O curioso caso das orelhas de abano do Cosme
Anda toda a gente indignada, como é habitual, desta vez com umas orelhas paquidérmicas num programa televisivo da SIC e que não inclui – surpreendentemente – o doutor Adão e Silva. Se este assunto não o entusiasma, pode indignar-se com outra coisa qualquer, só não caia na tentação de achar por bem dizer que algo está assim-assim: não precisamos de optimistas sem noção do mal que fazem ao negócio da indignação.
Aparentemente, na pós-produção, meteram umas orelhas animadas e genericamente abonadas – mesmo para a geração botox – num concorrente dos Ídolos, um programa televisivo que pretende encontrar pessoas para serem idolatradas por outras pessoas, isto de acordo com o nome. Um dos problemas dos ídolos é que há sempre quem não goste deles: quem nunca desenhou um bigodinho hitleriano no Portas, um pénis ao 25 de Abril para o Parque Eduardo VII ou uma ruga cansada na testa do Sócrates que atire a primeira pedra. O problema aqui é que se trata de um menor com algum atraso no desenvolvimento mental, como se comprova em termos hereditários pela autorização concedida pelos pais ao permitirem explicitamente que desconhecidos de um juri televisivo assumam o dever paternal pelos segundos suficientes para poupar o mundo de cantorias futuras. Bem, isto sou eu, que tendo a proteger os meus filhos de potenciais embaraços. Eu sei: um pai à moda antiga, pouco compatível com o mundo moderno da idolatria by proxy.
Bem, a SIC não se portou lá muito bem. Era óbvio que o miúdo ia ficar traumatizado, eventualmente lembrando pais e educadores que uma determinada quantia – em dinheiro, cheque não! – é terapia adequada para travar a insustentabilidade da espiral de sofrimento. Vai daí, arranja-se logo uma cena virtual, das que não exigem muito trabalho a preencher, como o pessoal da esquerda indignada e unionista conhece, tipo petição, e isto só termina quando o Presidente da República em pessoa excomungar para sempre o mau gosto televisivo (eu começaria pela RTP, mas isso é outro assunto).
Quem ainda não parece estar traumatizado com as orelhas de burro que os indignados lhe metem é o Cosme. Confesso, não sabia quem era a pessoa mas, entretanto, já vi a sua foto esparramada em tudo que é jornal, como é suposto acontecer sempre que alguém se indigna sem se preocupar com as consequências da sua indignação para o indignante. Aparentemente, até a procuradoria geral da república, cansada de coisas pouco importantes, vai investigar se o professor Cosme tem opiniões que publica. Eu podia ajudar dizendo já que sim, que publica opiniões. Isto da investigação é um risco enorme porque há sempre a hipótese de haver um investigador inteligente que chegue à conclusão que, afinal, o Cosme estava era a gozar com os indignados, o que seria indignante.
Mas quem me garante que o Cosme não está mesmo traumatizado em casa, com vergonha de sair à rua, ansioso que a petição ao senhor Presidente da República feche de uma vez por todas os blogues?
A minha proposta de resolução deste problema é a SIC comprometer-se a meter umas orelhas de burro no Cosme enquanto o miúdo aplaude e não se fala mais nisto. Outra hipótese é em dinheiro, cheque não.
E se alguém se atrever a pensar acontece-lhe o quê?
SMS do leitor

Para o lixo
Todos os dias António Costa faz mais uma promessa com impacto macroeconómico ou orçamental que não está prevista no cenário proposto pelos 12 economistas socialistas. Novos escalões de IRS, reposição de feriados, reposição das 35 horas, manter a TAP, sujeitar a gestão da Carris/Metro aos interesses da câmara de Lisboa, etc. Passaram 15 dias e o cenário já pode ir para o lixo.
49%
E você, quantas dezenas de milhões estaria disposto a dar pelo buraco da TAP, para ficar a ver os gestores nomeados por António Costa a mandar no seu dinheiro?
Esticar a lata
Um truque habitual de António Costa, basear uma declaração numa mentira, a presumir a ignorância e estupidez do eleitorado:
O secretário-geral do PS [António Costa] afirmou hoje que um dia se perceberá porque é que «esta legislatura tem sido devidamente esticada para que este Governo, à última da hora, possa fazer tudo aquilo que em desespero está a procurar fazer». (link)
Palhaço!

