Os tumultos das massas passaram a provocações de radicais
Andámos mesesno anúncio dos tumultos. O governo havia de cair na rua. Os indignados promoviam a autêntica democracia. Agora que tivemos tumultos e acções directas numa greve que já era um sucesso antes de ter começado e que afinal não foi um flop mais óbvio porque os piquetes de greve mal se distinguem das milícias no sector dos transportes ninguém tem nada a ver com os tão anunciados ditos tumultos
asneiras há muitas
A propósito de uns quaisquer disparates ditos por Otelo Saraiva de Carvalho, Mário Soares lembrou-nos que o capitão de Abril tem “um coração muito bom, (…) apesar de de vez em quando dizer assim a sua asneira”. Uma ternura, este Oscar. Que o digam as vítimas e os filhos das vítimas das FP-25.
Mudou a hora
Imune às regras da hora legal, o Blasfémias só hoje teve tempo para mudar para a hora de Inverno. O leitor deixará assim, por uns tempos, de ver os seus comentários publicados uma hora “antes” de os escrever.
minudências
O secretário-geral vitalício da CGTP, Carvalho da Silva, afirmou que os sacrifícios impostos aos portugueses servem “apenas para pagar aos credores”. Este significativo “apenas” revela que, na cabeça do secretário-geral vitalício, pagar a credores é coisa de somenos importância, que pode e deve ser feita quando o devedor estiver para aí virado, se estiver e quando estiver. “Pagar e morrer são as duas coisas a fazer”, já lá diz a sabedoria popular, e Carvalho da Silva, secretário-geral vitalício da CGTP, não fez mais do que interpretar a alma popular lusitana. O único inconveniente deste elaborado raciocínio é que se não pagarmos a quem devemos, provavelmente não nos será emprestado mais dinheiro para continuarmos a viver. Os termos da equação – pagar e morrer – parecem, assim, intimamente dependentes um do outro. Conviria que o secretário-geral vitalício reflectisse sobre isso.
Felizmente há uma explicação…
A greve de ontem devia ter sido um grande sucesso e, em muitas redacções, já se afiavam as penas para exigir que o Governo mudasse de políticas. Quando a greve foi apenas aquilo que costuma ser, o desconsolo de muitos comentadores foi imenso. Pior: como os meninos queridos dos jornalistas – os “indignados” – foram apanhados a atirar garrafas de cerveja aos polícias, nem sequer foi possível defender que ali é que estava o caminho alternativo à rotina sindical. Que lástima…
Felizmente há uma explicação: o povo que não fez greve afinal queria ter feito greve, mas teve medo. Só um país aterrorizado, depreende-se, é que face a tantas malfeitorias, não começou ainda a protagonizar tumultos “à grega”.
Se em vez de andarem só a seguir sindicalistas tivessem ontem andado pelas ruas, praças e cafés deste país talvez começassem a cair na realidade. Ou talvez não: quem acha que o povo só vota à direita (como sucedeu duas vezes este ano em Portugal) por estupidez ou terror, nunca deixará de olhar para o mundo através das lentes distorcidas da ideologia. Da sua ideologia – uma ideologia que toma por ordem natural das coisas.
Também há explicação para isso…
Reforma da Administração Local
Hoje, sexta-feira, dia 25, pelas 21.30h, estarei a debater a Reforma na Biblioteca Municipal de Paços de Ferreira a convite da concelhia do PSD.
25 de Novembro de 1975
Foi há 36 anos. A data será evocada amanhã, sábado, no Porto, por um dos heróis daquele dia, o General Pires Veloso.
Às 11 horas, na Universidade Lusófona.
A notícia do dia:
«Tribunal de Justiça proíbe controlo de tráfego para impedir partilha ilegal de ficheiros».
Sem dúvida uma decisão de grande alcance para a liberdade individual, face às recentes pretensões de tantos estados que aceitaram agir a todo o custo como cobradores de terceiros.
Tendências
Com as greves gerais cada vez mais transformadas em acontecimentos sectoriais há que criar acontecimentos mediáticos que ofusquem a realidade. Uma carga policial nas escadarias da AR pode ser exactamente esse acontecimento.
