Aprender a aprender na escola pública
“Alunos a masturbarem-se durante as aulas, bolas de papel em chamas atiradas, dentro da sala de aula, contra os professores, sala de computadores com alunos e ver pornografia e a provocar os professores e tentativa de incêndio da escola”, são estas as queixas que um grupo de pais de alunos da Escola Secundária de Maximinos, em Braga, decidiu ontem dar a conhecer ao Procurador do Ministério Público, evocando que foram praticados “crimes de natureza semi-pública”.
— Jornal de Notícias
Que exagero. Os pais não lidam bem com as pequenas excentricidades de alunos motivados para melhorarem as estatísticas do ensino obrigatório com duração de 12 anos? A juventude, por natureza, é irreverente; estas actividades lúdicas devem ser integradas num programa de aprendizagem pluri-disciplinar de forma a que se aproveite o paradigma de aprender a aprender através da experiência individualizada de cada background sócio-cultural. Em defesa da escola pública e dos resultados do PISA, exige-se mais tolerância destes pais para com os métodos de estudo destes alunos. Se andam sempre a reclamar corremos o risco de estagnar o progresso.
Coisa tão bonita a cultura
Não deve ser a mesma UE
Eu tenho andado muito ocupada e relativamente distraída das coisas do mundo portanto desculpem que pergunte: a UE que está tão chocada com o voto dos suíços nas questões da emigração será a mesma UE que tem centros de detenção/acolhimento/ expulsão para emigrantese que portanto os selecciona podendo até alguns países como é o caso de Portugal atribuir vistos gold a determinado tipo de emigrantes e que tem ainda o triste hábito de deixar sós os países europeus que se confrontam com essas vagas de emigrantes como sucede em Lapedusa?
A democracia, esse hábito traiçoeiro que a elite europeia detesta
Os suíços votaram mal no referendo de domingo passado. Por uma estreita margem, é certo, mas deram o “sim” a uma proposta que pode comprometer a prosperidade económica do país. Mas fizeram-no democraticamente. Cumprindo as regras do jogo. Não há como não respeitar a sua escolha.
Acontece que respeitar a escolha dos eleitorados não é propriamente uma grande tradição na União Europeia. Já vimos, no passado, como a elite de Bruxelas fez repetir referendos até que o povo votasse de acordo com a sua vontade. Como isso será mais difícil de conseguir na Suíça, não só porque esta não faz parte da União Europeia, mas sobretudo porque o povo suíço tem o seu orgulho, as reacções dos líderes europeus foram de uma violência inusitada. Do porta-voz da comissão aos ministros dos Negócios Estrangeiros de países como a França, a Alemanha ou a Bélgica, o tom foi sempre o mesmo: os suíços vão pagar caro a sua ousadia.
Em vez de, com humildade democrática, aceitarem o resultado do referendo suíço e anunciarem que ele implicará a abertura de negociações com a UE, os líderes da EU ameaçaram a Suíça com a denúncia de todos os acordos bilaterais. Formalmente podem fazê-lo – politicamente mostraram a arrogância pan-europeia de sempre.
Há muito que venho defendendo que esta forma de comportamento das elites europeias é uma das razões do crescimento dos sentimentos antieuropeus, que hoje já são dominantes. Há muito também que defendo que modelos de integração que façam desaparecer o princípio da soberania nacional, esquecendo que a democracia só é realmente efectiva a nível nacional, só podem conduzir ao desastre e à implosão. O referendo suíço – para além das suas motivações locais, que eram erradas – vem reforçar esta minha argumentação. A previsível subida dos eurocépticos nas eleições europeias (e nem todos os eurocépticos são de extrema-direita, ao contrário do que é politicamente correcto escrever) vai ser outra manifestação de crescente desintonia entre a elite federalista e a opinião dos cidadãos.
Aqui há uns meses o Parlamento britânico chumbou, de forma surpreendente, a intenção do governo de Cameron de enviar, se necessário, tropas para a Síria. Foi também, na minha opinião, uma decisão errada. Mas nem por um segundo o governo ou a imprensa britânica a contestaram ou conspiraram para tornear a decisão dos representantes do povo. Tudo o contrário do que a Europa está a dizer e a ameaçar fazer com os suíços depois da sua escolha democrática.
Hitler reage à venda dos Mirós
Nem Miró
A SIC Notícias está a passar em directo o discurso do cabeça de lista do Partido Comunista Português à “Europa neocolonial”, isto em defesa da “democracia”.
Está mesmo na altura de ultrapassarmos o surrealismo.
Bel’Miro – A Primeira Semana (uma retrospectiva)

Um livro de Idelberto Adaberto
Os leitores do Blasfémias, tal como 95% dos portugueses, são apreciadores de arte contemporânea. É com o prazer que deriva da cultura que vos convido para a leitura do livro “Bel’Miro – A Primeira Semana (uma retrospectiva)”, disponível para Kindle, iPhone/iPad/Mac/ePub e PDF (ePub e PDF gratuitos).
Adicionalmente, e em verdadeira expressão artística multimédia, podem ver o anúncio do lançamento desta obra em vídeo:
Editado em 14/2/2014, dia dos namorados: acrescentado link para iTunes.
