Opinião sobre factos históricos não é difamação
Absolvido de difamação, João José Brandão Ferreira tinha dito que Manuel Alegre traiu a pátria:
O tenente-coronel João José Brandão Ferreira foi julgado por difamação por causa de artigos publicados em blogues, tendo o arguido reiterado em julgamento a tese que Manuel Alegre cometeu, aos microfones da rádio Voz da Liberdade, em Argel, traição à pátria, ao incitar os militares portugueses a desertar, ao conviver com os líderes dos movimentos de libertação de Angola, Moçambique e Guiné e ao ajudá-los na guerrilha contra as tropas portuguesas no Ultramar.
A juíza dos Juízos Criminais, citando jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e o direito consignado na Constituição Portuguesa à liberdade de expressão, considerou que Brandão Ferreira emitiu a sua opinião sobre factos históricos e que não se verificou o crime de difamação.
[…]
No final do veredicto, Manuel Alegre considerou a sentença “algo surpreendente”, porque “a liberdade de expressão não permite tudo”, designadamente que uma pessoa seja “difamada” ou seja alvo das “insinuações” em causa.Manuel Alegre adiantou à Lusa que vai recorrer da decisão por uma “questão de dignidade e de princípio”, insistindo que a “liberdade de expressão não permite tudo, não permite o atentado ao bom nome e à dignidade das pessoas”.
A propósito: Alegre associa Rangel ao partido Nazi
Pequenos senhorios subsidiam pequenas empresas
Ao fim de 2 anos, o governo decidiu mudar a lei das rendas de forma a que os pequenos senhorios ajudem as pequenas empresas a ter lucros. É bonito. Deve ser bom ter uma empresa em que os custos com as instalações estão congelados há 50 anos.
Emigrar para não pagar ao Papa

Isabel Moreira, pessoa que não emigrou.
Adriano Moreira diz que D. Afonso Henriques não pagou ao Papa.
Eu concordo com Adriano Moreira: em termos de dívida pública, também acho que não devemos pagar ao Papa.
O antigo presidente do CDS também explicou que a “miséria está a expulsar a pobreza” porque quando “emigra a pobreza, vai ficando a maior das incapacidades”.
Num outro assunto, Isabel Moreira não emigrou.
9/11
Cuidado: mamas à solta
Parece que há um problema em Coimbra com maminhas. Em concreto, porque estas foram mostradas em público (o que é mau) e, posteriormente, no jornal (o que é só informação). Como se tratam de alunas de Erasmus são maminhas importadas, o que também coloca em causa a capacidade deste país para produzir mamas passíveis de exibição pública que gere indignação.
O ambiente académico é reconhecido pela decência e decoro, não por deboche e exibicionismo. Uma coisa é fazer rastejar o cão que é o caloiro ou chupar bananas penduradas em braguilhas (tem valor nutricional); outra coisa é andar aí a exibir as mamas. Um mínimo de decência é o que se exige à geração mais bem preparada de sempre: é que uma coisa é rasgar as vestes à malta, outra é andar aí a mostrar as mamas a quem lê jornais.
Deixe-me dizer-lhe com toda a tranquilidade

Divulgação: Jantar de Apresentação – Instituto Mises Portugal

Caríssimos simpatizantes do Instituto Ludwig von Mises Portugal (IMP),
O Instituto tem o prazer de vos convidar para o Jantar de Apresentação da nova equipa do IMP. Serão apresentados os novos projectos do Instituto, nomeadamente um Ciclo de Conferências do Liberalismo que se avizinha.
O jantar terá lugar no Porto, no Restaurante Varanda da Barra, pelas 21h do próximo dia 19 de Setembro. É obrigatória a confirmação de presença, apenas sendo necessário mandar e-mail para contacto@mises.org.pt até ao dia 15.
Contamos com todos vós.
Saudações Liberais,
A equipa do Instituto Ludwig von Mises Portugal
não entenderam nada
Apesar da enorme desproporção do tempo de antena de Marina Silva em relação a Dilma Roussef, e bem sabemos que no Brasil, tal como em Portugal, é na televisão que se ganham e perdem eleições, é bem provável que ela as ganhe daqui por um mês e meio. Ganhe Marina ou ganhe Dilma, uma coisa, porém, é já certa: Aécio e o PSDB já as perderam, o que quer dizer, entre outras coisas, que o PT não teve, durante os doze anos que já leva a sua governação, uma verdadeira oposição à sua direita.
