Nada se perde. Tudo se transforma
A mania dos rótulos é uma dessas coisas que está sempre presente. E aqueles que mais combatem os rótulos de hoje serão os mais entusiastas nos rótulos de amanhã. Agora temos um miúdo de 15 anos que é apresentado como gay. Regularmente os jornais trazem relatos de protagonistas da mesma idade apresentado-se como tal. Às vezes penso que fomos muito felizes por aos 15 anos termos tido o privilégio de fazermos o que nos deu na real gana sem termos de andar a servir de exemplo aos proselitismos dos outros. E antes que comece a ladainha aviso já que não acho bem que os adultos que estão nos bares gays, nas casas de alterne hetero etc tratem como adultos miúdos e miúdas de 15 anos.
O mundo de Mário Soares acabou, e ele ainda não deu por isso
Ontem de manhã acordei sobressaltado. Na rádio, Mário Soares prometia uma “revolução a sério”. Sim, não foi de ainda estar com sono, e também não era o Otelo que eu estava a ouvir. Mesmo assim fui confirmar. E confirmei: “Se esses mercados continuarem a mandar, nós vamos para o fundo e então tem que haver outra revolução, mas uma revolução a sério…”
Alguns respirarão de alívio: afinal o velho político apenas promete uma revolução contra “os mercados”. E só se os mercados continuarem “a mandar”, como ele diz. O problema é que é isso exactamente que vai suceder, com uma pequena diferença: no nosso caso, “os mercados” são os nossos credores. E nós só temos credores porque pedimos dinheiro emprestado. Ao fazê-lo de forma desregrada perdemos a nossa liberdade – perdeu o Estado, perderam as empresas, perderam os cidadãos. Porque, ao contrário do que Soares disse um dia, em 2005, durante a sua terceira campanha presidencial, não é verdade “o dinheiro apareça sempre”.
O clube das virgens suicidas
O mundo torna-se num lugar estranho quando se tenta forçar um bocado a realidade para contestar as opções do governo. É o caso deste post de Andrea Peniche. A vacina para o colo do útero é ineficaz em mulheres sexualmente activas. Mas a Andrea fala-nos de mulheres virgens que estão fora da idade do plano nacional de saúde e que preferem correr o risco de ter cancro em vez de pagar uns 100 euros por uma vacina. Quem são estas mulheres e em que realidade alternativa vivem? É um mistério. Note-se que tem que ser um tipo muito específico de mulher. Tem que ser virgem, tem que estar fora da idade do plano nacional de vacinação, tem que ter vontade de tomar a vacina e tem que, depois de acumular todas estas características, ser sensível ao preço, de forma a que a comparticipação faça a diferença entre tomar e não tomar a vacina.
Primeiro foi uma conquista das mulheres. Agora é um atentado
A receita médica permite obtê-la comparticipadamente mas para ter a receita ou receitas há que ir ao médico e pagar a respectiva consulta. Para poupar tempo e dinheiro o que boa parte das mulheres faz é comprar a pílula sem receita médica. Aliás e não por acaso a venda da pílula sem receita médica foi apresentada como uma vitória das mulheres e do planeamento familiar.
Abrantes pela liberdade de escolha
Então governo quer deixar de pagar a pílula.
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Esta foi a ideia que jugulares e abrantes tentaram passar.
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Na realidade, o Estado continua a pagar a pílula por inteiro. Estão disponíveis nos centros de saúde.
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O que pelos vistos acaba é comparticipação <s>no lucro das farmácias</s> na compra em farmácias. Mesmo essa comparticipação só ocorria com receita médica, o que esvazia totalmente a polémica. Mas adiante.
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Esta medida é equivalente a deixar de comparticipar consultas em médicos privados (ou acabar com as deduções no IRS que o PS tanto defendeu), oferendo-as apenas nos hospitais públicos. Ou a acabar com as escolas privadas com contrato de associação oferecendo apenas serviços de educação pagos pelo Estado nas escolas públicas.