Vamos acabar com as girafas na varanda
El zoo de Copenhague sacrifica a una jirafa sana pese a una intensa campaña online
a) Nunca tenham percebido que nos zoos nascem muitos mais animais do que aqueles que estão em exposição, ou que vão para outros zoos
b) Considerem razoável devolver a girafa ao que definem como seu habitat natural. O habitat natural desta girafa era o zoo e devolvê-la à terra dos seus antepassados só se fosse para que ela tivesse uma morte mais natural tipo ser logo morta por um carnívoro pois a sua capacidade de sobrevivência era muito baixa.
c) Que se indignem por a carcassa ter ido para os leões. Os leões quando podem comem girafas. Não existem leões vegetarianos.
d) Não devendo a girafa reproduzir-se por causa dos problemas de consaguinidade e estando as redes sociais tão enervadinhas a solução seria? Fazer uma jaulinha só para esta girafa? Mandá-la para outro zoo? E os outros zoos queriam a girafinha?
Enfim a maluqueira tomou conta do mundo em matéria de bichos e só continuo sem perceber quem adoptou as ratazanas que o PÚBLICO garante que foram resgatadas duma casa em Palmela.
Eu até sou capaz de aceitar os “vistos dourados”…
…mas tribunais especiais já me parece uma coisa que talvez só o famoso absinto das praxes poderia explicar. Não havendo notícia da bebida, o que provocará tais sinais de toldação?
Descubra os mirós do BPN
Precisamos de Mirós
Criminoso com diplomática modelo caterpillarAndam aí pessoas que ridicularizam a falta de gosto dos portugueses por arte contemporânea, como se todos fossem ultramontanos rudes e desprovidos de capacidade para apreciar um bom traço quando o vêem. Ridicularizar as pessoas não é bonito, ainda para mais tendo-lhes sido retirada a oportunidade para apreciarem a colecção Miró antes desta abalar para terras de Sua Majestade em mala diplomática. Com este artigo pretendo sensibilizar as pessoas para o valor incalculável da colecção, que a Procuradora Geral da República (PGR) já deliberou ser de interesse nacional indiscutível para a Política Cultural do Ministério Público (PC-MP).
Rrrruan Miró nasció em Barcelona, território português entre 1580 e 1640*, numa espécie de Miragaia lá do sítio, fruto do amor entre Miquel e Dolores adjuvados pela ausência de planeamento familiar moderno. Depois pintou muitos quadros e foi viver para Palma, onde decerto visitou a Playa de Es Trenc§. O artigo da Wikipédia pode ajudar a compreender a dimensão da importância que o artista tem nos corações dos portugueses desta e de gerações anteriores€: influenciando uma miríade de veraneantes de Isla Canela a Badia de Portbou, com castanholas+, paella y patatas bravas£ ao som de um Farfisa esganando a canção belga “Eviva España“, Miró está para os portugueses de calções e sandálias como os cigarros Lola estão para guardas fiscais nos idos pré-CEE.
Quadro de Peter Paul Rubens, não relacionado com este texto, apenas usado para permitir layout agradável ao artigoManter os Mirós em Portugal é essencial para recriar Benidorm em Almada, destruída pelo lusitanismo fadunchoso de Amália, do Benfica de Eusébio e de Fátima do novo aeroporto da Grande Lisboa. O país Portugal já não aguenta a sua portugalidade. Que o digam os nacionalistas da assembleia da república, sempre prontos para demonstrar a superioridade do eclectismo lusitano sobre o ultramontanismo-teutónico-merkeliano, pela solidariedade, suas hienas nazis.
Miró é Portugal do Portugal farto de Portugal. Não há português, com orgulho de ser português, que não esteja farto cá do pardieiro, voltando, no entanto, sempre à melhor pior terra do mundo. Portugal precisa dos seus heróis nacionais: os Krugman, Stiglitz, Schultz (aposto que pintam). O que Portugal não precisa, nesta altura, é de portugueses. Não há melhor maneira para valorizarmos Portugal que investirmos fortemente no sabor de pa amb tomàquet na praia de Madrid.
§ Não há provas documentais que suportem esta teoria, coisa que nunca impediu um socialista.
+ Zona de castanholas mais reduzida que a apontada (basicamente ultramontanos).
+em catalão ou em russo, mais adequado para intelectuais que querem a versão redux.
£ Contrariamente à opinião popular, todo o tom avermelhado do molho é oriundo de pimentón de la vera e não de tomate que, diga-se de passagem, não entra nesta receita.
Os mirós do BPN têm algum valor artístico?
Os mirós do BPN têm algum valor artístico? Uma forma de responder à pergunta é analisando os mirós que os especialistas em arte da blogosfera escolhem para ilustrar posts.
Pacheco Pereira escolheu um quadro que está no Centro Pompidou em Paris:
O Luís M. Jorge escolhe um quadro vendido na Christie’s em 2007 a um coleccionador americano. O da direita não consegui localizar mas não está na colecção do BPN.
Maria Teixeira Alves escolheu um quadro de um museu de Bufalo, Nova York. A escolha anterior, à direita, não era um Miró.
O Eduardo Pitta escolheu uma escultura que está em Barcelona:
Os jornais fazem a mesma coisa que os blogs. Por exemplo, esta noticia do Jornal de Negócios é ilustrada por um quadro que está no MoMA.
Em suma, parece haver um grande consenso na blogosfera e nos jornais de que os Mirós do BPN não são suficientemente bons para serem usados na ilustração de posts ou notícias. Também dá para perceber desta pequena amostra que há museus por todo o mundo a trabalhar as suas colecções há dezenas de anos de forma cuidada e racional. As suas obras são citadas e admiradas, mas eles também não as adquiriram por um acaso ou para bater o pé ao governo local. Pensem nisso.
O D. Quixote já não vem
A primeira página do Expresso, sobre o Mirógate (façam o favor de adoptar o termo), faz lembrar que o talento de D. Quixote é transformar moinhos de vento em PPP.

