Nem isso conseguiram
Uma única ideia/proposta havia com interesse no congresso do PSD: a possibilidade de eleições primárias para a escolha dos candidato ás autarquias e a deputados.
Foi tal proposta chumbada. Será mantido o actual sistema caciquista.
Duas moedas para os países endividados*
Este é o título de um artigo de um jovem “politólogo” estónio – Viljar Veebel de seu nome. Na realidade, esse título poderia bem ser “Duas moedas, várias Europas” ou até mesmo, no fundo, “Porquê uma só Europa … quer dizer, uma União Europeia?”
Importa dizer, desde já, que esse artigo, publicado originariamente num jornal de Talin e divulgado pelo diário digital Press Europ (29.02.12) é um texto especialmente ilustrativo daquilo que é o resultado de uma sucessão de erros e precipitações político-estratégicos da União, com particular realce para o “grande alargamento” a Leste, concretizado em 1 de Maio de 2004. Esse último alargamento, dotando a União, pela primeira vez na sua História, de uma dimensão quase continental, também desencadeou (desencadearia sempre) uma mudança de quadros mentais, de interesses e de relacionamento político no seio da Europa integrada.
Mais cedo ou mais tarde algo muda
Recaídas socráticas
O Tribunal de Contas analisou a Parque Escolar e, da “grande obra”, quase só se aproveitam os cacos, sobretudo porque, devido aos desmandos da empresa, “pode estar comprometida” a conclusão do programa de modernização das escolas secundárias a cargo. Gastou-se mais dinheiro do que o previsto e fez-se menos obra do que o exigível. Quem quiser conhecer os detalhes, é só ler as 374 páginas do relatório, coisa que talvez elucide as viúvas do socratismo, com os jugulares à cabeça, mais certos compagnons de route. Adiante.
Face a estes dados o PS podia, com seriedade, reconhecer os erros do passado, mas não: mantendo-se fiéis aos tiques socráticos, considera que a realidade – o relatório e as suas conclusões – afinal só servirá para “desviar atenções de uma agenda neoliberal que pretende colocar em causa a escola pública”. Isto é, não foi o imenso desperdício da Parque Escolar que comprometeu o investimento na escola pública, foi saber-se que esse desperdício existe. Assim, neste reino de aparências, os homens de Seguro não irão longe, podendo apenas limpar as mãos à parede no que toca ao “orgulho nos investimentos que o PS fez na escola pública”.
Síndrome de Estocolmo
O Presidente Sarkozy, certamente vítima de stress causado pelos eventos relacionados com o ataque terrorista e o cerco ao seu autor, em Toulose, desenvolveu um aparente estado psicológico que se encaixa bem no clássico Sindrome de Estocolmo. Neste, as vítimas, desenvolvem empatia pelos agressores.
Só por se encontrar dessa forma alineado poderá justificar que o chefe de estado francês, minutos após a morte do terrorista, venha defender a aplicação de medidas que se enquadram no plano ideológico defendido pelo terrorista: criminalização do acesso a certos conteúdos, o que necessáriamente implicará uma definição política do que seja permitido/proibido, para além da criação de um corpo de vigilância e/ou de instrumentos/técnicas instrusivas sobre a vida do cidadão.
Ceder ao terrorismo pela aplicação de medidas defendidas pelos fanáticos, restringindo as liberdades individuais, é contribuir activamente para que se alcancem os objectivos de quem assumidamente quer destruir as sociedadas livres, abertas e pluralistas.
Uma notícia falsa, obviamente
O boato a que o Expresso se prestou a veículo útil, pelo qual a CGD/Governo estariam dispostos a nomear Teixeira dos Santos para a admnistração da PT é obviamente falso. Ninguém espera que o governo nomeie um ex-ministro que teve a tutela da empresa por via da golden share então existente, uma vez que é de todos conhecido o impedimento legal da sua nomeação antes de decorrido o prazo de 3 anos após o fim das suas funções.
É certo que há sempre uns « …úteis», sem qualquer credibilidade ou por interesse directo que se prestam a alimentar este tipo de mensagens, lançadas simplesmente para entretenimento popular. Aliás, este tipo de falta de profissionalismo e seriedade no jornalismo começa a ser corrente: tornam-se cúmplices das intenções de quem lança o do boato e depois confirmam «em primeira mão» o desmentido da sua própria falsa notícia…., sendo que a intenção será a passar a ideia de um rasto de «discussões, desavenças, disputa de competências….»
Coisas que fascinam
Uma aparentemente corriqueira reunião de ministros dos negócios estrangeiros da UE aprova, sem que para tal exista base legal, mandato parlamentar e constitucional de nenhum dos seus membros, nem tal tipo de acção e objectivos esteja previsto nas «competências» da UE, a extensão de acções militares em território estrangeiro.
