orelhas a arder
forma e reforma
Parece que a eleição do Papa Francisco já teve consequências em Portugal, trazendo-nos algum sentido de humor que o novo titular da cadeira de S. Pedro parece apreciar e que tanta falta faz nestes tempos sombrios. Infelizmente, por cá, o humor é menos refinado, como pode depreender-se desta extraordinária iniciativa, patrocinada camufladamente pelo actual governo, para debater a reforma do estado português com quem lhe deu a forma disforme que ele hoje tem. Hão-de ir longe.
Equivalências
De acordo com a lei, a “contribuição para o áudio-visual constitui o correspectivo do serviço público de radiodifusão e de televisão, assentando num princípio geral de equivalência“.
Mas equivalência entre o quê?
Equivalência entre o benefício directo para os cidadãos e o pagamento da contribuição não é: quem paga a dita contribuição são os consumidores de electricidade, independentemente do benefício que retirem do serviço público de radiodifusão e televisão do grupo RTP. Será entre os custos do tal serviço público e o valor global da taxa cobrada?
O Ministro especialista em equivalências Relvas deu luz verde a cortes de 21 milhões [de euros] na RTP. Apesar disso, a RTP vai propor o aumento da taxa do audiovisual em 2014. A equivalência deve ser isto. Cortar nos custos e aumentar a taxa.
Esticados no sofá
«Descobri quem vai suceder ao Sapiens Sapiens. Vi-o à minha frente. É ele o Homem Esticado no Sofá que segundo o Google tradutor – desculpem mas cinco anos de Latim não dão para perceber mais que duas palavras na resignação do Papa quanto mais para fazer retroversões! – se traduzirá por Homo Extendit Toro. Esta fantástica criatura caracteriza-se por levar boa parte do dia semi-reclinada. Em geral nos sofás mas também pode ser na cama. O essencial é estar reclinado porque tudo no Homo Extendit Toro indica que ele já nasceu cansado. O seu olhar é ligeiramente semi-cerrado como convém à sua postura e tem uma capacidade fantástica de o revirar: o Homo Extendit Tororevira os olhos tal como as aves viram o pescoço, podendo atingir os 270º de rotação.» “Esticados no sofá” é título de um livro que ando a escrever aqui, semananalmente.
Francisco
Antes de o papa se apresentar na praça de São Pedro perante a multidão já tinhamos tido o anúncio do seu programa através do nome escolhido: Francisco.
O de Assis, como é notório pela sua maneira de ser e agir. E nem de outra forma poderia ser, para uma primeira vez que o nome fosse utilizado.
E quando se apresenta, não é como papa, mas bispo de Roma. Segunda inovação. Melhor dizendo, recuperação da tradição. Até o seu antecessor passou apenas a «bispo emérito Bento XVI». Falou para os seus diocesanos: «a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo», apresentou o seu Cardeal-Vigário para a diocese de Roma que o ajudara no caminho «para a evangelização desta cidade tão bela!»; e no fim solicita a protecção de Maria «para que guarde Roma inteira». Sem dúvida, o bispo da diocese de Roma. E isso é também outro programa.
E por fim deixou logo a marca, real e simbólica, do gesto de pedir a oração (e como que a benção), do povo para si, antes de ele a dar também. É a imagem e gesto a partir da qual definirá tudo o mais no seu mandato.
surpresa!
«Novo Papa é contra o casamento gay», surpreende-nos o Diário de Notícias. Provavelmente, também será contrário ao aborto, à eutanásia, às relações extra-conjugais, ao lesbianismo, ao sexo grupal, ao ateísmo, etc.. Reaccionário!
talvez o canário?
Desgraçadamente. a Humanidade não vai poder beneficiar de Chávez embalsamado! É uma enorme contrariedade para a ciência e para a revolução, provavelmente originada por sabotagem yankee, mas nada feito: os «cientistas russos e alemães», génios a quem estava confiada tão bela tarefa, comunicaram ao herdeiro Maduro que, para a coisa resultar, «se deveria ter começado antes». Provavelmente, com ele ainda vivo.