Receita para multiplicar a receita
Segundo o INE, existiam em 2012 406,1 veículos automóveis por cada mil habitantes no nosso país. Os sorteios que o Governo se prepara para realizar ameaçam aumentar este número. Como se trata de veículos de “gama alta“, adivinham-se os efeitos nefastos na pegada ecológica e na balança comercial (mais combustível importado), ainda que com efeitos positivos na receita fiscal (não tanto pelas facturas a mais emitidas, mas pelo IUC e imposto de selo sobre prémios de jogo, cujos valores poderão deixar alguns premiados imediatamente devedores ao fisco de quantias que não conseguirão pagar).
Proponho, em alternativa, que os automóveis sejam substituídos por Mirós. Os Mirós já estão nas mãos do Estado e, se um automóvel de gama alta é um bem que quase todos ambicionam ter, quem não preferiria ter um Miró? Estou seguro que esta singela mudança triplicaria facilmente os quatro milhões de contribuintes que o Governo espera que peçam factura. Não só os outros seis milhões de residentes fariam o mesmo como os sete milhões de turistas que nos visitam lhes seguiriam o exemplo.
A medida poderia ser facilmente utilizada para promover o turismo, com evidente benefício para a economia, para a receita fiscal e para a balança comercial: “Venha a Portugal e ganhe um Miró” soa bem mais interessante do que “Venha a Portugal ver um Miró“, como pretendem os defensores da musealização dos despojos do BPN. Ou até do que “Venha a Portugal e ganhe um automóvel de gama alta“. O que faria, por exemplo, um turista inglês com um automóvel ganho por pedir factura com número de contribuinte num bar irlandês de Quarteira? Basta pensar na burocracia que acompanha a mudança de um automóvel para outro país, quando comparada com a que persegue os Mirós, para perceber que o sucesso é garantido.
Alguém sabe?
Já alguém perguntou à Gabriela Canavilhas porque não transferiu os mirós da Parvalorem para um museu no período em que foi ministra (2009-2011)?
Há muito, muito tempo, era o governo ainda bom
Colecção Champalimaud é hoje leiloada pela Christie’s em Londres
06/07/2005A saída da colecção de Portugal foi autorizada pelo Instituto Português de Museus, com a justificação de que a sua exportação não podia ser evitada, uma vez que as peças são estrangeiras e foram compradas há menos de 50 anos.
(via Eurico de Barros)
Três notas sobre o desemprego
O desporto preferido de boa parte da comunicação social tem sido, nos últimos dias, encontrar formas de diminuir o alcance dos números do desemprego. Na verdade os números do desemprego continuam a não ser bons – nunca poderiam ser quando o desemprego ainda está acima dos 15% –, mas o que verdadeiramente perturba muitos comentaristas é uma descida do número de desempregados não quadrar bem com o seu retrato predilecto de um país onde as pessoas estão “estão todas a morrer à fome e desesperadas”.
O primeiro argumento contra a importância dos números do desemprego é o de que a sua descida se deve sobretudo à emergência de um mal ainda maior, a emigração. Não tenho a mesma visão catastrofista da emigração, mas admito que este argumento parece ter pés para andar: se tomarmos os números totais de 2013 verificamos que dois terços da diminuição da taxa de desemprego pode ser explicada pela diminuição da população activa, o mesmo é dizer pela emigração (e pela saída do mercado de trabalho de “desencorajados”). Só o outro terço seria explicado pela criação líquida de postos de trabalho.
Trata-se contudo de um raciocínio redutor e que obscurece a realidade do que se passou. Como mostra o Pedro Romano, praticamente toda a diminuição da população activa deu-se no primeiro trimestre de 2013, o “trimestre horribilis” em que o desemprego também atingiu números estratosféricos. Depois disso, nos três trimestres em que o emprego recuperou, a população activa não diminuiu. Como não é crível que toda a emigração de 2013 tenha ocorrido no primeiro trimestre, é preciso olhar com mais cuidado para os números. Eles parecem indicar, por exemplo, nos outros três trimestres, durante os quais a população activa se manteve estável, e por certo continuou a haver emigrantes a partir, pode ter ocorrido um regresso ao mercado de trabalho de alguns “desmotivados”. É apenas uma hipótese, mas que contraria o retrato negativista de “o desemprego só desceu porque as pessoas emigraram”.
Hoje o tema já é outro. Agora a crise é o desaparecimento de postos de trabalho na agricultura. Quando ouvi a notícia recordei-me que, em Agosto passado, quando chegaram as primeiras boas notícias sobre a evolução do desemprego, o problema era exactamente o oposto: estava-se a criar emprego, mas eram empregos maus, na agricultura… Um bocadinho de memória do que se debate de cada vez que saem os números do desemprego devia ter alertado os que se precipitaram sobre este novo “drama”, mas memória é coisa que parece rarear por aí.
Para tentar perceber o que se passou recorro de novo a Pedro Romano. A sua explicação baseia-se numa desagregação dos dados do INE separando os empregos no sector primário (esmagadoramente na agricultura) dos restantes empregos. A conclusão foi que “o ‘factor agrícola’ está a tornar-se um elemento de volatilidade crescente no mercado de trabalho”, sendo que essa volatilidade era difícil de explicar. Mas que valia a pena investigar mais, lá isso valia.
