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Condecoisação

22 Outubro, 2014

Acho um gesto um pouco indelicado se se confirmar que o Senhor Presidente da República opta por não condecorar o Senhor Doutor Engenheiro José Sócrates depois de o último ter feito um esforço tão grande para a reeleição do Senhor Presidente.

Por outro lado, se a condecoração é a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, é menos um crucifixo para enervar a família do comentador da RTP.

Adenda: Isto vem agora porque anda aí a circular novamente a coisa, que a campanha já começou e o alvo ainda é o mesmo.

Quem quer casar com a carochinha?

22 Outubro, 2014

A TAP é uma empresa:

  • descapitalizada – significa que não tem capital para investir e expandir as operações. Não o pode fazer via crédito porque o nível da dívida já é elevado para o capital que tem
  • que dá prejuízo
  • facilmente subjugável por sindicatos – por ser uma empresa pública e por ser uma empresa de capital intensivo
  • não pode ser recapitalizada com fundos públicos (regras europeias)

A solução que o PS tem para a TAP é vender 49% a privados, mas nunca mais de 49%. Note-se que mesmo para uma posição de controlo da empresa, o governo está com dificuldade em encontrar investidores a custo zero. Portanto, quem é que quer meter dinheiro da TAP tendo em conta que o Estado continua a mandar e mandará sempre, a relação com os sindicatos mantém-se com os mesmos protagonistas e não há qualquer garantia ou perspectiva de distribuição de dividendos?

tem de ir a ministro

22 Outubro, 2014
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Alguém que consegue dar aulas simultâneamente em 104 sítios é, necessariamente, um poço de sabedoria, um portento de inteligência, de capacidade de trabalho e agilidade profissional. Sendo professor e com tamanhas qualidades, deverá ir, no mínimo, a Ministro da Educação. Até para substituir o que ainda por lá está, visivelmente cansado e a necessitar de descanso.

Podemos falar de educação?

22 Outubro, 2014

1) O que esta terça-feira podia ter sido apenas mais um dia de aulas normal, acabou afinal com uma professora agredida na escola básica e secundária do Cerco do Porto, em Campanhã. Dezenas de pais surgiram à hora do almoço obrigando a PSP a enviar quatro carros patrulha. Mas o motivo que alarmou os pais foi, afinal, a presença de uma criança alegadamente com ébola.

Até aqui nada de muito especial.

2) “A direcção está toda reunida lá dentro e ninguém nos diz nada. Há ébola ou não? Ligaram-me aqui da escola a avisar”. Quem? “Sei lá bem quem. Preciso é de saber se há [ébola] para levar o meu neto daqui para fora”, dizia uma avó com os braços no ar segundos antes de desaparecer na multidão que aguardava por notícias debaixo de um sol intenso. Não havia ébola. Alguns alunos decidiram ligar aos pais dando conta do vírus. “Há ébola”, diz Sofia, de 11 anos. Aponta para um cartaz da Direcção-Geral de Saúde sobre o que fazer se tiver sintomas.

Portanto a Sofia vê o cartaz e conclui que há ébola. A avó diz que lhe ligaram da escola e diz que não sabe quem foi. E avós, pais e netos todos com uma fantástica disponibilidade para estes ajuntamentos acham que a escola tem de dizer se há ébola. Fantástico.

3) Pelas 13h a escola pedira ajuda à PSP. Uma docente de 43 anos tinha sido agredida durante a manhã. Tirara o telemóvel a uma aluna de 12 anos que o usava à socapa na aula de educação visual. No final, a aluna do 6.º ano exigiu o telemóvel de volta. A explicação da professora de que a regra era entregá-lo à direcção da escola não a satisfez. Tirou o telemóvel a um colega e ligou aos pais. Disse-lhes que tinha sido agredida pela professora. Foi o suficiente para os pais, feirantes, lá rumarem. Enquanto o pai falava com o director, a mãe descobriu a professora numa das salas de aula e “deu-lhe quatro bofetadas depois de lhe puxar os cabelos”, descreveu fonte da PSP do Porto.

