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Era uma vez…

19 Maio, 2015

António Costa quer combater a linha de recomendações preconizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “As recomendações [do FMI] vão no sentido oposto àquilo que nós propomos”. O secretário-geral socialista falou ainda sobre o processo de privatização da TAP e acusou o executivo “de estar numa fúria para fazer maldades”.

…just before you draw your terminal breath…

19 Maio, 2015

Exemplos de países onde há excessos da polícia:

  • Bélgica
  • Dinamarca
  • Noruega
  • Espanha
  • Portugal
  • Reino Unido

Exemplos de países onde não há excessos da polícia:

  • Burma
  • Coreia do Norte
  • Líbia
  • Síria
  • Cuba

Não são gente. São pedaços de corpos

18 Maio, 2015

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Estamos mesmo a respeitar alguém quando lhe descaracterizamos o rosto? Não acho. Isso apenas permite aos indignados de sofá ver com maior tranquilidade as torturas que inflingem não a uma pessoa mas sim a um pedaço de corpo

Uma quase tragédia

18 Maio, 2015

Há no percuso de Sócrates uma desmesura que não parece compatível com a realidade e que me faz acompanhar o caso com uma espécie de sentimento de tragédia. Um sentimento bem diverso daquele que me inspira o vai vém dessa gente que dizia maravilhas do homem e agora faz de conta que não é nada consigo. Os que se fazem intelectuais, os “istecnianos” da vida, os estupefactos com a detenção na manga do avião, os que em cada suspeita viam uma conspiração

a origem da tragédia

17 Maio, 2015
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204391_3_warrior-camisola-fc-porto-3-equipamento-2014-2015-wstm511-hpkContinuem a mandar a rapaziada jogar de cor-de-rosa e, depois, queixem-se.

Dizem que dava kilómetros de prazer

17 Maio, 2015

7. Cigarros Sporting. Um anúncio que vale um campenoato25. 1975. Fumar na primeira fila do parlamento era outra coisa 17. Sá Carneiro sempre de cigarro na mão. Freitas sempre de mãos nos bolsos.

Os maços de tabaco estão em vias de se assemelhar a um mural do MRPP: muita mensagem e promessas de castigo aos prevaricadores. Fumar depois de ter dado kilómetros de prazer passou a dar toneladas de problemas.Tema de uma galeria que fiz para o Observador

E caça gambuzinos?

17 Maio, 2015

António Victorino d’Almeida: Vive com uma reforma de 288 euros e é obrigado a sair de casa para caçar.

Não sei se o mestro caça ou não caça (se optar pelos pombos até que estou disposta a patrociná-lo e em matéria de patos devo ser das pessoas mais informadas de Lisboa pq não há jardim que me escape )  mas não se importa de  detalhar os descontos que fez ao longo da sua vida?

Sobre a estranha concepção do peço perdão

17 Maio, 2015

e “prontos” o problema fica resolvido ler a carta que a filha de um casal assassinado pela ETA escreveu ao terrorista que matou os seus pais.

Sexo gay é mais perigoso do que sexo com seropositivos?

17 Maio, 2015

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Esta é a manchete do DN de hoje. É, obviamente, falsa.Quem tenha um parceiro sexual seropositivo não pode dar sangue, ponto.

Lida a notícia, o que parece espantar o DN é o IPS ter um critério genérico para homossexuais (não podem doar sangue) e outro para heterossexuais (podem dar, desde que respeitem determinados critérios).Há boas razões para isto. A segmentação de uma pequena população com prevalência elevada de hiv é, por um lado, uma perda de tempo, e por outro, um risco. Por isso é que o IPS não refina a triagem de pessoas que declarem ter tido sexo com homens e refina a triagem de heterossexuais.

Imagine-se que o IPS decide não excluir toxicodependentes a priori. Em vez disso decide refinar a triagem. Pergunta à pessoa quando se injectou pela última vez, se usou seringas descartáveis e se se prostituiu para comprar droga. Estando a trabalhar com uma população com elevada incidência de HIV, o IPS estaria a fazer perguntas muito delicadas sobre questões em que as pessoas teriam tendência para se autoiludir. Seria seguro? Valeria a pena?

Quanto aos heterossexuais, estamos a falar de pelo menos 95% da população, com baixa incidência de HIV. Não podem ser excluídos à partida. Vale a pena refinar a triagem. Faz-se, obviamente a pergunta: tem ou teve um parceiro sexual seropositivo? Se tem, não pode dar sangue. Se teve há mais de 6 meses, a pessoa tem que explicar o que está ali a fazer. Fez o teste do HIV? Deu negativo? Tem acompanhamento médico? Acho que é óbvio que sem acompanhamento médico e um teste negativo prévio não pode ser dador. E tudo isto pode ser avaliado.