Deixadas estas duas primeiras notas sobre as justificações “más” para uma evolução “boa”, acrescento apenas uma terceira nota, esta a necessitar de análise mais rigorosa e só possível no futuro, quando se puderem estudar as bases de dados dos descontos para a Segurança Social: até que ponto a viragem – uma viragem indiscutível – no ciclo do desemprego não pode ter alguma relação com a nova legislação do trabalho e a sua maior flexibilidade. A ortodoxia mediática é que uma liberalização dos despedimentos geraria sempre mais desemprego, mas parece estar a acontecer o contrário. Mais: em Espanha, onde também se procedeu a uma enorme reforma da legislação de trabalho, também houve uma inversão dos números do desemprego. Não estou a dizer que este é o bom motivo para uma evolução que surpreendeu toda a gente, em especial os macroeconomistas com os seus multiplicadores, estou apenas a formular a hipótese omissa em todo o debate público dos últimos dias. Uma omissão que diz imenso sobre o entorse ideológico desse mesmo debate.
Homens de pouca fé, o Estado salva
Pessoa que vive fora do país desabafou, esta semana, não compreender o ar inquinado e obsessivo com que os portugueses vivem dramas pungentes por cada debate motivado por incidente passageiro. Referia-se, em concreto, ao caso dos quadros de Miró, aquele que subitamente mutuou em especialistas de arte contemporânea os anteriormente especialistas em rituais de iniciação académica, os mesmo que previamente assumiram a forma de especialistas em educação e desenvolvimento humano em famílias homossexuais. Não é uma crítica: todos os cronistas e bloggers contribuem para isso, por inerência da função, a de acompanhamento dos temas do momento. É nos cafés que a coisa assume proporções interessantes (ou melhor, desinteresse épico).
Em primeiro lugar, estes assuntos não motivam a mobilização popular que os partisans de trincheira politiqueira pensam originar. É necessário recordar que o português atira frequentemente o comentário “são todos iguais” com a mesma destreza com que se abstém nos actos eleitorais. E não é que tem razão? São mesmo todos iguais na crença que quadros de Miró/adopção gay/praxe académica/estaleiros de Viana interessam à supostamente existente sociedade portuguesa. Em segundo lugar, porque o discurso esquerdista permite alimentar estas “discussões” através da devoção à entidade supra-suposta-sociedade com função de pensar e resolver estas questões, o magno Estado. Torna-se trivial comandar as trincheiras através da redução ao absurdo: “eles querem destruir a arte”, “eles querem o povo analfabeto”, “eles querem matar o povo à fome”. Eles quem? A direita, claro. Quem melhor para nos proteger desta ignomínia que algo superior a todos, o omnipresente e omnisciente elemento centralizador, o Grande Estado?
A questão é, afinal, simples. Os vilões (“a direita, pá, a direita”) são apenas aqueles que percebem que não vender algo é o mesmo que o comprar. Esta ideia perigosa de existência de custos só pode ser combatida através daquilo que acusam “a direita, pá, a direita” de fazer: propagação de ignorância. Se nada pode ser reduzido a números, falar de números é a redução automática de tudo ao nada. A esquerda portuguesa, perante o risco de alguém compreender um trade-off entre gastar e não gastar, opta por o hiperbolizar: não ficar com quadros de Mirós torna-se em matar a cultura. Tenho que admitir que é a melhor forma de convencer o desinteressado português a gastar, no mínimo, 35 milhões de euros. Também é a melhor forma para assegurar o estado de permanente proto-bancarrota que permite, mais uma vez, atribuir ao Grande Estado o poder de nos salvar.
Sim, é uma luta religiosa, percebeu o arguto leitor. “É preciso mudar mentalidades”. Com a esperança do reino dos céus-na-terra, só a devoção ao Estado nos pode salvar.
Coisas que aprendemos com os mirós
1. Os museus de arte são um negócio muito lucrativo, sobretudo em Portugal.
2. A Christie’s não percebe nada de como programar vendas de obras de arte.
3. A PGR tem política cultural e decide quais são os quadros que interessa manter em Portugal.
4. Portugueses cumprem escrupulosamente a lei e as leis são em geral justas e não burocráticas.
5. Em cada português há um especialista de arte, capaz não só de identificar quadros de qualidade, mas também de prever a sua rentabilidade. Isto tudo sem ver os quadros.
6. Quando se opta entre dinheiro e um bem é relevante se já se está na posse do bem. Se já se tem o bem, então ele não custa nada.
7. Custo de um bem (e.g. 35 milhões) pode ser substancialmente reduzido se nos lembrarmos de algo que custe muito mais(e.g. juros da dívida ou custo do BPN).
el cantante
Vão para aí já uns anos fortes, julgo que no governo do Bloco Central presidido por Mário Soares, o Casino do Estoril preparava-se para receber um espectáculo do então ultrafamoso cantante Julio Iglésias. O artista ia cobrar ao Casino uma quantia avultada, como era, de resto, seu direito, e o Casino não se importava de lha pagar. Fecharam contrato, anunciaram o dia do espectáculo e puseram bilhetes à venda. Quando os números dos honorários saltaram para a comunicação social, gerou-se uma gritaria e um histerismo muito próprios do patriotismo nacional, e levantou-se uma onda de indignação pelo facto de um país que estava então falido (está quase sempre) autorizar o pagamento de semelhante balúrdio de dinheiro a um artista, ainda por cima estrangeiro e logo espanhol. O clamor então gerado provocou a intervenção do governo, que proibiu a realização do evento, fundando a sua decisão em ponderosos motivos de interesse nacional. Perante o pitoresco da coisa e alguns protestos, creio que dos serviços jurídicos do Casino e de algumas leitoras da Olá! portuguesa, o governo, no exercício das suas altas funções de promotor artístico e gerente de casinos, decidiu autorizar a vinda de Iglésias, na condição dele abrir uma conta num banco português e deixar por cá a massa. El cantante, à época com agenda preenchida e a carteira bem recheada, agradeceu a generosidade, mas desistiu de vir cá cantar. Viria, anos mais tarde, por várias vezes e outros tantos espectáculos, para alegria dos seus certamente inúmeros fãs lusitanos. Esta estória, não sei porquê, tem-me vindo à cabeça nos últimos dias.