Agência chinesa corta rating da dívida soberana portuguesa
Todo o mundo é composto de mudança mas há coisas que nunca mudam
Há um ano escrevi isto aquando da greve geral. (Por uma razão mais de psicanálise que de História, em Portugal os sindicatos mostram uma particular afeição pelo 24 de Novembro) Um ano depois, neste início de manhã, poderia escrever o mesmo. Ter as mesmas dúvidas sobre o que se chama piquetes de sindicalistas e cada vez mais a convicção que as centrais sindicais são umas corporações tratadas folcloricamente pela comunicação social, dirigidas pelos mesmos funcionários há anos e anos, cada um mais preocupado com o respectivo partido do que com os trabalhadores, e que nunca foram confrontados com o seu fraquíssimo desempenho. A única coisa que mudou é que o PS agora aposta em fazer oposição através dos sindicatos.
Já que tem a tesoura na mão….
A maioria parlamentar quer acabar com os incentivos à compra de carros eléctricos. Muito bem.
Falta agora dedicarem-se ao abate urgente dos Custos de Interesse Económico Geral da Electricidade que são «apenas» 2500 milhões de euros/ano.
O novo paradigma: ou a longa marcha do socialismo científico ao triunfo do pensamento mágico
Lido todo o manifesto Um novo rumo temos as seguintes propostas: Em termos mais concretos, temos de denunciar a imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso e que não percebe que certas empresas públicas têm uma importância estratégica fundamental para a soberania. Da mesma maneira, o recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais, em particular na saúde, educação, protecção social e dignidade no trabalho é inaceitável. Pugnamos ainda pela defesa do ambiente que tanto tem sido descurado. » Ou seja em termos mais concretos estas medidas não dão para nada. A não ser claro para a conversa do paradigma. Os partidos deixaram de ter programa há muito tempo. Gerem janelas de oportunidade. No caso dos socialistas podem ser almofadas ou folgas e depois apelam à mobilização em prol do paradigma. O socialismo que já se apresentou como científico entrou na fase do pensamento mágico.
Reforma da Administração Local
Hoje, pelas 21.30h, estarei na Assembleia Municipal de Aveiro para debater a Reforma.
Conselho de Prevenção da Corrupção?
O Conselho de Prevenção da Corrupção, ao incumbir a elaboração dum modelo de prevenção àqueles que usufruem das vantagens da corrupção, garantiu que os resultados seriam nulos. É como pedir a um bando de ladrões para produzir um relatório de segurança sobre os edifícios que eles próprios costumam assaltar…
Ontem, no Correio da Manhã.
Direitos que se tornam deveres?
Caso o PP espanhol fosse de esquerda a sua vitória teria sido atribuída a um desejo de mudança, à constução de um novo paradigma, à aposta dos jovens… e muito particularmente ao facto de a actual liderança daquele partido ter como grandes protagonistas várias mulheres. Uma dessas mulheres, Soraya Saenz de Santamaria, foi encarregue por Rajoy de coordenar a transmissão de poderes entre o actual e o futuro governo. Soraya foi mãe há menos de duas semanas e esse facto levantou de novo esta inquietante questão: podem as mulheres ser obrigadas a cumprir a licença de parto?
Banco privado, banco público
Ontem as acções do BCP estiveram a subir 30%. Sendo uma penny stock, qualquer novidade pode trazer variações bruscas no valor da empresa. Tudo indica que desta vez a novidade foi um acordo (não desmentido) entre Passos Coelho e José Eduardo dos Santos para a entrada de mais capital angolano no BCP. Recorde-se que Passos Coelho tem prometido que não interferirá na gestão dos bancos após uma eventual nacionalização, mas não deixa de o fazer no momento em que o BCP é supostamente um banco privado. Note-se ainda que a cotação do BCP tem vindo a subir desde o início da semana passada, o que sugere que o eventual acordo poderá ter sido antecipado por um número selecto de investidores. Já é problemático que o PM ande pelo mundo a negociar bancos supostamente privados. Mais problemático que o faça sem qualquer cuidado com o controlo da informação, permitindo que a informação chegue primeiro a determinados investidores e só depois aos restantes.