Portugal e outros países são envolvidos numa guerra sem ninguém ser consultado ou dar autorização.
Um inquérito que não pode ficar na gaveta
As notícias sobre o que sucedeu no Chiado têm desde o início um padrão: centram-se no momento da agressão e omite-se o que aconteceu anteriormente. Mais só se fala com os membros da Plataforma que organizou a manifestação, com aqueles que s e solidarizam com eles e citam-se declarações da PSP. Mas com as outras pessoas que não estavam no Chiado ninguém acha interessante falar.
O SOL fez aquilo que se impunha: falou com quem estava no Chiado aquado da manifestação e da carga da polícia sobre os manifestantes. Vale a pena ler: «Ernestro Silva, um dos funcionários do café, desenhou um retrato dos acontecimentos que viu a partir do interior do estabelecimento, que chegou a «refugiar clientes». «Vi uma série de indivíduos aparentemente a fugir da polícia, enquanto bombardeavam [os agentes] com cadeiras, mesas e garrafas e com tudo o que apanhavam à mão», contou, ao lembrar que a polícia ia «com alguma dificuldade a perseguir os manifestantes», antes de ver a perseguição prosseguir em direcção à Praça Camões. (…) Uns metros mais abaixo, duas funcionárias de uma loja localizada na esquina do cruzamento, que requereram o anonimato, contaram que os desacatos terão sido provocados por um grupo maioritariamente constituído por jovens. De acordo com as lojistas, o grupo pertenceria à plataforma 15 de Outubro, e que atravessaram a rua «cerca de 15 minutos depois» do ‘pelotão’ geral que integrava os grevistas liderados pela CGTP.»
Entretanto a Plataforma 15 de Outubro começou a invocar novamente a presença de agentes infiltrados e provocadores na manifestação. Não só não me choca dada que existam agentes à paisana nas manifestações como a afinidade entre terroristas e violentos com grupos da extrema direira e da extrema esquerda a recomenda. Já o caso destes agentes passarem a provocadores é outro assunto que tem de ser investigado e severamente punido caso seja verdade. O que não falta da manifestação são videos donde a identificação dos infiltrados não deve ser difícil.
Miauu!!
Tem certamente razão o Paulo Guinote. Isto de as escolas fazerem as actividades extracurriculares que lhes apetece pode tornar-se muito perigoso. E os exemplos que dá são muito bons. Imaginem as escolas com actividades onde se ensina criacionismo. Sei lá, aulas de religião nas escolas. Sem validação científica andar a dizer que Deus criou o Universo. E jogos de computador para ensinar ecologia ou planeamento urbano? Isso também é muito perigoso. Não seria perigoso se ensinassem algum espírito crítico aos alunos, mas todos sabemos que a escola pública não o consegue fazer. Também não haveria problema se os professores tivessem capacidade crítica, conhecimento e cultura. Mas certamente que o Paulo Guinote, conhecendo os seus colegas, sabe que isso é uma utopia. Tem por isso razão. As escolas precisam de ser paternalizadas. Os professores precisam de ser paternalizados. A realidade é como é e não lhes podemos reconhecer discernimento suficiente para tomar decisões que dizem respeito à educação. Eu ainda tive dúvidas, até ter conhecimento de um caso gravíssiomo que se passou recentemente. Ao que parece, numa creche lá para os lados de Lisboa os professores ensinam uma versão adulterada da cantilena “Atirei o pau ao gato”. Adulterar uma canção infantil sem a autorização do Ministério da Educação é já por si um atentado à nossa história e à nossa cultura, uma prova da falta de tino dos professores portugueses, uma evidência do desvario que resultaria da autonomia escolar. Mas a gravidade não fica por aí. A dita professora meteu a criançada a dar vivas ao Benfica (“Pulga maldita, Viva o Benfica” diz a letra adulterada). Ora, tem razão o Futebol Clube do Porto. Trata-se de uma grave violação do dever de imparcialidade clubística da escola pública. O ministro ou se demite ou intervém rapidamente neste atentado à autonomia clubística das crianças. E foi este caso que fez dar finalmente razão ao Paulo Guinote. Autonomia com este nível de irresponsabilidade? Com este corpo docente? Livra …
Fantástica
A tentativa de criar uma bolha de indignação com o facto de Merah não ter sido detido antes dos atentados. Alega-se que Merah estaria referenciado pelos serviço de informações. Mas desde quando é que viajar para o Afeganistão justifica a prisão de alguém? Aliás se Merah se tivesse queixado de as autoridades norte-americanas o terem incluído numa lista de pessoas proibidas de voar para os EUA os mesmos que agora acham que ele devia ter sido preso antes dos atentados não teriam deixado de se indignar com essa atitude dos EUA e teriam garantido que Merah à semelhança dos detidos em Guantanamo não passava de mais um inocente pastor que a paranóia securitária dos americanos levou a identificar como terrorista.
