A mais restrita corporação
L’argent caché des syndicats Desta vez é em França. Mas podia ser em Espanha Ou em Portugal : este sindicatos são uma das razões para os trabalhadores chegarem a esta crise mal organizados e pior defendidos
Não há estrelas no ceú…*
Nem árvores de natal, nem renas e trenós, nem pais natal. Não há sequer figuras geométricas indefinidas e coloridas, emprestando uma luminosidade garrida à noite fria do Porto. Quer dizer, não há, este ano, a tradicional rede de iluminações natalícias pelas ruas da cidade. Pelo menos, por algumas daquelas que, habitualmente, lá iam ostentando, nesta quadra, esses enfeites. Talvez surjam (ainda que mais pindéricas e nada pujantes esteticamente) um pouco mais tarde, poupando-se na conta da luz. Talvez já não haja, sequer, actividade comercial que o justifique e aguente financeiramente esses sinais de festa natalícia. Pior, talvez não exista mesmo um estado de espírito para festas. Vai ser estranho, por exemplo e agora que já temos um Orçamento para 2012, endereçar os habituais votos de “Bom ano novo”. Para muitos, vai soar a falso ou, no mínimo, tão-somente a uma quimérica e deslocada expressão de cortesia. Mas, realmente, o pior é o que, este ano, essa falta de iluminações natalícias significa, em termos psicológicos: um prenúncio de depressão colectiva pelo empobrecimento que vai marcar a vida dos portugueses. Em especial, a vida dos portuenses.
Reforma da Administração Local
Hoje estarei em Portimão, no Congresso da ANAFRE.
Amanhã, pelas 10.30h, em Braga, participarei num Colóquio na Universidade do Minho, organizado pelo NEDAL, onde será discutido o estado actual da Reforma.
Às 15h, estarei na II Convenção Autárquica do PSD do Marco de Canaveses, na Junta de Freguesia da Alpendurada, onde farei uma alocução sobre o mesmo tema.
Por fim, pelas 20h, participarei num jantar organizado pela concelhia do PSD de Monção.
Mais um ano a gastar o que não existe…
As receitas totais do Estado previstas para 2012 são de : 72 000,2 milhões de euros.
A despesa total do estado prevista para 2012 é de: 79 557,2 milhões de euros (*)
Uma diferença de 7 mil milhões de euros. Que tem de vir de algum lado.
Não é portanto um«orçamento de austeridade», é um orçamento só possível porque ainda se arranjou crédito, porque se pôde aumentar a divida. Mas continua-se a gastar mais do que aquilo que se tem.
Claro, alguns falam em folgas e almofadas, mas esses não vivem na realidade. Outros falam em rigor e contenção. Népias! Gasta-se o que não existe.
Vídeo de interpretação livre…
Modelo de tontice
Guilherme Pinto é um dos dirigentes políticos que pode ser apontado como exemplar da politica que levou ao estado em que estamos.
Queixa-se ele de que a câmara municipal que dirige se encontra impedida de se endividar mais, coitado. Que se não puder aumentar a divida da CM haverá obras paradas. É certo que no ano corrente a mesma câmara comprou 2 estádios de futebol absolutamente inúteis num gesto que assenta como uma luva na política social-populista de tentar contentar o povo e desbaratar o seu dinheiro pois alguém um dia há-de pagar.
Agora surge uma lei que o impede de onerar os seus munícipes ainda mais. Mas que não, diz ele, que vai desrespeitar a lei, aumentando no que for possível a dívida. É certamente um caso de polícia, pois ainda que no limite, parece ser Guilherme Pinto imputável.
Prioridade do governo: manter a televisão pública
Os sucessivos governos entendem que para além do preço pago directamente pelos utentes directos de certos serviços, alguns, designados de «interesse público», deverão ser directamente subsidiados por todos os contribuintes (e não apenas pelos utentes), de modo a que o preço do serviço seja mais acessível. Tais verbas disponibilizadas a essas empresas (públicas e privadas), são as chamadas «indeminizações compensatórias».
De entre os vários serviços, qual será o serviço dito «público» que os sucessivos governos entendem como mais essencial, isto é, aquele para o qual os contribuintes vêem sacada maior fatia do seu rendimento?
