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Renegociar as PPP

15 Março, 2012

Não chamem por favor “renegociação das PPP” quando na realidade querem dizer “rasgar os contratos das PPP”. Ontem o governo introduziu uma novidade no discurso e falou em “renegociação voluntária”. Claro, renegociações involuntárias só mesmo com raptores e terroristas.

Toponímia: confortavelmente de esquerda e com particular gosto pelos fuzilamentos

15 Março, 2012

Temos ruas e pracetas dedicadas a figuras como Che Guevara ou Agostinho Neto mas a atribuição do nome de autarcas anteriores ao 25 de Abril de 1974 causa polémica e faz crescer “o desconforto”

Default nas PPP afecta a confiança geral na economia II

15 Março, 2012

Escreve Priscila Rêgo:

O Governo português está a privatizar, liberalizar e tudo o mais que se possa pensar. Neste quadro geral, rasgar os contratos com a EDP não sinalizaria que estamos a caminhar para o socialismo; mas que estamos a empenhados em limpar a tralha que alguns deixaram por cá e pôr a casa em ordem.

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Privatizar a EDP com a intenção de sinalizar uma abertura ao investimento estrangeiro e de seguida criar um imposto especial sobre a EDP (como pretendia o ex secretário de Estado) sinaliza oportunismo, falta de rumo e navegação à vista.  O que se está a dizer aos investidores estrangeiros é mais ou menos isto: “invistam cá que a gente já inventa um imposto para vos depenar”. É isto que está em causa desde o início nesta polémica. O ex secretário de estado queria tomar uma medida que mataria todos os esforços de abertura ao investimento estrangeiro e que mostraria que o governo não está de boa fé quando fala em atrair capitais estrangeiros para Portugal. Mesmo um país que não aparenta estar no caminho do socialismo tem que dar garantias de que os investidores não serão fortemente taxados depois de os investimentos estarem feito no território que esse país domina.

Default nas PPP afecta a confiança geral na economia

14 Março, 2012

Carlos Guimarães Pinto diz que a quebra de compromissos nas parcerias público-privadas terá como efeito desvio de recursos futuros do público para o privado. Isto é altamente improvável. Pressupõe que o poder soberano só é exercido no sector público e que o sector privado está a salvo desse poder. O poder soberano exerce-se sobre todo o território e afecta tanto negócios públicos como negócios privados. Eventual quebra de compromissos nas PPP afectará não apenas as futuras PPP como qualquer investimento privado de média ou grande dimensão. Os recursos não serão desviados do sector público para o privado, serão desviados para países mais amigos do investimento.

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Aliás, este tipo de quebras de contrato tende a estatizar ainda mais os negócios futuros, uma vez que os investidores que apostam no sector privado tenderão a exigir garantias públicas acrescidas. Há uma exemplo muito bom desse fenómeno, a Venezuela, onde contratos de investimentos de empresas estrangeiras foram quebrados com argumentos muito semelhantes aos agora usados para quebrar contratos em Portugal. Essas empresas não passaram para o sector privado venezuelano, foram para outros países. O sector privado venezuelano não se tornou mais respirável, tornou-se menos respirável. Hoje só as empresas do regime local ou empresas estrangeiras que têm um estado poderoso por trás é que fazem investimentos relevantes na Venezuela.

Falência encapotada

14 Março, 2012
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Reino Unido prepara emissão de obrigações a 100 anos

Um rácio de dívida pública a 150% e um défice orçamental de quase 12% do PIB, indicia que as próximas 2 gerações já estão hipotecadas. Pretende-se agora abranger também os bisnetos…

Quem disse que só a Grécia estava pior que nós?

Procissões

14 Março, 2012

Já as temos a pedir chuva mas não demora muito para que surjam outras a pedir a explosão social. Estava no calendário político da esquerda que ela já devia ter acontecido, que vai ser para a semana, para o mês que vem, que não veio mas vai vir. Dada a ausência da explosão social como está descrita no calendário meteorológico-político podem sempre ir a Fátima este ano. Afinal se alguém em Portugal tem créditos mais que firmados no detonar de explosões sociais e políticas é precisamente Nossa Senhora de Fátima. Ou então fecham o  catecismo e tornam-se mais atentos à realidade.

A santa da Ladeira por guia política

14 Março, 2012

PS acusa Governo “de provocar a morte de pessoas com idade avançada” – PÚBLICO. Na mesma linha de argumentário o passo seguinte será Miguel Relvas vir contrapor que o Governo salva – quiçá ressscita! – pessoas com idade avançada!


Sondagem

13 Março, 2012

PPPs

13 Março, 2012

Há um erro de análise muito disseminado relativo às PPPs e que tem ampla e acéfala divulgação nos “cafés cibernéticos” (as redes ditas sociais). É a tese, aceite de forma generalizada e sem nenhuma contestação, que uma boa renegociação das ditas permitirá resolver uma grande parte do défice.