Obs. A propósito Guantanamo já fechou? É melhor que Obama consiga finalmente fechá-lo – era tão fácil não era? – pois algo me diz que aqueles indignados que até 2008 estremeciam com a detenção de suspeitos de terrorismo ainda vão acabar a defender o internamento preventivo de pessoas que (tal como sucedia com Merah até há algumas semanas) não são suspeitas de terrorismo mas apenas de simpatizar com ele.
Agitprop
Perante o fiasco das iniciativas convocadas criam-se incidentes que passando eles a ser notícia fazem esquecer o fiasco. Para esta estratégia resultar são necesssários agentes policiais e jornalistas. Os primeiros porque têm um papel incontornável do incidente mais que anunciado e os segundos porque o registam. A propósito como estava a correr a manifestação do Chiado?
Fuga em frente
Uma das coisas mais interessantes da propaganda totalitária é que perante a derrota se opta invariavelmente pela fuga em frente. Ler hoje a página da Inter é um exercício de História ao vivo.
Tgv: final feliz
O TGV morreu! Respiremos de alívio. O TGV seria talvez o investimento público mais estúpido de toda a história do nosso país. Um TGV não cumpria qualquer regra mínima a que se deve submeter um investimento. Ler mais…
Representantes políticos do sector rentista já estrebucham
PS condena decisão do Governo de abandonar projecto do TGV e critica Tribunal de Contas
É curiosa a argumentação de Ana Paula Vitorino: o TGV deve fazer-se porque há uns fundos comunitários para estourar nestas megalomanias, cujo objectivo é pôr os contribuintes europeus a subsidiar a Alshtom, Siemens & quejandos. Para a componente nacional, recorre-se ao endividamento junto do BEI, que sempre dará para enriquecer os construtores e consultores amigos. Também havia financiadores domésticos no grupo, mas a crise (bendita seja!) tratou de lhes secar o funding.
Mas o que verdadeiramente impressiona é que esta gente não é capaz de sair do paradigma que nos arruinou: a locomotiva do crescimento e do emprego passa pelo investimento público em mega-projectos, que se justificam pelo simples facto de a UE os subsidiar, muito embora se afirme com toda a ligeireza que eles “se sustentam a si próprios”. Por importante que seja o financiamento comunitário, existirá sempre a comparticipação nacional, esta sempre alavancada, directa ou indirectamente, por endividamento externo.
Um modelo baseado na lógica do consumo parasitário. Só podia resultar na Troika…
Vamos lá ver se à terceira é de vez….
«Declaração de Retificação n.º 15/2012. D.R. n.º 55, Série I de 2012-03-16
Retifica a Declaração de Retificação n.º 12/2012, de 27 de fevereiro, que retifica o Decreto-Lei n.º 124/2011, de 29 de dezembro, do Ministério da Saúde, que aprova a Lei Orgânica do Ministério da Saúde, publicada no Diário da República, 1.ª série, n.º 41, de 27 de fevereiro de 2012»»
Vasco da Gama: ponte ou poço sem fundo?
“Só há agora uma solução justa: a expropriação da Ponte Vasco da Gama.”
No Correio da Manhã
Quero lá saber do fosfenismo
O Público e alguns blogues estão muito incomodados porque numa pequena escola pública de Arazede, Montemor-o-Velho, foi devidido aplicar, a título experimental, um estranho método pedagógico chamado “fosfenismo”. O conselho escolar votou a decisão por unanimidade, os poucos alunos que frequentam as sessões tiveram autorização dos pais e não são conhecidos efeitos secundários. Pode ser que o método ajude alunos em dificuldades, pode ser que não (o que eu acho bastante provável), mas a coisa é inofensiva e, na pior das hipóteses, inútil.
Mesmo assim exige-se saber o que pensa o Ministério (por que raio há-de um burocrata em Lisboa pensar alguma coisa?) e duvida-se da bondade da autonomia escolar que permitiu aos pais e professores daquela escola fazerem aquelas experiências com luzes.