“Conseguimos infligir um dano de 30 milhões de euros na companhia e penso que isso não devia ser desvalorizado pelo Governo”, disse Hélder Santinhos.
um breve esclarecimento
Sobre o sistema eleitoral inglês, o mesmo é quase dizer, o seu sistema de governo, e que anda aí a incomodar tantos «democratas», que só depois da tareia ontem infligida ao Labour e ao Lib Dem pelos Toryes é que se parecem ter dado conta da «perversidade» da coisa. Então, vamos lá a ver
: o Reino Unido é uma monarquia constitucional onde o chefe de estado não é mais do que um símbolo da unidade das várias nações e estados que compõem o reino. Não dispõe de quaisquer poderes políticos, o que garante a democraticidade do sistema (que tanto aflige a «ética republicana»), que estaria obviamente em causa se um órgão político sem representatividade democrática tivesse efectivos poderes de soberania. Nestas circunstâncias, o sistema de governo inglês (ou de qualquer outra monarquia constitucional) só poderia ser parlamentar, porque, obviamente, a intervenção executiva do chefe de estado seria sempre impossível, para salvaguardar o princípio democrático. Ora, deste modo, a governabilidade só seria alcançável se se formassem maiorias parlamentares com facilidade. Daí o sistema eleitoral de círculos uninominais, com eleição numa volta por maioria simples. Esse sistema privilegia a governabilidade em detrimento da representatividade proporcional plena, que no Reino Unido tem sido quase sempre uma realidade, contribui para a consolidação dos grandes partidos e para o voto útil, mas deixa sem representação directa muitos eleitores que, de resto, sabem muito bem que esse é o risco que corre o seu voto em partidos mais pequenos. Contudo, o sistema não é impenetrável, como se demonstrou com a perda da posição de partido de governo dos Whigs, por volta da década de 20 do século passado, em favor do Labour (os verdadeiros liberais migraram, entretanto, para os Tories, tendo ficado o Liberal Party com uma panaceia de «liberalismo» social, ou seja, uma social-democracia). Todavia, este sistema que, como todos os outros, terá os seus pontes fortes e os seus pontos mais fracos, faz do Reino Unido a democracia constitucional mais antiga do mundo e uma das mais estáveis. Comparar isto à Venezuela de Chávez, só por um grande, grande desgosto, ou pela sensação de que o pior ainda está para vir. Mesmo com sistema proporcional…
razão tem o dr. antónio costa
Pela TSF o dia também tem sido de profunda tristeza e desolação. Mas nada como um passeio matinal por Londres e umas entrevistazinhas feitas a cidadãos anónimos para retemperar o ânimo: não é que, mesmo após uma maioria absoluta conservadora, a TSF só conseguiu encontrar
eleitores «disappointed» com o resultado? Coisa espantosa, de facto, a merecer
explicação científica, quiçá sociológica (alô, alô, Professor Boaventura…), mas o melhor que se conseguiu foi um tal Richard que disse ter votado nos conservadores por eles serem «the devil you know», ou seja, o «mal menor», na linguagem menos rebuscada de um outro anónimo transeunte. Mas um mal, sem dúvida um mal. Já Frank, um londrino que não está para graças e que fecha esta útil reportagem, está seguro de que Cameron deu uma «chapelada» na contagem dos votos, e que só por isso «ganhou» as eleições. O dr. Mário Soares certamente gostaria de conhecer
este bravo súbdito de Sua Majestade.
Razão, razão tem o dr. António Costa nas suas elevadas considerações sobre a classe jornalística nacional.
Escolher pessoas ou escolher pessoas pela rejeição?
Se em Portugal existissem círculos uninominais correspondentes aos concelhos, os deputados eleitos em 2011 seriam como mostrado na tabela (exclui Açores e Madeira). O que representa melhor as pessoas, os que escolheram ou os 3º e 4º classificados num dado círculo eleitoral?
Em qualquer dos casos, para a existência de círculos uninominais, seria necessário refazer os próprios círculos e a lei eleitoral, a tal que obriga a estar bem caladinho no Sábado que antecede o grande dia, não vá uma pessoa mudar de ideias e votar mesmo bem.
