Menos livres? Talvez o contrário
O André tem toda a razão: ao contrário do coro que por aí vai, a gritar que a democracia e a liberdade acabaram, ou estão em vias de acabar, porque na Grécia o governo mandou fechar a televisão estatal, a verdade é que os estados totalitários não fecham televisões públicas, fecham televisões privadas. Televisões, rádios, jornais, sites, tudo o que puderem fechar e que não controlem. Ao contrário do controle que sempre existiu e existe em 99% das televisões estatais, apesar de mil anos e mil governos de juras em contrário. Não me parece que a Grécia tenha ficado menos livre porque uma empresa que era utilizada para depositar afilhados dos partidos que iam passando pelo poder – como é habitual em muitos outros países, de resto – tenha deixado de emitir. Não creio também que ficássemos menos livres se o mesmo se passasse por cá. Até podíamos ficar mais livres. Livres, por exemplo, da azia do personagem que lá pousa aos domingos, depois do telejornal. Ele que passasse a dar entrevistas normais em vez de dispor de um tempo de antena que só mesmo uma estação de “serviço público”, como a RTP gosta de se autodesignar, seria capaz de inventar.
Condolências
Condolências para a família e amigos do blogger e empresário João Pinto e Castro.
Descanse em paz.
(dado o teor deste post, não permitirei comentários)
A prematura leveza do ser
Inês Gonçalves, estudante do secundário, 18 anos, lançou-se no Facebook em Janeiro de 2013 (como qualquer adolescente do 12º ano, descobriu o Facebook em Janeiro de 2013). Não tem fotos dela própria, não tem amigos estudantes, não tem dados biográficos nem o nome da escola que frequenta. Não tem gostos musicais. Alterna a foto de capa entre Marlon Brando em The Wild One (1953) e uma foto fixolas que até foi usada por uma obscura banda de música de dança alemã .
Qual a relevância de Inês Gonçalves? O Arrastão e o Aventar publicaram um texto da típica adolescente, tornando-a no anti-Martim Gonçalves (mas sem cara) da propaganda socialista da geração Facebook. Este texto, verdadeira obra épica para quem nunca escreveu em público antes, foi, em 12 horas, partilhado 4067 vezes. Naturalmente enaltece a greve dos professores, o seu mérito não reconhecido e essas preocupações típicas de adolescente com mega-agrupamentos e cortes de horários lectivos.
Inês Gonçalves não gosta de música, TV, bikinis, motas ou verniz garrido para as unhas. Não gosta de rapazes, malta da televisão, actores de cinema ou praias. Gosta sim dos grupos “Arrenda Lisboa Low Cost“, “Jovens do Secundário do BE de Lisboa“, “Indignados do Secundário – Movimento Estudantil“, “Democracia Local“, “José Mário Branco“, “Contra a privatização das Águas de Portugal“, “Não entro na PT Bluestation“, “Plataforma cidadã de resistência à destruição do SNS” e “Grupo de cidadãos contra a privatização da água – Leiria“.
Se eu fosse um cínico diria que a Inês Gonçalves parece corresponder à descrição de um tipo de meia-idade com bigode.
Adenda: Os mega-agrupamentos e os atropelos democráticos, por Inês Gonçalves, Coordenação Nacional de Estudantes do Bloco de Esquerda.
No país da equidade
Pais exigem anulação de exames se algum aluno não puder fazer provas
A CONFAP quer facilitar a vida aos sindicatos. Defende que se uma única sala de uma única escola for afectada pela greve, todos os exames, de todas as salas de todas as escolas devem ser anulados por uma questão de equidade. O que implicaria que todos os alunos teriam que voltar a fazer a prova num novo dia e assim sucessivamente até os sindicatos deixarem de conseguir boicotar pelo menos uma sala. A ideia não é apenas estúpida, é muito estúpida. Que tenha origem no representante dos pais diz muito sobre Portugal.