Em parte isto sucede devido a um dilema que, creio mesmo, a maior parte dos brasileiros com responsabilidades políticas ainda não entendeu. É que o Brasil dispõe de um sistema partidário que reproduz o dos EUA, no qual os partidos só têm verdadeira liderança e falam a uma só voz de quatro em quatro anos, em eleições presidenciais. Nesse compasso de tempo, não existe quem corporize e seja o rosto e a voz da oposição ao governo, sendo frequente assistir-se à divisão interna dos grandes partidos oposicionistas (essencialmente, nestes últimos anos, o PSDB e os Democratas), dizendo as suas chefias, cada uma delas, o que bem lhes apetece. Em contrapartida, o PT enxertou um corpo estranho neste modelo partidário, tendo desenvolvido um modelo de liderança europeia, com um protagonista acima de todos os outros – Lula da Silva – que, pelo menos na aparência pública, uniu o partido e determinou o rumo da governação (mesmo nestes quatro anos de Dilma, note-se), e que é o seu rosto visível para o eleitorado. Ora, o que sucedeu, ao longo destes últimos doze anos, foi que enquanto o PT tinha um líder e um rumo claro e uniforme, a oposição acabou por não existir, antes vegetando, nos partidos que não compunham a base governamental, múltiplas oposições, muitas delas mais preocupadas em guerrearem-se reciprocamente do que em contestarem o governo. O caso de José Serra é, a esse respeito, o mais expressivo dos últimos anos.
Mas este fracasso dos partidos sistemicamente à direita do PT tem um significado de maior alcance do que o que nos explicariam as simples questões internas entre personalidades. Na verdade, o que ocorre é que não existe qualquer verdadeira base ideológica, menos ainda uma visão – já não digo um programa – do que o Brasil deva ser fora da alçada tentacular e fisiologista do partido de Lula da Silva. Uma visão alternativa clara e um rosto que a protagonize. E é sabido que o mercado eleitoral privilegia, nas suas escolhas racionais e emotivas, a clareza e a frontalidade. Dito de outro modo, a convicção generalizada das pessoas é de que é relativamente indiferente estarem uns ou outros no poder, porque, fora do governo, não se diz nada que mereça particular atenção, e todos vão dizendo mais ou menos o mesmo, com receio de perderem eleitores (vejam-se, por exemplo, as posições do PSDB sobre os gigantescos programas assistencialistas do PT, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida). No fundo da questão, um fenómeno muito parecido com o que ocorre em Portugal: no Brasil, também a direita tem medo que julguem que ela não é de esquerda…
A vitória possível (não exactamente provável, em função da desproporção de meios de campanha) de Marina Silva terá, por isso, explicação fácil: ela é, goste-se ou não, um produto genuíno, ao contrário do «poste» Dilma Roussef, e configura uma alternativa ao que existe – a tudo o que existe -, ainda que ninguém saiba que alternativa é essa. E, se as pessoas podem recear o que não conhecem ainda bem, podem acabar por o preferir àquilo de que manifestamente não gostam.
Os decisores políticos brasileiros não entenderam nada do descontentamento popular que assolou o país no ano passado.
Uma explicação plausível

Candidatos em fuga da Engenharia Civil (Jornal de Notícias).
(foto JN)
Qual a diferença, à excepção óbvia da fotogenia e da ideologia dos carrascos, entre ter sido fuzilado pelo Che em La Cabaña ou num qualquer lugar da Síria por um membro do Exército Islâmico? Nenhuma. Isto do ponto de vista da agonia das vítimas. Já na forma como aqui, no conforto do Ocidente, vemos e julgamos os carrascos há diferenças substanciais. Na verdade não é o punhal das decapitações que nos aproxima ou afasta dos carrascos. Mas sim o seu discurso. E quanto mais ocidental este parecer maior será a nossa tolerância. O que nos leva a condenar ou a tolerar a barbárie não é a barbárie em si mesma mas sim a nossa afinidade com o carrasco. E por isso considera-se natural que andem por aí pessoas envergando a t-shirt do Che e inunda-se de insultos o facebook de uma banda rock que nos idos de 90 (ou seja há duas décadas!) acharam por bem escolher o nome ISIS para divulgar a sua música. Em boa verdade é tão só o velho Marx o que falta aos membros do califado para que os passemos a compreender, verbo que no ocidente cada vez significa menos estudar e conhecer, mas sim aceitar. (Tema do meu artigo de hoje no Observador)
Bel’Miro apoia António Costa
Apesar da omissão nos meios de comunicação social, há artistas que transcendem o mainstream e que também apoiam António Costa. É o caso de Bel’Miro, artista plástico e cineasta. Em 2012, Bel’Miro queixava-se da demora do subsídio do ICA para o seu filme “Arminda, a meretriz desdentada”, baseado no mashup da obra de 1879 de Camilo Castelo Branco, “Eusébio Macário” e do jornal A Bola.
