“Concorrência Imperfeita”

Vagueando pela blogosfera e após uma pista deixado na “caixa de comentário” por um leitor, deparei-me com esta proposta: “Adeptos da Concorrência Imperfeita“. Parece interessante. A seguir

Infantilidades do parlamento

Qual era mesmo o problema de o primeiro-ministro ir explicar e dar conta dos assuntos aos deputados ( de quem formalmente depende)? Não faria mais que a sua obrigação básica.

Mas por cá gosta-se de torcer a lei e de se colocarem acima dela. É que na prática, em vez de ser o primeiro-ministro a depender do apoio dos deputados, são estes que dependem do apoio do primeiro-ministro, não vá ele aborrecer-se e riscá-los na próxima lista.

Os Kwanzas de má consciência*

A relação entre a soberania política e o capital  sempre foi complicada. Mais para o lado da soberania do que para o do capital. Este, com efeito, não olha a soberanias, nem a nacionalidades. A sua política é, habitualmente, muito objectiva: tal como o rio desagua no mar, também o dinheiro procura mais dinheiro, ou seja, maior rentabilidade, com a máxima tranquilidade (segurança) possível.

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Portugal, Grécia e Irlanda. Ou o que tem de ser tem muita força

Eu não quero ser piegas, mas não acham uma pieguice o partido que assinou o acordo com a troika andar por aí a chorar que o melhor era adiar as suas metas? E não será uma coisa algo lamurienta o António José Seguro ter-se lembrado, oito meses passados sobre a assinatura desse acordo, que afinal há umas partes com que não está de acordo?

Eu não quero ser piegas, mas não acham um bocado lamechas toda a birra que por aí vai por causa da tolerância do ponto no Carnaval?

Eu não quero ser piegas, mas não acham mesmo uma pieguice estarmos a discutir a pieguice? Ou será que devia antes falar em lamúrias, como falava Jorge Sampaio, e nessa altura já não havia nada para discutir e nada para suscitar indignação?

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As coisas como elas são

Caso esta conversa tivesse lugar com Teixeira dos Santos no lugar em que está Vítor Gaspar o país reagiria assim:

a) O PS anunciaria um dia histórico e o fim da crise;

b) O PSD garantiria que a assessoria de imprensa governamental tinha trabalhado nos bastidores de modo a que esta conversa parecesse fortuitamente tomada por um jornalista;

e naturalmente seríamos um país mais feliz porque cada coisa estava no seu lugar: os socialistas estavam no poder e os pepêdês na oposição praticando aquilo que as suas élites gostam – fazer missas por alma de Sá Carneiro e viver sob a tutela intelectual da esquerda de que simultaneamente vão contando uns podres, poucos de preferência para não causar ondas.

Parece que a esquerda tem saudades

do tempo em que as gravações ocultas davam conta disto Agora a conversa é outra. E felizmente.

Outro abaixo-assinado

Aproveitando o embalo pode aproveitar-se o reconhecimento da assinatura no abaixo-assinado anterior para validar outra proposta. A saber dos cidadãos que estão dispostos que as suas poupanças e o aval do seu país sejam usados na ajuda à Grécia. Como há tanta gente compungida com as medidas que estão ser impostas à Grécia, solidária com a contestação a essas medidas, arrebatados com a rua grega sem esquecer o tributo que se tem de pagar à Grécia por esta ser o berço da nossa civilização (há colonialismos mais em conta!)  certamente que estão dispostos a passar um cheque quiçá em branco à Grécia.

Agenda

Hoje estarei no Vice-Versa na RTPinformação.
Amanhã, 11 de Fevereiro, estarei no 1.º Congresso dos Jovens Autarcas Social Democratas que terá lugar no , no auditório Colégio da Trofa, na Rua Rainha Santa Isabel, onde debaterei a Proposta do Governo relativa à Reorganização Territorial, Eixo 2 da Reforma do Poder Local.
Amanhã, também, estarei no debate do Canal Parlamento (RTP 2, às 13h) e, ainda, estarei no Porto Canal, no Jornal das Nove, a debater a actualidade.

