uma noite no recife
No dia da morte de Chavez, aproveito para recordar um episódio que me fez cruzar com ele lá para os idos de 2003, 2004, já não tenho a certeza exacta.
Estava eu a começar a jantar com um casal amigo numa churrascaria da praia da Boa-Viagem, no Recife, quando um ligeiro e breve sururu se fez sentir na sala. Procurei perceber o motivo e percebi que Hugo Cavez tinha entrado para jantar, acompanhado por uma reduzida comitiva de algumas pessoas, que não chegariam a uma dúzia, e um segurança de plantão, discretamente encostado a uma parede. Tinha tido, nesse dia, uma cimeira com Lula, a cimeira acabara e ele e os seus decidiram ir jantar a um bom restaurante, desprovidos do protocolo, sem as tradicionais honras de estado, despretensiosamente. Quem os visse mais pareciam um grupo de pernambucanos esfomeados, animados pela ideia de limparem uns quilos de picanha e alcatra, regados com umas caipirinhas geladas, o que certamente terão feito. Pensei, na altura, que uma cena destas seria impossível na Europa Ocidental, onde o protocolo de estado não deixa um segundo de privacidade a um governante de visita a um país estrangeiro. Isso reforçou a minha já então grande simpatia pelo tom despretensioso com que, na generalidade, os latino-americanos se tratam e convivem, mesmo nas relações mais formais.
Hoje, o homem morreu e deu, involuntariamente, a sua melhor lição de vida, aquela que só um homem poderoso pode dar a quem a quiser entender: o poder, todo o poder, mesmo o endeusado como foi o seu, é sempre precário e efémero. Ou, como se diz nas terras transmontanas, cheios de homens insubstituíveis estão os cemitérios.
chavez
Morto Hugo Chavez, fica por saber se o país que deixa – incomparavelmente mais miserável e extremado do que antes de si – conseguirá manter os restos ténues da democracia que já foi, realizando eleições livres no prazo constitucionalmente previsto, ou se prosseguirá na via autoritária, procurando, por todos os meios (o último foi mesmo a própria doença de Chávez), impedir as eleições e perpetuar, no poder, o chavismo sem o seu criador. Para já, o exército desceu à rua, o que não augura nada de bom. Paz à alma de Chavez, pois então, mas paz à vida dos venezuelanos, sobretudo.
O grotesco da demagogia
Visto de fora este tipo de argumentário é absolutamente grotesco. Mas para quem está sob a alçada deste tipo de discurso tudo isto faz sentido. É a demagogia. Para muitos venezuelanos o que se passa com a agonia de Hugo Chávez é tão razoável quanto na Coreia do Norte o Estado legislar sobre cortes de cabelo.
yoani sánchez
A Yoani Sánchez está no facebook e é merecedora de todo o apoio daqueles para quem a liberdade não é uma palavra vã, nem uma figura de retórica ou de estilo literário. Yoani é uma jovem mulher de inabalável coragem, que enfrentou sozinha a tirania que os irmãos Castro instituíram na ilha-prisão de Cuba. Tem sido sujeita a todo os género de perseguições e vilezas e, mais não fosse, seria só por isso merecedora do nosso apoio. Mas há mais: Yoani luta pela liberdade onde ela não existe. É muito diferente de lutar pela liberdade quando ela não nos falta. Vamos dar-lhe o nosso apoio na sua página do facebook.
Narrativas
JN: «Sondagem mostra um Governo de costas voltadas para o povo. O Governo vai cortar no Estado Social, quando deveria fazê-lo nas Parcerias Público Privadas e nos juros da dívida. Uma sondagem para o JN revela um divórcio claro entre a austeridade com que o Governo ameaça e os cortes que os portugueses defendem.» Os autores da sondagem podiam ter acrescentado uma outra pergunta: E se os os cortes que defende não chegarem corta-se onde?
