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o “mamading” é que está a dar

14 Julho, 2014
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Em vão procurei (e não encontrei), nos jornais diários “de referência”, de ontem e de hoje, notícias sobre o acidente ocorrido durante o vôo Lisboa-São Paulo, de sábado, da TAP. O Diário de Notícias não dedica uma única linha ao assunto, enquanto que o Público o refere numa página adiantada, limitando-se à reprodução inócua de um take da Lusa. Em contrapartida, o Público dá destaque de primeira página ao magno problema da “desintegração do Bloco de Esquerda” e aos dilemas político-existenciais da influentíssima Ana Drago, agora a galope veloz rumo a um radioso futuro no Partido Socialista de António Costa. Acerca do que terá originado a quase desintegração de um dos motores da aeronave, que poderia ter vitimado 260 pessoas, e as eventuais responsabilidades da transportadora aérea, nada. Deveremos, por isso, concluir que 0 jornalismo português de investigação anda por baixo? Nem por isso: para além da já referida profunda análise sobre o Bloco, o Público consegue redimir-se mais ainda trazendo-nos, na última página da edição de domingo, a empolgante notícia sobre o novo jogo da moda, o “mamading”, no qual os intervenientes trocam bebidas alcoólicas por sexo oral. Quem sabe a TAP o venha a acrescentar ao portfolio dos seus jogos virtuais nas viagens de longo curso. Isso sim seria notícia!

Rés-BES

14 Julho, 2014

Não há motivo para alarme. Vai tudo correr bem. Repito: não há problemas que não possam ser resolvidos, só soluções para as quais ainda não foram encontrados os respectivos problemas.

É Verão, altura de passeios em família. Visite o estádio de Leiria, as turbinas eólicas no seu monte de eleição ou conduza um carro eléctrico pela costa alentejana com paragem em Sines, para ver navios. Use o comboio da sua CP para admirar o Alqueva ou aprecie o luxo a bordo da sua companhia aérea num breve e aprazível voo entre Porto e Beja.

Vá para fora cá dentro. E lembre-se: escapou à espiral recessiva e ao segundo resgate, também há-de escapar a isto. Que isto não se aguenta, já se sabe; mas podia ser bem pior e não se aguentar muito menos. E agradeça à família Espírito Santo tudo o que fez por si neste Verão: a possibilidade única de participar no maior safari de elefantes brancos a oeste de Bratislava. Eles confiaram em si e nos seus impostos, confie você também na sua capacidade para continuar a aposta no crescimento.

Precisa-se político a horário completo (M/F)

14 Julho, 2014

O grande-demais-para-falhar Paul Krugman está de saída de Princeton. Esta saída do hiper-inflacionista preferido de toda a gente de bem, não sendo tão relevante como o pendurar de botas de Puyol, levanta questões interessantes sobre a persona pública do homem que há muito trocou a integridade académica pela propaganda a favor de António Costa1.

Ideia para a televisão para combater o número excessivo de concursos culinários: um concurso de neo-keynesianos. Ganha aquele que conseguir propor a ideia mais parva para regular a vida do Zé. Bem sei que algo do género já existe mas, inclusivamente, deve incorrer em inconstitucionalidade por não ser em canal aberto.

Não querendo ser desagradável, o desempenho de Paul Krugman nem sempre foi apurado. Em tempos, antes da profissionalização, era um cronista muito interessante para rústicos não-progressistas, como exemplificado neste belo texto: In praise of cheap labor.

Ya know, he peaked too early.

1 Não pretende ser ofensivo, pode ser substituído por outro Messias qualquer.

Depois do esforço aglutinador das esquerdas

14 Julho, 2014

A notícia não é que A ou B tenham saído do Bloco de Esquerda. A notícia é que ainda lá esteja alguém.