Burocracia II
Ouriversarias e outras lojas obrigadas a ter videovigilância
Acrescenta-se mais um conjunto de obrigações às empresas com uma data de legislação agarrada, numa matéria em que isto é totalmente desnecessário. As ourivesarias saberão, melhor que o Estado, quais os seus riscos e quais são os seus interesses em matéria de segurança. Acham que as empresas são prejudicadas por excesso de burocracia?
sondagem
o que disse e o que deveria ter dito
O que deveria ter dito: “Preocupa-me que um país europeu do século XXI fique, nem que seja temporariamente, dependente de um serviço público de rádio e de televisão, com tudo o que isso acarreta de perda para os cidadãos e para a saúde democrática da sociedade, em impostos e ingerências ilegítimas do poder público nos conteúdos informativos.”
a esquerda que se decida
A esquerda portuguesa não se importa que o estado esvazie os cofres e se endivide, muito para além do aceitável, para pagar a sua despesa corrente e os seus custos operacionais. Mas quando, para tentar arranjar dinheiro para ajudar a suportar esses custos, lhe falam em alienar património e empresas públicas, que até estão na origem do problema, como a TAP e a RTP, cai o Carmo e a Trindade. A esquerda tem, então, de se decidir: ou se propõe a cortar nos gastos para ainda tentar manter o património do estado (uma verdadeira contraditio in terminis) ou se dispõe a vender património para ajudar a sustentar os gastos. Dado que o estado gasta mais do que aquilo que recebe (e já recebe muito), que o recurso ao crédito é praticamente impossível, considerando os elevados juros e a dificuldade que tem em arranjar dinheiro, e que fabricar notas já não está mais ao seu alcance, não resta alternativa. A esquerda que se decida, mas que não nos faça passar por tolos, afiançado-nos que conseguirá continuar a gastar dinheiro sem o ter, nem sem ter onde o arranjar.
Troika para drogados
Versão socialista
Precisamos de mais tempo e mais droga. Não se combate o vício da droga roubando o acesso à droga. É preciso consumir mais droga para que aumentem as nossas fontes de financiamento de droga. Uma união a sério mutualizaria toda a droga. Não aceitamos que outros drogados digam como devemos usar a droga que compramos com o dinheiro que nos emprestam para comprar droga.
Versão comunista
A droga é do povo. Reduzir o consumo de droga destrói a vida dos produtores de droga e gera desemprego altamente qualificado. Na Coreia do Norte todos têm a droga que precisam.
Versão bloco de droga
A droga é da burguesia. Troika fora daqui. Só podemos ter a droga que necessitamos se deixarem de nos emprestar dinheiro para droga. Sabiam que se gastou mais em pagar droga consumida do que a comprar nova droga para consumir?
A greve
Os sindicatos dos professores convocaram uma greve para o dia do exame de português de dia 17 de Junho. O objectivo óbvio é impedir que o exame se realize. Quando o ministro anunciou que o exame continuaria marcado para dia 17, e que não há nova data, os mesmos sindicatos ficaram muito indignados. Ficaram indignados porque precisam de fazer greve para ela ter realmente algum efeito. Quando o ministro convocou todos os professores para estarem presentes nas escolas no dia 17, o que garante 9 suplentes para cada professor vigilante, os sindicatos voltaram a indignar-se. Voltaram a indignar-se porque, para a greve ter sucesso, não basta convocarem a greve, é necessário que a adesão seja próxima daquela que os sindicatos costumam anunciar em dia de greve. Ironicamente, um dos obstáculos ao sucesso da greve é a pouca disposição dos professores para perderem um dia de salário. Este problema poderia ser resolvido com um recurso a um fundo de greve, fundo esse que devia ter sido constituído pelos sindicatos ao longo dos anos com as quotizações dos seus membros. Seria interessante saber como foi gasto esse dinheiro.
Centralismo “tuga”
Enfim
depois de andar a patrocinar a Flotilha da Liberdade Erdogan viu a flotilha tornar-se terrestre em Istambul. Mas tal como a Flotilha da Liberdade de livre tinha muito pouco também muitos daqueles manifestantes me parecem menos ou tão amigos da liberdade quanto o próprio Erdogan.
Burocracia
Se perguntarem a um português se em Portugal há excesso de burocracia, ele responderá que sim. Se perguntarem ao mesmo português como é que se combate a economia paralela (ou a corrupção, ou os acidentes de trânsito ou o estacionamento em segunda fila ou qualquer outra deordem) ele dirá que são necessárias mais leis e mais fiscalização.
Melhores resultados? Cortando despesa
O Paulo Guinote chama a atenção para os resultados dos TIMSS de 2011 para dizer que modelos de educação como o sueco têm piores resultados que Portugal.
