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Notas sobre as propostas para incentivar a natalidade

19 Julho, 2014

1. Portugal mantém actualmente um extenso estado social com serviços universais de educação e saúde. Para alem disso mantém diversos apoios à habitação, emprego, formação, cultura e transportes. Estes serviços constituem transferências entre as famílias que não têm filhos, e por isso consomem menos destes serviços públicos, e famílias que têm filhos, e por isso consomem mais destes serviços. Se esta transferência não é já suficiente para estimular a natalidade, não vejo como é que mais transferências podem estimular a natalidade. Cerca de 50% da riqueza nacional já é colocada num bolo comum, e metade desta vai para serviços que beneficiam quem tem filhos.

2. A comissão que estudou o assunto propõe ainda mais transferências via IRS, IMI e imposto automóvel. Na prática propõe que as famílias sem filhos financiem SUVs às famílias com filhos. Estado social chega ao ponto de não apenas se subsidiarem serviços básicos universais como também de se subsidiar carros espaçosos. E é de um verdadeiro subsídio que se trata dado que em momento algum a dita comissão sugere que serviços públicos devem ser cortados para compensar estes cortes de impostos. Não são cortes de impostos dado que eles serão pagos por outros.

3. As medidas de apoio à natalidade estão claramente mal desenhadas. Por exemplo, baixar o IRS a quem tem filhos não incentiva minimamente a natalidade uma vez que esses filhos já nasceram. Há cerca de 2 milhões de pessoas com menos de 18 anos em Portugal que dariam direito a esses descontos, e esses já estão todos nascidos. Nascem cerca de 90 mil crianças em Portugal e com estes incentivos nascerão pouco mais de 90 mil. Imginando que nascem 10 mil em excesso, uma estimativa optimista, um desconto de IRS associado a 2 milhões de crianças consegue um aumento de natalidade de 10 mil por ano. O cheque bebé seria mais eficaz e mais dirigido, e igualmente errado, mas por outras razões.

4. Grande parte das medidas propostas teriam resultados contrários aos pretendidos (supondo que se pretende estimular a natalidade). Baixar impostos a quem já tem filhos apenas implica que quem não tem filhos, e os quer ter, pagará nos primeiros anos de vida activa mais impostos, o que os fará adiar ter filhos. Mas este é apenas um dos efeitos distorcidos das medidas propostas, que a ser aplicadas criariam uma sociedade de cidadãos de primeira e de segunda em que estes últimos perderiam interesse em produzir riqueza ou mesmo em viver por aqui.

5. O país que tanto se comove com a baixa natalidade é o mesmo país que aplaude o Tribunal Constitucional por este manter os direitos adquiridos das gerações mais velhas. É o país em que uma geração inteira vai pagar as suas pensões e as pensões da geração mais velha. É o mesmo país que convive com o desemprego jovem e o com um mercado de emprego que protege os mais velhos. É o pais em que muitas pessoas passam a maior parte da idade fértil fora do mercado de trabalho. É um país em que o Estado promove o prolongamento artificial do percurso escolar de forma a quem muitas pessoas só começam a procurar o primeiro emprego aos 25-28 anos. É também o pais dos impostos progressivos, que penalizam o trabalho e a poupança, e impedem que as pessoas poupem mais e progridem mais no pico das suas capacidades, o que coincide com o período em que poderiam ter filhos. Mas pelos vistos nenhum destes problemas preocupou a comissão.

Paris já está a arder

19 Julho, 2014

Imagens de Paris, hoje.

 

Pro-Palestinian protesters react during a demonstration against violence in the Gaza strip in Paris-Pro-Palestinian protesters throw projectiles during a demonstration against violence in the Gaza strip in Paris-Pro-Palestinian protesters throw projectiles during a demonstration against violence in the Gaza strip in ParisPro-Palestinian protesters burn an Israeli flag during a demonstration against violence in the Gaza strip in ParisFRANCE-ISRAEL-PALESTINIANS-CONFLICT-GAZA-DEMO

O correto uso do papel higiênico

19 Julho, 2014
by

João Ubaldo Ribeiro era genial. A sua última crónica é superlativa.
(crónica publicada no jornal O Globo, link do Observador)

O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente.

Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3,28%, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de TV.

Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, Ler Mais…

Complexo messiânico

18 Julho, 2014

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No seguimento do comunicado da Ordem dos Médicos onde se pede aos médicos para informarem directamente os doentes da “gravidade e impacto negativo da actual política do Ministério da Saúde nos cuidados que lhes são prestados” assim como solicitar aos clínicos para que “cessem a participação em Grupos de Trabalho e recusem imediatamente toda e qualquer colaboração graciosa com o Ministério da Saúde, ACSS, ARS, DGS, Infarmed, Hospitais e ACES, incluindo as comissões de NOCs e Auditorias”, solicito aos médicos que me possam ler para que marquem rapidamente e no SNS a consulta que possa ajudar o bastonário a ultrapassar esta fase de megalomania.

 

Adenda: Ocorreu-me que solicitar a marcação de uma consulta possa ser considerado como “colaboração graciosa” com o hospital.

Zhdukur Enver Hoxha

18 Julho, 2014

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Portugal precisa disto. Nenhuma manifestação está completa sem o jornalista-activista, aquele que não sendo o narrador é mesmo a personagem da notícia. Pode ser incómodo para o jornalista-jornalista-mesmo mas, convenhamos, desde quando é que uma manifestação é notícia, principalmente considerando que a eleição para a direcção do rancho folclórico local consegue gerar mais emoção (e sangue, suor e lágrimas)?