GRANDE PROMOÇÃO DE LANÇAMENTO: pelas artes
Portugal, país pai do surrealismo e co-adoptado pelo dadaísmo da dialéctica marxista, é uma nação com longa história no movimento de arte internacional circense. Perpetuamente renegado para os anais da história pós-impressionista, só nas últimas horas atingiu o grau de consciencialização social merecida com a atribuição de importância extrema aos trabalhos de artistas que definem uma era, em particular a última quinzena de Janeiro.
“gl” de Bel’Miro (2014). Disponível em canecaCom uma lógica desconectante do elo obliterador, a racionalidade prevalece nas linhas expressivas do tormento humano como figuras dantescas à entrada da inferno de Kant, numa demonstração de inquietude emocional e psicologicamente perturbadora do “eu” fragmentado. Numa abordagem em gerúndio, a estaticidade das linhas cruza-se com a geometria numa dinâmica ego-id-superego-id e vice versa, revelando uma propensão oxigénica de libertação do sulfato opressor. Quebrando a sátira através da supersátira, a seriedade do movimento surrealista português – e posteriormente universal – expressa o bairrismo nacionalista da propriedade colectiva em movimentos aleatórios de diagnonalidade transversal à ética de Kierkegaard quando este afirma a unicidade contemplativa do dever em oposição ao ter.
Colecção Bel’Miro, também disponível em almofada.Numa existência pautada pelo materialismo consumista de exploração do homem-pelo-homem no mercado abjecto que determina o pagamento de bilhetes em museus para a contemplação da herança artística de grandes vultos do surrealismo, a dicotomia entre rentabilidade e património da humanidade está desbalizada de contexto sócio-económico que possa permitir o livre acesso à cultura pelos mais desfavorecidos. Por isso, a Grande Loja Blasfema lançou uma linha de merchandising baseada nos grandes vultos portugueses do surrealismo contemporâneo, Bel’Miro e Guimarães-Pinto, que permitem associar o utilitarismo do vestuário, alimentação e descanso ao usufruto de arte gratuitamente. O leitor só paga a t-shirt, a caneca e a almofada: a arte obtém de graça.
A linha patriótica “recuerdo de Portugal“, ideal para turistas em visita cultural, complementa-se com a linha “Foz Côa” e contrasta com os traços minimalistas da linha “Portugal é arte“, esta mesmo uma expansão do conceito da linha “apoia as artes“. Usufrua de qualidade e requinte. Diferencie-se usando o que é nosso, o que é português, o que é o orgulho de pertencer à nação do surrealismo.
Não embruteça. Não se deixe estupidificar. Compre já na GRaNdE LOjA BLaSfEmAbloco de esquerda: uma análise de mercado
O mercado político português é um mercado fechado à concorrência, um regime oligopolista concentrado em quatro grandes prestadores de serviços: PS, PSD, PCP e CDS.
Estes quatro partidos, não por acaso os fundadores do regime e da Constituição política que o rege, definiram, em seu favor, as leis que regem o sistema eleitoral, o mesmo é dizer, o sistema partidário. Criaram regras leoninas que, na prática, impedem a concorrência: limitação de candidaturas independentes, círculos plurinominais com acesso exclusivo a listas partidárias, método de Hondt, financiamentos discriminatórios em razão de resultados eleitorais precedentes, acesso diferenciado aos meios de comunicação social em períodos de campanha eleitoral, limitações rígidas ao financiamento privado dos partidos, etc..
Graças a isto, os quatro partidos fundadores do regime mantêm-se os únicos com poder político real, com acesso aos órgãos de soberania, às empresas públicas, ao poder local, aos canais de informação e de formação de opinião, ao orçamento de estado. Em quarenta anos de democracia, apenas uma força política desafiou, duradouramente, este status quo: o Bloco de Esquerda.
A eclosão do Bloco foi resultado do espírito empresarial de mercado de um grupo de pequenos empresários políticos que conseguiram antecipar as necessidades dos consumidores e aproveitar circunstâncias excepcionalmente benéficas para conseguirem furar o bloqueio oligopolista existente. Esses pequenos empresários andaram, durante muitos anos, a tentar entrar no mercado e vender os seus produtos com as suas pequenas empresas partidárias, sem nenhum sucesso. Resolveram, por conseguinte, juntar os seus pequenos partidos e criar uma empresa maior que, para além de agregar o que cada um deles já possuía, conseguiu um resultado final que ultrapassava a simples soma das partes.
O novo produto oferecido aos consumidores foi cuidadosamente pensado e preparado. Surgiu como um híbrido de radicalismo político e diletantismo académico inofensivo, explorando um conjunto de temas que tinham consumo assegurado e que ninguém à esquerda, desde logo o conservador Partido Comunista Português, tinha interesse em explorar: os direitos das minorias, a descriminalização do aborto, a liberalização do consumo de drogas, a eutanásia, o casamento gay, etc.. Os patrões do Bloco de Esquerda, utilizando o melhor do espírito empresarial, conseguiram antever as necessidades do mercado eleitoral e ofereceram aos consumidores aquilo que eles pretendiam e mais ninguém oferecia. Quando José Sócrates, preocupado com a erosão do PS por causa destes “temas fracturantes” assumidos pelo Bloco, tentou fazer deles bandeiras do seu partido e do seu governo, já era tarde: os eleitores perceberam que o PS ia a reboque do Bloco de Esquerda, o verdadeiro proprietário desses produtos políticos inovadores.