Adenda: como o leitor Zé N. reparou – e bem – faltam 3 concelhos na minha tabela, que foi construída a partir de uma lista “grosso modo” de 2011. O post pretende ser meramente ilustrativo. Círculos uninominais não poderiam ser construídos com concelhos na sua forma actual (Barrancos, Alcoutim, Castelo de Vide, etc, nunca poderiam eleger o mesmo número de deputados que Lisboa, Sintra, Gaia, Porto ou Cascais).
Algum rigor, por Toutatis
Mas, Carlos, o Reino Unido não tem qualquer relação com Portugal, ao contrário da Grécia, nosso velho aliado na luta contra a usura dos mercados que destroem as nossas praias, provocam cataclismos da natureza e geram austeridade que mata, como diz o Papa Francisco.
Com a Grécia assinamos um tratado em 1373, o mais antigo tratado em vigor no planeta. Este tratado permitiu que a Grécia mandasse para cá o duque de Wellingtonopoulos para combater as invasões austeritárias do Kaiser Napolöwe.
Sem esse e o tratado dos panos e vinhos de 1703, nunca teríamos as caves de metaxa do Porto. Algum rigor, por favor.
mas uma grande primeira página
De jornalismo, no mesmo Público de hoje, na qual o redactor emerge no teor substantivo da manchete, para melhor a demonstrar
. No caso, sobre os malefícios do professorado de português mal preparado ou mesmo analfabeto: «Mais de metade dos docentes que realizaram os testes de avaliação (…) tiveram nota negativa». Jornalismo de primeira água.
em estado de negação
Foi como permaneceu a redacção do Público, ao longo de toda a noite de ontem, com a vitória do «bafio» (Carlos Zorrinho, um enorme democrata, dixit) conservador inglês. O estado de choque permanece na edição de papel de hoje. O Eng.º Belmiro de Azevedo devia cuidar melhor da saúde emocional dos seus colaboradores.
Primeiro estranha-se. Depois entranha-se.
No Insurgente Carlos Guimarães Pinto fez este eloquente levantamento sobre o tratamento das vitórias eleitorais pelos jornais portugueses
ao cuidado do dr. antónio costa
imprescindível
A leitura deste post de Luís Menezes Leitão, sobre a «bondade» da redistribuição fiscal anunciada por António Costa:
Depois não digam que não foram avisados.
farto
António José Teixeira e Pedro Adão e Silva compõem o painel escolhido pela SIC-Notícias para falar sobre o discurso de Pedro Passos Coelho no encerramento das comemorações do 40º aniversário do PSD. Já não há pachorra para os comentadores televisivos do PSD!
se não pode dizer, então, não dissesse nada
Eis uma técnica muito comum em Portugal: insinuar coisas tremendas sem as esclarecer minimamente, alegando impossibilidade de as contar. Habitualmente trata-se de uma forma de deixar alguém à rasca, mantendo o «denunciante» cara de boa pessoa e de gente séria. Com a vantagem, para o autor do malabarismo, de não ser responsável por nada do que disse, embora tenha insinuado, nem poder ser obrigado a fazer prova ou demonstração seja do que for, por que, na verdade, não disse coisa nenhuma. Essa foi a técnica de emporcalhamento indiscriminado utilizada por Cândida Almeida, para «denunciar» a suposta benevolência utilizada no tratamento processual de Dias Loureiro, no caso BPN e, no meio disso, justificar a sua inépcia. Não sei se assim foi ou não foi, nem conheço nenhum dos protagonistas em causa para sugerir o que quer que seja. Todavia, já que está com o assunto nas mãos, Cândida de Almeida poderia aproveitar para também não explicar por que não andou nenhum dos processos que envolviam gente da política e que lhe passaram pelas mãos. Porque não foi somente o processo relativo ao envolvimento de Dias Loureiro no BPN que conheceu, nesse tempo, o fundo das gavetas do Ministério Público. Longe disso. Se a distinta magistrada se dispusesse a falar, certamente teria muito para contar. Mas não pode…
Diz Ferreira Fernandes, com a maior das normalidades, que um político não admite o tom usado por um jornalista. Está bem, o respeitinho é bonito.