Cultura? Transportes rodoviários? Transportes ferroviários? Passes sociais? Não: a televisão.
Esta é uma ferramenta essencial na acção e propaganda política/governativa, muito mais relevante para qualquer governo do que assegurar serviços sociais a mais baixo custo. É também por isso que apesar da propaganda socialista de que este governo «está a ir para além do memorando» (uma imagem simpática para o governo mas que não corresponde à verdade), o governo resolve ignorar o estabelecido no Memorando e não prevê sequer no Orçamento de Estado/2012 a venda de qualquer dos 12 canais de Rádio/Televisão do Grupo RTP.
.
Ver lista de subsídios directos (fonte CM)
Universidade Política de Lisboa
Hoje, às16.30h, estarei nesta organização da Juventude Social Democrata numa simulação do funcionamento da 11.ª Comissão Parlamentar, onde falarei sobre “Coesão Nacional e Assimetrias”.
Os tampões de Américo Amorim
A notícia é mais ou menos esta: Américo Amorim terá incluido despesas com tampões nas contas da sua holding. Seria, claro, um caso de abuso, de inclusão de despesas pessoais na conta da empresa. Isto porque não faz sentido nenhum que uma empresa precise de tampões. Excepto se a empresa for um hotel, ou um hospital, um centro comercial com casas de banho públicas, uma empresa de aviação, uma rede de escolas, uma universidade etc etc. E também se a empresa quiser dispensar o mínimo de comodidade a quem lá trabalha. Em suma, qualquer instituição onde trabalhem mulheres ou em que as mulheres constituam uma parte dos clientes.
Opções para Portugal (vários cenários)
Cenário actual de partida (intervenção da troika): Política de austeridade. Portugal tem que cortar na despesa.
.
Europa lança Eurobonds: como contrapartida a Alemanha exigirá défice zero em 2015 ou 2016. Política de austeridade. Portugal tem que cortar na despesa.
.
Intervenção do BCE para salvar o euro emitindo moeda: Inflação. Perda colossal do poder de compra. Portugal entra em austeridade por via inflacionista (salários reais da função pública caem mais 10% ou 20%).
.
Grécia sai do euro: Agravam-se as condições económicas internacionais e de financiamento. Política de austeridade. Portugal tem que cortar na despesa.
.
Portugal sai da zona euro: Queda abrupta do PIB português. Financiamento congela. Política de austeridade. Portugal tem que cortar na despesa para atingir défice zero de imediato.
.
Zona euro implode: Queda abrupta do PIB da zona euro. Financiamento congela. Política de austeridade. Portugal tem que cortar na despesa para atingir défice zero de imediato.
Eliminar feriados? – sondagem
inteligência rara
“Se eu fosse primeiro-ministro”, disse António José Seguro, “teria de aplicar medidas de austeridade, mas seria uma austeridade com uma abordagem inteligente para permitir menos recessão e mais apoio às nossas empresas, porque são elas que criam riqueza”. Mas – caramba! -, como é que ainda ninguém se lembrou disto? Que génio!
1º de Dezembro sempre
Amanhã comemora-se o 1º de Dezembro. Comemorar-se-ia da mesma maneira, mesmo que não fosse feriado. Isto porque o que interessa é o simbolismo da data e não o facto de não se trabalhar nessa data. Ainda assim, acho que se comemora menos o 1º de Dezembro do que outras datas que não são feriado, como o dia de Reis, o dia do pai e o dia de São Martinho.
Nada temo caso o governo elimine alguns feriados. Pessoas como Carlos Botelho, que tanto valorizam estes dias simólicos, meterão férias para os comemorar. Não será feriado, mas um número tão elevado de pessoas em férias fará com que estas datas funcionem na prática como feriado. Afinal, quem é que amanhã se vai esquecer de comemorar o aniversário do nosso primeiro rei? E não é por ser feriado.