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Esperam-se a habitual choraminguice e os protestos das carpideiras comentadeiras da secção chavista do Blasfémias.
o primeiro “papa negro”

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Andou, por aí, ultimamente, meio mundo excitado com a ideia de que teríamos, finalmente, o primeiro “Papa Negro” da Igreja Católica. Pode dizer-se que, com a designação de Bergoglio, acertaram em cheio
ora vamos lá pôr a casa em ordem

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Jorge Maria Bergoglio, jesuíta, Arcebispo de Buenos Aires, é, desde hoje, o Papa Francisco I.
do manifesto e das listas
O mais recente manifesto de «personalidades» defende a adopção de 3 medidas que visam melhor o sistema político. A primeira é a instituição de eleições primárias dentro dos partidos para a apresentação a cargos políticos. A segunda é a criação de círculos uninominais para a Assembleia da República, com possibilidade de candidaturas directas de cidadãos e a eleição nominal nas listas partidárias. O terceiro é a reforma do sistema de financiamento de partidos.
(A defesa de reforma do sistema de financiamento não concretiza nenhum aspecto nem aponta verdadeiramente o que esteja mal, pelo que não é possível avaliar da mesma).
Tratam-se, genericamente, de boas ideias. Tão boas que há anos que as duas primeiras ideias são aqui publicamente defendidas neste blog por vários dos seus elementos. O que é certamente motivo de agrado ver que as mesmas fizeram o seu caminho e chegam a outros quadrantes. Dá esperança que possam a vir adoptadas.
De facto, o sistema político enferma de fortes entraves à participação dos eleitores. É absolutamente verdade que os parlamentares são escolhidos por meia dúzia de pessoas das direcções politicas, o que torna a prática parlamentar dos escolhidos absolutamente acéfala, quase sem excepções. E restringe gravemente o dever de vigiar e controlar o poder executivo Na realidade é mais o inverso que se passa. A opção do voto nominal das listas partidárias,é interessante,mas seria sempre um passo intermédio. O que significaria mais umas dezenas de anos na mesma. Apenas a criação de círculos uninominais poderá efectivamente levar a que os eleitores se revejam nos eleitos como seus verdadeiros representantes e permitindo o seu escrutínio.
A actual maioria e a composição da AR poderia ter permitido essa alteração. Mas faltou, uma vez mais vontade e força política,optando-se manifestamente pela manutenção de um sistema desfasado da realidade e absolutamente centralista. Dali não virá qualquer mudança. Mas a coisa até é simples de prever: ou mudam a bem, ou serão um dia mudados a mal.
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Por contraste, nas eleições autárquicas, aqui há anos foi «permitida» a apresentação de listas de cidadãos. Ainda que com graves e injustificados entraves quanto aos seus requisitos, tem sido uma via bem aproveitadas. E em crescendo, como felizmente se verificará nas próximas eleições. É aliás o único sinal de alguma vitalidade dos eleitores no meio político. Algumas dessas listas resultam dos sistemas fechados e castradores dos próprios partidos, com a tradicional e ilegítima imposição de candidatos locais por parte das direcções centrais. Mas muitas outras são de facto de cidadãos com projectos autónomos em relação aos partidos.
Aliás, o sentido alargado de descontentamento com a situação politica/económica presente deveria potenciar o surgimento de ainda mais candidaturas de listas de cidadãos, pois que estes tem aí, para já, o único forma de participação pelo qual podem fazer ouvir a sua voz e a defender os seus interesses.
200.000
«Seguro acusa Passos de destruir 200 mil postos de trabalho.»
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Desses, 150 mil foram criados por Sócrates.
Isto não está fácil!
Notícias de hoje:
Fumo negro na primeira votação (em Roma)
Negociações estão a ser difíceis (em Lisboa)
E às creches quando vai chegar?
Bullying homofóbico já chegou às escolas do primeiro ciclo do básico O texto infelizmente não indica se são escolas com ou sem jardim-de-infância mas no próximo levantamento dos casos de “homofobia e transfobia” nas escolas nomeadamente nas do primeiro ciclo do básico – vulgo escola primária – certamente que isso lá virá discriminado.