Um abaixo-assinado

Luis del Pino colocou on line este abaixo-assinado que aqueles que contestam a condenação de Garzón podem e devem subscrever. Os cidadãos portugueses a começar pela redacção da SIC – Notícias que fez sobre a condenação de Garzón as mais enviesadas notícias de que há memória também podem subscrever o abaixo-assinado de que deixo aqui o modelo já devidamente adaptado:

Yo, [PONER AQUÍ EL NOMBRE], ciudadano español/portugues mayor de edad y con DNI/BI/CARTÃO DE CIDADÃO [PONER AQUÍ DNI], comparezco ante notario y manifiesto:

1) Mi absoluta indignación por la condena de 11 años de inhabilitación que el Tribunal Supremo ha impuesto al juez Baltasar Garzón, por haber grabado las conversaciones entre abogados e imputados en el curso de la instrucción del caso Gurtel.

2) Aunque haya quien diga que la confidencialidad de las conversaciones abogado-cliente resulta imprescindible para garantizar el derecho de defensa; aunque las leyes establezcan que esa confidencialidad solo puede violentarse en casos muy extremos (como por ejemplo en delitos de terrorismo) y aunque haya quien sostenga que el estado de derecho no puede subsistir si se viola arbitrariamente el derecho de defensa… YO CREO que D. Baltasar Garzón actuó correctamente, porque lo lógico es que el juez intervenga cuando le venga en gana las conversaciones que quiera, aunque la ley diga lo contrario.

3) Por tanto, y como muestra de coherencia, si en el futuro alguien me acusara de cometer algún delito, AUTORIZO EXPRESAMENTE a cualquier juez a grabar las conversaciones que yo mantenga con mis abogados, diga lo que diga la ley vigente.

En [PONER AQUÍ LA CIUDAD], a [DIA] de [MES] de 2012.

Firmado [FIRMAR AQUI]

O ovo ou a galinha?

Compreende-se a conversa informal que Vitor Gaspar e o seu homólogo alemão Schauble mantiveram: agora, “porque vocês fizeram progressos substanciais” (leia-se, Portugal está a fazer um bom trabalho), a Alemanha está disponível para ajudar, renegociando as condições do resgate português. Pelo menos, será essa a convicção do Ministro Alemão. Mais do que isso, agora, também não se pode garantir… ate´mesmo porque se tratou de uma conversa informal que não seria suposto ter sido “apanhada” pela imprensa, quanto mais tornada pública.

A austeridade  firme e aparentemente cega que o Governo tem seguido tinha (e percebia-se isso mesmo) esse objectivo: caso fosse necessário (e, sobretudo, quando fosse necessário), disporem-se de condições negociais para a obtenção de um reajustamento do plano português. É (era) uma jogada de risco que, naturalmente, se percebe(u). Por isso, ao contrário do que Seguro tentou dizer (está no seu papel…apesar de fraco, na circunstância), esta hipótese só surgiu (na mente do Ministro alemão) em consequência, precisamente, da política seguida e não ao arrepio dessa mesma política.

No entanto –  papeis (e respectiva justificação) à parte - continuamos a fazer política a partir de (não – ) casos cuja criação se força artificiosamente; ou seja, viciosamente sem substancia e sempre do mesmo modo: com ar e vento!

Outras “intolerâncias de ponto”

Fim de tolerância de ponto na Páscoa e no Natal não preocupa Igreja

De facto, Passos Coelho devia ter anunciado de uma assentada todas as “intolerâncias de ponto”: 3ª feira de Carnaval, 5ª feira santa e o 24 de Dezembro. Assim, só teríamos de aturar uma vez as estridentes lamúrias dos piegas.

Cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal

Antes que comecem os arrebatamentos místicos com a condenação de Garzón recomenda-se que vejam o que o levou a sentar-se no banco dos réus: escutas entre réus e os seus advogados. Não se esqueçam que ainda há pouco em Portugal se defendia a nulidade e a ilegalidade das escutas entre suspeitos.

Dúvidas (I)

I) Se as vítimas fossem mulheres os agressores ficariam apenas sujeitos a apresentações periódicas?

II) Se o autor desta frase  « je me suis mis à travailler comme un nègre. Je ne sais pas si les nègres ont toujours tellement travaillé, mais enfin…» fosse negro e dissesse comme un nègre ou comme un blanc ou comme un asiatique teria também ido a tribunal?

Leituras:

André Azevedo Alves no Insurgente:

«A criminalização do “enriquecimento ilícito” é um erro grave. O apoio do PCP e do BE não surpreende, mas a iniciativa do PSD e do CDS é lamentável.

