Não havia necessidade….

… de fustigar as empresas e os cidadãos com tantos sacrifícios.
Hoje no Correio da Manhã.

1º de Maio subversivo

PALHAÇADAS

Por muito que a gente veja, ainda há momentos em ficamos surpreendidos.

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Um dirigente de um clube não paga salários há meses aos seus jogadores. Um caso de polícia, pois não pagar salário devido é objectivamente roubo. Os jogadores, como é de bom tom, fartaram-se de ser explorados e foram-se embora, com justa causa. O dito dirigente, em vez de andar envergonhado, ou tentar mostrar que tudo tem tentado para cumprir as mais básicas obrigações, ainda insulta e ameaça os seus ex-trabalhadores: «Esses jogadores são desertores. Os tribunais vão funcionar. Tudo o que fizeram é ilegal, ninguém podia faltar ao jogo de hoje». E numa espantosa inversão de papéis – tal é o seu estado alienado e de pertubação mental –  ainda os ameaça: «há dois casos em que vão existir arrestos de bens com providências cautelares» (*)

Obviamente, tal pertubação discursiva, ou falta de vergonha chapada, não é caso isolado e apenas se poderá tentar entender num clima social/empresarial de impunidade e inversão de valores, a coberto da protecção da entidade que supervisiona aquela actividade económica. Esta, ao invés de pugnar pelo cumprimento das mais elementares regras de funcionamento, de sã concorrência e mesmo de imagem e prestigio da actividade que organiza, parece comprazer-se em acrescentar ao mau, o péssimo, pois que o seu presidente, podendo ter ido ao estádio exigir que se cumpra a lei e os regulamentos e colocar um pouco de ordem na imagem da actividade que dirige, antes optou por criticar os ex-trabalhadores que não recebem há meses dizendo «Alguém vai ter de me explicar o que ganharam os jogadores  da União de Leiria pelo facto de terem faltado ao jogo» (*). Já que não percebe, melhor será fazerem-lhe um desenho….

A acrescentar a tudo isto, esse já celebre Bartolomeu diz que andava com malas cheias de dinheiro e acusa um seu funcionário de o ter roubado. Este prontamente retorquiu dizendo que o dito Bartolomeu está a mentir. E hoje ficamos a saber que esse mesmo jogador «renovou» contrato com a União de Leiria! Do melhor!

Uma novela emocionante!  Terá entregue a mala? A mala existia? E tinha papéis ou dinheiro? O roubo foi ou não mentira? Afinal não era mentira ou confirma-se a «inverdade»? A não perder os próximos capítulos.

O crescimento II

O que faz com que o Japão cresça a taxas cada vez mais baixas? Será que ainda não lhes explicaram  que têm que apostar no crescimento?

O crescimento

É uma cena típica do comentário político português: a dada altura o comentador diz que só há solução com “políticas de crescimento” ou se fizermos uma “aposta no crescimento”. É uma sarna universal, que afecta todos, desde a extrema esquerda à extrema direita. Nenhum dos proponentes desta via passa 5 minutos a pensar o que é o crescimento económico, quais as suas causas ou porque é que há mais de 10 anos que o país não cresce decentemente. Muito menos nos consegue explicar como é que uma economia que não cresceu durante mais de 10 anos vai subitamente começar a crescer apenas porque passamos a ter uma política de crescimento. E antes não tínhamos, é?

Impressões

Remodelação

Há pelo menos uma pasta que poderia beneficiar com uma mudança. O problema que se coloca é que quem entrasse agora teria que conseguir aguentar três anos. Ler mais »

campeões

Preferia que o Futebol Clube do Porto não tivesse ganho o campeonato por falta de comparência do adversário nem num dia em que uma equipa jogou com 8 jogadores (sem que a culpa fosse da arbitragem), mas não se pode ter tudo.

