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A fobofobia

1 Março, 2014

O medo de se ser declarado homofóbico leva a que não se questione o acerto de tomadas de posição como esta: Banco Mundial suspende ajuda ao Uganda por causa de lei anti-gay. Em causa, uma ajuda de 90 milhões de euros para melhoria do sistema de saúde  A legislação do Uganda sobre a homossexualidade é criminosa e haverá formas de penalizar os dirigentes do Uganda por causa dessa legislação. Não tenho dúvidas que qualquer tipo de sanção se traduzirá num agravar das condições de vida da população do Uganda mas  suspender uma ajuda destinada ao sistema de saúde não passa de um gesto para ocidental ver a paludir nas redes sociais.

Amplas liberdades

1 Março, 2014

O PCP ficou hoje isolado no voto contra uma deliberação do PSD, PS e CDS-PP a condenar os “crimes contra a Humanidade perpetrados pelo regime da Coreia do Norte”, e advertiu para “campanhas” de desestabilização da península.
O voto de condenação refere um relatório apresentado pela ONU na semana passada “onde se acusa o regime norte-coreano de cometer violações `sistemáticas, duradouras e graves” dos direitos humanos.
“Entre estas práticas, o relatório destaca as execuções públicas, violações, torturas e outras atrocidades apelidadas de `indizíveis’ que têm vindo a ser perpetradas”, destacam os partidos, no voto.
Com base em “testemunhos e relatos de sobreviventes e dissidentes norte-coreanos”, o relatório da ONU demonstra que a “actuação da Coreia do Norte constitui evidentemente uma ameaça séria à paz nos limites das suas próprias fronteiras, como representa ameaça à segurança regional e internacional”, refere o voto.
A deliberação propõe que a Assembleia da República se associe à Organização das Nações Unidas na “condenação dos crimes cometidos pelo regime norte-coreano contra o seu próprio povo e lamenta as vidas perdidas às mãos de um regime autocrático e repressivo”.
Todas as bancadas aprovaram o voto, à excepção da bancada do PCP, que votou contra. Ler mais…

Uma promessa para a nova década

28 Fevereiro, 2014
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Blasf10Se não a cumprirmos, é sinal que o liberalismo venceu e se implantou. Mas daqui a 10 anos ainda andaremos por aqui, o que talvez não se possa dizer de alguma imprensa dita “de referência”. Estaremos mais maduros (não confundir com os outros Maduros, um de bigode certinho, outro de barba desgrenhada), de espírito igualmente jovem e tão ou mais heréticos como hoje. E na altura seremos um “case study”, um blogue quase centenário, constituído por uma plêiade de Blasfemos radicalmente diferentes entre si, individualistas até ao tutano, mas unidos por uma corrente agregadora mais consistente que as religiões ou ideologias ultras. Aliás, é vê-los a cairem que nem tordos (por vezes levantam-se), enquanto a caravana Blasfema vai passando.

Há 10 anos iniciámos um novo ciclo. Está para durar muito mais. Vamo-nos vendo e lendo por aqui.

Fássistas de todo o mundo, a desunião faz a força

28 Fevereiro, 2014

Sendo eu o mais recente membro da Ilustre Casa Blasfema, sinto o prazer de assinalar esta quase celebração cigana com o mega-aniversário d’O Insurgente e Blasfémias, frutos do laborioso esforço invernal do mês de Fevereiro, época de cultivo de cebolas, couve galega, tronchuda e repolho, assim como de alfaces, agriões, coentros e beterrabas. Como há muitos anos dizia Miguel Esteves Cardoso enquanto candidato do PPM, “Portugal é uma horta” (cito de memória). Numa época em que se bradam as virtudes das redes sociais (ou denunciam, nos casos mais homotecnofóbicos) em detrimento dos blogues, é nos últimos que se fixam as memórias de ideias e discussões que transcendem o aqui-e-agora perene.

Primeira palavra, em perfeito espírito blasfemo, para os aniversariantes do dia, n’O Insurgente: ide próraisquevosparta. É que os gajxs (cedência altamente ofensiva ao politicamente correcto) são bons. Irritantes, provocantes, acutilantes, incisivos, enérgicos, vigorosos e expressivamente robustos, com tenacidade e ritmo impressionantes.

Segunda palavra para esta própria casa, que completa algures entre o dia de hoje e amanhã, naquele dia inexistente em 3/4 dos anos, o seu décimo aniversário. Tal como com O Insurgente, fui leitor assíduo do Blasfémias muito antes de imaginar que me convidariam para blasfemar com eles (perdão, elxs, em mais uma cedência inaceitável ao politicamente correcto). Ao contrário do que fiz com O Insurgente, recuso-me a assinalar qualidades nos blasfemos, que não parecendo, são pessoas emotivas que facilmente vertem uma lágrima sempre que não são apodados de malucos.

O que vos posso dizer, em plena solenização aniversariante, é que quando se juntam pessoas destes dois grupos, não há risco para o comum transeunte na sua vidinha estatizada. Não, ao invés da dominação mundial e do controlo pulmonar centralizado de cada inspiração, são pessoas que discutem temas tão politicamente incorrectos como futebol, a superior qualidade da carne do Barroso e os méritos e deméritos do tinto do ano anterior.

Podia pedir a todos para continuarem por muitos e bons anos mas, conhecendo as peças, é muito mais provável que tal aconteça enquanto houver vontade governamental para regular o chouriço e a alheira.

Dilema filosófico de sexta de carnaval

28 Fevereiro, 2014

Será que a poesia é a única prova concreta da existência do homem ou será que o homem é a única prova concreta da existência da poesia?

(A resposta é 42)

Nota: O meu tio Arménio dizia, sem esconder alguma mágoa, que o empadão era a única prova concreta da existência da mulher.

parabéns a você(s)

27 Fevereiro, 2014
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Ao O Insurgente, que, apesar de ser ainda inverno, faz hoje 8 bonitas primaveras!