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A medida de oferecer pílulas apenas nos Centros de Saúde foi criticada por abrantes e jugulares com argumentos do tipo:
– perde-se muito tempo no centro de saúde
– as pílulas são de pior qualidade
– nos centros de saúde o serviço é menos personalizado
– a liberdade de escolha da mulher é menor.
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Tudo bons argumentos, claro, que minam a ideia de que o serviço nacional de saúde deve ser prestado apenas por entidades públicas. O mesmo se aplica aos serviços de educação.
Vem aí um novo ciclo de mortos nas ambulâncias
Quando algum ministro da Saúde tenta mexer com alguns (mesmo que sejam poucos) interesses e lobbies do sector imediatamente começam a surgir umas notícias terríveis sobre as carências nos hospitais e centros de saúde. Até agora o top destas notícias ia para os mortos nas ambulâncias. Enquanto Correia de Campos esteve no ministério todos os dias morriam alguém numa ambulância. Veio a alegrista Ana Jorge e acabaram-se os mortos nas ambulâncias ou à espera delas. Agora e num primeiro sinal da existência de Paulo Macedo começaram as notícias sobre as vacinas e a pílula. Aliás esta conversa sobre as mulheres que se não lhes deram a pílula não a tomam remete para questões muito sérias sobre a pressão eugénica exercida sobre certos grupos. Mas esse é um outro problema. Para já garanto que as ambulâncias ainda cá virão dar um ar da sua graça. Disso tenho a certeza.
Propaganda barata
Governo pode poupar cerca de 840 milhões de euros com suspensão de concessões
Isto não constitui poupança nenhuma, porque se refere a obras com as quais ainda não se gastou um cêntimo. Evitar-se-á apenas o crescimento futuro da despesa, que neste caso seria repartida por 40 anos, mas daí não advirá qualquer redução do défice, pois ele já é mastodôntico com os encargos actuais. Infelizmente, jornalistas ignorantes engolem qualquer patranha com foros de espectacularidade (840 milhões é um número “simpático”) que lhes permita um bom título.
Diga-se que Miguel Relvas, enquanto ministro da propaganda, tem-se desdobrado em múltiplos anúncios de medidas e reformas fantásticas que nem sequer estão ainda no papel. Para aquilo que de facto interessa – redução da despesa – afigura-se-me que o low profile Paulo Macedo será dos poucos a mostrar resultados.
“Que Reforma Administrativa?
Estarei presente no Ciclo de Conferências “Pensar, Debater, Agir”, promovido pelo PSD de Ovar para uma reflexão acerca da reforma do Poder Local. Será no dia 16/09, pelas 21.30, no Auditório do Orfeão de Ovar.
as imoralidades do professor rosas
A primeira coisa que apetece perguntar ao Professor Cardoso Rosas, lida esta extraordinária prosa da sua autoria, é o que tem ele a ver com o destino que possa ser dado às «fortunas» dos «milionários» pelos seus legítimos herdeiros? Por acaso contribuiu para a realização desse património? Acha-se no direito de determinar o seu destino, eventualmente de dizer aos herdeiros onde o devem gastar? A segunda é em que espécie de princípios morais se fundamenta para se arrogar a dispor de um património que não lhe pertence, e que foi acumulado ao longo de uma vida, ou de várias, fruto do trabalho e já taxado nos diversos momentos da sua aquisição e disposição? E, a terceira, em que se baseia para dizer que «a maior parte dos herdeiros gasta mal o dinheiro dos progenitores»? Que número de casos conhecerá ele que o autorizem a semelhante generalização, sobretudo quando se está a referir a heranças, certamente (ainda) em número razoável nos últimos anos, do valor de 500 mil ou 1 milhão de euros, patamares para a aplicação do «seu» imposto sucessório? E, por último, como se atreve a dizer que um filho não tem «moralmente direito» de receber aquilo para que o seu pai trabalhou ao longo da vida, em razão da falta de «mérito por ter nascido numa família rica», ou qualquer outra, já agora, uma vez que ainda não se escolhe o berço? Por acaso quererá expurgar o direito sucessório do direito civil português?