Novo dicionário da língua de pau

Língua de pau

Tradução

Austeridade

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Ter défices superiores a 5%
Moderar a austeridade

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Permitir que o défice seja de 8%
Política de crescimento Contrair dívida para despesa corrente ou projectos inúteis

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Política imposta por Merkel Merkel não salva países irresponsáveis sem contrapartidas

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Rendas excessivas Custo dos maus investimentos do Estado em projectos inviáveis

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Política monetária orientada para o emprego Meter a impressora do BCE a funcionar

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Fazer chegar o crédito às empresas Manter a economia da dívida a funcionar

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Falta de sensibilidade social Tendência para não desbaratar dinheiro público

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Motivos ideológicos Motivos não socialistas

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Hollande e a reforma aos 60 anos

Porque é que Merkel quer orçamentos equilibrados?

Não há donos do regime nem pais da pátria*

O que significa interrogarmo-nos sobre se é necessário um novo 25 de Abril? Significa o mesmo que perguntarmos se é preciso um novo Salazar. Por trás de ambas as interrogações está a mesma pulsão antidemocrática, a mesma recusa dos naturais defeitos dos regimes democráticos e o mesmo desejo de impor uma determinada via política sem respeitar as escolhas dos portugueses.

Já sei que muitos vão ficar indignados com a comparação, mas ela tem, do ponto de vista do respeito pelos princípios da democracia, toda a pertinência. Por uma razão simples: ou consideramos que o 25 de Abril foi uma revolução democrática, que devolveu a voz ao povo português, ou consideramos que ele foi mais do isso, que foi também um projecto político com um programa específico, independente da vontade desse mesmo povo português. Aparentemente é isso que pensam os que, por estes dias, proclamaram que “o poder político que actualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores”. Mas que ideais? E que valores? Os do Estado de direito democrático? Não, não é essa a acusação. A acusação não tem a ver com atentados à liberdade ou abusos de poder que façam perigar as regras da democracia. A acusação refere-se antes a políticas concretas – às políticas com que não concordam aqueles que se têm por donos do “espírito do 25 de Abril”.

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Hollande e Portugal *

François Hollande não será propriamente o protótipo de um bom candidato. É acinzentado e não empolga facilmente, tendo um estilo de comunicação pouco vincado. Quando tenta ser mais assertivo, o seu discurso parece sempre um pouco forçado, sem transparecer a convicção suficiente que, de imediato, atinja e entusiasme, pelo menos, os seus apoiantes. É e sempre foi um homem refletido e um político de bastidores. Até mesmo dos bastidores da sua ex-mulher, e também ex-candidata, Ségolene Royal. No entanto, tem ideias, é respeitado e, sobretudo, poderá dar um bom Presidente. Um Presidente de que a França e, sobretudo, a Europa, neste momento, precisam. Hollande parece ser, em certos aspetos, o contraponto de Sarkozy: este sempre foi um ótimo candidato e prometia ser um verdadeiro estadista. Sugeria ter capacidade de liderança, com ideias próprias e com um certo sentido estratégico que o levaria (a ele, à França e à Europa) ao reencontro de uma retoma estrutural. Para mim, sobretudo após o primeiro ano de Presidência (e de “estado de graça”), acabou por desiludir. Principalmente na Europa, aceitando ser uma espécie de cônjuge menor do casal “Merkozy”.

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In memoriam

História de um encontro/desencontro com Miguel Portas em Maio de 1974

François Hollande desafia imprensa portuguesa:

«“Les étrangers qui sont en situation irrégulière seront reconduits à la frontière”, a-t-il affirmé. “Je ne peux être plus clair.” (*)

«François Hollande a jugé ce matin “indispensable” une “limitation de l’immigration économique” en période de crise» (*)

Recordar Vieira de Carvalho

Hoje, pelas 21.30h, no âmbito de uma justíssima homenagem a uma das figuras mais relevantes da política nortenha, José Vieira de Carvalho, estarei na Câmara Municipal da Maia para falar sobre o tema: “Que sentido para a Regionalização num contexto de crise económica e financeira”.