A culpa é da burguesia

13 Julho, 2014

Não, a culpa não é do Costa. É da burguesia. – Tema do meu artigo de hoje no Observador: Dizem os títulos que “Seguro culpa Costa pela descida do PS nas sondagens”. Mas não, a culpa não é de António Costa. Dizem outros títulos “Costa: sondagem revela necessidade de mudança” mas valha a verdade que a culpa também não é de Seguro. Apetece dizer que a culpa é do socialismo que enquanto ideologia assente na distribuição do dinheiro dos outros não encontra o seu caminho nestes tempos em que o dinheiro próprio acabou e o dos outros implica juros. Mas também isso não é suficiente enquanto explicação. Aliás não é impossivel construir um discurso socialista sobre justiça fiscal, estado social… Assim os socialistas o quisessem.
Mas voltemos à culpa ou, melhor dizendo, ao estado de estupefacção dos socialistas pelo facto de, caso as legislativas tivessem lugar agora, a coligação governamental sair vitoriosa. A culpa deste resultado é da burguesia. Não da burguesia que vota no PSD ou no CDS. Em primeiro lugar porque não é certo que a burguesia vote maioritariamente nesses dois partidos e sobretudo porque os votos da burguesia não são suficientes para ganhar eleições. Já a visão burguesa do mundo pode ser mais que suficiente para que se percam. E é esse o maior problema do PS e de muitos dos seus congéneres europeus: tornaram-se partidos burgueses.

A ler

13 Julho, 2014

Inês Teotónio Pereira: «A versão clássica dos maus da fita está em crise: já não existem maus, nem nas fitas nem em lado nenhum. Se alguém pega numa arma e assassina dezenas de pessoas numa universidade ou se um grupo de terroristas aniquila dezenas de civis, a tendência é justificar os crimes com o contexto. Porque a culpa, em primeira instância, nunca é dos autores. A culpa é quase sempre da sociedade, da globalização, dos capitalistas, do contexto familiar, dos filmes violentos, da pobreza, da liberalização da venda de armas, da religião, etc. O que prevalece nesta teoria é que as pessoas, de um modo geral, são estúpidas, coitadas, e a moral que têm ou não têm depende exclusivamente do contexto. Os maus são vítimas e, na verdade, somos todos bons selvagens, incluindo os terroristas, os assassinos, etc. Os maus são os contextos, e não os criminosos.
Esta febre de fazer tábua rasa do bem e do mal, dos maus e dos bons, à boa maneira dos filmes de cowboys e do super-homem, chegou aos contos infantis. E não, não se inventaram novos contos infantis, adulteraram-se os clássicos. Pegou-se no trabalho genial dos irmãos Grimm, de Andersen e de muitos outros que se esfalfaram a trabalhar e mudaram-se as histórias para as adaptar aos conceitos modernos e, por isso, correctos. Ler mais…

Era o que faltava!!!

12 Julho, 2014

Muito mais surpreendente que existam unidades hoteleiras que não aceitam crianças é o facto de existirem famílias que insistem em levar os seus filhos para unidades hoteleiras onde eles não são desejados!

 

Risco sistémico

12 Julho, 2014

Risco sistémico. Holocausto. Apocalipse. Tudo palavras ou expressões existentes num artigo qualquer de um qualquer Viriato Soromenho-Marques sobre assuntos como a doçura das tangerinas.

“Risco sistémico” é quando se pondera reduzir as perdas de uns com o dinheiro dos outros.

advertência sobre o bes

11 Julho, 2014
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O mercado tem sempre razão.

Pós-socratismo

11 Julho, 2014

A culpa é de um banqueiro central?

Num mundo pós-socrático é perfeitamente plausível que Vitor Constâncio concorde com Daniel Bessa.

Esse é o fado português.

os novos devoristas

11 Julho, 2014
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Quando terminou a guerra civil de 1832-34, conflito que opôs absolutistas e tradicionalistas, representados por D. Miguel, por um lado, e constitucionalistas e jacobinos, reunidos em torno de D. Pedro, por outro, estes últimos, o partido vencedor, castigaram os vencidos expropriando as propriedades das suas famílias mais abastadas e apropriando-se delas a preço irrisório, por via de falsos leilões e concursos viciados, onde o pretexto era o de obrigar os culpados da guerra a pagar os seus custos e a razão autêntica era a pura e simples apropriação da propriedade dos vencidos pelo restrito grupo da elite vencedora. Daqui resultaram a esmagadora maioria das novas fortunas da segunda metade do nosso século XIX e a aristocracia florescente na monarquia constitucional, que se “nobilitou” em negociatas e nas relações promíscuas dos negócios com o poder e o estado, matriz que, desde então, nunca mais conseguimos abandonar. A voracidade patrimonial e financeira da elite triunfante e o súbito enriquecimento e os muitos escândalos em que os seus protagonistas frequentemente se envolveram, levou a que a opinião pública lhe pusesse a alcunha de “os devoristas”.

