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Um projecto é para levar até ao fim

20 Dezembro, 2013

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Quando há prosperidade, uma parte da força produtiva começa a erguer obras imponentes com utilidade inquestionavelmente duvidosa. Quando algo começa a falhar, ora pelo isolamento geográfico, ora porque a intempérie destrói as colheitas do ano, o grupo de anciões reúne-se e decide o que fazer. “Mais estátuas”, diz um deles, crendo no poder do multiplicador keynesiano; “não podemos ficar fora da rede de embelezamento da ilhas”, diz outro, pensando já no futuro como se todas as variáveis se mantivessem inalteradas e o futuro não fosse diferente do que era ontem mas em melhor. Quando chegam a uma conclusão, comunicam a toda a ilha: “parar de fazer estátuas põe em causa o princípio da confiança – decidimos construir estátuas, as pessoas dedicaram-se a construir estátuas, não podemos simplesmente parar porque o clima nos está a pressionar: somos civilizados”. As estátuas ainda lá estão.

Devagarinho, para não doer tanto, ainda vá. À bruta é que não pode ser

19 Dezembro, 2013

“É evidente que as normas questionadas introduzem uma súbita e inesperada diminuição do valor das pensões numa situação jurídica que reclamava estabilidade. Mesmo que se admitisse que os interesses públicos visados pelas normas questionadas – a sustentabilidade financeira e o equilíbrio intergeracional – poderiam justificar a redução de pensões, nos termos impostos pelas normas questionadas, então as expectativas na manutenção daquela estabilidade imporiam que a transição fosse feita com moderação, para que os pensionistas tivessem tempo de ajustar os seus projetos de vida às novas regras. É que os destinatários dessas normas são titulares de direitos com tutela reforçada, cujo âmbito não pode ser restringido sem lhes dar um tempo adequado para ajustarem os planos das suas vidas a medidas com as quais legitimamente não contavam.”

Do acórdão do TC

Obrigado, Joaquim, obrigado!

19 Dezembro, 2013

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Vou continuar a guardar estas decisões. Daqui a uns tempos não será necessário escrever posts, bastará citar os acórdãos. Quero desejar ao Joaquim e seus amigos um muito Feliz Natal e votos de felicidades por não violarem o princípio da confiança que neles deposito para garantirem a falência do país.

Agora é o princípio da confiança…

19 Dezembro, 2013
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Isto quererá dizer que, por unanimidade, o Joaquim y sus muchachos mandaram às malvas a equidade?…

Mas amanhã os mercados serão bem equitativos. As taxas subirão em todos os prazos. E façam mais furos no cinto, que vêm aí novos aumentos de impostos.

já que temos a fama…

19 Dezembro, 2013
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“Treze juízes pouco ajuizados”: por unanimidade.

está resolvido o problema da sustentabilidade da segurança social

19 Dezembro, 2013
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E com a “forte participação de portugueses”.

os gajos porreiros

19 Dezembro, 2013
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Anda por aí uma lacrimejeirice pegada e politicamente correcta de homenagem às excelsas virtudes do comediante Ricardo Araújo Pereira, fazendo-se apelo a que se distinga, na sua dimensão de homem público, o actor talentoso do protagonista político equivocado.

A alma portuguesa é pródiga neste tipo de tolerância de salão, como se não fosse suficiente a um talento a sua existência para ser reconhecido, tornando-se necessária a exaltação enfática do mesmo, exercício que, em regra, visa mais a exaltação própria da virtude do tolerante que exalta, do que a verdadeira exaltação das qualidades do tolerado exaltado. Por via da regra, o exercício consiste no apelo a que se reconheçam as grandes qualidades profissionais e humanas do visado, deixando-se de lado outras suas facetas tidas como menos recomendáveis. Assim se compõe a moral social portuguesa dos “gajos porreiros”.

Isto faz-me lembrar um episódio recente da vida cultural brasileira, no qual algumas almas igualmente generosas pediram publicamente para se usar de compreensão absoluta para com os artistas vanguardistas da esquerda histórica do país, entre eles, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, que, ferozmente incomodados com a ameaça de publicação de algumas biografias não autorizadas das suas vidas exemplares, apelaram ao “visto prévio” das mesmas, o mesmo é dizer, à reposição da censura que eles tanto tinham combatido no passado, e logo agora em proveito próprio. A este propósito, retorquindo a tão inspirados apelos, um comentador sagaz aceitou o repto e declarou: “Eu não confundo e distingo muito bem a pessoa do Caetano Veloso da sua obra musical; e considero ambos uma merda!”.