Unanimemente irresponsáveis

»Todos os partidos com assento parlamentar defenderam hoje na Assembleia da República que as escolas devem começar a dar com «urgência» o pequeno-almoço a crianças que chegam às aulas sem comer, mas dividiram-se sobre a forma de concretizar a medida. O plenário dos deputados debateu hoje três projetos de lei dos Verdes, Bloco de Esquerda e Partido Socialista sobre esta matéria e um projeto de resolução conjunto do PSD e do CDS que recomenda ao Governo «que pondere a criação de mecanismos que garantam o acesso a uma refeição matinal aos alunos cuja situação de carência lhes impede o acesso em casa». – Realmente é assustador que todos os partidos tenham estado de acordo nesta matéria. Em primeiro lugar porque muitas crianças chegam à escola sem comer agora em 2012 tal como outras chegavam antes por exemplo em 2009 pela prosaica razão de que as suas famílias têm mais problemas de funcionamento do que dinheiro como in illo tempore explicou Ana Jorge

Em segundo lugar passar a dar o pequeno-almoço na escola às crianças  implica estatizar ainda mais a sua educação. Se há famílias que não podem dar o pequeno-almoço aos seus filhos essas famílias devem receber dinheiro, géneros…. para o fazer. Mas em casa. Que é onde se deve tomar o pequeno-almoço. E dado por quem o deve dar: a família.

Mais uma promessa esquecida

 
Duas ilacções se podem tirar sobre mais este escabroso imposto sobre a produção:
  1. O governo denota uma tendência doentia a mostrar-se “popular”, em vir de encontro à demagogia do BE, em provar que também odeia as grandes superfícies, essas entidades perversas que só têm penalizado os cidadãos. É uma “medidinha” muito à imagem de Assunção Cristas, um dos governantes mais incompetentes, sempre a visar o efeito-propaganda com declarações e decisões supostamente simpáticas, mas fúteis;
  2. Mas bem mais preocupante, é que esta medida pode indiciar alguma impotência e o baixar de braços do governo na redução da despesa. E um temível retorno ao modelo que nos faliu, pondo a actividade produtiva a financiar entidades rentistas, tipicamente do sector não transaccionável.

Mas será que não se pode extinguir o ministério da Cristas?

O bruáaaaa

Independentemente da qualidade ou da falta dela do discurso de Cavaco Silva neste 25 de Abril há um fenómeno a destacar: com o PS na oposição o PCP e  sobretudo o BE estão voltam a viver dias felizes nas redacções e Cavaco tornou-se no bombo óbvio da festa dessa renovada FUP. A reacção ao discurso de Cavaco deste ano é um exemplo da capacidade que essa aliança tem para lançar slogans. O discurso de Cavaco deste ano insere-se no registo que adopta nas suas intervenções nesta data.  Bastava ler os discursos dos anos anteriores para o perceber. Por exemplo os  2011 e de 2010.  Mas a FUP editorial é quem mais ordena e assim um jornalista pergunta/afirma a um activista que a escola da Fontinha é um sonho que não pode ser interrompido, outra declara que a segurança e a emigração são temas populistas, outros não conseguem noticiar as novas acusações a José Sócrates no âmbito do processo Freeport  e está assente que Cavaco ignorou a crise.  Em boa verdade ignorou-a ou valorizou-a tanto quanto nos anos anteriores. Mas o bruáaaa diz que não.

E se em 74?…

Não tem havido revolução ou esta tivesse sido dominada?

Sem 25 de Abril, o mundo não evoluiria de forma muito diferente. A guerra colonial teria de ter uma solução política, sob pena de o país acentuar a sua situação de pária à escala internacional. A então CEE e os gringos derrotados no Vietname, mas a não quererem perder a África Austral para a órbita soviética, constituiriam o isco e a pressão à negociação política. Uma evolução política à espanhola seria incontornável.

