Povo oferece-se para experiência
Como reage um povo que elegeu um governo de centro-direita quando todos os dias a todas horas televisões e rádios, antigos PR’s e ex-responsáveis militares os convocam à violência contra as instituições democráticas?
Obs. Dos presentes na Aula Magna quantos à excepção de Carlos do Carmo cuja vida é cantar já passaram pela experiência de não receber ordenado no fim do mês ou não ter dinheiro para os pagar, ser despedido ou ter de despedir, ver as encomendas a diminuir ou não ter trabalho? É que quem fala da queda de um governo com tanta facilidade e alegria deve viver naquela maravilhoso mundo dos militares de 1975 que levavam a vida em assembleias, congeminações de golpes e contra-golpes… mas recebiam sempre o dia certo.
Lei é lei é lei
Os portugueses são brutos, rudes, iletrados, incapazes de pegar num livro para algo que não seja providenciar um calço para o frigorífico. É preciso criar hábitos de leitura através de programas Ler, Ler+, e, quem sabe, Ler++. Se todos lermos mais, a sociedade beneficia como um todo, yada yada yada.
Livreiros independentes apresentam queixa contra redes FNAC e Bertrand.
Que homenagem?
A 25 de Novembro Eanes vai ser homenageado. O 25 de Novembro foi há 38 anos. (Algumas circunstâncias do seu percurso repetem-se nos detalhes: Eanes falta à homenagem mas Manuela Eanes vai.) Como é natural algumas das opções do antigo PR como a formação do PRD são agora subestimadas. O que me leva a perguntar: daqui a 30 anos que Soares e que Cavaco iremos recordar?
Vamos falar de canção com mensagem?
Mais que um jogo
No clube de futebol local, a equipa de crianças dos 6 aos 9 anos apenas aparenta a idade fora de campo; quando delimitados pelo rectângulo tornam-se mártires voluntários por uma causa que não articulam. Transcendendo o frio, a dor, o cansaço e a sua própria incapacidade para perceberem o jogo, correm com o objectivo único da sublime visão de uma bola a entrar na baliza. Nestas idades é pouco importante a baliza onde o golo ocorre, desde que ocorra. É primário, instintivo, tão bélico como sexual – inerentemente masculino – completamente biológico, completamente individualista. O resultado da equipa é irrelevante: importante é que a criança vença o jogo, bastando para isso um golo mais que qualquer um dos outros, seja em que baliza for, seja de que equipa for. As crianças não querem saber do “bem comum”, não fazem ideia do que isso seja e não é claro o momento em que os adultos de uma dada geração os transformam para assimilarem a dialéctica de comunidade enquanto mantêm o primarismo biológico da individualidade.
O treinador – mister na adoptada nomenclatura anglo-saxónica – torna-se no absolutista de Hobbes, garantido o contrato social através do poder absoluto da punição pela recolha ao banco de suplentes. O resultado expande-se sem que o diferencial da satisfação pelo golo se dilate: golo é golo. No fim vencem todos, mesmo os derrotados, os que marcaram menos ou nenhum golo: venceram o objectivo (goal) de no próximo jogo transcenderem novamente a sinédoque da vida que os espera quando o estatismo os aglutinar.
Liberdade de escolha da escola numa cidade cheia de pobres
Os adversários da liberdade de escolha estão sempre a dizer que esta acabaria por segregar os pobres e que não há evidência que melhore a qualidade do sistema de ensino – isto para além das habituais inanidades sobre os “interesses privados” no sector da Educação.
Por isso recomenda-se a leitura de uma extensa reportagem do Wall Street Journal sobre a mais extensiva experiência de school choice dos Estados Unidos, a levada a cabo na cidade de New Orleans no pós Katrina.
O seus resultados são claros:
É evidente que existem problemas, que o sistema continua a evoluir, que as escolas totalmente privadas só agora começaram a aderir, mas muitos preconceitos cairão conhecendo-se esta realidade (estou a ser optimista: os nossos ideólogos não gostam de factos, e aqui há muitos factos).
fazedor de reis, construtor de impérios
Conheço o Fernando Moreira de Sá há muitos anos e, confesso, nunca esperei vê-lo nesta condição de fazedor de reis e construtor de impérios a que se guindou e a que o guindaram. Não propriamente porque lhe falte talento para isso ou para muito mais, mas porque, francamente, num país que cogita fazer de António José Seguro chefe do governo, os seus prestimosos serviços são certamente desnecessários.