Não direi o mesmo de Ricardo Araújo Pereira, que sempre me pareceu um comediante acima da média nacional, eventualmente só abaixo de um Herman José da era jurássica e dos clássicos dos anos 50 e 60. Mas parece-me que dar importância pública às suas posições políticas para lhe salientar os méritos profissionais é um exercício muito dispensável. As escolhas políticas de Araújo Pereira só poderão dizer respeito a quem o estime como actor se se confundirem com o exercício da sua profissão. Por mim, no momento em que ele começar a fazer humor comprometido com a luta de classes e com os malefícios do neoliberalismo, se isso alguma vez acontecer, mudarei imediatamente de canal. É só isto.

Desta vez será diferente?

19 Dezembro, 2013
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CEAmecoSempre que pressionada, a economia portuguesa tem denotado uma fantástica capacidade de correcção do défice comercial, conseguindo fazê-lo num curto espaço de tempo. Foi assim em 78/79 (em que ficámos a meio caminho) em 83/85 e agora desde 2011, em que o ajustamento foi ainda mais espectacular, porque efectuado em moeda forte, sem ajuda de qualquer desvalorização e partindo de um défice muitíssimo maior. Acontece que as recaídas também são recorrentes e sempre pela mesma razão estruturante, a incapacidade do nosso aparelho produtivo fornecer os bens e serviços de que a economia necessita. Nesta última crise, para além da nossa debilidade produtiva, o desequilíbrio foi ainda potenciado pela “bolha creditícia” pós-euro que fez disparar as importações, designadamente de bens de consumo.

A questão que ora se põe é se, uma vez retomado o crescimento, este ocorrerá de forma sustentada e sem novos desequilíbrios externos, ou se assistiremos de novo à “bebedeira consumista” seguida da inevitável e dolorosa ressaca. O crescimento que o mercado automóvel vem registando no corrente ano, dos maiores dentro da UE, se por um lado constitui um indicador avançado de confiança e indiciador da retoma económica, pode por outro lado representar um mau sinal de regresso ao “consumismo espalhafatoso”. E, acima de tudo, é um exemplo de alguma incapacidade da nossa economia em produzir bens de consumo duráveis.

Ainda é cedo para se tirarem conclusões quanto a alterações significativas quanto aos patamares de especialização da nossa economia. Há alguns dados positivos, como o upgrade na cadeia de valor que os sectores do calçado e da têxtil já conseguiram, a queda do défice na fileira alimentar, bem visível no aumento das exportações de produtos agrícolas e bens alimentares, ou o surto nas exportações de combustíveis refinados, só possível porque se fizeram investimentos ao nível da refinação que garantiram capacidade e competitividade internacional. Mas subsiste a preocupação quanto ao crescimento das exportações que, embora sendo dos mais elevados na zona do Euro, ainda é insuficiente. Embora elas tenham acelerado desde 2009, a tendência de crescimento de longo prazo mantém-se basicamente a mesma desde 1988, como é bem visível no gráfico. Ou seja, o grosso do reequilíbro da balança comercial fica a dever-se à queda brusca das importações, a vítima (deliberada) das restrições implementadas à “sacrossanta” procura interna.

No curto prazo, estou convicto que o equilíbrio ou um ligeiro excedente comercial se manterão, pois o crédito fácil e barato por que tantos anseiam não regressará tão cedo. Mas para que possamos crescer baseados fundamentalmente na procura externa, é fundamental que as exportações assumam um peso cada vez maior. No mínimo, que no espaço de poucos anos passem dos actuais 40% para cerca de 60% do PIB. Isso passa por alterações de fundo em toda a cadeia produtiva, que só acontecerão quando o investimento produtivo (não só em novos equipamentos, mas também  investimento incorpóreo, como aprender a vender, por exemplo) retomar de forma consistente. E para isso, temos de poupar muito mais.