Evitaríamos Vasco Gonçalves e as suas ruinosas nacionalizações; as imbecilidades de Otelo e de toda a restante tropa fandanga; o socialismo na Constituição e o Estado Social criado por decreto; o endividamento galopante e, quiçá, os resgates pelo FMI.

A alternativa ao 25 de Abril seria essa, não a perpetuação do regime. E hoje estaríamos indiscutivelmente melhor, sem ter de aturar estes patéticos rituais beatíficos das comemorações. E afinal para comemorar o quê???

Estado da Nação

Trinta e oito anos depois do 25 de Abril, Portugal caracteriza-se por salários de miséria, uma insuportável carga fiscal e uma economia decadente. Os sucessivos governos não só não têm resolvido estes problemas, como têm contribuído para o seu agravamento. Os sucessivos Parlamentos vêm produzindo legislação que em nada melhora o funcionamento do país. Além de que não fiscalizam a actividade governativa, antes sendo correias de transmissão dos directórios partidários.
Os partidos, por sua vez, raramente dizem o que pretendem para o país. E, das poucas vezes que assumem o que querem, chegam ao poder e fazem exactamente o contrário.

Como é que se muda isto?

Quem lê a imprensa portuguesa, ouve as nossas rádios e vê as nossas televisões vive num mundo paralelo onde se chora, a cada segundo, a falta de mais socialismo.

É por isso que é interessante ler quem pode ir lá fora respirar outros ares. Como sucede neste texto de João Carlos Espada, ontem, no Público (sem link). Leiam e depois pensem em como se poderá mudar isto:

Surpresa no Brasil, choque em Portugal

Quando se chega a uma certa idade, pensamos que já nada nos vai surpreender. Esse era certamente o meu estado de espírito quando há precisamente duas semanas aterrei em Porto Alegre, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Não era a primeira vez que visitava o Brasil, embora fosse a primeira visita a Porto Alegre, e não havia motivo para esperar grandes surpresas. Mas enganei-me redondamente e, ainda agora, no rescaldo da viagem, tenho dificuldade em ordenar o turbilhão de impressões que esta viagem me deixou. Ler mais »

Os Intocáveis

“Gaspar falhou as promessas de cortar nas enormes gorduras do Estado, de terminar com os negócios em que o Estado favorece os grupos económicos do regime e de combater a corrupção. Gaspar não renegociou as escandalosas parcerias público-privadas, para não incomodar as concessionárias.” Ler mais »

Já agora um obrigado também vinha a calhar

Sobre as nomeações políticas para o Constitucional e também sobre as ausências de Mário Soares, de Manuel Alegre e da associação 25 de Abril das comemorações oficiais do 25 de Abril falei ontem na TVI24.

Os  ‘capitães de Abril” têm de facto pouco a ver com este regime. E eles são os principais beneficiários disso como bem se vê por esta fotografia que retirei do Sol e que é semelhante a tantas outras em que ao longo dos anos os “capitães” aparecem: cravo ao peito e todos irmanados no que designam por espírito de Abril. Mas quem lhes deu esse espírito foi precisamente este regime que eles não cessam de criticar por desvirtuar o tal Abril. Mas não fosse este regime que tanto criticam e muitos deles não estariam nesta e noutras fotografias.

Sejamos claros: de Abril de 1974 a Novembro de 1975 estes homens não só nunca conseguiram explicar o que era o espírito de Abril como acabaram trasnformados em chefes de milícias que olhavam para Portugal como uma espéce de recreio para eles brincarem com os seus carros de combate. À excepção de Melo Antunes e poucos mais não se percebia o que diziam e muito menos o que pensavam sendo que aquilo que diziam e pensavam era muito volátil. Governar era para eles fazer leis cheias de frases pomposas que depois passariam à prática por mecanismos que não lhes interessavam. Sabiam de guerra, arrumar homens no terreno mas não distinguiam a política da acção psicológica. Felizmente para nós e para eles que o país nunca cumpriu o que eles agora  dizem que então pensavam.