Quando o DN afirma “Para Instituto do Sangue, sexo gay é mais perigoso do que sexo com seropositivos” não está na realidade a perceber o problema. Para o ISP sexo gay implica a pertença a uma população que não vale a pena refinar (porque a redução de segurança não compensa o aumento de dádivas). Quanto ao sexo com seropositivos, o ISP considera que é um risco até haver informação concreta que não é.

Portanto, o que está em causa são dois raciocínios completamente diferentes:
1. Perante uma população sobre a qual apenas se sabe que é pequena e o risco é relativamente elevado o IPS opta por excluir todos para não pensar mais no assunto. Perante informação difusa que sugere risco elevado a opção é por minimizar o trabalho.
2. Perante factos concretos, analisáveis, (caso dos parceiros seropositivos) o IPS opta por usar a informação bastante detalhada que tem para decidir.

Claro que tudo isto podia ser feito de outra maneira. Podia, por exemplo, aceitar-se homossexuais que tenham testado negativo há menos de 2 meses ou rejeitar-se sem perguntas adicionais quem tenha tido parceiros sexuais seropositivos. São regras plausíveis, que podem vir a ser adoptadas no futuro se se demonstrar que melhoram o sistema. Convém no entanto perceber que o objectivo é produzir lotes de sangue seguros e em quantidade suficiente para as necessidades e que o sistema está concebido para atingir esse objectivo da forma mais prática possível. Sistemas destes são conservadores e baseiam-se no que está provado que não causa dano.

Troika: aborto a pedido

17 Maio, 2015

Finalmente, Costa diz ao que veio. Já não era sem tempo, após o embaraço da deriva abundantemente optimista do documento Centeno-Galamba-Trigo-Pereira, tão aborrecidamente centrista quanto pastelão incapaz de entusiasmar quem quer que seja no partido que promete deslumbramento ao eleitorado nuclear de estado-dependentes e entrega apenas a ambivalência de um vestido preto, aquele com que nem Costa se compromete (“não é a Bíblia”).

Se o documento é pastelão e não entusiasma os syrizicos extraterrestres socialistas, toca a prometer 35 horas, à falta de 500 empregadas de limpeza para readmitir; toca a prometer manter a gestão da TAP sob alçada do alinhamento de interesses saloios que permitam afogar o bebé com a água do banho e carpir a terrível perda culpando a humidade da água.

Nada. Quando muito, um rico empate eleitoral. Nada entusiasma menos um país que o cansaço de entusiasmo anterior que o deixou em maus lençóis. Eis que chega a promessa definitiva, a arma secreta, o busílis disto tudo, a parvoíce parola cravejada do socialismo nacionalista que caracteriza os auto-reconhecidos democratas encartados: “portugueses só festejarão saída da Troika quando o governo for embora”. O que promete isto? Porta aberta ao regresso da Troika, claro. Portugueses só ficarão satisfeitos, acredita o marajá da incrível parvoíce, quando a Troika for uma má recordação do passado e o governo actual a mera inconveniência de uma gravidez que o PS resolverá com uma deslocação ao hospital onde se procede a aborto à la carte.

Costa quer, então, abortar a Troika. Ainda bem, ainda bem: quem não sabe para quem governa merece nem perceber porque nem chegará à oportunidade de governar. Os portugueses já sabem que é melhor o país ser governado por burocratas estrangeiros que por tontos pavões nacionais. Apagar a Troika de Portugal é a melhor maneira de a fazer regressar. Ainda bem; ainda bem que Costa quer perder as eleições mesmo que as acabe por vencer.

Da desinformação

16 Maio, 2015

Helena: existe uma regra que julgo básica sempre que se lê algo como « o Papa diz que…» : nunca acreditar à primeira. É que a desinformação, ignorância e incompetência dos jornalistas é a regra. Há que ir verificar sempre, mas sempre, as fontes originais, o texto completo. E mesmo assim…

Por exemplo, neste caso, o que se diz originalmente que  Francisco terá dito? «“May the angel of peace destroy the evil spirit of war. I thought of you: may you be an angel of peace,”(*)

Creio que concordará que há uma grande diferença entre o desejo ou convite expresso  pelo Papa para que ele seja um «anjo da paz» e o desvirtuamento expresso na notícia ( e propagado a nível geral certamente pela sempre incompetente LUSA) que o teria considerado desde já um «anjo da paz».

São detalhes dirão uns. Nem por isso, acho eu. É mesmo desinformação.