Não contesto de forma alguma a sua urgente renegociação, coisa que, juntamente com a privatização integral da RTP deveria ter sido a 1ª prioridade de Passos Coelho quando tomou posse, garantindo-lhe assim outra “autoridade moral” para a violação posterior dos contratos com os funcionários públicos, que são neste caso o elo mais fraco. Quanto mais tarde o fizer tanto menos exequível será, pois os lobbies dos não transaccionáveis já se estão todos a posicionar e a ganhar influência no governo, se é que alguma vez a perderam.

Acontece porém que, para nossa desgraça, as PPPs irão pesar com mais violência no orçamento a partir de agora, ou seja, constituirão uma nova rubrica que, ano após ano, adicionarão valores “colossais” à despesa. Só que, antes do seu “contributo”, já o défice era colossal. Ou seja, admitindo o cenário mais optimista, a de que o governo vai ser implacável na renegociação das PPPs com os respectivos concessionários (acho que é mais provável sair o euromilhões a qualquer um de nós!!!…), será mesmo assim imprescindível nos próximos anos um esforço adicional no corte de despesa (sendo porém de temer um acréscimo da receita…) para poder acomodar a rubrica relativa àqueles tenebrosos encargos. Isto porque o efeito de uma boa renegociação, não isentará o Estado de qualquer pagamento como ligeiramente se pensa, mas apenas reduzirá a margem garantida aos concessionários que será actualmente da ordem dos 14%.

É ainda de temer que as previsões reflectidas no gráfico ao lado estejam calculadas por defeito, a aferir pelos desvios ocorridos nos anos transactos, na casa dos 20%. Só em 2011, o montante gasto a mais face ao previsto no conjunto das PPPs ascendeu a 280 milhões, dos quais 354 milhões relativos ao sector rodoviário. Para tal contribuem em grande medida as verbas constantes nos chamados “Reequilíbrios Económicos e Financeiros”, a maioria das quais relativas às Parcerias rodoviárias e inerentes aos “Acordos de Reformulação de Contratos”, um “rebuçado” oferecido por Sócrates aos concessionários e que deveria merecer uma análise da PGR e do Tribunal de Contas. Desde 2008, o montante global pago a título de “reequilíbrios”, ascende a 1.200 milhões, dos quais 878 em 2011. Não é líquido que as projecções efectuadas neste Relatório (de onde foram retirados os valores subjacentes ao gráfico), incluam estimativas dos “reequilíbrios”, cujo efeito será fatalmente um maior desequilíbrio orçamental.

Rendas das renováveis foram desejadas pelas elites e pelo povo

13 Março, 2012

Quando Soares dos Santos mudou a holding para a Holanda ainda houve algumas pessoas a defendê-lo. Afinal, reconhecia-se, a instabilidade fiscal prejudica os negócios. Será interessante saber quantas dessas pessoas querem agora que o Estado mude as  regras no sector da energia a meio do jogo prejudicando quem participou em investimentos que o próprio Estado quis estimular. Será ainda interessante saber quantos dos entusiastas das eólicas e de outras energias intermitentes e inviáveis defendem agora que as empresas que foram induzidas a investir em Portugal nesse sector devem ser roubadas daquilo que é seu por direito.

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Note-se que a ideia de que o Estado está infiltrado por lóbis não colhe neste caso. As energias intermitentes que estão na base destes investimentos subsidiados continuam a ser extremamente populares. Não há registo de grandes contestações a estes subsídios antes de 2010. Nem hoje se vê grande contestação às energias intermitentes. As pessoas não querem é pagá-las, mas apoiaram todas as palermices que geraram este problema. As rendas das energias intermitentes não resultam da acção de lóbis perniciosos que manipulam a população. Resultam da vontade democrática, tiveram amplo apoio das elites e do povo. E quem as contestou foi ridicularizado e tido como ignorante.

Isto não augura nada de bom

13 Março, 2012
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Secretário de Estado da Energia apresentou demissão na semana passada

Se as razões são as invocadas no artigo, o lobby rentista está infiltradíssimo no governo (quiçá nunca terá saído) e com toda a capacidade para condicionar as decisões. Resta-nos a esperança que a Troika dê um murro na mesa e ameace cortar-nos a próxima tranche. Porque, está mais que visto, se depender das suas “elites”, Portugal é irreformável.

Ainda a propósito do Prefácio do Presidente da República no livro de intervenções “Roteiros VI”

13 Março, 2012

Logo nas primeiras linhas do prefácio ficamos a saber que Cavaco vai escrever sobre a última campanha presidencial:  «Em 9 de março de 2011, iniciei o meu segundo mandato como Presidente da República, na sequência da vitória nas eleições presidenciais de 23 de janeiro, depois de uma campanha eleitoral bastante dura, sobre a qual este não é ainda o momento de escrever.» Ou seja vamos ter um texto que provavelmente será o mais duro alguma vez escrito por um Presidente da República.