Depois de Kiev, a Crimeia. Como era inevitável

27 Fevereiro, 2014
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Depois da Praça Tahir, a Praça Maidan. A alma insurreccional que habita nos activistas de todos os matizes entusiasmou-se com essa nova meca da revolução popular e basista. A ponto de confundir o que é justo e até urgente – afastar Yanukovych – com o que é perigoso – como nomear os ministros em assembleia “de praça”. Isso está muito longe de ser democracia, apesar do entusiasmo do Público:

Não deverá haver muitos governos na história da democracia cuja aprovação esteja dependente dos apupos ou palmas de uma multidão. Mas esse é pelo menos o método que os manifestantes da Praça da Independência quiseram utilizar para a formação do seu executivo, que terá tarefas gigantes pela frente. A primeira foi já nesta quarta-feira, perante a Maidan.

Quando se segue por este caminho o resultado mais provável é o desastre ou, na hipótese mais benévola, a desilusão. É que, como recordava Simon Jenkins no insuspeito Guardian:

Romantics sometimes refer to the “wisdom of crowds”, and why “we are smarter than me”. They ignore the capacity of totalitarians to manipulate the masses to their will. They forget the hysteria and cruelty of which programmed crowds are capable. Even a spontaneous gathering is unmediated and unstable, inherently dangerous, as much a gift to demagogues as to aspiring democrats. Crowds rarely display judgment.

Mas não foi só a Praça Maidan – já celebrada, como não podia deixar de ser, pelo suspeito do costume, o omnipresente Bernard-Henri Lévy, para quem “Nous sommes tous des Ukrainiens” –, foi também o parlamento, que decidiu anular a lei que concede à língua russa o estatuto de língua regional, uma decisão insensata num país onde toda a população fala russo e onde a minoria russa é muito importante (a propósito: é indispensável ler, por estes dias, o excelente blogue do José Milhazes Da Rússia). Medidas como esta, e outras semelhantes, são sinais claros de que entre os revolucionários há muita gente que só deseja substituir um ditador corrupto virado para Moscovo por um autocrata porventura igualmente venal mas virado para Ocidente.

A alegria que sentimos sempre que cai um ditador não pode cegar-nos. A heroicidade de muitos dos manifestantes da Praça Maidan não nos pode fazer esquecer que a legitimidade da rua pode ser revolucionária mas, no dia seguinte a qualquer revolução, não se torna em legitimidade democrática. A denúncia dos muitos abusos e ameaças de Putin também não nos deve levar a ignorar que, para além da Rússia sentir que tem interesses fundamentais em jogo, que há fronteiras mal traçadas e que há pedaços do que é hoje a Ucrânia que nunca foram ucranianos nem são habitados maioritariamente por ucranianos. Como sucede com a Crimeia.

A Crimeia só é ucraniana porque Khrushchev crescera na Ucrânia, pelo que uniu a península conquistada pelas tropas de Catarina II à república onde fora chefe comunista, algo que no tempo da URSS era mais ou menos indiferente, como recorda aqui a sua bisneta. A solução encontrada há 20 anos para manter essa península agarrada à Ucrânia sempre me pareceu artificial, pelo que não me surpreende que numa região onde a maioria da população é russa e onde está estacionada a frota russa do Mar Negro já se fale em referendo separatista.

O problema, naquela região, é muito mais complicado do que a leitura simplista do politicamente correcto que se limita a acusar a Europa de ter agido tarde demais e com pouca determinação. Nem todos os “amigos da Europa” de Kiev são amigos nos quais possamos confiar.

Que seria de nós sem fotografias de pulmões dissecados?

27 Fevereiro, 2014

A União Europeia quer toda a gente saudável e sem vícios feios. Presumindo que as pessoas não sabem que fumar faz mal, as novas directrizes estão aí para serem aplicadas:

  • Avisos (com imagens) que terão que cobrir 65% das frente e traseira de cada maço de cigarros, incluindo avisos adicionais no topo;
  • Maços “lipstick-style” destinados a mulheres são banidos. Todos os maços devem ter pelo menos 20 cigarros para permitir espaço suficiente para os avisos do ponto anterior;
  • Tabaco de enrolar terá avisos com imagens semelhantes;
  • Proibição de elementos como “livre de aditivos” ou promovendo o produto como menos nocivo que outras marcas;
  • Proibição de cigarros com sabor, tais como mentol, fruta ou baunilha;
  • Concentração máxima de nicotina para cigarros electrónicos fixada;
  • Controlo de cigarros a nível do espaço da UE para combater contrabando;

(traduzido do Telegraph)

Ou como diz Tim Worstall aqui, numa deliciosa frase que deve continuar sem ser traduzida, “and just to show that these people really are drowning in their own syphilitic puss”, limitar nicotina em cigarros electrónicos, o método actual mais eficaz de abolição do consumo de cigarros, é só ser extremamente idiota.

as pirocas dos liberais

27 Fevereiro, 2014
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Permitam que plagie um texto meu publicado no velhinho Portugal Contemporâneo (“as pilinhas dos liberais”), que em tempos escrevi sobre as desavenças entre os liberais portugueses, sobretudo aqueles que se reclamam de maiores proximidades clássicas e conservadoras (como é o meu caso) e os que estão mais próximos do chamado libertarismo, mais conhecido por anarco-capitalismo, embora esta última designação possa ser enganadora.

