Aos costumes disse nada
Luso – Revivalismos
Do nosso Leitor Manuel, este comentário:
“(…) Mas as redes sociais levantam uma questão : pode um político ter vida privada fazendo comentários públicos? Outro aspecto interessante , os três efes da “longa noite” estão mesmo na moda e em crescimento . Fado– é moderno; fátima -alvo de citação (Presidencial, acrescente-se!); futebol-sempre a bombar. Sinto também falta dos cantores de intervenção,agora que eles saem, novos e velhos (média de 100. 000emigrantes/ano) e “galiza” ficas mais pobre”.
Piada de Lisboeta 2
EXPRESSO: Frio afasta manifestantes de Belém
Piada de lisboeta
Vice-presidente do PSD chama “magrebinos” aos lisboetas e desencadeia coro de protestos nas redes sociais – As redes sociais – expressão para um grupo histérico de herdeiros da titi da Relíquia – tiveram mais um fanico. Pois que tenham. Não há paciência para tanta hipocrisia e tanta intolerância.
Piada de português
O que é o pós-troika?
Para o PS no governo?
Propaganda expansionista, discurso federalista e de soberania em simultâneo. Em termos práticos, é a redução do défice através de cortes na despesa ou a saída do euro.
Para o PSD no governo?
Discurso de crescimento mas mantendo disciplina orçamental. Em termos práticos, é a redução do défice através de cortes na despesa.
Para qualquer um dos outros?
Saída do euro e bandeiras cubanas por todo o lado.
Para o povo?
Austeridade. Pós-troika é troika sem troika.
Para os maluquinhos?
Conversa de apanha-tolos para vender jornais e programas de televisão.
Completamente de acordo
E se se lixarem mesmo?
Não há nada que os noticiários gostem mais do que das acções do Movimento Que se lixe a troika
É uma gracinha dizer à troika para se lixar. E se a troika não tivesse vindo? E se se fosse embora?
É a vida
Entretanto certamente desconhecedores desta idiossincrasia do mundo ocidental alguns detidos de Guantanamo iniciaram uma greve de fome. A dita greve já dura há mais de cem dias. Da comunicação social desapareceu qualquer alusão ao dito campo que até à eleição de Obama todos os dias era notícia graças ao depoimento da mãe de um dos presos que jurava que o seu filho era apenas um tecelão sem esquecer os cordões humanos, as marchas, as declarações de milhares de políticos, comentadores, jornalistas e manifestantes que pareciam sofrer no seu corpo uma espécie de estertor doloroso sempre que pronunciavam a palavra Guantanamo . Obama não fechou Guantanamo mas os jornalistas amigos fecharam-no como notícia. Não mais se falou de Guatanamo, da vergonha de Guantanamo, do insuportável Guantanamo, do tenebroso Guantanamo, do sinistro Guantanamo… E por isso os tais presos que eram para sair de Guantanamo para os teares e para os rebanhos das suas aldeias bucólicas mal Obama entrasse na Casa Branca estão agora a ser alimentados à força sem que ninguém se apoquente. É a vida.
Corveia; banalidade; taxa de justiça; censo; capitação…*
Pós-Troika
No pós-troika o saldo global (sem medidas pontuais) desta tabela terá que passar dos actuais dos actuais -5,8% para -1%. O saldo primário (sem medidas pontuais) terá que ser permanentemente positivo. O Conselho de Pensionistas, que reune logo à tarde, deseja o fim da austeridade. O pós-troika é a austeridade permanente ou, em alternativa, o regresso da troika em poucos anos. Escolham. As gentes dos partidos também andam nervosas, agora que os fundamentos do seu mundinho começa a ruir. A única esperança deste mundinho parece ser o fim da austeridade após as eleições alemãs. Pessoas desesperadas acreditam em tudo, até na inversão da lógica eleitoral. Não. Depois das eleições costuma vir mais austeridade, não menos.
Impressões
2013
Autárquicas. Prognóstico – dificuldades para os partidos do governo.
CDS muda de líder?
As autárquicas vão ser difíceis. Não seria a primeira vez, e já podemos pensar num bom candidato ao lugar – um candidato capaz de manter a coligação (mesmo com cortes nas pensões).