Em segundo lugar creio que Cavaco ganhou a guerra do tempo. Agora preocupa-se com a História. E como sabe que a História é o que fica escrito sabe que a polémica desaparece numa semana e que aquilo que vai ficar escrito é que Sócrates foi desleal para com o PR. Também sabe que digam o que quiserem os orfãos do soarismo  ninguém lhe consegue tirar os resultados eleitorais que obteve. A simplificação caricatural que os destractores de Cavaco têm feito dele ao longo da sua longa carreira política acabou por favorecer Cavaco pois os  dois milhões de eleitores com que à partida conta não são muito influenciáveis por aquilo que se diz de Cavaco. Numa atitude snob e aristocrática o PS, o PP e boa parte do PSD subestimaram e simplificaram Cavaco. Como se vê o principal beneficiado dessa estratégia foi o próprio Cavaco.

E aí chegamos ao terceiro  ponto desta minha leitura deste prefácio: este prefácio não tem nada de particularmente novo. A questão da falta de lealdade foi colocada logo em 2008 na comunicação do presidente do Estatuto dos Açores.  E o teor deste prefácio é bem suave quando comparado com o discurso de tomada de posse de Cavaco Silva em 2011 ( não foi por voluntarismo que Soares aconselhou Sócrates a demitir-se: perante aquele discurso para Sócrates só havia essa saída – transferir para o PR o ónus da crise política mas Soares não se lembrou para um PM se demitir é preciso que ele seja livre e Sócrates é um homem permanentemente enredado em si mesmo, o que é a pior das prisões)  O que muda neste prefácio não é portanto aquilo que Cavaco diz mas  sim as circunstâncias das pessoas de quem ele fala. O primeiro-ministro que desde 2008 ele acusa de falta de lealdade não é agora o menino de ouro do PS e muito menos o primeiro-ministro que a sua corte dizia mediaticamente imbatível e que via cair líderes do PSD com o sorriso escarninho de quem assiste a uma corrida de sacos. Esse homem agora está em Paris lutando pela sua sobrevivência política num combate pelo domínio entre os socialistas. Um combate em que Cavaco vai protegendo Seguro e não se sabe se gostando de ouvir Luís Amado, o ex-ministro de Sócrates que defende o Bloco Central e que dessa centralidade achou este prefácio, ó ambígua definição, relativamente injusto.

Bons exemplos

12 Março, 2012
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Vale a pena analisar as séries longas do nosso Comércio Externo para constatarmos que os agentes económicos privados começaram a ajustar-se muito antes de a austeridade nos ter sido imposta pela Troika. Seja consumindo menos, bem visível na queda verificada nas importações desde 2008, seja vendendo para o mundo, com as exportações a mostrarem uma dinâmica que há muito não se via e a desmentirem os descrentes nas capacidades do nosso tecido empresarial.

Desde 2008, o nosso défice global da Balança de Bens e Serviços reduziu-se em quase 11.000 milhões, dos quais 9.800 milhões relativos às mercadorias (Bens). Releva aqui a exportação de mercadorias que, em 2010 e 2011 cresceram nominalmente na casa dos 15%, o que nos coloca como um dos países mais “agressivos” nos mercados internacionais. Isto é tanto mais notável, quanto é conseguido numa envolvente de restrição de crédito e de incerteza e estagnação económica da maioria dos nossos parceiros europeus.

Não menosprezando os serviços, em que somos tradicionalmente excedentários, é vital que continuemos a melhorar a Balança de Mercadorias pelo seu decisivo peso nas transacções. No 1º gráfico é bem visível o grande paralelismo entre a curva do saldo global e a relativa ao saldo de mercadorias.

Será possível “sonhar” com uma redução do défice público em 11.000 milhões nos próximos 3 anos??? É que a libertação de crédito às empresas exportadoras passa fundamentalmente por aí. 

semipresidencialismo

12 Março, 2012

A parte mais inquietante do prefácio ao livro Roteiros VI, do Presidente da República é esta:

Durante o meu primeiro mandato recebi do Governo, para efeitos de promulgação, 1741 diplomas, dos quais 696, ou seja 40%, deram lugar a contactos entre a Presidência da República e o Governo, tendo em vista o esclarecimento do seu conteúdo. Daí resultaram alterações em 381, ou seja, em 22% do total dos diplomas submetidos a promulgação.