A União Nacional
“A viabilização dos orçamentos de Estado, nos últimos anos, é uma tradição que sempre se cumpre. A pretexto dum exaltado sentido de responsabilidade, o unanimismo tem sido prática num Parlamento que tem feito lembrar a União Nacional”. Ontem, no Correio da Manhã.
uma social-democracia para todas as ocasiões
Depois de ter passado longos meses a assegurar-nos que os eleitores portugueses saberiam reconhecer os sinais de excelência da governação socrática e as misérias e fragilidades da oposição, o eminente filósofo político português João Cardoso Rosas parece ter-se dado finalmente conta de que o PS perdeu as eleições e que José Sócrates já não preside aos destinos do país. Vai daí, deu hoje à estampa um artigo cheio de bons conselhos ao Partido Socialista de António José Seguro, no qual define os princípios necessários à sua refundação ideológica. E que princípios são esses? Em primeiro lugar, diz-nos, o PS deverá romper “com terceiras-vias e outros artifícios retóricos que dominaram os partidos do socialismo democrático na Europa”, entre eles, obviamente, o Partido Socialista que nos governou com Guterres e, posteriormente, com José Sócrates. Depois, há-de defender a “austeridade”, em vez do habitual despesismo público, que era suposto produzir excelentes resultados económicos, graças ao célebre “efeito multiplicador”, conforme nos prometeram os últimos governos socialistas. Em seguida, “deve deixar de dar centralidade às causas da “nova esquerda” (aborto, casamento gay, divórcio sem culpa, etc.)”, que – veja-se lá! – “marcaram a governação de Sócrates”, como o próprio autor reconhece. Não satisfeito com isto, ainda sugere que os “fiéis de Sócrates” (sic) que ficaram na “primeira fila do Parlamento” vão para o diabo que os carregue, perdão, vão trabalhar para outro lado, chegando-se mesmo a interrogar se não haverá “nenhuma empresa que os contrate, nenhuma universidade que os queira?”. O autor não esclarece, porém, se o raciocínio se aplica igualmente aos que, mais humildes, se retiraram para as segundas e terceiras filas do hemiciclo. Sintetizando: o Partido Socialista deverá refundar-se fazendo o exacto contrário do que andou a fazer com Sócrates e os seus nos últimos anos. É o que se poderá chamar uma social-democracia para todas as ocasiões, caro professor.
Drama
Na entrevista que concedeu a Ana Lourenço, Mário Soares volta ao tópico da falta de qualidade desta nova geraçãode políticos. Para lá do lado constrangedor deste tipo de declarações quando proferidas por alguém já octagenário temos um daqueles paradoxos que se deixam passar a Soares: para dar conta dessa superioridade dos políticos de outrora, Soares apenas refere políticos da área socialista – Miterrand, Felipe González, Brandt, Wilson… Presume-se que Soares não considera os não socialistas dignos de serem mencionados e sobretudo demosntra que aquilo que o preocupa é falta de qualidade da nova geração de líderes socialistas. Não me espanta de modo algum o paternalismo que Soares mostra pelos não socialistas e a indulgência que revela para homens como Miterrand e González, ambos associados ao terrorismo de Estado. Mas na verdade não é justo em relação aos novos líderes socialistas: estes não são piores nem melhores do que os do passado. Simplesmente não há dinheiro e toda a grandeza dos pretéritos líderes socialistas se baseou no atirar dinheiro público para cima dos problemas e tb no reservar umas parcelas dessas dinheiro para devidamente distribuído por clientelas mediáticas assegurar uma boa propaganda.
Alguém sabe como é que se formam as comissões de utentes e qual a sua representatividade?
Comissão de Utentes da Via do Infante
Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo
Comissão de Utentes do IC19
Comissão de Utentes Contra as Portagens nas autoestradas A23, A24 e A25
Comissão de Utentes da Extensão de Saúde de Vale São Cosme (CUTS/VSC) Ler mais…
Uma sugestão:
As refeições nos restaurantes irão passar a pagar 23% de IVA. O pessoal do sector está chateado.
Mas só precisam de imaginação.
Em vez de vender refeições, vendam ementas sob a forma de livro. É que os livros só pagam 6%.
E como oferta pela simpática aquisição, oferecem um aperitivo (a refeição ela mesma).
O Vitor Gaspar não vai gostar, mas em crise há que ser criativo….
afinal, o que se passa no bpn?
