de bordão em bordão, atirando com Hayek para um lado, Pinochet para o outro, num amontoado de lugares comuns sobre o “governo dogmático” com “uma mentalidade escassamente democrática”. É, porventura, um texto eleitoral: Assis necessita de aumentar o tom de voz para que, no PS, não desconfiem dos seus galões. Mas não deixa por isso de se um texto revelador.

Quando chama a Lomba e Maçães “dois pequenos génios condenados à incompreensão” Assis revela ao vem, pois a palavra-chave da frase é “pequenos”. “Pequenos” porque novos, porque jovens, porque exteriores ao círculo autorizado dos políticos experientes e sensatos.

É curioso que Assis, um político que ocupou o seu primeiro cargo público aos 25 anos (presidente da Câmara de Amarante) se junte ao coro dos que procuram desqualificar os mais novos apenas por serem mais novos – ou “pequenos”, na sua linguagem alegórica. É curioso mas vai bem com os espírito do tempo. Depois de o 25 de Abril ter proporcionado uma ruptura geracional que permitir que gente com menos de trinta anos chegasse a secretário de Estado e a ministro (para não falar dos que chegaram a directores de jornais ou a presidentes de empresa), agora, que supostamente temos à nossa disposição “a geração mais bem preparada de sempre”, um exército de “senadores” passa a vida a desqualificar os Ler mais…

Marmita-me ao serviço do bem

17 Abril, 2014
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Há uns anos, na mui social-democrata Dinamarca, terra modelo para progressistas ao serviço do bem (excluindo coisas como a monarquia, o cheque-ensino, a igreja oficial, ausência de salário mínimo, etc, etc), foi retirado do mercado o mui britânico creme para barrar Marmite por excesso de qualquer coisa (sal? vitaminas? britishness? sentido de humor?).

Não é de admirar que os estados gostem de taxar, proibir, indexar e/ou regular segundo um cânone do bem aquilo que as pessoas devem ou não comer. É para o bem comum. E está bem, encaixa perfeitamente no historial de intervenção nacional-socialista. Deviam reduzir o IVA nos ginásios.

nazi-fitness

Auto-lápis azul

17 Abril, 2014

Nem todos os textos saídos em Portugal  sobre a retitada de Cohn-Bendit serão tão hagiográficos como o do PÚBLICO. Estão lá os tópicos habitais das pessoas elogadas por aquele jornal: o deputado que “mais falta fará nos próximos cinco anos” “uma figura mítica do PE, orador ímpar que sempre exprimiu as suas convicções com uma rara energia e uma emoção assumida sem pudor”  “despertador de consciências” “único deputado capaz de, sem papas na língua, chamar as coisas pelos nomes, não hesitando por exemplo em acusar de “hipócritas” em pleno debate os parceiros vira-casacas ou chamar “cretinos” aos eleitos da extrema-direita”  “Provocador inveterado, nunca perdeu a oportunidade de “picar” os responsáveis europeus que discursaram no PE, de Durão Barroso a Tony Blair (ex-primeiro ministro britânico), sempre que os apanhou em contradição com o interesse europeu”…

Enfim a vida de Cohn Bendit não começou no PE e em boa verdade está cheia das luzes e das sombras que carcaterizaram a extrema-esquerda europeia nos anos 70. Omitir isto e o que aconteceu naqueles jardins de infãncia “libertados” é apenas uma forma de legitimar o que nunca deveria ter acontecido e prova não só que não se aprendeu nada como que se continua sem reflectir naquilo a que se pode chegar em nome dos direitos da criança e à criança.

 

Twins

16 Abril, 2014

Muitos dirão que é dificil encontrar diferenças entre o PS, PSD e CDS no que diz respeito a questões europeias. Eu digo mais: é exercício inútil, é farinha do mesmo saco. Há decadas. Basta analisar como votam e o que votam.

