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Decálogo do português mediático

3 Dezembro, 2013

Dez pontos obrigatórios para perceber o país mediático. Tema do meu artigo hoje no DE

Devem andar a ler a história da camionete fantasma

2 Dezembro, 2013

PÚBLICO: Os polícias e demais elementos das forças de segurança exigem, no rescaldo da manifestação há mais de uma semana em frente à Assembleia da República (AR), uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. A decisão foi tomada nesta segunda-feira pela Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança (CCP), que junta os sindicatos mais representativos da GNR, PSP, ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima. “Endereçamos um convite de reunião. Queremos que tenha noção das situações que nos afectam. A reunião é muito importante e é com o primeiro-ministro porque os elementos que representamos são tutelados por vários ministérios”, explicou ao PÚBLICO, o secretário nacional da CCP, Paulo Rodrigues. O mesmo responsável, que critica a ausência de respostas até agora do Governo às reivindicações dos polícias, avisa ainda que será “um erro se o primeiro-ministro recusar o convite”.   Ler mais…

O colchão é uma ideia perigosa

2 Dezembro, 2013

A blogosfera jugulante sedenta de sabe-se-lá-o-quê anda fascinada com um tal de Mark Blyth que afirma que a “austeridade é uma ideia perigosa”. Genial!
A ideia é mais ou menos esta: se todos poupam ao mesmo tempo, ninguém gasta; se ninguém gasta, não é preciso produzir, desemprego rebenta a escala e lá se vai a poupança a subsidiar burros-de-Miranda. Brilhante! Genial! Como é que ninguém se lembrou disso antes? Como é que ninguém pensou na brilhante ideia que é gastar dinheiro quando acaba quem empreste dinheiro, isto para ganhar dinheiro que permita gastar dinheiro para… bem, para comprar livros ao Mark Blyth?

O problema é que alguém se lembrou antes. Tanto que se lembrou que o fez, originando o terceiro resgate da história pós–25 de Abril. Mas isso agora não interessa nada: o que interessa é que os alemães e outros que tais são mauzões porque gastam menos do que o que deviam gastar para que nós não tivessemos que poupar tanto quanto deveríamos poupar para também podermos gastar o que não devíamos gastar. Aguentem lá um bocadinho, isto não é particularmente fácil de escrever depois dos 12 anos de idade.

A parte que não se compreende neste regabofe é o que faz Mark Blyth em Portugal. Não é suposto ir convencer alemães a gastarem dinheiro? Que adianta andar em Lisboa a dizer que o Hans devia fazer mais férias em Mykonos, onde é muito bem recebido, se poucos Hans residentes em Portugal estão interessados na historieta? Faria muito mais sentido ir pregar para Berlim, onde realmente o dinheiro pode ser gasto, para que nós possamos não poupar e então gastar o que não temos, isto de forma a podermos usufruir de consumo que nos permita comprar livros do Mark Blyth.

Tout va très bien madame la marquise

2 Dezembro, 2013

Os franceses andam embrenhados a discutir assustos extraordinários como a abertura das lojas ao domingo – Travail dominical : le PS refuse «la mercantilisation de la société;  – com inquéritos trasncendenets como este Faut-il autoriser les magasins de bricolage à ouvrir le dimanche ? –  andam numa fúria legislativa a tentar contornar a realidade. Agora são os chamados trabalhos low cost. O Expresso dá a notícia de uma forma espantosa Trabalhadores europeus em França pagam fatura da força de Le Pen tipo os socialistas coitadinhos tomam esta medida que se fosse outro o governo se chamava xenófoba e era muito condenável mas como são socialistas  ‘tadinhos não fazem isso por mal mas sim porque a extrema-direita que é muito má os obriga  a isso. Enfim Tout va très bien madame la marquise

 

 

A ler

2 Dezembro, 2013

João César das Neves:«Ultimamente fala-se muito de violência. Pessoas eminentes, sábias e respeitáveis, se não incitam, antevêem comportamentos populares de revolta e agressão. Estranhamente, apesar do muito que se afirma, quase não se ouve dizer que a violência é uma coisa muito má, sempre de repudiar. Considerando-nos um país civilizado e até democrático, espanta a naturalidade com que tantas luminárias consideram o uso de métodos bárbaros. Como somos um país civilizado e democrático, são poucos os que prometem às claras atacar e agredir. Por enquanto, hipocritamente, os intelectuais limitam-se a prever atitudes alheias. Não serão eles a bater, mas as forças populares, ficando-se na dúvida se as apoiam, embora evidentemente as compreendam. É claro que, perante a terrível pressão a que a sociedade portuguesa está sujeita, seriam sempre naturais reacções agressivas. Isso acontece em vários países da Europa, mas, surpreendentemente, muito pouco em Portugal, apesar de a retórica das elites o prever há anos. Provavelmente o nosso país é mais civilizado e democrático do que se julga, hipótese que os nossos intelectuais nunca colocam. No fundo, eles, que se consideram génios, sempre desprezaram o povo, mesmo quando o lisonjeiam.»