Afinal, o que se passa com a venda do BPN aos angolanos do BIC? O banco foi ou não vendido quando o governo português escolheu a proposta angolana e declinou as outras duas existentes? Houve ou não houve uma proposta formal que permitiu fechar o negócio nessa altura, ainda que – compreensivelmente – com um ou outro pormenor por afinar, mas sem pôr em causa o acordo já estabelecido? Se foi escolhida a proposta do BIC, por que razão “continuam as negociações”, como afirma Luís Mira Amaral, o presidente do banco angolano? É que cada dia que passa sem que o negócio esteja concluído legitima este tipo de dúvidas e, consequentemente, desvaloriza mais ainda o pouco valor que o banco já tem. Esperemos que não seja isso que a parte compradora pretende.
Vergonha
Não pode valer tudo
A Segurança Social está a utilizar os endereços de correio electrónico dos estudantes do ensino superior que se candidataram a bolsas de estudo para notificar os pais dos alunos do cálculo do rendimento relevante e do valor das contribuições que estes devem pagar. É a primeira vez que vejo “notificações na pessoa do filho“.
Também não percebo como é que a S. Social teve acesso aos endereços de correio electrónico fornecidos pelos estudantes à Direcção Geral do Ensino Superior. Os candidatos às bolsas são obrigados a entregar à DGES uma autorização para esta poder obter informações pessoais junto da Segurança Social, mas não para a cedência de dados em sentido contrário.
Pior a emenda que o soneto
Quiçá para mostrar “sensibilidade social”, mas sobretudo para ceder algo às pressões do establishment – não só do PS, mas também dentro do PSD, em especial a “ala cavaquista” – o governo decidiu amenizar os cortes nos salários da função pública. Ora reduzir o corte numa dada rubrica deveria ser compensado com corte adicional noutra e não com aumento de impostos. O governo optou por subir as taxas liberatórias para 25%, dando mais uma machadada na poupança e aumentando o incentivo à fuga de capitais.
A alteração efectuada custa 130 milhões. Onde se poderia cortar sem ter de agravar a carga fiscal? Por exemplo, numa rubrica de que o governo em tempos muito falou, criticando a sua enorme “carga adiposa”: a aquisição de bens e serviços. Estamos a falar de uma despesa consolidada da ordem dos 10,5 mil milhões, que não é praticamente mexida no OE 2012. Pesa sobretudo no sector dos Serviços e Fundos Autónomos (8,5 mil milhões), que agrega os malfadados Institutos Públicos. Esta rubrica estará seguramente “infestada” de despesas com deslocações, ajudas de custo, combustíveis e sobretudo avenças a consultores. Eu apostaria que se pode reduzir de uma assentada 20% no seu valor total (qualquer coisa acima dos 2 mil milhões) sem quebras significativas nos serviços prestados. Reduzir aqui 130 milhões em vez de subir as taxas liberatórias, representaria apenas 1,2% do valor total da rubrica. Eliminava-se seguramente desperdício e não se penalizaria a poupança.
Isto claro, para não falar no meu velho “ódio de estimação”, a RTP, que já deveria ter sido vendida, assegurando-se assim para 2012 uma poupança superior a 300 milhões.
Voltaram as ambulâncias
Sempre que se mexem com determinadas corporações temos o problema das mortes nos hospitais, nas ambulâncias e nas urgências. Agora são os transplantes que se prestam a esse exercício.
Sciences Po
O grupo parlamentar do PS impediu Seguro de gritar vitória no debate do OE pois por muito simbólicas que fossem as alterações nos subsídios a verdade é que o PS poderia ter apresentado essas alterações como o resultado da sua actuação. Mas o grupo parlamentar do PS prefere perder na táctica para ganhar na estratégia de afastar Seguro e servir a linha Sócrates.
a pescadinha
“Viver dentro das possibilidades e pagar o que se deve… para que se possa ficar a dever mais e viver acima das possibilidades outra vez. Subtítulo: um programa de governo”, pelo Rui Botelho Rodrigues.