Ora, ora

19 Dezembro, 2013

Não sei o que é mais tonto se usar o termo ousadia para descrever este video (as pessoas que usam o termo ousadia neste contexto devem andar cobertas com uma burka a fugir dos polícias do vício e da virtudes pq não se percebe como neste espaço do mundo se usa o termo ousadia para referir alguém que se veste ou despe como todos os outros) ou a referência por aqueles que ele indignou aos decotes, saltos altos e roupas acima do joelho das advogadas em causa e que não diferem  daquilo que muitas outras advogadas usam. Mais estranho ainda é se, como escreve o PÚBLICO, a roupinha foi referida na queixa apresentada na Ordem contra a publicidade deste escritório de advogadas.  O anúncio parece-me ser um caso evidente de cabotinismo, mau gosto e pirosice mas isso não é razão para queixa alguma e até é muito esclarecedor: a mim deixa-me clarinho que jamais contrataria estas almas. E nesse sentido o video até é útil. Por fim faz-me confusão que os arautos das teorias do género não manifestem a sua indignação perante a clara discriminação presente na escolha dos profissionais para este escritório.

A guitarra do Paulo

19 Dezembro, 2013

O Paulo era um rapaz irascível mas passeava como ninguém a guitarra comprada em Vigo, com as 4 cordas restantes ainda razoavelmente lubrificadas com óleo de pacote das batatas fritas, com zelo de estiva, por debaixo do coberto entre o ginásio e o pavilhão de mecânica. O arpejo do solo de “The Final Countdown”, com a sua figura de três notas repetidas em grupos de dois, ilustravam a figura: trapalhão, sem noção de ritmo e uma percepção alternativa do conceito de dinâmica. Um dia, a professora Armanda, numa aula de Química, gritou com o Paulo por este se recusar a sentar. O Paulo enervou-se e atirou o objecto em forma de guitarra na direcção Oeste, sentido Este-Oeste, para onde o Rui se sentava, mesmo ao lado da janela. O vidro partiu, a testa do Rui sangrou. A guitarra, demasiado grosseira para instrumento, demasiado frágil para bastão de baseball, emitiu o som do costume.

O Paulo foi suspenso. O pai pagou o vidro e eventualmente o dente que o Paulo perdeu na semana de dispensa às aulas por ter caído acidentalmente pelas escadas do prédio. A guitarra nunca mais foi vista.

Todos os directores das escolas privadas viram os telejornais de ontem. Amanhã, quando forem a uma destas procurar emprego, e se ontem apareceram na televisão a dizer ou a fazer coisas à Paulo contra a prova, não se esqueçam de levar uma guitarra para a entrevista.

Milícias

18 Dezembro, 2013

Professores contra professores após realização de prova em Guimarães Após a prova de avaliação, alguns docentes insultaram os que realizaram o exame numa escola de Guimarães. Antes, tinha havido uma tentativa de invasão das salas de aula.

A questão do boicote à prova que os professores hoje deviam ter efectuado levanta questões de vária ordem. A primeira prende-se naturalmente com o facto do direito que as minorias têm para impor a sua vontade: . A segunda com os limites à actuação dos piquetes de greve. As pessoas que impediram ou tentaram impedir os professores de efectuar a prova portaram-se como uma milícia que como todas as milícias não aceita outra ordem a não ser a da sua vontade. Numa democracia isto não é tolerável. Depois temos um terceiro problema que passa pela própria imagem dos professores: professores que partem vidros de escolas, agridem outros professores, tentam impedi-los de fazer o seu trabalho, batem com os pés no chão na sala de aulas… e que no limite recusam a avaliação como podem avaliar os seus alunos e exigir-lhes um comportamento adequado na escola?

Por fim temo um problema político: a FENPROF está a servir de milícia ao PCP. Enquanto Jerónimo de Sousa leva os dias  a falar de direitos, de recurso aos tribunais, das instituições… os sindicatos controlados pelo PCP fazem o trabalho de erodir a democracia como hoje se viu. Ao PCP isto pode interessar. A uma organização sindical não interessa certamente. Aos professores e à escola ainda interessa menos mas isso também nem é suposto. Mário Nogueira vai lembrar-se deste dia e não vai ser por boas razões.

só faltam os católicos-progressistas

18 Dezembro, 2013
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Por que razão consente o Doutor Carvalho da Silva, mais do que legítimo candidato à herança do lugar actualmente ocupado por Jerónimo de Sousa, que o seu nome surja envolvido num projecto de criação de um novo movimento político de esquerda, que ele obviamente não integra, apesar de mandar dizer que apoia?