O ajustamento português III
“Rôba, mas tem obra”!*
Em 2010, estive no Sul do Brasil, durante a campanha eleitoral para as “Gerais” – ou seja, para as eleições que, nesse ano, se realizaram para seis tipos de cargos/órgãos eletivos, a saber, Presidente da República, Governadores dos Estados, dois Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Durante algumas incursões nos arredores de Florianópolis, pude verificar uma intensa, espontânea e muito original campanha comunicacional. Um vivo exercício de “marketing” político: candidatos locais, provavelmente sem meios financeiros para campanhas mais ortodoxas (cartazes e “spots” nas rádios e televisões), entretinham-se a colorir as vias públicas com mensagens políticas, simultaneamente imaginosas, impressivas (ou não fossem elas pintadas nos muros e sobrepostas, frequentemente, em cartazes de publicidade comercial corrente) e, por vezes, “artísticas”. Recordo-me de uma sucessão de “graffiti” de campanha que começava por “Vote em Florival. É da nossa gente!”, sublinhando, seguidamente, que o candidato tinha “Obra feita”, acabando com uma réplica de alguém que, no fim daquela sequência, pintou, a letras garrafais, que Florival “Rôba, mas faz obra!” (sic).
O ajustamento português II
O ajustamento português I
É assim em Portugal
A atitude dos conservadores em relação à defesa dos seus valores
Obs 1. Como bem se percebe pela canção também é a dos ditos progressistas simplesmente estes contam com o activismo da comunicação social, das universidades, observatórios e associações onde se instalaram e multiplicam a sua influência em caixa de ressonância.
Obs. Já agora aqui fica o link para a AcçãoPopular colocada pela ILGA contra o Estado Português, Instituto dos Registos e Notariado e Ministério da Justiça. Como escreve o João Miranda estamos na estratégia dos small steps
Small steps
Quando aprovaram o casamento gay disseram que a adopção era um assunto completamente diferente. Depois passaram a argumentar que é apenas justo que os casais tenham todos os mesmos direitos de co-adopção, mas que a co-adopção é uma coisa diferente de adopção. Aprovada a co-adopção passarão a dizer que até já há casais gays que adoptam e que uns não podem ser discriminados em relação aos outros.
Flagelo nacional
“Metade dos portugueses tem excesso de peso”. Quantos têm peso normal? Quantos têm peso a menos? Não interessa.
O que está o Estado a fazer para regular o peso dos portugueses? Já temos o observatório do peso? Já temos a entidade reguladora para o peso certo? Para quando a ASAE do pastel? Qual a percentagem do PIB para o desígnio nacional de regulação da massa corporal? Queremos um país balofo? Foi para esta vergonha que elegemos o governo?
O flagelo da discriminação por massa corporal tem que acabar, é preciso criar o Gabinete de Apoio à Vítima de Bullying Lipodiscriminada. O Presidente, sobre isto, não diz palavra. Eles estão todos feitos com o lobby lipoaspirante.
Precisamos do nutricionista de família como quem precisa de bolas de Berlim para a boca. Um país decente teria também o cozinheiro de família, com formação adequada e reconhecida por entidade competente. Permitir que as famílias continuem o suicídio lento através da confecção das suas próprias refeições trouxe-nos a este ponto.
Porque não participa Portugal no Programa Europeu de Supressão de Obesos (PESO), que com uma estratégia comprovada, normaliza o peso das pessoas para níveis aceitáveis numa sociedade moderna?
Há tanto a fazer nesta área e o governo continua a fugir às suas responsabilidades.
Uma má notícia
Ao contrário do que a muitos possa parecer, a nomeação do actual Bispo do Porto como Bispo de Lisboa é má para a Igreja portuguesa.
É que num país cultural e estruturalmente tão centralizado, Igreja incluída, quem quer que seja o pastor de Lisboa, tem voz e é ouvido. Já nas restantes dioceses, com especial destaque para o Porto, o seu bispo apenas será escutado, não pela posição que ocupa, mas se este tiver um perfil pessoal em que se destaque. Como é o caso do actual titular. As suas reconhecidas capacidades, perfil e percurso tornaram-no uma voz com peso na Igreja e no país. Mais vozes assim existissem.
Tornando-se titular da diocese de Lisboa, Manuel Clemente não terá mais força e peso do que já tem. Mas pela posição centralizadora que a sua nova diocese toma no panorama mediático e eclesial em Portugal, abafará definitivamente toda e qualquer outra voz. O seu sucessor, seja quem for, nunca terá a influencia que o actual tem. A Igreja no seu todo será menos forte, menos plural, menos influente e todos perderemos.
ainda a direita
N’ O Insurgente.