Apenas uma nota: infelizmente, como em qualquer empresa em dificuldades graves e crónicas, também um país endividado só conseguirá tapar os seus buracos com o recurso ao crédito. Se a sua capacidade produtiva permitisse, por si mesma, sair da situação em que se encontra, o buraco não existiria ou, pelo menos, não seria tão grande. Por outro lado, quem empresta dinheiro nestas condições corre um risco elevado, pelo que aumenta o preço do dinheiro emprestado. Não há, assim, que espantar com os juros da chamada dívida soberana, menos ainda transformá-los numa justificação para a situação em que nos encontramos e pela qual somos os únicos responsáveis. Na verdade, quem já geriu empresas em situação económica difícil, com despesas descontroladas face às receitas disponíveis e passivos gigantescos, sabe que são poucos os bancos ou as entidades de crédito que lhes abrem as portas e quais são as condições exigidas para viabilizar os empréstimos, as poucas vezes em que o fazem. O que é importante nestas circunstâncias, como alerta o RBR, é que o dinheiro emprestado não sirva para subsidiar as fontes de endividamento, mas que permita, por um lado, pagar gradualmente as dívidas, e, por outro, financiar a reestruturação da empresa. O problema é, assim, mais de gestão do que dos recursos geridos, embora haja um limite abaixo do qual nenhuma gestão, por mais excelente que seja, consiga ser auto-suficiente. É o que se passa, de momento, com Portugal, e é neste sentido que o governo português precisa de seguir, em vez de festejar o “sucesso” do monstro, o que, dadas as circunstâncias, só pode considerar-se um exercício de humor negro.
Excerto de um texto de 29 de Junho de 2007 *
«Não gosto de fado. Sobretudo do ‘choradinho’. Recuso os queixumes funcionais das carpideiras. Não gosto de lamentos inconsequentes. Rejeito a masturbação da dor tornada compulsividade obsessiva.
No fado, o gemido mais ou menos melódico deixa de ser um meio para constituir o único fim. O fado é a apologia da desventura, é o elogio babado do infortúnio. Mas o pior do fado é a crença irracional num destino sempre magoado e arrependido. O fado aniquila o alento e o rasgo essenciais para se sair da aflição – o fado exalta e eterniza a desgraça»…
Outra vez não!
Património da Humanidade: Portugal quer juntar-se à dieta mediterrânica Por amor de todos os santos isto não é possível! A sério, não aguento mais outra onda de arrebatamento só que agora em torno das açordas e do bacalhau com couves. Quem devia ser património imaterial é esta gente que se caracteriza por primeiro achar que uma coisa é um sinal óbvio do nosso atraso, que é uma coisa horrível que nenhum povo civilizado tem e que o Salazar estimulou naqule tempo em que o pais era cinzento e triste para em seguida desatarem a defender essa mesma coisa como um símbolo da nossa singularidade e resistência ao Portugal cinzento e triste. Juro que ainda não há tanto tempo assim tinham agonias de cada vez que falavam da sopa de feijão, azeite e migas e até se fizeram campanhas para substituir as sopas nas cantinas escolares pelas sandes e pelos yogurtes. Agora deu-lhes para a exaltação da dieta mediterrânica que felizmente está cheia de tomate e batata provenientes de longes terras. Enfim, preparemo-nos para o tempo em que uma refeição não vai ser só uma refeição mas sim um momento de articulação de culturas na expressão da sua pluralidade.
Vá lá, aceitem esta esmola
Lobbies em Portugal – 4.