E tanto é assim que os próprios protagonistas tem dificuldades em conseguirem fazer-se distinguir uns dos outros. Repare-se no emeranhado e rodriguinhos com que Paulo Rangel conseguiu ontem preencher uma página do Público. Diz ele que num debate entre Shultz e Junker, o primeiro terá dito que «os eurobonds não estão na agenda». E o que diz Junker? «esse processo não pode avançar sem a vontade política dos Estados e que, neste momento, ela não existe manifestamente em alguns deles». Ok, Paulo Rangel acha, eufórico, que são respostas totalmente diferentes… enfim.

O mesmo Rangel vem no entanto reconhecer «que também no âmbito do Partido Popular Europeu e, de resto, no quadro do programa europeu dos partidos portugueses que apoiam o Governo, não se exclui o caminho futuro de uma mutualização». Portanto, o PPE, e por consequência o PSD e CDS, são favoráveis a essa mutualização. Tal como o PS. Tal como o PSE que apoio Shultz. Tal como Shultz, que apenas constata não estar de momento na agenda, ao que Junker acena que sim, dizendo que se terá «mais tarde voltar a essa questão». A agenda de Shultz, de Junker, de Rangel, de Nuno Melo, de Seguro é pela mutualização da dívida. Mas não gostam de aparecer juntos na fotografia. Tem vergonha. Tem absoluta necessidade de dar a falsa imagem de que são diferentes. Por causa dos votos. Se se perceber que defendem exactamente a mesma coisa, podia ser um sarilho….

É bem melhor falecer

16 Abril, 2014

Deve um comediante repetir rábulas com piada, mesmo que a sua apresentação inicial também seja a televisão, desde que a produção pareça mais generosa? Acho que sim, que é bem melhor que falecer.

Devem políticos repetir fórmulas de bancarrota, mesmo com moeda emitida pela produtividade dos outros, desde que isso garanta vitórias eleitorais? Acho que não, que é bem melhor falecer.

Resumindo e concluindo: Ricardo Araújo Pereira assegura forma de não falecer; o PS de Seguro e Pacheco-Ferreira-Leite asseguram forma de todos os outros falecerem.

Passos na TV

16 Abril, 2014

Ontem vi a entrevista a Passos Coelho. As mesmas pessoas que criticaram José Rodrigues dos Santos por perturbar o Santo Graal, criticarão José Gomes Ferreira por não perturbar o Belzebu.

Tirando isso, só tenho um conselho para Passos Coelho: unicórnios. Estes seres míticos são o que os média querem que o povo queira ouvir.

Fazer de conta que se «reforma» é:

15 Abril, 2014

Sete conselhos consultivos que as instituições de solidariedade acham que não funcionavam serão reunidos num só. Medida estava no papel desde 2011. (*)

 

Mas porque não são pura e simplesmente extintos todos? Já provaram a sua absoluta inutilidade e que não fazem falta.

Aliás o «novo» superconselho também já provou a mesma inutilidade: criado em 2011 nunca funcionou. E ninguém deu pela sua falta, o que comprova a sua absoluta ausência de sentido de existência.

O discurso que Cavaco devia fazer a 25 de Abril

15 Abril, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE: Em primeiro ligar quero pedir desculpa aos portugueses por ter sido eleito…

 

Sexo em democracia é muito melhor

14 Abril, 2014

Em nome das mulheres e homens portugueses, quero agradecer a Otelo e Vasco Lourenço pela notícia que diz que “Mulheres descobrem prazer do sexo nos 40 anos do pós–25 de Abril”. Eu, como alguém concebido antes de 25 de Abril de 1974, lamento que os meus pais tenham tido o frete de me conceberem. Mais uns tempos e teria sido muito agradável, talvez tão agradável como quando o meu tetravó concebeu a minha trisavó, antes do obscurantismo salazarista.

Também de acordo com a reportagem do JN, desde o 25 de Abril que as mulheres já não têm que ir virgens para o casamento. Não dizem mas acrescento: desde 2010 que também já não é preciso ir virgem para o casamento gay.