A falência dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes abriu condições de mercado excepcionais para a esquerda, e o Bloco, que teve a sorte de estar já em plena actuação empresarial nessa ocasião, aproveitou-as muito bem. Cresceu acima do Partido Comunista nas eleições legislativas e quase formou maioria absoluta com José Sócrates naquelas que se seguiram.
A estrutura directiva do partido seguiu, também, o bom modelo da empresa capitalista: um Conselho de Administração onde se concentravam todos os poderes deliberativos, no qual tinham assento todos os representantes do seu capital social originário (UDP, PSR, etc.), que foi transposta para as listas eleitorais e para o grupo parlamentar, chefiado por um Presidente – Francisco Louçã – que inegavelmente representava a maioria do capital social da empresa.
Uma vez conseguido sucesso empresarial com um produto inovador no mercado, o Bloco entrou na bolsa de valores políticos, abriu o seu capital ao público e, em consequência, começou a contratar quadros intermédios, aos quais, devido ao crescimento inusitado do partido e à falta de dirigentes que preenchessem todas as suas necessidades, deu responsabilidades, protagonismo e poder.
Só que nenhum destes novos dirigentes do partido tinha a percepção do que custara a Louçã, Fazenda, Miguel Portas e Fernando Rosas, entre outros fundadores, terem alcançado o sucesso empresarial que conseguiram. Eram todos muito novos, estavam fascinados consigo mesmos e com o seu imenso “talento” e, por conseguinte, não valorizaram a empresa à qual foram chamados a participar.
Assim, quando a lei da vida se impôs aos fundadores do partido e estes, por uma ou por outra razão, se tiveram de afastar de funções de responsabilidade, os seus putativos sucessores, quais filhos mimados de ricos capitalistas, não foram capazes de valorizar a herança recebida e, gastando-a perdulariamente em projectos megalómanos e em birras e zangas uns com os outros, desfizeram-na alegremente. Os dois cabeças-de-casal que ficaram a administrar o espólio já não acreditam na sua sobrevivência. Alguns dos herdeiros mais conhecidos passeiam-se por aí com os seus novos carros, a velocidade tresloucada, convencidos que continuarão a ter dinheiro para sustentarem infinitamente os seus luxos. Todos dizem mal uns dos outros e ninguém respeita a memória dos seus antepassados. O PC e o PS assistem, alegremente, ao espectáculo.
A aventura empresarial do Bloco de Esquerda, verdadeiro hino ao espírito empreendedor do capitalismo de livre-mercado, terminará, assim, como muitos dos poucos grupos empresariais portugueses: sem resistir à segunda geração. Paz à sua alma!
Dúvida
Já não tenho paciência para os Mirós
Já devia estar calejado, mas acabo por ficar sempre surpreendido. Surpreendido com o PS e surpreendido com os bem-pensantes do país.
Nesta discussão sobre as obras de Miró parte-se logo de um equívoco: a de que não existe custo se ficarmos com os quadros, pois eles já são nossos. Não é verdade. Há um custo de cerca de 35 milhões de euros. Se os quadros não forem vendidos, será o Orçamento de Estado a ter de meter esses 35 milhões no imenso buraco do BPN – uma realidade que a deputada Inês de Medeiros insiste em negar com a sua imensa arrogância e ignorância. É uma gota de água nesse imenso buraco? É. Mas não deixam de ser mais 35 milhões suportados pelos contribuintes.
Estando este ponto assente, importa saber se comprar uma colecção de quadros de Miró tem prioridade sobre outros gastos do Estado, se tem prioridade sobre outros gastos da Cultura e se tem prioridade sobre a aquisição de outras obras e colecções para os museus nacionais.
Qualquer pessoa sensata só pode responder negativamente a qualquer destas perguntas. Nenhum governante com os pés assentes na terra preferiria aplicar 35 milhões em pinturas de Miró quando isso implica retirar 35 milhões a outros destinos. E nenhum titular da Cultura com um mínimo de sensibilidade decidiria gastar 35 milhões nestas pinturas e não noutras inúmeras obras e colecções realmente relevantes para o património e memória nacionais. Aquela colecção de Miró nunca seria a primeira escolha.
É esta realidade que devia entrar pelos olhos dentro. O resto é poeira para os olhos.
Uma das ilusões que também regressou com este debate é a de que este “investimento” geraria muitas receitas futuras. É preciso ter uma enorme lata. Olhe-se para a Colecção Berardo que continua sem cobrar bilhete aos que a visitam. Olhe-se para o destino de Foz Côa. Olhe-se para os números dos museus nacionais onde existem colecções mais relevantes e muito mais interessantes. Só o voluntarismo cínico e demagógico dos que gostam de chamar aos outros “estúpidos institucionais” é que pode propagar esta ilusão.
Uma ilusão, como sempre, paga com o dinheiro dos outros. Se acham mesmo que o investimento é bom, dirijam-se a um banco, arranjem os 35 milhões, exponham depois os quadros num museu cobrando bilhete e fiquem ricos. Ou, o que é mais provável, fiquem endividados para sempre. Mas não queiram sobrecarregar ainda mais os contribuintes portugueses.