Assim sendo, traçando os resultados dos TIMSS de países com melhores resultados que Portugal (advanced benchmark) em relação à despesa com educação, chegamos à conclusão que os melhores resultados são obtidos nos países onde a despesa é menor.

Tem razão, o modelo sueco está “em declínio“. É avançar então com a redução da despesa na educação. Sugiro que se copie Singapura.
Juntar o útil ao agradável
A greve geral é uma excelente ideia. Devia durar várias semanas. Troika fora daqui, já.
Exigindo manter a despesa ao nível corrente e expulsando quem a financia resolve dois problemas: redução imediata da tal despesa que não se quer reduzir e abolição de qualquer fonte de financiamento que permita o regresso desta despesa.
Gritem bem alto, “Troika fora daqui“. Outro grito poderá ser “20 é pouco, cortem-nos 60“.
o ministro das finanças de que portugal precisa
sem dúvida, o estado português está cheio de dinheiro

e agora, joaquim, quem paga o pato?
Ao declarar a inconstitucionalidade de várias normas do orçamento de 2013, o Tribunal Constitucional parece ter-se esquecido de perguntar se havia dinheiro para pagar a despesa nelas prevista. Chegada a hora da verdade, o governo não tem dinheiro para responder por elas e também já não pode, ao arrepio do que foi sugerido, há tempos, pelo Dr. Mário Soares, fabricá-lo, a não ser que o faça às escondidas, falsificando as notas originais que são do BCE. Desviar verbas de outras rubricas orçamentais também não serve, porque, quando chegasse o momento de as pagar, o governo voltaria a não ter o mesmo dinheiro que agora já não tem para os subsídios de férias, e a confrontar-se com a constrangedora situação de continuar sem poder imprir belas e reluzentes notas de banco. Pior: teria de explicar aos credores (não esquecer que Portugal está sob intervenção estrangeira e obrigado a cumprir metas orçamentais, que voluntariamente assumiu, em troca de mais dinheiro para se sustentar) por que razão agravara o défice sem a sua autorização, e onde iria buscar dinheiro para o cobrir, já que eles, certamente indispostos com a brincadeira, dificilmente lho emprestariam. Ou seja, não há saída: ou há dinheiro e palhaços, ou não pode haver palhaços por não haver dinheiro. A não ser que o Senhor Dr. Joaquim Sousa Ribeiro, ilustre presidente do Tribunal Constitucional e enfático comentador das politicas deste governo, arranje modo de pagar o pato, Arranja, Senhor Conselheiro?
Obama vs Obama
Candidate Obama debates President Obama on Government Surveillance
um novo poder presidencial
Segundo o iluminado Professor Cardoso Rosas, cabe ao Presidente da República a responsabilidade (constitucional?) de ter um «discurso alternativo ao do governo», «crítico e não seguidista face à Europa e à troika» e «distanciado face à própria acção do executivo». Ora, sabendo-se, e acreditando que o Professor Cardoso Rosas também sabe, que o Chefe de Estado português não governa nem interfere na governação, e aceitando ele que o Presidente não queira eleições «por razões prudenciais», para que serviria, então, tamanho alarido oposicionista? Aparentemente para nada, a não ser que o Professor Rosas tenha em mente conceder um novo poder fáctico ao mais alto magistrado da nação: o de ser também o seu mais alto alcoviteiro, uma espécie de muro das lamentações da pátria, mais ou menos um Tribunal Constitucional singular, ainda que sem o poder de fogo deste órgão de soberania. Era, então, só mesmo falar por falar, que o homem deve andar sufocado e cheio de vontade de desabafar. Não está mal visto, não, senhor professor, embora eu ache que sei o que lhe vai na tola.
1984
De acordo com o Zero Hedge, as vendas do “1984” de George Orwell aumentaram 6884% na Amazon nas últimas 24 horas.
O Obama sabe quem os comprou.
fala, gostosa!!!

Roubado ao Hélio Beltrão.
