Para quando a Avenida António Oliveira Salazar?
Não tenho nada contra a existência de uma avenida Álvaro Cunhal. Aliás parece-me bem mais apropriado termos uma avenida Álvaro Cunhal do que uma Rua Che Guevara. O que fico à espera é da inauguração da Avenida António de Oliveira Salazar, de quem se pode dizer ipsis verbis aquilo que o presidente da CML declarou sobre Álvaro Cunhal na inauguração da avenida que leva o nome do dirigente do PCP . Basta substituir Álvaro Cunhal por António Oliveira Salazar e está pronto: ” Falo no seu exemplo de seriedade pessoal, da coragem na adversidade, da audácia na ação, da capacidade de resistir e de persistir, da clareza nos propósitos e objetivos, da firmeza e da tenacidade na luta”, (…) Segundo António Costa, “qualquer que seja o juízo que se tenha” das ideias e do legado político de Álvaro Cunhal, “ninguém lhe pode negar a entrega total e pessoalmente desinteressada àquilo em que acreditava, a coerência firme e inflexível, a militância constante e determinada, a fidelidade e a devoção aos seus princípios ideológicos e políticos”. “Ao atribuir o nome de Álvaro Cunhal a uma avenida da nossa cidade, a Câmara Municipal de Lisboa cumpre a sua responsabilidade institucional na construção de uma memória coletiva aberta, plural, tolerante e atualizada”, defendeu, acrescentando mais tarde que o líder histórico do PCP “era uma figura imprescindível no espaço público da cidade de Lisboa”.
Num dia de greve temos que falar sobre isto
O Estado gasta, por aluno do 9º ano, em média, 4.932€ por ano para o manter na Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Visconde de Juromenha, classificada em 1285º de 1330 no ranking; pelo menos alguns destes alunos poderiam, ao abrigo do subsídio ao aluno – que já existe, uma vez que o aluno não paga estes 4.932€ – frequentar o Colégio dos Plátanos, classificado em 2º de 1330 no ranking, com anuidade de 2.700€, e ainda poupar ao Estado contribuinte 2.232€ por aluno.
Dois casos
Nuno Crato e António Costa começaram Junho com a ameaça de greves que claramente lhes podiam trazer sérios problemas pois os respectivos sindicatos ameaçavam com greves em períodos particularmente sensíveis – os exames no caso de Nuno Crato, as festas de Lisboa no caso de António Costa.
Nuno Crato e os sindicatos dos professores não chegaram a acordo. E vai haver greve. António Costa viu os sindicatos levantarem o pré-aviso de greve.
Em ambos os casos a palavra mobilidade está no cerne das discussões. E porque a realidade se imporá este regime excepcional dos trabalhadores da função pública chegará ao fim. O que está agora em causa é saber qual das estratégias será melhor sucedida:
a) contemporizar como fez António Costa para que em ano de autárquicas não se vejam imagens de Lisboa cheia de lixo e no próximo ano consigo já reeleito ou a caminho de outras candidaturas se atacará outra vez o problema ?
b) não recuar como fez Crato e criar ao governo aquela que pode ser a sua maior derrota ou vitória?
Obs. A propósito de acordos que evitaram greves e nos criaram grandes problemas convém recordar o acordo de 1999 com os pilotos da TAP
Trocos?
Não fazemos greve aos exames
Quizàs
Se bem percebo o PS acha que Nuno Cardoso vai ser o Defensor Moura destas autárquicas. Só falta saber quem vai fazer de Almeida Ribeiro. Quizàs tenham razão!
Ou se preferirem na versão bem mais sugestiva de Sara Montiel
Teoria e Prática*
Em tempos, tive um (excelente) professor de economia que não se cansava de rebater a distinção, muito corrente, entre “teoria” e “prática”. Não há melhor teoria do que uma boa prática, nem melhor prática do que uma boa teoria – dizia ele. Cada vez mais, compreendo a vacuidade daquela pretensa distinção, sobretudo quando é invocada para justificar erros de análise ou comportamentos que denotam uma profunda ignorância, teórica e prática. Muitas vezes, os insucessos de uma determinada ação ou os erros (“colossais”) de previsão de certas políticas, justificam-se, precipitada e correntemente, como resultado de um excesso de teoria, como se esta pudesse, porventura, existir, ignorando a realidade. Ora, em última instância, mais não são do que incompetência….