O país tem uma dívida para com os   ‘capitães de Abril”  e de Novembro mas estes têm também uma dívida para com o país que os salvou deles mesmos.

Leviandade ou inconsciência?

A ministra Cristas acho que não sabe bem, nem tem consciência do que diz.

Para defender o indefensável –  a criação de uma nova taxa, desta feita sobre os produtos alimentares – afirmou que «Se isso não for feito temos embargo de certas produções. Tem de ser feito o controlo de toda a sanidade».

O cidadão depreenderá das suas palavras que não está a ser feito o controle sanitário «de certas produções».  Certamente o consumidor gostaria de saber, exige mesmo – que se saiba quais as produções nas quais não está a ser feito o devido controle sanitário e que correm o risco de embargo por parte de terceiros países mais exigentes. A bem da saúde pública. Ou então a ministra disse aquilo levianamente, apenas para forçar a aprovção da sua iniciativa legislativa sacadora de recursos dos cidadãos.  Num caso ou noutro, é asneira grosssa.

A democracia tem limites, pá!

«A linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril», Vasco Lourenço, reformado

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Conclusões possíveis:

*o regime democrático tem linhas politicas que não podem ser seguidas, mesmo quando democráticas, isto é, fruto da vontade do povo;

* o regime herdeiro do 25 de Abril não é compatível com certas escolhas democráticas;

*  o regime democratico herdeiro do 25 de Abril não é democrático ao ponto de tolerar diferentes linhas politicas democrácticas;

* os herdeiros do regime político saído do 25 de Abril reinvidicam uma certa tutela sobre o regime democrático;

* os herdeiros do regime político saído do 25 de Abril entendem determinar quando certa linha politica seguida pelo poder político reflecte ou não o regime que criaram;

* os herdeiros do regime politico saído do 25 de Abril não são democráticos;

 

Brincar com coisas sérias é imperdoável

Mário Soares tem o direito de ter a opiniões que quiser. Porém, como antigo Presidente da República a quem pagamos, dos nossos impostos, gabinete, automóvel e motorista (e não sabemos se também as multas), tem também obrigações. Obrigações institucionais. Sucede que as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República, lugar onde todos os partidos têm acento e têm voz, não são as comemorações deste ou daquele partido ou governo ou maioria, são as comemorações institucionais e plurais da democracia. Os membros da Associação 25 de Abril podem fazer o que entenderem, nomeadamente andarem para aí a dizer que “é preciso um outro 25 de Abril”, mas o antigo Presidente tem o dever de defender as instituições democráticas, a começar pela Assembleia da República, palco das comemorações oficiais. Entender que não deve ir “em solidariedade para com os militares” não é apenas um capricho político, é um acto irresponsável e grave. A democracia defende-se quando se está no governo e, sobretudo, quando se está na oposição. E a democracia necessita de ser sempre defendida, sobretudo em tempos difíceis como os que vivemos. É isso que Soares não está a fazer – pelo contrário, está a alinhar com os que pensam que a democracia só lhes serve quando cumpre os seus programas políticos. E isso é, para alguém com a sua responsabilidade, imperdoável. 

Paroles

Jean-Luc Mélenchon é esquerdista. Marine le Pen é de extrema direita.

Jean-Luc Mélenchon é socialista dissidente que renovou a esperança. Marine le Pen é populista e xenófoba.

… Devia fazer-se um dicionário de sinónimos que nos levasse a entender este idiolecto da nossa imprensa.

Hollande

Um partido de governo na UE já segue a «receita» desejada pela esquerda mais festiva: recusa-se a aprovar cortes de 16 mil milhões de euros: «He wouldn’t allow Dutch citizens to “pay out of their pockets for the senseless demands of Brussels». Não é o que pedem os novos holandistas?