Ou seja a petiza não ficou satisfeita. Tirou o telemóvel a um colega que não sa sabe o que achou do assunto. Disse que tinha sido agredida. E os pais feirantes deixaram a  feira e foram para a escola. Provavelmente vão ter de ser ressarcidos pelo prejuízo da interrupção laboral. Na escola enquanto o pai fala com o director a mãe deambula. E tanto deambula que encontrou a professora. Ora está-se mesmo a ver que a culpa foi da professora que devia ter-se escondido numa arrecadação para nao exaltar a senhora.

4) Mas no exterior a multidão indignava-se com a ausência de novidades sobre o ébola. “Eu acho que há aqui um engano qualquer”, disparava um polícia enquanto tentava controlar os pais que forçavam a entrada na escola. O esforço por explicar que o problema não era o ébola de pouco lhe serviu. “Não é verdade. Os alunos é que espalharam o boato sobre o ébola. O que aconteceu foi apenas a agressão e depois os pais começaram a vir todos para aqui para a porta”, contou um funcionário da escola. No exterior, os pais exigiam esclarecimentos da direcção do estabelecimento.

Os pais estão convencidos que a escola faz diagnósticos de ébola. Nos idos de 1975 quando dia sim dia sim havia boatos sobre bombas nos liceus os nossos pais tinham o estranho hábito de não ser nada complacentes com a nossa crença em boatos. Mais bizarramente costumavam apurar de forma expressiva o que teríamos nós a ver com a propalação desses boatos. Abstenho-me de explicar o vexame que era os paizinhos irem à escola saber da nossa segurança e muito menos o cataclismo para as nossas pessoas inerente à conclusão por parte dos nossos pais de que os seus filhos tinham responsabilidades em tal boataria.

5) A escola faz parte dos estabelecimentos de Território Educativo de Intervenção Prioritária. Fica junta ao Bairro do Cerco, um aglomerado social marcado pela toxicodependência.

Portanto um Território de Educação Educativa é um território comanche? Já agora alguém é toxicodependenete nesta história?O que tem a  toxicodependência a ver com isto? Podemos faltar de falta de educação e de regras ?

6) “Os pais [da aluna] não vinham só para falar. Ainda tentámos defender a colega, mas não conseguimos impedir a agressão”, disse Filipe Remédios Gomes, professor de Matemática. A mãe, de 33 anos, foi identificada pela polícia, mas a docente preferiu não apresentar queixa, segundo a PSP.

Portanto a mãe de 33 anos deve ser a supermulher pq além da própria professora não se conseguir defender os outros professores também ficaram paralisados não conseguindo impedir a agressão. Vá lá saber-se pq a professora não vai apresentar queixa.

7) José Maia, presidente da associação de pais, dá razão à professora, mas também defende que, “se tirou o telemóvel à força, também merece uma sanção”. Ao final da tarde desta terça-feira a direcção da escola continuava reunida. Confirmou apenas que será aberto um processo de averiguações. Já em Outubro de 2008 uma professora foi agredida por ter colocado um aluno de castigo na cantina. A escola decidiu proibir então a entrada dos pais.

Naturalmente a escola vai averiguar.  Mas não vale a pena fazer sequer de conta que se averigua. Tendo em conta as declarações do presidente da associação de pais creio que o melhor é colocar estes pais a darem aulas aos seus filhos.

Superar o inconseguimento

22 Outubro, 2014

António terá tentado matar as duas filhas para as poupar ao sofrimento de ficarem sem mãe, já que a tinha assassinado de forma permanente, algo habitual em assassínios. Um bonito gesto de compaixão por parte deste homem como tentativa de remediar um trágico acidente que consistiu em espetar algumas facas na mulher (entre três e quatro, que se foram partindo), acaba por ser interpretado, por pessoas precipitadas que julgam os outros com uma total falta de tolerância para com o próximo, como “matar as filhas”. Toda a gente tem que ter direito a uma morte digna: mais vale que seja pelas mãos de quem nos ama mesmo, como o pai.