Em Portugal, o Governo tem amplo poder legislativo, como o demonstram os números citados. As leis aprovadas pelo Governo (Decretos-Lei) têm de ser promulgadas pelo Presidente. Confrontado com um destes diplomas, o Presidente tem três caminhos previstos na Constituição: promulgar, vetar ou requerer ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da constitucionalidade. O Presidente, porém, seguiu, num número muito considerável de diplomas, um quarto caminho: pedir ao Governo  que prestasse esclarecimentos ou que fizesse alterações, com a ameaça – explícita ou implícita – de veto.

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Como provar que uma obra pública não derrapa

12 Março, 2012

Tipicamente, na fase do marketing político e empresarial, o promotor (um político à cata de votos ou um boy a justificar despesa) estima um valor baixo para os custos da obra. Numa segunda estimativa, já com a obra aprovada é feito um orçamento mais realista. Eventualmente faz-se uma terceira estimativa mais tarde quando a obra esbarra nas complexidades específicas (o terreno não era como se pensava, a legislação gera sobrecustos, os acabamentos e os equipamentos afinal não tinham sido contabilizados). Então como é que um espertalhão pode provar que a derrapagem não foi assim tão grande ou que no limite não houve derrapagem nenhuma? Fácil. é ignorar a primeira estimativa (a do marketing político) e talvez até a segunda, e usar a segunda ou a terceira. O ideal mesmo era que não se fizessem estimativas e que os políticos pudessem lançar obras sem nunca fazer um orçamento prévio.

Podíamos trocar umas ideias sobre os referendos na Suíça

12 Março, 2012

Volta e meia os suíços fazem referendos coisa que deixa os seus vizinhos à beira de um ataque de nervos. Em geral produzem-se notícias e mais notícias sobre os referendos na Suíça. Em 2009 o referendo sobre a construção de minaretes criou mesmo uma vaga de consternação que em Portugal tocou o paroxismo. Curiosamente os suíços fizeram em 2012 um novo referendo. Que passou quase incógnito: Em referendo, suíços rejeitam férias de 6 semanas

 

Agenda de segunda-feira

11 Março, 2012
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Amanhã de manhã estarei em Monção no dia do município. De tarde reunirei com a CIM Médio Tejo em Tomar. À noite irei ao Vice-Versa na RTPi.

Sobre a limitação de mandatos

11 Março, 2012

“A lei de limitação de mandatos é clara, determinando que “o presidente de câmara municipal só pode ser eleito para três mandatos consecutivos”. E “não pode assumir aquelas funções durante o quadriénio imediatamente subsequente ao último mandato consecutivo permitido”.”
No Correio da Manhã

Isto não vai acabar bem

11 Março, 2012

Saúde: PCP acusa Governo da morte de portugueses

A insensibilidade social

11 Março, 2012

Alberto Gonçalves no DN: Confrontado com os números do desemprego e das falências, António José Seguro acusou Pedro Passos Coelho de ser “o primeiro–ministro com maior insensibilidade social de sempre”. Deus Todo Poderoso e alguns leitores são testemunhas de que não reverencio por aí além o actual chefe de Governo, mas a afirmação do dr. Seguro, tão violenta quanto vaga, deixou-me a pensar. Em primeiro lugar, a pensar na História. O que será que o dr. Seguro quis dizer com “sempre”? Referia-se apenas ao regime vigente, incluindo o malvado Cavaco Silva e o enxovalhado Santana Lopes? Limitou-se à República em geral e considerou tanto Salazar e Caetano quanto cada um daqueles incontáveis primeiros-ministros que precederam o Estado Novo e governavam durante quinze dias? Ou é possível que o dr. Seguro seja erudito a ponto de ter avaliado criteriosamente a “insensibilidade social” de todos os primeiros-ministros, presidentes do Conselho de Ministros, presidentes do Ministério, secretários de Estado dos Negócios do Reino, ministros de Estado, presidentes da Junta Provisional e secretários de Estado que mandaram ou fingiram mandar nos executivos desde o popular Miguel de Vasconcelos até aos nossos dias? Não faço ideia.

Também não imagino como é que o dr. Seguro mede a “insensibilidade social” dos políticos. Pela cara? Pelas acções? Através de instrumentos de alta, ou baixa, tecnologia? Um “insensível social” é o indivíduo que demonstra avareza na hora de distribuir consolo aos pobres? Ou é o que se esquece de introduzir a temática da pobreza em pelo menos 65% daquilo que diz? Ou o que não enverga uma expressão facial compungida quando disserta acerca dos necessitados? Ou o que, por incapacidade e desonestidade patológicas, governa de modo tão abominável que arruína um país e que, mediante uma falta de lealdade para com os cidadãos muito mais grave do que a falta de lealdade de que o Presidente da República se queixa, condena boa parte da população a sofrer por muitos e bons anos as consequências de tamanho desastre?

No máximo, Pedro Passos Coelho é o primeiro-ministro com maior “insensibilidade social” desde o eng. Sócrates, a cujo partido o dr. Seguro pertence e a cujo fulminante desprezo pelo bem-estar alheio o dr. Seguro assistiu em recato.