Sent from my iPhone
O Filipe Nunes Vicente fez-me perceber que os médicos sabem que as grávidas não vão a consultas gratuitas por “dificuldades económicas” porque estas dão-se ao trabalho de telefonar ou enviar emails a explicar a situação.
Doutor, não posso ir à consulta por dificuldades económicas.
— Sent from my iPhone
De graça é muito caro
Ouvi, na TSF, que grávidas faltam a consultas por falta de dinheiro. Isto levanta algumas questões, por exemplo, como se determina o motivo pelo qual faltaram à consulta se não estiveram na dita para explicar a sua ausência? Ou ainda, por exemplo, de que adianta isentar de taxas moderadoras todas as grávidas – ricas ou pobres, remediadas ou miseráveis – se as que podem efectivamente beneficiar continuam a faltar por “dificuldades económicas”? Ou ainda, por exemplo, quando a criança nascer, como assegurarão o seguimento médico desta? Ou ainda, quando a criança crescer e aparecer invariavelmente numa turma da escola pública, como assegurar que os filhos dos outros, com acesso a livros e experiências culturais não hiper-subsidiadas, não acabam nivelados pelas “dificuldades económicas” crónicas da gratuitidade do sistema, a tal gratuitidade que mesmo assim “não se aguenta”, a tal que é sempre insuficiente?
O gratuito anda caríssimo!
Para lá do verbo arrasar existe no jornalismo português uma paixão pelo adjectivo gratuito. E o gratuito dá sempre direito a notícias bonitas e fofinhas. Vejam-se estes títulos recentes sobre uns postos prometidos pela CML para arranjo de bicicletas:
Mobilidade: Lisboa vai ter posto grátis para reparar bicicletas
Lisboa vai ter posto grátis para reparar bicicletas
(…) Gratuito é uma forma de dizer pois este postos gratuitos estão integrados num programa designado BIP/ZIP patrocinado pela CML que é o mesmo que dizer pelos contribuintes. É um mundo de oficialmente gratuito. Pode ser interessante mas gratuito é que não é.
E acham que isto não merece ser património imaterial, material ou lá o que quiserem?
Obs. Com menos conteúdo revolucionário ou talvez não porque se trata duma denúncia à vida nos bairros de barracas aqui fica este clássico de Artur Gonçalves
Mortandade intelectual ao serviço do socialismo
Uma das notícias mais badaladas desde o início da crise é o aumento da taxa de suícidio grega*. Todas estas fontes noticiosas correm conscientemente o risco de oferecerem uma resposta, nem que simplista (e provavelmente errada), para uma questão que tem intrigado investigadores do comportamento humano durante gerações: “porque se suicidam pessoas?” Se o leitor ainda não ouve os sinos de alarme para algo suspeito, deveria. Ler mais…
amanhã

Amanhã, quarta-feira, 20, o Pedro Arroja lança o seu novo livro F. – Portugal é uma Figura de Mulher, na FNAC do Norte Shopping, às 18,30.
Já se pode perguntar quanto custam os sindicatos das empresas do estado?
O website hagreve.com lista 266 greves desde Abril de 2011. O campeão destacado é a CP, com 48 greves, equivalente a uma greve de 20 em 20 dias. Em segundo lugar, a Metro de Lisboa, com 26 greves, fica quase a metade da sua congénere sobre carris, com apenas uma greve de 37 em 37 dias. Eis o top 10:
- CP: 48
- Metro de Lisboa: 26
- STCP: 20
- Carris: 17
- Soflusa e Transtejo: 15
- Greve Geral e Metro Transportes do Sul: 13
- TAP: 12
- Soflusa e NAV Portugal: 11
- Transportes Sul do Tejo: 10
De acordo com a base de dados do hagreve.com, existe, em média, uma greve a cada 3,59 dias.
É difícil competir com o Assurancetourix mas não há como tentar
Tendo em conta o que se estuda em muitas universidades e institutos portugueses até que este curso nem é dos mais bizarros e sai relativamente em conta: Curso de Bardo devidamente certificado pela Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas (mais informações procurar aqui)
Económico e com muita apresentação
As cozinhas são os novos quartéis tema do meu artigo de hoje no DE: A cozinha é o único espaço onde, neste momento, se assume livre de preconceitos, uma cadeia de comando e a respectiva hierarquia. Quando nas escolas os professores e funcionários são sovados com regularidade, quando nos transportes públicos ninguém ousa pedir ao grupo de adolescentes que baixem o volume da música com que presenteiam os restantes passageiros (…) sobraram-nos as cozinhas como lugar onde a hierarquia se mantém às vezes até ao absurdo.