Como dizia Teixeira dos Santos nos dias prévios ao resgate quando Ana Jorge e Helena André tentavam sugerir umas intervenções pontuais: “Num chega” E mesmo que não estivéssemos em crise no que à segurança social respeita “num chegava” por causa de um factor chamado demografia como aqui se explica
Novas cartas portuguesas
Camionete fantasma
Mário Soares no PÚBLICO: «O Governo tem de se demitir. Esta é a boa oportunidade para o fazer, antes que o Tribunal Constitucional se pronuncie, os portugueses se enfureçam e a democracia desapareça, porque os partidos também estão todos a ser criticados. Porque se não for a bem – enquanto o “Povo é sereno” -, será a mal, com o povo indignado, como sucedeu no fim da monarquia…» Por acaso não foi o povo indignado quem derrubou a monarquia que era um regime bem mais tolerante e provavelmente melhor suportado pelo povo que aquele que lhe sucedeu. Chamar “povo indignado” à carbonária foi uma tragédia que acabou na camionete fantasma.
A erva daninha
Miguel Relvas deixou de ser ministro o ano passado, faz agora um ano.
–
Andou a corrigir-se a si mesmo no parlamento, em sucessivas piruetas «que não conhecia», afinal conhecia; que «nunca estivera com», afinal estivera; que fora «um encontro social», afinal fora almoço de trabalho, que «nunca recebera emails», afinal recebeu. E então quando passou a «equivalente», o seu mandato terminou mesmo ali.
.
Ele nem notou ou fez-se de desentendido. E continua, até hoje, a ir ao gabinete como se ainda fosse ministro. Em mais um passo em falso, o primeiro-ministro renovou-lhe a confiança na hora de aperto pensando assim manter um ministro. Não se apercebeu, ou não se importou de que com tal gesto perder na mesma um ministro e ficar com um pendura que só lhe traz dissabores e ao qual ficará sempre ligado. O que só pode significar desastre.
.
Manteve-se Relvas alegremente com o dossier da privatização da RTP, promessa eleitoral e objectivo do governo. Ele foi Grupo de reflexão, foi plano de reestruturação, foi nova administração, foi canal parlamento na tdt, foi o guru Borges a anunciar concessão, ou o fecho da rtp2, Mas Relvas ia dizendo «está a ser estudado e será anunciado até ao final do ano». Novo ano, e anuncia que nada faz. Melhor dizendo. Faz: Desistem. Abandonam a venda. Fica tudo como dantes, com o acréscimo de decidirem torrar mais 42 milhões. Pior era difícil.
.
Na verdade, quem melhor do que um falso ministro sem autoridade e acossado para ceder a tudo e a todos? Quem o manteve no lugar sabia o que estava a fazer. Foi a melhor garantia de que não haveria venda, nem mais concorrência, nem concurso para novos canais na TDT, nem coisa nenhuma.
.
Mas Relvas não é só rtp. Também foi o autor de uma mal amanhada, inútil e de muito duvidosa legalidade «reforma admnistrativa» que de reforma não tem nada para além de incomodar inutilmente as pessoas, e potenciar o caos nas próximas eleições autárquicas. Caso típico de muito barulho para nada.
.
Mas é assim em cada dossier que alguém teve a infeliz ideia de lhe entregar em mãos. Se face à natural resistência a qualquer reforma os verdadeiros ministros já tem dificuldade de implementar os seus projectos, imagine-se com um falso ministro…
A solução por vezes tem sido mesmo ignorar a sua existência. Só a imprensa não o faz, dando-lhe microfone sabe-se lá para quê. Deve ser por ter a tutela do sector, e sabe-se como neste país se aprecia ser tutelado….Também é para isso que servem os telefonemasinhos para os directores.
Incidentes nos estádios? Relvas diz que «há a segurança no Desporto». O que vale é que por vezes nem o próprio governo liga para o que ele diz.
Não devem saber bem o que fazer com ele. O problema é que ainda vai tentando fazer. Mal, como sempre.
Ciclos
Como António Costa não avançou -o que tornou subitamente desinteressantes as legislativas antecipadas – a ideia de um governo de unidade nacional voltar a ser popular.
direito de propriedade
não conta para nada
Embora sem grande entusiasmo, Rui Rio admite debater o tema da regionalização no âmbito de uma possível reforma política do regime. Fá-lo quando está para abandonar a cadeira da presidência da Câmara do Porto, que ocupou nos últimos doze anos, durante os quais fazia todo o sentido que tivesse utilizado a sua posição politicamente privilegiada para pôr o tema na ordem do dia. Agora, de malas aviadas, a sua opinião sobre este tema já não conta para nada.
