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Saudades do Decreto-lei n.º 217/74

13 Abril, 2014
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Vai por aí uma grande excitação com o valor do salário mínimo em 1974 e 1975. Até se diz que foi um grande impulso para a economia, apesar de Portugal ter conhecido logo a seguir, em 1975, a maior recessão (-5,1%) dos últimos 50 anos (pelo menos).

Mas esquecem-se outros aspectos curiosos do famoso decreto-lei n.º 217/74, promovido pelo ministro do Trabalho de então, Avelino Pacheco Gonçalves (o segundo militante comunista do Governo Palma Carlos, pois o outro era o próprio Álvaro Cunhal).

Além de estabelecer os famosos 3.300$00 como SMN, um valor que, de acordo com o calculador do site da Pordata, representaria hoje 443 euros (como não consigo perceber como é que o Expresso fez a conta de mais de 500 euros, fico-me por esta referência), esse decreto-lei também congelou todos os salários superiores a 7.500$00. A valores de hoje isso corresponderia a congelar todos os salários superiores a 1008 euros (calculador da Pordata). Imagino que os autores da notícias e comentários não ficariam felizes se isso acontecesse aos seus actuais salários…

Mas há mais. O mesmo decreto-lei congelou as rendas em todo o país. Prometeu que seria apenas por um mês, foi por muitos anos, com as consequências conhecidas.

Por fim, “para evitar a especulação”, foram também congelados todos os preços. Com pouco sucesso. Em 1974 a inflação chegaria aos 26,%, um valor que só seria ultrapassado em 1977 (26,7%) e 1984 (28,5%). Com a particularidade de dessas duas vezes ter coincidido com as anteriores vindas do FMI.

Há saudosismos que são muito reveladores.

Nada como ver claramente visto

13 Abril, 2014

A propósito da polémica sobre a escola antes e depois do 25 de Abril (tirando a doideira ideológica que colocou umas crianças portuguesas a cantar loas à economia cubana a degradação do ensino em Portugal pouco tem a ver com o 25 de Abril em si mesmo mas sim com um fenómeno comum a outros e muito demoráticos países chamado eduquês, modas pedagógicas, igualitarismos nivelados pela mediocridade …) não há melhor teste que a comparação dos enunciados de exame.
Compare-se por exemplo este exame de Português de 1972 de Português para os alunos do antigo 5º ano (actual 9º) com a prova que foi efectuada em 2002 para o mesmo nível (link corrigido)

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Isto não é novidade. É fatalidade

13 Abril, 2014

RTP: Documento de Bruxelas liga pensões portuguesas à evolução da economia

Público: Troika diz que valor das pensões vai ficar ligado a factores económicos e demográficos

Num esquema por transferência como o nosso as pensões ou são indexadas à demografia e à economia ou passam a ser crescentemente suportadas por impostos. Tentar indexá-las ao vento ou ao pensamento positivo são opções com inúmeros fiéis mas infelizmente sem qualquer resultado prático. Repetir três vezes Luta, Roubo, Miséria também não tem resultado. O espiritismo tem algum sucesso mas os espíritos invocam a sua qualidade de espíritos e também não pagam. Logo se o sistema se mantiver por transferência ou as pensões são indexadas à realidade ou o sistema não sobrevive. E as gerações mais jovens  que descontam para a segurança social desde que começaram a trabalhar contarão uma linda história aos netos que os terão de sustentar: “Era uma vez um tempo em que os avós tinham reformas calculadas a partir do último vencimento…”

Quem disse? Foi dos bons ou dos maus?

13 Abril, 2014

No Portugal não democrático, no Portugal pré-União Europeia e pré-Comunidade Europeia havia ensino de excelência apesar do regime político em que se vivia e isso era possível porque numa escola era desejável reforçar a própria cultura de excelência da escola. Não estou seguro que aconteça hoje o mesmo em muitas escolas portuguesas e europeias. — Durão Barroso

Isto chateia muito as pessoas. Uma coisa é comparar salários mínimos com Abril de 1974, outra é comparar corporações e metodologias de inflação das estatísticas da “geração mais bem preparada de sempre”. Reparem: a educação em 1973 era uma lástima que até permitiu que a malta elegesse o doutor Mário Soares mal teve oportunidade, incluindo para presidente da república. Isto só pode mostrar o quão as escolas funcionavam mal e ensinavam ainda pior. Poucos anos depois, as pessoas instruídas nos pré–74 (uso de “instruídas”no sentido lato) acabaram a eleger o professor Cavaco Silva. Onde é que isto mostra uma aprendizagem correcta de conceitos? Onde é que isto é mostrar a vontade do ex-aluno em aprender a aprender? E em que é que este sistema de ensino contribuiu para a mobilidade social, nomeadamente para a construção de moradias nos subúrbios, substituindo a enxada dos pais pela mangueira da relva e o gnomo de jardim dos filhos?