A ideia era a de que uns e outros se preocupavam em dissecar publicamente as suas desavenças e desentendimentos, lidando, entre si, como aquelas crianças que, para disputarem a sua masculinidade, comparam e medem os tamanhos das suas pilinhas, em vez de procurarem o entendimento necessário para enfrentarem o estatismo asfixiante do país em que vivemos. Sem dar conta disso, eu mesmo caí no logro de olhar mais para o lado e menos para a frente. Em vários artigos publicados sobretudo n’ O Insurgente, ataquei alguns postulados doutrinais do libertarismo e alguns dos autores que os defendiam, em boa medida porque os considerava (e considero ainda) frágeis, mas, também, em forma de reacção ao que me parece ser um ataque desnecessário (e auto-destrutivo) movido por alguns libertários ao que considero ser o mais valioso (embora em crise profunda) património histórico do liberalismo contra o estatismo: os princípios estruturantes do constitucionalismo oitocentista e novecentista, deturpados e desviados, é certo, pelo Estado Social do século XX, mas passíveis ainda de serem muito úteis a quem quer conter o ímpeto do poder público.

De há uns tempos para cá, deixei de o fazer, pela razão óbvia de que me consigo entender muito mais facilmente, no que considero essencial, com qualquer libertário do que com outra pessoa que prefira o estado à liberdade. E porque, apesar de considerar que existem o que julgo serem erros nas suas construções teóricas, muito do que escrevem e dizem esses autores está muito bem dito e muito bem escrito. Deixei, assim, de medir a minha pilinha com a dos meus colegas libertários e julgo que o não voltarei a fazer.

O plágio altera o sujeito da frase de “pilinhas” para “pirocas” para o abrasileirar. O motivo é a dissenção pública, e cada vez mais profunda, entre dois muito estimáveis liberais e o que cada um deles representa, o Hélio Beltrão e o Rodrigo Constantino, na comunicação social brasileira e nas redes sociais. O Hélio tem feito um notável trabalho à frente do Instituto Mises Brasil, sendo também um excelente palestrante e um liberal que pensa muito bem e tenta agregar, enquanto que o Rodrigo, que já colaborou episodicamente no Blasfémias, é, de há uns tempos para cá, o principal autor e comentador liberal brasileiro, com obra publicada e intervenção pública regular de vulto, para além de presidir, desde há uns meses, ao também muito influente Instituto Liberal.

Assim, cumprimentando os dois e intervindo numa polémica entre eles apenas porque a tornaram pública, daqui os desafio a porem as suas pirocas dentro das calças e a dedicarem-se ao fundamental: combater um estatismo e um socialismo galopantes no Brasil, que se prepara para ver renovados, nas próximas eleições presidenciais, mais quatro anos de domínio socialista desse imenso e fantástico país. Depois não se queixem.

perceber o que nos aconteceu

27 Fevereiro, 2014
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José Manuel Moreira escreveu um brilhante artigo, hoje publicado no Diário Económico, que, para além da excelente qualidade a que sempre nos habituou, tem o mérito de tornar definitivamente clara a natureza do sistema económico que produziu a crise com que hoje nos confrontamos. Mas a importância deste texto não se esgota na sua utilidade pedagógica. Ele deveria servir para, de uma vez por todas, os políticos porem de lado a ladainha desresponsabilizadora contra algo que nunca existiu nos países agora em crise – o modelo económico capitalista/liberal e a economia de mercado não intervencionada – e enfrentarem as verdadeiras causas dos problemas, das quais não estão obviamente isentos. A insistência em encontrar culpados onde eles não existem, que sobretudo a esquerda tem procurado, é uma táctica política de fuga legítima, mas que só agravará os problemas do país e das pessoas, se mantida como orientação política de um futuro governo, porque fugirá à realidade das coisas e procurará soluções a partir de um diagnóstico errado, ou terá como consequência um agravamento da já enorme descrença popular em relação aos políticos e à política, se só servir como tema de campanha e for abandonada mal se assumam responsabilidades de governo, como sucedeu recentemente na França socialista do senhor Hollande, quando confrontado com a realidade. Por ser fundamental para todos percebermos o que nos aconteceu e não nos deixarmos cair em demagogias baratas, o artigo de José Manuel Moreira é de leitura mais do que obrigatória.

Leituras:

27 Fevereiro, 2014

«As Finanças/As SS nazis» por Daniel Deusdado

Como começar mal uma campanha

27 Fevereiro, 2014

«Europeias “são teste ao Governo”, diz Francisco Assis».

Depois queixam-se que não se debatem «as grandes questões europeias» ou da baixa participação.

Pudera! Se os protagonistas começam logo por dizer que as eleições são sobre outra coisa do que realmente são, então na verdade não são especialmente relevantes…..

E no Carnaval de cá

27 Fevereiro, 2014

“nos termos e para os efeitos previstos nos n.ºs 1 e 2 do artigo 3.º do Decreto Legislativo Regional n.º 9/2000/A, de 10 de maio e tendo em conta o previsto na alínea d), do artigo 11.º do Decreto Regulamentar Regional n.º 24/2012/A, de 27 de novembro, declaro de reconhecido interesse público o bailinho “Virgem aos 40”, que atuará no Carnaval 2014, no período de 3 a 4 de março.”

No Carnaval deste ano vão desfilar de burka

27 Fevereiro, 2014

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Ministério do Esporte rebate Adidas após camisetas sexistas
Brasil exige a Adidas la retirada de dos camisetas del Mundial sexistas

Dêem-lhes mais uns milhões que o mar os há-de levar

26 Fevereiro, 2014
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A Visão da semana passada andou pelo país a conferir os estragos dos temporais. Como se esperaria, não faltaram choradinhos. Com uma excepção. Quando chegaram à “minha” praia, a Adraga, pediram ao Jorge, o dono do restaurante local, para comentar o cenário de desolação (e aquilo por ali é mesmo um cenário de desolação, pois a areia desapareceu toda e só resta o leito de calhaus) e este, fleumático, vaticinou que tudo voltaria ao normal: “O que o mar leva, o mar devolve”.