Pequeno esclarecimento e não se fala mais nisto
Hoje fui insultado, mais uma vez, nas redes sociais. Admito que sinto um certo prazer em gerar manifestações de pedantismo ao ser mencionado como “primário” ou “gentinha sem arcaboiço” mas lamento que – invariavelmente – não seja apresentada outra explicação que não a falácia do homem de palha. Assim, decidi escrever alguns pontos que poderão ser reutilizados por outros autores numa espécie de “guia do animal social de caixa de comentários”.
Soares foi ouvido mas as suas profecias tornaram-se realidade no local errado. Moral da História: tem de se ter cuidado com o que se deseja
A património mundial, já!!!!
A canção de intevenção faz parte do património português. E é um tesouro que se arrisca a desaparecer. Como podemos perder tesouros como este:
Não sei bem como teria acabado o país se se ele tivesse tido o tal chicote para intervir perante “homem que viva do homem” :
De qualquer modo temos também um momento bucólico:
Segunda-feira normalíssima

História ilustrada da trepanação (em inglês)
Como seguir notícias em Portugal? Alimentando-as, como muito carinho e dedicação, em nome do PREC – Processo Revolucionário de Estupidificação em Curso.
- Julho 2010: Oposição impõe cortes nos gabinetes políticos
- Novembro 2013: Governo isenta de corte motoristas, auxiliares e secretariado dos gabinetes
Não será de estranhar que, em nome da equidade, esta notícia seja a mais partilhada do dia, graças à indignação sebastianista por uns não serem mais taxados que outros, em nome da igualdade. Juntando aos insultos a César das Neves por umas declarações óbvias, será uma segunda-feira normalíssima, que culminará num recentrar da polémica nas questões do SNS, graças ao voluntarista-progressista José Manuel Silva e as suas tendências suicidas.
Faz muita falta
- PTP – Partido Trabalhista Português: “socialismo democrático”
- POUS – Partido Operário de Unidade Socialista: “proibição dos despedimentos”
- PH – Partido Humanista: humanistas1, “propriedade participada pelos trabalhadores”
- PAN – Partido pelos Animais e pela Natureza: “criação de hospitais veterinários comparticipados pelo Estado”
- MEP – Movimento Esperança Portugal: Er…
- PDA – Partido Democrático do Atlântico: RUA COM ESTES AGIOTAS!
- PCTP/MRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado: “maoísmo”, “Cavaco e governo para a rua, por um governo democrático patriótico”
- BE – Bloco de Esquerda – “alternativas ao capitalismo”, “socialismo como expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e opressão”
- PCP – Partido Comunista Português: “vanguarda da classe operária”, “projecto de uma nova sociedade”
- PS – Partido Socialista: “construção de uma sociedade livre, igualitária, solidária, económica e socialmente desenvolvida”
Rufar de tarola…
- LIVRE – (acrónimo não entendido pelo autor do post): “socialismo, no sentido de recusa da mercantilização das pessoas, do trabalho e da natureza”
1 Humanismo, sim; mas não para patrões.
A escola pública e a difícil relação da nossa esquerda com a liberdade
Leituras:
«Governo esmaga Norte e Centro», por Daniel Deusdado
Espiral recessiva (In Memoriam) II
Espiral recessiva (In Memoriam)
Longe vão os tempos (foi em Abril deste ano) em que o Luis M. Jorge citava com agrado patacoadas sobre a espiral recessiva. Agora diz-nos que uma economia não cai para sempre ou, pelo menos, não cai para sempre sem oscilações.
A importância da taxa de juro
A Irlanda não vai precisar de programa cautelar. Porquê? Porque chegou ao fim do programa de ajustamento com taxas de juro a 10 anos no mercado secundário de 3,6%. Portugal está nos 6% e a malta enerva-se quando alguém sugere que teremos de chegar aos 4,5%.
A ler
Moçambique: árvore e floresta de Gabriel Mithá Ribeiro.