Temos que denunciar esta falsidade. As escolas até 1974 eram uma vergonha. Uma aberração fascista. Uma desgraça anti-pedagógica. Por isso, nada melhor que impedir pessoas mal formadas, com escolaridade concluída até 1974, de participarem nas decisões da vida pública. Temos que afastar estas pessoas do poder legislativo, judicial e executivo. Temos que as afastar dos média e das colunas de opinião. Temos que mostrar-lhes que eles são os responsáveis pela desgraça do país porque, coitadinhos, passaram por uma escola fascista, sem rigor, sem objectivos e sem qualquer mérito a assinalar, sob risco de aceitarmos que o discurso de ruptura brutal com o pré-Abril é, na realidade, uma continuação da propaganda típica de regimes pré-Abril (mas do lado dos bons).

39 anos para dar uma notícia

12 Abril, 2014

O Expresso demorou 39 anos para dar a notícia de que o salário mínimo real é menor que o salário mínimo do PREC.

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Como mostra este gráfico do próprio Expresso, o salário mínimo ao longo dos últimos 39 anos foi sempre menor que o do PREC.

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O salário mínimo do PREC era de tal forma irrealista que só em 1984 recomeçou a crescer sutentadamente.

De notar os três períodos de subidas irrealistas do salário mínimo: PREC, 77-80  e Sócrates.

Anda tudo a discutir socialismo e PREC

12 Abril, 2014

Há anos que não se ouvia uma discussão tão interessante sobre socialismo, o PREC, a reforma agrária, a nacionalização da banca e outras coisas fascinantes.

Esta discussão é interessante porque, ao contrário do que pensam os excitados sobre o tema, não reflecte o desejo de revolução ou mais colectivização e sim o luto necessário para enterrar a perda em troca por nostalgia.

Equivale mais ou menos à fase 4 do modelo de Kübler-Ross.

Os ausentes

12 Abril, 2014

Vejo frequentemente dados estatísticos serem usados para concluir o contrário daquilo que eles significam. Este parece ser um caso.

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Este gráfico mostra as pessoas que têm emprego e que ganham o salário mínimo. O que é que este gráfico não mostra? Não mostra as pessoas excluídas do mercado de trabalho por não conseguirem produzir acima do salário mínimo. E com essas os defensores do salário mínimo nunca se preocupam. A presença de adultos e licenciados entre os que ganham salário mínimo sugere que a linha de exclusão do salário mínimo já é demasiado elevada e que há não só adolescentes mas também adultos sem qualificações que são excluídos do mercado de trabalho.

Note-se a desproporção entre homens e mulheres. Esta desproporção sugere que um aumento do salário mínimo levará muito mais mulheres que homens para o desemprego.

PS. Falácia lógica que toma os sobreviventes de um processo como representativos da população original: Survivorship bias

Aberta a confusão na reestruturação do sistema hospitalar

12 Abril, 2014

A Portaria nº 82/2014 de 10 de Abril do Ministério da Saúde determina a classificação de hospitais mediante alguns critérios, chegando a 4 grupos distintos. Um hospital pode ser do Grupo I, II, III ou (exclusivo) IV. Os do grupo IV são hospitais especializados nas áreas de oncologia, medicina física e de reabilitação e psiquiatria e saúde mental.

De acordo com a classificação, hospitais do grupo I terão valências de ginecologia mas não de obstetrícia. Apenas hospitais do grupo II e grupo III são especificados como tendo valências de ginecologia/obstetrícia. Assim, as maternidades do país seriam centralizadas em Évora, Faro, Viseu, Lisboa, Vila Real, Vila Nova de Gaia, Braga, Coimbra e Porto.

Entretanto, a ACSS já veio a público negar o fecho dos serviços de obstetrícia nos hospitais do grupo I. Menos de 24 horas e já é necessário corrigir erros na portaria. Se numa área tão visível já se percebe a divisão a régua-e-esquadro do sistema hospitalar, como se de divisão de África se tratasse, será de esperar um chorrilho de protestos – alguns dos quais certamente justos – no mínimo pela falta de rigor que a portaria apresenta.

Numa área onde a reestruturação tem que ser feita com pinças sob risco de decisões serem tomadas mediante vontades de grupos de interesse locais, este erro básico é apenas o prólogo da confusão que está para chegar. Completamente evitável.

como é que faz?

11 Abril, 2014
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Como é que faz alguém que temporariamente fica desempregado e não consegue imediatamente o emprego que procura, ou que quer ter algum rendimento enquanto estuda num curso superior, ou que precisa de ganhar dinheiro enquanto procura um emprego compatível com as suas ambições, ou que quer acrescentar à reforma uma actividade profissional remunerada, ou que tem poucas aptidões para um mercado de trabalho em recessão e de grande exigência? O mercado de trabalho poderá oferecer-lhe uma ocupação compatível com as suas circunstâncias de ocasião, ou será preferível remeter essa pessoa para as estatísticas do desemprego ou para os bancos de jardim dos reformados?

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11 Abril, 2014

Qual é o compêndio do Artur Baptista da Silva que explica a relação entre a existência de reformas para os juízes do TC e os militares portugueses? Já agora alguém sabe se o Artur Baptista da Silva  também analisou a extinção do Conselho da Revolução?