2012, o ano miraculoso da economia portuguesa
Em 2012, a percentagem do PIB que o Estado cobrou em impostos diminuiu (via Joaquim Couto). Mais dados sobre o ano miraculoso de 2012 aqui.
teoria da representação
Um aviso à navegação: em democracia, sobretudo quando esta é exercida por votações em listas partidárias plurinominais, os cidadãos não votam para que os deputados eleitos possam dar azo à liberdade das suas “consciências”. Eles votam em programas políticos que representam uma forma de ver o mundo e a coisa pública, com os quais eles se identificam e que esperam ver defendidos por aqueles que elegem com o seu voto. Chama-se a isto “teoria da representação”, uma das características essenciais dos sistemas democráticos: os governantes eleitos não se representam a si mesmos, mas a quem os elegeu.
Para quem não tenha ainda entendido, realça-se que nas ditaduras é que se governa de acordo com a “consciência” da elite dirigente.
Boa notícia para os portugueses
Veja esta lista de comissários europeus:
- Viviane Reding (Luxemburgo)
- Stavros Dimas (Grécia)
- Joaquín Almunia (Espanha)
- Danuta Hübner (Polónia)
- Joe Borg (Malta)
- Dalia Grybauskaitė (Lituânia)
- Janek Potočnik (Eslovénia)
- Ján Figeľ (Eslováquia)
- Markos Kyprianou (Chipre)
- Olli Rehn (Finlândia)
- Louis Michel (Bélgica)
- László Kovács (Hungria)
- Neelie Kroes (Holanda)
- Mariann Fischer Boel (Dinamarca)
- Benita Ferrero-Waldner (Áustria)
- Charlie McCreevy (Irlanda)
- Vladimír Špidla (República Checa)
- Peter Mandelson (Reino Unido)
- Andris Piebalgs (Letónia)
Sublinhei aqueles de que já deve ter ouvido falar. Conhece algum não sublinhado?
A confirmar-se, e dada a sua proficiência em inglês técnico, mesmo apesar de isto implicar alguma despesa, que quer seja este ou outro será feita, esta é uma boa notícia para os portugueses: Sócrates para comissário.
Adenda: Esta é primeira “comissão Barroso”. Ficaram na memória?
quem defende os valores conservadores em portugal?
Ninguém, como é cada vez mais óbvio.
A propósito, vale a pena recordar este artigo de Roger Scruton, Identity, family, marriage: our core conservative values have been betrayed , aqui oportunamente recordado pelo Bruno Garschagen
nem jornalismo é
O Público ontem deu destaque a uma peça da sua correspondente europeia Isabel Arriaga e Cunha que estava em Berlim. Nas escolas de jornalismo deviam estudar aquele texto sobre o que é uma não-notícia. Lê-se (versão integral apenas em papel) e fica-se com a impressão de que a autora deu voz ao taxista que a levou do aeroporto ao hotel. É que em lado nenhum o que ali é afirmado é sustentando por ninguém. Nem «fonte que não se quis identificar», nem coisa nenhuma. Um vago «responsáveis alemães», muitos «Berlim» e nada mais. O leitor naturalmente interroga-se: inventou? É a opinião dela? Quem diz aquilo? Quem são e de quê os ditos «responsáveis»? Para o jornal isso não interessa nada. Que importa se o que é publicado tem algum fundamento? O que importa é a mensagem, o conteúdo que a autora quer passar apra a opinião pública. Mas isso não são noticias. São press releases ou artigos de opinião.
O certo é que hoje o mesmo jornal publica novo destaque, onde desmente o seu texto de ontem, dizendo «Um dia depois de criticar Barroso em off governo alemão elogia-a em on». Obviamente a autora não sabe sequer o que é alguém falar em off. É que para isso é preciso que alguém fale….algo totalmente inexistente no artigo inicial. Para além do desmentido, o que fica é que o jornal Público criou um duplo não facto: inventou uma história e vendeu uma manchete. E consegue no dia seguinte vender uma segunda manchete desmentindo a sua própria criação, sem deixar de fazer um esóterico editorial (baseado em coisa nenhuma). É obra!