É melhor ir ao cardiologista
No 5Dias resolveram interromper o frenesi auto-acusatório em que se envolveram para responder a este meu post. Só posso confirmar que o 5Dias está bem e recomenda-se no jeito fantasista do costume. Embora comovida por o autor declarar «guardei no coração as declarações da Helena Matos sobre aqueles que (como eu, necessariamente) promoviam a manifestação «agarrados ao canudo como os aristocratas caquéticos se agarravam aos quartéis de nobreza» garanto-lhe que não me recordo de ter escrito tal coisa. E os aristocratas caquéticos também não me parece uma imagem muito inspirada. Todos nós temos momentos fracotes na hora de escrever e quem sou eu para tirar alguma coisa do coração de alguém mas como se diz em algumas sociedades recreativas “quartéis de nobreza” é uma expressão que não me assiste. Quanto à doideira sobre as sociedades recreativas, os stilletos e a minha pessoa a conduzir – nunca me viu guiar pois não? – é o registo da fantasia do outro habitual no 5Dias a que aludi precisamente no meu post.
É má ideia aumentar o salário mínimo nacional
O Luís Aguiar-Conraria, insuspeito de ser um perigoso ultraneohiperliberal, já abordou o assunto do aumento do salário mínimo da forma mais pedagógica possível. Há também um trabalho interessante de Mário Centeno, Cláudia Duarte e Álvaro A. Novo, publicado pelo Banco de Portugal, com o título “O impacto do salário mínimo sobre os trabalhadores com salários mais baixos”, que conclui existir um “efeito negativo de aumentos de salário mínimo do emprego de trabalhadores com baixos salários”. É deste trabalho que retiro duas figuras, aqui reproduzidas. Ler mais…
(+1)+(-1)=0
As contradições no reino progressista estão ao rubro. Já nem é preciso analisar cada uma das propostas de forma individual, basta ver o efeito cumulativo no caso de serem implementadas.
O que disse Machete (pensemos um bocadinho)
No Jornal de Negócios ficaram espantados porque as declarações de Machete não provocaram uma subida dos juros da dívida pública. Um raciocínio um pouco estranho. Quanto muito as declarações de Machete poderiam levar à queda dos juros da dívida.
Pensemos um bocadinho:
O que querem os credores: querem que lhes paguem a dívida quando chegar a hora.
O que é que os credores não querem: que Portugal volte aos mercados de forma insustentável ou que haja um 2º resgate associado a um default
Os credores gostariam que Portugal fosse sujeito a um novo resgate? Sim, desde que não envolvesse default aos privados (veja-se por exemplo: S&P vê com bons olhos novo programa para Portugal. Seja ele qual for.)
Porquê? Porque o que os credores querem é o dinheiro de volta e um 2º resgate sem default asseguraria mais reformas do pagador e um periodo mais longo de pagamento garantidos.
O que disse o Machete: Disse que Portugal não regressaria aos mercados de forma insustentável e deu indicação que o juro máximo que o país estaria disposto a pagar após 2014 é 4,5%. E sugeriu que com um 2º resgate, com taxas inferiores a 4,5%, o país poderia pagar as suas dívidas.
E o que é que os credores tiram disto? Que a taxa indicativa para o programa cautelar será de 4,5% e que o BCE poderá vir a comprar títulos da dívida se eles cotarem acima deste valor.
A questão que se coloca não é porque é que os juros não subiram mas sim porque é que eles não iniciaram já uma descida para os 4,5%.
Fazem o favor de cumprir a vossa missão histórica
E voltem à convocatória da manifestação que é sempre a maior e vai aniquilar a direita, mais o texto sobre os compagnons que são sempre pessoas esforçadas, dedicadas e moralmente superiores (até ao momento em que desatam a acusar-se uns aos outros!) sem esquecer os retratos sempre a preto e branco sobre o mundo e particularmente sobre quem não pensa como eles e que naturalmente não passam de uma corja de corruptos, ignorante, vendidos… Em resumo eu preciso e o país precisamos do 5Dias porque de cada vez que por aí se divulga aquela imagem da unidade de esquerda, do comunismo de sociedade recreativa, que claro não tem nada a ver com o Estaline, dos deputados emocionadaos a ver os filmes sobre os amanhãs que iam cantar… eu lembro-me do 5Dias e daquilo que por lá se escreve.