Boas soluções
A RTP grega vai fechar hoje à meia noite.
de protecção em protecção
A União Europeia apresentou hoje o seu mais recente plano proteccionista, este para “revitalizar” a siderugia na Europa, por sinal, um sector sobredimensionado e com a procura em queda. Esta é a visão que as autoridades da União Europeia têm actualmente da economia: criar condições artificiais de viabilidade económica para certas empresas, impedindo que o mercado se reajuste por si mesmo. Mais do que um verdadeiro plano de apoio à economia, trata-se de um acto desesperado de apoio aos políticos, que têm de enfrentar os erros que cometeram nos seus países e de que o desemprego é, infelizmente, a primeira parcela dessa pesada factura. Foi nisto que a União Europeia, inicialmente um projecto de mercado livre e de concorrência aberta, se transformou, sendo que os resultados estão bem à vista de todos: de protecção em protecção, até ao estouro total dos sectores “protegidos”. Nessa altura, graças à “protecção” de uns em detrimento de todos, não haverá quem se salve.
Mário Soares a Presidente
Com Mário Soares não haverá o perigo da criação de um partido ou de um bloco político, organizados na Presidência da República, contra os partidos existentes.
Com ele na Presidência da República, os portugueses têm a certeza de que tudo se fará para evitar divisões e lutas internas desgastantes, concentrando as energias nacionais na luta contra o atraso e o subdesenvolvimento.
A coragem, a firmeza, a coerência, o passado, a experiência e a competência política de Mário Soares, a sua capacidade de diálogo e de negociação, a sua constante defesa dos valores da liberdade e da tolerância, a sua permanente preocupação de equilíbrio e moderação, são a garantia de que a sua vitória não será a derrota de ninguém: o candidato que, uma vez eleito, será o Presidente de todos os portugueses.
A marcha dos oprimidos
(só com ironia mesmo)
Represento a ONG Minorias Unidas na Luta Ativista (Mula). Somos uma entidade que defende as pobres vítimas do “sistema”, ou seja, os gays, as lésbicas, os transexuais, os negros, as mulheres, os índios, os muçulmanos e todos os demais grupos excluídos que são explorados pelos brancos capitalistas.
Nossa visão de mundo não engloba o indivíduo, essa figura de carne e osso criada pelos ocidentais para fins espúrios. Nós só enxergamos grupos, que formam nossas identidades: classe, raça, gênero, inclinação sexual, religião. Somente essas abstrações nos interessam. Falar em indivíduo é cair na estratégia pérfida dos liberais. Não aceitamos isso!
Leia mais aqui.
@BarackObamaiswatchingyou.net

«When Barack Obama promised that he’d listen to all Americans, I didn’t think he meant it literally»
“Yes we scan”
“Despite the scandals, 53 percent of Americans say they approve of the job he’s (Obama) doing. The other 47 percent are being audited.”
«United Stasi of America»
Boas notícias: a crise acabou
O presidente da França, “grande esperança”, “paradigma de um novo modelo, de mais solidariedade” e “recusa da política de austeridade”, anunciou o fim da crise na Europa. Confirma-se assim a previsão de José Sócrates, em 2009, quando afirmava que “os resultados são o princípio do fim da crise“.
É fácil confirmar que o presidente gaulês tem razão: a França conseguiu atingir a meta de crescimento do desemprego, obtendo 10,4% no primeiro trimestre de 2013, valor quase tão bom como os 10,8% obtidos em 2010, após as declarações do então primeiro-ministro português. Em termos de défice público, os 4,8% da França, foram atingidos por Portugal em 2006, antecipando em muito o fim da crise europeia.
Daqui se constata que a França, finalmente, deixou de ser o lastro que atrasava Portugal. Valeu bem a pena a luta contra a “degradação do ensino” de 2011: espicaçou os franceses para a “derrota da direita retrógrada“. Felizmente, em Portugal, já se trabalha luta para fazer o mesmo.
O debate capturado
em estado de negação
Humorista do Chen garante que a PAC melhorou a agricultura portuguesa.
Ambientalista militante arrasa boa colheita.
Especialista em candidaturas presidenciais completamente disparatadas pronuncia-se sobre “disparate completo da candidatura de Passos”.
Responsável por fugas pede asilo.
Depois de Soares e Seguro, agora Cavaco e Passos.
Presidente de república semipresidencialista recusa ser actor político.