António terá dito que tencionava suicidar-se após o gesto de bondade mas que não terá conseguido. Assim sendo, e por ter manifestado a sua vontade, e porque o sofrimento que este incidente causará para sempre o impedirá de viver uma vida plena de felicidade, António fica elegível para eutanásia progressista como forma de superar o inconseguimento.

O muito inteligente

21 Outubro, 2014

Mário Soares, hoje no DN:

“Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu – de que é segundo responsável o nosso muito inteligente Vítor Constâncio -, tem feito o que pode para ajudar os países europeus que mais têm sofrido com a austeridade.”

“Noutros países, como a Itália dirigida pelo presidente Napolitano, a França do primeiro-ministro Renzi e, embora tenha grandes dificuldades, a Espanha do socialista Pedro Sanchez, líder muito inteligente do PSOE”

 

 

É indigno e imoral um partido falar de morte digna

21 Outubro, 2014

De vez em quando retorna a conversa sobre eutanásia, seguindo um ciclo inverso à publicação de fotos em bikini nas redes sociais pelas mesmas pessoas que conseguem ter ideias brilhantes para e por todos nós, graças a Zeus. Invariavelmente, é conversa atirada por gajos e gajas bonitos, com idades perfeitas entre os 30 e os 50, em forma, com todas as pernas e braços, pele viçosa, sem espinhas e eczemas embaraçosos, deformidades, comensais esporádicos em restaurante com estrela Michelin, com bicicleta de marca e tendo algum historial de férias caribenhas ou nas índias. Pessoas com a arrogância que a beleza e o pico do interesse sexual tendem a transformar em ídolos pop mascarados em escritores que ninguém lê, deputados que ninguém sabe ter elegido e agentes culturais cujos sazonais poios não passam o crivo de um bilhete parcialmente pago, quanto mais pago na totalidade.

Nunca se vêem paraplégicos acamados, com feias escaras, num quarto húmido decorado com crucifixo carcomido e desumidificador em saldo da Worten, que clamem por eutanásia. Nunca se vêem, sobre esse tema, os já viúvos no solitário caminho para a demência profunda, embaraçados em decrescentes momentos de coerência com o mijo que escorre para a sarjeta na momentaneamente eterna desconhecida paragem de autocarro. Quem fala desta problemática – porque para um progressista, outros morrerem é uma problemática – é sempre belo, educado, letrado, atraente, charmoso e dispensa Viagra. Tem o cabelo imaculado. A barba perfeitamente aparada. É uma besta cuja noção de sensibilidade termina na barreira de suor entre os corpos que copulam intelectos, entranhada no eu-eu-eu-eu instagramico que é palco da disjuntiva relação entre a vaidade e o bem-colectivo.

Nenhum destes abetumados néscios vê além de si próprio e do brilharete que origina a sua exímia e cultivada inteligência. Não imaginam que a percepção da eutanásia para o velho acamado é a do fardo, a do “não dar trabalho”, a do lastro que impede a plena realização dos familiares responsáveis pelo seu cuidado. Não imaginam que a esmagadora maioria dos velhos que pede para morrer está, quando crê falar a sério, a emanar altruísmo puro, a libertação de outros da carga que para esses é a própria existência alheia.

A morte é assunto demasiado sério e muito pouco compreendido para ser discutido por quem salta entre aborto livre, supressão de puberdade a crianças ditas transgénicas, cheias de Lisboa, tourada, efebofilia, mais-uma-linha-de-coca na urbe lisboeta a oeste de Marvila, amanhã-estou-na-SIC-Notícias, casamento entre plantas e a patológica crucifixofilia republicana do club des Jacobins.

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