Derrota
O terrorismo, por definição, ameaça qualquer pessoa, em qualquer lugar, não tem destinatário fixo. Dai a insegurança geral que provoca.
Quando o estado usa a mesma técnica, vigiando tudo e todos, considerando qualquer um como suspeito, a insegurança é a mesma.
Quatro questões gratuitas sobre educação
O sistema de ensino é “pré-pago”: faça eu o que fizer, sejam quais forem os meus rendimentos e independentemente dos subsídios que já recebo, tenho a garantia de poder matricular os filhos, gratuitamente, numa escola pública.
Esta aparente violação da progressividade indicia que o implícito subsídio à frequência escolar é atribuído ao aluno (que tem rendimentos nulos) e não ao encarregado de educação (o que violaria progressividade).
Assim sendo, 4 questões:
- Qual o valor desse subsídio, por aluno, por ano, em cada região e por grau de ensino?
- Se este subsídio é garantido, por aluno, porque não é atribuído no caso de o encarregado de educação optar por uma escola privada e; já que não é, para onde vai esse dinheiro?
- Sendo que “nenhuma criança fica para trás”, como garantir que algumas crianças “chegam à frente”?
- Se o subsidiado é o aluno, em caso de greve (nomeadamente a exames), quem sai directamente prejudicado dessa greve?
Tarde
Agora que há um morto os jornalistas correm para a porta da escola. Durante quantas semanas andaram a debater a agenda dos partidos e subestimaram casos destes e destes?
Perspectivas
Um progressista pode pegar nesta notícia, “confrontos junto a escola fazem um morto“, e elaborar sobre a necessidade de investimento público na inclusão social dos meninos e na sensibilização e falta de carinho dos excluídos do neoliberalismo.
Um conservador poderia pegar nesta notícia e elaborar sobre o rumo dos guetos criados pelos bairros sociais dos progressistas.
Já um responsável em educação, pegando nesta notícia, elaborará sobre o plano de recuperação necessário para assegurar que os meninos que acidentalmente estiveram envolvidos nesta “ocorrência” possam concluir o 12º ano obrigatório.
Micro-ensaio sobre a certeza
O politicamente correcto é a metralhadora da esquerda não-revolucionária; esta classe privilegiada bem-pensante, excitada com a engenharia social – disciplina que substitui o vazio de transcendência, esse espaço disponível pela rejeição dos padrões históricos de identidade cultural – e que, paradoxalmente, não se identifica como classe. Numa senda da abolição de normas, exigindo a igualdade identitária-despadronizada (o próprio conceito de multiculturalismo), o propósito final é que nenhum conceito seja melhor ou pior que outro, nenhuma norma aplicável pela ausência de barómetro histórico-cultural do que é padrão. A certeza substitui a dúvida, invalidando o específico através da generalização absurda de escolha não implicar custo.
Deixa-te estar quieto
O ministro Adjunto, Miguel Poiares Maduro comprometeu-se hoje perante o Parlamento a dar “prioridade” ao apoio da “transferência dos meios de comunicação social em Portugal para novos modelos de negócio e para as novas plataformas digitais”.
“Isso pode passar pela utilização de fundos europeus, mas também pela reorganização do conjunto de incentivos e de apoios públicos de diferente natureza que existem hoje”, (*)
Mas o que percebe ou tem de perceber o governo sobre «modelos de negócios» de terceiros? E porque é que fundos pagos pelos contribuintes terão de ser torrados a subsidiar actividades empresariais?
Se são empresas, estas investem (ou não) de acordo com as suas perspectivas de negócio e mercado, nada mais.
Deixe-se o ministro de tangas e ensaios intervencionistas que não lhe fica bem e só nos prejudica.