O que se tem passado em Portugal nos últimos anos, por via de confisco fiscal, não tem sido muito diferente disto. Os elevadíssimos patamares a que a fiscalidade se encontra no nosso país, obrigando a maioria das pessoas e das empresas a trabalhar mais de meio ano para pagarem impostos ao estado, mais não é do que uma forma súbtil de redistribuir renda entre quem ainda tem alguma e quem, por essa via, a concentra cada vez mais. Dito de outro modo, ao invés do que explica a teoria socialista keynesiana, o destino dos recursos cobrados por via tributária não são os bolsos dos mais pobres, mas os daqueles que, por ligações também elas espúrias ao poder, conseguem as aprovações das ppp,s, as adjudicações das obras públicas, as concessões dos serviços públicos criados e mantidos, a altíssimo custo, com o dinheiro dos contribuintes, as nomeações para os altos cargos da administração pública e para os conselhos de administração das empresas do estado e das que estão sob a sua influência tentacular. Quando falamos em “pagar a dívida pública” é essencialmente disto que estamos a falar, e por cada empresa privada que encerra portas e por cada cidadão que empobrece, outros há que ficam com aquilo que lhes pertenceu.

Infelizmente, e ao invés do que sucedeu no pós-34, em que apenas algumas grandes famílias se viram ilegitimamente despojadas do que era seu, agora são todos os contribuintes a sustentar a ascensão dos novos devoristas. Por essa razão, já quase não temos classe média: os que lhe pertenciam deixaram de lhe pertencer e a impossibilidade de poupar recursos – praticamente todos rapinados pelo estado –, para além dos que permitem uma subsistência elementar, impossibilita que as pessoas de rendimentos mais baixos lhe possam ascender.

A redistribuição de rendimentos que os socialistas tanto apreciam é para isto que serve.

Porque hoje é quinta-feira

10 Julho, 2014

Esta semana está a ser má para a onda do Costa. O people anda tão distraído com os resultados dos futebol (o 7–1 do FC Dilma contra o Hospitais foi particularmente expressivo), com a crise no BES e com a meritória tentativa de Louçã em tornar Portugal na Albânia de 1977 que, lamentavelmente, nem tem dado a devida atenção ao que realmente interessa ao país: mais pessoas que vivem ou gostariam de viver do orçamento e que sabem assinar o nome manifestaram o seu indefectível apoio a António Costa.

Agradecia que passássemos rapidamente aos assuntos verdadeiramente importantes para a comunidade total dos portugueses que realmente interessam: acabar com este ultra-neo-liberalismo do governo mais liberal de sempre, o que pensa em incentivos à compra de bicicletas.

Entretanto, hoje é dia do programa do António Costa na SIC Notícias e a CGTP conseguiu meter 40.000 “trabalhadores” com 70 anos de idade num Mini em plena quinta-feira à tarde.

Mini-plano Louçã

10 Julho, 2014

Dívida do GES que poderá ser reestruturada: 7 mil milhões de euros

Impacto do GES nas contas do BES: menos de mil milhões de euros

Dívida em reestruturação no plano Louçã: mais de 200 mil milhões de euros

Estimativa do impacto do plano Louçã no BES: uns 20 ou 30 mil milhões de euros.

Especial dia do cão

9 Julho, 2014

Há mais de 10 mil animais abandonados por ano em Portugal


Abandonar animais passa a crime público punível com prisão

Quando quiser perceber porque é que a justiça não funciona em Portugal lembre-se que esta medida teve o seu apoio.