Noções de Liberdade e Democracia

11 Abril, 2014

Por Nicolau Santos:

O problema é da senhora presidente da Assembleia da República porque, se tivesse um pingo de bom senso, lembrar-se-ia que este ano se comemora uma data redonda, 40 anos, sobre o 25 de Abril de 1974, pelo que seria totalmente admissível que abrisse uma excepção e que, para além dos parlamentares, fosse dada voz aos militares que abriram caminho para que esta Assembleia da República existisse.

O problema é da senhora presidente da Assembleia da República porque, se fosse minimamente agradecida, lembrar-se que a reforma que aufere por ter sido juíz do Tribunal Constitucional só é possível porque os militares que não quer ouvir abriram caminho para que tal fosse possível.

Em resumo, os militares devem poder discursar no Parlamento porque a Presidente do Parlamento deve-lhes a reforma. E porque é uma data em hexágomo, se fosse uma data estrelada já não se justificava. E temos que ter muito respeitinho por quem nos dá a democracia e a liberdade, que não são nossas, mas um favor que estes militares nos fizeram.

SMN como medida eleitoralista

11 Abril, 2014

Uma das ideias mais focadas na Quadratura do Cículo foi a de que este anúncio de aumento do SMN seria eleitoralista e que o timing é inadequado.

Sinceramente, não estou a ver como é que um aumento do SMN pode ser outra coisa que não uma medida eleitoralista. Afinal trata-se de atribuir rendimento a uns, bem visíveis, penalizando que não se apercebem disso, sem qualquer mérito de quem recebe ou de quem atribui, apenas porque quem atribui tem o poder de o fazer com dinheiro alheio. Não se percebe como poderia não ser eleitoralista se quase todos os partifos fizeram desta medida cavalo de batalha. Nem se entende que outro timing poderia ter tornado esta medida não eleitoralista tendo em conta que se está em campanha eleitoral permanente entre a Primavera de 2013 e o Outono de 2015. É óbvio que é eleitoralista. Os politicos só criaram o SMN e só o aumentam periodicamente porque dá votos, dada a iliteracia económica dos eleitores.

Lobo Xavier e o salário mínimo

11 Abril, 2014

Ontem, na Quadratura do Cículo, Lobo Xavier explicava porque deve subir o salário mínimo. Segundo ele, como o governo baixou o IRC, então tem que se aumentar os salários por decreto para os trabalhadores ganharem com isso.

Somo um país sem emenda. Primeiro decide-se estimular o investimento baixando o IRC para depois decidir que afinal o que se pretendia era premiar os trabalhadores, pelo que agora vamos aumentar os custos às empresas penalizando o investimento. Nesse caso, é muito mais simples baixar o IRS e não se anda aqui a enganar ninguém.

Diga-se que o debate na Quadratura foi de uma pobreza extrema, não tido sequer sido mencionado o efeito que um aumento do salário mínimo no desemprego, sobretudo no desemprego jovens, dos menos qualificados e nas regiões mais pobres.

O custo máximo de um salário mínimo

11 Abril, 2014
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Em Portugal, como é publico e notório, as discussões realizam-se quase sempre sem uma base sustentada. É curioso, por exemplo, ver como tem do salário mínimo regressou ao debate, com alguns governantes a apoiarem vivamente o seu aumento, sem que se pondere, por um momento que seja, as consequências de tal medida.

No livro recente que eu e a Helena Matos escrevemos – “Este país não é para jovens”, Esfera dos Livros – há uma passagem sobre o impacto do aumento do salário mínimo sobre o emprego, especialmente o emprego jovem, em que citamos estudos portugueses realizados por académicos qualificados e baseados numa análise sólida e sustentada da realidade empírica. Aqui fica um extracto dessa passagem (mas podem sempre comprar o livro, os autores agradecem):

Há um consenso muito alargado entre os economistas no sentido de considerarem que o salário mínimo tem um impacto negativo sobre o emprego, isto é, que gera desemprego. Um inquérito recente realizado à comunidade académica nos Estados Unidos revelou que essa é a opinião de três em cada quatro economistas. Não surpreende, porque praticamente toda a investigação realizada sobre a maté‐ ria apontou nesse sentido. Mas não surpreende sobretudo porque, sendo o trabalho uma mercadoria, está há muito estabelecido pela teoria económica que a procura diminui quando o preço aumenta. O estabelecimento de um salário mínimo e o aumento do seu mon‐ tante a um ritmo superior ao da inflação mais produtividade levam logicamente a que aumente o número dos trabalhadores dispostos a aceitar o salário mínimo (uma vez que venderão a sua mercadoria a um preço mais elevado), ao mesmo tempo que diminui o número de empresas dispostas a pagá‐lo (pois têm de pagar mais por um dos seus factores de produção).

Portugal não é excepção. Um estudo realizado em 2011 por Mário Centeno, Cláudia Duarte e Álvaro Novo, e publicado no Boletim do Banco de Portugal, permitiu analisar milhões de empregos regista‐ dos entre 2002 e 2010 na Segurança Social e concluir que, para os trabalhadores do salário mínimo, cada aumento de 5% no valor do que recebem faz diminuir em três pontos percentuais a probabilidade de conservarem o emprego. Os autores referem que estes dados são consistentes com cálculos realizados nos Estados Unidos e em França.