Não vivo há tantos como o Jorge naquela zona, mas as variações que já testemunhei naquela praia sustentam o seu optimismo. Espero sinceramente que tenha razão, até porque, ao contrário de tantos outros, não pediu camiões de areia para encher a praia em frente ao seu restaurante. Sugiro por isso ao Jorge que sossegue o dr. Mário Soares da próxima vez que ele se sentar a uma das suas mesas para um peixe grelhado sempre nos limites da perfeição. É que o nosso ex-Presidente está indignado porque o Governo, vejam lá, “nunca disse como e quando vai indemnizar os estragos causados, como lhe é devido”.  A expressão crucial é o “como lhe é devido”, pois aparentemente tudo é devido ao Governo, até os temporais.

Ou, vendo melhor, os temporais existem é “por causa dos mercados e da globalização economicistas, esquecendo-se que estão a destruir a Terra e, consequentemente, os próprios humanos”. Os temporais e os tremores de terra, fenómenos que Mário Soares junta no mesmo saco, pois como toda a gente sabe Ler mais…

Concertos como função social do estado

26 Fevereiro, 2014

Uma parte da discussão nos posts sobre o caso Fernando Tordo(*) focou-se numa espécie de papel de advogado de defesa dos artistas, que têm que viver (e essas coisas), e em análises relativistas sobre se 15 milhões é muito ou pouco dinheiro para “a cultura” dos concertos.

Seria interessante que a discussão se centrasse nas funções sociais do estado. Compete ao estado, via financiamento autárquico, providenciar concertos de artistas (maioritariamente portugueses mas não exclusivamente)? Se sim, quais artistas? Deve uma lógica de mercado (o Tony Carreira é mais popular que a Rosinha) ditar o número de concertos subsidiados? E se não, faz sentido alguém queixar-se que “não recebe apoios”?

Se chegarem à conclusão que sim, que o estado deve fornecer concertos de artistas nas suas funções sociais, como pretendem regulamentar de forma a que o princípio constitucional da igualdade entre artistas não viole o princípio constitucional da confiança que todos receberão igual número de concertos para tocar?

(*)
A música não tem preço
O monstro da cultura
Contratar quem contrate o contratante
Jornalismo de graça
O problema do capitalismo é caírem como tordos

Criatividade autárquica

26 Fevereiro, 2014

A página no Facebook denominada “Notícias de Caminha” publica hoje um “comunicado”, aparentemente distribuído durante a madrugada em estabelecimentos comerciais do município minhoto. O comunicado, não assinado, refere alegadas luvas e actos de corrupção de Miguel Alves, eleito pelo PS nas últimas autárquicas. Juntando um pouco mais de açafrão à coisa, terminam o “comunicado” com “o senhor presidente como é bonito e bem falante, anda a comer duas mulheres casadas do nosso concelho”.

O suposto "comunicado" (via Notícias de Caminha)

O suposto “comunicado” (via Notícias de Caminha)

Nada sei sobre a veracidade do próprio “comunicado” nem sobre a sua distribuição. O que sei é que, de acordo com O Caminhense, “empresários de Caminha avançam com abaixo-assinado para tentar travar a instalação de hipermercado”.

Quem disse que a política autárquica não arranja soluções?

a dar à língua

26 Fevereiro, 2014
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O Professor Rosas conhece alguns factos “de favores políticos e pessoais, de negócios para “ir buscar” dinheiro ao Estado” entre Passos Coelho e Miguel Relvas, que justifiquem esta “cooperação” que o autor do artigo praticamente qualifica de mafiosa (“tanto para um como para o outro o afastamento e a possibilidade de virem a encontrar-se mais tarde em lados diferentes da barricada seria extremamente perigoso”), ou o que hoje publicou sob a forma de artigo no Diário Económico não passa de um puro exercício de baixa intriga e reles coscuvilhice? Sempre terá o artigo da próxima semana pra nos esclarecer a respeito de tão sombrios pactos de sangue.

para além dos limites

26 Fevereiro, 2014
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Ninguém é ingénuo ao ponto de ignorar que a política portuguesa se transformou, há muito, num terreno fértil para a demagogia mais rudimentar, nem de esperar que surjam Demóstenes e Catões nas lideranças dos nossos partidos. Mas, caramba!, há limites que não deveriam ser ultrapassados, porque nos envergonham a todos, como sucedeu aqui, com um discurso que parece destinado a atrasados mentais e não a seres racionais. Por exemplo, o que significa “Estado mínimo para um mercado máximo”? De que “mercado” se está a falar? Do Bulhão? Da bolsa de valores? Do mercado de flores da Ribeira? Do Continente? Ou tratar-se-á de uma subtil imagem metafórica sobre as virtudes da intervenção do governo e dos nossos sapientes políticos nos destinos dos indígenas lusitanos, em desfavor dos horrores que podem ocorrer se os chatearem um pouco menos e os deixarem um pouco mais entregues a si próprios? Por acaso, não tem sido aquilo que se tem feito nos últimos anos – pôr os políticos a cuidar dos autóctones -, com os resultados que estão à vista de todos, a custos tributários obscenos? E que espécie de “caminhos alternativos” se podem “trilhar” quando se não tem um cêntimo para mandar cantar um cego? Ir roubar carteiras para o Rossio ou para a baixa do Porto? Trafulhar os credores, convencendo-os a darem-nos mais dinheiro nas condições que nós – e não eles – pretendemos? Ou outro qualquer percurso só vislumbrado por iluminados, que o ilustre orador conheça e que por modéstia intelectual não partilhou conosco? E quem raio são “eles”, os tais que “estão no topo de todas as instituições europeias’? Alienígenas incubados em corpos humanos que querem dominar o planeta? Perigosos defensores da exploração capitalista e da escravidão infantil? Fanáticos desumanizados, apenas preocupados em defender os lucros excessivos das grandes empresas e os mercados criminosos, como diria o sempre lúcido Mário Soares? O renegado Hollande e as suas hollandetes, agora rendidos ao tal “mercado máximo” e à Senhora Merkel de Hamburgo, sabe Deus em troca de que miseráveis prebendas e louvores? Por fim, que espécie de “novo desenvolvimento” poderá vir das “energias renováveis, do ambiente e da excelência da investigação”? Alguém em estado de normalidade mental acredita que Portugal possa pagar o que deve e gerar recursos para viver melhor a partir destas difusas e peregrinas ideias? Não há ninguém pelo Largo do Rato que perceba o absurdo disto e lhe ponha termo, a tempo de evitar uma hecatombe para o PS, ou, em alternativa e o que será pior, para o país?