Anos Luz

11 Março, 2012
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ImagemDisponível na loja Apple, em exclusivo para iPad, com iBooks 2 instalado.
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Textos publicados entre 2003 e 2012 nos blogues Jaquinzinhos, Blasfémias, Anacleto, Jamais e mais dois ou três ocasionais e ainda no jornal Público, na revista Dia-D e na Atlântico.

A culpa não é só de Álvaro Santos Pereira

10 Março, 2012
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Nenhum primeiro-ministro gosta de fazer uma remodelação e todos temos na memória algumas mexidas governamentais pouco elegantes – das trapalhadas de Santana Lopes à ida de Guterres às escondidas ao Palácio de Belém. Talvez se possa mesmo dizer que não há alturas ideais para trocar de ministros, nem sequer aquelas de que costuma falar o prof. Marcelo, isto é, aquando das eleições autárquicas. Mesmo assim, pior do que uma remodelação é uma remodelação adiada.

Vem isto a propósito do destino de Álvaro Santos Pereira. Conheci-o quando ele ainda não era ministro, na altura em que veio a Portugal apresentar o seu último livro. No contacto pessoal reforcei a boa impressão que tinha da leitura das suas obras e do seu activismo na blogosfera, pelo que foi com expectativa inquieta que o vi assumir a pasta da Economia – como poderia alguém de boa vontade mas sem peso ou experiência políticas sobreviver à frente de tão gigantesco ministério? Depressa se percebeu que, verdadeiramente, nunca chegou sequer a ter uma oportunidade. Ou então perdeu-a logo de entrada. Ler mais…

O gajo

10 Março, 2012

Em 2009 aquando da polémica Belém-S. Bento  escrevi isto que em 2012 me parece ainda mais actual e que republico deviamente adaptado:  Não sei se, como contam os seus próximos, Mário Soares ainda trata Cavaco Silva por “o gajo”. Mas é importante esclarecer  que chamar-lhe gajo não me parece nada depreciativo tanto mais que o termo gajo, na fulanização que tem implícita, dá conta daquilo que Cavaco Silva tem sido em Portugal: uma espécie de intruso, um tipo com quem volta e meia se esbarra e que suscita quase sempre uma pergunta meio irritada: “Mas o que quer este gajo?”

É preciso que se perceba que o espaço do poder governamental é em Portugal naturalmente socialista. Não por uma qualquer malfeitoria dos socialistas mas sim porque foram os socialistas os grandes vencedores políticos e morais do momento que fundou os compromissos do regime, o 25 de Novembro de 1975. O socialismo que o PS prometia aos portugueses pareceu-lhes tão paternalmente bondoso quanto o Estado Social anunciado por Marcelo Caetano, com a vantagem acrescida de se livrarem de que alguém os dissesse de direita ou estalinistas, pois se ser de direita permaneceu como algo de pejorativo já ser de esquerda, desde que daquela esquerda delimitada pelo PS, tornou-se um traço distintivo pela positiva. A isto que já de si não é nada pouco juntou-se a extraordinária mais valia da aristocrática concepção do poder do pater familias dos socialistas portugueses, Mário Soares. Ver Soares a deslocar-se é talvez o que temos de mais próximo com o que terá sido a naturalidade aristocrática com que D. Carlos devia passear em Vila Viçosa. Mas Soares não trouxe para os socialistas portugueses apenas a concepção de que o poder lhes é naturalmente devido, cultivou-lhes o espírito de corte: há um séquito que lhe repete as graças, as conversas com os grandes do mundo, a maravilha dos quadros que lhe ornamentam as casas, a grandiosidade da biblioteca e, não menos importante, reage ao primeiro sinal de crítica àquele que definem como pai da democracia. Aliás uma das características mais comuns ao PS português é essa noção enraízada de família. Não por acaso o PS foi durante anos um partido de famílias cujos apelidos em muitos casos  remontavam à I República e onde, ao contrário do que sucedia nas outras formações políticas à direita e à esquerda do PS, os filhos, desde a mais tenra infância, se reviam e revêem ideologicamente nos pais.