Sua Santidade não se prenda

16 Maio, 2015

Meta-se já no avião, entregue-se nos bracinhos desses anjos e não faça a coisa por menos de duas semanas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Vá com calma, nós cá o esperamos.

António Costa indeciso entre Avianca e Azul

16 Maio, 2015

António Costa defende integração da TAP numa grande companhia latino-americana

“Tenho dito e repito que a privatização da TAP é a mais crítica que está em cima da mesa, assim como a privatização da ANA, e acho que era útil para o país do ponto de vista estratégico uma estratégia de fusão por integração entre a TAP e uma grande empresa e a integração da ANA com os aeroportos brasileiros”, acrescentou.

Uma tal opção permitiria, considerou, “captar investimento e consolidar” essa centralidade atlântica”.

Pelo contrário, prosseguiu, uma aquisição da TAP por outros grupos constituirá uma “perda irreparável” na medida em que deslocará esse ponto de centralidade atlântica que é Lisboa para outra cidade.

Qual será a proposta que melhor se adequa às ideias de António Costa. Em cima da mesa está uma proposta de Efromovich, do da Avianca, e outra de David Neeleman, dono da Azul. Tanto a Azul como a Avianca grandes companhias latino-americanas que encaixam na estratégia defendida por Costa.

Uma destas é capa de jornal – qual delas?

16 Maio, 2015

verdadeiro-ou-falso-jornais

O conforto da tristeza (também conhecido por “a melancolia do faduncho”)

15 Maio, 2015

O que aconteceria se, por um daqueles acasos cósmicos, o Partido Socialista vencesse as eleições e, de seguida, o candidato Sampaio da Nóvoa tomasse posse como Presidente da República? Sei que não é uma hipótese fácil de contemplar, vamos usar toda a nossa imaginação e, quando esta se mostrar insuficiente, todo o nosso masoquismo.

Um manda SMS irado, outro ameaça dissolver a assembleia de forma meramente discricionária se o governo não funcionar regularmente, isto de acordo com padrões definidos mas inarticulados pelo próprio. Um circo, mas fora da época natalícia, portanto. De acordo com os padrões sampaionovistas (queria ser o primeiro e, certamente, o último a usar o que nunca chegará a ser neologismo), o governo existe para servir as directivas perdidas no labirinto da mente do Presidente. Isto é normal? Não, não é mas, convenhamos, ninguém espera que pessoas que afirmem ser contra a austeridade sejam muito normais. São mais como aquele tio excêntrico que é contra a chuva por esta, fora de época, lhe estragar os feijões; gostamos dele na mesma, só não somos capaz de lhe entregar a guarda do bebé.

“I miss the comfort in being sad”

Kurt Cobain

O maior entrave à vitória eleitoral dos dois grandes humanistas de esquerda é, porém, a habituação ao estado das coisas. Depois destes anos a baixar expectativas batata-de-sofá-revolucionárias, com uma drástica diminuição de grandoladas e o inexplicável surto de pessoas a morrerem nas urgências hospitalares a deixarem de preencher páginas de jornal, um governo de Costa será sempre anti-clímax. Nem o istonãoseaguentismo anda em boa forma, com a diminuição imensa de senhoras que se agarram ao líder socialista em pranto pela miséria salarial de 4 dígitos, com a súbita transmutação de manifestações de dezenas para ajuntamentos de jornalistas das televisões especializados em ângulos esquisitos, e com a ausência de incêndios florestais antes do Verão para se poder atribuir ao governo a problemática da faúlha.

Caso Costa vença as eleições, é suposto ficar tudo bem. E com Sampaio da Nóvoa na presidência, todo o nosso problema será a saudade pelo conforto que tinhamos quando sabíamos estar tristes. É isto que as duas grandes promessas nacionais têm que endereçar: se querem vencer, terão que assegurar que nos manterão o conforto da tristeza durante muito mais tempo.

O retrato de uma maioria: Esbanjar o que não é deles, dar um «jeitinho» na lei e está consumado o favorzinho

15 Maio, 2015

Para além do escandalo que é o donativo de 85 milhões dado pelo actual Governo ao sistema bancário, pelos vistos tal medida era ILEGAL, e houve que apressadamente ir mudar a lei, com efeitos retroactivos (o que também é ilegal…).

Será que esta maioria consegue explicar porque tem assim tanta vontade fazer asneira atrás de asneira? Nem amadores são, é mesmo esbulho e incompetência.

P. S. não se estranhe que quando o banco for vendido, o governo  realize nova doação de 85 milhões para tornar a mudar os registos para os novos proprietários. E assim se estoura, sem motivo, 170 milhões aos contribuintes…

Isto quer dizer que vão criar lugares de estacionamento no terminal 2?