ecologia rosa

25 Fevereiro, 2014
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Afirma o Dr. Mário Soares, na sua habitual homilia das terças-feiras do Diário de Notícias, que “a ganância dos mercados é responsável pelas (…) “ondas gigantes que destruíram uma parte da nossa costa e das nossas praias”, “as chuvadas torrenciais que o Reino Unido está a sofrer. Os tufões, os tremores de terra, os tsunamis no Japão, as ilhas Filipinas, algumas já desaparecidas, a imensidade de neve e gelo que tem assolado os Estados Unidos”. Todas estas catástrofes naturais são evidentemente causadas pela especulação financeira e pela desregulação dos mercados, como ressalta à evidência. Por mim, que não ignoro que até o dilúvio bíblico foi obra do capitalismo selvagem, acredito piamente que num mundo verdadeiramente socialista, onde o estado domasse a ganância e a especulação dos malfadados mercados, nenhuma destas tragédias ocorreria. Infelizmente, elas sucedem, quase sempre, no domínio público e nas áreas cuja segurança está a cargo dos estados, isto é, à sua inteira responsabilidade. Não querendo contrariar o Dr. Mário Soares, cujas opiniões ambientais são sentenças, talvez lhe fizesse bem ler o que Walter Block escreveu sobre o zelo e a estima com que o estado costuma cuidar daquilo que é seu. Talvez daí pudéssemos retirar conclusões mais prudentes sobre quem trata melhor a propriedade e como se poderiam evitar alguns destes problemas ecológicos que tanto o preocupam.

A música não tem preço

25 Fevereiro, 2014

O projecto “Momentos Douro”, iniciativa da Associação da Rota do Vinho do Porto, para o seu concerto com B. B. King (2010), gastou aos contribuintes 161.000,00€. A Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, organizou em 2009 um ciclo de concertos denominados “Música e Ciência – Concertos Comentados por Cientistas”. Custou ao contribuinte 150.000,00€.

A “realização de concertos com orquestras multiculturais e eventos que envolvam artistas portugueses e estrangeiros que espelham a interculturalidade da cidade de Lisboa por ocasião da IVª Edição do TODOS – Caminhada de Culturas” (é esta a designação) custou-nos 142.800,00€. O concerto dos Xutos e Pontapés em Matosinhos (2009) custou-nos 83.000,00€.

Os Xutos e Pontapés nem ficaram muito caros ao contribuinte: 197.000,00€ em ajustes directos. O Tony Carreira saiu um pouquinho mais caro: 936.250,00€ (mais dois e passaria um milhão). Os Deolinda são baratinhos (“que parva que eu sou”), só nos custaram 116.092,53€ (a indignação não tem preço).

Somando todos estes ajustes directos seleccionados com a palavra “concerto”, obtemos, desde Setembro de 2008, 15.771.060,45€. Vá, 15 milhões de euros em contas redondas. Nem é muito, dirão os paladinos da cultura subsidiada, enquanto se queixam da indignidade dos 485€ de salário mínimo. Em ajustes directos com concertos e festivais foram só 32.518 salários mínimos indignos.

Uma resposta esmagadora [actualizado: agora menos esmagadora]

25 Fevereiro, 2014

Nunca tivemos apoios, nunca os pedimos. Arte é independência! Não nos queixamos, trabalhamos. Não fazemos birras, agimos. Nunca contámos com qualquer tipo de benesse ou ajuste directo, nem com homenagens ou facilitismo dos poderosos. Nunca tocámos para partidos e sempre nos mantivemos longe da politica. Este país é o que queremos? Não. O que merecemos? Não. Mas, é o que amamos? Sim. Este Governo é mau? É! Houve um melhor outrora? Não me parece. — Fernando Ribeiro, Moonspell

(via Rui Carmo, n’O Insurgente)

ADENDA 1: Post em actualização. Comentários temporariamente fechados.

ADENDA 2: O leitor Pedro chamou a atenção para a existência de ajustes directos para a realização de espectáculos com a banda Moonspell. A saber, totalizando 126.731,62€. Ora bolas, lá se vai a resposta esmagadora, que continuando esmagadora, já não é factual. Que aborrecido, pregador Frei Tomás.

ADENDA 3: Comentários reabertos.

Contas da RTP têm calculadora própria

25 Fevereiro, 2014

A RTP decidiu que “já há mais portugueses a emigrar que na década de 60“, isto a propósito da mui pungente história de Fernando Tordo, também entrevistado com a mala de cartão no aeroporto(*). Portanto, a RTP diz-nos que a área a azul é superior à área a vermelho no gráfico Pordata seguinte. Que a RTP é um encargo desnecessário, já sabemos; que tem problemas com geometria é um “novo paradigma”.

emigracao-ultrapassa-decada-de-60

(*) Que saudades da década de 60, quando a Maria e o Manel eram entrevistados com a mala de cartão no aeroporto.