Impressões
Esquerda “cigarra”
Em vias de voltar. O seu possível programa, em três pontos: dívida, dívida e mais dívida.
Governação com ou sem sentido
Os “cortes” devem ser maiores nos ordenados dos polícias ou em algumas instituições não essenciais? Aqui reside um dos principais problemas.
Para memória futura
- ‘Com a ida do jornalista Licínio Lima para a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, elevam-se para 10 – convém repetir este número: dez – os jornalistas que transitaram da redacção do Diário de Notícias para cargos de nomeação directa do Governo de Pedro Passos Coelho. Por ordem alfabética: Carla Aguiar é assessora do ministro da Administração Interna, Eva Cabral é assessora do primeiro-ministro, Francisco Almeida Leite é vogal da administração do Instituto Camões, João Baptista é assessor do ministro da Economia, Licínio Lima foi nomeado para director-geral adjunto de Reinserção, Luís Naves é assessor de Miguel Relvas, Maria de Lurdes Vale é administradora do Turismo de Portugal, Paula Cordeiro é assessora do ministro das Finanças, Pedro Correia é assessor de Miguel Relvas e Rudolfo Rebelo é assessor de Pedro Passos Coelho. Espero não me estar a esquecer de ninguém.
- José Miguel Tavares, in «E vão dez», Público, 1 de Março de 2013
Entre a abstenção e a indignação.*
A Europa acordou estremunhada após as eleições italianas, com as gargalhadas truculentas de Beppe Grillo. Estremunhada e subitamente receosa. Curiosamente, houve uma certa similitude entre essa reação e aquela que, há uns anos atrás, surgiu na sequência do então efémero movimento populista holandês de Pym Fortyun. Como já alguém disse, com efeito, parece que a Europa não aprendeu com os erros. Mas – pergunta-se – que erros? O que é que suscita votações em movimentos aparentemente apartidários, sem propostas de governação viáveis, ultra populistas e ultra nacionalistas? O que é que motiva os eleitores quando elegem quem manifestamente não está preparado para compreender o funcionamento político institucional (nem quer) e faz da “conversa de café”, descontraída e irrefletida, uma espécie de programa político. Eleitos que criticam a democracia representativa e tentam repristinar uma espécie de “ditadura do proletariado” anti-ideológica e anti-partidária, sob a capa difusa das vantagens da democracia direta?
Contabilidades
As manifestações de hoje foram grandes, mas menores do que algumas realizadas bem recentemente. Eu sei que não é isso que estão a dizer nas rádios e televisões, mas é isso que se retira de algumas das imagens de conjunto que têm vindo a ser mostradas.
Não sou só eu que digo. Um dos repórteres da TSF no Terreiro do Paço também afirmou a certa altura que lhe parecia que a manifestação da CGTP tinha sido maior. Não sei a que manifestação da CGTP se referia, mas olhemos para estas imagens (as de hoje correspondem ao momento em que se cantou o Grândola, retransmitidas depois no noticiário das 19h):
Do estúdio interromperam o repórter e proclamaram que não cabiam no Terreiro do Paço nem mais dois alfinetes. Pelo que eu só quero ter um alfinete desses…
PS. Houve, felizmente, quem fizesse uma contabilidade minimamente sensata:
Ó Catarina… ó João…
A repórter da SIC no Terreiro do Paço trata os dirigentes do BE por João e Catarina. Entretanto cada manifestante no Terreiro do Paço é uma reencarnação heteronímica de Fernando Pessoa: cada manifestante vale por meia dúzia.
Eu sei que é pecado
invocar o santo nome de Deus em vão e que até estamos em sede vacante mas algum santo conseguirá que o PS vá amanhã para a chefia do Governo e assim a comunicação social deixar de viver em estado de arregimentação brigadista e passar para uma fase de mansidão? É que francamente o Esquerda net é mais equilibrado nas notícias sobre as manifestações de hoje do que alguns sites noticiosos.