15 Maio, 2015

Carros vão pagar acesso aos aeroportos se pararem mais de 10 minutos

Sim, sim é um terminal só de partidas mas como não tem lugar de estacionamento as partidas têm de ser mto intempestivas. E claro temos aquela rotunda lá ao fundo…

Ou António Costa não se prepara ou não se deixa preparar. Mas alguém tem de fazer os trabalhos de casa

15 Maio, 2015

António CostaChamo a atenção que estamos numa circunstância política muito especial, já que em condições normais daqui a três semanas este Governo cessaria funções. Só por circunstâncias excecionais previstas na Constituição é que este mandato se vai prolongar por mais alguns meses”

Será que no Largo do Rato não conseguem ler a legislação eleitoral?

Lei Orgânica 1/99, de 22 de Junho
Artigo 19.º
2 – No caso de eleições para nova legislatura, essas realizam-se entre o dia 14 de Setembro e o dia 14 de Outubro do ano correspondente ao termo da legislatura.

Aprovada em 29 de Abril de 1999.

O Presidente da Assembleia da República, António de Almeida Santos .

Promulgada em 21 de Maio de 1999.

Publique-se.

O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.

Referendada em 25 de Maio de 1999.

O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira Guterres.

Lei 14-A/85

(Marcação das eleições)
ARTIGO 19.º

2 – No caso de as eleições não decorrerem da dissolução da Assembleia da República, realizam-se entre o dia 22 de Setembro e o dia 14 de Outubro do ano correspondente ao termo da legislatura.

Aprovada em 5 de Julho de 1985. Ler mais…

as virtudes maiores

14 Maio, 2015
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António Costa recomenda «humildade» democrática a Passos Coelho, a pretexto do assunto da venda da TAP. Segundo ele, um governo que estaria a poucos dias de eleições, se os prazos legais fossem cumpridos pelo Presidente da República (a propósito, vd. este post de Helena Matos), não deveria ter a arrogância de tomar uma decisão deste fôlego, ainda que a mesma decorra do seu programa eleitoral. Tem razão. A humildade é uma virtude maior, apesar de não ser das mais relevantes, as virtudes cardeais, ou teologais, aquelas que fazem o Homem aproximar-se do seu Criador: a Força, a Prudência, a Justiça e a Temperança. A Força, que nos faz persistir no caminho daquilo que é correcto, independentemente do que os outros nos dizem. A Temperança com que devemos olhar o nosso semelhante. A Prudência com o juízo que fazemos de nós mesmos e daqueles com quem nos relacionamos. E a Justiça com que devemos avaliar os outros, entre eles, aqueles que imprudentemente afastamos à força, pela presunção que nos levou a acreditar que éramos infinitamente mais capazes do que eles. Bem vistas as coisas, este receio com a data das eleições só tem a ver com o juízo precipitado que António Costa fez de quem lhe antecedeu no lugar e na avaliação imprudente que fez das suas capacidades. Por clara falta de humildade democrática, já agora, ao querer substituir, à pressa, quem lá estava por legitimidade própria.

É só fazer as contas

14 Maio, 2015

António CostaChamo a atenção que estamos numa circunstância política muito especial, já que em condições normais daqui a três semanas este Governo cessaria funções. Só por circunstâncias excecionais previstas na Constituição é que este mandato se vai prolongar por mais alguns meses”

O actual Governo tomou posse a 21 de junho de 2011. As próximas eleições deverão realizar-se em Outubro.

José Sócrates ganhou eleições em Fevereiro de 2005 e as eleições seguintes tiveram lugar em Setembro de 2009.

Enfim ou António Costa chegou de Marte ou sofre de relativite aguda.

Não deixo de me surpreender

14 Maio, 2015

com o actual consenso nacional em torno do modus operandi de Sócrates. Pessoas que viveram caladinhas naqueles anos ou até que fizeram parte do círculo que mimoseava com “favianos” epítetos quem então questionava a infalibilidade do líder do PS, PM e posteriormente falante instantâneo de francês filosófico vêm agora com uma desfaçatez e sem sombra de vergonha na cara confirmar que sim senhora a criatura era tudo o que dizem e mais alguma coisa.

Construir o futuro é acreditar na treta

14 Maio, 2015

As pessoas não procuram a “construção de um futuro”; procuram o retorno a um passado em que creram ser felizes. Todo o discurso baseado na mudança, na construção de futuros, no amanhã que canta, está destinado a alienar todo aquele que possui um passado que, mesmo afastado da lembrança no quotidiano, transporta – e transportará até ao fim dos dias – sobre ombros que redefinem, ao longo da vida, a dor em calo; é um discurso formatado para jovens, sem passado, revolucionários pelo instinto que suplanta a razão de que ainda não gozam.