Sinceramente, quero lá saber do fosfenismo. Preocupa-me muito mais certa propaganda que se ensina em muitas aulas de História e noutras disciplinas das áreas “sociais”. O que me inquieta mesmo nestas notícias e comentários é atendência nacional para ver o Ministério da Educação como o polícia de todas as escolas e recusar-lhes qualquer grau de autonomia. Deixem-nos em paz, os fosfenos não mordem…
Rendas socialistas
Fonte : ERSE
E ninguém vai preso???!!!
Em 8 de Maio de 2010, escrevi esta posta:
Neste momento, estará a decorrer a assinatura do contrato de concessão do troço Poceirão – Caia do TGV. Isto depois de Sócrates ter ontem em Bruxelas “virado o bico ao prego” (sabe-se lá se por pressão da Comissão Europeia ou por “chantagem” de Teixeira dos Santos), disponibilizando-se para adiar as grandes obras “com excepção das que já tiverem sido adjudicadas”.
Quer-me parecer que os compromissos se estabelecem com a assinatura de um contrato, pelo que se pode questionar a pressa em contratualizar já a obra do TGV que, à semelhança de outras já em curso, será fatalmente paralisada por falta de financiamento.
Seria de todo o interesse que o contrato hoje assinado fosse tornado público, designadamente as cláusulas de penalização por incumprimento. Um assunto que deveria merecer a atenção do Parlamento, do Tribunal de Contas e da Procuradoria.
Hoje, passados quase 2 anos, temos finalmente a “sentença” que sempre se me afigurou como a única possível num Estado que se quer de direito:
Tribunal de Contas chumba contrato do TGV
Mas entretanto, teremos também aquele que sempre me pareceu ser o resultado visado pelos protagonistas da adjudicação:
Elos estima em mais de 264 milhões custos com TGV até Dezembro
Uma exorbitância que desgraçadamente teremos de pagar, mas que será sempre infinitamente menor que os custos de um investimento tão megalómano a que se adicionariam os prejuízos colossais da exploração.
Mas com tudo isto, será que ninguém vai preso???!!!
Tendências sustentadas?
Previsão / desejo(?) – em 18/03/2012:
PIMCO: Fundo antecipa que Portugal precisa de segundo pacote de ajuda
Facto – em 19/03/2012:
Juros portugueses caem apesar de alerta da Pimco para segundo resgate
Previsão / desejo(?) – em 20/03/2012:
Pimco reitera que Portugal necessitará de segundo pacote de ajuda externa
Facto – em 20/03/2012:
Execução orçamental: receitas fiscais baixam e despesa sobe
Ping-pong “politiquês” – em 21/03/2012:
Seguro surpreendido com aumento da despesa; PSD cita “factores extraordinários”
Factos – em 21/03/2012:
Portugal paga juros mais baixos desde 2010 na emissão de dívida a 12 meses
Juros de obrigações portuguesas a 2 anos não eram tão baixos desde Junho
Apesar do alarmismo de todas as “Cassandras” e de uma execução orçamental medíocre em Fevereiro, a actuação dos investidores vem indiciando um aumento da confiança no País. Sabendo-se que os mercados agem com base em expectativas, os últimos indicadores denotam que elas se terão invertido face a Portugal. Oxalá esta tendência se mantenha.
Gaspar rima com falhar
A receita fiscal caiu 5,3 por cento face ao mesmo período de 2011. Já se sabia que níveis de imposto elevados levam sempre ao crescimento generalizado da fuga ao fisco e à diminuição da receita fiscal. O aumento de impostos, a partir de um determinado nível, é uma medida contraproducente.
Vítor Gaspar, pelos vistos, não estudou bem a lição. Falhou.
Negócios inviáveis e cláusulas leoninas
Escreve Paulo Marcelo:
Não se percebe porque se deixou de fora a renegociação jurídica das PPP uma vez que certas cláusulas podem ser consideradas leoninas (e ilegais) com todos os riscos financeiros e de negócio (inclusive de impostos no contrato Lusoponte) a ficar do lado do Estado.
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Uma historinha: aqui há uns anos o ministro de um país moderno decidiu dinamizar as exportações. Foi ter com um fabricante de frigoríficos com quem travou o seguinte diálogo:
Ministro: Olhe lá, o governo tem um projecto para dinamizar as exportações. Verificamos que não exportámos para o Pólo Norte, verificámos ainda que o Pólo Norte tem a menor quantidade de frigoríficos do mundo. Vai daí surgiu uma ideia: vamos exportar frigoríficos para o Pólo Norte. Quer ser o nosso parceiro?
Fabricante de frigoríficos: Depende. Dão-me umas clausulas leoninas no contrato?
Ministro: Não pode ser. Temos que defender o interesse público.
Fabricante de frigoríficos: Então não estou interessado.
Ministro: Ok. Dou-lhe 2 cláusulas leoninas.