 

Por este caminhar

2 Dezembro, 2013

e após a recuperação do faduncho choradinhode tabernas e salões de que havia que libertar Portugal pois era fascista mas agora deixou de ser, do 1º de Dezembro que era rançoso, salazarista, ultra-montano e patati patatá e que agora é uma data de assomo patriótico espero ansiosamente pelo momento em que as touradas se tornem um acto de cultura popular de resistência face ao avanço burguês de uma cultura urbana mesquinha que nas vastidões de liberdade exigidas pelos touros bravos apenas vê terras incultas.  Com alguma sorte no ano de 2014 no 1º de Dezembro descobrem as touradas e assim estará justificada a vinda a Portugal daquele que está para lá dos adjectivos no mundo do toureio:

Ainda está a tempo de não contribuir para o Banco Alimentar. Que se lixem os famintos.

1 Dezembro, 2013

O Banco Alimentar precisa das campanhas de recolha em supermercados por boas razões de marketing e ao fazê-lo mantém ocupados os escuteiros e toda a rede de voluntários ligada à Igreja Católica, que enquanto estão à porta dos supermercados a estender-nos os saquinhos estão a contribuir à sua maneira para o bem comum e a ajudar-nos a – como em todos os actos de caridade – aliviar as consciências sem resolver nenhum problema estrutural.
Espero que sejam bem-aventurados os que contribuem nestas campanhas (eu costumo contribuir), mas não tenhams dúvidas de que core business do Banco Alimentar não é a nossa caridade, é evitar o escândalo da destruição de produtos alimentares no nosso país e na nossa Europa. É evitar que se deteriorem os bifes que não comemos enquanto a carne é fresca. – Paulo Pedroso (ex-ministro do trabalho e da solidariedade), Novembro 2012

Este tipo de discurso é interessante pela sucessão de falácias que o erguem em espuma.
Em primeiro lugar, os voluntários não são meramente escuteiros e/ou membros de uma rede da Igreja Católica; associar voluntários a grupos específicos é a melhor maneira de os reduzir a um absurdo compartimentado, um “as pessoas não são números mas afinal são religiões, clubes de futebol ou partido”. Em segundo lugar, os voluntários não contribuem para “bem comum” coisíssima nenhuma, contribuem para o bem de pessoas com fome. Aliás, não existe qualquer “rede da Igreja Católica”, existem comunidades locais, com voluntários, da freguesia, da paróquia, do rancho folclórico, comunidades heterogéneas como a própria sociedade o é. Em terceiro lugar, é só lamentável que um ex-ministro do trabalho e da solidariedade sugira que exista melhor forma de escoamento de supostos excessos do que a oferta – redundância: gratuita – a quem deles necessita: sem voluntariado (que mais não é que trabalho oferecido, não remunerado), esse escoamento teria custos incomportáveis, quer para distribuidores, quer para qualquer pesarosamente burocrática rede estatal de escoamento (a não ser que essa rede estatal funcionasse de borla, coisa que parece manifestamente inconstitucional). Retirar o voluntariado da equação é aumentar os custos para todos, incluindo para os famintos. Mas que se lixe, fica sempre bem aspirar pelo Homem Novo.

Às vezes dá a sensação que “ministros da solidariedade” estão mais interessados na quebra de humanidade entre as pessoas que na resolução dos seus reais problemas. Organize-se um grupo de estudo para pensar no problema: entretanto os famintos podem recorrer ao canibalismo.

A propósito do novo teólogo do Campo Grande

1 Dezembro, 2013
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No artigo do Público, de 30-11-2013, que mais parece o resultado estenográfico de frases desconexas, Mário Soares descarrega um chorrilho de falsidades e falácias na sua tradicional mistura discursiva que era, todavia, menos mal escrita. Respigo e comento:

Ler em Do Portugal Profundo

 

Angola

30 Novembro, 2013

*Alves Kamulingue e Isaías Cassule, dois cidadãos angolanos, foram raptados em plena via pública no dia 27 e 29 de Maio de 2012 quando tentavam organizar uma manifestação de veteranos e desmobilizados contra o Governo de José Eduardo dos Santos.(*)

* O Chefe do Serviço de Inteligência e de Segurança do Estado (SINSE) de Angola, Sebastião Martins, foi demitido do cargo pelo Presidente José Eduardo dos Santos.Os motivos da decisão, não revelados, estão relacionados com o alegado envolvimento de agentes do SINSE na presumível morte dos dois ex-militares.(*)

* Alves Kamulingue foi detido por tropas da UGP – Unidade da Guarda Presidencial – que o entregaram à Polícia Nacional.
Isaías Sebastião Cassule não compareceu a esta manifestação, mas denunciou a detenção de Kamulingue e foi atraído a uma armadilha e também raptado. Cassule foi brutamente espancado durante dois dias seguidos, acabando por morrer. O seu cadáver foi atirado ao rio Dande. Kamulingue foi também alvo de torturas e terá sido executado com um tiro na cabeça.(*)

* A 23 de Novembro de 2013 a USP – Unidade de Segurança Presidencial disparou mortalmente sobre Wilbert Ganga, após detenção juntamente com os demais integrantes de brigada com quais trabalhava na fixação de panfletos de protesto contra os assassinatos de Alves Camulingue e Isaías Cassule.(*)

* Amnistia Internacional e a Human Right Watch apelaram às autoridades angolanas a investigarem a fundo, o assassinato do activista da CASA-CE (Manuel Hilberto Ganga) por elementos da Guarda Presidêncial em Luanda, no dia 23 de Novembro.(*)

*Polícia usa gás lacrimogéneo durante cortejo fúnebre de militante da CASA-CE, Wilberto Ganga.(*)