Alguém vai ter de explicar ao dr. Mário Soares
que até melhor prova o pensamento mágico não funciona. Em alternativa pode oferecer-lhe uma pistola de fulminantes:
16-12-2008 Mário Soares avisa que está a ser criado clima de desconfiança e revolta em Portugal
8-09-2011«Tem que haver outra revolução, mas uma revolução a sério»
29-11-2011 Mário Soares: “Se a Europa não muda, terá de haver uma revolução
7-1-2013 Mário Soares alertou (…) que se pode caminhar para uma “terceira guerra mundial
12 – Março – 2013 – Mário Soares “indignação pode tornar-se violenta”
A corporação dos sensíveis
As pessoas sensíveis falam muito dos pobres e enfatizam expressões como “políticas sociais” como se ao pronunciá-las assim enfaticamente elas mesmas de tão sensíveis lhes sentissem as dores e logo aumentassem a sua condição de pessoas moralmente superiores. Actualmente vários sensíveis mostram-se todos os dias muito sensibilizados pela insensibilidade das medidas de austeridade – A sensibilidade e os sensíveis assunto do meu texto de hoje no DE
Talvez Requerino…
Através do Bloco de Esquerda (onde se encontra sempre bons e giros fait-divers) cheguei a esta notícia de que em Espanha não se pode ter como nome próprio Lenine.
Evidentemente seria mais divertido e adequeado o leitor interromper aqui a leitura e passar directamente para as peripécias de D. Camilo e o baptismo do pequenito Liberto Camilo Lenine….
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Se regressou, informamos o estimado leitor que em Portugal também Lenine não pode ser nome próprio. Nem Rosa Luxemburgo. Nem Marx. Nem Estaline ou Guevara. É uma pena…Mas há muita escolha e para todos os gostos (ou sem ele).
o caminho das presidenciais
como “consolar” uma senhora?
São várias as maneiras possíveis, mas esta, de que nos dá conta o Diário de Notícias, parece ser pouco apreciada no Islão. Valha-nos o Profeta! A nós e, sobretudo, ao Ahmadinejad…
símbolos da resistência à crise e a esta sociedade sem futuro.
Temos de arranjar uma cartilha
para ler os jornais e decifrar títulos como estes 92 anos do PCP. Jerónimo quer eleições porque “um ideal nunca morre” Suporá um leitor distraído que Jerónimo quer eleições no seu partido o tal que partilha desse ideal que não morre e que pelos vistos revivifica com as eleições. Mas não é nada disso. Jerónimo quer sim eleições no país. De eleição em eleição até à ditadura final. Mas enfim de exagero em exagero o I ainda teve tempo para concluir: Mundo chora a morte de Hugo Chávez Já este título Hollande equilibra contas com plano de austeridade de esquerda é todo um poema: nasceu a austeridade boazinha, a austeridade de esquerda.
Impressões
Citação do dia – 1
“Publicação na internet de todos os salários dos funcionários públicos, e dos trabalhadores
em todas as entidades e organismos públicos e empresas do Estado” (*). Ora aqui está uma boa proposta, de preferência substituindo “salários” por “vencimentos anuais” (incluindo horas extra, bónus, etc.).
Citação do dia – 2
“Publicação na internet de todas as contratações em entidades e organismos do Estado, incluindo as empresas públicas, e divulgação da filiação partidária dos contratados” (*). A última parte da proposta é de menor utilidade – como dizia um antigo ministro, “cada partido tem os seus independentes”.
Papel
De facto estou de acordo: Macarrons [ou a maior falácia da doçaria europeia] na Papel uma revista on line. E antes que comece a ladainha que estou a fazer auto-divulgação porque vem lá uma entrevista comigo (também podem ler que não perdem nada) recomendo que leiam a entrevista ao Gabriel Mithá Ribeiro autor de O Colonialismo Nunca Existiu! Colonização, Racismo e Violência: Manual de Interpretação. É fundamental.
A luta dos reformados indignados
No final de Dezembro de 2012, início de Janeiro de 2013, havia um grande entusiasmo sobre a possibilidade de o tribunal Constitucional declarar vários artigos do orçamento inconstitucionais. A questão que reunia mais consenso era o da contribuição de solidariedade, considerada por muitos como claramente inconstitucional. Houve grande empenho nesta luta de reformados e pré-reformados, como Cavaco Silva, Bagão Félix e Ferreira Leite, que tudo fizeram para acabar com esta contribuição extraordinária.
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Agora, em Março, surgiu um grupo de reformados indignados, cujo objectivo é precisamente lutar contra a contribuição de solidariedade que eles consideram, obviamente, inconstitucional. Gerou-se um novo consenso: estes indignados são uns ricaços que gozam com as dificuldades do povo. Ficarem sem parte da reforma é certamente justo nestes tempos de crise.