Esta curta-metragem, “Kant e o Papagaio”, é uma síntese em 2 minutos da história de Portugal entre 1095 e 2014, com particular ênfase no período 1655–1659 (quase 5 segundos) e conta com a participação da Câmara Municipal de Arrabalde de Baixo.
António Costa está bem apoiado: Carlos do Carmo, Lídia Jorge, Camané, António Pedro Vasconcelos, Joana Vasconcelos, todos os outros Vasconcelos e Bel’Miro. Veja o filme:
Alert: The killing of the science of the Portugal science
Dear colleagues,
I’m writing of the murder of the science of the Portuguese research as the politics of these government. These government are killing the science and the research of the science because of the cuts of the fundings of the allocated budget of the ministery of the education for the development of the science. I am in behalf of my colleagues and friends in deep consternation for the murder of the science and of the culture of the Portuguese people of the account of the crisis of the credit of the European fundings for the development and growth of the country of the people of the various regions of the Portugal.
We must fight as citizens of the country for the science of the Portugal and for the very charecteristic form of the Portuguese which thinking they really know how to speak English are always employing the “of the” form of the ownership of things of someone.
Please pardon me of me being very stiff to the government of the country but I have suffered too many of theirs penetrative interference in the field of the science and of the research cutting and brain abandonment of the country.
Obviously I’m not intending the writing of this letter to signify to my foreign observers that Portugal is in fact making cuts of the budget and present myself as the living proof that our country is trying to achieve real substance of the necessary cuts and there for of making a fool out of unintended consequences of the letter of myself.
Your’s trulys,
VC
Bem me parecia
A avaliar pelo número de decoradores que se vêem deambulando pela IKEA a prática deve ser generalizada: Instantly customize your IKEA.
Entrevista i a João César das Neves. “Só há uma maneira de resolver isto: é não haver dinheiro”
Como é que se resolve o problema do crescimento económico?
Este é um problema da União Europeia e é complicado. A questão é que já não é possível, neste momento, gastar mais dinheiro, até porque as nossas abébias para promover o desenvolvimento não promoveram desenvolvimento coisa nenhuma, foram simplesmente para os bolsos dos do costume. Os EUA mostraram como é que isto se resolve. Temos de fazer estímulos de curto prazo e uma reestruturação brutal a médio/longo prazo que convença as pessoas de que estamos a olhar a sério para o défice e que queremos mesmo ter um défice que consigamos pagar, ou seja, zero. Só que estamos numa recessão ou a sair de uma recessão, queremos gastar algum dinheiro razoavelmente. Ninguém acredita em Portugal. O máximo era 3%, conseguimos, com um esforço, chegar a 4% e, como é óbvio, já estávamos a pedir 4,5%. Isto mostra que não fazemos a mais pequena ideia de qual é o problema. Em Portugal, ninguém está interessado em ter um Estado que consiga pagar. Mas é absolutamente indispensável, porque ninguém nos vai pagar o Estado que temos.
Como é que ficamos?
O que era absolutamente indispensável era ter juízo. O que a troika está a dizer não é estúpido, é essencial, e até devíamos fazer mais, porque a Alemanha não tem nenhuma responsabilidade de nos pagar. Nem os alemães, nem os franceses, nem ninguém, temos de ser nós a fazê-lo. E aqueles que são muito amigos do Estado, dos funcionários públicos, dos pensionistas, deviam ser os primeiros a querer ver isto feito. O governo muda daqui a poucos meses e vai à vida dele, nós ficamos cá, os contribuintes ficam cá sempre. Esta é a quinta emergência orçamental que temos nos últimos anos. O eng.º Guterres teve uma em 99 e fugiu, Durão Barroso teve outra em 2003 e fugiu, Sócrates teve outra em 2005 e fugiu, e já vamos na quinta. Isto de ir de estupidez em estupidez até à catástrofe final… Todos disseram que ia ser duro, mas que agora é que ia ficar resolvido. Não ficou e não se fez a reforma da Segurança Social, não se fez a reforma da administração pública, não se puseram as coisas no caminho da sustentabilidade. Ler mais…
Crime de tráfico de influências
O Sr V. sugere que consegue uns favores no ministério pedindo em troca de uns milhares de euros.
O Sr. C. sugere, a 600 fulanos, que consegue criar um ministério que prestará uns favores, pedindo em troca votos.