Está para chegar o dia…
Reforma do Poder Local
Hoje, pelas, 18h, estarei num debate na Universidade Autónoma de Lisboa com o Eng. Paulo Júlio, Secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa, António Filipe, Vice-Presidente e Deputado da Assembleia da República e Armando Vieira, Presidente da ANAFRE.
O horário dos padeiros
Ainda se lembram do horário diurno dos padeiros? Nos dias que antecederam o 25 de Novembro de 1975 Portugal discutiu com paixão o horário de trabalho dos padeiros. Estes últimos iluminados pelo espírito revolucionário tinham entendido que também tinham o direito a ter um horário diurno de trabalho como os outros trabalhadores. E assim o país onde as armas nas mãos de civis proliferavam, onde a violência política já gerava mortos e feridos: no norte a direita atacava as sedes do PCP e afins e estes defendiam-se com armas automáticas; em Lisboa os SUV faziam manifestações para impor o poder popular e iam buscar os seus militares às cadeias e se algum carro conduzido por um distraído tivesse o azar de lhes atrasar a marcha lá vinha rajada, no sul o PCP devidamente escoltado pelos seus militares ocupava herdades e fábricas, a soldadesca entregues a si mesma comportava-se como uma milícia e o Otelo recém-chegado da Suécia explicava que não sabia das mil G3 desaparecidas mas que elas estavam em boas mãos porque estavam nas mãos da esquerda… – mas o horário dos padeiros colocou o país à beira de um ataque de nervos. Enfim de nada servia explicar (acho que tb ninguém tentou) que havia coisas mais importantes, que muito rapidamente o pão passaria a ser feito e vendido em muitos outros espaços além das padarias propriamente ditas… Os protestos dos padeiros serviram até ao almirante Pinheiro de Azevedo como justificação para o facto inédito em termos mundiais de um governo, o português, ter entrado em greve. A esta distância temporal a comoção com o horário dos padeiros em 1975 é um desconchavo, não é? Pois é exactamente isso que experimento quando percebo que no ano da graça de 2011 andamos a discutir os direitos adquiridos da função pública ou o serviço público prestado pela RTP Açores e Madeira. Não adianta: o tempo e o mundo encarregar-se-ão de nos obrigar a fazer tarde e mal que nós não tivermos coragem de fazer no seu devido tempo. O que tem de ser tem muita força e muito daquilo que nos arrebata já não é deste tempo.
E se for para aumentar já não se põe a questão da legitimidade?
«O secretário-geral do PS, António José Seguro, defendeu hoje que nem os representantes da “troika” nem o Governo têm legitimidade democrática para reduzir salários ou para rever as tabelas salariais da função pública em Portugal» – Durante décadas aumentou-se o número de funcionários públicos e os respectivos vencimentos. Nunca na questão dos aumentos se colocou a questão da legitimidade. Sendo que estes aumentos implicavam uma obrigação para os contribuintes pois são eles que pagaram e pagam todos esses aumentos. Agora que da fase dos aumentos se passou para a da redução o país descobriu o problema da legitimidade. E de facto há questões de legitimidade em tudo isto mas o que não deixa de ser surpreendente é que ninguém tenha querido falar de legitimidade enquanto foi para aumentar.
Notícias tão estranhas
A avaliar por tudo aquilo que em Portugal, jornais, revistas, televisões e rádios escreveram e disseram durante anos sobre Espanha e muito particularmente sobre Zapatero não se percebem os resultados das eleições de hoje naquele país.
Da disseminação da bordoada
Alberto Gonçalves, no DN:« Há dias, um “telejornal” anunciava com alarme que a “crise pode aumentar agressões a profissionais de saúde”. Por acaso, a notícia fundamentava-se num relatório que estima a diminuição das agressões a médicos e enfermeiros em 2010 para menos de metade das registadas em 2009 (79 para 174). Os factos, porém, não devem tolher um exercício bastante em voga: prever, com mais impaciência do que preocupação, que a degradação económica conduzirá as respectivas vítimas à violência, ao delito e à perdição sumária.