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Dentro de algumas semanas, o tribunal constitucional dará razão aos reformados indignados. Nessa altura vamos ter novo consenso. Desta vez, os que criticaram os reformados indignados dirão que o governo esteve mal em atentar contra a Constituição.
esta também foi o rudolfo rebêlo quem escreveu?
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Mario Draghi, em carta enviada a António José Seguro. Ou terá sido mais uma do Rudolfo Rebêlo?
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Leitura complementar: “PS sente que ‘troika’ é mais flexível que Passos”.
então, e o costa fica-se?
“Moção de Seguro diz que não é sério responsabilizar apenas um governo pela crise”
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“O PS assume por inteiro todas as suas responsabilidades passadas e presentes”
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Assim se vai construindo a “unidade” no PS. Até ver…
Arrisque senhor deputado, arrisque.
O deputado Pedro Nuno Santos escreveu uma carta a Alexandre Soares dos Santos. A dita está recheada dos lugares comuns que preenchem o discurso dos autoritarismos – o grande empresário que não quer pagar impostos; que destrói os pequenos comerciantes e que enriquece enquanto os outros empobrecem – Felizmente para nós que o deputado Pedro Nuno Santos não tem os poderes da nomenclatura bolivariana e não pode mandar fechar lojas. Mas de qualquer modo o deputado Pedro Nuno Santos (que creio ser o mesmo deputado Pedro NUno Santos que tinha como solução para a crise recorrermos à bomba atómica: a “bomba atómica é simplesmente não pagarmos. Se não pagarmos a dívida e se lhes dissermos as pernas dos banqueiros alemães até tremem” garantia ele) não acaba a sua explanação sem propor a Soares dos Santos um negócio: «Desenvolva, por exemplo, uma bicicleta eléctrica: proponha-se entrar no capital de uma empresa portuguesa de bicicletas já existente, contrate uma equipa de jovens engenheiros para conceberem baterias eléctricas, invista no design da bicicleta e na sua promoção e use a rede de distribuição de que dispõe para as lançar no mercado.» Com tudo tão clarinho na sua cabeça cabe perguntar pq não avança o senhor deputado ele mesmo para o negócio? Arrisque senhor deputado, arrisque. A bicicleta eléctrica é certamente um bom negócio. Só terá Vossa Excelência o problema de convencer os bancos a facultarem-lhe crédito porque algum deles deve ter medo de ficar com as pernas a tremer quando Vossa Excelências lhes disser que vai recorrer à bomba atómica mas como bem se sabe os banqueiros não guardam rancores.
injustiça
O PS quer reduzir o salário de António Borges. É uma injustiça. Ninguém consegue tirar tantos votos ao PSD como ele.
há vazios fáceis de preencher
Por qué no te callas?
idolatria

A extrema-esquerda sempre foi muito atreita à beatificação dos seus ídolos. Acabou, agora, de ganhar um novo santo. Esperam-se, então, os habituais comentários branqueadores de alguns leitores do Blasfémias. Deixo já aqui uma sugestão: alguns Papas (e os Faraós) também são embalsamados. Força, rapazes, é pegar na deixa. Francamente, não vejo outra melhor.
O reporter estava lá
A investigação da Autoridade para a Concorrência tem algumas características que revelam a sua verdadeira natureza. A acção foi dirigida a 16 bancos por suspeitas de partilha de informação com o objectivo de cartelizar os preços dos serviços bancários. Note-se que são serviços sobreregulados em que a informação sobre os preços é pública. Em algumas versões não são 16, mas 25 bancos. Porque é que a AC foi a 16 ou mais bancos e não apenas a 2 ou 3? Porque não sabe do que anda à procura nem o que é que anda à procura. Mas vamos supor que existe um cartel de 16 bancos em Portugal. Quanto tempo demorará a documentação que o prova a ser processada? Anos. A não ser que estejam à espera de encontrar um documento com o título: “Protocolo de constituição do cartel da banca”. Poderíamos ser tentados a pensar que este é mais um megaprocesso destinado a arquivar daqui a anos, e que permite a alguém ter poder sobre alguém, não servindo para mais nada. Mas não foi para isso que serviu. Sabe-se que a acção foi acompanhada por uma equipa de reportagem da SIC, que esteve com um grupo da AC num dos bancos. Estou em crer que a presença desta equipa de reportagem é o verdadeiro objectivo desta intervenção.