Nota: este post é um exercício do direito à fala.
a importância relativa dos sms
Um sms enviado, há quase dois anos, por Passos Coelho a Paulo Portas, justifica uma primeira página de um jornal diário dito de «referência». Já um sms enviado há dias pelo líder da oposição, que quer ser primeiro-ministro daqui por seis meses, a intimidar num jornalista que escreveu umas coisas menos agradáveis sobre o seu partido, não merece mais do que um comentário a latere num artigo de opinião, que o qualifica como um acto «banal» de «exercício de liberdade de expressão». Uns verdadeiros artistas, estes rapazes.
A inexistência de humoristas de direita, assunto bem analisado por Rui Ramos, deve-se, sobretudo, a um factor importantíssimo: não há piada nas consequências de brincar com o esquerdismo. Não há rol de pessoas mais sisudas, conservadoras, casmurras e sem graça do que na esquerda que sente necessidade em se afirmar de esquerda.

A sério, com este ar sisudo, não dá vontade de rir?
“Eu sou de esquerda” repetido causa o mesmo efeito que causaria um “eu sou muito honesto” numa carta enviada da prisão. Se nunca ouviram tal coisa é porque os vossos amigos já não estão para vos aturar, algo que tanto acontece porque também têm essa necessidade patológica de afirmação – o que gera purgas – ou porque, simplesmente, ainda têm esperanças que percebam quando estão a ser ridicularizados silenciosamente. O método tradicional de um indivíduo que se diga de esquerda – a cada intervalo entre pestanejos – para encarar críticas é algo que vai do SMS insultuoso ao extermínio em massa. É tudo uma questão de escala. O que poderia ser cómico num indivíduo que tem na sala um busto de Lenine? No fundo, tudo, mas só até o indivíduo ter poder suficiente para exprimir o seu repúdio da forma mais apropriada, algo entre a perda de um emprego à perda das unhas com alicate ferrugento (o que, no último caso, o impediria de dádivas de sangue). O esquerdista tem muito orgulho em si próprio e não admite criticas, que encara sempre como um julgamento de carácter.
Além disto, é tudo uma questão de mercado. Com tanto humorista escatológico com procura, um humorista de direita seria só alvo de chacota pelos intolerantes esquerdistas, algo que desmotiva quando a melhor perspectiva de sucesso é uma plateia de meia-dúzia de pessoas que já leram um livro sem figuras.
Podiam existir humoristas de direita mas – que fazer – toda a gente tem que ganhar a vida. O SMS do Costa é a ilustração perfeita do sentido de humor de um esquerdista. É cómico, excepto para quem o recebe. À direita restam os artigos do doutor Soares sobre o Obama, o que tenta lutar contra a natureza que se revolta pela usura capitalista da exploração petrolífera que causa cataclismos geradores de austeridade que mata, como bem diz o Papa Francisco. Quem não acha piada a isto é um sisudo esquerdista.
Papa Francisco; “Mas porque é que mulheres devem ganhar menos?”
A lei da cópia privada volta a atacar
O parlamento vai discutir novamente, na próxima sexta-feira, a infame lei da cópia privada, que o Presidente, em boa hora, vetou há pouco mais de um mês. Espero que os deputados da maioria tenham, desta vez, o decoro de enterrar definitivamente um dos exemplos mais aberrantes de “rendas injustificadas”.
Eu vejo discriminação em todo o lado!

Anda por aí uma celeuma bastante palerma sobre dádivas de sangue. É o costume, é Portugal, não há nada de verdadeiramente relevante para discutir. Pelos vistos, pessoas que pertencem a grupos de risco são convidadas a não dar sangue, vá-se lá saber porquê. Isto são más notícias para activistas familiares de pessoas que fizeram piercings há menos de 12 meses, portadores da doença de Creutzfeldt-Jakob, dementes em geral ou pessoas que sofrem de psicoses graves, nomeadamente a de encontrarem motivos de indignação por discriminação em tudo e mais uma batata.
Para saber mais sobre critérios para dádiva de sangue, a ILGA Portugal disponibiliza um documento informativo que deverá consultar antes do próximo episódio psicótico mediático.
Afinal é fácil de resolver
Freitas do Amaral diz que “pagar tudo” é a solução para papel comercial no BES
Vou resumir o problema do papel comercial:
1. Clientes do BES compraram papel comercial de empresas do GES.
2. O GES faliu, pelo que não pode pagar o papel comercial.
3. O BES faliu,pelo que não pode pagar o papel comercial.
4. O Novo Banco é do Fundo de Resolução (que indirectamente é detido pelos bancos nacionais).
5. Se, por milagre, o Novo Banco for vendido acima do valor nele injectado pelo Fundo de Resolução, o lucro reverte para os credores e accionistas do BES.