Por isso um dos momentos mais simbólicos da história do PS foi aquele em que Soares terá passado, segundo a definição da propaganda do PS, o testemunho a Sócrates lançando o slogan “Sócrates é fixe”, adaptação desse outro “Soares é fixe” que fixa o momento em que Soares além de fixe foi também feliz e vencedor. É óbvio que Sócrates não é fixe – coisa que está longe de ser defeito! – e Soares não ignorará que aquele que definiu como seu sucessor não acerta uma única vez quando tenta falar dos livros que diz que leu ou dos filmes que diz que viu. Mas o testemunho que passou de Soares para Sócrates nada tem a ver com os gostos ou com as ideias  mas sim com a concepção do poder como coisa da sua gente.
Naturalmente Cavaco não tem um partido assim atrás de si (o que sendo uma notória fraqueza em momentos como o actual foi também o traço que  lhe permitiu chegar a Presidente da República) e de alguma forma ele e Guterres foram os únicos que até agora ousaram enfrentar este statu quo: Cavaco porque não se coibiu de ganhar eleições aos socialistas e Guterres porque não fez tudo o que estava ao seu alcance para manter os socialistas no poder, acabando por se demitir. Por isso, do ponto de vista rosa, Cavaco nunca passará de um gajo, Guterres de um traidor e Sócrates será sempre o líder desejado apesar de ter levado o país para a ruína e o PS para um beco sem saída.

Coisas que se completam

10 Março, 2012

As memórias de Mário Soares e de Cavaco Silva  dos dias em que Sócrates decidiu fazer o pedido de ajuda externa.

 

Em bom rigor, não existe outro PS

10 Março, 2012
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Não é o “núcleo duro de Sócrates” que está a cerrar fileiras em torno do seu ídolo agora emigrado – é o próprio coração do PS, as suas cabeças pensantes, actuantes e politicamente activas, que estão, em uníssono, a servirem de tristes paladinos do protagonista e fazedor principal da maior desgraça que este País enfrentou desde há décadas.
O PS de Seguro resume-se a isto: os tristes restos de Sócrates, enclausurados num partido sem projecto, amorfo e abúlico, excessivamente prenhe de vontade de repisar os mesmos erros que os (e nos) trouxeram até aqui…

Agricultura “biológica” enquanto indústria critativa

10 Março, 2012

Assunção Cristas vai pedir autorização à Comissão Europeia para que o gado de produção “biológica” possa ser alimentado com rações, por causa da seca. Se alguém quisesse numa frase desconstruir tanto a política agrícola como a agricultura dita biológica não teria conseguido fazer melhor. A agricultura “biológica” existe para que as pessoas possam comer produtos mais saudáveis. Para isso existem regras, decretadas politicamente, que este modo de produção deve seguir. Mas tudo indica que estas regras são  irrelevantes para o produto final, caso contrário não se colocaria a hipótese de as violar e continuar a chamar “biológico” ao produto. A agricultura “biológica” é portanto uma indústria criativa em que o que se vende é um conceito ilusório mantido por decreto político.

Histórias de boys

10 Março, 2012
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Ontem escrevi o seguinte no Público:

Duas administrações de duas empresas públicas que não foram substituídas pelo actual governo – a da Parque Escolar e da estrada de Portugal – resolveram entrar, esta semana, no debate público, como que a recordar-nos a sua fidelidade ao anterior governo. Quando há gestores públicos que se comportam desta forma dão, infelizmente, razão aos que acham que, quando muda um governo, devem mudar as clientelas. É que não basta um governo não querer nomear boys, também é preciso que quem está a gerir as empresas públicas não se comporte como um boy. Que lástima.

Ao fim do dia uma destas administrações já tinha caído: Administração da Parque Escolar demitiu-se. Não sem ao mesmo tempo se conhecerem múltiplos e variados desvarios dos anos em que valia tudo, porventura até arrancar olhos.

Ao que parece a outra administração também não deverá durar muito. Mas se no caso da Parque Escolar só se espera que a empresa tenha por destino a dissolução, mais difícil será fazer desaparecer a Estradas de Portugal, pelo que o Governo tem uma boa oportunidade de demonstrar que é possível não nomear boys idênticos aos que lá estavam mas de outra côr. Aguardemos.

 

A emergência do “Estado – especulativo” *

9 Março, 2012
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“Este caso ( da TAP) fez-me, imediatamente, recordar um outro em que também a “razão de Estado” mais pareceu ser uma razão de comércio e que, felizmente, não sucedeu connosco. Refiro-me às notícias divulgadas, há poucos dias, de que a Irlanda decidiu conceder (vender) autorizações de residência a quem se dispusesse a adquirir dois milhões de Euros da sua dívida soberana. Uma espécie de venda de indulgências, seguindo uma prática antiga e datada da Igreja”….texto completo aqui.

* Semanário Grande Porto, 09.03.12

A sair do sufoco?

9 Março, 2012
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Dos dados hoje publicados pelo INE, um dos mais animadores é o relativo à Necessidade de Financiamento. No último trimestre de 2011, essa necessidade foi nula, facto que não ocorria desde o IV trimestre de 1995. Isto significa que o País não teve de se endividar perante o exterior para financiar o crónico défice agregado das Balanças Corrente e de Capitais.