*Ministro angolano garante que só foram destruídas mesquitas que não tinham licença de construção.(*)

*PSD, CDS-PP, PS e PCP chumbaram voto de condenação apresentado pelo Bloco de Esquerda (BE) sobre o assassinato de três activistas angolanos (*)

Pacheco responde a Pacheco

30 Novembro, 2013

Os blogues de “direita”, “liberais”, “neo-liberais” e próximos do governo, que têm a vantagem de escrever de forma nua e crua, muitas vezes imbecil e débil, aquilo que acham que é melhor para justificarem tudo o que seja ataque aos mais fracos e defesa do direito dos mais fortes no chamado “ajustamento”, têm agora um pequeno problema: o Papa Francisco. Se não estivesse lá a assinatura do Papa, debaixo de um título em latim, e os textos papais fossem publicados num blogue qualquer tido de esquerda, choveriam os mais estridentes impropérios sobre o socialismo despesista, o esquerdismo entranhado e doentio, o comunismo assolapado do seu autor.
– Pacheco Pereira, 30 de Novembro de 2013

Pacheco Pereira responde a Pacheco Pereira:

Como laico, eu valorizo o magisterium da Igreja, mesmo quando dele discordo na sociedade e na política. Prefiro uma Igreja institucional e conservadora a mais um “movimento” com fronteiras indefinidas, mesmo que fundado numa fé genuína dos seus crentes. Penso que sem magisterium a Igreja verdadeiramente nunca seria capaz de mudar e que é pelo magisterium que muda. Um retorno à Igreja comunitária primitiva, a negação do papel do Papa e uma recusa da Igreja hierarquizada trariam ainda mais confusão e um maior deslaçamento da sociedade. A oposição de Ratzinger a estas teses e a Igreja que agora como Papa tem autoridade para ajudar a construir pode não chegar para evitar o velho fantasma que nos ronda as casas, o da “decadência do Ocidente”, mas ajuda a esconjurá-lo.
–Pacheco Pereira, 11 de Janeiro 2007

Porque o mundo é feito de contradições

30 Novembro, 2013

No Malomil Gabriel Mithá Ribeiro está a publicar um conjunto de textos sobre sobre colonialismo que vale  a pena ler. No Expresso Henrique Monteiro escreve sobre o protectorado que é uma forma de fazer de conta que outros nos impõem  aquilo que quisemos e suplicámos que fizessem. Mais um pouco estarão tb a falar de colonialismo.

A culpa não é de António José Seguro

29 Novembro, 2013
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Hoje, no Público:

“Os problemas do nosso PS não são muito distintos dos problemas dos outros partidos socialistas e sociais-democratas e que António José Seguro é muito menos culpado de cinzentismo do que é costume acusá-lo. Também Hollande é, de certa forma, menos culpado do que se imagina pela desilusão que gerou – boa parte da culpa está nas ilusões que se alimentaram acerca do que poderia representar uma maioria socialista em França. A principal dessas ilusões é a de que a austeridade corresponde apenas a uma escolha política, que deriva de uma valorização moral e que apenas existe para ser “punitiva”. Essa ilusão permite encher todas as “aulas magnas” que se quiser, mas será fatal para as expectativas do país no momento em que houver uma mudança de ciclo político, algo que ocorrerá mais cedo ou mais tarde. (…)

Ler mais…

espiral socialista recessiva

29 Novembro, 2013
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Se o LR acertar nas fundadas previsões económicas que fez neste post (e ele, nestes assuntos, raramente se engana e poucas dúvidas costuma ter…), para além dos benefícios que daí vão decorrer para o nosso país e para os portugueses, outra vantagem inevitavelmente ocorrerá: a oposição vai ser forçada a escolher uma liderança com um perfil sério e competente, e um discurso muito menos demagógico do que o actual. Talvez mesmo por isto, o Dr. Soares, velha raposa que nunca deixou de cuidar daquilo que é seu, já foi avisando as tropas para a falta de dinamismo do actual PS…

Espiral expansionista?

29 Novembro, 2013
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Desemprego em baixa, produção industrial, exportações, índices de confiança e o PSI-20 a denotarem tendências de subida cada vez mais sustentadas, o orçamento de 2013 em “riscos” de ser cumprido. Tantos indicadores coincidentes auguram um último trimestre particularmente dinâmico.

Registem o meu palpite: o PIB irá crescer de forma bem visível, quiçá a um ritmo superior ao do 2º trimestre, mas agora na base win-win, com ganhos na procura interna e na externa. E se a tendência se mantiver em 2014, teremos muito para teorizar, designadamente sobre o paradoxo de uma “espiral expansionista” a coexistir com um orçamento de austeridade. Se hoje já “não se aguenta”, então será insuportável…

Piquete parlamentar

29 Novembro, 2013

A minha liberdade permite-me organizar um piquete que impeça a entrada dos deputados Bruno Dias (PCP) e Pedro Filipe Soares (Bloco de Esquerda) no parlamento? O piquete seria em defesa de várias coisas incluíndo os postos de trabalho que estes deputados querem destruir com o aumento de salário mínimo.

Eutanásia para conservadores

28 Novembro, 2013

O politicamente correcto, expressão comum para a pior praga anti-hermenêutica na era contemporânea, mais adequadamente designável por estupidamente aceite, origina como consequência mais visível a inexistência de moral; quando tudo está aberto a discussão – incluindo o que constitui a discussão – a própria ferramenta retórica fica desprovida de referencial e base argumentativa.