Vale a pena ouvir esta peça da RTP. Segundo a voz off “contra a hipocrisia BE e Verdes defendem a adopção plena”. Extraordinária é a intervenção de Heloísa Apolónia( (que segundo a voz off luta contra a hipocrisia) quando declara “essa coisa dos modelos é uma coisa absolutamente preconceituosa”. O único modelo que não é preconceituoso será portanto o da economia socialista.
sócrates é santo
António Lobo Xavier teve ontem o seu momento Abreu Amorim na Quadratura do Círculo. Xavier tem dado a cara pela campanha de Rui Moreira à Câmara do Porto e, se calhar, é conveniente marcar algumas distâncias em relação ao governo, para ganhar votos e tentar impedir a vitória de Meneses. Só que, ao invés do CAA, que se limitou, depois de elogiar o Ministro das Finanças, a considerar que o tempo político de Vitor Gaspar tinha chegado ao fim, Xavier disse coisas verdadeiramente pornográficas: responsabilizou os dois partidos da coligação de governo pelo estado em que se encontra o país, transformou José Sócrates num santo e fez do PEC IV um instrumento que teria evitado a bancarrota, caso tivesse sido aprovado. Ainda segundo Xavier, a intervenção estrangeira a que estamos sujeitos foi exclusivamente ditada pela intriga política e pela vontade de poder do PSD e do CDS, que não tiveram qualquer escrúpulo em derrubar um governo legítimo, que tinha uma solução para salvar o país da bancarrota. Espera-se, agora, que o Dr. Jorge Moreira da Silva venha, à semelhança do que fez com Abreu Amorim, desautorizar as afirmações do Presidente da Comissão para a Reforma do IRC, cargo para o qual foi nomeado pelo Ministro das Finanças e pelo “aprendiz de feiticeiro” que lidera o governo e o PSD.
Co-newspeak
Se o propósito da co-adopção fosse assegurar que crianças, já sendo criadas por casal homossexual, se mantivessem à guarda do outro por morte do progenitor, seria esse o texto usado. Como não é esse o texto, o propósito da lei não é a salvaguarda de situações extremas de interesse para a criança, e sim abrir caminho para a total adopção por casais do mesmo sexo.
Se querem uma coisa, porque a tentam embalar com laço cor-de-rosa como sendo outra? Se é tudo tão correcto e justo, porque evitam clamar o que realmente querem?
mais uma fronteira
Como pode um assunto desta magnitude – a co-adopção de crianças por casais homossexuais, que vai hoje a votos no parlamento, e que é um primeiro e imenso passo, reconheça-se frontalmente, para a adopção plena – passar sem qualquer vestígio de debate ou polémica na sociedade portuguesa? Ainda há pouco assistimos a um país considerado muito mais liberal em matéria de costumes sexuais, a França, dividir-se profunda e violentamente por causa da aprovação do casamento homossexual e, por cá, ninguém com responsabilidades políticas se pronuncia sobre este assunto, nem o traz ao debate público? Por outro lado, o PSD e o CDS deram liberdade de voto aos seus deputados, como se as preferências pessoais e a morais de cada um deles devessem prevalecer sobre os valores morais e sociais em que certamente a esmagadora maioria dos seus eleitores julgava ter votado? Sem ir sequer ao mérito da questão, pergunto: quem representa, em Portugal, os valores democráticos conservadores? Ninguém? É à balda e cada um faz e vota consoante os seus apetites? Ok. Ficamos a saber que os costumes são mais uma fronteira que o «democrata-cristão» Paulo Portas e o seu partido podem facilmente ultrapassar.
Inflação de presidentes. E de disparates
Primeiro começou por haver um Presidente da Comissão Europeia (é o cargo de Durão Barroso). Depois chegou o Presidente do Banco Central Europeu (Mario Draghi). A seguir criaram o cargo de Presidente do Conselho (Herman von Rompuy). Há ainda o presidente do eurogrupo (Jeroen Dijsselbloem). Isto sem esquecer o presidente do Parlamento Europeu (Martin Schulz). Como se tudo isto não chegasse e já não fosse evidente que esta trapalhada levava a que ninguém tivesse poder efectivo e, sobretudo, que os cidadãos europeus não soubessem a quem pedir responsabilidades (pedem a Angela Merkel) , eis que nos chega um desastre político a tentar salvar a pele com uma fuga em frente, criando mais um lugar de presidente.
Enquanto isso o monstro burocrático em que se transformou a Europa quer proibir que os agricultores troquem sementes. Não admira: com tanto presidente, alguma coisa tinham de fazer para justificar os ordenados.