Ou a medida não vai ter qualquer aplicação – e nesse caso será mais um passo no sentido da descredibilização do sistema de justiça do actual regime – ou, caso seja aplicada, constituirá uma nova e perigosa arma à disposição do Estado e dos grupos que o controlam para ameaçar e/ou perseguir os respectivos inimigos invertendo o ónus da prova e anulando a presunção da inocência

Tolerância de tonto

A atribuição da tolerância de ponto no dia de Carnaval por parte das Câmaras de Lisboa e Porto resulta em situações caricatas, que deveriam ter sido evitadas com um planeamento atempado. Ler mais »

Bons exemplos

Em 2011, o défice da nossa Balança Comercial reduziu-se em 25%, qualquer coisa como 5 mil milhões (números disponíveis aqui). Uma melhoria conseguida exclusivamente à custa do aumento das exportações (+15%), com as importações a aumentarem marginalmente (menos de 1%). Ainda não são conhecidos os dados da Balança de Serviços, mas o saldo evoluirá também no bom sentido e será positivo, como aliás já o era em 2010. 

Ou seja, tal como nas anteriores intervenções do FMI, os privados arregaçam as mangas e dão o seu melhor contributo para a correcção do défice externo. Se mantivermos o ritmo – o que será difícil – podemos chegar ao final deste ano com a Balança de Transacções Correntes equilibrada. Do outro desequilíbro estrutural, o défice público, não se vêem, para já, sinais de melhoria significativa que não passem por artifícios contabilísticos. Será pedir muito que reduzam o valor do défice em 25%? São “apenas” 4,2 mil milhões…

Agora peçam desculpa

25 948 foi o número de pessoas que assinou a petição do Correio da Manhã para a criminalização do enriquecimento ilícito dos titulares de cargos públicos.  Na altura, um dos argumento usados para garantir que não haveria qualquer ameaça à liberdade foi o de que a lei só se aplicaria a titulares de cargos públicos. Ora, tendo em conta que a lei vai ser aplicada a toda a gente, temo que estas pessoas terão sido enganadas. Aguarda-se um pedido de desculpa do Correio da Manhã e de quem deu a cara por esta petição. Este resultado era apenas uma questão de tempo.

Anita na praia, Anita no campo… Anita e os SUV

Merkel tem razão

Parece que vai uma grande comoção na pátria porque Angela Merkel disse aquilo que milhares de portugueses estão fartissimos de repetir: a Madeira é um mau exemplo de investimento público.

Ainda o Monstro

Apesar de haver muitas outras razões para rejeitar a infame PL 118/XII, recomendo vivamente a assinatura desta petição.

Viciados na mentira

Tínhamos todos certificados de habilitações que não serviam para nada passados pelas Novas Oportunidades. Pontes e tolerâncias e ponto consagrados como direitos constitucionais. Todos os dias eram dias históricos porque um evento com a devida cobertura mediática assim o garantia. Éramos todos tão felizes. As principais questões do país eram quem podia casar com quem. Éramos um verdadeiro salão de festas. Medina Carreira era um tremendista. Os ordenados dos funcionários públicos aumentavam 2,9 num ano. E íamos ter aeroportos, TGV, auto-estradas para todo o lado… Essa mistificação acabou neste dia

Sócrates e Alberto João foram o lado mais grotesco dessa ilusão mas estão longe de ser os únicos. Anda para aí uma legião de gente que todos os dia inventa uma  indignação para justificar não se ter feito antes o que se devia.  Confesso que tenho pouca paciência para essse exercício de auto-indulgência mas reconheço que funciona num país que se viciou na mentira. Mas o que se espera é que PS e PSD apresentam propostas ideologicamente sustentadas  para o país. Que o PS deixe de andar a fazer de conta que é a água oxigenada deste estado que vive acima das sua possibilidades: onde é que estão as propostas socialistas para governar como socialistas sem nos arruinar?  E que o PSD se deixe de esconder  atrás da troika para justificar as medidas que se estão a tomar.

Na Suécia as reformas fazem-se a tempo e horas

 
Com polémica ou não, os suecos irão certamente avançar com a “reforma das reformas”. É assim, antecipando os problemas, que eles conseguem manter um Estado Social invejável e sustentável. Espero que o governo português trate de os imitar quanto antes.
 
Aproveitem “florzinhas de estufa”, comecem já a indignar-se por antecipação. Têm aqui um excelente motivo para darem largas à vossa pieguice…

Quem vem com Camões leva com Pessoa

«O líder parlamentar do PS cita o Camões e a mim apetece-me citar Pessoa. Gostaria que o líder de uma bancada onde neste momento ninguém sabe que coisa quer, ninguém conhece que alma tem, nem o que é mal nem o que é bem, se preocupasse mais em resolver os problemas do país e em pôr ordem na sua bancada do que em tentar criar casos políticos que não interessam a ninguém, desvirtuando as declarações do senhor primeiro-ministro»… 
Ver aqui .