No gráfico é visível que a variável fundamental que para isso concorre é o défice “colossal” que vimos apresentando na Balança de Bens e Serviços, fruto de uma política económica que privilegiou o consumismo desregrado. As necessidades brutais de financiamento que daí resultaram, conjugadas com as malfadadas PPPs e défices públicos, representaram acréscimos sistemáticos de endividamento os quais se reflectiram em défices crescentes da Balança de Rendimentos que, por sua vez, mais agravou a Balança de Transacções Correntes (BTC), numa espiral perfeitamente ruinosa. A partir do último trimestre de 2008, nota-se uma clara inversão, alavancada quase que exclusivamente pelos nossos “empresários de vão-de-escada”, tanto mais notável quanto tem sido conseguida numa envolvente recessiva à escala europeia.

Ou seja, o sector privado tem “arregaçado as mangas” e tem feito aquilo que se lhe pede: exportar. Mantendo o ritmo, há boas possibilidades de o País chegar em 2012 ao equilíbrio na BTC, quiçá a um ligeiro excedente, o que evitará o recurso a mais financiamento externo.

Falta o equilíbrio das contas públicas, fundamental para a redução do défice da Balança de Rendimentos e para entrarmos num ciclo virtuoso e sustentável. Mas este será bem mais difícil e só atingível se a Troika e Ângela Merkel não aliviarem a pressão.

A esperada recessão

9 Março, 2012
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Estamos a percorrer o “caminho das pedras” do crescimento económico e temos ainda muito que “esfolar” até que entremos em velocidade de cruzeiro, numa via menos sinuosa. Os dados publicados hoje pelo INE estão em linha com o esperado e até foram ligeiramente melhores que os previstos pelo FMI ou pela UE. Já sabemos que 2012 vai ainda ser pior que 2011, esperemos porém que não tão mau como se prevê.

Há um elemento animador, bem visível no gráfico: a crescente divergência entre as evoluções do PIB e da Procura Interna, sinal que o ajustamento está a ser feito no bom sentido. Claro que enquanto a tendência for de contracção, isto dói que se farta. Mas tão logo anulemos o gap negativo Procura Interna / PIB, poderemos retomar o crescimento, espera-se que mais sustentado desde que não reentremos no consumismo fácil, como aconteceu em grande parte dos consulados socialistas. Em termos nominais, estamos a falar de um gap de 6,6 mil milhões. Nada que não seja possível de anular até final deste ano, se as nossas exportações conseguirem manter a dinâmica que vêm revelando desde 2008. Lembremo-nos que em 2011, o saldo da nossa Balança Comercial (Bens + Serviços), melhorou em 6 mil milhões. Com cada vez mais empresas a apostarem nos mercados externos, as exportações não podem senão subir, mesmo considerando a esperada estagnação das economias europeias.

Não é bom para o mercado existir mercado

9 Março, 2012

«O facto de existirem actualmente medições de audiências realizadas por duas empresas distintas “não é bom para o mercado”, considera Luís Marques, da direcção da CAEM – Comissão de Análise de Estudos de Meios.» (*)

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Sim, o mercado soviético também era assim: «Só há uma informação oficial, que é a certificada pela CAEM».

Uma boa acção: empresa tem prejuízo, mas distribuiu «lucros», que não existem…..

9 Março, 2012

«A Brisa registou prejuízos de 82,2 milhões de euros no ano passado, mas pretende distribuir dividendo de 0,31 euros por acção.

O resultado ficou abaixo do esperado pelos analistas, que esperavam um lucro de 95,5 milhões de euros, segundo um ‘poll’ da Reuters, e compara com o resultado positivo de 778 milhões de euros de 2010.» (*)

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Distribuir o que não há, é uma coisa muito portuguesa….

Agenda

9 Março, 2012
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Hoje à noite, estarei em Amarante a debater a reorganização territorial. Amanhã, pelas 15h, farei o mesmo na Batalha com a JSD. Nessa noite  comentarei a actualidade no Porto Canal.

Isto hoje não correu lá muito bem ao estudante de filosofia

8 Março, 2012
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Sócrates, Jorge Coelho e Mário Lino estavam na lista de prendas de Manuel Godinho

Audiência do caso Freeport marcada por referências a dinheiro alegadamente pago a Sócrates

Justiça investiga ganhos de Sócrates

Deve ser da tempestade solar…

O meu problema com as empresas públicas não passa por quantas mulheres têm na administração

8 Março, 2012

Mas sim se não existe alguém que consiga acabar com este ciclo infernal:

1999 O acordo que o sindicato dos pilotos assinou com o Governo em 1999 e que estabelecia que estes tomassem uma participação na TAP