Por várias razões, todas subsumidas a uma única: condicionar, antes e depois das próximas eleições legislativas, o Partido Socialista e António José Seguro. Antes, para evitar que se percam os muitos votos conseguidos, em outras eleições, pelo actualmente moribundo Bloco de Esquerda, um nicho eleitoral importante para futuras maiorias parlamentares, ou, em alternativa, para colocar alguns dos seus membros em listas do PS, como independentes que saberão pagar o devido tributo uma vez eleitos. Depois, para evitar que o PS ceda a tentações pós-eleitorais “revisionistas”, governando sozinho ou, pior do que isso, em coligação espúria com um cada vez mais amorfo CDS.

Na forma, no conteúdo, na táctica, na ascendência política e no perfil dos seus membros, todos saídos da esquerda caviar académica, cultural e recreativa, este novo movimento reproduz, ao milímetro, uma relativamente bem sucedida experiência subversiva de outras eras: o MDP/CDE. Só faltam mesmo os “católicos-progressistas” para compor o ramalhete, sendo que o apostolado do Papa Francisco é capaz de conseguir ainda algumas conversões a tempo dos próximos actos eleitorais. Esperemos que essa bem-aventurança não recaia sobre o Daniel Oliveira.

Aulas de substituição

18 Dezembro, 2013

Carlos, uma grande alteração, que ocorreu no ano lectivo 2005/2006, foi a introdução de aulas de substituição. Antes disso, se um professor faltava, os alunos não tinham aula; após 2005/2006, a ausência de um professor é colmatada com aulas de substituição. Já na altura os sindicatos não achavam piada e diziam que não eram cobaias do governo.

Um refrigério para a alma

18 Dezembro, 2013

Ontem vi parte dos noticiários da noite. As peças sobre a tomada de posse de Merkel pareciam saídas duma televisão venezuelana. No resto a vociferação do costume. Mas com uam excepção. Um doce refrigério. Não, não estou a referir-me à cobertura do aniversário do Papa Francisco. Ainda mais doce do que isso: na SIC relatava-se a transferência de equipamentos e funcionários da CML para as juntas de freguesia. Só voz off e Antónios Costa. Este explicou as transformações em causa. Não se foi pedir a opinião a nenhum dos contestatários. Mais espantosamente ainda foi revelado que está convocada uma greve por parte de alguns dos sindicatos que integram trabalhadores da CML. António Costa deu a sua opinião sobre essa greve. E ponto final. Nem um sindicalista a dizer de sua justiça. Ou a ameaçar invadir os Paços do Concelho. Ou a pedir a demissão do presidente.  Nem um intelectual dizer que cultura vais morrer por causa das bibliotecas. Nadinha!!!

Manifesto PPP

18 Dezembro, 2013

Manifesto 3P – Passado e Presente Patrás

É tempo de assegurar o futuro. É tempo de dizer basta aos que querem viver no presente. É tempo de dizer a vida é breve: há quem o diga.

Os últimos estudos mostram que a maioria das pessoas vive no presente. As consequências nefastas desta atitude passivamente aceite, como se não existisse alternativa – inibindo as gerações vindouras, hoje privadas da nossa salutar convivência e alheias à nossa existência – e porque há alternativa, são a inexistência de uma coexistência plena. Só em conjunto poderemos construir um mundo melhor, de desenvolvimento humano em pleno, não castrador da harmonia geracional, de crescimento demográfico e de humanidade humana.

A austeridade é desagradável. Há alturas em que nem se aguenta. Exigimos o salto temporal que nos permita ultrapassar o ajustamento, de forma a que nos encontremos todos numa fase de expansão para, em conjunto, construirmos o futuro do futuro, também ele futuro mas ainda mais futuro que o futuro mais próximo.

Só com o desejo e o empenho de todos, defendendo os serviços públicos de preservação criogénica, telégrafo e amolação, apostando na formação de tipógrafos e maquinistas de locomotivas a vapor, poderemos construir um estado justo, competente e inclusivo.

Por tudo isto e por tudo o mais que seja justo, criamos este manifesto.

Assinado por inúmeros professores universitários, realizadores de cinema, estudantes, sindicalistas, professores não-universitários e até um indivíduo que trabalha numa empresa privada.

convergências à esquerda: sondagem

17 Dezembro, 2013
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a esquerda mais inteligente do mundo

17 Dezembro, 2013
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A portuguesa. Primeiro fractura-se em mil e um partidos. Logo em seguida apela à “convergência”, rumo a “compromisso de ação política concreta”. O que é que uns tipos franceses diziam, há tempos, da direita indígena?

O erro de Crato

17 Dezembro, 2013

O erro do ministro Crato é óbvio: insistir em algo que afronta a classe dos professores (a prova) quando pode delegar a coisa, obtendo os mesmos resultados: basta incentivar a criação da ordem dos professores.