A legalidade não é aspecto relevante: o utilitarismo de pequenos colectivos assume importância de primazia sobre a essência do individual e as aberrações amorais tornam-se legítimas. Um exemplo são as associações em defesa da pedofilia; outro exemplo é esta chocante barbaridade da eutanásia para menores que belgas pretendem aprovar. Não há limites à socialização da desresponsabilização, a esta lavagem de mãos sobre o que por nós decidem. Esta terrível ditadura da estupidez não tem limites enquanto os estados puxarem a si o direito monopolista das suas difusas definições de bem e de mal: o politicamente correcto é a teocracia perfeita.

Não se auguram tempos felizes mas, também, como serão os estados quem determinarão se você é ou não feliz (teocracia implica antropomorfismo do colectivo), não passa este post de uma nota ultrapassada de um conservador fora de moda.

Nota: em consonância com o primeiro parágrafo, não permitirei comentários a este post. Tudo pelo bem comum.

Adenda: Notícia da eutanásia para menores na Bélgica em português (Público).

Vantagem educativa evidente

28 Novembro, 2013
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Prova típica.

Uma das vantagens evidentes da elaboração de prova para o acesso de docentes à função pública é permitir que pais possam “ouvir nos jornais” as desculpas que os filhos dão quando não estão preparados para os exames.

…a prova poderá ser “um obstáculo” para quem “tem uma inteligência menos visual e se pode baralhar na leitura de um diagrama, por exemplo”; ou para quem “tenha dificuldades com a pontuação ou com a translineação…

Quem disse que era melhor?

28 Novembro, 2013

A propósito do novo governo alemão voltámos à história da carochinha sobre a mutualização da dívida.
NO DN lê-se “Merkel já tem governo mas não cede na ajuda a países em crise” No Público conclui-se que “Grande coligação” mantém linha dura de Merkel face à crise do euro” porque claro existe uma linha fofinha e muito boazinha que dava certamente resultados maravilhosos e que Merkel pq é muito má e lidera um partido conservador que é logo meio caminho andado para a maldade não quer aplicar

A propósito do regime sacrificial dos pensionistas eis o último relatório da OCDE sobre sistemas de segurança social

28 Novembro, 2013

Old-age poverty in Portugal is below that of the general population. People aged over 65 in Portugal have, on average,an income equivalent to 90.8% of that of the total population, above the OECD average of 86.2%, and 10 percentage points higher than in 2007.The elderly poverty rate in Portugal fell by 5.3 percentage points between 2007 and 2010 compared to a decline of 2.2percentage points for the population as a whole. One major reason for this disparity is that pensioners, and particularly those with lower income levels, were protected from the full impact of the
financial and economic crisis. While the income of the population overall fell during the crisis, the position of pensioners improved in relative terms. With the cuts that have subsequently been introduced to the pension system higher poverty rates among the elderly could result in the future. Currently Portugal spends 12.5% of its GDP on public pensions, which is the fifth highest in the OECD. This percentage is set to increase to 13.1% by 2050. Because of low fertility rates and high life
expectancy the population is ageing quickly in Portugal: there will be around 1.4 people of active age per retiree in 2060 compared to around 3.3 currently. This will have major implications for the future financing of pensions in Portugal.

O país dos reformados ricos mas sem netos

27 Novembro, 2013

Dinheiro é a principal razão para casais não terem mais filhos

Se querem evitar segundo resgate, aumentem impostos a toda a gente” –Maria do Rosário Gama, presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados, rejeitando novos cortes nas reformas

inadmissíveis

27 Novembro, 2013
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Estas pressões da UGT e da CGTP sobre o Tribunal Constitucional. Aguardam-se os habituais protestos dos partidos e personalidades de esquerda contra estas inadmissíveis intromissões na autonomia daquele órgão de soberania. O Dr. Mário Soares certamente não se escusará a comentar o assunto no seu próximo artigo do Diário de Notícias.

Constituição escreve dicionário

27 Novembro, 2013

Os croatas vão realizar no próximo fim-de-semana um referendo sobre a constituição como referência para o dicionário. Basicamente, a constituição a ditar a definição da palavra “casamento”. E o que é o casamento? É um laço entre homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher, cão e gato?… À luz de qual tradição? E quais as possibilidades? Porque é tão discriminatório ao ponto de o limitar a dois seres? À luz de qual tradição? Qual o âmbito desse laço e quais as diferenças consoante as crenças de cada um?

Os estados são brilhantes: não regulam o número de habitantes de uma casa nem as contribuições individuais para o orçamento geral; regulam sim – e denominam – quais dessas pessoas estão autorizadas a dormirem juntas, legitimando um conjunto de obrigações e direitos especiais, que são vedados às outras pessoas com quem o estado não se importa que durmam, nem que sob o mesmo tecto.

Quando me perguntam se sou a favor que estados consagrem o casamento gay respondo sempre o mesmo: o estado não tem que consagrar qualquer casamento, seja gay, hetero ou entre a excêntrica idosa e o seu gato. Estados laicos não têm nada que regular casamentos socialistas, nem que seja o socialismo a religião vigente. Banir em constituição o casamento gay é tão errado como autorizá-lo.

Aos estados apenas interessa a união fiscal; e esta tanto pode ser entre dois fulanos de bigode, a Maria e o Manel, quatro irmãs ou sete estudantes aventureiros.