Em má hora

A 25 de Novembro o Governo deu ao município lisboeta  o edifício do antigo Tribunal da Boa Hora. E mais € 3.582.900 euros para não se queixarem…..

Passado um mês, a ministra da Justiça, que assinara de cruz o documento de doação e pagamento em espécie, vem dizer que a Boa-Hora é um emblema do judiciário e que quer muito reaver aquele edifício.

Mais um mês e  Paula Teixeira da Cruz disse que a restituição da Boa Hora é “um acto necessário” e “uma manifestação de cidadania por todos reconhecida”(*). Obviamente, a 25 de Novembro não era, mas isso agora não interessa nada….

E pronto, lá se torram mais uns 6,5 milhões para comprar o que já há 2 meses se tinha pago e  doado….

Para grandes males grandes remédios

Chamem o José Almeida Ribeiro, o Jorge Silva Carvalho, Júlio Pereira  ou o Rui Paulo Figueiredo … podem chamar o Mozart ele mesmo ou pedir ajuda ao Expresso que se está especializar num registo editorial raro – denunciar as fugas de informações recorrendo para o efeito  a outras fugas de informação – mas por favor expliquem o que é que isto quer dizer: «A polícia está a investigar eventuais escutas ilegais ao telemóvel da vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Teresa Leal Coelho.»

Regresso a 1984

A capacidade dos serviços públicos interferirem com a esfera privada das famílias e dos indivíduos é ilimitada:

Girls as young as 13 have been fitted with contraceptive implants at school without their parents knowing.

Um excelente discurso

Um comentário do nosso leitor Anti-Comuna encaminhou-me para este discurso de Passos Coelho na visita a uma escola, que vale a pena ouvir até ao fim. Um discurso diferente, realista, sem a demagogia, os lugares comuns e a vacuidade enfastiante com que os políticos nos bombardeiam diariamente nos media. Aparentemente de circunstância, incorpora todo um programa político. Se for para cumprir sem tergiversações, temos homem e teremos País.

Oxalá foram fábulas sonhadas!

O Sorumbático foi até ao Largo Camões e veio de lá perguntando: já que a abolição dos feriados de 5 de Outubro e de 1 de Dezembro provoca tanta polémica, que tal abolir, antes, o Dia de Camões – e, pelo menos em Lisboa, o Dia da Cidade? Exagero? Olhando para as imagens temos de convir que não.

4 erros nos transportes…

….que ainda se podem evitar.

1. Fusão dos STCP/Metro do Porto e Carris/Metro de Lisboa

Do ponto de vista empresarial e de mercado iria diminuir, ao invés de aumentar, a concorrência entre formas diferenciadas de transportes. Tornaria mais difícil a necessária passagem para a gestão de privados de toda ou parte das operações.

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2. Novo modelo de gestão portuária.

Não faz qualquer sentido juntar numa mesma empresa a gestão de portos que por si mesmos devem ser concorrenciais. É tipicamente uma medida centralista, sem qualquer suporte económico e que apenas permitirá perpectuar ineficiencias e a passagem de recursos de portos bem geridos para portos continua e ineptamente mal geridos.

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3. Privatização da ANA como empresa única

Os aeroportos, nomeadamente Porto, Lisboa e Faro devem ser concorrenciais e não inseridos numa empresa única que tenderá a centralizar rotas e a sugar recursos de outras regiões em beneficio de operações megalómanas e desnecessárias como o novo aeroporto de Lisboa.

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4. Desistência da melhoria da linha de comboio Porto/Vigo em detrimento da construlção da megalómana e economicamente inviável  linha Alentejo/Madrid

No eixo entre Aveiro e Vigo/Santiago  residem mais de 5 milhões de pessoas;  é o centro económico e exportador português; o aeroporto de Pedras Rubras é já uma plataforma estratégica para o todo o noroeste peninsular, a que se juntam os dois relevantes portos marítimos de Porto e Vigo;  a distância entre aquelas duas cidades é de apenas 110 km. E no entanto actualmente demoram-se 3 horas para a meia dúzia de resistentes  que queiram viajar de comboio, quando existe claro potencial para ser uma linha de grande tráfego e rentável.

Pretende o governo desviar recursos para investir numa linha a sul para a qual não há procura, que sempre dependerá de subsídios públicos e que é económica e estratégicamente errada.