Cenário- apresentação de livro em sessão aberta ao público. Orador louva o autor e a obra e termina com as seguintes ideias – o país está numa grave crise/ temos que tomar conta do país/ uma das pessoas com as quais contamos é com o autor desta obra. Alguns anos mais tarde, o autor da obra era membro do governo. As capacidades intelectuais da pessoa em causa eram reconhecidas, mesmo pelos seus adversários. Ler mais…
Generalizações
Louçã indigna-se com este título do EXPRESSO: “Deputado do BE João Semedo foi sócio do BPN numa clínica do Porto”. E indigna-se bem porque lendo o texto o título não é de facto adequado. Aliás mesmo que Semedo tivesse sido sócio do BPN não lhe era de modo algum exigivel que estivesse informado sobre o que se passava naquele banco. Infelizmente Louçã não aplica esta bitola àqueles que não são do BE. Supondo que Semedo era deputado do CDS, do PSD ou até daquela parte do PS com que o BE não simpatiza e os olhinhos de Louçã brilhariam neste momento. Seria uma catadupa de acusações de negociatas e roubalheiras. Por exemplo este parágrafo da defesa de Semedo feita por Louçã “João Semedo criou uma clínica com outros médicos (1994). Associou-se então a uma companhia de seguros, que nada tinha que ver com o BPN. Anos mais tarde, o BPN comprou essa companhia de seguros (1999), sem que naturalmente houvesse qualquer conhecimento prévio, interferência ou decisão nesse sentido por parte dos médicos que faziam parte da clínica. Semedo abandonou a empresa logo depois (2000). Em 2000, ninguém conhecia qualquer irregularidade no BPN nem em qualquer das suas empresas. Isso só se soube muito mais tarde, em 2007.” seria mais ou menos assim caso Semedo não fosse do BE: A negociata começou em 1994. Com outros médicos criou uma clínica mas teve de arranjar um sócio que lhe garantisse clientes. Foi esse sócio uma companhia de seguros. Oram vejam a feliz coincidência quem haveria de aparecer interessado nessa companhia de seguros? O BPN. Eles dizem que não sabiam previamente que ia comprar a companhia de seguros. E nós dizemos que vamos fazer de conta que acreditamos nessa história da carochinha. E também fazemos de conta que só em 2007 se soube das irregularidades do BPN. Enfim é muito fazer de conta. Porque é assim que eles financiam os negócios de favor com que têm roubado o país.
Todos os dias Louçã faz este exercício de populismo puro sobre os mais variados assuntos. E toda a gente acha esse um direito natural da esquerda em geral e de Louçã em particular. Talvez o sucedido com João Semedo sirva para lhes atenuar os ímpetos inquisitoriais e tornar mais evidentemente insuportável aquela diatribe constante.
Listas
Além do “Fado, urban popular song of Portugal” [sic], quantas destas 262 “cultural practices and expressions of intangible heritage” listadas pela UNESCO conhece o leitor?
A proposósito, não percebo como é que nosso país ficou de fora desta herança intangível.
Déjá vu? (corrigido)
O último ministro das finanças que pôs em ordem as contas públicas e deixou os portugueses pobres… chegou a primeiro-ministro. Foi António de Oliveira Salazar. Por esta ordem de ideias, ainda vamos ter Gaspar a substituir Passos Coelho.
Prémio distraído do ano
Indignados: Ninguém compareceu hoje à manifestação no Funchal A professora que convocou esta manifestação merece o prémio distraída do ano. Como é que ela não percebe que os indignados mais a sua defesa da despesa pública estão no governo regional da Madeira?
Que Drummond me perdoe
Pedro negociava com Aníbal que negociava com António
que negociava com José que negociava com Mário que negociava com Carvalho & Proença
que supostamente não negociavam com ninguém.
Pedro foi para casa, Aníbal para história, António desapareceu sem deixar rasto,
José nunca acabou filosofia, Mário derrotado gritou vitória,
Carvalho & Proença ficaram a arrumar o salão de festas e quem riu foi um tal centrão
que não tinha entrado na história.
Ps. A RTP cobriu o evento com uma linda gala.
estaremos mesmo a empobrecer?
Será que o país está realmente a empobrecer com as políticas deste governo, como sugerem, por aí, comentadores e opinadores diversos? Por acaso o governo mandou encerrar empresas e fábricas, destruiu fontes de recursos, mandou reduzir a produção, nacionalizou empresas privadas e pô-las a perder dinheiro, ou será que este governo se tem limitado, de calças na mão, é certo, como o faria qualquer outro no mesmo lugar, a pagar o que é devido aos seus credores, de modo a poder continuar a ter acesso a dinheiro que lhe permita evitar a falência? Sendo, evidentemente, isto que se passa, se Portugal não perdeu produto por estar a pagar o que deve, há uma conclusão a retirar do actual estado em que nos encontramos: ele é apenas o estado real do país – de pobreza, é certo – de um país que abandonou os campos, reduziu as pescas, limitou a iniciativa privada, que criou falso desenvolvimento público com recursos desbaratados vindos do exterior, que pouco ou nada produz, que abandonou, há muito, as exigências de qualidade na educação, na justiça, na segurança, na saúde, que exige direitos e quer poucos deveres, e que tem vivido acima do valor real do seu produto interno, à custa do crédito externo, ou seja, do dinheiro que alguém lá fora produz. Por outras palavras: nós não estamos a empobrecer; nós somos pobres. Agora que os avalistas – as célebres agências de rating – desconfiam da nossa capacidade real para pagar o que devemos e o que mais queremos ficar a dever, estamos somente entregues a nós mesmos, ao que somos ou não somos capazes de produzir, e à obrigação natural de pagar aquilo que voluntariamente ficamos a dever a quem nos emprestou. Entretanto, quanto aos juros da dívida contraída pelo PS, PSD e CDS – os célebres 34 mil milhões -, se houver por aí quem arranje dinheiro a preço mais barato, será certamente bem-vindo.