O 25 de Abril também acabou com os nascimentos ilegítimos e, acrescento, a actual lei do aborto também permite a continuidade do trabalho revolucionário, permitindo que a concepção de bebés seja efectuada por qualquer pessoa, em liberdade e sem “espartilho sexual”, seja qual for a sua preferência sexual, isto apesar da ditadura da biologia.

Porém, ainda há coisas más que ficaram da ditadura, como, segundo a socióloga Verónica Policarpo, a persistência nos jovens da “a desvalorização de uma rapariga que tenha tido muitos parceiros sexuais”. Neste país não se valoriza a experiência e os jovens são os primeiros a rejeitarem o progresso.

Eu diria mesmo que tudo começou em 1974

14 Abril, 2014

JN Mulheres descobrem prazer do sexo nos 40 anos do pós-25 de Abril

 

Andar de bicicleta é sem as rodinhas de aprendizagem

14 Abril, 2014

Não temos muito jeito para grecificar os protestos. Não é particularmente surpreendente já que, ultimamente, nem os gregos têm tido jeito para grecificarem a indignação. Já toda a gente percebeu que a realidade não se compadece de manipulações semânticas sobre conceitos como “moeda” e “crédito”; da mesma forma, conceitos como “eurobonds”, tão irrealistas num quadro de independência orçamental como a vitória no festival da Eurovisão, começam a ser substituídos por visões de governação no mundo físico, onde a existência de unicórnios é considerada mera prerrogativa da oposição sem propostas.

Passos Coelho devia completar o programa de ajustamento, negociar um programa cautelar e, no dia seguinte à partida da troika, demitir-se. Todos teríamos a ganhar com a clarificação da situação: esta é a altura para escolhermos os próximos 5 anos: ou os unicórnios do doutor Seguro ou um governo pragmático que não necessita perder lastro em campanha eleitoral com um ano inteiro de tentação eleitoralista.

Em Portugal, apesar do ruído de fundo, é muito mais fácil governar com a troika do que sem ela. Consegues andar em frente? E sem as rodinhas laterais da bicicleta?

Deviam indexar aos campeonatos do Benfica

14 Abril, 2014

A oposição em Portugal cavalga uma camapanha contra a indexação das pensões de reforma à economia e à demografica. Tendo em conta que o que paga as pensões de reforma são os rendimento que um dado grupo demográfico (entre os 25 e os 65 anos) retira da economia, qual é exactamente a alternativa?

Mutualistas e funerais

14 Abril, 2014

Devem as IPSS poder oferecer um serviço de funeral.? Segundo o painel do “Governo Sombra” da TSF, não. Funerais devem ser monopólio das empresas de funerais. Se perguntassem aos mesmos se devem existir actividades fechadas a um pequeno grupo de empresas, numa actvidade que por acaso tem receitas garantidas por subsídio públicos, possivelmente alguns dos membros do painel pensariam duas vezes.

Curioso que os funerais foram durante muito tempo assegurados por IPSS, e ainda hoje no Porto há pessoas que descontam uma espécie de seguro de funeral assegurado pelas mutualistas (exemplo aqui). É por isso difícil alegar que funerais estão fora do âmbito da actividade das IPSS, tendo sido essa uma das suas actividades originais.

Como é óbvio, a abertura dos funerais às IPSS é uma forma de criar concorrência num sector que viveu muitos anos de subsídios públicos e que por isso tem praticado preços elevados (ninguém se queixa dos preços porque tem sido o Estado a pagar, e as circunstâncias não são propriamente adequadas a reivindicações). Há até umas referências no memorando da Troika a actividades e profissões com demasiadas barreiras à entrada.

Qual é o rating para insustentável?

13 Abril, 2014

António Saraiva, da CIP, assinou o manifesto pela reestruturação da dívida onde se diz que esta é insustentável.

O mesmo António Saraiva, em entrevista à TSF, mostra-se espantado por as agências de rating ainda não terem subido o rating de Portugal, depois de tantos sacrifícios, que certamente o país merecia um rating mais elevado.