Infelizmente, o novo ministro disse também que aceita o desastrado legado de Relvas mantendo o intervencionismo do estado na comunicação social em geral e na RTP em particular. Poiares Maduro é mais um que se assume como ministro da tutela. E a comunicação social é a primeira a defender a necessidade de ser tutelada….
tom sharpe
Em tempos sombrios, ter um livro de Tom Sharpe à cabeceira é um alívio. Sharpe foi um dos novelistas mais talentosos do século XX, que apenas não teve o reconhecimento público e das academias, por se ter especializado num género literário considerado «menor», embora provavelmente o mais exigente de todos: o humor e a ironia. Um humor negro, polvilhado de personagens exóticas, mas sempre humanas, demasiadamente humanas até: professores de subúrbio com psicoses matrimoniais homicidas, balzaquianas ninfomaníacas incompreendidas por maridos lascivos, retardados mentais cheios de ímpeto empreendedor, políticos conservadores e moralistas sadomasoquistas, gente sem escrúpulos mas com enorme sucesso, famílias aristocráticas do country inglês alegremente arruinadas, a quem os insondáveis desígnios da vida e da estupidez humana recuperam para destinos gloriosos, inocentes corrompidos pelas fatalidades da vida, etc. Sharpe morreu, ontem, aos 85 anos e deixou-nos uma obra preciosa de mais de catorze novelas, editadas, em Portugal, pela Editorial Teorema. É ir lê-las, ou relê-las, a todas.
O Ajustamento Português VI
Os últimos dados do INE sobre o PIB português mostram alguns dados interessantes. O PIB caiu 4% no ano terminado em Março de 2013, mas apenas 0,4% entre Janeiro e Março de 2013. Isto implica que 90% da queda do PIB teve lugar antes do enorme aumento de impostos.
Os dados mostram outras coisas interessantes. No último ano a parte artificial da economia, aquela que é baseada na procura interna, esteve sempre em queda. A parte saudável da economia, aquela que se baseia nas exportações, esteve a crescer em 2012 e aguentou-se bem nos últimos 2 trimestres, apesar da recessão na zona euro. Note-se que a procura externa tem crescido sempre e a interna tem descido sempre, sendo isso o que se espera num ajustamento.
A decomposição da procura interna mostra que tanto o consumo privado como o público estão a cair.
A queda do investimento pode parecer preocupante, mas há no investimento uma forte componente de construção, que é uma actividade que foi mantida sobredimensionada pelas distorções criadas pela despesa pública.
Em suma, a queda do PIB em Portugal tem uma explicação muito simples: desapareceu a economia que foi artificialmente alimentada pela dívida e pela despesa pública. Duvido que se tenha perdido nestes últimos 2 a 3 anos alguma empresa ou instituição que fosse realmente sustentável e que contribuísse de facto para a criação de riqueza real. Perdeu-se o PIB fictício dos negócios do Estado e por estes alimentado.
A propósito
do destaque do PÚBLICO de ontem Francisco José Viegas escreveu o seguinte Esclarecimento
Toda a imprensa reproduziu a notícia (num espaço de 6-páginas-6, o meu nome aparece em dois pequenos parágrafos) durante o dia de ontem e parte de hoje. No entanto, à excepção da Antena 1,nenhum jornal me pediu, sequer, para comentar o assunto ou dar a minha explicação, o que diz bem do processo de intenções que decorre. Adiante.
O caso é que — e para encerrar a questão — todos os procedimentos legais foram respeitados e cumpridos. Em resumo:
1) o quadro, ao contrário do que se escreveu no Público, nunca esteve nem “classificado”(só assim legalmente protegido até ao fim do necessário processo de “desclassificação”) nem em vias de ser “classificado”.
2) ao fim de três anos de duração do processo (o habitual é prolongar estes assuntos até uma das partes cair de inanição e a outra esquecer o assunto), era preciso dar uma resposta: ou ficar com o quadro, pagando-o, o que significava, na prática, dispor de aproximadamente €2,9 milhões; ou autorizar a sua saída para Paris. Escuso-me de comentar a hipótese de ter €2,9 milhões disponíveis (anos antes, o Estado português não tinha disponibilizado €50,000 para ficar com a arca de Fernando Pessoa que, aliás, é exposta sempre que o proprietário é solicitado). Confesso, também, que gostaria de pedir o NIB de algumas das pessoas que — com a habitual arrogância — ontem tinham redescoberto Crivelli, a fim de custear as obras de restauro dos carrilhões de Mafra (€2M), da torre da Sé de Lisboa, do Convento de Cristo, de S. Bento de Castris, do Forte da Graça, etc. Dinheiro há sempre, suponho.