PÚBLICO: Protestar e pôr o país a cantar a Grândola nas ruas
SIC: Movimento “Que se Lixe a Troika” espera derrubar o Governo (Note-se que a entrevistada ainda diz que o Governo foi eleito democraticamente o que face à histeria do canal em si até é um progresso. )
TVI que apela directamente à participação:
Será este o efeito das manifs?
Na sequência da manif de 15 de Setembro, o governo meteu o rabo entre as pernas e desistiu da proposta da TSU, uma medida que tinha efeitos estruturantes. Seguiu-se um “enorme aumento de impostos”. Palpita-me que depois da manif de hoje o governo se prepara para congelar o corte dos 4 bi na despesa, que a “aristocracia da corte” é unânime em rejeitar, a começar (pasme-se!) por Medina Carreira.
Esperem portanto para 2014 um “colossal aumento de impostos”. E mais recessão, obviamente. É dos livros que ela se acentua mais com aumentos de impostos do que com cortes na despesa. Mas, decididamente, temos de bater no fundo para aprendermos.
alguém sabe da sara?
O Carlos Loureiro lembrou que fazemos hoje (não é bem, bem hoje, mas adiante…) 9 anos – quase uma eternidade – e, com enorme sentido de oportunidade, linkou o primeiro post do blog, escrito pela nossa velha e perdida (nestas andanças da blogosfera, note-se) amiga Sara Muller, a primeira bloguer feminina do Blasfémias, antes da entrada da Helena Matos, com quem, de resto, não chegou a coabitar (as mulheres de forte personalidade, às vezes, são difíceis de se entender).
.
A Sara era uma mulher muito especial, minha amiga, amiga do CAA, do LR, do Gabriel e do CL, que foi despertando sentimentos extremados nos nossos leitores, que oscilavam da paixão absoluta (com, inclusivamente, alguns convites para idas ao cinema…), o respeito pela sua profunda sensibilidade feminina (muito manifestado, por exemplo, na discussão do tema do aborto), ao ódio absoluto, quando expressava a sua paixão clubística pelo Futebol Clube do Porto.
.
Antes do Blasfemias, a Sara fora amiga e colega de alguns de nós na Universidade, partira para o estrangeiro após o termo do curso (uma das primeiras emigrantes qualificadas da nossa geração…), donde tinha acabado de regressar após um casamento atribulado e um divórcio complicado, como quase todos o são. Com a saída dela do Blasfémias soubemos que voltara para o estrangeiro, mas há anos que nunca mais nenhum de nós ouviu falar dela. É pena, até porque seria muito bom poder contar com ela novamente no blog. Se, por acaso, algum dos nossos leitores souber do seu paradeiro, por favor deixe contacto. Obrigado.
“esta vida de marinheiro…”
De há uns tempos para cá, que me lembre, depois das argoladas da TSU, alguns ministros do governo, sobretudo os que têm pastas mais sensíveis, adoptaram uma estratégia de comunicação que passa pela exaltação das superiores qualidades e dos inigualáveis talentos do bom povo português. Passos, Portas, Gaspar e outros ministros, sempre que vêm com más notícias, apressam-se a completá-las com uns piropos ao indígena lusitano, do género: “vou-te aos bolsos”, mas “o sacrifício dos portugueses merece um prémio dos parceiros europeus”, “vamos aumentar enormemente os impostos”, mas “a paciência dos portugueses” é admirável, “continuamos sem reduzir o défice”, pelo que apelamos à “elevada coragem dos portugueses”, “o desemprego não para de aumentar”, mas “os portugueses são o melhor povo do mundo”, etc..
.
Hoje, Vitor Gaspar ultrapassou todos os limites desta bajulação comunicacional, com esta frase de lindo recorte estilístico, a fazer lembrar a letra de um fadinho da Madragoa: “Portugal tem povo de marinheiros capaz de superar as maiores tormentas”. Fantástico! Para consagrar o estilo, sugiro que se musique este tema marítimo de Vitor Gaspar, encomendando a música ao Sérgio Godinho, a letra ao Professor Boaventura, e entregando a interpretação ao grande cançonetista António Calvário, o maior entre os maiores, qualquer um dos três também muito empenhado na exaltação do ego nacional, como se pode ver por aqui.