OMG! A Terra move-se! A troika ameaça que a água é líquida!

17 Dezembro, 2013
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Capa do I

 

Caros jornalistas frequentadores da ASL School of Economics:

1. Não é uma ameaça. Se o TC chumbar os cortes, haverá um enormíssimo aumento de impostos (com este governo ou com quem vier a seguir).

2. A Troika não ameaça nada, não é a troika que nos vai impedir de crescer ou nos obriga a despedir pessoas. Se houver aumento de impostos em vez de cortes de despesa, haverá menos crescimento e mais desemprego.

3. O BCE não ameaça nada. Nós é que sentimos ameaçados. Mas se o TC chumbar cortes de despesa e nós não formos capazes de aumentar impostos, o governo que estiver no poder é que vai implorar por um novo programa. O que o BCE pode fazer é ameaçar que não vai existir um novo programa.

Vocês não pescam mesmo nada disto, pois não?

Menina estás à janela

17 Dezembro, 2013

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

Sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

Sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Está bem, a menina está à janela, não sabemos exactamente porquê; porém, ela é quem sabe os motivos para estar à janela e o cantor não tem nada com isso. É por a menina estar à janela que pode ser vítima de chantagem, inicialmente por um cantor solitário, depois por um coro de mineiros alentejanos que se recusam a sair sem que lhes dê uma prenda? Se fosse minha filha, eu estaria assustado: com um marmanjo ainda poderia lidar – toma lá a prenda, pá – mas com um bando de tratantes, do barítono ao soprano, seria mais difícil. Que tipo de prenda? O mafarrico não parece contentar-se com um beijo ou sequer com uma nota de 50€: parece exigir corações e olhos, afecto incondicional, atirado ali, de uma janela, onde a menina teve o infortúnio de assentar para que viesse a ser importunada por um bando de comunistas.

António José Seguro está à janela por vontade própria e pronto a ser cortejado pelo povo português, a cambada de mineiros que, em maior ou menor harmonia, exigem “uma alternativa”. Ao contrário da menina, ali, à janela, que não conseguiu evitar os mânfios que exigem olhos e corações, o secretário-geral do Partido Socialista já só pensa no dote. Aparentemente (ter alguma incredibilidade é apenas bondade nos casos de inaptidão), Seguro acha que o primeiro-ministro “está a esconder” alguma coisa aos portugueses, nomeadamente negociações que permitam ao país ter uma rede de segurança quando precisar de mais dinheiro. Dito de outra forma, Seguro desconfia que estejam a preparar maneira de ele poder gastar dinheiro.

Depois de toda a experiência demonstrada pela canção, só se põe à janela mesmo quem quer ser importunado. Seguro consegue ir mais longe e explica, desde já, que dá os olhos e o coração a qualquer grupo de boémios que lhe cante para a janela mas – e bem – adverte que é um perigo darem-lhe a oportunidade de gerir dinheiro.

Vassalagem

17 Dezembro, 2013

O sítio do costume divulga/promove  mais uma acção contra o Pingo Doce. Desta vez não é o Nelson quem vai buscar arroz mas sim “vamos todos nós, desempregados, aos supermercados Pingo Doce exigir também o nosso cabaz de Natal grátis!”  Deixando de lado o fantástico pressuposto de que se pode exigir a alguém que dê a todos simplesmente porque deu  a um o que é de facto revelador nesta iniciativa é que a esquerda não perdoa a quem não lhe presta vassalagem. Soares dos Santos porque está velho, porque essa é a sua maneira de ser ou simplesmente porque lhe dá na gana e não precisa do Estado para nada diz o que pensa. E em Portugal não se pode dizer o que se pensa se se quiser levar a vidinha em paz e, sendo empresário, contar com as vantagens do centrão. A maior parte dos empresários assume um discurso redondo, redondinho para não ter chatices como esta que volta e meia cai sobre o Pingo Doce.   Não estivéssemos na Europa e esta tropa fandanga estaria ao lado dos “líderes carismáticos” acossando todos aqueles que não lhes dão vivas. Por aqui não exigem tanto. Por agora dispensam os vivas. Mas exigem respeitinho e vassalagem. E se não vai a bem vai a mal. Não mudaram nada.