Para uma História da cultura em Portugal
Os Maias
O apoio financeiro atribuído a “Os Maias – (alguns) episódios da vida romântica” de João Botelho pelo ICA foi de 600.000,00€. De acordo com o produtor do filme, Alexandre Oliveira, da Ar de Filmes, o financiamento chegou aos 1.500.000,00€, com a participação do ICA, do Montepio, do Brasil [sic], e da Câmara Municipal de Lisboa.
João Botelho apoiou António Costa para edil lisboeta, é perfeitamente natural que o edil lisboeta apoie João Botelho nesta adaptação da obra do poveiro Eça de Queiroz.
“Os Maias – (alguns) episódios da vida romântica” estreia no dia 11 de Setembro.
avanços
Passei os últimos cinco dias em Paris, cidade que não visitava há muito tempo. Apesar da brevidade da visita, o tempo que lá estive foi mais do que suficiente para perceber a razão pela qual Marine Le Pen (e antes dela o seu paizinho) tem vindo a subir vertiginosamente nas intenções de voto dos franceses. Na verdade, um só dia teria sido suficiente para constatar a impressionante presença – em muitos pontos da cidade dominante – das comunidades islâmicas, que mantêm os seus hábitos de vida e tradições como se permanecessem nos seus países de origem. Por mim, que só lá vou muito longinquamente, a questão não me preocupa. E, embora, pelos resultados eleitorais da Frente Nacional, a coisa pareça preocupar um cada vez maior número de franceses, não tenho dúvidas que o assunto acabará por ser localmente resolvido, ainda que possa sê-lo da pior maneira, que é a que a FN preconiza com crescente sucesso. Infelizmente, é por chegar tarde a este género de questões, que o politicamente correcto acaba por proporcionar as piores soluções para problemas de previsibilidade muito razoável. Como o caso do chamado “Estado Islâmico”, que provocou, hoje, inflamadas declarações do Secretário-Geral da NATO, Anders Rasmussen, que nos garantiu que a Aliança impedirá que ele “avance mais”. Distração de Rasmussen. Em boa verdade, o estado islâmico, senso latíssimo, avançou muito mais do que indiciam as suas palavras: há muito que ele está muito bem instalado dentro das fronteiras que ele agora acha necessário defender.
O desafio europeu
A Europa e em muito mais pequena escala os EUA são as únicas zonas do planeta onde se subsidiam activamente as pessoas motivadas a destruir a mão que embala o berço.
O desafio europeu, se é que há um, não é o da integração europeia e sim o da sua capacidade de subsistir ao destino que traçou para si própria com a vergonha pela sempre inevitável e cada vez mais desejável ditadura da maioria a que se chama democracia.
Ocidentalismo
Anda muita gente pasmada com a ideia de ocidentais se sentirem atraídos por causas radicais, islâmicas ou de qualquer outra índole. A questão é relativamente simples: o que fazer quando deixa de ser necessário assegurar a próxima refeição, a que já é dado adquirido? Negligenciar a capacidade humana para a submissão a causas idiotas quando a sobrevivência diária deixa de ser uma propriedade nunca foi boa ideia. Em última instância, não há maior crítica às benesses decorrentes das facilidades para sobrevivência obtidas pelo estado social que as suas consequências a longo prazo.
A aldeia gaulesa da resolução bancária
Pacheco Pereira sobre o processo de resolução do BES:
Há muito aventureirismo legal (melhor ilegal) em todo o processo e tantas zonas vermelhas e cinzentas, tanta coisa feita em cima do joelho, e muita mais de legalidade mais que duvidosa, que todos, pequenos e grandes, do lado “bom” e do lado “mau”, têm vantagem em ir a tribunal, mesmo com uma justiça lenta como a nossa. E é evidente que a expectativa de litígios sobre litígios vai embaratecer ainda mais o lado “bom”, visto que ninguém se arrisca a comprar sem ter a certeza de que não fica com um bem enrodilhado por dezenas de anos em processos judiciais. A não ser que o governo se atravesse com garantias e dinheiro, o que já está a fazer e ainda vai fazer muito mais. É só esperar um pouco.