No caso em questão, seria curioso perceber porque é que um sujeito com dificuldades financeiras tem maior propensão para correr ao tabefe o pessoal clínico que lhe surge pela frente. O responsável pelo relatório sugere uma explicação: os “cortes” orçamentais multiplicarão o número de vezes em que os técnicos do SNS recusarão as exigências dos pacientes, logo a possibilidade de conflito subirá proporcionalmente. Ler mais…
Há lodo no cais
Vale a pena ler no PÚBLICO de ontem a reportagem de Paulo Moura “Nos estaleiros de Perama, há quem aceite empobrecer“. Seria mais correcto o título ficar-se pelo “Nos estaleiros de Perama” pois o empobrecimento não se aceita, acontece. Ou para sermos mais verdadeiros nos estaleiros de Perama há quem imponha o empobrecimento impedindo as empresas de trabalhar. Mas leia-se e depois percebe-se melhor: Por vezes, nos estaleiros da empresa M & M, SA, há trabalho. Surge uma encomenda para construção de algum iate, ou ferry-boat, e nunca faltam candidatos que aceitem as condições. Mas só até entrarem nas instalações, sem convite, os homens do sindicato. Chegam, em grande algazarra, e mandam parar tudo.
Ninguém pode trabalhar tantas horas, por tão pouco dinheiro, dizem eles. É injusto, é uma exploração, e abriria um precedente que tornaria irreversível a perda de direitos. E mandam todos para casa. O proprietário da empresa, Dimitris Metaxas, 53 anos, relógio de ouro e camisa de seda azul, lá perde outro cliente.
Em frente ao seu escritório, na zona dos estaleiros navais gerida pela Autoridade Portuária de Perama, Pireu, está o esqueleto de aço de um iate de luxo. Começou a ser construído e ficou assim. “É uma pessoa particular, que quis aquele barco”, diz Dimitris. “Eu fiz-lhe um orçamento, e um prazo, e ele aceitou. Mal começámos, os sindicatos mandaram parar. “É preciso fazer duas horas de pausa”, disseram. Apresentaram-nos uma lista de condições. Salários elevadíssimos, e um máximo de 6 horas por dia de trabalho. Dessa maneira, a obra levaria o triplo do tempo, e ficaria muito mais cara. O cliente disse que não tinha dinheiro, e cancelou o contrato.”
A M & M, SA já teve 300 trabalhadores, hoje tem quatro. Construiu ferries para todas as rotas das ilhas gregas, incluindo um de 104 metros cuja fotografia aparece numa revista turística. “É o maior a operar de toda a Grécia”, diz Dimitris. Mas isso era nos bons tempos. Hoje, embarcações como aquela são fabricadas nos estaleiros da Turquia, que oferecem preços muito mais convidativos. “Apesar de a qualidade ser inferior.” Aqui, só pequenas reparações.
No perímetro da Zona de Construção Naval há mais de 500 empresas como a de Dimitri. Mas “só 30, ou menos, estão a dar trabalho”, diz Pavlo Pountidas, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Aço da Construção Naval. “E é sempre para pequenas tarefas, de um ou dois dias por mês. Pedem operários para trabalhar de dia e de noite, sem interrupção, por salários miseráveis.”
Os sindicatos estão instalados logo a seguir aos enormes portões dos estaleiros. Estão divididos em quatro secções: Aço, Gruas, Electricidade e Madeiras, e todos pertencem ao PAME, a grande central sindical ligada ao Partido Comunista da Grécia.
À porta, há sempre vários homens que vêm à procura de trabalho. O que vai surgindo é distribuído pelo sindicato. Mas é pouco. Quando chega um grande navio, para reparação, vêm centenas de pessoas tentar a sorte. É raro. “Um por mês, se tanto”, diz Pavlo. Ler mais…
O império do politicamente correcto e dos interesses instalados
Portugal raramente nos surpreende. Como membro do Grupo de Trabalho para estudar o serviço público de comunicação social sabia que as suas conclusões iam gerar polémica. Sabia também que os insultos iam chover e os argumentos rarear. Não me enganei. Quem se enganou foram os que, nos últimos dois meses, andaram por aí a proclamar a inutilidade do grupo pois este só se limitaria a assinar de cruz aquilo que o ministro Miguel Relvas vinha anunciando. Não foi isso que sucedeu porque a preocupação dos membros do grupo que perseveraram até ao fim foi a de agirem de acordo com a sua consciência e de produzirem o documento que melhor sintetiza as suas posições comuns, não a de escreverem um documento destinado ou a agradar ao ministro ou aos eternos ideólogos de um mítico e intocável “serviço público”.