Fabricante de frigoríficos: 4
Ministro: 3
Fabricante de frigoríficos: ok. De acordo.
Ministro: Negócio fechado?
Fabricante de frigoríficos:Ainda não. Só uma perguntinha: quem fica com o risco de os frigoríficos não se venderem?
Ministro:Você, claro. Você é que é o empreendedor.
Fabricante de frigoríficos: Bem, então não me interessa.
Ministro: Ok. Nós ficámos com o risco.
Fabricante de frigoríficos: Negócio fechado.
???????????????????
Inquérito a decorrer na página on line da RTP: Acha que, se a situação se degradar, as Forças Armadas deveriam levar a cabo uma operação militar para derrubar o Governo, como sugere Otelo Saraiva de Carvalho?
Descubra as diferenças
Para lá da fantástica semelhança entre o Esquerda net: O Governo vai lançar, dentro de 45 dias, um concurso público internacional para a reprivatização total dos Estaleiros Navais Viana do Castelo, empresa nacionalizada há 37 anos, a pedido dos trabalhadores e da própria administração e a RTP: Dentro de 45 dias será lançado um concurso público internacional que poderá lançar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo para a reprivatização total no prazo de quatro meses depois da sua nacionalização há 37 anos na altura a pedido dos trabalhadores e da própria administração. podiam os siameses redactores investigar um pouco o que sucedeu em 1975 e que levou à nacionalização dos Estaleiros de Viana “ a pedido dos trabalhadores e da própria administração.” ?
Paternalismos que acabam mal
«Ellen Johnson Sirleaf diz que «há certos valores tradicionais» na Libéria que devem ser preservados. Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria e prémio Nobel da Paz no ano passado, defendeu a lei que criminaliza a homossexualidade no seu país, durante uma entrevista ao jornal londrino «The Guardian», em que participava também o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que se encontra em Monróvia» — Esta declarações talvez tenham o mérito de pelo menos durante alguns meses sermos poupados àquelas ladainhas penitenciais sobre o escasso número de africanos que ganham o Nobel. Por casa desse estranho síndroma da cruz do homem branco todos os anos se procura dar um Prémio Nobel em África. Mas dada a particular vocação dos governantes africanos para confundirem as suas contas bancárias pessoais com as dos respectivos países sobram para África aqueles prémios que vivem apenas do papel e do lápis, naturalmente a Literatura e a Paz. Por ironia prémios marcados por padrões e valores do mundo ocidental. Donde sobretudo no caso do Prémio Nobel da Paz o laureado se torne recorrentemente num embaraço para aqueles que o distinguiram. Foi assim com Wangari Maathai. É agora assim com Ellen Johnson Sirleaf . A senhora não disse nada que não se soubesse que pensava simplesmente omitiu-se esse detalhe na hora de cumprir a quota em Oslo da mulher e africana.
Fosse um qualquer “jornaleiro” que, por norma, se faz eco acéfalo da vox populi, não me admiraria, mas vindas de Carlos Barbosa, custa-me a entender afirmações com esta ligeireza:
Nem eu nem nenhum português entende como é que o barril de Brent está a 124,98 dólares quando em 2008 estava a 160 dólares e nós tínhamos combustível mais barato. Além disso, hoje em dia o euro está benéfico em relação ao dólar, o que significa que há um problema nacional qualquer que tem de ser resolvido.
Antes de dizer tais “bacoradas”, o Presidente do ACP podia e devia ter olhado para as cotações do Brent, aplicar-lhes os câmbios do dólar e chegar a conclusõe
s mais realistas. Elas são visíveis no gráfico ao lado: o pico do Brent ocorreu em 11 de Julho de 2008 (USD 143,68) e, em termos de preços médios (base do gráfico), em Junho e Julho do mesmo ano, a atingirem USD 132,32 e USD 132,72, respectivamente. Só que, nessa altura, 1 Euro comprava cerca de 1,56 dólares, o que atirava o barril do Brent para € 85. Em Fevereiro deste ano, o Brent cotou em média a USD 119,33 e o Euro a 1,32 dólares, do que resultou um preço médio do barril a € 90,23. E assim se explica que, não tendo ainda o crude atingido o pico do Verão de 2008, estejamos a suportar preços mais caros nos combustíveis. Aritmética da mais elementar.