PS: Para se perceber a razão desta parvoíce: PAN ficou-se pelos 1,72% mas se fossem legislativas elegia um deputado por Lisboa

Se não pago eu, pagas tu

9 Julho, 2014
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Os socialistas são assim. Primeiro cobraram impostos até ao limite do tolerável. Quando o dinheiro dos outros se acabou, endividaram-se. Agora chegou a altura de não quererem pagar as dívidas. Haverá sempre outros a pagar. Como se percebe bem analisando a proposta de renegociação da dívida:

A primeira consequência de um movimento deste género é que no minuto seguinte Portugal perderia de novo acesso aos mercados da dívida pública: ninguém empresta a quem não cumpre as regras de um empréstimo. (…) No caso do Estado e das Administrações Públicas, a impossibilidade de aceder aos mercados significaria que, de um dia para o outro, o défice público teria de ser reduzido a zero – ou então teríamos de chamar de novo a troika, se é que alguma troika aceitaria vir. Escusado será dizer que os “cortes” seriam muito mais violentos do que tudo o que conhecemos até ao momento. Talvez começassem mesmo por deixar salários e pensões por pagar.

 

 

Hoje ainda é dia de defesa do SNS, amanhã é dia de defesa de outra coisa

9 Julho, 2014

Hoje ainda há greve dos médicos. Depois de toda a excitação, de toda a algazarra, de toda a actividade grevista que parou o país ontem – nomeadamente dos jogadores brasileiros -, é dia de regressar à luta.

A luta é uma luta boa. Ninguém aproveita a greve nos hospitais públicos para consultas adicionais na privada, dizem-me; e eu acredito, como acredito sempre que se defende um sistema público qualquer, como acreditei quando a escola pública foi defendida das últimas 35 vezes, melhorando a cada uma das intervenções, resolvendo os problemas um de cada vez.

A FENPROF solidarizou-se com a luta da FNAM. Directamente de Cancun, talvez do Algarve – que isto não se aguenta – expressam a sua solidariedade com a defesa da coisa pública, os edifícios, o equipamento, os funcionários.

Faz falta alguém que defenda os alunos e os doentes destas constantes defesas da coisa pública. Mas cá vamos andando, com a graça de Deus, menos mal, obrigadinha, cumprimentos aos seus, que não os vejo há muito, devem já estar uns homenzinhos.

Afinal havia uma alternativa

8 Julho, 2014

Quatro economistas portugueses apresentaram hoje a alternativa à austeridade. Consiste num perdão de mais de 100 mil milhões de euros e de um bail-in à banca de 100 mil milhões de euros. Agora só falta os credores concordarem.

Constatação curta e grossa

8 Julho, 2014

Os portugueses têm vergonha de assumir os motivos pelos quais fazem greve. Por isso mesmo são todas “em defesa” daqueles que precisamente prejudicam com a greve.

Resolução pragmática de todos os problemas

8 Julho, 2014

A partir de hoje, funcionários públicos irão descontar 99% no total, a grande maioria para a CGA. O salário líquido manter-se-á inalterado, aumentando o salário bruto para o valor necessário de forma a não violar o princípio da confiança.

Assim sendo, e a título de exemplo, a um salário líquido de 1000€ corresponderá um salário bruto de 100,000€. Está resolvida a sustentabilidade da CGA.

Da pobreza e da fome

7 Julho, 2014

A crise foi marcada pelo aumento da pobreza, do desemprego, da desigualdade e da fome (aqui um testemunho, entre muitos). Por isso faz todo o sentido que a prioridade seja recriar o Ministério da Cultura.

Médicos pela co-adopção gay contra a destruição da escola pública

7 Julho, 2014
Destruir a democracia é atacar a Lusa e vice-versa, que nós somos todos idiotas.

Destruir a democracia é atacar a Lusa e vice-versa, que nós somos todos idiotas.

Há muitas abordagens possíveis para justificar uma greve. A mais comum, usada pelos Mários Nogueiras desde 1914, é a “estão a destruir a [inserir qualquer coisa] pública”. Os médicos optaram, com plena marinhopintização do seu bastonário, por esta abordagem comprovadamente parva. Em primeiro lugar, já se sabe que a adesão será de 300%, com pessoas que nem são médicos a fazerem greve solidária (inclui desempregados como astronautas não-colocados, professores não-colocados e socráticos rendidos à ghagra choli); em segundo lugar porque é mais uma hipótese para alguém usar a expressão “a maior greve de sempre”, expressão caída em desuso desde a última greve neste país, a que aconteceu (vou arriscar) na última sexta-feira.