Só se for a do Porto.
a perder o faro
Mário Soares, o presidente vitalício da república portuguesa, diz-se “excelentemente impressionado” com Dilma Roussef, a “presidenta” cada vez mais temporária do Brasil, aquele país que, segundo o herdeiro de Soares no trono do PS, o Dr. António Seguro, é um “país amigo”, que “não é bem estrangeiro”. Sendo, embora, elementarmente inteligíveis as razões da sedução da “presidenta” sobre Mário Soares – uma “camarada” de “inteligência superior” e de “esquerda”, como todos os seres com massa cinzenta abundante – o seu entusiasmo é um pouco tardio, porque surge numa altura em que os directos beneficiários da superioridade de Dilma começam a pensar seriamente em mandá-la para casa, nas eleições do próximo ano. É o que se chama estar a perder o faro, Dr. Soares. Para a política e para as mulheres, já agora.
Rede pública de supermercados: ainda não é desta
A rede pública de supermercados venezuelana (ou a racionalização nos supermercados privados), ideia avançada aqui, fica adiada até nova ordem. Graças a uma aplicação para Android, já é possível encontrar locais onde se pode comprar papel higiénico. Exige-se a nacionalização desta aplicação neoliberal que fomenta o capitalismo desenfreado e a opressão do homem pelo homem num pacto de agressão com os neocolonialistas. Devolvam as vidas ao venezuelanos e fomentem o consumo interno através da redução de importações. É o mínimo que podem fazer.
Troika fora daqui!
Nota: a Venezuela também não tem cheque-aluno. Isto permite que os inocentes petizes sejam poupados à possível queda em tentação dos pais (por ignorância, naturalmente) por um ensino menos vocacionado para os momentos inesquecíveis da revolução.
um feriado a mais e um feriado a menos
10 de Junho, Dia de Portugal. Como o país já não existe, não se percebe o que se está a comemorar. Talvez a memória de isto ter sido em tempos um país, ainda que se tenha de fazer um certo esforço de localização histórica. Para isso, mais valia ter conservado o 5 de Outubro, cujos efeitos ainda hoje sentimos bem.
Como?
Durante a cerimónia do 10 de Junho a RTP teve do melhor – era a única estação a ter comentadores que sabiam explicar quais as forças militares que estavam a desfilar, o que fazem, qual o seu papel… – e do pior: quando Rui Ramos foi condecorado a sua identificação foi feita nestes insólitos termos: “as suas teses sobre o Estado Novo e o papel de Salazar têm sido controversas e há quem o acuse de desculpabilizar o ditador.”
A propósito
dos arrebatamentos jornalístico-políticas com a visita de Dilma Roussef convém recordar esta “Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após visita à Universidade de Coimbra Coimbra-Portugal, 29 de março de 2011 nomeadamente estas linhas que fazem parecer Angela Merkel uma mãos largas:
No caso dos títulos, nós temos de cumprir os requisitos
que dizem respeito ao uso das reservas no Brasil, à compra de títulos da
dívida. Quais são os requisitos do Banco Central? É que sejam títulos que
tenham uma classificação que é, se eu não me engano, triple way, para que se
compre os títulos… (…) A única alternativa que nós vemos para esse caso é a
possibilidade de você comprar títulos que não são triple way com garantia, aí
tem de ter garantia, ou garantia real, ou de algum, vamos dizer, algum ativo
que supra essa deficiência.
Lei não escrita mas implícita
No Insurgente o André Azevedo Alves insurge-se contra esta intervenção de Miguel Poiares Maduro afirmando “não me parece que ter um dos principais ministros do Governo a dirigir-se nestes moldes a José Sócrates seja particularmente defensável do ponto de vista comunicacional. “ Mas qual será o molde defensável do ponto de vista comunicacional para um governo não socialista se expressar em Portugal? Aparentemente nenhum.
Os governos não socialistas não têm boa imprensa. Boa parte das redacções são dominadas pela esquerda donde um governo não PS é sempre uma espécie de intruso na ordem natural dos factos. A atitude dos sociais-democratas perante esta situação passa geralmente por umas golpadas à Relvas que têm uma crença esparvoada nos seus especiais contactos e uma gestão de fugas de informação, coisa que francamente só costuma correr com proveito para o CDS cuja dimensão leva a que nunca seja visto pelos socialistas como um antagonistas mas sim como um potencial aliado. A outra alternativa passa pela estratégia deste governo que é não ter discurso a não ser o executivo propriamente dito. O que naturalmente levou à situação presente: o país acabou refém da retórica da esquerda radical e almejando pelo dia em que o PS se torne governo para que deixe de ser considerado natural que não se deixe falar ministros ou que alguém diga como fez Ana Jorge que muitas das crianças que agora chegam à escola com fome provêem de famílias que se habituaram à junk food e que portanto devem recuperar a sopa.