Agora em 3D

O blogue 5 dias, famoso pela fraterna união igualitária entre gentes de boa vontade, arauto do lema “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”, entrou numa purga fraticida pela propriedade da cooperativa bloguística em plena crise latifundiária do burgo, tudo pelos direitos de imagem de messias falecido.
A revolução está mais pobre. Vão-se os anéis, ficam as pérolas.
Intervenções da Parque Escolar por população no escalão [0-14] anos
Vários comentadores referiram que o gráfico deste post é óbvio, alegando que os concelhos mais ricos são também aqueles que têm maior população. Isso será verdade para Lisboa, Oeiras ou Porto mas não é o caso geral. Fica aqui um gráfico que ilustra intervenções Parque Escolar (Fase 0, Fase 1, Fase 2, Fase 3 e Fase 4) em escolas secundárias pela população dos concelhos no escalão [0-14] (2011, Pordata).
As intervenções Parque Escolar são mesmo nos concelhos mais ricos, não nos mais populosos.

ADENDA: Após publicar o artigo, desconfiei daquele pico no patamar 10000-15000 e encontrei um erro na fórmula de cálculo desse patamar. O gráfico corrigido apresenta-se em baixo. Peço desculpa pelo erro. Em qualquer dos casos, as conclusões são as mesmas, mais vincadas ainda com os dados correctos.

Morreu o eduquês. Viva o sociolês.
Intervenções Parque Escolar por poder de compra do concelho
Exames do secundário por tipo de escola
Argumento a favor de cheque-escola
Circula por aí um estudo que, aparentemente, diz que alunos da escola pública têm melhor desempenho académico na Universidade do Porto que alunos oriundos de escolas privadas. Jornais e demais progressistas pegam nisso como argumento “em defesa da escola pública” – o que quer que isso seja – como se alguém propusesse a extinção do financiamento público aos alunos do ensino obrigatório; pelo contrário: o cheque-escola serve para que se financie todos os alunos ou, dito de outra forma, para que este financiamento não seja apenas assegurado em estabelecimentos físicos cuja propriedade é obrigatoriamente do estado. Ler mais…
Órgãos de soberania em greve
Não é inédito no nosso país ver titulares de órgãos de soberania em greve. Mas, como dizia Pinheiro de Azevedo, “é realmente assim fora do normal“.
Ele há “pressões” e “pressões”!
As corporações e a defesa corporativa dos respectivos interesses profissionais e/ou patrimoniais é, em princípio, legítima em democracia. Pode mesmo ser vista como a expressão da defesa da autoregulação de interesses. Um corolário da autonomia privada e da vitalidade contraditória de sociedades democráticas. Claro está que estas serão tão mais saudáveis, vivas e evolutivas quanto mais efectiva e melhor for a regulação e composição de interesses, nomeadamente, do interesse público e de interesses corporativos (que muitas vezes coincidem com o interese público).
Não me impressionam, por isso, as críticas – reiteradas e utilizadas (abusadas) como arma de arremesso político-partidário – de que há pressões sobre o TRIBUNAL CONSTITUCIONAL (a propósito do OE) ou, de um modo geral, sobre os Tribunais. Grave seria se, porventura, as respectivas decisões, sempre sujeitas, em liberdade e democracia, à crítica, fossem desrespeitadas.
Agora, o que me impressiona é que se “discriminem” (nomeadamente, no discurso político e na imprensa) as “pressões”; não se encarem todas as pressões com essa mesma lógica e com o mesmo peso e medida. Esta, por exemplo – independentemente da nota bizarra de ser feita por quem integra um “ORGÃO DE SOBERANIA”, como o Governo, a A.R. e o PR – é uma forma de crítica corporativa igual, igualzinha às outras e com o mesmo tipo de preocupações (também as remuneratórias, a questão do dinheiro)!
E será tão legítima (igualmente legítima) como todas as outras! Só não o será se assim não se assumir ou se não for tratada, nomeadamente, pela imprensa e pela opinião pública, como todas as demais (vg, as do Governo, dos Sindicatos, dos professores, dos reformados, dos aposentados, de outros grupos profissionais, dos partidos da oposição, etc., etc.).

![Poder de compra relativo (2011) [Portugal = 100%; Lisboa = 216%] e intervenções Parque Escolar no respectivo concelho. Parque Escolar renova escolas nos concelhos mais ricos.](https://blasfemias.net/wp-content/uploads/2013/11/intervencoes-parque-escolar-por-poder-de-compra.png?w=600&h=402)