A campanha do doutor Costa sofre dos problemas típicos dessa gente moça, enfrascada pelos aromas de estrela Michelin, tipificada na jactância de uma percepção pueril que confundem com inspiração de adquirido savoir-faire.

Cada artigo do doutor Soares, personagem omnipresente na época do ou-vai-ou-racha, é uma violenta incisão na memória colectiva da segunda metade dos anos 80, altura em que o terço superior da pirâmide demográfica mudou de casa, construindo-a, em muitos casos totalmente de base, reflectindo a nova prosperidade alcançada com o desmoronar – inicialmente conceptual – do muro revolucionário dos “construir o futuro” de 1974 e – posteriormente físico – com o derrube do Muro de Berlim – do jugo de anteriores “homens de boa vontade”. Nada simboliza mais o desejo de futuro sedimentado no presente que um homem a construir a sua própria casa.

Não é de estranhar que as sondagens sejam embaraçosas para o doutor Costa e o seu PS cravejado de camaleónicos socráticos com o rabicho de fora. Quem tem idade suficiente para ter votado em duas ou mais décadas é portador de memória, coisa que a imprudência dos jovens – em muitos casos bem além da idade admissível para tal – ebriamente entusiasmados com o “construir o futuro” não estão em condições de possuir. E para os outros, os que preferem esquecer, há sempre os Blocos, os Livres, o PCP e a Carmelinda.

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14 Maio, 2015
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Escrito a 16 de Janeiro e cada vez mais próximo de acontecer, pela simples razão de que o PS não teve, em quatro anos que leva de oposição às consequências da sua própria irresponsabilidade, a humildade de explicar aos portugueses o que de facto aconteceu em 2011 e dizer-lhes como poderia fazer diferente do que fez para evitar o mesmo cenário. Atirar para cima da «crise internacional» e dizer que a culpa do que aconteceu em Portugal se deve exclusivamente ao actual governo e não as suas próprias responsabilidades é presumir a estupidez do indígena. A sobranceria paga-se cara e estes números ainda não vão ficar por aqui.

Descansem camaradas

14 Maio, 2015

Que eles na Venezuela vão fazer de conta que isto foi uma grande de massas

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Ps.- Se não é muito pedir importam-se de divulgar a intervenção que o camarada Augusto Praça, membro da Comissão Executiva e Responsável de Relações Internacionais da CGTP fez este ano no 1º de Maio em Cuba?

Da violência repetida

13 Maio, 2015

Ai, senhor, como é bom. Você descansa a pica na boca de uma, depois da outra. Canarinho rosado que numa só revoada colhe cento e uma formiguinhas de asas. As duas lambemos ele todinho e trocamos beijinhos na boca. Eu te chupo, bichana gulosa. Ela titila as tuas bolas com a língua. E o meu clitóris com o terceiro quirodátilo. Você agradece com dois bofetões estalados e ardidos em cada uma. Nas bochechas debaixo e de cima. Ai, bem, doeu. Assim com força, dói. Quer mais, putinha, quer?

in Duas Normalistas de Dalton Trevisan (Prémio Camões 2012)

Depois de um Verão a lerem 50 Sombras de Grey, as mães descobrem através da internet que as filhas decidem punir um jovem. Como se não bastasse a violenta humilhação sofrida pelo jovem na altura da agressão, nova violência gratuita prolifera de cada vez que alguém decide clicar no vídeo que por aí circula.

Faço minhas as palavras do Rodrigo Adão da Fonseca: considero grave que os media estejam a expor as crianças ao Tribunal Popular, divulgando o vídeo, e conduzindo à identificação dos personagens, menores.

Ainda a propósito de gramáticas…

13 Maio, 2015

Noam Chomsky: “Tem havido um decréscimo drástico da democracia na Europa”. Entrevista de Bernardo Mendonça

Há aqui um problema: o Chomsky que desarranjou as cabecinhas a muito boa gente por esse mundo, gramaticalmente falando, considera que  “Tem havido um decréscimo drástico da democracia na Europa”. Ora isso é muito decrescer porque o autor de Arquipélago de Sangue (qualquer semelhança com o Arquipélago de Gulag não é coincidência) não primava por achar que o mundo ocidental fosse razoavelmente democrático. Pelo que se desse patamar já de si baixinho ainda decrescemos estaremos mais ou menos onde?

Será isto o socialismo científico?