3) não querendo comentar a qualidade, a singularidade e até o relevo deste Crivelli (esta obra do veneziano foi exposta uma vez em Lisboa, em 1972), a autorização foi dada com base num parecer técnico e legal devidamente elaborado por organismos da SEC.
por pouco tempo
Ainda há 23 mil empresas em Portugal? O fisco cuidará, certamente, de pôr termo a esse abuso.
liberalismo
Mais um verbete no já “famoso” Dicionário Elementar de Esquerda e Direita. Um sucesso editorial absoluto!
A repressão policial não tem limites!
Manifestante detido depois de pedir demissão de Cristas
Manifestante detido em Leiria nega agressão
Manifestante foi detido depois de ter exibido uma folha onde se lia “Demissão, já!”
Como se vê no vídeo, está o manifestante tranquilamente com o punho erguido, como bom socialista, eis que a face do segurança invade o espaço vital da mão do pacifista que apenas segura uma folha A4.
Transparência e dinheiro público
Criou um pequeno escândalo a ideia do governo de publicitar quem recebe habitação social. Mas não estou a ver muito bem como poderá ser de outra forma. As casas são um bem público, existem milhares de pessoas que querem essas casas, existem critérios de atribuição, existe um país onde impera a cunha e o caciquismo partidário e não existe direito à privacidade no espaço público. Tudo isto se conjuga para que seja não só normal como indispensável que se publicite quem recebe habitação social. Mais, a habitação social deve ser atribuída por concurso público, com critérios pré-definidos e verificáveis, sendo por isso indispensável a publicitação. A publicitação desempenha várias funções: permite detectar cunhas e redes de cacicagem, permite a quem for excluído recorrer e permite identificar erros de atribuição de habitação social. Felizmente as instituições públicas têm evoluído mais depressa que a mentalidade dos portugueses e algumas já seguem as boas práticas nesta matéria. Talvez porque ao longo dos anos foram integrando nas suas práticas as melhores formas de evitar abusos. Por exemplo, a Câmara de Lisboa publica mensalmente os resultados dos concursos para atribuição de habitação social (não consegui encontrar nada de semelhante no confuso site da Câmara do Porto, o que tende a confirmar as suas práticas de cacicagem nesta matéria). Aliás, na administração pública a regra é a publicitação, sendo fácil encontrar na net as mais diversas listas de atribuição de subsídios, empregos e contratos, incluindo listas de bolseiros do ensino superior, listas de reformados da CGA ou contratações para a função pública. Existem ainda online as mais diversas actas onde se documenta a atribuição de subsídios esporádicos a pessoas carenciadas, com os respectivos nomes. Mesmo nos casos em que se justifica a confidencialidade, existem listas de acesso limitado aos interessados, como é o caso das listas para intervenções cirúrgicas no SNS. E é assim que tem que ser, sob pena de ser tudo minado pela cunha e pela cacicagem.
Édipo monoparental
Não faltarão hoje, como não faltaram ontem e no dia anterior, e tal como na semana passada e no mês antecedente, as demonstrações com números do tipo “recessão aumenta”, “quebra de receita”, “espiral recessiva”, “maremoto de incompetência” (esta última pode ser usada livremente mediante atribuição autoral).
Não faltarão saudosos socráticos – ou pior: servos – com números fantásticos sobre Portugal antes do mundo tirar o tapete ao colosso lusitano. Serem falsos não importa nada à causa: o “devolvam as nossas vidas” significa exactamente “devolvam-me a governação que isto é do PS“. Tudo isto é cansativo: para lá do sebastianismo bacoco, resta sempre a irresponsabilidade da atribuição de causas e suas soluções a outrem.