O horror às reformas e o fascínio pela revolução

17 Dezembro, 2013

Tema do meu artigo de hoje no DE: «uma das grandes lições das revoluções é que aqueles que a mais pequena mudança indigna aquando da tentativa conservadora de uma reforma, passam a aceitar tudo mal chega o período revolucionário. Portugal, que tem a França e a respectiva revolução por modelo, ilustra esta tese à exaustão: nas reformas tudo nos indigna. Nas revoluções ou, pior ainda, no declínio tudo aceitamos. Num país cujas élites à semelhança dos irmãos de Luís XVI não querem mudar coisa alguma incensam-se os revolucionários que entre disparates e folclores não mudam nada e afastam-se os reformistas que sempre podiam mudar alguma coisa. (…) A nossa Versalhes doméstica está farta e cansada de tanta austeridade. Os comités revolucionários fazem a festa do costume e pedem cabeças. Os bons burgueses querem a habitualidade. O que nos vai acontecer? »

O bom marxista

16 Dezembro, 2013

A ideologia marxista está equivocada, mas na minha vida conheci muitos marxistas boas pessoas”. Sem querer colocar-me en pointe, função que deixo para Mário Soares, pessoa que consegue anteceder as declarações do papa em 15 dias, eu já disse isto há muito mais que duas semanas: pessoalmente nunca conheci marxistas maus, só boas pessoas, cheias de boas intenções, daquelas que, como diz o povo, “está o inferno cheio”. É a minha sorte e o vosso azar: se tivesse conhecido pessoalmente os marxistas com possibilidade de serem maus, não estaria aqui a dizer-vos isto.

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

16 Dezembro, 2013

Acabei por ver o tal especial “A Solução” dos Gato Fedorento que passou na última sexta-feira. Teve várias piadas giras (“do you like cork?”) mas nenhuma bateu a introdução de Rodrigues Guedes de Carvalho: “Portugal vive uma das maiores crises da sua história”. Percebi então que os média portugueses são herdeiros directos de Martim Moniz, criaturas heróicas que dão o corpo ao manifesto, atravessando-o na porta do castelo, impedindo “quem cá está” de se isolar, permitindo a entrada do indignado que bateu na mãe e fugiu para o Algarve pelo castelo adentro.

Desde então, com mais ou menos espalhafato (ou esmagamento torácico), somos batedores no peito. Batemos no peito pela injustiça, ignomínia, jugo tirânico e intenções malévolas dos outros, que reconhecemos a milhas náuticas oriundas da tradição de mar. Adquirimos conhecimentos sofisticados em “pior não fica” concorrentes com a fé, desenvolvendo curas com chás e mezinhas contra o mau olhado que culminariam na adopção em pleno de um ideal colectivista (“eles” querem o nosso mal, é inveja) através da Sagrada Constituição.

Ora então, “Portugal vive uma das maiores crises da sua história”, diz-se, equiparando o terceiro resgate socialista a eventos tão semelhantes como a Peste Negra, que terá vitimado entre 1/3 e 1/2 da população; ou talvez a Gripe Espanhola, que Manoel de Oliveira poderá recordar, para não parecer daquelas crises que acontecem antes de ser importante, antes de “nós” termos nascido. Talvez seja o terceiro resgate socialista pior que a Guerra Miguelista, que nem por o “Viagens na minha terra” ser (ainda é?) parte integrante do currículo da disciplina de Português consegue ser pior que a tal “austeridade que mata”. E com estes constantes ataques, estas Abriladas como o cheque-ensino ou a convergência de pensões, resta-nos a intervenção do Joaquim, a 15ª reencarnação do embaixador Hyde de Neuville; mas, sobretudo, restam os nossos artistas, que entre novas versões deolíndicas da LGBT-friendly “Estrela da Tarde” (a SIC Notícias gosta), conseguem demonstrar que tudo o que anseiam é o regresso a 1976, à “Lisboa menina e moça” anterior ao primeiro, segundo e terceiro resgates socialistas.

Neste estado de coisas nem vale a pena partirem: ainda a troika não chegou à Portela e já estamos outra vez em falidos

16 Dezembro, 2013
Portas inaugura relógio de contagem decrescente para fim da troika. Paulo Portas inaugurou este domingo à tarde um relógio que regista, em contagem decrescente, o tempo que falta para Portugal terminar o programa de ajustamento da troika. O relógio regista os meses, dias, horas e minutos que faltam para que a troika abandone Portugal e vai ficar instalado no interior da sede nacional do CDS em Lisboa.