É curioso que os Estados Unidos tenham há anos processos de resolução bancária baseados nos mesmos princípios agora adoptados para o BES. Nos últimos anos, dezenas de bancos americanos passaram por processos idênticos ao do BES. É também curioso que as elites portuguesas tenham andado meses a pedir a união bancária, cujo principal pilar é a instituição de um mecanismo de resolução bancária exactamente igual ao do BES. Portanto, os dois principais blocos económicos do mundo desenvolvido têm, ou ambicionam ter, um processo de resolução bancária igual ao seguido pelo BES. Se estes processos de resolução bancária funcionam nos Estados Unidos e se se acredita que resolvam vários problemas na União Europeia, que conclusão é que se pode tirar quando alguém diz que os mesmos princípios quando aplicados em Portugal geram duvidas de legalidade e uma infinidade de processos em tribunal? Proponho as seguintes alternativas para responder a esta questão:
1. Os americanos e os europeus têm muito a aprender com a nossa cultura jurídica. Os processos de resolução bancária dos EUA e da UE violam princípios de justiça fundamentais e eles é que ainda não viram isso. Cabe-nos a nós portugueses impor a nossa cultura jurídica superior e explicar-lhes como é que as coisas devem ser feitas.
2. As culturas política, jurídica e económica portuguesas são incompatíveis com o capitalismo, sendo melhor desde já nacionalizar tudo.
3. Em Portugal, os processos de resolução bancária são impossíveis porque desata toda a gente a meter processos em tribunal. O melhor é o contribuinte pagar os prejuízos à partida. Poupa-se tempo.
4. Portugal tem excesso de soberania e o melhor é que a União Europeia tome depressa conta destes problemas. Pode ser que, sendo aplicados por uma entidade externa, os mesmos processos deixem de ser vistos como aventureirismo legal, uma trapalhada jurídica criada em cima do joelho.
As saudades
A língua portuguesa tem a honra duvidosa de, alegadamente, ser a única com uma palavra capaz de expressar o sentimento de “saudade”. Mesmo correndo o risco de qualquer linguista me contradizer, parece-me que a questão está mal abordada. O problema é que “saudade” não é verdadeiramente um sentimento, nem em Portugal, nem em lado algum. Várias línguas expressam melancolia (essa sim, é um sentimento) através de um verbo (I miss my dad), o que implica tratar-se de uma acção ou, em alternativa, de uma mudança de estado, uma alteração em relação ao estado normal. Em Portugal optamos pelo substantivo, algo que nos permite a inacção através do verbo “sentir”. Uma pessoa sente saudades, como sente frio, como sente fome. Além da tendência para o melodramático, atribuir a um verbo que implica uma acção o distinto prazer da subjectividade de um substantivo próprio, ainda por cima (alegadamente) não passível de tradução, permite-nos sentir coisas que não lembram ao Diabo, como etéreas saudades (só isto dispensa definição) de algo que nunca tivemos.
Um inglês diz que lhe falta algo (I miss dad) enquanto um português diz que tem saudades; ou seja, a ausência transforma-se em aquisição, uma pessoa passa a ter algo que não tinha antes. De uma certa forma, parece que se ganha com a perda, algo que me parece um excelente negócio, nem que no mundo da fantasia lírica do português.
Esta é uma das explicações para o frenesim em torno das primárias do PS e da vaga de fumo (imagem apropriada) para o salvador que se anuncia. Temos saudades do PS no governo, saudades do tempo em que se gastavam os impostos actuais e futuros, saudades da mentira como esperança e saudades de ter saudades de alguma coisa que imaginamos ter acontecido quando achávamos que tudo era mau na mesma mas que agora nos parece o Paraíso que nunca reconhecemos.
Por tudo isto, a crise é benéfica. Podem ter perdido rendimento mas, com isso, ganharam algo, passaram a possuir a saudade de quando tinham mais rendimento. Se fosse a vós consideraria começar a aproveitar o Paraíso de hoje porque, muito certamente, e muito em breve, terão saudades de 2014.
A melhor propaganda do mundo
A saber:
a) os países governados pela esquerda têm maior preocupação distributiva
b) os países governados pela esquerda corrigem desequilíbrios
c) se um governo tem preocupação distributiva é de esquerda
Ou seja mesmo que nos países governados pela esquerda os pobres acabem mais pobres e a nomenclatura mais rica há que reconhecer que a esquerda tem maior preocupação distributiva e corrige desequilíbrios. E é assim há décadas e décadas.