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De comum a todos estes erros que o governo se prepara para por em prática com o apoio parlamentar (parece que também dos deputados que representam o norte do país…), é notório o tom marcadamente centralista, a clara ineficência económica que um dia mais tarde se há-de constatar mas já cá não estarão para pagarem por esses erros e a continua e exclusiva aposta na criação de redes controladas ou em volta da cintura da grande capital.

O ralo central que tudo suga continua igual. E há quem o apoie.

Qual parte?

Seguro: “Não concordo com uma parte do memorando”  

 

Lobbies em Portugal – proposta.

Proposta: Solicitar à Assembleia da República e ao Governo que adotem medidas legislativas no sentido de aumentar a transparência do Estado, fazendo com que os membros de lobbies se devam declarar a si próprios como impedidos de participar em júris, proceder a nomeações, assinar contratos, etc., relativamente ou em associação a outras pessoas para as quais seja conhecida filiação comum, sob pena de incorrerem em sanções com perda de mandato ou posição profissional e anulação da nomeação ou contrato em causa. Tal declaração de impedimento não deve carecer de qualquer fundamentação concreta. O mesmo tipo de medidas deve ser tomado relativamente a pessoas que já tiveram relações íntimas entre si, e deve abranger todo o sector do Estado, incluindo empresas públicas e autarquias.

Comentário: No que respeita aos lobbies, é desejável transparência – e que quem quiser pertencer a uma organização ou a uma estrutura informal e quiser participar na vida pública, incluindo as estruturas do Estado consideradas de uma forma geral, deverá idealmente tornar clara a sua filiação. Muitos elementos de ”lobbies” têm vindo a público esclarecer as suas ligações – de forma louvável e digna. Outros existem, contudo, que pretendem remeter para a esfera da vida privada a filiação em “lobbies”. A proposta acima apresentada ultrapassa essa argumentação, na medida em que se declara que “não deve carecer de qualquer fundamentação concreta” a declaração de impedimento, ou seja, a pessoa em causa não tem que declarar a que lobby pertence, nem quem é a pessoa que pertence ao mesmo lobby. A proposta é abrangente, não se dirigindo a nenhum lobby em particular – é uma proposta geral e abstrata.

José Pedro Lopes Nunes

P.S. tive recentemente oportunidade de apresentar esta proposta, infelizmente sem ganho de causa.

Estado, nação ou estado-nação?

‎”Penso que o português é Povo de Diáspora mesmo, como o Cigano e o Judeu: arauto da Unidade Humana, como o outro o é da Liberdade e o Terceiro da Unidade Divina. Sendo de dispersão só lhe faz mal haver Estado.(…) Espero que no futuro Portugal se solte desse entrave e seja simplesmente (e grandemente) uma Nação.”
Agostinho da Silva

Deve ser isto a que chamam triste fado

Oito dezenas de historiadores agitam-se por causa do fim dos feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro

Notáveis vários reunem-se para discutir a monarquia e a república

E contudo ninguém se espanta nem indigna por a estátua de Camões estar neste estado

Saque continuado

«O BCP vai utilizar dinheiro público para reforçar os seus capitais».

São umas centenas de milhões de euros transferidos dos contribuintes para uma empresa privada.

Repare-se que é uma empresa que não quer ou não consegue vender património, pedir dinheiro aos seus acccionistas, ou obter dinheiro emprestado para fazer face ás suas obrigações.  Só consegue cumprir o que lhe é exigido pelo saque que o estado põe ao seu dispor após o ter tirado aos contribuintes.

Parabéns

De entre os maiores bancos portugueses, o Santander Totta foi o que teve melhor gestão no ano de  2011. Obteve lucros.

Fizeram um referendo?

Portugueses favoráveis à adopção por casais homossexuais - lendo a notícia não somos informados sobre quantas pessoas foram inquiridas mas presumo que para se fazer um título tão convicto a amostra será significativa. Ou se calhar fez-se um referendo e eu, distraída, não dei por nada.

Ondas de exaltação

400 mil idosos vivem sozinhos: Há uma esquizofrenia nestas notícias: a classificação de idoso remonta a um tempo em que a esperança média de vida era baixa. Hoje aos 65 anos os trabalhadores do sector privado trabalham. E os do sector público só não o fazem ainda por causa da tal equidade que lhes dá um regime laboral muito especial. Aos 65 anos estranho será que não se viva só ou na companhia doutra pessoa igualmente idosa. Depois da idade pediátrica se ter alargado à vida adulta assistimos agora à construção de uma imagem daqueles que têm mais de 65 anos como uma imensa e indistinta massa de dependentes.