A proletarização dos médicos é uma coisa difícil de ver. Estávamos habituados a cursos de medicina terem mais utilidade que os de sociologia, algo que começa a mudar através da típica resolução de problemas à lá tuga, a que opta em simultâneo por três auto-estradas Porto-Lisboa mais uma linha de TGV (para mercadorias, integrada com o hub de hovercrafts a fazer em São Torpes). Lembrem-se que era o que vocês queriam quando os vossos filhos adquiriam a hipótese de entrar no curso; dizer agora que é demais já não vale, seus anti-constitucionais igualitários.

Precisamos todos da t-shirt da semana e isto sem incêndios não cria indignação sazonal que chegue. Eu, pessoalmente, agora só consigo pensar nas crianças em pleno sofrimento com a impossibilidade de co-adopção gay. Isto da ignomínia sazonal é muito bonita mas, que eu saiba, ainda é preciso parar os que estão a destruir a escola pública desde 1975.

O Mário Nogueira de bata branca e estetoscópio

7 Julho, 2014
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Jornalismo com valores trocados

7 Julho, 2014

“Abutre” da Argentina ataca Portugal Telecom

Médicos mostram segundo cartão amarelo a Paulo Macedo com greve de 2 dias

Abutre: fundo que exige que a Argentina pague as suas dívidas e que aposta na queda das acções de empresas que cometem erros de gestão

Argentina: País que tem sistematicamente violado os seus compromissos com credores

Portugal Telecom: Empresa que emprestou 900 milhões (metade da sua capitalização) a empresas do mesmo grupo em falência técnica

Médicos: classe que procura manter privilégios à custa do contribuinte

Paulo Macedo: ministro da saúde que mais racionalizou a despesa.

Los gramiés

6 Julho, 2014

Ibrahim Ferrer, Néstor Torres, Chichi Peralta, Celia Cruz, Kike Santander, Armando Manzanero, Kany Garcia, Flex, Emiliano Zuleta Díaz e Carlos do Carmo são alguns dos que já receberam um grammy latino, carinhosamente atribuídos numa cerimónia conhecida como “los gramiés”.

Néstor Torres nasceu em Porto Rico em 1957. Quatro anos seu júnior, o chefe de estado de Porto Rico, Barack Obama, ainda não emitiu um comunicado a felicitar Néstor Torres por tão prestigioso galardão.

“Cá se fazem, cá se pagam”, terá dito o manager de Néstor Torres.

Nem todo o dinheiro tem o mesmo valor

5 Julho, 2014
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Há quem ache normal que empresas e bancos sejam salvos por dinheiro de Angola ou da Venezuela. Mas será mesmo normal? Há dinheiro que não vem para fazer negócios, vem para comprar poder. Isso não é indiferente, como defendi no Observador.

Também não tenho a certeza da vontade própria com brincos

4 Julho, 2014

Não digo nada disso, Maria João. Simplesmente presumo que quem usa mini-saia ou burqa o faz porque lhe apetece e não porque é obrigada(o) (ao abrigo do politicamente correcto tenho que incluir a Conchita). Repara, se alguém faz algo obrigado ou coagido, existem leis em todo o ocidente que criminalizam a situação. Das duas uma: ou estamos em situação de redundância com especificidades culturais (posso usar vestuário que tape da cabeça aos pés desde que tingida com as cores da bandeira LGBT?) ou o nosso problema é geral e, então, teremos que averiguar as motivações pelas quais alguém poderá ser coagido a usar brincos.

Refiro decorações corporais porque, há pouco, vi um bebé com brincos nas orelhas. Alguém as furou, independentemente da vontade da criança, que não parecia capaz de se expressar sem ser com choro. Admito que não consegui identificar a origem étnica e religiosa-cultural da pequena Cátia Vanessa.

Nota: consegui usar “burqa”, “burka” e “burca”. Antes de proibir devíamos uniformizar a grafia do que queremos proibir.

Andar nu na rua

4 Julho, 2014

Porque não se pode andar nu na rua? De certeza que não se pode andar nu na rua? O que o impede de andar nu na rua? Você quer andar nu na rua? Porque quer andar nu na rua? Porque não anda nu na rua?