Hoje, no Pólo Norte
Nove anos
Há nove anos, no dia 29 de Fevereiro do primeiro ano bissexto do séc. XXI,
Sócrates ainda não chegara ao poder (nem sequer a líder do PS)
Os estádios do Euro 2004 ainda estavam em construção
António Costa era líder parlamentar do PS (seria substituído, pouco depois nessas funções por um jovem…. António José Seguro).
Uma das primeiras fusões blogosféricas dava origem a este blogue.
Ainda não endoideceu tudo
Até que enfim. Após dias e dias de desvario sobre a nova cruzada da ASAE contra os “vestígios de carne de cavalo”, finalmente algum bom senso. De quem tem os pés assentes na terra. É que a carne de cavalo é tão saudável como a de vaca, se bem que mais barata, é perfeitamente recomendável para uso humano, e andar por aí a recolher toneladas de alimentos para deitar fora quando todos os dias se grita que “não se aguenta mais” a fome é, no mínimo, bizarro.
Uma ditadurazinha não?
O encenador Luís Miguel Cintra afirmou à Lusa que “estamos à beira de uma grande mudança” e considerou que os atuais protestos de rua “são curtos”, sem projeto de mudança da própria sociedade. Referindo-se à situação atual afirmou: “Não ouso prever, mas estamos à beira de uma grande mudança“. (…) Todavia, o encenador, que frequentou a licenciatura de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, e o Acting Tecnhical Course da Bristol Old Vic Theater School, em Inglaterra, considerou que “estes protestos são feitos exatamente em nome dos mesmos valores dos cortes que estão a ser feitos“. “Nunca protestariam se não existisse redução de salários e de subsídios. O sistema de valores são os mesmos dos que protestam e dos que são protestados”. “Um sistema de valores da sociedade de conforto, mas não há um projeto de mudança da própria sociedade”, disse Cintra segundo o qual “isso vê-se nas eleições, que são um desastre total”. “Vai lá tudo eleger as mesmas pessoas, que sucessivamente traem os objetivos das pessoas que votaram nelas. A certa altura não é possível a máscara demorar mais tempo, e tem de existir o nascimento de uma outra organização política e dos cidadãos que não seja esta porcaria do sistema parlamentar, que é uma fraude total“, advogou. Pena o jornalista não ter perguntado o que advoga o encenador em causa.
Pedido
Os crentes com militância política podiam pedir a Deus para que sempre que um político seja acusado de actos similares aos que, segundo alguns, D. Carlos Azevedo terá praticado o seu partido reaja como em 2013 reagiu a Igreja católica portuguesa?
parabéns ao o insurgente
O Insurgente, o melhor blog liberal da actual blogosfera portugesa, comemora hoje o seu oitavo aniversário. Ao longo deste tempo, que é um tempo imenso neste meio de comunicação, o blog fundado pelo André Azevedo Alves conseguiu juntar e manter uma equipa admirável de autores, que tem vindo permanentemente a rejuvenescer com novas revelações. Actualmente são quarenta, e muito me integrar essa longa lista, embora numa posição modesta de colaborador quase ocasional. Parabéns ao André, ao Miguel Noronha, ao Rodrigo Adão da Fonseca, ao André Abrantes Amaral, ao Rui Carmo, que creio não cometer nenhuma deselegância se disser que são os membros mais antigos em actividade, e a toda a equipa, desejando-lhes força para, pelo menos, os próximos oito anos.
A rena Rudolfo já vem a caminho
UGT, CIP e Confederação do Comércio querem o fim da austeridade Quer isto dizer que nós podemos viver à larga mas que por uma deriva ideológica qualquer estamos em austeridade? Esta ideia de que os governos decidem que vai haver austeridade ou mais improvavelmente ainda que determinam o crescimento e o emprego é a versão do Pai Natal para adultos.
Psiquiatria de pacotilha
Apesar da crise, Portugal e Espanha estão a escapar a aumento do suicídio – A socio-psiquiatria de pacotilha que reina nas redacções levou anos a impingir-nos a tese do suicídio enquanto maleita dos ricos. Nesta cosmovisão do mundo os povos do norte da Europa suicidavam-se porque não tinham razões para lutar pela vida. Agora temos o suicídio enquanto consequência da crise. O suicídio é um assunto demasiado sério para ser tratado nesta espécie de jogo de causas e consequências entre a pobreza e a riqueza.