Normalmente, quando ocorre uma escalada abrupta dos preços, desencadeia-se a estridente choradeira dos interesses, procurando sempre protecção para tamanhas perfídeas, que só podem ser obra de um sinistro complot apostado em tramar-nos. E esse é um tema (o preço dos combustíveis) que, pela sua “penetração inter-classista”, consegue indignar e mobilizar mais gente do que a CGTP ou a Fenprof com qualquer greve geral ou manifestação de professores. Facilmente se concertam os interesses dos automobilistas representados pelo ACP, dos concessionários e revendedores reunidos na ANAREC e em breve se lhes juntarão os transportadores que, barrando ostensivamente as estradas, mostram uma eficácia que pede meças ao mais intolerante piquete de greve. Todos consideram justíssima a sua luta e justificadíssima a sua indignação: os associados de Carlos Barbosa, não se conformam com a perda de status a que os tem forçado a abdicação crescente do automóvel; os distribuidores, jamais equacionaram tamanha quebra nas vendas e que a populaça deixasse ostensivamente o carro na garagem e optasse por transportes públicos; os transportadores, que em breve aparecerão com as suas ameaças, por se julgarem detentores de algum direito divino que terá de lhes garantir ad-eternum benesses nos combustíveis e nas portagens, quiçá para compensar o maior desgaste que causam nas estradas. O que têm estes grupos em comum? Apontar as culpas a outrém – e o vilão será, mais uma vez, a Galp – e a pedinchisse ao Estado. Este, qual paizinho protector, deverá garantir-lhes contrapartidas para a manutenção do padrão de vida e que os iniba de fazer quaisquer ajustamentos por via da crise. Outros que ajustem por eles.
Um tema que deveria levar Carlos Barbosa e respectivos “camaradas de luta” a questionarem-se, é a enorme diferença (cerca de USD 21 actualmente) entre o barril do Brent e do WTI (West Texas Intermediate) americano, para o que ainda não há explicação credível. No período de 12 anos compreendido entre Janeiro de 99 e Janeiro de 2011, o Brent cotou em média 1,4 dólares abaixo do WTI, o que fazia sentido, sendo este o petróleo mais leve e com menos enxofre, o crème de la crèm
e do mercado. Excesso de oferta do WTI? Os poços no mar do Norte em vias de secarem? O conflito na Líbia de que já ninguém fala? A emergência de um conflito bem mais grave com o Irão? Dependência crescente por parte da Europa do petróleo da Sibéria? Especulação pérfida dos “gringos” para desestabilizarem ainda mais a Eurolândia, como defende o nosso prezado leitor e comentador Anti-Comuna? Diria que nenhuma destas razões é consistente por si só. Diria ainda que a redução da procura que se tem verificado e o consequente encerramento de várias refinarias na Europa e nos USA não sustentam os preços actuais do crude, não obstante os fortíssimos interesses que deles beneficiam. Daí que, tarde ou cedo o mercado tenha de corrigir e admito que a inversão ocorra ainda este ano.
Mas se porventura o mercado não corrigir, em breve beneficiaremos com o reverso da medalha dos combustíveis caros: o excelente incentivo que eles representam ao aparecimento de novas fontes de energia, renováveis e verdadeiramente sustentáveis. Que porão ainda mais a nu a irresponsabilidade de quase todas as PPPs socretinas na área da energia.
Só espero que estas declarações não sejam conversa de circunstância de Passos Coelho. E que tenha a firmeza suficiente para, à mínima obstrução de estradas, fazer avançar a cavalaria.
Além e aquém da Troika.
A assinatura, em Maio de 2011, do “Memorando de entendimento…” teve lugar entre o anterior governo, da responsabilidade do PS, e um conjunto de entidades internacionais (vulgarmente conhecidas pela expressão “Troika”). O “Memorando” foi ratificado pelos dois partidos que viriam a formar governo na sequência das eleições de Junho de 2011 (PSD E CDS-PP). Tanto quanto seja do conhecimento público, o “Memorando” foi essencialmente preparado, pela parte portuguesa, pelo governo do PS. De facto, não é difícil encontrar no “Memorando” traços característicos do pensamento do anterior governo. Ler mais…
Candidato a algo de topo
Repentinamente, este tipo passou a andar em promoção. Político profissional há mais de 20 anos, várias funções ocupadas, de deputado a autarca passando por ministro sem que, em nenhuma delas, se lhe reconheça qualquer obra minimamente relevante.
Mas reúne outros requisitos e qualidades de monta para aqueles que julgam que escolhem: é de cor, de esquerda e com discurso redondo, filho e irmão de jornalistas. Quanto baste para ser o melhor candidato de sempre a qualquer coisa de topo, seja a presidência da República (já imaginaram a suprema felicidade de também termos um Obama?) ou a “insegura” liderança do PS.