E ele disse que não se demitia? E os sindicalistas explicaram-lhe outra vez que se devia demitir?

27 Novembro, 2013

Ora está claro que a resposta foi evasiva mas “nós conseguimos sempre rebater” esses argumentos.  – explicaram os sindicalistas após teem invadido o ministério e assim conseguido uma reunião  com o Secretário de Estado da Administração Pública. Francamente não sei o que acho mais espantoso: se a multidão de “sindicalistas” de boné soviético na cabeça – até que idade se é sindicalista? Já agora seria interessanet saber-se que sindicatos representam – se o facto de os mesmos terem sido recebidos após invadirem os ministérios.
 

Pela profissionalização dos escuteiros, já! E dos participantes nos presépios vivos, nos peditórios do Halloween e nas marchas de Santo António.

26 Novembro, 2013

Via Isurgente descobri este texto de Raquel Varela em que para lá do estilo habitual em que a autora esclarece e diz com quietude a verdade às pobres almas a que concede o benefício da boa intenção se abre o caminho para a profissionalização de actividades até agora entregues a uma absoluta desregulação subvertendo o mundo do trabalho: «Hoje, por acaso justamente em Mafra, numa grande suecer uperfície, vi escuteiros a embrulhar presentes. Perguntei à responsável porque estavam eles ali, ao que ela me respondeu que estavam ali «a fazer aquele trabalho e a angariar fundos para ajudar as famílias carenciadas». Esclareci-a que, num país decente, aquilo era: 1) trabalho infantil mascarado de trabalho voluntário; 2) substituição de trabalhadores que ocupam aquelas funções por trabalhadores que não recebem ou recebem muito abaixo dos outros da mesma empresa; 3) que isso descapitaliza a Segurança Social e o Estado Social porque há cada vez menos gente a descontar. Finalmente, disse-lhe, com quietude, que ela não estava ali a ajudar famílias carenciadas, estava a contribuir para as produzir: estava a ocupar, com crianças, lugares de trabalhadores que, por aquela via também, não são contratados. Acredito que ela o faça por bem… tenho quase a certeza disso, na verdade; mas há homens que matam as mulheres porque «elas jamais conseguiriam viver sem eles»— ou como dizia certo velho com barbas: de boas intenções «está o inferno cheio!»

Creio que devemos ponderar a profissionalização com os respectivos descontos para a Segurança Social, horário de trabalho, contrato… de todas as actividades nomeadamente a de cozinharmos em casa actividade que destrói o sucesso das cantinas sociais e só enriquece o Pingo Doce e os donos dos restaurantes; de passearmos o cão pq existem pessoas qualificadas para o fazer e naturalmente o escrever em blogues pois como se sabe uma das razões do declínio do jornalismo é a concorrência desleal dos blogues: nestes escreve-se a qualquer hora, sem custos e, claro, sem fazer descontos para a Segurança Social. Entretanto chamo a atenção para a situação de exploração infame deste trabalhador que tem a mais intensa jornada de trabalho do mundo. Se virmos bem a mensagem subjacente ao Pai Natal é a defesa da desregulação do horário de trabalho e da deslocalização.

É um início mas não chega

26 Novembro, 2013

Via Fernando Melro dos Santos tive acesso a esta pérola do bem: “It is now illegal to smoke in your own home in San Rafael, California”. Para quem não teve inglês no primeiro ciclo, diz que agora é ilegal fumar na sua própria casa em San Rafael, na California. Bem sei que a maioria dos leitores não tem uma casa em San Rafael, California, porém, não há motivo para esta ideia não ser importada para locais onde o leitor tem casa como São Romão do Coronado, Porto, ou São Domingos de Ana Loura, Estremoz.

É preciso insistir e assegurar que todas as coisas que podem ser consideradas prejudiciais para as crianças sejam definitivamente banidas das nossas casas: comecemos pelos pais.

É do país de Novembro de 1975 que vimos. E é a ele e às suas contradições que voltamos em cada crise

26 Novembro, 2013

Tema do meu artigo de hoje no DE: «Há 38 anos, civis armados barricados tentavam evitar a entrada dos comandos nos quartéis de Cavalaria 7 e da Polícia Militar. Os bancos estavam fechados e vigorava o recolher obrigatório. Em Lisboa só se podiam publicar jornais desportivos. As mercearias, essas aproveitavam para fazer negócio pois, como é habitual nestes sobressaltos da História, entra-nos um acendrado apetite que acreditamos satisfazer à base de salsichas e atum. Não será uma atitude grandiloquente mas é sem dúvida muito sábia. Na véspera tivera lugar o golpe a que agora chamamos 25 de Novembro e que, como todos os golpes, começou muito antes e só acabou alguns dias depois, mais precisamente a 28, quando a Base de Tancos se rendeu, os para-quedistas choraram de novo e os cantores que mais do que cantar queriam brincar às guerras civis despiram as fardas militares, regressaram aos espectáculos onde as balas são apenas uma rima. Podem contar-se milhares de histórias sobre o que aconteceu em Novembro de 1975 em território português – talvez o mês mais interessante da nossa História recente – o que não se pode dizer é que a esquerda, e muito particularmente o PCP, foram derrotados nesse dia. Digamos que em Novembro de 1975, entregue em Angola “o poder ao MPLA” como exigiam recorrentemente milhares de manifestantes em Lisboa, trocámos a agitação do socialismo revolucionário de uma frente de esquerda político-militar pela tranquilidade do socialismo institucional da Constituição e do aparelho de Estado. (…) Politicamente o socialismo tornou-se uma espécie de padrão único de pensamento sobretudo desde que socialismo passou a significar mais e mais investimento público; mais e mais legislação a regulamentar tudo o que economicamente existe e está para existir; mais e mais intervenção do Estado na vida quotidiana. Discordar disto e afirmar por exemplo que o salário mínimo contribui para aumentar o desemprego (sobretudo dos jovens) ou que os suíços tomaram um decisão acertada ao votar contra a limitação dos salários dos gestores é um passaporte para quem assim fala se tornar num pária.»