Ler mais…

Se bem me lembro

11 Abril, 2014

do que vaticinaram os sábios, os ilminados, os senadores, os solidários, os que sentiam as dores da revolta e da pobreza alheias…. por esta Abril de 2014 nós estaríamos na mais negra miséria, o programa teria falhado, havera já um segundo resgate… TEndo em conta a diferença entre a realidade e a ficção espera-se no mínimo uma reflexãozinha. Porque não correram as coisas como garantidamente sabiam que ia acontecer?

Secretário de estado esteve mal

11 Abril, 2014

O secretário de estado da cultura, Jorge Barreto Xavier, esteve mal na entrega do prémio à escritora Alexandra Lucas Coelho, respondendo-lhe que o seu comportamento era “básico”. A forma correcta – e o comportamento exigido a um governante perante trauliteirice analfabeta – seria a caracterização da senhora como “imbecil”, no mínimo, adjuvando com gestos as expressões necessárias para indicar o local exacto onde esta devia enfiar o prémio.

Uma outra forma de olhar para o “empobrecimento”

10 Abril, 2014
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Não há muita volta a dar: se o produto interno bruto do país tem diminuído, a sua riqueza tem diminuído.

É importante perceber como.

Em 2007 o PIB português atingiu o seu máximo histórico: 164.660 milhões de euros (preços constantes de 2006). Em 2013 quedou-se pelos 153.609 milhões. Ou seja, menos 6,7%. É esse o balanço acumulado da crise e da austeridade.

Façamos agora um pequeno exercício, recorrendo ao último relatório do INE sobre o produto de 2013: retiremos o investimento em construção civil e obras públicas. Os números passam a ser 142.454 milhões (em 2007) e 141.828 (em 2013). Isto representa uma contracção de apenas 0,4%. Ou seja, quase nada.

Isto significa que sem compressão do sector da construção quase não teria havido recuo do PIB. Acontece que a compressão deste sector era inevitável.

Se recuarmos um pouco mais nas séries verificamos que o sector da construção representou 17,5% do PIB entre 1999 e 2001 – foi a glória dos anos finais de Guterres e o triunfo dos planos lançados pelo empreiteiro-mor da nação, João Cravinho. A partir daí começou a diminuir e, o ano passado, só contribuiu para 7,7% do PIB. Uma queda de dez pontos percentuais.

Sector da construção perdeu mais de metade do seu peso no PIB | Create Infographics

Quem conhece o país sabe bem que manter o ritmo de construção de há 10, 15 anos não só era impossível como teria sido ainda mais suicidário: não falta por aí casa por vender ou estrada subutilizada. O que significa que, com ou sem crise, teríamos sempre de passer por um periodo de “empobrecimento” provocado pelo simples facto de termos deixado de gastar tanto dinheiro em betão.

Pior ainda: quando olhamos para os números do final do século passado e dos primeiros anos deste século verificamos que boa parte do crescimento económico dessa época apenas existiu porque se investou mais e mais em construção e obras públicas. Como esse investimento foi mais gasto inútil do que real investimento, ficámos com muitas dívidas para poucos ganhos de facto em infraestruturas realmente importantes para o crescimento económico.

Evolução do PIB com e sem construção (base 2007=1) | Create Infographics

É bom recordar estes números singelos agora que se fala tanto em relançar o investimento público em betão.

 

Ridiculite abrilesca

10 Abril, 2014

A minha opinião está dividida entre a do José Manuel Fernandes e a da Helena Matos. Se, por um lado, seria extremamente útil televisionar o pior da portugalidade abrilesca, com comentário da Anabela Neves e flash interviews de penduras sistémicos como sindicalistas com função única de sacar uma quota ao sindicalizado para a “luta, camarada, a luta”, isto enquanto avançam mais um a dois centímetros na barriga de proto-enfarte; por outro, seria interessante explicar à jarretada abrilesca que, já no próximo ano, a duração do Estado Novo (1933–1974) será igual à do período pós–1974. Começa a ser tão maçador ouvir o “não foi para isto que fizemos o 25 de Abril” como seria ridículo ouvir algures em Baden-Württemberg no ano de 1974 o discurso de Hitler em Berlim (1933) sobre “não foi para isto que fizemos a nação germânica”.

O ambiente contentor tem de conter o quê para que os adolescentes sem bússola não fujam de casa por causa da crise?

10 Abril, 2014

«Quando a casa não tem um ambiente contentor de que os adolescentes precisam, quando os pais não conseguem oferecer-lhes isso, já que eles próprios estão desamparados, o adolescente fica sem bússola» e por isso «Cada vez mais adolescentes em fuga devido à crise»

 