A estupidez tal como o bocejo é contagiosa
À Auxerre, les gâteaux «Bamboula» et «Négro» vont changer de nom
Les gâteaux «Négro» et «Bamboula» ne garniront plus les étalages d’une chocolaterie d’Auxerre… ou du moins plus sous ce nom-là. L’établissement, qui se défend de tout racisme, a tout de même accepté de changer le nom de ces deux produits après les protestations de deux associations. Ler mais…
Novo ano lectivo
Está aí mais um ano lectivo; mais um em que milhares de professores terão que lutar contra a autoridade perdida ao longo de muitos anos de perversão da vocação pela proletarização da profissão; mais um em que milhares de professores terão que lutar contra o permanente estado de reboliço revolucionário de colegas que tratam por tu, como camaradas, sabendo-se lá com quantos sapos engolidos, tudo para manter um equilíbrio entre a vocação e um periclitante bem-estar nas escolas progressivamente transformadas em extensões das ambições de poder político; mais um para a ladainha abrilista; mais um para organizar a-maior-manifestação-de-sempre de sempre, sempre em defesa da coisa pública e-ah-já-agora dos alunos, sabe-se lá como; mais um com jogos de culpa, de acusações, de irritações, de confusões, de centralizações; mais um para afagar o ego colectivista, centralista, unionista, anti-individualista-dos-outros-que-não-eu; mais um para a fátua discussão entre Übermensch e Übermensch-wannabe, trigo do mesmo saco, cara e coroa da mesma moeda.
Votos de felicidade e sincero sucesso para alunos, pais, comunidades. A maior força para os professores que ainda conseguem lamentar mais um destes anos lectivos.
Obras roubadas
A minha sugestão para actrizes com fotos divulgadas sem consentimento é que se inscrevam na SPA. Assim, sempre que um idoso comprar um computador para ver os netos imigrantes pelo Skype, as actrizes poderão obter uma justa compensação. Bem sei que ninguém tem direito de roubar fotos dos outros, mas não há motivo para se perder uma justa compensação através do ilícito alheio, particularmente em Portugal.
PL 246/XII
Já está no Parlamento a proposta de alteração da denominada Lei da Cópia Privada. Embora o texto final seja ligeiramente diferente do aqui divulgado, mantêm-se integralmente as certeiras críticas tecidas aqui ou aqui.
Nunca é demais recordar o que está em causa: a “compensação equitativa” que a proposta de lei vem acrescentar a um sem número de equipamentos electrónicos não serve para combater a pirataria, mas apenas para, alegadamente, compensar os autores e os titulares de direitos conexos dos danos por estes sofridos pela realização, legal, de cópias das suas obras.
Como o próprio preâmbulo da proposta salienta, “caso se verifique a existência de dano significativo para os titulares de direitos, incumbe aos Estados preverem a criação de uma compensação equitativa“.
Ora, a existência de tais danos está, no caso português, longe de estar demonstrada – e esta demonstração é indispensável para poder afirmar-se que Portugal estaria a violar a directiva caso não alterasse a lei. Ler mais…
Matrioshka de Antónios

A harmonia musical em todo o cânone ocidental leva ao conceito de acorde, a sobreposição de duas notas a uma raiz (ou tónica) separadas por intervalos de 3ª, compondo um conjunto que pode ser definido por 1–3–5. Estes números, claro, pertencem à sequência de Fibonacci. Uma oitava musical representa a duplicação de frequência da nota original. Quer 8 (da oitava), quer o 2 (da duplicação de frequência) são número de Fibonacci. A cor de um acorde, se é “maior” ou “menor”, é determinada pela proximidade da 3ª à raiz: maior proximidade, maior a tristeza. “Longe da vista, longe do coração”, já diziam os antigos. O meio caminho entre uma e outra oitava (o intervalo cuja distância para a raiz e a sua oitava é igual) denomina-se por trítono, o som do Diabo. O acorde Petrushka, do bailado epónimo de Stravinsky, é obtido pela justaposição de dois acordes maiores (felizes) cujas raízes estão separadas por um trítono, gerando assim uma dissonância de duas cores “felizes”. Nesta obra, Petrushka é uma boneca tradicional que ganha vida e consequentemente emoções. Em boa parte, Petrushka é recriada como a hipersexualizada Joe no filme Nymphomaniac de Lars von Trier (em dois volumes). No fim, a audiência fica sem saber o quão de Petrushka (e de Joe) é real.
As eleições legislativas regulares em Portugal originam um trítono: entre o cumprimento das 4 sessões legislativas e a tomada de posse do novo governo é usual o alargamento do intervalo de 4ª para 4ª aumentada. Como em Petrushka, só no fim do mandato 2015–2020 ficará na audiência o sentimento de dúvida sobre a essência da realidade. Até lá, venha outro acorde maior, aparentemente feliz na sua inócua justaposição de números de Fibonacci, sempre previsíveis mas com dificuldade de cálculo acrescida a cada iteração. Os Antónios prometem o fim da austeridade. De forma circular, e como Joe disse em Nymphomaniac, “each time a word becomes prohibited, you remove a stone from the democratic foundation. Society demonstrates its impotence in the face of the concrete problem by removing words from the language”.