Um mistério nas rendas das PPPs
Tenho andado a pensar neste gráfico que o Luís partilhou connosco…
…e há uma coisa que não me entra na cabeça: por que motivos há uma especie de “vale” na cadência dos pagamentos nos anos de 2012 e 2013? A quebra no ritmo dos pagamentos, como se vê no gráfico, ocorre nas PPPs rodoviárias, e nada na sua entrada em funcionamento permite prever esses dois anos de relativa “poupança”.
Se eu não conhecesse o tipo de políticos que assinaram os contratos – José Sócrates como responsável máximo, Paulo Campos a pôr as mãos na massa – acharia que a folga de 2012/2013 nada teria a ver com um ciclo eleitoral em que, se não tivesse havido dissolução, Sócrates iria novamente às urnas em 2013 e tudo faria para repetir a receita de sucesso de 2009. Mas como conheço aqueles dois figurões começo a crer que eles, com a cumplicidade da Estradas de Portugal, planearam mesmo este ciclo de pagamentos com uma espécie de “folga eleitoral”.
Depois ainda dizem que não estávamos nas mãos de um gangue que não olhava a meios para atingir os seus fins…
Santa paciência
Pergunta hoje o PÚBLICO «Não sabemos quantos portugueses pertencem a minorias étnicas e raciais. Oficialmente, retratam-nos como “brandos” em matéria de discriminação. Não ligamos à cor da pele, nem à etnia? Francisca Van Dunem, procuradora-geral distrital de Lisboa, Carlos Miguel, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Nuno Santos, sociólogo, Narana Coissoró, ex-deputado, dão a cara e falam de uma questão tabu em Portugal: por que é que não recolhemos dados sobre minorias quando até a ONU nos aconselha a fazê-lo?» Enfim não é preciso puxar muito pela memória para saber que não recolhemos esses dados porque vários activistas andaram anos a dizer que isso era racismo. Não sei se os mesmos activistas se os filhos deles agora pretendem construir um identidade étnica e então acham que se devem recolher esses dados. Para daqui a una anos certamente anatemizarem como hedionda essa prática. As fúrias prosélitas que ainda há pouco mandavam omitir qualquer referência étnica levaram a notícias anedóticas por exemplo a cobertura dos confrontos na Quinta da Fonte em 2008 . Contudo e antes que comece o folclore do costume sobre as etnias leiam esta notícias agora chegadas de França sobre um acidente numa auto-estrada e depois perguntem aos ex-activistas da etnia que deve ser omitida e que agora deve ser referenciada como é que ela deve ser redigida: «Trois adolescentes sont mortes dans la nuit de vendredi à samedi après avoir été fauchées sur l’A7 dans la Drôme. L’accident s’est produit à hauteur de Saint-Paul-Trois-Châteaux, non loin de Montélimar, dans le sens nord-sud, en direction de Marseille. Les pompiers ont été alertés peu avant minuit par les automobilistes ayant renversé les victimes.(…) Il s’agirait vraisemblablement de trois soeurs originaires de Marseille. Carmen, 12 ans, Charlotte, 13 ans, et Victorine, 17 ans, appartiendraient une famille sédentarisée issue de la communauté des gens du voyage. Deux frères des victimes et le futur époux d’une sœur de cette fratrie de 18 enfants sont arrivés de Marseille en début d’après-midi à la brigade de gendarmerie de Malataverne (Drôme) après avoir été contactés à l’aide d’un téléphone portable retrouvé sur place.»
Tomemos a sério o Álvaro!
Sempre gostei do Ministro Álvaro Santos Pereira.
Precisamente pelas razões que todos apontavam como sendo aquelas que o tornavam um Ministro improvável: vivia no estrangeiro, não tinha “experiência política”, tinha um estilo politicamente pouco ortodoxo (ele queria ser tratado, como Ministro, por “o Álvaro”), iria estar à frente de um (mais do que “super”) “mega ministério”. Sobretudo – e isso percebia-se nas entrelinhas – não “era conhecido”, leia-se, conhecido do pequeno círculo de conhecimentos mediáticos dos jornalistas do costume. Claro que não importava nada ter publicado, em Portugal, um ótimo livro sobre a economia portuguesa (e o seu estado) , nem ser um académico com uma carreira sólida, no estrangeiro. Não, isso não contava, na medida em que não frequentava, provavelmente, o circuito relativamente pequeno dos restaurantes e sítios públicos conhecidos pelos media, nem era uma cara conhecida dos eventos e ocasiões mediático-jornalísticas. Sobretudo, não seria de “cá”, um dos “nossos”. Era irritantemente (ainda por cima) um “independente”, não frequentava a corte e seria um Ministro cujo nº de telemóvel ainda não se tinha!