Um discurso com 40 anos de atraso

10 Abril, 2014

Ao contrário do JMF acho que os militares devem falar nas cerimónias do 25 de Abril. Para se recuperar o espírito que os animou há 40 anos devem fazer na AR um plenário do MFA  (talvez se possa dispensar a parte do sentarem-se no chão). Assim os militares presentes poderiam tal como há quarenta anos decidir por sua livre iniciativa não o cessar-fogo no Ultramar, como fizeram em Junho de 1974, mas por exemplo o cessar do pagamento da dívida. Naturalmente em 2014 os credores explicariam  tal como fizeram em 1974 o PAIGC e a FRELIMO aos negociadores portugueses que estes não tinham nada a negociar e apenas  a aceitar porque os militares portugueses já os tinham desautorizado. Também poderiam nesse ambiente de plenário evocar o momento em que discutiram o restabelecimento da pena de morte em Portugal, as ocupações, a não intervenção na embaixada de Espanha  e naturalmente as ameaças de confrontos físicos, abraços e choradeiras que animavam esses plenários, o que até permitiria a Vasco Lourenço um grande protagonismo.Como é óbvio as intervenções poderiam ter um prolongamento na rua onde tal como há 39 anos poderiam levar as suas intervenções até  àqueles magnífico momento em que Portugal esteve não à beira de uma guerra civil mas sim de uma guerra entre facções militares a que os líderes políticos civis se colavam.

Dado o carácter didáctico das intervenções ficaríamos elucidados sobre um dos aspectos mais relevantes dos militares de Abril: à excepção de Melo Antunes não tinham discurso. Quererem proferi-lo com 40 anos de atraso mesmo num país pouco pontual é no mínimo grotesco.

Se a troika não tivesse vindo

10 Abril, 2014

Este conjunto de reportagens “Os anos da “troika” chamar-se-ia como? Não foi a troika quem nos criou problemas. Livrou-se sim das mais terríveis consequências dos problemas que nós criámos. Esta transferência para a troika das culpas pelo empobrecimento é retoricamente fácil mas não é justa e sobretudo é enganadora. Em boa verdade vivemos os anos do endividamento. Sem a ajuda externa, com os juros nos valores em que se encontravam  e sem nos conseguirmos financiar como teria sido a nossa vida? Numa hipótese bondosa viveríamos agora Os anos da negra miséria.

Debate com o Homer Simpson

10 Abril, 2014

Eu esforço-me, a sério. No entanto, tudo que o professor Cardoso tem a acrescentar é um post divertido com macaquinhos, assumindo-se como o Homer Simpson da blogosfera, disparando contra os empresários com a mesma voracidade com que ergue a banana aos simplórios, “mirai, este é o fruto da equidade entre bípedes de boa fé”. O meu problema nunca foi com comunistas, coitados, privados neste país da oportunidade para colocarem em prática o sistema de vassalagem ao comité central que lhes permite lugar de primazia na fila para o pão; o meu problema foi sempre com socialistas nacionalistas que julgam ser comunistas, em particular quando demonstram inabilidade para alguma retórica que mascare a miserabilíssima vontade de prepotência do lado pelo qual decidiram alinhar.

Erro meu crer que dali pudesse sair um debate interessante. Tenho demasiada fé nas capacidades das pessoas e entristece-me verificar o erro de tal generalização quando demonstrado em público. Por mim dou por terminado “o debate” – fique lá com a banana, professor.

Foi exactamente para isto que fizemos o 25 de Abril

9 Abril, 2014
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Há uma frase que me irrita especialmente. É ela: “não foi para isto que fizemos o 25 de Abril”. É uma espécie de muleta a que recorrem com frequência alguns militares de Abril, como se tivessem uma espécie de direito eterno sobre o destino de Portugal.

Essa frase ainda de novo a propósito do 40º aniversário do golpe de Estado e da chantagem que alguns militares estão a fazer sobre a Assembleia da República. Aparentemente entendem que só eles sabem o que é o espírito do 25 de Abril e só eles deveriam ter a honra de dizer de sua justiça nas comemorações oficiais. Convidados a estarem presentes – depois de dois anos de ostensiva ausência -, anunciam que não querem ser “a jarrinha na mesa” e que só irão se falarem no mesmo palco onde discursarão os representantes do povo português – os partidos políticos, a presidente da Assembleia e o Presidente da República.

No fundo estes militares não entendem nem o que fizeram a 25 de Abril nem o que se espera de quem é militar. A 25 de Abril, julgamos nós, acabou-se com uma ditadura, permitindo que a partir daí o povo escolhesse os seus representantes e, através deles, escolhesse o rumo que entendia querer dar ao país. Assim tem sucedido desde então e, por mais defeitos que encontremos no nosso país, não podemos dizer que alguma vez tenha existido batota eleitoral ou que outros que não os que tiveram mais votos nos tenham governado. Alguns dos militares de Abril não gostam da actual maioria? Estão no seu direito e nem lhes tolhe a palavra. Não podem é reivindicar ocupar o palco que há décadas está reservado para os representantes do povo. Há muitos outros palcos, que os ocupem (como, de resto, têm feito). Agora quando se acham no direito de exigir tomar a palavra esquecem que o dever dos militares, mesmo dos que nos deram a liberdade, é de realizarem a sua missão e, depois, regressarem a casa – ou aos seus quartéis. Foi o que fez, com a humildade e a honra próprias de quem tinha cumprido o seu dever, Salgueiro Maia.