13 Maio, 2015

É importante que rapidamente se passe à elaboração de leis respeitadoras da auto-determinação das pessoas, da democratização do género que deixe de ter as velhas gramáticas binárias e passe a poder compreender o género como diversidade. (…) O binarismo é antes grilheta de opressão e não permite espoletar o potencial de miríades de expressões e identidades de género que passam a ser projetos que fazem as pessoas viver mais felizes. 

João Manuel de Oliveira Investigador auxiliar do ISCTE. Coordenador da linha temática Género, Sexualidade e Interseccionalidade do Centro de Investigação e de Intervenção Social-IUL

E riem, claro

13 Maio, 2015

O senhor Tsipras recebeu uma delegação das mais de quinhentas empregadas de limpeza do Ministério das Finanças que o seu governo reintegrou.

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Tendo em conta que o edifício do Ministério das Finanças é este
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Cada uma dessa mais de 500 senhoras limpa exactamente quantos centímetros por dia?

Ato irrefletido tornado em contrato de fato

13 Maio, 2015

A deceção suscetível pela adoção ótima do acordo ortográfico, cuja conceção permite minimizar corrutas receções nos significados coletivos, é reação do setor que atualmente acha bem a exceção direta como projeto fracionário do ato comunicacional.

Passando a mão pelo pelo do gato persa adquirido no Egito pela mulher de macrosaia, para para pensar se pega na pera ou se pega a pega pelada, a quem paga, tal o enjoo que leem sutilmente no ato pecaminoso de ponta sem nó.

Se ata em ato de atar o cordão do batismo onipotente de ser divino com o súdito, o aspeto heroico de joia da coroa, como antes em Troia, e como cantamos enquanto andamos, torna a segunda feira na feira que antecede a terceira, plurianual, nem que ao deus-dará, de uma extinção do fim de semana no fim da semana quando usamos o polo na Azoia em pleno voo de verão, como verão se cá estiverem no verão.

E se é obrigatório nunca pode ser acessório, por muito meritório que pareça quando visto do oratório de onde se decreta a grafia de mictório.

A explicação científica para a derrota da esquerda

12 Maio, 2015

Diz-nos Tiago Barbosa Ribeiro no Facebook:

A derrota do Labour junta-se a outras que a esquerda social-democrata tem vindo a somar na Europa. Ao longo dos anos participámos na construção de um colete de forças e depois decidimos vesti-lo. Agora não o conseguimos tirar. Certezas, só uma: a ideia que a esquerda socialista só resistirá transformando-se numa versão pálida da direita é a garantia de que a direita continuará a governar mesmo quando perder as eleições.

Não faltam explicações para a derrota dos trabalhistas mas esta é a melhor e pode ser assim explicada:

As pessoas queriam tanto um partido de verdadeira esquerda que tiveram que votar na direita. A culpa é da esquerda, que é tão de direita que só votando na direita se pode voltar a ter esquerda que seja esquerda, obrigando a direita a ser também mais esquerda, mas sempre à direita da esquerda. No fundo, a culpa é da direita, que obriga a esquerda a ser menos de esquerda e a com isso perder eleições.

Email aberto ao doutor Barreto Xavier

12 Maio, 2015

Doutor Barreto Xavier,

Li o seu texto no publico.pt e fiquei com algumas dúvidas que gostaria de ver respondidas. Se ajuda à decisão de responder ou não a este humilde cidadão, adianto que fui eleitor dos que permitiram a sua nomeação e que me encontro com faculdades físicas e psicológicas para ir votar novamente nas próximas eleições.

O doutor refere coisas muito interessantes sobre direito de autor e propriedade intelectual; infelizmente, não aborda a questão relevante para esta discussão, a introdução de uma taxa para o exercício de um direito, a saber, o direito já mais que consagrado a cópias privadas. Não queria ter que definir o vocábulo “privado” para afastar este texto das teorias metafísicas tipicamente socialistas que a nação tanto gosta. Repare, o doutor escreveu um texto em que me acusa de pirata e, pior ainda, de mau gosto, como se eu tivesse que pagar uma taxa à Ana Malhoa pela pen que meto no meu carro com ficheiros obtidos a partir do meu Bitches Brew. É que nem sequer vejo a relação entre os dois artistas. Entendo a sua solicitude para tentar ressarcir autores de roubos que possa ter feito mas, como eu não roubei nada, considero um abuso que me conceda agora, mediante uma taxa, o direito a colmatar esse défice de assaltos sancionados pelo estado. Não me sinto confortável com isso.

Deve ser aborrecido, criar uma taxa e depois ter que a explicar recorrendo a coisas não relacionadas. Sugiro, na próxima oportunidade para justificar a já chamada Taxa Barreto Xavier (TBX), que recorra a uma dissertação sobre pesca com linha já que o efeito pedagógico é o mesmo para consumidores mas de grande mérito para quem pensa dedicar-se a esse desporto tão estratégico para o cluster do mar.