Faltam 90 minutos e ninguém licita no Bel Miro

“Passaroco sem pernas para andar” de Bel’Miro
É com mágoa que percebo que uma prol de comentadores prefere gastar milhões com as escolhas de arte de Oliveira e Costa que com uma iniciativa de divulgação de um novo artista, sem apoios, e cujo quadro, sendo vendido, ajudaria uma instituição meritória que ajuda portugueses com doença debilitante.
Não há apoios, não há incentivos, não há solidariedade… Enfim. Daqui se depreende que as pessoas preferem aumentos de impostos para que o governo decida como os gastar em vez da solidariedade que, tão prontamente pedinchando, pretendem dos congéneres europeus.
Facturas da sorte
Isto de a Direcção Geral de Impostos ou Autoridade Tributária ou lá o que é, entrar no negócio do jogo através de uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é bastante curioso. É certo que levanta algumas dúvidas. Por exemplo, fala-se de sorteios de carros.
Mas que carros? Elétricos? Carros apreendidos aos meliantes? Adquiridos por concurso? BMW’s? Sobras dos serviços do estado? Convinha esclarecer isso bem.
E quem apresenta o sorteio na TV da factura da sorte? A Marisa? O Futre? A ministra?
Fala-se de muitos milhões para distribuir em sorteios de forma a incentivar o pessoal a pedir a facturinha da praxe (ui, praxe agora não se pode dizer, sorry…). E que tal sortear uns quadros do Miró? Em vez de um museu, 82 museus espalhados pelo país. Era uma ideia.
Mas ideia, boa mesmo, é a dos chineses. Sim, eles andam nisto de sacar dinheiro há muito mais tempo que nós.
Factura com raspadinha. Ora nem mais. Qual sorteio qual carapuça, prémio instantâneo: facheavor, queria 10 pães, mas individuais, com factura de cada um.…
vão todos ficar desempregados
Goste-se muito, goste-se pouco, é de elementar bom senso reconhecer que a Francisco Louçã é devido o único projecto partidário que foi capaz de quebrar a hegemonia, à esquerda, do Partido Comunista, em quarenta anos de democracia. Não foi obra repentina. Louçã anda nisto há muitos anos, e só depois de passar por diversos projectos eleitoralmente falhados conseguiu chegar ao Bloco de Esquerda. Mas foi ele quem concebeu o produto, quem foi capaz de unir pessoas, sensibilidades e partidos, e, sobretudo, quem lhe emprestou o carisma de uma liderança que rendeu muitos votos em várias eleições. Por conseguinte, é extraordinário que estes novos movimentos unitários de esquerda, aliás, nascidos de pessoas que desperdiçaram a oportunidade de se manterem unidas no Bloco, tenham como ponto de partida o ataque a Francisco Louçã. É, para além de uma enorme ingratidão, uma absoluta falta de noção do ridículo, fundada numa exacerbada vaidade pessoal, incapaz, no fim de contas, de reconhecer o talento alheio e as limitações próprias. Vão todos ficar desempregados.
Uma grande vitória da cultura catalã
Não se vendem os Mirós. Mandem aí 5 milhões, se faz favor.
Não deve haver maior orgulho nacional que uma leiloeira de reputação mundial afirmar que não pode vender quadros com segurança sabendo-os oriundos de países que nacionalizam coisas.
Uma coisa é certa: os catalães apreciam arte; por isso, nem pensam em vender a colecção de Bel’Miros pertencentes ao estado espanhol catalão.

Sai uma lei para o leilão da liga da noiva
Vão vender os Mirós…
…impedindo, desta forma, a possibilidade do estado português pagar 5 milhões de indemnização à leiloeira Christie’s.
Para colmatar o desejo nacional por arte, decidi leiloar o seguinte quadro de Bel’Miro. A base de licitação é 50€ e o resultado da venda será entregue à Liga Portuguesa Contra a Epilepsia. Deixe a sua licitação nos comentários. O leilão termina amanhã ao meio-dia. O quadro chama-se “Austeridade em Mastro Supervisionada por Gavião”.

Nota: é um Bel’Miro original. Qualquer semelhança com Miró é meramente de simbiose artística.
Adenda: A tela tem 20×30 cm e o post não é piada – havendo licitações será entregue o Bel’Miro ao vencedor e a totalidade do valor da licitação será entregue à Liga Portuguesa Contra a Epilepsia, que, entre apoios a famílias e outras iniciativas, também atribui prémios e bolsas para incentivar a investigação na área.
Duas perguntas
1. A deputada Gabriela Canavilhas paga os 35 milhões de euros que o Estado português pode deixa de receber se não vender os quadros de Miró?
2. Se por hipótese o Estado português tivesse 35 milhões de euros para comprar obras de arte, defende a deputada Gabriela Canavilhas que o investimento prioritário devia ser em obras de Miró? Não preferiria antes comprar uma famosa pintura de Crivelli?
Ateísmo keynesiano

Avante!

Sheriff of Nottingham – Robin Hood: Prince of Thieves (1991)
Funcionários públicos, pensionistas e empresas de construção civil: a solução está aqui, não esquecer na altura de colocar a cruz no boletim. A verdadeira união da esquerda começa já: afinal o “brutal aumento de impostos” era uma brincadeira de crianças porque, o que é preciso, é uma espiral expansiva de impostos que permita sustentar (e porque não aumentar?) a despesa.
A centralização continua muito madura
Na atribuição de verbas para o desenvolvimento regional no próximo QREN (2014-2020), a região de Lisboa tem um aumento de verbas na ordem dos 171%.
No âmbito mais especifico do FEDER, Lisboa vê aumentadas as verbas em 82,2%, passando a ser a região mais apoiada. Norte e Centro terão diminuição de verbas. (*)
Andam a gozar com a gente.