De boas intenções…

16 Dezembro, 2013

César das Neves hoje no DN: “... várias das medidas para apoiar os necessitados, feitas nas melhores intenções, falham os objectivos, até agravando o sofrimento. (…)  As propostas de subida do salário mínimo são um bom exemplo. Os políticos gostam desse indicador porque é a única benesse barata. Aumentar pensões ou subsídios repercute-se dolorosamente nas contas públicas. Mas o Estado não gasta um cêntimo de salário mínimo, ficando com o mérito à borla. Quem suporta a despesa são empresas, boa parte delas pequenas e frágeis. Qual o efeito dessa subida? Para os trabalhadores que permanecem, o resultado é óptimo. Mas que acontece aos que saem? Afinal o salário mínimo é a proibição legal de todos os empregos que paguem menos. Aumentá-lo destrói inevitavelmente postos de trabalho que, mesmo maus, ocupam e alimentam muita gente que dificilmente encontra alternativa. Os estudos mostram que os que perdem são os mais fragilizados, jovens, mulheres, desqualificados, etc. O impacto é pois complexo e os custos têm de ser considerados. Tudo isto recomenda que não se mexa no valor de ânimo leve. Mas no calor do debate não se pára para pensar. Aqui junta-se outro elemento decisivo: a taxa de desemprego em Portugal das pessoas sem qualquer qualificação costumava ser a mais baixa de todos os escalões educativos, por vezes menos de metade do valor global. Desde 2009 ela tem subido mais do que todas as outras e está já quase dois pontos percentuais acima da média nacional. Impor rigidez legal nestas condições é ignorância criminosa.

Importa-se de reescrever?

15 Dezembro, 2013

Que as palavras aparentemente emocionadas do psd não sirvam para nos fazer crer que esta [sic] verdadeiramente empenhado em defender os animais quem ofende os animais que o elegeram: os seres humanos deste país.

Miguel Tiago – Dezembro 2013

Era uma vez um país maravilhoso

15 Dezembro, 2013

onde todos eram felizes e viviam bem. Até que um dia chegou a austeridade e a troika e acabaram assim: Grecia o la cara más amarga de las políticas de los ‘hombres de negro’ – Mas se tudo correr bem a troika vai-se embora e eles vão ser felizes outra vez.

É mesmo dessa entrevista que querem falar?

15 Dezembro, 2013

As redes sociais, uma espécie de reino de Liliput dos nossos dia que os jornalistas e os própios participantes/habitantes tomam pela Assembleia das Nações Unidas, indignou-se com a entrevista feita por Rodrigo Guedes de Carvalho num programa de humor.  Mas creio que estão redondamente enganados. Enganados na indignação e sobretudo enganados no alvo como o Vítor Cunha bem explica. Creio que deviam era estar a pensar nesta nova modalidade dos tempos de antena que tem como base a entrevista. Pergunta a pergunta os entrevistados são confrontados com o argumentário socialista que naturalmente é suposto reiterarem. Mas em boa verdade também esta nova forma de agit-prop já não deve causar grande confusão no telespectador dado o  constante estado de activismo a favor das “causas certas” que impera em Carnaxide.

Humorismo em sério risco

14 Dezembro, 2013

Há pessoas que acham relevante a participação de Rodrigo Guedes de Carvalho num programa de humor, como se a associação do seu usual reconhecimento como jornalista a peças de humorismo possa diluir a linha entre notícias e entretenimento. Obviamente estas pessoas não têm estado atentas à existência de canais noticiosos que transmitem 24 horas nos 7 dias da semana; basta um dia, com os inúmeros debates e reportagens novelescas, para perceber que é ao contrário: o humorismo está a começar a correr o risco de parecer jornalismo a sério.

Todos somos iguais mas há uns que são mais iguais que outros

14 Dezembro, 2013

«Movimento que nasceu no Facebook organiza-se para boicotar prova de professores (…) André Pestana, um dos professores que lançaram o movimento Boicote&Cerco no Facebook, contra a prova de avaliação de conhecimentos para docentes, assegurou esta sexta-feira que “há centenas de pessoas mobilizadas para, no próximo dia 18, tentar garantir que a prova não é realizada, pelo menos por todos”. (…) Na quinta-feira, na véspera do fim do prazo para a divulgação das escolas onde os cerca 13.500 professores inscritos têm se se apresentar, houve reuniões em 14 cidades do país, para definir estratégias, disse André Pestana, que frisou que o ministro da Educação, Nuno Crato, “tem “razões para estar preocupado”.»