Itália, 1978 (Foi só há 35 anos)
A transcrição completa do telefonema pode ser encontrada aqui
Depois foi assim:
tem toda a razão
Uma pequena sugestão
Nas próximas eleições italianas os jornalistas portugueses faziam uma declaração de voto ou melhor dizendo de não voto na qual explicariam porque acham que os italianos devem erradicar Berlusconi da cena política etc etc… e depois assim desobrigados faziam notícias. Porque não é possível continuarmos a ter alegadas reportagens sobre as eleições italianas em que só se entrevistam, vêem e avistam pessoas que pensam como os jornalistas. Digamos que isto é tão bizarro quanto nas últimas presidenciais da Venezuela só se terem feito notícias sobre o candidato Capriles ignorando o Chavez ou vicer-versa.
A monomania das canções
A história das crises vista do ponto de vista da música dita umas vezes ligeira outras de intervenção. Tema do meu artigo hoje no DE
uma lição
Apesar dos sentimentos da comunicação social portuguesa, a política italiana vai continuar a depender de Berlusconi, de quem os italianos – essa gente ignara e analfabeta – parece não querer ainda prescindir. A divisão de votos entre a esquerda de Bersani e a direita de Berlusconi irá, por sua vez, lançar a Itália na “ingovernabilidade”, condição quase natural do país, à qual todos já se habituaram sem grande prejuízo. Quanto a Monti, o asséptico Monti, o desejado Monti, o virtuoso Monti, o Monti com que a basbaquice nacional sonhou durante meses, irá esfumar-se no ar com uns míseros 7% a 9%. Uma interessante lição a reter.
sexo
hoje, deu-me para as previsões
O povo laranja anda contristado com o falhanço das previsões económicas do governo, em particular com as do Ministro Vitor Gaspar. Eu entendo a desilusão, mas não consigo compreender a ilusão. Sobretudo por parte de quem tem obrigação de saber o que é uma economia de mercado, isto é, uma economia cujo crescimento depende das empresas e dos indivíduos, e não dos planos e da intervenção do governo. Para tentar ser-lhes útil, vou fazer aqui uma previsão económica, a única a que me atrevo a abalançar nessa esotérica ciência: enquanto permanecer o saque fiscal, as empresas continuarão a falir, o desemprego e a despesa do estado a aumentar, e os índices económicos a desfalecer. Vai uma aposta?
Impressões
Austeridade conduzida de forma errada
Austeridade não é excessiva, na verdade é provavelmente insuficiente. A austeridade tem sido conduzida de forma errada – cortes em geral mais do que nos sítios certos.
Troikista
Não sendo liberal, qual o melhor nome? Talvez seja mesmo “troikista”, na falta de melhor classificação.
Chegou a hora de ouvir Ludgero Clodoaldo
Dinheiros e direitos
Entre as coisas estanhas que me chegam ao mail contam-se também as promoções da DECO. Volta e meia lá cai mais um mail intitulado AVISO URGENTE a avisar-me “A DECO PROTESTE selecionou-o para receber um leitor MP5, bem como as publicações PROTESTE e DINHEIRO & DIREITOS. Estas estão reservadas em seu nome e prontas para serem enviadas para a sua morada. Além disso, durante 2 meses, tem acesso ilimitado e GRATUITO ao portal da DECO PROTESTE.” Ao contrário daquilo que os comentadores automáticos sugerem não quero proibir nada mas acho muito bizarro que a DECO tenha estes dias de Olívia empresa de promoções e outros dias de Olívia associação de defesa de consumidores nomeadamente contra as promoções que prometem mundos e fundos.
2 cêntimos para a discussão
A famosa Lei 46/2005, que estabelece limites à renovação dos mandatos dos presidentes dos órgãos executivos autárquicos, resultou de uma Proposta de Lei (a PL 4/X, apresentada no Parlamento pelo Governo Sócrates), proposta bastante mais ambiciosa do que a Lei que viria a ser aprovada: além dos autarcas, a Proposta limitava também a “renovação” dos mandatos do Primeiro-Ministro e dos Presidentes dos Governos Regionais. Ler mais…