Ocupem o Vau

25 Fevereiro, 2014
Mário Soares, caminhando na Praia do Vau, onde possui uma “casa devoluta”.

O Público brinda-nos com o título “há cada vez mais sem-abrigo num país com um milhão de casas vazias”. Tirando o detalhe das casas vazias terem dono, tornando a notícia numa espécie de apelo a uma reforma agrária habitacional, a coisa vai mais longe, com Bingre do Amaral, investigador (clube de fãs aqui), afirmando que o número de casas vazias está “subavaliado” pela não contabilização das “segundas habitações” e casas “para venda” como imóveis devolutos.

Esta colectivização de fogos peca pela ausência de uma política a médio e longo prazo verdadeiramente inclusiva. Porque não, por exemplo, considerar também devoluta uma casa onde apenas habita uma pessoa viúva? É só uma questão de tempo até que esta casa seja, também ela, devoluta. Se se começasse desde já a sua inclusão na lista de ocupáveis por sem-abrigo, não só se resolveria mais rapidamente o problema destas pessoas como se extinguiria a solidão dos idosos que acabam nas páginas dos jornais por morrerem sozinhos.

O que tem de ser

25 Fevereiro, 2014

A escolha de Miguel Relvas para cabeça de lista do Conselho Nacional do PSD causou um sobressalto absolutamente surpreendente qaundo comparado com o silêncio que se abateu sobre os convites formlados a José Sócrates. Que Relvas presida ao Conselho Nacional (CN) do PSD é um problema do PSD e de quem nele vota. Mais espantoso é que ao seu colega académico José Sócrates ninguém o convide para nada no PS e pelo contrário várias forças vivas da nação andem num virote a tentar arranjar-lhe um curriculum cultural apresentável:  Sócrates no conselho geral da Universidade da Beira Interior e de apresentador de  «Eichmann em Jerusalém».

O drama de Marcelo

25 Fevereiro, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE: Marcelo estava no táxi a caminho de casa e algures resolveu rumar ao congresso. Ou Marcelo já sabia que ia ao congresso quando apanhou o avião na Madeira? Ou mesmo antes de chegar à ilha? Não interessa. Ele pode dizer o que quiser porque os portugueses gostam de ouvir as suas explicações mesmo quando elas se contradizem. Marcelo é um caso único na política portuguesa. E estou em crer que não apenas na política portuguesa mas isso ficará para depois. Para quando tiver de escrever sobre Marcelo presidente da República. Porque se ele quiser vai sê-lo. O que eu duvido é que queira mesmo.

E sobre estas praxes não têm nada a dizer?

25 Fevereiro, 2014

Tema do meu artido de hoje no DE: “Um recluso da cadeia da Carregueira foi violado por três colegas de cela, três dias consecutivos, numa espécie de “praxe de boas-vindas”, tendo sido obrigado a tratamento médico. O Ministério Público está a investigar.” – escreve o Jornal de Notícias de ontem. Não sei o que está a investigar o Ministério Público mas para lá das responsabilidades de cada um dos agressores seria importante que se percebesse não só como foi isto possível mas como foi possível que acontecesse durante três dias. Durante três dias nenhum guarda passou por ali? Durante três dias aqueles homens estiveram incomunicáveis? Durante três dias ninguém viu nem ouviu nada? Ser preso não pode significar passar a viver numa realidade alternativa onde impera a lei do mais forte. Quando alguém é detido a responsabilidade pela sua vida e pela sua segurança passa para o Estado. E não é de modo algum aceitável que este Estado que todos os dias inventa mais um detalhe para se meter nas nossas vidas se demita da mais elementar das suas funções: garantir a segurança dos seus cidadãos, nomeadamente daqueles a que privou de vários direitos. Por fim mas não por último seria também importante que o Ministério Público investigasse a existência nas prisões daquilo a que os jornalistas frequentemente se referem como “praxe de boas-vindas” e que só é referida como se se tratasse de uma fatalidade porque quem assim pensa, fala e escreve não pensa que um dia pode ser preso ou pior que pode ver os seus filhos numa cadeia.

 

Quanto custa?

24 Fevereiro, 2014

O fim da austeridade, como assinalado pelo Rui, merece ser guardado para memória futura; mas, para já, merece duas questões:

  1. É o fim da austeridade ou é promessa de não intensificar a austeridade existente? Colocando a questão de outra forma é “não queremos mais austeridade” ou “não mais queremos austeridade”?
  2. Quanto custa, em termos de austeridade futura, o fim da austeridade?

A primeira questão permite aferir a confiança do PS na estupidez do seu eleitorado; a segunda permite aferir se conhecem o significado da palavra.

um blog que faz anos de quatro em quatro

24 Fevereiro, 2014
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O Blasfémias nasceu no dia 29 de Fevereiro de 2004, num ano bissexto, pelo que só faz anos de quatro em quatro, sendo o seu próximo aniversário a 29 de Fevereiro de 2016.

Não obstante esta singular contrariedade, passaram-se já dez anos de tempo físico e, apesar de nenhum dos seus fundadores e autores sentir o peso da idade, a verdade é que parece que se passou uma década desde a edição do primeiro post, mais precisamente este aqui.

Dez anos é muito tempo seja para o que for, com excepção, naturalmente, dos tempos da justiça portuguesa, que leva sempre um pouco mais do que isso para começar a produzir resultados. Num objeto tão estranho quanto um blog, dez anos são uma eternidade, julgando mesmo que nenhum outro blog colectivo português atingiu essa longevidade.