6. Se o Novo Banco pagar o papel comercial (não sendo essa a sua obrigação, é uma obrigação do GES) os accionistas do fundo de resolução têm todo o direito de exigir uma compensação. A quem a exigem? Ao contribuinte? Ao Freitas do Amaral?
7. Se o Novo Banco pagar o papel comercial e se isso prejudicar a mais valia a que o BES tem direito, os accionistas do fundo de resolução, os credores do BES e os accionistas do GES (incluindo o Ricardo Salgado) podem exigir uma compensação. A quem a devem pedir? Talvez ao Freitas do Amaral.
Está bonito está
Nicolau Santos no Expresso Curto de hoje: “a possível bomba não passava de um embrulho com roupa que terá caído de um carro. E felizmente para o país, desde 1975 que não rebentam bombas em Portugal.”
Não sei o que vai na cabeça do Nicolau Santos mas se se deixasse de teorias da conspiração tipo já sei ao vem o Observador e lesse o arquivo do Expresso até que lhe fazia bem. Assim para começar pode pesquisar Rede bombista e FP-25. (Isto para não entrarmos nas polémicas com a morte de Sá Carneiro. ) Em Portugal não só rebentaram bombas como causaram vítimas.
Blasfémias no Facebook
Após uma pequena falha técnica, resolvemos a actualização automática da página do Facebook do Blasfémias. Agora já pode seguir o blogue no Facebook bastando fazer like (não custa nada, nem tem que gostar mesmo, pode fingir).
Gostaria de salientar que esta correcção foi efectuada sem necessidade de SMS.
“Tiroteio junto a conferência anti-islão faz dois mortos no Texas No encontro, organizada por um grupo conhecido pelas suas posições islamófobas, estavam cerca de 200 pessoas.” — PÚBLICO
Os desqualificados
Na sequência da reestruturação de links do Expresso, não é possível linkar para o artigo original, restando esta versão em cache. Decerto, ao abrigo da normalidade, será uma situação meramente transitória.

Analisando a linguagem usada, eu diria que sim, que o SMS é do mesmo António Costa.
os contribuintes são eternamente generosos
«Governo perdoa 85 milhões ao Novo Banco»
Tem lógica. O governo, usando o dinheiro dos contribuintes, mediante este «perdão» reconhece mais uma vez os elevados serviços prestados ao país por mais um relevante membro do sistema bancário. Sistema esse que nos últimos tempos tanto tem dado ao país (ou é ao contrário)?
Estrela Serrano faz doutrina
Um momento broeiro e a reputação de um jornal
O doutor Costa, vencedor antecipado das eleições legislativas no isto-não-se-aguentismo desde – pelo menos – Setembro de 2012, reconhecido pela destreza com que escolhe políticas – não necessariamente bíblicas – para o fim anunciado da austeridade pelos profetas Hollande e Tsipras (só para mencionar dois exemplos), assim como pela dificílima tarefa de encontrar o candidato presidencial mais redondamente preenchido de vácuo, demonstrou que também é broeiro ao enviar um SMS irado ao director-adjunto do Expresso, João Vieira Pereira.
Quem também é tido nesta história é um director do Expresso, Ricardo Costa, pessoa responsável pela manutenção do estatuto editorial do jornal, que reza, no seus 7º e 8º parágrafo:
É sabido que Ricardo Costa colocou o lugar à disposição quando António Costa foi aclamado vencedor na operação “bandarilhar o Seguro”. Agora parece evidente que António Costa interpretou este “colocar o lugar à disposição” como “estou à tua disposição”, uma interpretação típica em megalómanos heliocêntricos. Senão, como justificar a ausência de uma nota da direcção sobre o SMS do candidato a Primeiro-Ministro que destrata um jornalista e director-adjunto, caracterizando-o como pessoa que não é séria, um covarde desqualificado, inculto, reles insultador e ilegítimo opinador?