Pequeno arquivo do bem

26 Novembro, 2013

newtons-pendulum

então, ó joaquim,

25 Novembro, 2013
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Andamos a dormir na forma, ou quê? Assim, também acabas por ser corrido à paulada pelo povo trabalhador, pá! Não tenhas cuidado, não…

Novas ilusões

25 Novembro, 2013

João César das Neves «Portugal viveu décadas de grandezas a crédito, que só podia acabar numa crise terrível. Agora, quando a inelutabilidade da dívida nos apanhou, inventamos novas ilusões para nos eximirmos às responsabilidades e justificarmos a raiva contra os cortes inevitáveis. E ai de quem desmascarar essas tolices! (…) Quando o choque rebentou e a primeira ilusão morreu, houve duas reacções. O povo em geral abriu os olhos e mudou mesmo de vida. Tem sido espantoso ver a atitude de famílias e pequenas empresas, que no meio de enormes sofrimentos, se desembrulham da terrível situação. Mas nas elites foi urgente construir novo mito que permitisse depositar a culpa em porta alheia, justificando os protestos. Afinal éramos todos inocentes e a maldade vinha de um punhado de corruptos incompetentes e da troika que nos ajudava. Esta segunda fantasia, em que todo o aparelho político-mediático anda apostado desde então, constitui uma magna operação de desinformação. E que se livrem de a contrariar! (…) Neste mito colectivo a explicação comum para os cortes indispensáveis é que o Governo é perverso e incompetente e os parceiros europeus oportunistas. Estes, que nos emprestam uma fortuna no fundo do nosso buraco, são criticados pela sua solidariedade, pois exigem-nos aquilo que tínhamos de fazer de qualquer maneira. Deste modo um país de inocentes busca explicações mirabolantes para o mal que criou. Pois não há maior cego do que o que não quer ver.»

Para o dia de hoje aqui ficam alguns dos títulos que vão animar aquilo que César das Neves designa como “novas ilusões”:

I) Estado penhora pensões de idosos que são fiadores de filhos desempregados. Por dia, são penhorados 125 mil euros de pensões, num total arrecadado, até Novembro, de 39,5 milhões.   As mesmas pessoas que são contra os cortes nas pensões hoje devem levar o dia com voz tremente de sensibilidade social comentando esta notícia do Jornal de Negócios nunca referindo que se as penhoras não forem efectuadas as dívidas não serão pagas.  Não estou a dizer o que é pior ou melhor. Não se pode é fazer de conta que é uma maldade muito grande penhorar parte das pensões dos pais pensionistas dos filhos e netos desempregados ou simplesmente incumpridores e depois andar muito indignado a exigir que o Estado não perdoe dívidas a ninguém.

II) UGT acusa Governo de nova afronta ao Tribunal Constitucional  Os criadores de ilusões adoram o sagrado. Se por acaso entendessem que os gatos os apoiam nos seus passa-culpas acabaríamos a adorar os gatos como no Antigo Egipto. Agora parecem umas vestais do TC ao qual na sua zeladora opinião já é uma afronta apresentar um texto que, supõem algumas vestais, pode contrariar as suas convicções. Graças aos deuses nem todos estão sob este manto de protecção divina e assim a UGT exige “plano B” ao Governo Exigência que felizmente nenhum tolinho diz ser uma afronta (Digo eu que é apenas uma imposssiblidade técnica: nós já estamos em plano B desde que em 2011 ficámos sem dinheiro!)

III) GNR morto no Pinhal Novo: faltam cinco mil militares nos quadros A propósito do assassínio de um guarda a Associação Profissional dos Guardas (APG/GNR) vaticina que a questão da segurança «certamente piorará, pois a proposta do Orçamento do Estado de 2014 incide em maior desinvestimento tanto na formação, como em meios e equipamentos, bem como os novos ingressos, que serão visivelmente insuficientes». Também a Associação Nacional de Guardas (ANAG-GNR) lamentou a morte do militar de 29 anos, e alerta «a tutela para diversas questões que podem condicionar a operacionalidade da GNR e a segurança dos cidadãos, nomeadamente a falta de cerca de cinco mil efetivos». A associação entre o sucedido no Pinhal Novo e estes títulos é apenas a criação de mais uma história no ciclo das Narrativas austeritárias em fascículos  do que uma reflexão sobre a falta de meios da GNR: ao Pinhal Novo dirigiu-se um carro com dois agentes. Um ficou dentro do carro. O outro saiu. Foi baleado. Pretendem dizer estas associações que as patrulhas devem ter mais que dois agentes?