Como mencionado, as duas dúvidas que gostaria de ver respondidas são as seguintes:

  1. Para que serve a taxa agora criada sobre suportes que possam ou não ser receptores de cópias privadas se tal cópia já é permitida e, em muitos casos, condição necessária para a compra (por exemplo, numa loja de ficheiros digitais)?
  2. Porque explica a taxa pela cópia privada como se esta fosse decorrente de aquisição ilegal do conteúdo, excluindo todos os casos em que a aquisição é legal?

Gostaria de deixar bem claro, porém, que este texto é de minha autoria e que, se o está a ler, é portador de uma cópia privada deste, algo que me deixa incomodado por não ter recebido parcela da taxa que o doutor criou para esse efeito. Agradeço ser ressarcido o mais brevemente possível.

Cumprimentos,

Vitor Cunha

Não TAParemos os olhos

12 Maio, 2015
Um autêntico avião.

Um autêntico avião.

Call Girl, o filme de António-Pedro Vasconcelos, é o 6º filme português mais visto no período 2004–2015 (Maio). Com uma receita bruta de 1.034.687€ obtidos em 7.138 sessões que levaram 232.581 pessoas esperançadas em ver mamas e rabo da Soraia Chaves ao cinema, não conseguiu bater o número de espectadores que foram ver mamas e rabo de Soraia Chaves em O Crime do Padre Amaro, o filme português mais visto no período representado*.

Combinando os dois filmes principais de mamas e rabo da Soraia Chaves, obtemos uma receita bruta de 2.678.529,88€. Mais, supondo que mamas e rabo geram a mesma receita, podemos estabelecer que uma mama gera meio rabo de receita ou, como é conhecida esta unidade, uma nádega.

Supondo um sistema linear e extremamente básico, como é apanágio do movimento “não TAPe os olhos”, tudo que é necessário para que António-Pedro Vasconcelos consiga colmatar o dano de 30 milhões de euros com a greve, valor apontado pelo sindicalista Santinhos, é a apresentação de 22 filmes com mamas e rabo da Soraia Chaves com custo zero de produção.

Isto é algo que todos apoiamos e a que não TAParemos os olhos. Mãos à obra.

Traduzindo

12 Maio, 2015

Portugal desce no ranking dos direitos de homossexuais e transgénero A falta de avanços legislativos no que diz respeito à parentalidade é uma das explicações para a descida de Portugal na lista da ILGA-Europa. Foram avaliados 49 países

Por outras palavras um determinado grupo, no caso a ILGA-Europa, tem uma visão sobre a sociedade. Faz um ranking dos países que mais se aproximam ou afastam desse modelo. Mas é só isso. O ranking é dessa associação que se representa a si mesma. “Os avanços” são objectvos dessa associação e para outros não são avanços alguns mas pelo contrário recuos.

Mistérios portugueses

12 Maio, 2015

Há coisas surpreendentes neste país: Mafamude a “universidade columbófila”», os artigos do dr. Soares (o de hoje não apela aos geólogos para que travem os sismo causados pela desregulação dos mercados fica-se pelos cubanos que fazem operações) e estas contendas que nem sei como classificar. Algo me diz que há gente com tempo a mais.

Da cópia (1)

11 Maio, 2015

O governo e a maioria parlamentar nunca conseguiram explicar porque se deve pagar uma «contribuição» aos negociantes de direitos de autor por algo que o consumidor já pagou; nunca conseguiram demonstrar ou quantificar eventuais prejuizos pela cópia privada; nunca conseguiram explicar porque estando tal materia em revisão na UE se vai legislar agora; nunca conseguiram explicar porque raio e com que fundamento constitucional deve um consumidor pagar um imposto que reverte integralmente para outro particular.

Apesar disso, a maioria dos parlamentares aprovaram bovinamente o imposto da cópia privada.  Porque motivo? Ignorância não foi pois foram devidamente avisados. Burrice apenas? Creio bem que  a razão é mais comezinha:  a pressa e urgência na aprovação desta medida tem precisamente a ver com as futuras alterações no quadro europeu e na óbvia ilegalidade da medida. É que enquanto a coisa durar, por pouco tempo que seja, uns quantos irão receber umas dezenas de milhões de euros. E há aí eleições, os partidos precisam de financiamento a troco de alguma medidas que contentem as corporações de parasitas.