Falta pouco para o segundo acorde maior do Petrushka, o que lhe dará a dissonância. Muito em breve testemunharemos a abolição da palavra austeridade, em preparação para o evento. A dissonância será obtida pela disjunção entre o que será prometido e o que será efectuado. E tal como Nymphomaniac, a história é contada em dois volumes.
Muito nos conta senhor vereador
Ao jornal I Sá fernandes declara a propósito dos brasões: “Não iremos destruir nada, porque o tempo já se encarregou disso. Não iremos acabar com nada, porque há 20 anos que não existem ali brasões.”
Ó almas santas quer isso dizer que durante 20 anos os 130 jardineiros da CML mais as empresas privadas contratadas para cuidarem dos espaços verdes da cidade resolveram por sua conta e risco não tratar dos jardins da praça mais visitada da cidade? Ou resolveram não tratar de buxos e só cuidar das begónias? Ou só tratam de buxos com formas que lhes agradem? E ninguém na CML deu por isso? Ou foi a CML que resolveu que não se cuidasse daqueles buxos e determinava que rosas ao pé do marquês de Pombal sim senhor mas os buxos do império nem vê-los e muito menos podá-los?
Enfim a realidade é sempre supreendente. E na CML é mesmo um caso de literatura fantástica.
Mas qual é o problema?
Para se terminar com esta pungente e indigente questão da falta de mulheres na Comissão Europeia – Martin Schulz alerta para risco de “chumbo” de Comissão Europeia com poucas mulheres – proponho que os candidatos a comissários de declarem todos pessoas transgender, não confundir com com os andróginos nem com os intersexos nem com as outras variantes todas em que os pretéritos e arcaicos homens e mulheres agora se dividem. Assim pelas minhas contas dá mais ou menos uma espécie de género, sub-género ou lá o que o que for por candidato a comissário. Além do mais ganhava-se alguma animação nas roupas e no calçado e quando fossem todos à Ucrânia a guerra parava de certeza.
Os Zés que fazem falta
Falta pouco para o nirvana

Debates entre Costa e Seguro decorrerão, perante as câmaras de televisão, nos dias 9 e 23 de Setembro. Haverá um outro mas, e devido ao carácter muito diferente dos candidatos, ainda não foi possível chegar a acordo no que à data respeita. As diferenças dos candidatos é patente em assuntos de fundo para a resolução da crise nacional tais como a duração dos debates: 45 minutos é a duração proposta para o álbum pelo incumbente, 25 é o tempo proposto para o single de lançamento do novo artista, também ele oriundo da boy band partidária.
É necessário lançar um concurso público para assegurar as pipocas a tempo.
Embora o assunto não seja muito popular nas redacções
Leopoldo López líder da oposição venezuelana preso desde Fevereiro tem nova sessão de julgamento marcada para 10 de Setembro. O líder da oposição venezuelana tem tido as visitas supensas e o julgamento está longe de correr de uma forma jurídica aceitável. Dia 10 vai continuar e é bom que seja notícia.
Tu és o mercado, estúpido

Possível estampagem para meta-T-Shirt
Porque “das ideias nascem os mercados”, como bem salientou o doutor Louçã, é a partir de ideias simples – como o assassínio de pessoas – que podemos criar toda uma moda religiosa-fashionista de revolução burguesa a partir dos nossos computadores americanos, no conforto da nossa sala IKEA e dos nossos mojitos com Contessa em vez do ultra-mainstream (que seca, bróder) Bacardi.

Che: fooling middle class white kids since 1967
Celebrando a diversidade – e o facto de, lamentavelmente para o doutor Louçã, Israel ainda existir – apresento-vos uma loja de produtos verdadeiramente nada-ofensivos para a ditadura do mercado, o tal que saca os parcos rendimentos aos proletários do isto-não-se-aguentismo-sent-from-my-Mac pela ignomínia atroz do inconformismo luso-tosco.
Em www.che-mart.com podemos encontrar pins como o “Viva la torture and executions of political opponents!” ou t-shirts como a “I bought this t-shirt before Castro died”.
Como mendigar não é bem visto a não ser que o nosso nome leve com prefixo académico, e segundo a máxima de Mark Blyth de que o dinheiro deve ser distribuído directamente às pessoas (largado de helicóptero, provavelmente), limito-me a sugerir que toda a gente deveria possuir, pela dignidade, pelo menos uma bela “rich parents cramping your style? Wear a Che Guevara T-shirt”.