O jornal fica-se assim, após estas décadas de história, com um ataque a um seu jornalista e director-adjunto, como se fosse uma mera mensagem oriunda da taberna onde o taxista deixou o broeiro que a emitiu e não de um candidato a primeiro-ministro, em particular um candidato em posição de deixar o seu familiar directo debaixo de uma linha de fogo de suspeição inaceitável, denegrindo a isenção conquistada com anos árduos de trabalho, borrando um invejável CV com uma dúvida permanente de favorecimento da qual o próprio, oportunamente, tentou esquivar-se – e bem – pondo o lugar à disposição?
Continuo à espera. Não sou, certamente, o único.
Já se pode falar sobre os sindicatos?
Controlo de danos a partir isto tudo
Diz Estrela Serrano:
“Moral” desta história: o jornalista acha que dizer que um partido (leia-se o seu líder) tem falta de coragem, “ausência de pensamento político”, faz “política de tubo de ensaio”, “encomenda umas contas que não comprometem niguém” e outros mimos, não é um “julgamento de caracter”, antes pelo contrário é um exercício de “liberdade de pensar” mas se o alvo dessas apreciações reage, ai Jesus, que “estou a sentir-me condicionado e atacado na minha liberdade”.
É bom lembrar que a liberdade de imprensa existe para garantir a liberdade de expressão não apenas dos jornalistas mas também dos cidadãos, sejam políticos ou simples cidadãos. Fazer de virgem ofendida quando se dispõe de toda a liberdade para escrever e dizer o que se quer não se coaduna com vir depois protestar se alguém responde na mesma moeda. Lá diz o ditado “Quem vai à guerra dá e leva”.
Daqui se conclui que o SMS de Costa era suposto ser publicado, uma vez que – como admite a cronista – se trata de uma resposta na mesma moeda.
Sinceramente, costumam existir formas mais simples de direito de resposta, sem recorrer a “como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS”, mas Estrela Serrano, lá na ERC, talvez esteja habituada a este procedimento perfeitamente normal de “liberdade de imprensa” para “a liberdade de expressão não apenas dos jornalistas mas também dos cidadãos, sejam políticos ou simples cidadãos”. Lá diz o ditado “Quem vai à guerra dá e leva”.
O Expresso devia publicar o tal SMS especificamente como um direito de resposta. Manchete de primeira página: “Costa responde a desqualificado”.
Nota: este post, a coberto da confusão entre liberdade de opinar e imunidade de insultar, mesmo que degradando essa profissão respeitável por ser um desqualificado incapaz de ter opinião e discutir a dos outros, não recorre ao insulto reles e cobarde para preencher a coluna que me está reservada.
We had a problem Largo do Rato
escreveu esta crónica no EXPRESSO: Perigosos desvios do PS à direita. É um texto com o qual se pode concordar ou discordar mas em que não há traço de ofensa para quem quer que seja. António Costa viu nele um julgamento de caracter e resolveu mandar um SMS ao autor do texto. O conteúdo é espantoso. Na verdade parece uma variação sobre as cartas de Sócrates: todos contra mim, conspirações, houve um tempo em que não era assim…
Quem reage assim a um texto de opinião onde não há vislumbre de ofensa o que faria se lhe chamassem palhaço, gatuno, se um familiar seu adoecesse gravemente e um colunista lhe viesse dizer para não usar politicamente a doença, se divulgassem os dados pessoais de um dos seus filhos, se todos os dias dissessem que é burgesso, foleiro, inculto…?
Ou Costa não está a pensar ser primeiro-ministro de Portugal ou tem ideias muito estranhas para Portugal.
Da sociedade que pensa a sociedade

Carlos Amaral Dias, psiquiatra e professor, pai de Joana Amaral Dias, à revista Sábado, destaques meus:
Ser violada por um padrasto já é muito mau. Só faltava ter um filho da relação. Seria quase como o filme do Polanski, A Semente do Diabo. Era só o que faltava. Não vejo outra opção a não ser terminar a gravidez. E falo não apenas como psiquiatra, mas como cidadão. Ter este filho fere de tal maneira os nossos valores simbólicos que não poderíamos viver enquanto sociedade com essa decisão. Seria pactuar com um crime. Ter este filho do diabo seria a continuação de um traumatismo. Mesmo que ela tenha a fantasia, muito comum em pré-adolescentes e adolescentes, de querer ser mãe, o melhor é tirá-la da cabeça. [Essa fantasia] tem que ser vista como uma prova de imaturidade, de não ter capacidade para perceber o que lhe está a acontecer.









