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“Jornalismo”

24 Outubro, 2014

“Atentado terrorista” em Jerusalém mata um bebé
Enfim já não estamos no acidente de trânsito – “Automóvel atropela transeuntes em Jerusalém – mas escrever “Atentado terrorista” entre aspas tem aquele toque distintivo tão gauche caviar. Digamos que é ums espécie de “jornalismo”.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo

23 Outubro, 2014

O PS vai abster-se na votação do projeto de resolução do BE sobre a reestruturação da dívida, apesar de não concordar com o ponto em que se fala de iniciar processo de “negociação”.

A iniciativa do Bloco faz eco do Manifesto dos 74, assinado por pelo menos quatro membros da bancada, incluindo o líder parlamentar Eduardo Ferro Rodrigues.

Quanto à iniciativa do PCP para a renegociação da dívida, o sentido de voto vai ser o chumbo.

Então e NOS?

23 Outubro, 2014

Neste movimento para nacionalizar a Portugal Telecom há uma coisa que me intriga: por que é que não nacionalizam antes a NOS? A NOS tem ar de ser uma empresa mais sólida e mais estratégica que a coitada Portugal Telecom. Pensem nisso.

A mulher que morreu porque tinha medo de germes e o homem que morreu para não se reformar

23 Outubro, 2014

…ik al heb omgelegd?”; Gerty Casteelen escolhe as palavras correctas para completar a questão do entrevistador, sobrepondo um “já abati?” à interrogação “quantas pessoas…”, como “com humor” às vezes diz. A resposta é três, com três outros casos pendentes.

Após 8 sessões, a paciente envia cerca de 80 emails a Gerty, o que a fez a psiquiatra perceber o quão a paciente desejava “eutanasiar-se”; Gerty opta por este termo em detrimento de “suicidar-se”. A psiquiatra concluiu que a misofobia controlava toda a vida da paciente, impedindo-a de manter relações, obrigando-a a passar todo o tempo a limpar. A paciente desejava morrer às 20h11 e já tinha os cartões de luto prontos.

A paciente comprou champanhe para as quatro mulheres que testemunham a sua morte: uma amiga, a médica de clínica geral, Gerty e a enfermeira em serviço para a clínica que providencia eutanásia. A paciente de 54 anos, de pijama cinzento, está feliz e relaxada. Gerty chama atenção para a hora, que as coisas têm que ser preparadas para se cumprir o horário das 20h11. A paciente quer tempo para beber mais um copo de champanhe. Pouco antes das 20h11 as mulheres desejam-lhe boa sorte para a jornada. Adormece rapidamente. Já está.

Homem de 63 anos, fisicamente saudável. Trabalhou sempre, nunca foi de férias. Suicídio falhado, não quer repetir a experiência. Sobretudo, também não quer causar transtorno a outros. Perto da idade de reforma, após anos de tratamento para depressão sem sucesso, chegou a altura de morrer. Gerty acredita que é impossível para este homem continuar a viver. Nunca manteve relações e, sem ligação à família, é um homem sozinho no mundo. Gerty concede uma certa bizarria ao considerar que o homem, admirado pelos colegas de trabalho, trabalho que executa diligentemente, é consumido pela auto-comiseração de quem não sente ter direito de viver. Na véspera da morte, organiza encontro num bar para se despedir dos colegas de trabalho, informados da decisão da morte uns dias antes. Colegas ficam tristes que ele “tenha que ir”. Na manhã seguinte, Gerty administra-lhe o cocktail letal. “A maioria morre em 10 minutos, este demorou duas horas”, recorda.

Este artigo é uma adaptação condensada e em português do artigo de Joke Mat, publicado no jornal holandês NRC Handelsblad em Janeiro de 2014. Versão em inglês.

Obrigatório ler

23 Outubro, 2014

Matar conseguem mas a suicidar falham sempre. A este fantástico texto do Ferreira Fernandes eu acrescentaria ainda a explicação emocional do matar por amor. Os jornalistas adoram categorizar os crimes: temos os crimes de ódio, horríveis porque remetem para as fobias e para o racismo, e os crimes de amor que enfim matam como os de ódio mas em que o autor do crime diz que ama a vítima. E não raramente desata numa choradeira declarando esse amor. Do ponto de vista das vítimas deve ser relevantíssimo ser esfaqueado por amor ou por ódio.

Um caso de sinistralidade rodoviária

23 Outubro, 2014

Ora, ora Vítor no Canadá o autor do atentado ainda tem “ligações ao terrorismo internacional”. Digamos que é uma outra forma de identificar o terrorismo – o internacional – versus o nacional mas concede-se que é terrorismo. Se o caso suceder em Israel pode ficar tudo reduzido a um problema de sinsistralidade rodoviária: “Automóvel atropela transeuntes em Jerusalém Se o condutor for palestiniano, claro.
Se o condutor fosse israelita o título seria provavelmente assim: Judeu mata bebé palestiniano de oito meses em Jerusalém. E nos dias seguinets teríamos o acompanhamento empolgado e empolgante da nova intifada.

Com ligações ao terrorismo internacional

23 Outubro, 2014

O acto de terror ocorrido no Canadá foi realizado por pessoa com “ligações ao terrorismo internacional”, lê-se em decrépito exemplo da falência dos jornais. Referem-se, presumivelmente, ao terrorismo internacional laico, aquele cujo terror existe só para divertir, sem ligações a causas radicais de cariz doutrinário de certas e determinadas religiões particularmente talhadas para o ideal humanista inspirado no Blade Runner. Ou, vai-se a ver, foi pessoa com ligações ao terrorismo internacional budista.

Ainda bem que não foi um daqueles gordinhos anti-aborto no Texas profundo, que esses são sempre cristãos e isso seria estereotipar o “terrorismo internacional”.

Não discriminarás o “terrorismo internacional” por género, raça, sexo, orientação sexual, identidade de género, defesa de ideologias sanguinárias, abnegação marxista e religião.

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