Querem fazer política? Sujeitem-se ao voto dos portugueses. No passado alguns militares o fizerem – Martins Júnior, pelo PS, Mário Tomé, pela UDP, e Sanches Osório, pelo CDS. Curiosamente só Marques Júnior – para além de Ramalho Eanes, este na condição de Presidente eleito – discursou num 25 de Abril, no 35º aniversário, em 2009. Militares que não dão mostras de querer sair de cena e que, sem pudor, passam a vida a ameaçar com outra revolução são militares que não honram nem o 25 de Abril nem as Forças Armadas. Ponto final, parágrafo.

Não fosse esta chantagem – e a promessa de que utilizariam a sessão solene para fazerem política conjuntural – e talvez fosse imaginável convidar um desses militares para dizer umas palavras na sessão solene. Porventura o mais representativo de todos, porque em tempos eleito por todos: Ramalho Eanes. Alguém que, creio, aceitará o convite para estar presente sem colocar qualquer condição.

É por isso tudo que os deputados que não aceitam a chantagem desse grupo de militares não estão a “vetar” nada, ao contrário do que alguns jornais titulam. Estão antes e apenas a defender as instituições democráticas saídas do 25 de Abril.

 

Que boa ideia: vamos nacionalizar a banca e enriquecer por 12 meses

9 Abril, 2014

A culpa é dos bancos e dos trogloditas dos empresários portugueses, diz, naturalmente, um funcionário público. Se não fossem os bancos (que é preciso nacionalizar) e o facto dos empresários portugueses não terem a formação da doutora Raquel Varela, Portugal seria já o Luxemburgo da Ibéria; Luxemburgo, que como sabemos, é a Coreia do Norte da Europa; Europa que é a Libéria de África. Isto é tudo muito confuso.

Uma coisa não percebo: se os parolos dos empresários portugueses, em vez de investirem (toma lá mais salário, meu menino), “gastam lá em casa, na casa de alterne e no stand de automóveis”, isso não é desejável por fomentar, precisamente, o consumo interno?

Eventualmente não é esse o investimento que o professor Cardoso tem em mente, o do consumo interno. Deve ser, então, o investimento em desenvolvimento que origina a deslocalização da manufactura para outros países onde a mão de obra é mais barata. É que só assim podemos cobrar impostos suficientes para pagar convenientemente aos funcionários públicos que “pensam” isto como deve mesmo de ser.

O colosso está aí: a culpa é da ausência do Homem Novo, algo que já cansa por sair essencialmente da boca de homens velhos.

FAQ: Salário Mínimo

9 Abril, 2014

O que é o salário mínimo?
É um valor arbitrário determinado por pessoas com capacidade financeira para o gastar numa noite de copos.

Para que serve?
Para os seus proponentes se sentirem bem e mostrarem que não só pensam a sociedade como se preocupam com pessoas concretas.

Quais pessoas concretas?
Os pobrezinhos que não têm a sorte de poder gastar um salário mínimo numa noite de copos a discutir o valor do salário mínimo. Aquilo a que a malta fixe chama um “momento world press photo”.

Mas o salário mínimo protege os trabalhadores não qualificados, não?
Não. Fomenta a sua substituição, sempre que possível, por automatismos tão ou mais eficientes e com custos fixos determinados não sujeitos a uma noite de copos onde se decide qual o custo que terá daí para a frente.

As pessoas são números?
Para os proponentes do salário mínimo, são. Quer dizer, são desempregados em potência, mas isso só é trágico quando nos bate à porta e começamos a fazer biscates ilegalmente abaixo do salário mínimo.

Sem salário mínimo haveria escravatura.
Errado. Com salário mínimo há trabalhadores no mercado informal impedidos de realizar contratos que os protegem. É a coisa mais próxima da escravatura porque presume que uma lei impede pessoas de realizarem transacções por serviços abaixo de determinado valor. Não só é irrealista como pensar que se impede tal coisa por decreto é simplesmente parvo.

Porque tem que haver salário mínimo?
Porque os socialistas que levam países à falência acham que é uma boa ideia e o seu eleitorado é composto de pessoas susceptíveis de acreditar em qualquer treta múltiplas vezes. É o efeito messiânico que promessas de milagres origina.

Porque recebemos menos que os luxemburgueses?
Porque produzimos menos valor que os luxemburgueses. Ou dito de outra forma, quanto paga à sua empregada doméstica para ter tempo para se queixar que isto não se aguenta? Ou ainda melhor, quanto lhe paga para “pensar na sociedade” em vez de lavar a louça?

Eu pago à empregada doméstica o mesmo que as outras pessoas, de outra forma não conseguiria contratar uma no mercado informal.
Eu sei. Chama-se lei da oferta e da procura e não tem nada a ver com salário mínimo. Experimente contratar um soldador subaquático por 500€.

Isso é uma ideia fascista.
Só seria uma ideia fascista se tivesse como objectivo “pensar a sociedade” e criar igualdade artificialmente onde ela não existe, fechando os olhos aos efeitos colaterais. Se estamos no domínio do “pensar a sociedade”, só existem socialistas: uns mais autoritários, outros mais homo-sensíveis no seu “pensar da sociedade”. São todos iguais e acham que são mais espertos do que você, que faz uns biscates por fora.

Receber abaixo de determinado valor é indigno
Então não receba. Ninguém o obriga. Pode sempre dedicar-se a comentar posts em blogues.