Ele bate nela quando quer

25 Novembro, 2013

O “Observatório de Mulheres Assassinadas”, organismo integrante da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, divulga o número de mulheres assassinadas em 2013 como sendo de 33 (36 em 2012; 39 em 2005). Estes números terão a devida divulgação pelos média, pelo que estou mais interessado numa carta aberta ao ministério da educação emitida pela UMAR (entidade de utilidade pública, publicado em D.R., II Série, 30 de Julho de 2010) a propósito de um “exemplo inaceitável e sexista de mensagem estereotipada”. Aqui fica a sua transcrição: Ler mais…

A realidade ultrapassa sempre o que Marx concebeu

25 Novembro, 2013

Slavery case: two arrested ran a revolutionary Communist collective. Suspects in the slavery case set up a Communist collective in the 1970s and recruited women from other far left groups

Narrativas austeritárias em fascículos

24 Novembro, 2013

A austeridade continua a causar vítimas. As crianças nascem em ambulâncias depois das mães faltarem a consultas gratuitas por falta de dinheiro; depois, vão para a escola cheias de fome, o que é mau para os rankings e pode frustrar os meninos ao ponto do esfaqueamento de colegas; as mães, muito preocupadas com o desempenho dos alunos, acabam a agredir professores à porta da escola, levando professores a baixa psiquiátrica ou a acampamentos contra provas. As prostitutas ficam sem clientes, que também não vão aos estádios de futebol nem se dedicam à nanotecnologia. Os dentes apodrecem e já ninguém vai filmar em Los Angeles. A banca perde 50% do valor e os espanhóis perdem a sesta. A violência doméstica dispara mas as mulheres já não têm telefone para denunciar. Os idosos sofrem de violência financeira (aqui também) e os vinhos bons e baratos tornam-se perigosos. A falta de força da esquerda leva a que não se lute contra a guerra mesquinha destruidora da vida das pessoas que acabam por abandonar as consultas anti-tabaco em troca de cigarros de enrolar. Com a crise, as vítimas desta saem menos das prisões e os deficientes são despedidos; não, perdão, são os homossexuais. A discriminação racial e religiosa aumenta com a crise e quem mais sofre são as mulheres. A austeridade mata nascimentos de bebés, e até faz com que as pessoas sejam números, o que obriga ao encerramento do comércio à volta da maternidade. A crise gera o holocausto e faz com que uma pessoa se barrique num restaurante, acabando por morrer, numa forma elaborada de suicídio, que também é culpa da crise. As democracias corrigem excessos quando estes são cometidos e, talvez por isso, Sócrates tenha perdido as eleições em 2011, independentemente do que diz Vera Jardim.

A fava

24 Novembro, 2013

Alberto Gonçalves no DN: «Enquanto a polícia procurava o psicopata que andou aos tiros por Paris (e pelo jornal de esquerda Libération), inúmeros jornalistas preparavam os teclados para uma história-tipo do solitário de extrema-direita que abomina imigrantes em geral e árabes em particular, além de manter conversas no Facebook com organizações protonazis. Acrescentavam-se dois parágrafos acerca do perigo dos nacionalismos e o artigo estaria pronto. Azar. Saiu-lhes Abdelhakim Dekhar, com um interessante dinamismo em grupos de extrema-esquerda e participação em acções de “okupas”, aliás já envolvido em diversos homicídios nos anos 1990. Para cúmulo, é árabe. E, surpresa das surpresas, muçulmano. Não se faz»

Qual é a novidade?

24 Novembro, 2013

O material das campanhas eleitorais por princípio tem de estar pronto a tempo das ditas campanhas. Ou não?

Inquérito à troika fica pronto antes das eleições europeias: O inquérito aberto pelo Parlamento Europeu à actuação da troika – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – nos países regatados, incluindo em Portugal, deverá estar concluído nos próximos meses. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse ao jornal i que os relatores deverão entregar as suas conclusões ainda antes das eleições para presidência da Comissão Europeia, que se realizam em Maio do próximo ano.

Será muito pedir?

23 Novembro, 2013

Com as manifestações tranformadas em directos que valem por si mesmos os jornalistas esquecem-se do essencial: porque se manifestam os manifestantes? No caso concreto dos polícias o que reivindicam?

Nas vésperas do 25 de Novembro de 2013

23 Novembro, 2013

a) os militares foram substituídos pelas forças de segurança como foco de instabilidade. Porquê? Por causa do medo da cidade aberta

b) todas as tentativas de mobilização dos trabalhadores, indignados…  falharam

c) é facílimo às forças de segurança criarem situações insustentáveis para o governo e forçá-lo à demissão

 

Logo estamos à beira de assistir

  A curto prazo:

a) reforço da importância simbólica das Forças Armadas como contraponto das forças de segurança tanto mais que aos militares só resta a via do golpe – coisa que não ousam tentar dada a falta de dinheiro e a complexidade de relações internacionais necessárias para o obter  –   e os polícias têm ao seu dispor mil e uma situações em que quotidianamente podem humilhar o governo ou criar-lhe embaraços terríveis;

b) os próximos governos não ousarão tocar no estatuto profissional das forças de segurança

c) o PCP vai usar a sua importância nas estruturas sindicais das polícias para pressionar  o actual governo mas também “as esquerdas” ou seja o PS+BE e o futuro governo seja ele qual for

 

A médio prazo:

a) o poder político tem de ganhar às forças de segurança. Como? Dividindo-as, retirando-lhes áreas de competência, tirando-lhes o tapete em situações delicadas, fazendo campanhas em que se denuncia a presença de elementos radicais (de direita, claro, que os de esquerda não contam)… Não vai ser bonito de ver nem no balanço final positivo para o povo mas vai acontecer.