Que estes achem que compete à União Europeia resolver o problema da estrutura portuguesa, não é de surpreender: sempre gostaram de modelos de inspiração soviética; que não consigam perceber que são os criadores da estrutura cuja resolução esperam de outrem é que é muito preocupante.
O costume
O ministério da Educação abre noticiários pelo assunto do costume: a agenda do senhor Nogueira que foi professor onze anos e é dirigente sindical desde o início da década de 90 do século passado.
Entretanto das escolas chegam notícias como esta:
e esta
Triplicam agressões sexuais nas escolas
Ler
No Má Despesa Pública: «O Governo pretende divulgar a identidade dos beneficiários de habitação social. A proposta em causa integra um diploma de âmbito mais vasto, que prevê a publicitação, no site da Inspecção-Geral de Finanças, do nome dos beneficiários quer de subsídios públicos, quer de apoios comunitários, avançou o jornal Público. É curioso verificar a discrepância de critérios consoante a população em causa. Por exemplo, é impossível ter acesso à lista completa dos políticos e ex-políticos que recebem de uma pensão vitalícia ou obtiveram um subsídio de reintegração. A Assembleia da República chegou a pedir à Comissão Nacional de Protecção de Dados autorização para divulgar essa informação que foi, entretanto, vedada. “São dados pessoais (até sensíveis, por relativos à vida privada), não públicos, constantes de documentos normativos” foi a justificação da CNPD (TugaLeaks). A questão morreu por aí e até agora a Assembleia não quis mexer neste assunto. O Parlamento podia, por exemplo, aprender com a Caixa Geral de Aposentações. A lista de novos aposentados é actualizada todos os meses. Basta clicar aqui.»
esquerda e direita
Novo dicionário elementar, a seguir n’ O Insurgente: Igualdade e igualitarismo; e Estado.
Fluxo de consciência
As conversas de café, na presença de um jornal diário ou de um canal de notícias, entram no modo narrativo do tipo fluxo de consciência. Eis uma amostra de um James Joyce disponível em qualquer bairro, um dos que poderia ter estado cansado no Prós e Contras de ontem. Ler mais…
Lede, lede e descobrireis a próxima causa fracturante
Não se riam: em menos de uma legislatura os insignes deputados da nação numa qualquer sexta-feira aprovarão sem qualquer discussão o ACORDO QUEEROGRÁFICO e deputados lacrimosos lerão nacos de prosa como este a exaltar tal decisão:
Obs. Como perceberão foneticamente isto não é tão simples. Pelo que proponho que se substituam as vogais e @, quejados, quejandas e quejand@s pela linguagem dos cliques, coisa deveras multicultural, ou então passa-se tudo ao neutro do latim, coisa ainda mais interessante porque representa uma excelente oportunidade profissional para aqueles que como eu perderam alguns anos a aprender as declinações em latim. A par das camisolas blasfemas os próprios dos blasfemos tb estão disponíveis para leccionar quer a queerografia e a queerfonética.
O declínio europeu – parte 3
Como em outros posts (1, 2), não afirmo que existem profissionais a mais (aqui, médicos; noutros posts, professores). Afirmo sim a incompatibilidade entre novas vagas, menos vagas e falta de internatos. Sobretudo, há uma grande incompatibilidade do país com os seus retornados futuros.
O planeamento central tem sérios problemas com as realidades demográficas.

No país das indignações
Free at last
“Hoje liberto-me dos impostos”, disse o fulano depois de pagar os impostos com dinheiro emprestado.
Destacamentos vitalícios
O manifestante Manuel Leal “sindicalista da carris” que considera que não há reacções excessivas é o mesmo que já em 1999 fazia parte da Comissão de Trabalhadores da Carris?
Coma aqui uma perninha de frango
gaia, o norte, a política nacional e o caa
Uma sondagem sobre as próximas eleições autárquicas em Vila Nova de Gaia, ontem publicada no Jornal de Notícias, coloca o nosso colega de blog, candidato pela coligação PSD-CDS e putativo herdeiro de Luís Filipe Meneses, Carlos Abreu Amorim (CAA), num inusitado terceiro lugar, a uma distância considerável de quase dez pontos percentuais das duas candidaturas dianteiras, a do Partido Socialista e a do “independente” José Guilherme Aguiar.