UE: a “quadratura do círculo” e o “elo mais fraco”.*

A última cimeira de Bruxelas (a 14ª cimeira “histórica” dos últimos 2 anos), não parece ter sido levada muito a sério. Também não promete ser muito consequente. De resto, foi pouco conclusiva. Ou talvez não. Percebeu-se que os lideres europeus não sabem o que fazer, concluindo tudo e mais alguma coisa que, afinal e sob o ponto de vista das consequências, significa quase nada ou coisa nenhuma! O rápido controlo orçamental e o corte no endividamento, já não são, doravante, as únicas condições “sine qua non” para se salvar o Euro. Esta cimeira formulou novas prioridades: o crescimento e, sobretudo, o emprego. A par da austeridade salvífica, importa combater o desemprego, sobretudo, o desemprego jovem. Quase como se este se pudesse combater sem o crescimento; e quase como se o dito desemprego jovem fosse pior (ou melhor, ou vice-versa) do que o desemprego (simplesmente)!

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Os “direitos adquiridos” dos “cavaquistas anónimos”

A física dos direitos adquiridos

Noronha do Nascimento é um homem antigo. Nota-se na pompa, na pose, no discurso. Como homem antigo, o nosso presidente do Supremo Tribunal de Justiça é também alguém formado no tempo das “duas culturas”, a científica e a humanística, e, por isso, se sabe citar Camilo, tem mais dificuldades com a segunda lei da termodinâmica. Não fosse isso e certamente não teria falado como falou de “direitos adquiridos” no seu discurso de abertura do ano judicial.

Bem sei que esta lei é uma das mais difíceis de entender da física, pois não é intuitivo que, em todos os sistemas fechados, exista uma tendência para a entropia subir. No entanto, é esta lei que explica por que razão não é possível construir uma máquina de movimento perpétuo. Se a transpusermos para a vida do dia-a-dia, ela também nos ajuda a perceber porque é que uma casa se desarruma, mesmo que não a desarrumemos deliberadamente. Assim, se a única forma de manter uma máquina a trabalhar é nunca deixar de adicionar energia, só a “energia” de uma dona de casa mantém o lar arrumado.

Na vida das sociedades, na economia, o equivalente ao movimento perpétuo é o progresso inelutável: um como o outro correspondem a utopias irrealizáveis. A história da humanidade está cheia de episódios de civilizações que entraram em colapso, existindo até algumas que desapareceram, quando desapareceu a sua fonte de energia – um caso bem interessante é o do fim da civilização da ilha da Páscoa, provocado pelo consumo das suas florestas até à última árvore. Muitos dos problemas que vivemos hoje no Ocidente também podem ser relacionados com a diminuição de algumas das suas “fontes de energia”. Basta pensar na crise demográfica ou na dificuldade em fazer funcionares dos motores da inovação, sobretudo na Europa.

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Em papel azul de 25 linhas?

Uma das coisas fascinantes nos defensores do “serviço público” é eles próprios fornecerem os melhores argumentos contra o dito “serviço público”. Reparem bem nesta pérola:

Quem alguma vez trabalhou  no sector público (seja qual for) aprende, à entrada, duas ou três coisas. Por exemplo:

- Quando se recebe  uma indicação de um superior hierárquico com a qual não se concorda ou sobre a qual se têm dúvidas quanto à pertinência, justiça, adequação, etc., o subordinado tem duas hipóteses: ou concorda  e  executa; ou não concorda e, neste caso, pede que a indicação lhe seja dada por escrito acompanhada da devida justificação e das duas uma:

a) as dúvidas que possui são esclarecidas, aceita a indicação e comunica  também por escrito ao superior hierárquico essa sua posição;

b) as justificações do superior hierárquico não o convencem. Responde-lhe então, também por escrito, informando-o e justificando a  recusa em  aceitar  a indicação.  Apresenta simultaneamente  a demissão de todos os cargos que desempenha, solicitando o regresso à situação anterior à nomeação para os cargos que desempenha.  

É difícil imaginar um retrato mais perfeito do ambiente de desconfiança e instrumentalização que deve reinar nestes ditos “serviços públicos”. Pelo que só me fica uma dúvida: tanta troca de mensagens escritas é feita em papel azul de 25 linhas? E a assinatura tem de ser reconhecida?

PS. Quanto ao tema de fundo deste e de outros posts da mesma autora sobre o mesmo assunto, o pudor impede-me de os comentar publicamente. 

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