Default amigável nas PPP

Rui Moreira tem uma das poucas propostas de renegociação das PPP com alguma lógica:

Qualquer renegociação deve ser feita garantindo a segurança jurídica dos privados e tendo em conta o legítimo interesse de ambas as partes – Estado e seus parceiros – no cumprimento dos contratos celebrados, a apontar claramente no sentido da sua renegociação, já que de outra forma será improvável que o Estado possa cumprir com a sua parte. O baixo “rating” da República pode servir para persuadir os privados a reverem as condições leoninas que foram apostas nestes contratos, na medida em que estes sabem que, por essa razão, a sua exposição ao “risco país” é agora muito maior do que quando os negócios foram fechados. Tudo isto, naturalmente, se o Governo puder e quiser antecipar a amortização de uma parte da dívida, o que levará os privados a trocarem o duvidoso pelo certo.

Claro que esta proposta tem vários problemas. O primeiro é que é equivalente a um default amigável, algo que o governo por razões de reputação tem andado a tentar evitar. O segundo é que o Estado não tem liquidez para este tipo de aquisições. O terceiro é que, se o Estado tivesse liquidez seria mais lógico e mais vantajoso comprar dívida pública no mercado secundário onde já existem investidores dispostos a aceitar perdas. Note-se que os detentores dos contratos das PPP têm uma posição contratual mais forte que os detentores dos títulos da dívida, pelo que estão menos dispostos a aceitar negociar a preços mais baixos.

Impressões

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As asneiras que ainda não fizemos

Os contratos das PPP e das enegias renováveis são asneiras que já fizemos. Mas há ainda asneiras que não fizemos e podemos evitar. São as asneiras argentinas, para as quais a tentação é grande:

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1. default da dívida externa

2. proteccionismo

3. corralito

4. desvalorização da moeda e destruição da poupança

5. nacionalização dos fundos de pensões

6. impostos especiais sobre empresas exportadoras

7. consumo das reservas do banco central

8. nacionalização de empresas detidas por estrangeiros

9. agravar de conflito territorial com outro país

.

Esta via argentina baseia-se no consumo de capital e credibilidade e permite prolongar por mais alguns anos a ilusão de prosperidade, evitando reformas, e empobrecendo o país sem que o eleitorado se aperceba. O que custa na via argentina é começar. Depois de começar uns eventos seguem-se aos outros com toda a naturalidade. Tenha isto em conta quando alguém defender uma das duas primeiras etapas da via argentina.

Indignação de 2 cêntimos

O Helder Guerreiro depois de detectar uma diferença de 2 a 3 cêntimos nos preços de combustíveis entre Portugal e a média europeia conclui que “temos mercados onde efectivamente não há concorrência, as autoridades da concorrência estão compradas fazendo o contrário do que deveriam fazer e o próprio governo, com um medo terrível de tocar nos interesses instalados”. Absolutamente notável. O Helder estava à espera que os preços dos combustíveis fossem exactamente iguais em toda a Europa? Estava à espera que não existissem diferenças entre países periféricos e países da Europa Central? Que não existissem factores como os custos de transporte ecustos de contexto a afectar o preço dos combustíveis? Note-se que para perceber a relevância daqueles 2 a 3 cêntimos deve ter-se em conta que o peso dos impostos no preço dos combustíveis é da ordem dos 80 cêntimos, o desconto da Galp é de 6 cêntimos e o desconto das bombas dos hipermercados é da ordem dos 10 cêntimos. Mas é interessante que por 2 cêntimos se conclua que estão todos comprados.