Quanto recebes para escrever estas coisas que fazem doer na alma dos portugueses com bom coração?
Nada. Infinitamente abaixo do salário mínimo.

Quero deixar um comentário a este post.
OK. Sem problemas. Acrescente no fim o valor que paga à empregada doméstica e o que o impede de aumentar esse valor.

Breve lição sobre inovação

9 Abril, 2014

Uma start up israelita está a desenvolver uma bateria de telemóvel que pode ser carregada em 30 segundos.

A  1ª má notícia é que este sistema é incompatível com o carregador universal de telemóveis obrigatório que a União Europeia aprovou recentemente.

A 2ª má notícia é que estas maquinetas vão para a sucata.

Mobi.E posto

Qual é a lição?

Inovação é tudo aquilo que os burocratas e políticos não conseguem prever.

Prognóstico LiVRE antes do fim do jogo

9 Abril, 2014

Prognóstico das primárias do LiVRE segundo vários critérios:

Elegibilidade

  • Lugar elegível: ninguém
  • Com sorte, chegam lá: Rui Tavares
  • Oh, que azar: todos os outros

Por compreensão do tratado orçamental

  • Compreendem: ninguém
  • Acham que compreendem: todos
  • Admitem não compreender: ninguém

Por preferência religiosa

  • Crentes em religião secular: ninguém
  • Crentes em eco-socialismo-pec4-newageísmo-proto-fascista: todos

Por igualdade de género

  • Não há pénis nem vaginas, só a plenitude do ser fragmentado único com múltiplas facetas sexuais que englobam sexualidade hiper-N-genérica: todos
  • Gostam da existência de bombeiros espadaúdos e hospedeiras de pernas torneadas: ninguém

Crença no LiVRE como mais que a plataforma de candidatura do Rui Tavares

  • Acreditam: todos menos um
  • Não acreditam: Rui Tavares

Votariam PS ou Bloco se não fossem candidatos do LiVRE

  • Bloco: quem nunca lá esteve, que aquilo é uma desgraça desde que o Louçã decidiu colocar dois chanfrados a liderar um partido unipessoal
  • PS: todos os outros excluindo Rui Tavares
  • Partido Rui Tavares: Rui Tavares

Por consequência séria ao nível europeu

  • Consequente: ninguém
  • É um emprego garantido: todos

Pela crença de que “é preciso mudar a Europa”

  • Crêem: todos mais os amigos e todas as pessoas que conhecem
  • Não crêem: nenhum, incluindo o gato

Pela realidade

  • Toma lá a bicicleta, com voto lisboeta e algum (muito menos) portuense: Rui Tavares
  • O que é o LiVRE?: todos os outros e resto do país

Salário mínimo

9 Abril, 2014

Portugal tem cerca de 15% de desemprego e tem licenciados a ganhar salários muito próximos do actual salário mínimo. Tem também uma vasta população com 4 a 6 anos de escolaridade mínima, grande parte desempregada e que não teria lugar em empresas tecnológicas avançadas. Qual é a proposta que se discute? Aumentar o salário mínimo. Deve ser para ver se há empresários suficientemente estúpidos para contratar pessoas com a 4ª classe ao preço de licenciados, tendo 600 ou 700 mil desempregados à escolha.

O País deles

8 Abril, 2014

Em Portugal o poder é de esquerda. A esquerda às vezes não ganha as eleições. E nesses momentos comporta-se com despeito. Afinal sendo o poder natural e geneticamente seu só por absurdo não o exerce. Por isso quando o PS não é governo abundam exemplos de umas figuras que acham que o seu País já não é o seu País simplesmente porque o povinho não votou a seu contento e a classe jornalística tão dada a indignar-se com isto e aquilo aguenta calada as acusações de José Sócrates a José Rodrigues dos Santos: «Eu compreendo o seu ponto de vista. Você acha que se deve colocar no papel de advogado do Diabo. Mas, até o advogado do Diabo pode ser inteligente e pode perceber que não basta papaguearmos tudo o que nos dizem para fazer uma entrevista”, disse.» (minuto 15.11)

 

 

 

A ler

8 Abril, 2014

Pedro Feytor Pinto: «se a Catalunha e o País Basco, e a seguir a Galiza, se separarem e entrarem numa república confederativa ibérica, vão querer meter-nos ao barulho. E, se calhar, até há gente que acha que essa é uma solução para Portugal»

Já que o poliamor está na ordem do dia

8 Abril, 2014
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Talvez seja altura de se discutir a poli-co-adopção integradora dos direitos e liberdades de todas as pessoas envolvidas. Ah, e da criança, não esquecer a criança.

Sugiro uma análise da jurisprudência de outros povos.

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Poliamor reprimido

8 Abril, 2014

A propósito deste post do Joaquim SC.