De acordo com a lei que (julgo que) conheço, nada o impede de andar nu na rua. A nudez não é criminalizada (o que é bom, porque, num país socialista, isso implicaria a obrigação de lhe serem providenciadas roupas pela segurança social). Repare que o nu nunca teria responsabilidade por estar nu: “eles não me dão cuecas”. O que a lei prevê é o atentado ao pudor: uma pessoa pode ficar indignada por outra andar nua na rua e tem um mecanismo legal para accionar. Excepto numa das 7 praias reconhecidas oficialmente como naturistas. Aí pode estar nu. Quer dizer, na realidade o indignado é que não se pode queixar. Na rua também pode estar nu. Mas o indignado pode queixar-se. Na realidade, a praia oficialmente naturista não lhe proporciona um local onde pode estar nu, proporciona-lhe um local onde um terceiro não se pode queixar por estar nu. Assim, tecnicamente, as praias naturistas são uma limitação à liberdade de indignação ao abrigo da lei por terceiros e não uma concessão de liberdade a quem a pretender usufruir. Confuso?

Uma vez, num parque aquático espanhol (também me divirto com a plebe), vi um casal com um filho. Ela, de burka, filmava os machos em divertidíssima actividade escorregatória por bezidróglios de curvas acentuadas lubrificado por água com cloro. Pareceu-me algo um pouco parvo, estar ali, vestida de preto da cabeça (literalmente) aos pés (literalmente), em Agosto, perto de Málaga. Claro, quem vê burkas não vê calções (literalmente) e muito menos corações (figurado). Nada a impedia de estar completamente nua, nem a lei. Quando muito, o indignado impediria.

Palpita-me que não há pessoas nuas na rua precisamente por não haver pessoas nuas na rua. Se houvesse pessoas nuas na rua, talvez mais pessoas estivessem nuas na rua. Aí, de que adiantaria o indignado queixar-se de atentado ao pudor? “Olhe, aquelas 5000 pessoas estão a incomodar-me, a mim e ao meu cão”? Ridículo.

A burka é um flagelo? Para quem? Para quem a quer usar ou para quem não quer que ela seja usada? Há alguma diferença entre você não querer que a mulher use burka e não querer que o cigano compre o apartamento de baixo? Óptimo, é sempre útil centrar a questão no indignado por você andar nu na rua do que em você, que anda nu na rua.

Salvar o mundo a partir do sofá

4 Julho, 2014

Existem determinadas mulheres que são obrigadas a usar burqa/niqab (uma fracção desconhecida das cerca de 1000 que em França usam burqa/niqab). Como isto é inaceitável, podia-se investigar os poucos casos que existem para resolver o problema. Mas não. Vamos proibir toda a gente de usar burqa/niqab (excepto se forem coloridos?), capacetes, máscaras, sejam homens ou mulheres, oprimidos ou não (porque a lei tem que ser geral e abstracta, estado de direito acima de tudo) e vamos justificar esta lei em nome da boa convivência no espaço público (embora ninguém se queixe de problemas de convivência, identificação ou segurança, o problema era mesmo as mulheres forçadas a usar burqa/niqab). Talvez um dia até se criem excepções para pessoas com deformações faciais que têm mesmo que usar máscara (que acham?). Nem sequer concebemos a possibilidade de existirem mulheres que querem mesmo usar burqa/niqab (por tradição, segurança, afirmação cultural, rejeição do ocidente ou apenas porque lhes apetece) nem precisamos de saber o que acontece às mulheres que nós libertamos da opressão (proibindo o único meio viável de saírem à rua). A eliminação de um sintoma de opressão deixa-nos muito satisfeitos com nós próprios. No fim, justificamos esta posição com a subjectividade dos nossos valores (esperando que o mundo se adapte e nos faça a vontade). Portanto, identifica-se um problema e depois adopta-se uma solução que empurra as vítimas para um gueto e salva as pessoas que não são vítimas. Nem sequer interessa se a estratégia é inteligente, sustentável ou eficaz. Será isto, Maria João?