O rapaz do pijama parlamentar

A histeria do disparate é a maluqueira do politicamente correcto que permite censurar pijamas enquanto ansiamos por um Pol Pot qualquer.
E se fosse uma burka às riscas com uma estrela vermelhinha de 5 pontas?
Não são monstros, são só socialistas

Joyce Thacker e um daqueles cartazes muito bons sobre igualdade de oportunidades para crianças e essas coisas bonitas.
Joyce Thacker é a responsável pelo serviço social de crianças em Rotherham desde 2008. Com um salário anual de £130.000 (11.600€ mensais, em 14 meses), em 2012 foi responsável pela retirada de três crianças a casal de acolhimento por este ter filiações ao UKIP, partido que viria a conquistar 10 dos 21 lugares em eleição para o Rotherham Council em Maio deste ano. O casal do UKIP, segundo a responsável, não oferecia condições a essas crianças por ambos os membros se oporem ao “multiculturalismo”.
Durante 14 anos, Rotherham (população 257.600 em 2012) pouco viu de especial no que diz respeito a violações por grupos1, banhos de gasolina e plateia infantil para violentas (redundância) violações2. Nada de especial, não: já em 2006 se sabia da existência de profissões “alternativas” para jovens paquistaneses e outros denominados no Reino Unido como “asians” no tráfico sexual de crianças3.
Já referi que a maioria das vítimas foram crianças brancas, do sexo feminino4? Este facto é importante para que os socialistas bons me possam apelidar de racista. Note-se: nenhum dos responsáveis – como a senhora Thacker – é um monstro; são apenas socialistas na engrenagem da máquina socialista. O lado positivo é que a polícia de Rotherham não é conhecida por barrar a entrada pela porta das traseiras a grupos de jovens negros que a filma. Logo, nem tudo está perdido em Rotherham.
1 “One young person told us that ‘gang rape’ was a usual part of growing up in the area of Rotherham in which she lived”. Página 31.
2 “We read cases where a child was doused in petrol and threatened with being set alight, children threatened with guns, children who witnesses brutally violent rapes and were threatened that they would be the next victim if they told anyone”. Página 36.
3 “In her [Dr Heal] 2006 report she described how the appeal of organised sexual exploitation for Asian gangs had changed. In the past, it had been for their personal gratification, whereas now it offered ’career and financial opportunities to young Asian men who got involved’. She also noted that Iraqi Kurds and Kosovan men were participating in organised activities against young women”. Página 92.
4 “In a large number of the historic cases in particular, most of the victims in the cases we sampled were white British children, and the majority of the perpetrators were from minority ethnic communities. They were described generically in the files as ‘Asian males’ without precise reference being made to their ethnicity”. Página 35.
Contrastes
Rotherham, 2012
Três crianças retiradas a casal de acolhimento por filiação ao UKIP. [Em inglês]
Rotherham, 2014
Comissário da polícia de Rotherham recusa demitir-se após publicação de relatório sobre exploração sexual de 1400 crianças ao longo de 16 anos. [Em inglês]
O assistente-social-modelo(*)
(*) Referência a um texto num jornal nacional sobre paranoia racista, um bom título para o destaque a negrito (minha autoria) do texto contido no relatório “Independent Inquiry into Child Sexual Exploitation in Rotherham (1997 – 2013)”.
In just over a third of cases, children affected by sexual exploitation were previously known to services because of child protection and neglect. It is hard to describe the appalling nature of the abuse that child victims suffered. They were raped by multiple perpetrators, trafficked to other towns and cities in the north of England, abducted, beaten, and intimidated. There were examples of children who had been doused in petrol and threatened with being set alight, threatened with guns, made to witness brutally violent rapes and threatened they would be next if they told anyone. Girls as young as 11 were raped by large numbers of male perpetrators.
…
By far the majority of perpetrators were described as ‘Asian’ by victims, yet throughout the entire period, councillors did not engage directly with the Pakistani-heritage community to discuss how best they could jointly address the issue. Some councillors seemed to think it was a one-off problem, which they hoped would go away. Several staff described their nervousness about identifying the ethnic origins of perpetrators for fear of being thought racist; others remembered clear direction from their managers not to do so.
A próxima moda
Depois dos banhos gelados vamos ter a mania dos pedidos com velas
O pedido de casamento visto dos céus que emocionou a polícia de Londres
Recordo que Portugal é um país cujo clima é bem diferente do de Londres