Pessoas que trabalharam 10 horas semanais em escolas num dos últimos anos vão boicotar o teste. É um bocado abusivo o uso do termo “professores” a um subgrupo dos desempregados mas – ei – se não o fizermos contribuímos para o assassínio (com tortura prolongada desde 1974) da escola pública. Outros, que um dia receberam bolsa para “investigarem”, estão em reboliço porque se está a matar a ciência (que era extremamente pujante até 2011). Apesar do homicídio da ciência, o CES lista 130 investigadores (0,1% da população de Coimbra investiga abrilismo, é pouco) e estamos todos à espera da conclusão do projecto “ALICE – Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências do mundo”.

As crianças estão a morrer: à fome/com excesso de açúcar/com excesso de sal/de obesidade/de tédio/de hiperactividade/de depressão/porque lêem jornais/porque sim.

Os israelitas matam palestinianos inocentes em números bem conhecidos, palestinianos estes que nunca mexeram uma palha nem se rebentaram no bar de um hotel em Tel Aviv. Do lado israelita não há mortos, pelo menos contabilizando pessoas humanas, coisa que militares obviamente não são.

Caiu um avião na Ucrânia. Também caiu um avião em Portugal, a 4 de Dezembro de 1980. Hoje estamos chateados com o Correio da Manhã, por publicar uma foto com mortos, com muito mais mau gosto que a foto com mortos publicada pelo DN (é que a do CM mostra mortos).

Pessoas como o Pedro sociólogo e permanente co-autor de coisas com Maria de Lurdes Rodrigues (a da pena de prisão) comentam economia, culinária, metalomecânica e finança na televisão com a mesma facilidade com o ISCTE pode dispensar pessoas para Carnaxide a qualquer hora do dia.

Podemos então mandar fazer as placas de identificação de jornalistas tamanho jumbo, preferencialmente com irónico tipo de letra em escalarlate ou amanhã há indignação da boa outra vez, para animar a patetice auto-explicativa da nossa auto-infligida miséria?

Haverá alguma criança devidamente alimentada em Portugal?

17 Julho, 2014

Há cada vez mais grávidas, bebés, crianças e idosos a passar fome

Mais de metade das crianças em idade pré-escolar consome refrigerantes e doces todos os dias e nove em cada dez ingerem sal em excesso.

Crise pode agravar estado nutricional das crianças

65% das crianças comem doces todos os dias

 

 

Notícias do campo santo

17 Julho, 2014

1. Chegou o alarme: Especialistas denunciam atentado ao património no coração de Lisboa

2.  Um grupo de especialistas denuncia um atentado contra o património natural e edificado da zona do Príncipe Real, em Lisboa. Em causa está a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, com quatro pisos, que ameaça, entre outras coisas, o Aqueduto das Águas livres, o Jardim do Príncipe Real e o Jardim Botânico. Especialistas em mobilidade, urbanismo, ambiente, arquitectura e património, de cinco movimentos de cidadãos, juntaram-se e esta quinta-feira promovem uma conferência de imprensa para contestar o impacto da obra. Em uníssono, contestam o projecto de um estacionamento subterrâneo, que tem 13 anos, e que agora poderá avançar.

ASSIM POSTAS AS COISAS O LEITOR IMAGINA QUE O DITO PARQUE SECAS AS RAÍZES DAS ÁRVORES OU MINA OS ALICERCES DO AQUEDUTO

3. “É um elefante numa loja de porcelana. É absolutamente intrusiva e não respeitadora de um núcleo histórico que existe nesta zona. A primeira razão é o impacto no património arquitectónico, segundo, é o impacto ambiental: estamos a falar de um jardim, de sete árvores que estão classificadas. Um projecto desta natureza não pode deixar de ter um forte impacto ambiental”, afirma José Calisto, em declarações à Renascença.

CONTINUO SEM PERCEBER. OU SE SABE OU NÃO SE SABE. NÃO SE PODE CONTESTAR COM BASE EM AFIRMAÇÕES COMO  Um projecto desta natureza não pode deixar de ter um forte impacto ambiental”,  E TAMBÉM NÃO SE EXPLICA QUAL É o impacto no património arquitectónico,

4. O projecto de 2002 teve parecer negativo do IPPAR. A actual Direcção-Geral do Património Cultural está de novo a apreciar o projecto que entretanto cresceu, explica Jorge Pinto. “O projecto inicial previa três andares e o actual prevê quatro andares subterrâneos e 300 lugares de estacionamento, dos quais oferecem, entre aspas, 90 para residentes. Em relação à empresa, ela está convencida que tem ali a galinha dos ovos de ouro. Tem todo o direito de ganhar dinheiro, mas não à conta dos interesses públicos que, neste caso, são evidentes”, sublinha Jorge Pinto, à Renascença. A Plataforma Contra o Parque Automóvel, que está a promover uma petição, junta os Amigos do Príncipe Real, o Fórum Cidadania LX, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico, a Associação Lisboa Verde e a Árvores de Portugal.

ATÉ AGORA ALÉM DA ARISTOCRÁTICA POSIÇÃO DE NÃO QUEREMOS PARQUES DE ESTACIONAMENTO, NÃO QUEREMOS CENTRO COMERCIAIS ETC… NÃO SE PERCEBE A FUNDAMENTAÇÃO PARA ESTA OPOSIÇÃO. MUITAS DAS CIDADES DA EUROPA TÊM PARQUES SUBTERÂNEOS NO SEU CENTRO. EM LISBOA  CONSTRUÇÃO DE PARQUES SUBETERRÂNEOS OU A CONSTRUÇÃO DE TÚNEIS LEVANTAM POLÉMICAS QUE SÓ SE ENTENDEM À LUZ DA CONCEPÇÃO DO SOLO DA CIDADE COMO CAMPO SANTO. ADMITO QUE O PARQUE POSSA TER CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS NOS JARDINS E NO AQUEDUTO MAS ISSO TEM DE SER EXPLICADO.

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