Moral da história e da História: 13 500 inscreveram-se para fazer a prova. Centenas pretendem boicotá-la. As centenas têm mais legitimidade. Porque sim.

Cult Mentality

14 Dezembro, 2013

Merkel está do outro lado, com aquele estupor do ministro das Finanças, o Schäuble, que agora foi corrido

Mais aqui.

leituras de fim de semana

14 Dezembro, 2013
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A Politica da Prudencia

Dilema educativo

14 Dezembro, 2013

E se um destes dias, numa sala de aula, um aluno se insurgir contra uma pergunta, se levantar e, incentivando os outros, fixar que, não sendo a pergunta anulada, existirá risco do professor não sair da sala pelo próprio pé?

Eles e não nós

14 Dezembro, 2013

Ontem à noite, antes de dormir, lia eu as últimas páginas de “F. – Portugal é uma figura de mulher” e pensava se um dia, como avô, teria a disciplina necessária para tentar transmitir algo aos meus netos quando estes tivessem 40 anos.

Ler mais…

A presença ou ausência do homem branco

14 Dezembro, 2013

é a referência padrão para que um facto ocorrido em  África seja visto como um crime inesquecível ou um crime que condenado ao esquecimento.  Mais extraordinariamente ainda quando, como no Ruanda, tudo acontece entre pessoas cuja cor da pele as exclui do mundo dos brancos coloniais não se destacam nem as responsabilidades nos crimes nem a grandeza na hora da reconciliação. Se Mandela tivesse estado no Ruanda e não na África do Sul provavelmente nem o seu nome saberíamos.

Desde quando a construção de um polidesportivo melhora o desempenho escolar?

14 Dezembro, 2013

PÚBLICO: «Investimento de 35 milhões de euros nas escolas de Beja não reduziu o insucesso escolar (….) No caso do secundário, a D. Manuel I estava em 2005 no lugar 206 do ranking nacional e encontra-se agora, depois de a Parque Escolar lá ter investido quatro milhões de euros, no posto 219, entre 612 estabelecimentos. Já na Diogo de Gouveia, observa-se uma descida particularmente acentuada. Em 2005, era a a 49.ª escola mais bem classificada do país e neste momento, três anos depois das obras, está no lugar 229. Nos últimos dois anos, os distritos de Beja, Évora e Portalegre perderam um total de 4000 alunos, em grande parte associado ao declínio demográfico.» 

A fé no investimento público é tal que se instituiu que dinheiro=sucesso. Neste caso dá que pensar ao PÚBLICO que a construção de um polidesporivo e outros equipamentos não se tenham traduzido em melhores notas. Tendo desistido da revolução e da sociedade sem classes a esquerda sem Marx e a direita pragmática fizeram do investimento público o eixo das suas intervenções: tudo se resolve com investimento público. Tem sempre de se investir mais. As escolas de Beja devem estar a precisar de um novo ciclo de investimento. Proponho piscinas cobertas e pista de neve. Se lhes sobrar algum dinheiro podem mandar vir este livro.

Uma espécie de Triângulo das Bermudas?

13 Dezembro, 2013

Denver - massacres

Columbine (rosa) – 1999: 12 alunos, 1 professor assassinados; 24 feridos
Aurora (amarelo) – 2012: 12 mortos, 70 feridos
Centennial (verde) – 2013: 1 morto, 2 feridos (?)

economia numa única lição

13 Dezembro, 2013
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Como podem os portugueses resolver a crise económica e o problema do desemprego?

É fácil: lendo, em massa, os artigos do Daniel Oliveira.

não consigo perceber a dra. ferreira leite

13 Dezembro, 2013
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Manuela Ferreira Leite declarou que o programa de ajustamento destruiu a economia portuguesa, colocando-a ao nível de um pós-guerra. Isto significa, por evidente dedução, que a economia portuguesa anterior ao dito programa estava de boa saúde e era uma economia real sustentada na produção e num PIB forte e seguro, e não uma economia fictícia suportada por um endividamento insustentável. Seria talvez, então, melhor que a Dra. Manuela Ferreira Leite nos explicasse o que andou a fazer quando foi líder do PSD e o que andou a dizer sobre o governo de José Sócrates por essa mesma altura. A não ser que o que então tenha dito não lhe tenha saído da sua própria cabeça, o que não espantaria, tal a discrepância discursiva, não a consigo perceber.