Ao invés de algumas pessoas situadas no espaço político da direita, do PSD e do CDS, que vêem neste possível resultado uma justa penalização por um percurso político supostamente precipitado e cheio de contradições, que culminou na aceitação de uma missão para a qual não estará tecnicamente preparado, num local ao qual não pertence, rompendo o compromisso eleitoral assumido em Viana do Castelo há apenas dois anos, eu entendo que esta derrota – a acontecer – será, por vários motivos, lamentável e prejudicial para a política portuguesa e para o norte do país. Passo a explicar.
Amigos do alheio*
Césas das Neves: no DN: «Uma das características mais bizarras do nosso tempo é a quantidade de pessoas que vive e dispõe do dinheiro dos outros. Aliás a comunicação social quase só trata disso. Do défice orçamental aos fundos da troika, das exigências de apoios e cortes, despesas e subsídios, esta crise é, no essencial, uma luta pelo dinheiro alheio.
A principal causa do fenómeno está, sem dúvida, no aumento brutal da dimensão do Estado. No século XIX as despesas públicas eram em média apenas 5% do minúsculo PIB da época. No final da Primeira República esse peso já tinha duplicado. Duplicou outra vez até 1974, altura em que Estado gastava um quinto daquilo que o povo produzia. Em 2010 esse valor ultrapassou 50%, tendo a austeridade da troika reduzido já para 45%. Quando o Orçamento do Estado lida com cerca de metade do que o país tem, há mesmo muita gente a viver de dinheiro alheio.
Nas grandes empresas acontece algo semelhante, pois aí tudo pertence a uma multidão de accionistas, e as despesas de um departamento pouco têm a ver com o valor final do produto. Não admira que muitos gestores tomem atitudes semelhantes a serviços públicos, talvez menos descaradas. Também eles gastam dinheiro dos outros.
A União Europeia trouxe novos cambiantes ao processo, permitindo viver de dinheiro longínquo. É incrível que tantas pessoas se sintam com direito à riqueza de regiões que nunca viram nem conheceram. Se o capital nacional fosse para longe, ficariam horrorizadas, mas acham normal exigir uma parte da fartura alemã. Ler mais…
O declínio europeu – parte 2
Na sequência do post anterior, grafando os dois países com mais laureados Nobel – Reino Unido (119) e Estados Unidos da América (338) – com Portugal (2), eis a despesa em educação em relação ao Produto Nacional Bruto.

Contra a demagogia na escola
O declínio europeu – parte 1
Dados para uma análise do socialismo: laureados com Nobel da Física, por continente de origem.

Outros tempos
Esta capa de jornal é do tempo em que se conseguia vender calculadoras associando a imagem do produto à imagem de um líder socialista. (via Insurgente)
Um título que diz tudo
RTP: Manifestação silencia secretário de Estado dos Transportes em conferência
Ou seja o secretário de Estado não foi impedido de falar. A conferência não foi boicotada. Simplesmente uma manifestação impôs o silêncio.
JN: Manifestantes “expulsam” secretário de Estado dos Transportes de conferência
Recomenda-se vivamente ao autor do título que vá com meia dúzia de conhecidos insultar e impedir um dirigente sindical de falar e depois faça uma notícia a contar como correu a ‘expulsão’. A sua, claro porque jamais um dirigente sindical seria ‘expulso’ nestas circunstâncias.
Obs 1. Como é que se entra para esta corporação que leva os dias nesta santa vida a gritar e a rir?
Obs. 2 Vale a pena ver o video com a performance da milícia que acha que tem o direito de decidir quem fala e quem não fala
Também é assim que se aprende…
A forma mais eficaz de afastar definitivamente toda uma geração de tudo o que seja sindicatos e actividade sindicalista, é os jovens verem um bando de professores a pretender boicotar o trabalho de um ano dos seus colegas de profissão e a querer lixar a vida dos alunos e famílias.