Da caça

Todos aqueles que defendem a conservação da vida selvagem em África viram esta causa prejudicada quando os espanhóis e os europeus reagiram indignados à imagems do rei de Espanha diante de um elefante abatido. Manter as reservas e parques onde estes animais sobrevivem implica controlar o número de exemplares e isso pressupõe que às vezes eles têm de ser abatidos. Se há quem esteja disposto a pagar -  e muito mas esse é outro assunto de que não trata este post – isso é positivo para a manutenção desses espaços. Por outro lado as reservas e os parques não podem ser vistos pelas populações locais como uma imposição de gente branca que come galinhas mas não consegue ver matar uma galinha e que se deleita a ver documentários “sobre a Natureza” sentadinha nos sofás do hemisfério norte enquanto eles não retiram qualquer benefício daquelas terras reservadas aos animais.  A caça existe. Os animais caçam-se uns aos outros. Os lobos não são vegetarianos, os ursos não são de peluche e os hipópatamos que nos nossos desenhos animados dançam em cima dos nenúfares são na verdade atacantes temíveis. Desde que controlada a caça efectuada pelos homens  é um factor importante na manutenção da vida selvagem. E pode e deve ser uma fonte de riqueza e trabalho. Mas para já a tendência vai no sentido contrário. E assim faz-se um escândalo porque  o neto do rei de Espanha se feriu num pé com uma arma de caça mas se se tivesse partido todo numa pista de esqui considerava-se isso natural e ninguém acusaria o pai de irresponsabilidade. Ou porque o rei se deixou fotografar ao lado do elefante abatido  em vez de se fazer fotografar num canil com cachorros “para adopção”. Esperemos que esta doideira do politicamente correcto passe ou em África os elefantes perderão terreno.

Allons enfants de la Patrie. Le jour de gloire… de misère est arrivé

Em Maio de 1981 François Mitterrand chegava ao Eliseu como o primeiro Presidente da República de esquerda da V República. Muitos viram na sua eleição o contraponto às recentes vitórias de Thatcher em Inglaterra e de Reagan nos Estados Unidos. E Mitterrand tratou, com efeito, de aplicar um programa de governo alternativo, ordenando uma vaga de nacionalizações e recusando a austeridade. O desvario durou um ano, mas causou danos duradouros à economia francesa.

Em Junho de 1997 foi a vez de outro socialista, Lionel Jospin, chegar ao poder. Tornou-se primeiro-ministro e teve como principal bandeira política diminuir a semana de trabalho para 35 horas. Ele era o “socialista de esquerda” que contrariava o glamour do New Labour de Tony Blair. Acabou mal: na campanha presidencial de 2002 nem sequer passou à segunda volta, ultrapassado por Jean-Marie Le Pen. Quanto às “35 horas”, gradualmente abandonadas, ainda pesam na produtividade da economia francesa: em 2000 os custos laborais eram mais baixos em França do que na Alemanha (-8%), hoje são mais elevados (+10%).

Estas duas experiências podiam ter tido duas consequências: uma era terem tornado o PS francês mais razoável e mais realista; a outra era terem ensinado os franceses a desconfiar de políticos sem contacto com a realidade. Nenhuma ocorreu. François Hollande, que tem feito promessas no bom velho estilo de Mitterrand e Jospin, até pode não ser o mais votado, este fim-de-semana, na primeira volta das presidenciais francesas, mas nenhuma sondagem o dá como perdedor na decisiva segunda volta marcada para 6 de Maio.

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O advogado-estagiário…

….José Conde Rodrigues ainda não alegou «motivos pessoais» para renunciar à sua candidatura ao Tribunal Constitucional?

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«….o Partido Socialista, provavelmente empenhado em ser o coveiro do TC, parece querer manter a candidatura como juiz do político em causa, apontando, como forma de ultrapassar as dúvidas legais da presidente da Assembleia da República, a apresentação de um pedido para o seu reingresso na magistratura. Reingressado na magistratura activa, nem que fosse por um só dia, o candidato já seria um juiz e podia ser nomeado para o TC!

O menos que se pode dizer é que quando os mais altos responsáveis políticos actuam publicamente como «chicos espertos» como se as leis da República só tivessem de ser respeitadas formalmente porque a essência das mesmas não interessa ou é para os parvos, estamos muto perto do grau zero da credibilidade das instituições e dos políticos.», Francisco Teixeira da Mota, Público

E que acham disto?