Claro que foi um alvo fácil e apetecível. As gaffes (ou supostas gaffes) cometidas, foram amplificadas por certa imprensa. Também – é certo – “pôs -se a jeito”, em algumas situações, permitindo que se juntasse, para os ávidos de casos (grandes, pequenos, ou, sobretudo, não -casos), a fome à vontade de comer.
Mas, o que é certo, é que o primeiro grande golo que, política e mediaticamente, este Governo marcou, beneficiou de uma “assistência” e de um certeiro “remate à baliza” de Álvaro Santos Pereira. Não será nada fácil negociar e conseguir um “acordo de concertação social” (em certo sentido, histórico e ímpar) como aquele que o Governo e o Ministro da Economia conseguiram!
Memória do Portugal Presente
Portugal tem neste momento três ex presidentes da República: Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares. Se Eanes e Sampaio tivessem na televisão, rádio e jornais o espaço recorrente e sistematicamente reservado a Mário Soares não sei que espaço sobraria para o resto.
Podemos fazer de conta que na CML não estão os ungidos de Deus para percebermos o que é esta trapalhada?
Ninguem liga ao Coronel. *
No entanto, o Ministério Público, em Janeiro, acabou por ligar!
Abriu um inquérito relacionado com as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho, proferidas numa entrevista concedida em Novembro de 2011. Nessa entrevista – que Otelo, mais tarde, haveria de qualificar como uma mera opinião pessoal – o antigo “capitão de abril” sugeriu um levantamento das Forças Armadas e uma nova revolução para depor o Governo. Otelo ainda especificou (ou opinou) que bastariam 800 homens para uma operação militar desse género. Anteontem, talvez angustiado com parte da história de esquecimento de um outro Coronel (o de Garcia Máquez), resolveu voltar a fazer-se notar.
Deixa-me ver se percebo…
António Borges foi nomeado pelo Governo como consultor para o processo das privatizações e da renegociação das PPP.
O grupo Jerónimo Martins não tem nenhuma PPP nem é candidato a nenhuma privatização.
O grupo Jerónimo Martins convidou António Borges para reassumir o lugar de administrador não-executivo.
Como consultor da Parpública não se está a ver como poderá António Borges beneficiar (ou prejudicar) a Jerónimo Martins.
O Ministério das Finanças não vê qualquer incompatibilidade entre a missão de António Borges como consultor da Parpública e ser administrador não-executivo da Jerónimo Martins.
Já o José Lello vê. Diz que há “confusão de interesses”. Mas não diz quais. Talvez porque só queira armar confusão.
Diz o roto ao nu
O deputado socialista José Lello considerou hoje “incompatível” a acumulação de funções pelo economista António Borges na Parpública com o exercício de um lugar não executivo na administração do grupo Jerónimo Martins. Eu também considero hoje “incompatível” a acumulação de funções pelo deputado José Lello na Assembleia da República com o exercício de um lugar na administração do grupo DST SGPS SA.
“Penso que estamos perante uma incompatibilidade manifesta, porque há uma confusão de interesses. É bom que isso fique bem clarificado”, dixit. Concordo.
Até que enfim que todos descobriram as rendas da EDP
Há um filme que circula no YouTube, relativo ao documentário Pare, Escute, Olhe, de Jorge Pelicano, onde se recorda uma cena tão deliciosa como significativa: António Mexia caminha ao lado de José Sócrates e celebra o cimento de mais uma barragem. É delicioso pela cumplicidade que revela, é significativo porque a política energética era uma das “jóias da coroa” do socratismo.
Agora, mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades. Por causa da demissão de um secretário de Estado meio desconhecido, todos descobriram que afinal essa política nos legou um pesado défice tarifário e incomportáveis rendas pagas a produtores como a EDP. Só posso lamentar que a descoberta tenha sido tão tardia e que pouco se tenha discutido sobre os motivos por que chegámos à actual irracionalidade, mas adiante, que o que conta agora é saber como vai o actual Governo corrigir a herança.
Apedrejar compensa!
Dos abusos
A clausula contratual que garante aos concessionários o mesmo retorno mesmo que ocorram aumentos de impostos está a ser vista como abusiva por algumas pessoas. Vamos ver se eu percebo:
– o Estado manda construir uma auto-estrada por 1000 milhões, assinando o respectivo contrato
– no dia seguinte aumenta os impostos e saca 100 milhões ao concessionário. A empresa na prática só recebe 900 milhões.
Vocês estão a dizer que nesta história o que é abusivo é a clausula que garante à empresa o pagamento do que foi acordado? Num país em que o Estado muda a fiscalidade de forma arbitrária o abusador é o gajo que procura precaver-se contra essa incerteza?