 

A população reaccionária não é povo

23 Novembro, 2013

Um filme que ressalvados os considerandos sobre o libertador MPLA resume o pensamento dos presentes na Aula Magna: a população reaccionária não é povo (1.12) e quando suas escolhas do povo não coincidem com aquilo que pensa a esquerda está-se perante uma manobra do imperialismo e do capital.  A rever quanto mais não seja porque esteticamente é muito mais interessante que as versões actuais disponíveis em qualquer televisão ou rádio perto de si.

Obs. Aquele senhor que a voz off diz de direita e que está coligado com a Igreja e que entre outros factos é referido por causa do caso República será naturalmente o primeiro a ser afastado por senilidade assim que levantar algumas dúvidas às propostas da frente que agora lidera

O povo pede desculpa por ainda não ter escolhido a violência

22 Novembro, 2013
by

Não sabia eu ainda (mas calculava) o que se iria passar na Aula Magna, e já tinha escrito que,,,

,,,A acreditar nas previsões dos mais avisados políticos e dos mais ponderados senadores, o país devia estar a ferro e fogo. (…) Não sei, ninguém sabe, se o nosso país vai conseguir atravessar estes dias difíceis sem episódios com a gravidade de alguns que já ocorreram noutros países. Nunca se está livre de um episódio, que até pode ser isolado – como foram, esta semana, os tiroteios em Paris –, atear tempestades maiores. Mas julgo sinceramente que não é o cenário mais provável. Mais: isso não decorrerá dos nossos míticos “bons costumes”, antes de existir a percepção, mesmo que difusa e poucas vezes assumida, de que houve um tempo de fartura (relativa) que passou e que agora há um tempo de contenção que durará vários anos e vários governos.

Hoje, no Público

Citoyens

22 Novembro, 2013

depois da Festa do Ser Supremo de ontem rezem para que a manha do povo, o calculismo da troika e a teimosia de Cavaco vos livrem a vocês e a nós do dia em que passados da Aula Magna para um Comité de Salvação Pública acabassem como de costume: destruídos física e moralmente pelas acusações mútuas.

O triunfo da bondade

22 Novembro, 2013

O artigo 326 do Código Penal é apenas um exemplo do desajustamento dos textos legais à sociedade portuguesa. Incitar à insurreição violenta só é verdadeiramente crime se este incitamento for proveniente de pessoas más; tal não é o caso de Mário Soares, que é uma pessoa boa.

Ontem foi um dia paradigmático da nossa disposição mental para a verdadeira democracia. Tudo é tolerado, desde que oriundo de pessoas boas, com boa fé, sem intenção de fazer verdadeiramente mal aos outros. Forças policiais invadem a escadaria do Parlamento mas isso não é grave, não é como se tivessem mesmo invadido o Parlamento; apenas mostraram que o podiam fazer, se quisessem, algo que não querem porque são pessoas boas. É como ir um careca na rua a acenar o bastão de basebol à pacata freira que passa: não é grave, é uma demonstração de bondade; se quisesse espalhar a mioleira da idosa pelas paredes do bairro podia fazê-lo mas, como no fundo é boa pessoa, tal como Mário Soares o é, não o faz.

Vasco Lourenço diz que o governo pode ser corrido “à paulada”. Isto não é grave; não é como se Vasco Lourenço fosse pegar ele próprio no pau e correr com o governo; Vasco Lourenço é bom, as pessoas boas não fazem isso; poderiam fazer, mas não fazem, porque são boas.

Mário Soares diz que governo e presidente devem apresentar a demissão “enquanto ainda podem ir para as suas casas pelo seu próprio pé”. Isto é só bondade; é um aviso – de uma pessoa boa – dos riscos que governo e presidente correm; não é como se fosse um vulgar fascista a dizer semelhante coisa; não é como se um membro do PNR andasse a afirmar coisas graves, isso seria inaceitável, esses não são pessoas boas; Soares é boa pessoa.

No país da cunha, só é crime aquilo que é feito mesmo (mas mesmo) por mal, por maldade pura. Se é para o bem, se não faz mal a ninguém bom, se não causa qualquer transtorno ao lado do bem, o crime não é crime, é uma pequena malandrice, inconsequente, de pessoas que só querem o paraíso terreno.

E este governo é ilegítimo; é ilegítimo porque houve pessoas más que votaram neles; pessoas com mau fundo, sem coração, gente que não pensa no bem comum, pessoas que não merecem o privilégio de votarem já que não sabem o que andam a fazer. Uma pessoa não pode andar por aí a estragar a democracia votando errado: isso põe em causa a própria democracia. Ou aprendem a votar como deve ser ou então nós, as pessoas boas, os guardiões da portugalidade, os que têm coração, nós teremos que vos correr “à paulada” e já têm sorte se conseguirem ir para as vossas casas “pelo vosso próprio pé”. Nós ainda não fizemos isso, mas podemos fazer. Porque nós sim, nós somos democratas e defendemos o país desses infiltrados no povo que continuam a achar que podem fazer tudo o que lhes apetece. É preciso respeitar a vontade dos verdadeiros portugueses.