O objeto que, durante esse imenso tempo, fomos produzindo é estranho, desde logo para nós, os seus autores. O blog foi sempre um espaço de opinião individual, muito mais do que de informação ou de investigação, como acontece com outros. Se ainda se mantém vivo e com um número de leitores que nunca parou de crescer, é porque algum mérito e interesse deve ter aquilo que por aqui fazemos. A verdade dos factos é que o Blasfémias foi sempre um espaço de pluralidade, de opinião crítica e independente, que nunca fechou portas ao contraditório e que gosta mesmo de o cultivar. O cuidado reforçado que passaremos a ter com as nossas caixas de comentários, que o Vitor aqui anunciou, deve-se exatamente à nossa intenção de preservar essa liberdade de opinar e contradizer, separando-a de lixo tóxico que, nos últimos meses, estranhamente vinha invadindo este espaço de opinião livre. Este fenómeno, estranho em si mesmo, até por exigir muito tempo e disponibilidade por parte de quem o pratica, não se encontra, que saibamos, em nenhum outro blog português. O que reforça a nossa convicção de que anda por aí muita gente apreensiva com um meio de comunicação e de opinião livre e independente que tem audiências muito expressivas como, por exemplo, as da passada semana, que atingiram, na quinta e na sexta-feira, 18.339 e 19.196 visitas e page views.

Devido ao lamentável facto de só haver anos bissextos de quatro em quatro, o Blasfémias comemorará, este ano, o seu 10º aniversário no próximo dia 28 de Fevereiro.

remédio santo

24 Fevereiro, 2014
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Para acabar a austeridade, basta votar no PS. Para memória futura.

Um esclarecimento sobre comentários

23 Fevereiro, 2014

A falta de moderação nas caixas de comentários nos blogues e jornais permitiu desvirtuar um excelente meio de discussão e diálogo, transformando-o num espaço de insulto, calúnia e mau gosto. Não é por se permitir o pior da tasca num suporte informático que se é mais ou menos liberal: permitir comentários “à bruta” reduz o esforço dos autores a um circo e a única coisa que fomenta é a dissuasão de potenciais comentadores que se poupam ao incómodo do grunhido alheio. O anonimato aumenta o potencial para excessos.

Há quem lhe chame censura, como se o termo possa ser usado exclusivamente como antónimo de liberdade. À falta de auto-censura, algo que acontece na presença dos interlocutores, não resta outra hipótese de salvaguardar a higiene que não o reforço das regras, que mais não são que um guia de civilidade.

Vídeos, salvo raras excepções, não são permitidos nos comentários.

Contraditório e discussão são incentivados mas, como deveria parecer óbvio, insultos, calúnias e a utilização de adjectivos com vista ao ad hominem não são permitidos.

Os comentários devem ser focados para o texto a que se destinam e não sobre outros assuntos não relacionados. Todas as pessoas que se sentiram afectadas com o recente intensificar de moderação podem voltar a comentar bastando para isso adaptarem-se aos mínimos exigidos.

Esta caixa de comentários está aberta para os vossos pontos de vista sobre o assunto: agradeço que libertem a zona de comentários nos restantes posts para comentarem o post propriamente dito.

Ver melhor com os olhos fechados

23 Fevereiro, 2014

Quem vai acompanhando os canais noticiosos já teve oportunidade de reparar na existência de um mercado desregulado de comentadores profissionais e não federados. Não se trata de um grupo de pessoas conhecido por exercer actividades extra-comentário, exceptuando, em alguns casos, a docência em estabelecimentos de ensino superior para futuros comentadores.

A coisa funciona assim: o político fala, o comentador comenta, o jornalista avalia o comentário, o homem-rede-social comenta o comentador e é comentado por outros homem-rede-social-comentadores que também comentam, em pleno diálogo, o comentado que comentou o político e tem acesso ao comentário privado com outros políticos, também eles comentáveis e comentadores.

Não há nada de errado nisto: funciona como a liga de honra e a 2ª liga. Algumas redes sociais são autênticas taças de Portugal, onde tudo comenta tudo com toda a gente, incluindo comentários dos comentados e dos comentadores de comentadores, esbatendo assim as fronteiras existentes entre quem influencia e quem é influenciado.

O único problema deste ecossistema é gerar nesta geometria riemanniana do n-comentário uma falsa percepção de relevância a alguns comentadores/comentados amplificada pelas variações familiares de “estavas tão bonito na televisão”. Na realidade, não é um problema; é uma especificação. E isso pode perfeitamente explicar o que Pedro Magalhães diz aqui, de que “há uma dissonância(…) entre o que as sondagens dizem sobre a opinião pública e aquilo que na opinião publicada se vai dizendo sobre o tema”.

Isto deve ser uma idiossincrasia nacional

23 Fevereiro, 2014

O vereador do PSD na Câmara de Baião, que recentemente emigrou para Inglaterra, quer que a autarquia lhe pague as deslocações a Portugal quando participar nas reuniões do executivo, confirmou hoje à Lusa o presidente do município

E o senhor vereador quando se candidatou a vereador vivia onde? E avisou os eleitores desta sua pretensão?… Enfim estou em crer que ao senhor vereador não lhe faltarão apoios de monta nessa sua pretensão. Até podem formar a associação dos eleitos que depois de serem eleitos descobrem que vivem noutro sítio.

Os ursinhos de peluche

23 Fevereiro, 2014

Avante: «Face aos acontecimentos na Venezuela, o PCP emitiu, sexta-feira, dia 14, uma nota de imprensa na qual «condena veementemente os actos de violência e vandalismo perpetrados por grupos de cariz neofascista que provocaram a perda de vidas e a destruição de bens públicos», denuncia «os objectivos antidemocráticos e golpistas de mais esta campanha desestabilizadora levada a cabo contra a revolução bolivariana pelas forças da reacção e direita venezuelanas, articuladas e apoiadas pelo imperialismo norte-americano», e nota que tal acontece quando «as legítimas autoridades da República Bolivariana da Venezuela promovem a melhoria das condições de vida da população e intensificam as medidas de combate à especulação e guerra económica que visa desestabilizar o país».