O texto desconhecido
Ao contrário de outros blasfemos acho que se deve ensinar a Constituição nas escolas. Na verdade hoje não se estuda, papagueiam-se umas bondades consensuais sobre o dito texto e acaba aí. As criancinhas são educadas no respeito por um texto que não conhecem e que segundo muitos é melhor que não conheçam tais os dislates que integra. Também pelos dislates acho que deve ser estudada. E já agora acrescento que dando-lhe o nome que entenderem para que não surjam os fantasmas do Estado Novo e do PREC que também será importante que numa qualquer disciplina se estude como se governa o país, quais os poderes da AR, do PR, o que faz a PGR…
Co-adopção
A co-adopção de crianças é o processo pelo qual se mutualiza um ser humano. O próximo passo é a criação de babybonds.
O conservadorismo pela lente de um liberal
Ensaio escrito para a revista Dicta & Contradicta. Edição de Joel Pinheiro da Fonseca.
internacionalismo liberal
O Rodrigo Constantino começa, a partir de hoje, a escrever no Blasfémias.
O Rodrigo é um economista brasileiro e uma das principais referências do pensamento liberal do seu país. Também não é para menos. Nos últimos anos, publicou sete livros sobre economia e política, escritos de um ponto de vista liberal clássico-austríaco, tem colaborado regularmente na comunicação social (no jornal Globo, por exemplo), é director e foi fundador de vários think tanks liberais brasileiros, entre eles o Instituto Liberal e o Instituto Millenium. Mais recentemente publicou o excelente livro “Privatize Já”, que está, há meses, em todas as listas dos mais vendidos do Brasil. Um livro, aliás, que deveria ser lido em Portugal, até por estarmos a iniciar um processo de privatizações e mantermos a mentalidade retrógada de que tudo o que é privado é nefasto e tudo o que é público é virtuoso.
Ler, em Portugal, num blogue português, o Rodrigo Constantino será um exercício de grande utilidade. Um verdadeiro serviço público. Prestado, naturalmente, por uma entidade privada, como tudo o que é bom e bem feito.
Bem-vindo, caro Rodrigo!
uma verdadeira trafulhice

O famoso Programa TAP – Victoria: experimente fazer um upgrade com as suas milhas, acumuladas ao longo de anos por não as conseguir gastar, e verá a resposta. Depois, não estranhe se lhe disserem que, daí por umas semanas, uma fatia larga das milhas que você acumulou, por não as conseguir gastar, vão expirar. A falta que a concorrência e uma boa gestão privada fazem!
Estão bem uns para os outros
Pelos vistos, quer a oposição quer a maioria parlamentar ou faltaram à escola ou não têm filhos: «Professores lembram que Constituição já se ensina nas escolas».
Falar no ar é a sua especialidade.
Há protestos e protestos
Quem anda na rua e lê ou vê notícias pode facilmente constatar que há:
Pessoas com motivos para protestos mas que nunca aparecem: casais, com filhos, ambos desempregados, sem qualificações ou perspectivas, sobrevivendo de caridade e biscates da economia paralela, sob risco de desgraça e perseguição fiscal, oriundos de empresas falidas, mal geridas ou penduradas no Estado, que já serviram os propósitos eleitorais de charlatães que “fomentam o crescimento“.
Pessoas sem motivos para protestos que aparecem sistematicamente: reformados de cargos públicos, com reformas superiores a 2.500€ após uma dúzia de anos de serviço, alguns dos quais que contribuíram activamente para a falência do Estado como charlatães dos que “fomentam o crescimento“.
A julgar pelo que se vê e se lê, quem vos parece que “ai, não aguenta, não“?
mocidade portuguesa
Nem no tempo de Salazar, do Estado Novo e da Constituição de 1933, os tempos do “fascismo”, como usa dizer-se, se torturavam as criancinhas na escola pública com o ensino do que eram o estado, o corporativismo e os altos valores de cidadania plasmados na Constituição da época. Na altura, a metodologia de transmissão de valores cívicos bastava-se no tradicional crucifixo pendurado nas paredes das salas de aula, ladeado pelas fotografias oficiais do chefe do estado e do chefe do governo. Havia também uma coisa chamada Mocidade Portuguesa, que cedo abandonou a política e descambou rapidamente para a prática do desporto. Embora ande um pouco afastado destas coisas, julgo que, nos dias de hoje, os monos permanecem e só o crucifixo desapareceu. A Mocidade Portuguesa também já não existe. Não seria uma boa altura para regressar?