Pode explicar

11 Maio, 2015

Mas senhor Secretário de Estado quanto é que os autores recebem ao certo desta taxa? Como são os autores remunerados para usar o termo tão caro aos autores desta legislação?
É que escrever páginas sobre os direiutos de autor não é difícil. Difícil pq até agora não o fez é explicar para quem vai o dinheiro.

Com um lento suspiro

11 Maio, 2015

Como centuriões marchando na Tessália, Tsipras e Varoufakis prometeram irrigar a região com o amor que brota da vontade de um Domingo à tarde regado pelo ócio e enriquecido de spanakopita capaz de deformar os braços de Popeye, o marinheiro analfabeto que salva a subnutrida Olívia dos braços teutónicos de Bluto, a força bruta desprovida de chico-espertismo e antítese de sex symbol, tal como a própria Olívia. Foi um entusiasmo delirante, fazendo o Público abrir os cordões à bolsa no decreto de fim da austeridade (algo que não faziam desde Hollande, altura em que se enganaram mais uma vez, ao ponto de não se poder imputar tal asnice a ingenuidade e sim a masoquismo).

Um governo Syriza, um governo que faria a Europa vergar-se perante a omnisciência de rigor científico que envergonharia prévias decisões austeritárias castradoras da vontade humana, como o PEC 4, levando o planeta para um grau de desenvolvimento só equiparado à descoberta de um monólito por macacões barulhentos no filme de Kubrick.

Also Sprach Zarathustra, Strauss olímpico, a revelação, o mundo transformado no amanhã de ontem, o ontem de sempre perante a construção do hoje que é futuro. Mobilizar Portugal, induzir Grécia, capacitar Espanha, resistir Alemanha, lei de Ohm para os anais da obsolescência, o Syriza chegou. Agora Podemos!

O entusiasmo foi tanto que cansou. Assim, literalmente, como em fadiga crónica. Hoje dizem que podem chegar à acordo mas ninguém acredita. Ninguém acredita nem ninguém quer saber. Cheguem a acordo, fracassem, comam o monólito ou dancem nus sobre o túmulo ou a rotunda bruxelloise de Schuman, é que ninguém quer mesmo saber. Não só ninguém quer saber como toda a gente se enfada, ressentindo quem, como eu, pega neste assunto, que já não interessa, que é indiferente, que entusiasma tanto os europeus como o segredo de justiça não entusiasma o intestino do doutor Ferro Rodrigues.

O Syriza sempre serviu para alguma coisa; serviu para substituir a tragédia abrupta pelo longo e continuado suspiro do moribundo que, pela habituação, não impede quem quer que seja de ir almoçar. Mas não foi só o Syriza que se tornou irrelevante: foi todo o marxismo recauchutado do #OccupyYourOwnFatAss, desmoronando a perspectiva espanhola de idiotas no poder, só chegando, como sempre, um pouco atrasada a Portugal, que ainda vibra com a hipótese de um dia ler Piketty, o trambolho que substituiu as Páginas Amarelas, tantas são as páginas para o calor insustentável do Rato. Ao menos um SMS lê-se depressa.

Ideia para concurso televisivo

10 Maio, 2015

Um programa que consiste em pessoas mostrarem o talento que julgam possuir para a interpretação da Constituição perante júri especializado em equidade, igualdade e justiça social.

Ninguém é rejeitado e não são permitidas comparações entre indivíduos, quer outros concorrentes, quer outras pessoas consagradas pelo mérito de servirem o Estado. No fim, não se procede a qualquer eleição ou deliberação sobre vencedores: todos vencem. Porém, no segmento final de cada episódio, será determinado um perdedor que consiste na pessoa que, pela sua existência, atenta contra o pleno desenvolvimento da igualdade entre os homens de boa vontade. A votação será realizada por normal SMS.

Mais se determina que o perdedor será sempre equiparado ao cidadão Cavaco Silva e que este terá que ser humilhado através de efeito de pós-produção que lhe apense um nariz de Ferreira Fernandes.

A ler

10 Maio, 2015

O texto de José Carlos Fernandes sobre a “ intrigante a benevolência e unanimidade com que os media costumam acolher cada novo disco ou livro dos grandes nomes consagrados”.

A verdade a que temos direito

10 Maio, 2015

mirror.750
Pode ou não concordar-se com a posição do Daily Mirror mas a capa é indiscutivelmente boa. Contudo em Portugal nunca se faria uma capa destas. Nós somos todos oficialmente neutros. E confundimos esses estado de sonsismo a que chamamos neutralidade com rigor e independência. Ninguém toma posição a favor ou contra.Na prática a hipocrisia reina e quando a realidade não é compatível com a ideologia omite-se. Mete-se em letras pequeninas. Arruma-se num cantinho. Faz-se quase de conta que afinal não aconteceu nada.