No mesmo sentido, o Conselho Português para a Paz e a Cooperação sublinha que «aqueles que perderam sucessivas eleições continuam a recorrer a todos os meios, incluindo à violência, para alterar a ordem constitucional e anular a vontade do povo, expressa livremente». A Cooperativa Mó de Vida repudiou por seu turno o tratamento mediático dos acontecimentos por parte da generalidade da comunicação social, que «ocultou factos importantes com o objectivo de induzir uma opinião» favorável aos envolvidos no golpe.»

Neste faz de conta de que são democratas e como falam muito de trabalhadores  são certamente muito bem intencionados, dogmas subjacentes à relação  da sociedade portuguesa com o PCP, faz-se por esquecer aquilo que os comunistas realmente são: defensores de uma sociedade totalitária, apoiantes nunca arrependidos de regimes iníquos e estruturas corporativas altamente eficazes a retirar as vantagens do sistema nos nefandos países capitalistas onde os seus projectos de poder falharam. Mas como falam muito de trabalhadores e (ó suprema  ironia!) de liberdade são uma gracinha. Uma espécie de ursinhos de peluche (experimentem entrar-lhes nas zonas que consideram suas  e logo verão o sorriso de peluche dar lugar a um rugido bem real ou, pior, à insídia, à insinuação, à manobra de bastidores…) Mas como ninguém resiste a um ursinho de peluche cá andamos com os nossos ‘pecês’ ao colo. E quando declaram não ter a certeza se a Coreia do  Norte é ou não uma democracia ou redigem comunicados como o que fizeram recentemente sobre a Venezuela acaba tudo a sorrir de forma condescendente.

Internet é vício burguês

23 Fevereiro, 2014

venezuela-na-rua

Na Venezuela, onde os protestos sobre comida e o estado da economia escalaram para revoltas violentas originando pelo menos 5 mortos, o governo do socialista Nicolás Maduro acelera a censura. Autoridades desligaram o acesso à internet numa grande cidade e sua área circundante, de acordo com relatos da EFF.

O ISP estatal CANTV, que controla a maioria da internet do país, cortou o tráfego em San Cristóbal, a capital do estado de Tachira e um dos centros de protesto. De acordo com Marianne Díaz, advogada e fundadora do grupo activista Acceso Libre, a conexão foi cortada em toda a capital e provavelmente em todo o estado, com população superior a um milhão.

Ler o resto aqui (em inglês)

Times are changing

22 Fevereiro, 2014

catavento

Berta Cabral: “Dificilmente alguém conseguiria os mesmos resultados de Passos Coelho”

A fascinante instagramização da revolução

22 Fevereiro, 2014

Já viram as fotografias de Kiev, certo? Fantásticas, com um contraste que exprime urgência, uma maravilha de comunicação. Como esta:

ucrania

E da Venezuela, já viram? Cá está uma das que se vêem – choca, suja, pouco apelativa:

venezuela

Vamos dar-lhe o tratamento “filtro revolução ucraniana” e um toque taciturno, um desenvolvimento do laboratório Blasfémias, ainda em fase experimental:

foto-com-e-sem-filtro-revolucionario

Na Venezuela não há bons fotógrafos, estão todos na Ucrânia.

Eu também não sou neoliberal

22 Fevereiro, 2014

Quando Alexander Rüstow cunhou o termo, na década de 30 do século XX, pretendia traçar a diferença entre o liberalismo clássico e a nova visão liberal de cariz social, efectivamente estabelecendo uma posição preponderante do estado no estabelecimento de uma “economia social de mercado”. O liberalismo social usa termos como “justiça social”, tal como a CGTP.

O expoente máximo do neoliberalismo português da última década é José Sócrates.

São todos um bando de socialistas.

Inutilidades aligeiradas, mas só temporariamente….

21 Fevereiro, 2014

O Governo aprovou  um regime excepcional e transitório que prevê a dispensa, durante sete anos, de diversas obrigações técnicas na reabilitação de edifícios (*)

Diz ainda a notícia que «As obrigações que são aligeiradas ou temporariamente suspensas são apenas “disposições técnicas” que, sendo dispensadas, não colocam qualquer problema para a habitabilidade ou utilização final dos imóveis nem suscitam questões de segurança nos edifícios. »

Ora, se não existe problema para a habitabilidade, utilização ou segurança dos edificios, porque é que tais normas existem? Porque fazem um regime excepcional  e simplesmente não se acabam com tais obrigações que afinal reconhece o governo não servem para coisa nenhuma relevante a não ser aborrecer quem queira fazer obras em casa? Porque o regime é por 7 anos e não para sempre e em todas as situações? Afinal, tais obrigações inúteis existem em benefício de quem? Gente complicada que até para simplificar resolve complicar.

Sinal já entregue

21 Fevereiro, 2014

Não se sabe se Rui Machete pediu desculpa a Teodoro Nguema Obiang por na ultima cimeira Portugal se ter oposto à entrada da Guiné-Equatorial na CPLP em 2013.

Também não se sabe se os prometidos 133 milhões de euros de investimento de Obiang no capital do Banif (detido pelo estado português) será uma espécie de «sinal» pela adesão agora aceite. Nas ultimas semanas ainda se executavam naquele país uns desgraçados condenados a pena de morte, mas desde há 4 dias parece que existe uma moratória. Ou se acabaram os oponentes a executar ou é pausa conveniente.

Mas o que interessa é que o governo português pela voz de Rui Machete  «sente-se à vontade com esta decisão. Então não? Completamente à vontade por a Comunidade de Países de Língua Portuguesa passar a contar com mais um país que curiosamente não tem língua portuguesa entre as linguas oficiais e onde será dificil encontrar mais de 10 pessoas que o saibam falar.

Agora será uma Comunidade de Países de Qualquer Lingua. Desde que paguem a joia de entrada e a quota, tudo bem.

Não que a antiga CPLP servisse para alguma coisa, mas é uma maneira curiosa e altamente eficiente de acabar com ela.