Mais, a ausência de discurso levou a que não se tivesse explicado como chegámos aqui. O que faz com que se tenha tornado popular a tese de que podemos rasgar a austeridade e voltar a passado que é mesmo que dizer que dentro de dois anos estaríamos a fazer um novo pedido de ajuda externa. E por fim mas não menos importante levou a que a cada dez almas juntas gritando “demissão” se diga que o governo não tem legitimidade. O molde defensável do ponto de vista comunicacional para um governo ou líder social-democrata tem sido até agora ser trucidado na comunicação social para tempos depois devidamente apeado ser recuperado como comentador respeitado, sobretudo se criticar aqueles que lhe sucederam na liderança do PSD.
Miguel Poiares Maduro como chegou de fora não deve estar a par desta espécie de lei não escrita mas implícita.
entre pascácios
Um pascácio chamado Álvaro Domingos, de um pasquim chamado Jornal de Angola, deu umas fortes porradas num outro pascácio chamado Daniel Oliveira, de um pasquim chamado Expresso, a propósito de um artigo que este assinou no citado pasquim onde colabora, sobre uma entrevista que o Grande Manitu de Angola e do MPLA, José Eduardo dos Santos, deu há uns dias à estação televisiva que pertence ao grupo empresarial do Grande Manitu da comunicação social portuguesa, Francisco Pinto Balsemão.
O tom da prosa angolana é francamente ordinário, cheio de ressabiamentos racistas contra Portugal e os portugueses, embora Daniel Oliveira, no que a ele se refere, a não desmereça. In illo tempore, Oliveira há-de ter vibrado com a luta anticolonialista do Mê-Pê-Lá contra a «miserável colonização portuguesa», como ainda hoje se refere ao esforço de vida, quase sempre honrado, de milhares de portugueses que fizeram de Angola a sua terra de vida e trabalho. Tão sua como a dos negros que lá viviam, e da qual saíram (os que conseguiram sair com vida) com uma mão à frente e outra atrás.
Pois é, meu caro, foi nisto que você agora critica – esta miserável plutocracia da família Dos Santos e amigalhaços, que condena à morte, à fome e à miséria quase todo o povo angolano – que deu entregar Angola às pressas, sem honra, nem glória, nem as cautelas mais elementares, aos heróicos combatentes do Mê-Pê-Lá, por acaso, ao tempo, o braço armado dos interesses soviéticos nesse país. 40 anos depois dessa «independência», como você muito bem observa, quase meio século, tempo mais do que suficiente para que um país com a imensa riqueza de Angola não seja apenas a quinta particular de meia dúzia de larápios.
Corta ali, não cortes aqui
Está bem: não se corta na educação, na saúde, na justiça, na segurança, na defesa, na administração interna, nas reformas, nos salários, nos correios, nos transportes, nos apoios à agricultura, nos subsídios, na cultura, nas fundações, nos observatórios, nas subvenções dos partidos, nas obras públicas, na RTP, na Lusa, na TAP, na CP, nos tribunais, nos sindicatos, nas energias alternativas, no teatro, no ballet, nas festas populares e nos feriados.
Corta-se o quê?
Rede pública de supermercados
A crítica mais frequente dos fervorosos fieis contra o cheque-aluno é este ser “um meio de financiar escolas privadas”. Esta premissa errada pode ser desmontada mas, não se fazendo, permite que seja usada para demonstrar o seu absurdo.
Se entregar voucher a aluno para que este possa optar pela escola pública ou privada é financiar escolas privadas, entregar RSI aos mais desfavorecidos é financiar supermercados privados.
Das três uma: quem usa essa premissa é opositor do RSI ou é defensor de uma rede pública de supermercados, a inaugurar já na próxima legislatura. A outra hipótese é desonestidade intelectual, teoria que afasto num país habituado a discutir assuntos sem qualquer ruído de propaganda.


