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Neo-tradicional hipocrisia revisitada

30 Outubro, 2014
Melilla, 22 de Outubro 2014, José Palazón—Reuters

Melilla, 22 de Outubro 2014, José Palazón—Reuters

A neo-tradicional hipocrisia ocidental, a da “chega de austeridade”, tem a vantagem de purgar sentimentos de culpa por barreiras necessárias à imigração descontrolada. Da mesma maneira que “não se aguenta mais” o corte na pensão do Dr. Bagão Félix, algo manifestado nos media com histórias hiperbolizadas de fome que automaticamente desaparecerão quando o Dr. Costa proceder ao milagre da multiplicação do crescimento, lamenta-se o tratamento desumano que consiste em erguer barreiras que evitam milhares de novos beneficiários do Estado Social, o tal que é declarado morto sempre que o PSD está no governo. Em Espanha é igual.

Na visão mais benignamente humanista-porque-sim-e-parece-sempre-bem, estaríamos dispostos a permitir a entrada de toda a gente oriunda de África que quisesse entrar e, em simultâneo, conseguiríamos manter o discurso do aumento do salário mínimo “pela dignidade”? Certamente que sim: a lógica nunca foi abundante nos auto-consagrados detentores da moral. O que isto demonstra é que este povo retratado pelos media ainda não sabe o que quer: não é possível defender o proteccionismo dos privilégios que já não conseguimos pagar e alargar a base de protecção social a um número crescente de imigrantes em busca do mesmo.

As barreiras são feias mas necessárias. Quem não aguenta a sua presença, se tiver um único neurónio funcional, em segredo agradece ao tipo cujo trabalho é manter essa feiura.

Não

29 Outubro, 2014

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Banqueiros pediram a Maria Luís que injetasse dinheiro da troika no BES. Ministra disse que não

Entretanto, faz-se ciência em Portugal

29 Outubro, 2014

Isto é dito sobre o conteúdo de uma revista científica da Universidade de Lisboa:

O ensaio continha fotografias de graffitis espalhados pela cidade de Lisboa que serviriam, segundo a direção editorial, para refletir “a frustração popular contra o grande capital e as políticas de ‘austeridade’ em vigor na União Europeia”.

Descentralização da despesa: mandem dinheiro

29 Outubro, 2014

Portugal é frequentemente considerado um Estado centralista e não faltam pedidos de descentralização, de regionalização, de reforço do poder local. Curiosamente, tais pedidos vêm frequentemente acompanhados de um outro pedido: mandem dinheiro.

Dois casos esta semana:

O governo dos Açores pede ao Estado Central que autorize uma descida dos impostos nos Açores. Claro que pedem ao mesmo tempo que o Estado Central compense os Açores pela perda de receita. A doutrina é: queremos localismo para baixar impostos e centralismo para vocês nos pagarem as contas.

16 câmeras da Região de Lisboa, lideradas pelo presidente de câmara da cidade de Lisboa (o que não é o Fernando Medina), querem que as autarquias possam definir elas próprias se os seus funcionários podem trabalhar 35 horas. Claro que todas querem que o horário seja de 35 horas. Faz parte da prática comum das autarquias dar prioridade ao bem estar dos funcionários, a principal clientela local, em detrimento dos cidadãos dessas autarquias. Claro que esta insistência nas 35 horas, 12.5% menos que o horário de trabalho de referência em Portugal, sinaliza que as autarquias têm funcionários a mais, mais precisamente, têm pelo menos 12.5% de funcionários em excesso. A questão que se coloca é: porque é que as autarquias não reduzem o número de funcionário e desviam os recursos para o que de facto interessa, servir os cidadãos? Podiam até baixar os impostos locais. Parte da resposta está no facto que grande parte das receitas das autarquias são transferências do Estado Central e da União Europeia. A outra parte está no facto de as autarquias estarem reféns das suas clientelas. Estes dois motivos levam a que as autarquias se comportem como sindicatos dos seus funcionários.

Atentado contra os direitos humanos

29 Outubro, 2014

jihad-aberta

Isto é muito aborrecido. Andam estas pessoas a combater pelo que é belo e justo – um aprazível califado livre de heréticos infiéis -, aparece logo um tipo a colocar em causa a segurança dos meninos, pondo em questão as medidas de segurança, homologação e higiene no trabalho, numa clara violação das normas da igualitária Jihad. Que o governo é notoriamente desprovido de princípios humanistas, isso já sabíamos há muito com as queixas heróicas da Dr. Manuela Ferreira Leite, obrigada a distribuir parte da sua pensão para aqueles pobrezinhos que viram a pensão mínima aumentada; que o governo seja capaz de discutir à porta aberta a situação de portugueses que apenas se deixaram fascinar pelo dever de estupro e mutilação de pessoas que recusam serem tocadas pela bondade do profeta, isso já um verdadeiro atentado aos direitos humanos.

Uma espécie de Taxa de Direitos de Passagem?

28 Outubro, 2014

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, quer criar um imposto sobre a utilização da internet, mas a medida não foi bem recebida pela população. Este domingo, dezenas de milhares de húngaros reuniram-se em Budapeste para protestar contra o imposto que, dizem, vai restringir a liberdade no acesso à informação

Graças aos céus que nós temos em Portugal a Taxa Municipal de Direitos de Passagem.

Tratar o doente vs minimizar o risco

28 Outubro, 2014

A Ana Matos Pires publicou um artigo que endereça as questões aqui levantadas sobre um caso de internamento compulsivo em psiquiatria. Considero que não só é um texto equilibrado como apresenta uma autoridade sobre a matéria que obviamente não possuo. Quem trabalha com as situações tem argumentos enquanto eu racho lenha, como se costuma dizer.

Foquei-me no texto-resposta de Caldas de Almeida, que continuo a considerar desequilibrado, mesmo que insista que possa existir uma diferença substancial entre o que disse e o que poderia ter pretendido dizer.

A segunda categoria que a Ana apresenta, a do tipo que não está a ameaçar partir tudo e que mesmo assim é internado de forma compulsiva não parece nada descabida: exige é uma responsabilidade da equipa que o interna para assumir a existência (ou percepção dessa existência) de risco, presente ou futuro, para o dano pessoal ou patrimonial. Naturalmente, a percepção que se obtém através da família e de quem convive com a pessoa é extremamente importante para a determinação deste tipo de casos, nem pretendo colocar isso em questão.

Neste tipo de casos, focar a legalidade do internamento na melhoria do doente parece manifestamente errado uma vez que a minimização desse dano já acarreta, colateral e benignamente, a ocorrência dessa melhoria. Assim, as duas categorias apresentadas pela Ana parecem ser uma só: a do tipo que ameaça partir tudo e a do tipo que, não o fazendo, aparenta ter ou vir a desenvolver rapidamente esse risco. Na minha humilde opinião, repito – pouco avalizada para estas matérias -, é aí que está o erro na resposta de Caldas de Almeida, que terminaria com todas as dúvidas se tivesse escrito o primeiro ponto desta forma:

O doente em causa foi internado compulsivamente na Urgência do Hospital de São José com base em avaliação psiquiátrica que concluiu existir perturbação psiquiátrica grave, ausência de consciência patológica, recusa de tratamento e risco de deterioração acentuada do estado clínico passível de culminar em dano pessoal ou patrimonial para si ou para outrem na ausência de tratamento, sendo o internamento a única forma de minimizar esse risco através do tratamento adequado.

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