À procura dos Mourinhos da Política*
Reforma do Poder Local
Hoje estarei em Sto. Tirso no auditório da sua Junta de Freguesia.
Amanhã falarei sobre a Reforma num jantar-debate em Melgaço.
Ajuda à força
O Governo disponibilizou ajuda pública para a recapitalização da banca. Os banqueiros tentam (ou pelo menos fingem) resistir ao uso dessa ajuda pública, por medo da intervenção directa do Estado na sua administração que a ajuda implicaria, sugerindo algumas alternativas (como o Governo pagar-lhes o que o Estado e dezenas de empresas públicas lhes devem). Percebe-se o dilema da banca: por um lado, o regulador obriga-os a reforçar os capitais próprios. A falta de capitais deve-se, em parte não despicienda, à crise das dívidas soberanas – incluindo a portuguesa – , que se transformaram em activos tóxicos nos balanços. Ao mesmo tempo, a cotação bolsista é tão má que o reforço de capitais próprios através de aumentos de capital teria de ser feito a valores de emissão tão baixos que diluiriam a posição dos actuais accionistas de referência, situação agravada pela possibilidade de interferência do Estado. Ler mais…
Tiro ao lado do Colectivo Abrantes
O blogue oficial dos ex-assessores e defensores idólatras de Sócrates entendeu expelir mais um um jacto de ódio na minha direccão. Aconselho a leitura aos que têm a convicção de que o melhor modo de governar este País passa pela descentralização, pela transmissão do verdadeiro poder de decidir às populações, sobretudo àqueles que habitam fora dos dois polos de desenvolvimento que ainda restam.
Naquelas palavras, aqueles que nos (des)governaram durante tanto tempo desvendam-se: o intenso desdém pelo País fora de Lisboa e da Linha que ainda infecta tantos que se habituaram a mandar. Tentam apoucar-me, pasme-se, falar na Reforma da Administração Local por todo o País “profundo” e concluem com um desdém irrecuperavelmente centralista: “A vida custa a todos e ninguém está livre de se ver forçado a fazer estas figuras“…
Citam alguns sítios, por eles considerados mais recônditos (fui e irei a muitos mais, com honra e gosto), como se fora uma acusação – como é seu timbre, atiraram ao lado.
Vou onde me convidam e continuarei a fazê-lo com orgulho!
São textos assim, a transbordarem de preconceitos centralistas, que demonstram a necessidade de reforçar a autonomia local e a descentralização. A partir de hoje, este contraproducente amontoado de asneiras do Colectivo Abrantes fará parte da mensagem que direi a quem me quiser ouvir no País profundo ou menos profundo ou meramente aprofundado que ainda julga Portugal muito maior do que aquela triste gente crê.
E se os meninos tivessem sido atropelados?
O espanto com esta notícia resulta do pressuposto de que o castigo não pode gerar qualquer incómodo às crianças ou às suas famílias. Aliás é uma pura falácia dizer que as crianças podiam ter outro castigo porque os pais também o contestariam. Por exemplo, tirar o recreio a uma criança é provavelmente menos pedagógico que proibi-la de almoçar na cantina pois os miúdos precisam de intervalos. E naturalmente se tivesse acontecido uma queda grave um atropelamento ou outro problema do género durante a fuga das crianças a escola e os funcionários em questão estariam neste momento a braços com um sério problema. Note-se também que ninguém retirou o almoço às crianças. Apenas não almoçam na cantina. Como diz um pai Nesses dois dias, tive de ir à escola buscar o meu filho para almoçar em casa. Espera-se que nesses dois dias tenha explicado à criancinha que os nossos actos têm consequências.Em resumo acho muito bem que as criancinhas tenham ido almoçar a casa, que os pais os tenham tido de ir buscar e dois dias de castigo até nem me parece muito.