12.05.2011 – Acordo de 1999 dá aos pilotos da TAP entre 10 a 20% em caso de privatização
Novembro de 2011 – O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) decidiu desconvocar a greve agendada para 9, 10, 11 e 12 de Dezembro poucas horas antes do seu início. Em comunicado, o sindicato dos pilotos revela que decidiu cancelar a paralisação “porque encontrou no Governo um interlocutor sério e interessado em viabilizar uma solução equilibrada para o envolvimento dos pilotos no processo de privatização”.
Março de 2012 – O Governo abriu excepção para os trabalhadores da TAP no que diz respeito aos cortes salariais.
…. aguardam-se os próximos episódios

Sobretudo não me obriguem a pagar mais impostos para vos sustentar a sinecura do paternalismo

8 Março, 2012

A UE resolveu criar mais um mecanismo para meter o bedelho na vida das empresas: Comissão Europeia quer mais mulheres em altos cargos ( é espantoso este quer. E é suposto que se a comissão quer nós lhe acatemos os quereres) O Governo português também quer mas por agora ficou-se pelas empresas estatais: Empresas do Estado obrigadas a eliminar discriminações entre homens e mulheres   Esta eliminação das discriminações passará pela elaboração de planos de igualdade etc etc ou seja mais umas centenas de empregos para umas criaturas que não fazem anda, vivem de infernizar a vida aos outros mas como dominam aquela linguagem da implementação do plano para a erradicação da discriminação… ninguém os contraria não vá dar-se o caso de se ser imediatamente passado a uma coisa qualquer tenebrosa acabada em ista. O que ajudaria muito as mulheres portuguesas era que as empresas estatais fossem bem geridas e deixassem de ser o sumidouro de dinheiros públicos que efctivamente são, mas isso só dá chatices e nem uma linha de boa imprensa.

TERESA ROSMANINHO (1955-2011)

8 Março, 2012

Hoje, 8 de Março, no Porto, é homenageada TERESA ROSMANINHO.
A Teresa foi uma voz determinada e livre, que sempre admirei. Travou combates difíceis, nunca desistiu e obteve vitórias notáveis. Ajudou a criar uma sociedade menos injusta. O seu exemplo, o entusiasmo com que abraçava cada causa, marcarão para sempre os que a conheceram.

Imprescindível refrescamento de memória

8 Março, 2012
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Sei o que assinaste em Maio passado…

Índice da confusão

7 Março, 2012
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É o que me invoca este texto de JPP,  sobre aquilo que me parece ser um “não-caso” (jornalístico).

O sucedido, para quem não estiver recordado ou não o tenha percebido em tempo, resume-se ao seguinte: no dia 21 de Fevereiro – dia de mais uma greve na CP – o DN, entre outros órgãos de comunicação social (p.ex. o JN) noticiou que os “trabalhadores dos transportes não pagam medicamentos e recebem baixa por inteiro”.  No fundo, a notícia em causa dava conta de benesses que certos trabalhadores do sector dos transportes teriam, em manifesta situação de desigualdade com outros trabalhadores e em nota dissonante com o calamitoso passivo das empresas do sector em causa. Passivo suportado pelo Orçamento e significativamente contributivo da situação calamitosa e de irracionalidade em que as nossas Finanças Públicas se encontram. Certos opinion makers, como o dominical Professor Marcelo, também se referiram indirectamente à situação (em especial, no que respeita à CP).

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Uma evolução no bom sentido

7 Março, 2012
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Mais de 16.000 alunos tiveram de se endividar para pagar estudos

Isto é virtuoso em vários aspectos:

  1. O contribuinte fica com menos encargos;
  2. Se considerarmos que a educação e um curso superior são investimentos para a vida, então este endividamento faz todo o sentido. E assumindo o próprio o custo e encargos do investimento, a qualidade deste é a variável crítica: ele tem de se pagar por si, gerar receitas suficientes para amortizar a dívida e respectivos encargos no prazo estipulado e garantir ainda um retorno interessante ao risk-taker;
  3. A qualidade do ensino e a empregabilidade dos cursos tornar-se-ão assim os requisitos principais da concorrência entre Universidades. Cursos da treta, que apenas garantem o título académico e o empolamento da economia não transaccionável, tenderão a desaparecer;
  4. A variável tempo passará a ser muito mais valorizada pelo estudante, pois os juros não páram de contar. Por si próprio, deduzirá também a máxima de Benjamin Franklin;
  5. Uma vez formado e (bem) empregado, o ex-estudante tem já bem interiorizados vários conceitos e valores, a maioria deles pela via extra-curricular: a concorrência e as diferentes opções que ela garante; a vantagem de se visar a excelência; o rigor indispensável na aplicação de fundos; a necessidade de cumprimento de prazos; o “grande salto em frente” que a assumpção de riscos potencia.

Diria que o nosso recém-licenciado já percorreu metade do caminho para se tornar um empreendedor. Sem precisar de nenhum desses “cursos de empreendedorismo” que por aí pululam e que os rentistas sempre pedem, pagos pelas receitas da extorsão fiscal.