A arte é uma coisa bonita
A arte é belaA arte é uma coisa bonita. Joe Berardo está interessado nos quadros de Miró e Gabriela Canavilhas trata de arranjar uma providência cautelar para evitar a venda destes em leilão.
Depois de umas turras com o estado em relação ao CCB, o importante é o amor à arte que os contribuintes certamente estão dispostos a pagar.
Pessoalmente quero agradecer ao PS por me envolver em negócios de adultos. Quanto é que eu devo?
Cassete em loop
Carvalho da Silva, 31 de Janeiro de 2014: País está em espiral recessiva que ameaça coesão social
Fernanda Mestrinho, 25 de Janeiro de 2014: A espiral recessiva existe, e de que maneira, no bolso dos portugueses.
Eduardo Oliveira Silva, 31 de Janeiro de 2014: É caso para dizer que a espiral recessiva vive agora o seu pleno no depauperado porta-moedas de cada um.
Há coisas que nunca mudam
(http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/11/24/notas-sobre-o-maoismo-em-portugal-1964-1974)
SOL: «Com a demissão de Ana Drago da Comissão Política do BE, no último sábado, a Fórum Manifesto, a ala que foi liderada por Miguel Portas, deixa pela primeira vez de ter representação na cúpula dirigente do Bloco. A Fórum Manifesto – então com o nome de Política XXI e estatuto de partido político – foi uma das três forças fundadoras do BE, em 1999 (com o PSR, de Francisco Louçã, e a UDP, de Luís Fazenda). Quinze anos depois, os herdeiros da ala ex-comunista, considerada a mais à direita no BE, estão em perda de influência num partido que se tornou resistente a convergências eleitorais e parece mais distante de ser parte de uma coligação de governo. (…) Na direcção do BE, continuam Marisa Matias, José Guilherme Gusmão e José Manuel Pureza. Os três eram membros da Fórum Manifesto, mas, em 2013, aderiram à nova tendência fundada por Francisco Louçã e João Semedo: a Plataforma Socialismo, que tinha como ambição acabar com os fundadores PSR, UDP e Fórum Manifesto. Mas só o PSR de Louçã (mentor do projecto) aceitou. A UDP, de Fazenda, não quis dissolver-se, e tão pouco o fez a Fórum Manifesto. Quem, como Pureza, Marisa e Gusmão, quis passar para a nova tendência, teve de sair da Fórum Manifesto. (…) O militante histórico Daniel Oliveira deu o primeiro sinal de dissidência: saiu da Comissão Política em 2005, insatisfeito com o rumo do BE, e consumou a saída de militante em 2013. Isto em reacção ao “sectarismo externo, que tem impedido o Bloco de ser, como sempre quis ser, um factor de convergência e reconfiguração da esquerda portuguesa”, justificou. Continua, porém, na Fórum Manifesto, que ao contrário da UDP e do PSR admite como membros não militantes do BE. Daniel Oliveira é também o mais conhecido membro do Movimento 3D (pela Dignidade, pela Democracia e pelo Desenvolvimento), que tentou negociar uma plataforma eleitoral com o BE. Se os bloquistas ainda dizem que mantêm a porta aberta (ver entrevista ao lado), o 3D dá o caso por encerrado e desiste de ter um papel activo nas próximas eleições. “O Movimento 3D não irá ter intervenção nas europeias”, diz ao SOL Ricardo Paes Mamede. Caso diferente é o do Partido Livre, que está a ser formado pelo eurodeputado Rui Tavares (que nas anteriores eleições foi eleito como independente pelo BE e que ainda é membro da Fórum Manifesto). O congresso fundador realiza-se este fim-de-semana, no Porto. E em Maio vai a votos.»
crime, disse ele
“O que ele disse foi crime. Por isso vai ter de pagar”, afirmou A. C. Silva, depois de ouvir na televisão o que sobre ele foi dito pelo conhecido homem de letras.
Associações Socialistateístas
Capa do semanário Sol, 31/1/2014A existência de associações ateístas é paradoxal pela colectivização de noções individuais. Isto, ironicamente, transforma os movimentos ateístas em movimentos religiosos. Estes jacobinos, extremos defensores da república socialista laica, não existem para argumentar a inexistência de Deus e sim para rejeitar todas as outras religiões (em particular o catolicismo) através da adopção de um deísmo de estado. De outra forma, não é possível explicar porque rejeitam estes associados ateístas todas as outras religiões não teístas: se o fizessem, teriam que aceitar a teologia secular ou o ateísmo cristão (assim como budismo ou jainismo). O problema desta aceitação é religioso: o ateísmo militante é paradoxal pelo não ecumenismo de crenças semelhantes – o que cria um problema de plausibilidade meramente teológico.

– TENHO… QUE… REMOVER… O… BAPTISMO…A ideia do desbaptismo é, em si mesmo, uma ideia religiosa: reconhecem a existência de algo em si, neste caso o baptismo, que tem que ser removido, eventualmente através de um ritual burocrático, admitindo que a percepção exógena à sua crença deve ser publicamente admitida (uma espécie de baptismo-ateu).
O ateísmo associativo, com este tipo de manifestações, assume-se como ateísta-gnóstico: pessoas que não acreditam em Deus e, em simultâneo, assumindo que a Sua não existência pode ser provada (ver Brietbart, 2009). Simplificando a coisa, “maluquinhos” também serve.



















Nova colecção Primavera/Verão Bel’Miro e Guimarães-Pinto na

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