Oração de sapiência
Lobbies em Portugal – 3.
Ver também “Lobbies em Portugal” e “Lobbies em Portugal 2”, de Fev 2011.
Em 2011 tiveram lugar eleições legislativas, das quais resultou um novo poder. Como ficaram os lobbies, designadamente os lobbies de ação não transparente, após as eleições de Junho de 2011, relativamente à sua situação anterior? A resposta é que a opinião pública não sabe – mas suspeita que poderá não ter piorado. Pontualmente, os jornais afirmam que um dado lobby tem elementos no atual poder, tal como tinha em anteriores, ou mencionam que um dado elemento de um qualquer lobby tem correligionários no actual poder – como norma, reconhecendo que não possuem todos os nomes envolvidos. O facto de ter mudado o governo não altera a avaliação que cada um de nós poderá fazer desta questão. Na verdade, poderá dar-se o caso de algumas pessoas “protegidas” serem as mesmas – apesar da mudança de governo. Ler mais…
Já concluiram alguma coisa?
07.04.2011 – Economistas entregam queixa na PGR contra agências de rating
09.05.2011– PGR manda investigar agências de «rating»
07.07.2011. PGR dá prioridade a inquérito a agências de “rating”
O que é isto?
Ver aqui.
Baixas em baixa
O poder local democrático votou o espaço público a um completo abandono. Falhou redondamente e deixou os cidadãos à mercê das estratégias comerciais dos shoppings.
Ontem, no Correio da Manhã
A RTP Internacional como um mix de Chavismo, SNI e TvShop
João Duque teve ontem no forum da TSF uma extraordinária intervenção. É certo que ninguém fica com dúvidas do que pretende. Mas livrai-nos de tal coisa! Safa! Tudo aquilo é mau, muito mau. Mais: é perigoso se ele ou alguém por ele alguma vez pretender implementar tal aberração.
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RTP Internacional: «Os portugueses, a diáspora e os estrangeiros vêem Portugal através desta janela, e portanto a ideia é: vamos reforçar esta janela, vamos transmitir aquilo que nos interessa internacionalmente através dessa janela, porque é através dela que nós podemos divulgar os produtos portugueses, a cultura portuguesa, garantir que língua portuguesa se continue a ouvir e ouvida, a ser aprendida pelas gerações subsequentes à nossas, portanto aos filhos dos nossos emigrantes, vamos fazer parte das nossas relações diplomáticas, acarinhando ou sendo mais agrestes com determinados tipos de regimes ou países e portanto devemos manter esse tipo de comunicação. E mais: esse tipo de comunicação deve ser muito bem tratada, e aqui o tratada… damos liberdade total a todos os governos para a tratarem á luz daquilo que é a sua política de relações externas. Ponto final parágrafo! (…) é assim mesmo, é à dura. É mesmo uma arma. É uma arma poderosíssima que é a arma que hoje se usa para modificar a opinião pública internacional sobre determinado regime ou país. Vamos jogar as mesmas armas que os outros. Abdicar disso é que é um erro. Portanto… às vezes as pessoas porque vivem em Portugal, só ouvem ou só consomem os nosso meios de comunicação e dizem «para que é que eu quero aquilo? Eu não quero aquilo para nada». Pensem no contrário! E particularmente quando Portugal agora precisa como de pão para a boca de mercados que nos aceitem, que modifiquem a sua opinião sobre o que é Portugal e os portugueses, percebam que Portugal tem produtos bons, de qualidade, tem um turismo que pode fazê-lo de elevada qualidade, etc., etc. Portanto, fundamental a RTP África e a RTP Internacional trabalharem numa forma mais conjugada (…)
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A informação seria informação, não propaganda?