Reforma da Administração Local
Hoje, dia 26, pelas 21.30h, estarei a debater a Reforma na Biblioteca Municipal de Paços de Ferreira a convite da concelhia do PSD.
Neo-realismo
Lendo-se o Abrupto percebe-se que Pacheco Pereira não se resigna à ideia de que o país terá que empobrecer. Fala no conceito de “credores da máfia” (aqueles que não emprestam mais se não lhes pagarmos) e “cortes à bruta” (deve ser o oposto de “despesa à bruta”). Pacheco preocupa-se porque o governo não mostra preocupação com o empobrecimento. Parece que a população precisa de um pai, severo, mas compreensivo, que corta mas a quem dói cortar. O que Pacheco Pereira não admite é que o pai mostre entusiasmo em cortar, mesmo que Pacheco reconheça que cortar é inevitável e necessário. Para consolo de Pacheco Pereira devo informá-lo que só empobrece quem é rico, o que não é o nosso caso. Regressar ao nosso nível de riqueza real não é bem “empobrecer”. E que, talvez, um governo que mostre entusiasmo em acabar com a ilusão de que somos ricos tenha contributo mais positivo que um que mostre entusiasmo em alimentar a ilusões de riqueza e progresso. Mas se continua insatisfeito recomendo alguns videos do Sócrates a falar sobre o Plano Tecnológico e o carro eléctrico.
Manifestos, rumos e paradigmas….*
Em véspera de greve geral, a imprensa noticiou a divulgação de (mais) um manifesto. O subscritor de destaque foi Mário Soares. “Um Novo Rumo” intitula esta iniciativa que apela à mobilização geral dos cidadãos “que se revêem nos ideais”. Ouvindo Vítor Ramalho – outro dos subscritores – soube que aquele grupo de socialistas clássicos (e outros menos clássicos e pouco ortodoxos, como Isabel Moreira ou Medeiros Ferreira) entende ser necessário um novo paradigma de relações económicas e sociais. Qual? Essa é a questão que, invariavelmente, fica sempre por responder. Ora, novos rumos e, sobretudo, novos paradigmas, têm povoado a actual narrativa política da crise. Andamos todos à procura disso, sabemos que não poderemos continuar pelo caminho que nos trouxe até aqui, porém, estamos como Régio, no seu “Cântico Negro”: “não sei por onde vou, (só) sei que não vou por aí”!
Sindicalismo civilizado
O Henrique Raposo duvidava que a Autoeuropa fizesse greve. António Chora veio esclarecer: os trabalhadores da Autoeuropa iriam trabalhar e os sindicatos utilizariam o facto de não se produzir nenhum carro nesse dia para salvar a face. Sindicalismo civilizado é outra coisa.
Quem vai para a rua dá e leva
Andaram os sociólogos a prever tumultos e desordens sociais e a esquerda a orgulhar-se das suas tradições de luta de rua para chegarmos a isto. Afinal a rua é dominada pelos terroristas neoliberais que atacam as finanças com cocktails molotov e os mariquinhas de esquerda desatam fazer quixinhas da polícia ao primeiro incidente. Meus caros, quem faz da rua um espaço de luta tem que estar preparado para apanhar porrada com coragem e estoicismo. Ou pensavam que a luta de rua ia ser mais fácil que ganhar eleições? Vocês envergonham os homens e as mulheres de esquerda que lutaram na rua em condições muito mais adversas.