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Costamessias

4 Julho, 2014

António Costa quer acabar com divisão entre continente e ilhas

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Este cartaz está obviamente errado

3 Julho, 2014

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Como é possível caírem num erro tão evitável? É óbvio que não vão eleger o candidato a primeiro-ministro e sim o candidato a candidato a primeiro-ministro. Ainda bem que retiraram o cartaz. Ou, talvez – quem sabe? – apenas tenham decidido que decidiriam sobre a retirada do cartaz. Em qualquer dos casos, ganhou o bom senso:

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Comunicado do Sindicat… da Ordem dos Médicos

3 Julho, 2014

No comunicado publicado pela Ordem dos Médicos pode ler-se:

Hoje, o Ministério já não pode continuar a esconder a dramática verdade do SNS, conforme demonstram as denúncias apresentadas nas conferências de imprensa da Ordem, as notícias transmitidas pelo comunicação social, a violenta ameaça de demissão do Hospital de S. João, as denúncias de outros hospitais e o panorama terrível traçado pelo Observatório Português dos Sistema de Saúde, chamado “Síndroma da Negação”, porque o Ministério da Saúde esconde a verdade.

Os doentes sentem-no diariamente, quando vão às urgências e aguardam horas, quando esperam pelas cirurgias e consultas, quando a limpeza falha, quando faltam medicamentos e material clínico nos hospitais, quando os aparelhos não são reparados, quando os médicos não podem pedir os exames de diagnóstico que acham necessários, quando não têm acesso aos novos medicamentos que os podiam curar, quando não têm dinheiro para pagar os transportes, etc., etc., etc.

É com admiração que constato ser do interesse da Ordem reduzir salários dos médicos do SNS para que a folga resultante possa ser usada para mitigar os problemas dos doentes, tão bem identificados no parágrafo anterior.

Oppressed

3 Julho, 2014

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Free

3 Julho, 2014

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Veiled west II

3 Julho, 2014

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Uma cultura em que os símbolos estão desconectados da vida real.

Veiled west

3 Julho, 2014

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A proibição da burqa e do niqab em França são um sinal de fraqueza de uma cultura em declínio. Ao reconhecerem que a liberdade já não favorece a cultura ocidental, as autoridades francesas transformaram o véu num símbolo de contestação aos valores ocidentais e de reforço da identidade dos muçulmanos. Claro que não é possível salvar a liberdade limitando-a. Boa sorte.

Não deixem de ler

2 Julho, 2014
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Manifesto dos 68 e 1/2

2 Julho, 2014

Objectivo

A diáspora da crise universal criou uma situação insustentavelmente volátil, um verdadeiro barril de pólvora de movimentos unificadores de esquerda dispersos em diferentes uniões unificadoras patrióticas de esquerda. A total ineficácia de acção com a existência de pluralmente diversas uniões patrióticas de esquerda gerou a necessidade premente de criar a derradeira união patriótica de esquerda das federações patrióticas de esquerda das unificações patrióticas de esquerda das uniões patrióticas de esquerda.

Certos que a Derradeira União Patriótica de Esquerda das Federações Patrióticas de Esquerda das Unificações Patrióticas de Esquerda das Uniões Patrióticas de Esquerda (DUPEFPEUPEUPE) será suficiente para evitar uma Derradeira Derradeira União das Uniões Patrióticas de Esquerda das Federações Patrióticas de Esquerda das Unificações Patrióticas de Esquerda das Uniões Patrióticas de Esquerda (DDUUPEFPEUPEUPE), registamos de antemão a Confederação Derradeira das Derradeiras Derradeiras Uniões das Uniões Patrióticas de Esquerda das Federações Patrióticas de Esquerda das Unificações Patrióticas de Esquerda das Uniões Patrióticas de Esquerda (CDDDUUPEFPEUPEUPE).

O nosso objectivo é acabar com a crise.

Métodos

Crescimento, acabar com a austeridade e o fim de qualquer sofrimento são os nossos objectivos pragmáticos. Contra a adversidade propomos a bonança; contra a resignação propomos a resiliência; contra os cortes propomos aumentos; contra a austeridade propomos a abundância.

Exigências

  1. O fim da austeridade
  2. O fim da adversidade
  3. O fim da resignação
  4. O fim dos cortes
  5. Abundância

Acção imediata

Solicitamos a todas as pessoas de boa fé das uniões patrióticas de esquerda a realização de um congresso com primárias para a escolha do líder da Confederação Derradeira das Derradeiras Derradeiras Uniões das Uniões Patrióticas de Esquerda das Federações Patrióticas de Esquerda das Unificações Patrióticas de Esquerda das Uniões Patrióticas de Esquerda (CDDDUUPEFPEUPEUPE). Uma alternativa existe. É a alternativa a todas as alternativas, a alternativa que inclui todos e não rejeita nenhum. A alternativa alternante.