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Proposta “comam brioches”

7 Abril, 2014

Sátão, Aguiar da Beira, Sernancelhe, Fornos de Algodres, Paços de Ferreira, Lousada, Ourique, Góis, Mondim de Basto, Vimioso, Vila de Rei, Felgueiras, Vizela, Celorico da Beira, Boticas, Barrancos, Sousel, Vila Nova de Paiva, Cinfães, Alandroal, Fafe, São Pedro do Sul, Tábua, Vinhais, Marvão, Cabeceiras de Basto, Penamacor, Oleiros, Freixo de Espada à Cinta, Arronches, Sabugal, Ponte de Lima, Pampilhosa da Serra, Castro Daire, Mesão Frio, Almodôvar, Almeida, Sardoal, Alfândega da Fé, Moimenta da Beira, Crato, Meda, Valpaços, Armamar, Paredes de Coura, Alviázere e Santa Marta de Penaguião. São os municípios que, de acordo com números de 2011, têm diferença entre o salário mínimo nacional e a remuneração base média mensal superior a –160.

O Bloco quer um salário mínimo de 545€. Isto corresponde a um aumento superior a 12%. Nos municípios apontados significaria um aumento de desemprego verdadeiramente brutal: o efeito de um aumento de salário mínimo no município de Lisboa não é particularmente relevante para o desemprego mas, em regiões cujos salários médios estão perto do salário mínimo, significa uma destruição cega pelo centralismo socializante-controlador.

O que esta proposta mostra define o eleitorado Bloco: um grupo de chanfrados que se preocupam muito com os pobrezinhos mas lá longe daqui, da nossa galeria de arte avant-garde. Foi a proposta mais “comam brioches” de sempre: parabéns.

Ora aqui está a nova causa!!

6 Abril, 2014

Um caso de poliamor que assume a liberdade de escolha

Mutualizar. Reestruturar.

6 Abril, 2014

as finanças do PS têm um buraco de 3,6 milhões de euros.

Aqueles notáveis todos mais o BE certamente que se vão solidarizar e assumir a mutualização dos orçamentos do PS.  E certamente que o líder do PS vai mandar o Galamba aos bancos dizer que quer reestruturar.
Depois dessa experiência histórica podem fundamentadamente propor o mesmo ao país.

Ruanda

6 Abril, 2014

«….as elites radicais exerceram um papel crucial no desenrolar dos massacres [38]. «Os responsáveis pelo genocídio no Ruanda não são camponeses pobres e ignorantes; são pessoas instruídas. São os professores, os políticos e os jornalistas que se expatriaram para a Europa para estudarem a Revolução Francesa e as ciências humanas. Os que viajaram, os que são convidados para colóquios e convidaram brancos para jantares nas suas mansões. Os intelectuais que compraram bibliotecas que chegam ao tecto. Não mataram com as suas próprias mãos, mas mandaram outros fazer o trabalho nas colinas», refere um depoimento que Hatzfeld publicou em Na Nudez da Vida [39].» A ler. Obviamente no Malomil.

 

Espantalho do dia

5 Abril, 2014

Pacheco Pereira dedica hoje um artigo inteiro do Público a um tweet do secretário de Estado Bruno Maçães. Apesar do esforço de Pacheco Pereira, no fim o tweet ganha. Mas creio que seria mais útil se Pacheco Pereira em vez de atribuir a Bruno Maçaes ideias que não se sabe se ele defende ou não, comentasse as ideias que Bruno Maçães de facto defende. Deixo aqui algum material. Como se pode ver, a maior parte das ideias que Pacheco Pereira atribui a Maçães são desmentidas no video.

Deviam era obrigá-los a ficar!

4 Abril, 2014

Agentes da PSP tentaram esta tarde retirar os cerca de 150 dirigentes sindicais que ocupavam a receção das instalações do Ministério da Educação, gerando situações de agressões leves ente polícias e manifestantes.

a) Os 150 sindicalistas (150!!!!) recebem ordenado no fim do mês

b) Progridem na carreira como trabalhadores mas muitos trabalham exclusivamente nos sindicatos

c) São pagos pelos contribuintes para serem sindicalistas

d) Uma vez na vida foram ao ministério a que muitos deles estão vinculados

… Logo nem que seja sentadinhos deviam ficar para terem esse contacto iniciático com o mundo laboral.

 

Obs. Já que ali estão podiam solidarizar-se com estes colegas: Ordenados em atraso e despedimentos na União de Sindicatos

 

Informação técnica

4 Abril, 2014

O texto integral do relatório do grupo de peritos, com que o Primeiro-Ministro abriu esta manhã o debate quinzenal no Parlamento, pode ser lido aqui.

A lista de autores do relatório está aqui e conta com um português.

Importam-se de fazer as malinhas?

4 Abril, 2014

Quem? Os jornalistas, opinidores, comentadores… que descobriram que os pais deixaram de viver ao pé dos filhos, que os filhos e os netos já não vivem na rua dos avós, que os tios estão longe dos sobrinhos e que as madrinhas já não nos dão a salvação de manhã. Voltem para as vossas aldeias hoje mesmo pois certamente que ansiais pelo tempo em que éramos todos primos e primas na nossa terra. E como bem sabeis da vossa aldeia a Lisboa demorava-se há alguns anos o mesmo ou mais do que hoje de Lisboa a Londres. Ide viver juntinho às vossas famílias e nunca por nunca ser arrisqueis procurar trabalho além da sede concelho ou terras do senhor regedor. Livrai-vos das tentações da cidade, do longe e do demo. Voltai para o pé dos vossos que é onde estais bem.