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Não, não, aí liberdade total ao governo para em contrato-programa negociar aquilo que pode ser importante para comunicar. Repare, ainda hoje vem uma notícia nos jornais sobre o financiamento do Estado à BBC Internacional. É exactamente isso, porque eles acham que é fundamental isto. A BBC internacional tem que transmitir a informação e as notícias filtradas á luz daquilo que é o interesse nacional. Ponto. E não se discute isso. Nós não discutimos. Seja qual for o governo e a sua orientação, é ele que tem o direito porque foi sufragado em votos, tem o direito de fazer a sua diplomacia e não somos nós que vamos criticar as palavras que um ministro dos negócios estrangeiros vai dizer a um outro embaixador ou um primeiro-ministro. Não. E não devemos. Isso faz parte da política de relações internacionais do Estado. E portanto, se quiser manipular mais ou manipular menos, opinar, modificar, é da sua inteira responsabilidade, porque estamos convencidos que o faz a bem da nação porque foi sufragado e foi eleito para isso».
João Duque, TSF 15/11
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Nota: Não li o documento do Grupo de Trabalho de que JD fez parte, pelo que não faço ideia se o acima transcrito corresponde ao não ás ideias presentes no documento. A minha critica é sobre o que JD disse na rádio.
A lenda acerca dos subsídios dos deputados
Com a velocidade peculiar que os disparates contêm, anda a circular por aí a lenda de que os deputados não perderão os seus subsídios de Natal e Férias. A coisa baseia-se numa leitura apressada e ligeira do Orçamento da AR.
Em boa verdade, esta historieta não tem qualquer sentido.
O Orçamento da AR (onde, aliás, se efectuou a maior poupança da sua história) foi elaborado e publicado ANTES do a…núncio da determinação governamental que retirou os subsídios e, por maioria de razão, em momento MUITO ANTERIOR ao Orçamento do Estado que ainda nem sequer foi aprovado na especialidade.
Assim, quando o Orçamento de Estado entrar em vigor (1 de Janeiro de 2012) aplicar-se-á revogando todas as normas antecedentes que contrariem as suas disposições – donde, as normas do Orçamento da AR OU DE QUALQUER OUTRA ENTIDADE PÚBLICA cederão naturalmente perante as disposições do OE que impõem a perda dos subsídios.
Sinceramente, a velocidade com que as pessoas são enganadas com patranhas deste cariz não cessa de me espantar…
A sócio-botânica como explicação do crime
«A Polícia Judiciária (PJ) deteve, esta terça-feira, na zona de Santarém, quatro jovens «desenraizados socialmente» e dedicados ao crime, que raptaram uma jovem de 17 anos à porta da escola e a mantiveram sequestrada mais de uma semana.» Às habituais definições da Botânica sobre as raízes temos agora de acrescentar os enraizados socialmente e os desenraizados socialmente. Ao certo que é uma pessoa socialmente desenraizada? Tem as suas raízes noutro local e foi transplantada para aqui? Ou seja falamos de pessoas como se fossem gengibres e sugere-se com isso que vieram de longes e estrangeiras terras para aqui e que por via desse desenraizamento se dedicam ao crime? Antes pelo contrário falamos de pessoas aqui nadas e criadas mas que quais cenouras melindrosas não se reconhecem no local donde são? E por causa disso raptam uma rapariga e andam com ela de lado para lado,provavelmente enquanto tratavam de arranjar um canteiro para se enraizar? A isto acresce que um desenraizamento pressupõe que alguém desenraiza. Quem os desenraizou? E os outros que ficaram enraizados e que como tal não andam a raptar ninguém estão enraizados porquê? A sócio-botânica prolifera por aí mas há dias em que fica um bocadinho mais ridícula.
Ou a rua ou as urnas
Está um deputado a dizer no parlamento que a rua vai fazer cair esta maioria. Se este deputado fosse de direita era, e muito bem, tratado como um trauliteiro demagogo. Como é de esquerda isto parece que faz parte do jogo democrático. Mas o que convém é que o deputado em questão decida se quer fazer cair governos nar rua ou integrar uma democracia parlamentar. Usufruir do melhor desses dois mundos é que não pode ser.
Rafael Marques
O jornalista Rafael Marques é certamente um tipo com coragem para decidir apresentar queixa contra dirigentes de um regime como o angolano. Aqui pode ler-se um recente e interessante trabalho de investigação que vai ao centro da questão: «Presidência da República: O Epicentro da Corrupção em Angola»