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E agora, Cavaco?

19 Outubro, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Portugal estava viciado em jogadas e pedidos de demissão. A cada demissão parecia que se punha o contador a zeros. Tivemos demissões que nunca entendemos – lembram-se que fomos para eleições porque Sampaio achou que o governo de Santana estava descredibilizado após a saída do ministro do Desporto, Juventude e Reabilitação? Mais tarde houve quem achasse que Cavaco se devia demitir por causa do referendo aborto. Ou que deveria demitir Sócrates apesar de a Assembleia da República não se comprometer votando favoravelmente uma moção de censura. Agora os pedidos de demissão estão reduzidos ao folclore da CGTP que tal como o galo de Barcelos não se sabe ao certo para que serve mas dá interessantes separadores televisivos. Através do seu feroz institucionalismo Cavaco obrigou-nos a viver sob o regular funcionamento das instituições.

Um caso de vida real

19 Outubro, 2014

Este artigo é inspirado no “Our transgender child”, publicado na Salon em Setembro de 2014.

Na Primavera de 2009 acolhemos um lindo menino, o Pedro, o nosso primeiro filho do sexo masculino. Ou assim achávamos, na altura. Em Fevereiro de 2010, o Pedro emitiu, depois das primeiras palavras soltas, a primeira expressão perfeitamente inteligível: “tartaruga ninja”.

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Um galinheiro de 680 mil euros. Vazio.

19 Outubro, 2014

Um dia em Tarna nas Astúrias apareceu um urogalo.
O urogalo ao contrário do habitual nos urogalos era manso. Tornou-se uma mascote.
Um dia o urogalo apareceu morto. As autoridades fizeram três autópsias para descobrir quem matara o urogalo.
Um dia apareceram as máquinas. Derrubaram as antigas escolas e construíram a Casa do Urogalo.
Informavam as autoridades que se ia poder ver a vida dos urogalos mais as crias dos urogalos. Os urogalos a dormir. Os urogalos a comer.
Um dia os técnicos foram-se embora. A Casa do Urogalo estava terminada.
Custou 680 mil euros. Está completamente vazia. Sem luz. Nem urogalos.
Uma capoeira vazia.Em Tarna nunca mais apareceu um urogalo. No Inverno também só ficam quatro habitantes em Tarna.

A história da Casa do Urogallo Mansín está aqui. E para quem quiser usar as instalações aqui ficam fotos desta fantástica capoeira
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O pivot do socialismo

19 Outubro, 2014

Paulo Portas: “Se preferia a redução da sobretaxa em um por cento no próximo ano? Preferia!”

Paulo Portas a repetir o recurso estilístico que usou quando matou a TSU. TSU que foi substituida pela sobretaxa. Sobretaxa que ia ser substituída quando as medidas de reforma do Estado de  Paulo Portas começassem a dar frutos.

Olá, eu sou o João e sou perfeito na minha identidade

19 Outubro, 2014

Olá, eu sou o João.

Os meus pais acham perfeitamente normal que eu diga que sou diferente. Eles também acham que eu sou diferente e isso deixa-os bastante satisfeitos. Algumas pessoas dizem que não é adequado que eu me defina como diferente aos 9 anos mas os meus pais sempre gostaram da ideia de mostrarem o quão especial eu sou, algo que os faz particularmente especiais também, por conseguirem ter um filho tão canonicamente perfeito, algo que demonstra o quão perfeitos eles também são, se não até mais que eu.

Eu falo-vos de transgenderismo aos 9 anos porque eu pretendo desmistificar construções sociais da sociedade, percebem?

Isso e porque a imbecil da minha mãe começa a sentir remorsos por não me ter comprado o fato de princesa na Euro Disney.

Eu sofro muito quando vou ao Continente comprar a revista da Violeta. Quando a minha mãe me perguntou se podia contar a minha história, disse-lhe que sim. Eu, aos 9 anos, tenho uma capacidade de abstracção fantástica que me permite ter perfeita consciência da problemática dos outros miúdos da minha idade que querem ir para o ballet.

Eu sou mesmo perfeito e tenho tanta sorte em ter pais tão compreensivos e sensíveis para esta problemática.

agora queixam-se

18 Outubro, 2014
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Segundo o Expresso desta semana, Pedro Passos Coelho terá dito que “sem o PS, mais não e possível”, querendo com isto dizer que as reformas de que o país precisa só se podem fazer num entendimento de regime entre os seus dois principais partidos.

Nesta altura do campeonato, isso é verdade, e já aqui o tínhamos escrito. No entanto, isso é verdade apenas nesta altura, mas não tinha de o ser. De facto, se o governo tivesse entrado na legislatura a fazer aquilo que tentou iniciar dois anos depois, não havia PS, Tribunal Constitucional ou sindicatos que se lhe opusessem, e hoje boa parte das reformas de que o país carece estariam feitas. Infelizmente, perdeu quase dois anos a resolver problemas de tesouraria, em vez de tapar o rombo do cofre, e quando se preparava para ir ao essencial já era tarde. Foi, de resto, por isso mesmo que Victor Gaspar se demitiu.

Quanto ao PS ir para o governo, também isso deveria ter sucedido nesta legislatura, se não lhe atribuindo ministérios, pelo menos obrigando os seus anteriores responsáveis a prestarem contas do que tinham feito na legislatura anterior. É isso, aliás, que se faz em qualquer empresa em estado falencial iminente, quando uma administração substitui aquela que a arruinou: exige a quem lá esteve que acompanhe a análise das contas, que preste as explicações e justificações que forem necessárias, que ajude a descobrir os buracos que abriu para que sejam reparados o mais depressa possível.

Uma das condições que a troika devia ter imposto antes da assinatura do memorando e de ter começado a mandar para cá massa, era que o primeiro-ministro e o ministro das finanças cessantes, estes pelo menos, ficassem ao dispor da nova administração do país e dos seus credores para lhes explicarem o que fosse necessário. Em vez disso, deixaram-nos ir de férias, fazer mestrados em França e dar aulas na Universidade, e também não fizeram imediatamente o que tinha que ser feito. Agora queixam-se, mas já vai tarde.

Dever ser problema meu mas não percebo o que apurou o PÚBLICO além da evidente vontade da sua redacção de ajudar António Costa a balizar-se

18 Outubro, 2014

«A intenção dos socialistas era marcar o ponto no dia do debate da Petição sobre o Manifesto dos 74, agendando para quarta-feira, que defende a reestruturação da dívida pública.

Ao que o PÚBLICO apurou, o principal partido da oposição pretendia evitar recorrer às expressões “renegociação” ou “reestruturação” no seu documento. A intenção era não deixar sem resposta o apelo de debate feito pelos signatários da petição. E, assim, o grupo parlamentar socialista ponderava avançar com um processo parlamentar de audição pública que levasse à Assembleia personalidades e especialistas na matéria, capazes de apresentar “soluções responsáveis e exequíveis”. Portanto, ao mesmo tempo que rejeitava a política de austeridade do actual Governo, baliza os seus limites.

O novo PS, que resulta da vitória de António Costa nas primárias, não parece disponível para propostas mais radicais, como o a defesa unilateral de um hair-cut aos valores da dívida ou a saída do euro. Ao que o PÚBLICO apurou, o texto em preparação insiste numa resposta à escala europeia, avisando que o PS continua a acreditar no projecto europeu “em todas as suas dimensões”.

Uma posição cautelosa que reflecte a forma como o futuro secretário-geral do PS tem lidado com o tema desde que avançou para as primárias socialistas.»

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