Sebastião, os bancos e a Adc.
Finalmente – mesmo finalmente também porque em fim de mandato do seu Presidente – a Autoridade da Concorrência (Adc) faz , por sua iniciativa, qualquer coisa sensível e que suscita realmente a atenção do país.
Ao contrário de outros antecedentes casos mediáticos para os quais foi “empurrada”, ficando a ideia (certa ou errada) na opinião pública(da) de que tinha sido meramente reativa (vg., revenda de combustíveis), a Adc, desta vez, agiu e espera-se que seja consequente. Consequente significa ser rápida e assertiva a investigar, usando os novos poderes inquisitórios que a Lei nº 19/2012 lhe proporciona e seja efetivamente conclusiva. Conclusiva significará, também, ser transparente ou seja, emita uma decisão em que os factos apurados e relevados fundamentem, clara e inequivocamente, a decisão (ao contrário do que sucedeu, já, por vezes – vg., novamente, “estudo” sobre o mercado da revenda dos combustíveis).
Os filhos do Zip-Zip
Governo aprova a “flexisegurança” laboral.
O Governo socialista do messias (há uns meses atrás) Hollande, note-se!
“Democracia” formal
Segundo Mário Soares: Chàvez nunca foi um ditador.
(Leitura complementar: post antecedente – “O legado”….. , pelos vistos, de um “não” ditador)
o legado

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A imagem acima é da favela Petare, a maior do mundo ocidental, situada à porta de Caracas e onde vivem – calcula-se – mais de 1 milhão de almas. A favela não tem parado de crescer nos últimos anos, e o governo parece estar de costas voltadas para o problema. Esta favela tem, pelo menos, três vezes a dimensão da Rocinha, no Rio de Janeiro, sendo que não é a única de Caracas, sendo de destacar, pelo menos também, a 23 de Enero. Recorda-se que a Venezuela tem as maiores jazidas de petróleo do mundo e não consta que tenha um bloqueio comercial norte-americano que impeça o seu desenvolvimento económico.
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Sobre os direitos humanos e políticos na Venezuela de Chávez, aconselha-se a leitura deste relatório da Human Rights Watch, que, acredito, não seja uma sinistra organização instrumentalizada pela CIA. Nele podemos ler os assaltos à “independência dos tribunais”, à “liberdade de imprensa” e os abusos governamentais exercidos pelo governo de Chávez sobre pessoas concretas e instituições concretas de oposicionistas ou simples defensores dos direitos humanos.
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Para que conste, e para que não embarquemos todos neste mantra laudatório do líder recém falecido e do seu regime, independentemente do respeito que sempre se deve ter por quem parte deste mundo e, no caso de Chávez, até por algumas características pessoais do falecido. Mas a morte não pode servir para branquear o que foi feito na vida pública, nem a ideologia nos deve cegar ao ponto de não vermos as evidências que temos perante os olhos.
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Leituras complementares: “O Senhor da Venezuela e dos pobres”, pelo Miguel Noronha.
“Santo Chávez e o pecado da soberba”, pelo Daniel Oliveira.
Chavez, a agonia de um cativo
Há aproximadamente um mês escrevi isto sobre a doença de Chávez e a falta de senso de títulos como este – Chávez está «muito deprimido» e já não assumirá presidência – que procuravam mascarar a luta pelo poder em Caracas. Os últimos tempos de vida de Chávez foram uma agonia prolongada por aqueles que o apoiavam. Correm agora rumores que terá morrido em Cuba para onde o terão transportado numa derradeira tentativa de o manter vivo para lá de toda a dignidade.
As políticas sociais para os mais desfavorecidos
Nesta peça da RTP Informação (minuto 22) que não diverge do que anda para aí explica-se a popularidade de Hugo Chavez com as “políticas sociais para os mais desfavorecidos”. Um dirigente pode, como sucedeu com Chavez, levar um país à ruína, torná-lo num dos mais inseguros do mundo, fomentar o ódio… mas desde que diga umas coisas alegadamente de esquerda torna-se um amigo dos pobres. Só se por políticas sociais para os mais desfavorecidos se entender multiplicar o número dos mais desfavorecidos e nesse sentido pode falar-se de políticas para eles.
