Por muito que a gente veja, ainda há momentos em ficamos surpreendidos.
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Um dirigente de um clube não paga salários há meses aos seus jogadores. Um caso de polícia, pois não pagar salário devido é objectivamente roubo. Os jogadores, como é de bom tom, fartaram-se de ser explorados e foram-se embora, com justa causa. O dito dirigente, em vez de andar envergonhado, ou tentar mostrar que tudo tem tentado para cumprir as mais básicas obrigações, ainda insulta e ameaça os seus ex-trabalhadores: «Esses jogadores são desertores. Os tribunais vão funcionar. Tudo o que fizeram é ilegal, ninguém podia faltar ao jogo de hoje». E numa espantosa inversão de papéis – tal é o seu estado alienado e de pertubação mental – ainda os ameaça: «há dois casos em que vão existir arrestos de bens com providências cautelares» (*)
Obviamente, tal pertubação discursiva, ou falta de vergonha chapada, não é caso isolado e apenas se poderá tentar entender num clima social/empresarial de impunidade e inversão de valores, a coberto da protecção da entidade que supervisiona aquela actividade económica. Esta, ao invés de pugnar pelo cumprimento das mais elementares regras de funcionamento, de sã concorrência e mesmo de imagem e prestigio da actividade que organiza, parece comprazer-se em acrescentar ao mau, o péssimo, pois que o seu presidente, podendo ter ido ao estádio exigir que se cumpra a lei e os regulamentos e colocar um pouco de ordem na imagem da actividade que dirige, antes optou por criticar os ex-trabalhadores que não recebem há meses dizendo «Alguém vai ter de me explicar o que ganharam os jogadores da União de Leiria pelo facto de terem faltado ao jogo» (*). Já que não percebe, melhor será fazerem-lhe um desenho….
A acrescentar a tudo isto, esse já celebre Bartolomeu diz que andava com malas cheias de dinheiro e acusa um seu funcionário de o ter roubado. Este prontamente retorquiu dizendo que o dito Bartolomeu está a mentir. E hoje ficamos a saber que esse mesmo jogador «renovou» contrato com a União de Leiria! Do melhor!
Uma novela emocionante! Terá entregue a mala? A mala existia? E tinha papéis ou dinheiro? O roubo foi ou não mentira? Afinal não era mentira ou confirma-se a «inverdade»? A não perder os próximos capítulos.