Não crucificarás o teu véu abrilista

2 Julho, 2014

Crucifixos nas escolas é um assunto delicado: entra nas convicções religiosas das pessoas, em particular nas crenças dos que objectam a existência desses mesmos símbolos. Há motivos sérios para não existirem símbolos religiosos nas escolas: não influenciar crianças susceptíveis ao ponto de gramarem a insatisfação ofendida dos pais é o mais óbvio. É precisamente por esse motivo que Mário Nogueira e os restantes sindicalistas não entram em salas de aula: há espaços próprios para cultos que não o templo onde petizes aprendem as vantagens desprovidas de ideologia dos valores de Abril.

O véu islâmico, por outro lado, ofende apenas por procuração. Ninguém objecta a que a malta boa proteste na via pública com máscaras de Guy Fawkes, indiciando, portanto, que o problema não é tapar mais ou menos fronha e sim a religiosidade com que essa fronha é tapada. A saber: quão revolucionária é a crença? Quão dispostos a partir cabeças estamos pelas nossas convicções? Foi a CGTP ou foi Deus quem nos mandou para lá? Todas estas questões merecem ponderação para avaliar a bonomia da laicidade militante, valha-me D. Soares.

Apesar desta dicotomia religão/anti-religião-religiosa, tenho opinião que a escola pública deve ser agnóstica: não deve acreditar em Deus e não deve acreditar em Che; não deve acreditar no cheque-ensino e não deve acreditar no financiamento público; não deve acreditar no socialismo e não deve acreditar na mármore. Enfim, não deve acreditar em grande coisa.

Contem comigo para retirar qualquer símbolo religioso das escolas públicas: vamos começar pelos dirigentes sindicais nas salas dos professores.

Chamem o regulador, se faz favor

2 Julho, 2014

dum-dumMaltratar animais de companhia vai ser crime e dar prisão. A dificuldade está em “companhia”: se é verdade que podemos contar sempre com a lealdade do mosquito no Verão, nem sempre consideramos a sua companhia como “companhia”. Quer dizer, ele está lá, ele bzzzz-eia, ele dança em espiral, ora expansiva, ora recessiva, calcorreando quilómetros de pele humana e acumulando milhas aéreas na sala que envergonham qualquer drone. Mas não é fofinho.

A fofura é o factor mais importante para a companhia ser mesmo “companhia”. Não há fofos com mais de 4 patas, isso seria uma aberração. Também não há fofos que piquem humanos. Excepto o ouriço-cacheiro: já viram focinho (melhor, carinha) mais fofa?

Para evitar confusões (ao abrigo do princípio da igualdade) e para assegurar a dignidade animal (ao abrigo do princípio da confiança), torna-se fundamental o fim da comercialização de produtos como os da imagem. Exige-se o rebranding para “concentrado aerosol para interrupção voluntária da gravidez não humana”, assegurando assim não só que a companhia é mesmo “companhia” mas também a dignidade para todos os animais de boa fé, pelos princípios de igualdade e confiança.

O líder-autarca

1 Julho, 2014

O António Costa pode gerir a autarquia e o partido em simultâneo. Na realidade, qualquer um pode, aquilo não custa nada. Não faltam pessoas ao longo da História capazes de uma gestão multi-hierárquica: de Enver Hoxha a Salazar, as grandes mentes fazem em part time aquilo que meros líderes transitórios fazem em exclusividade.

Porém, Super Costa a pretender acumular é algo não se entende muito bem: então não é claro, limpo e limpinho, cristalino como água que, vencendo o partido, é mais que óbvio que será primeiro-ministro?

Um cínico diria que Super Costa não tem a certeza. O que não deixa de ser irónico, é ser o próprio a apresentar ao mundo a sua criptonite.

Nota mental: se Lisboa se gere em part time, posso concorrer ali à câmara de Paredes e ir lá uma vez por trimestre.