Governo trava eólicas e corta energia solar em mais de 60%

Aposto que uma parte significativa dos que querem renegociar os contratos de energia são contra esta suspensão de novos contratos. Note-se que é muito provável que o governo ainda esteja a prever deitar dinheiro ao lixo no solar.

A propósito

da paixão pelas performances e do manifesto fastio pela informação que ataca boa parte dos jornalistas aconselho vivamente a leitura dos resumos das assembleias dos ocupantes da escola da Fontinha Para além de se tornar evidente que aquilo que está em causa é o BE e respectivas margens andarem a brincar aos cromos radicais sobressai que um dos seus grandes problemas é a falta de ligação a bairro em particular e à realidade em geral. Passam a vida a combinar acções de mobilização do  bairro que nunca passam do papel e o bairro também não lhe liga muito. Mas leiam que vale a pena.

Façam notícias, por favor

Alguém me consegue explicar por que fazem greve os controladores aéreos?  As notícias sobre as greves têm um guião em Portugal: anuncia-se que vai haver greve. Geralmente garante-se que vai ser um  sucesso. No dia da greve os jornalistas procuram mostrar como a greve afecta as pessoas. Geralmente os sndicatos fazem declarações de vitória e as administrações calam-se ou apresentam outros números. Explicar o que pretendem os grevistas é que não.

SIC: Pelo menos 10 voos cancelados pela greve dos controladores aéreos

PÚBLICO: Greve dos controladores aéreos anulou dez voos e causou atrasos em pelo menos 38

RTP: Controladores aéreos cumprem novo dia de greve parcial

etc..

Obs. A notícia mais detalhada encontrei-a no Esquerda.net que de caminho se mostra muito preocupado com o facto de o regulamento do Hospital de Braga proibir os trabalhadores de mastigarem pastilha elástica e diz o seguinte: Os controladores aéreos exigem “alteração das políticas restritivas cegas”, “o respeito pela negociação coletiva” e que a empresa não seja atingida pelos cortes de 15% de custos aplicado ao setor empresarial do Estado. A CT exige ainda que a NAV “seja considerada dentro do quadro internacional que a regulamenta e se defenda também a sua invejável posição estratégica no Atlântico Norte” e afirma que “está em causa o interesse nacional em duas vertentes concretas: salvaguardar o potencial económico do espaço aéreo nacional, enquadrado numa estratégia atlântica, e maximizar as receitas por via das exportações pela atividade da própria empresa”.   Conviria que isto fosse mais detalhado e explicado. Afinal é também para isso que existe imprensa ou não?

Custos excessivos

O que são custos excessivos? Se alguém paga 1 milhão de euros por um automóvel utilitário está ter um custo excessivo. Mas se, precisando de um carro utilitário,  paga 1 milhão de euros por um Ferrari não está a ter um custo excessivo. Está a pagar um custo justo por uma opção extravagante. Está a desbaratar dinheiro porque fez uma opção errada, não sendo o vendedor de ferraris responsável nem sendo o custo excessivo considerando o que é comprado. Recomenda-se por isso que não se chame “custo excessivo” a custos justos que decorrem de opções extravagantes.

Terá coragem?

De 2003 a 2011, o Partido Socialista aumentou os chamados «Custos Económicos de Interesse Geral» que todos pagamos junto com a factura da electricidade, de 300 milhões/ano para 2500 milhões/ano. Actualmente, 42%, em média do valor da factura nada tem a ver com produção/distribuição de electricidade.

O secretário-geral do Ps diz agora que não está satisfeito e quer reduzir modestamente a coisa: 130 milhões/ano, apenas 5%.

Carlos Zorrinho, o presidente do seu grupo parlamentar e anterior secretário de estado da energia nada disse. Quer dizer, já tinha dito: que «não identifica nenhum custo injustificado».

Vamos ver onde isto vai parar. Ou Seguro começa de facto a defender o desmantelamento do socratismo ou o irão calar rapidamente.

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