É melhor não irem por aí
«O deputado do PS, Sérgio Sousa Pinto, entregou no Parlamento um envelope com denúncias anónimas, consideradas “sigilosas e delicadas”, sobre os serviços secretos. Foi durante a reunião em que participou Jorge Silva Carvalho. » Desde o processo Casa Pia passando pelo Freeport sem esquecer o Face Oculta, o PS e seus arredores não se manifestam absolutamente enojados com as denúncias anónimas? Aquando da última revisão do Código de Processo Penal a fúria do PS com as denúncias anónimas era tal que estas quase acabaram a ser proibidas. De cada vez que se dizia “denúncia anónima” era suposto que os presentes fizessem um esgar indignado com a existência dessa coisa tenebrosa que parecia só existir para atormentar a vida do querido líder. E agora um deputado do PS leva para a AR um envelope com denúncias anónimas? Onde é que as arranjou? Há aqui qualquer coisa que não bate certo.
Que coisa mais linda
a tolerância silenciosa da imprensa de causas para com os crimes que não sejam cometidos pelos exércitos europeus ou norte-americano. Suponha-se isto protagonizado por militares doutras nacionalidades. Fantástico também este título do Portugal Diário: Rio: confrontos com a polícia no Complexo do Alemão Graças ao Cristo Redentor e a Yemanjá que no Brasil manda a dona Dilma, ilustre sucessora de Lula caso contrário o título seria qualquer coisa como ‘Um ano depois da violenta ocupação militar do Complexo do Alemão o povo do Rio revolta-se’.
Ps. A propósito de relativismos, dado o total desaparecimeno de Guantanamo das notícias posso concluir que Obama já o fechou e que os inocentes que lá estavam já estão todos a dedicar-se à agricultura e ao pastoreio, actividades que durante o tempo de Bush todos garantiam ser as únicas que se lhes conheciam?
Juros abaixo
660 mil famílias não conseguem pagar os seus empréstimos bancários. Uma situação desesperante que é o corolário lógico da falta de maturidade de muitos, associada à ganância de uma Banca usurária. Mas Juros também se abatem.
Administração Local
Às 23h, estarei na Sic Notícias a debater a sua reforma.
matéria tributável abundante
Destes é que eram cá precisos muitos.
São os défices e as dívidas, estúpidos!!! (IV)
Já por várias vezes me tenho questionado sobre a aparente falta de clarividência dos líderes políticos na abordagem da crise. Hoje apareceu finalmente um responsável, Wolfgang Schauble, ministro das Finanças da Alemanha, a pôr os pontos nos ii:
Os países do euro, em particular os intervencionados, não podem pensar em pôr travões ao processo de saneamento das finanças públicas, não obstante os efeitos negativos que este possa provocar no curto prazo. Porque o mal chama-se “endividamento excessivo”. E contra esse só há uma “única cura”: “austeridade”.
Independentemente do papel que os mercados possam ter desempenhado na catalisação da crise da dívida soberana na Zona Euro, é inquestionável que foram gastos públicos excessivos que levaram a níveis insustentáveis de dívida e de défice que agora ameaçam as nossas economias.
Clarinho como água, até no “plágio” ao Carlos Novais (a recessão é a cura, não é a doença) e na sequência da “recomendação” de Angela Merkel para a consagração constitucional dos limites da dívida. Resta agora aos governos europeus fazerem o que lhes compete: fixarem como objectivo a obtenção no prazo de poucos anos de excedentes orçamentais. Quando começarem a mostrar os primeiros resultados e firmeza inabalável na prossecução de tal objectivo, as taxas de juro baixarão. Nessa altura, já todos terão interiorizado que o “modelo social europeu” está morto e que falta apenas enterrá-lo. Poucos assistirão ao seu funeral.
Estou prestes a fazer parte do elenco deste grande Forte!
E o quem tem o Sócrates a ver com isso?
Segundo o Correio da Manhã o DCIAP está a investigar a origem da enorme fortuna dos familiares de José Sócrates. Que um político responda pelo que tem parece-me óbvio. Que responda pelo que tem a sua família é outra coisa muito diferentes. Como se sabe considerei José Sócrates uma desgraça moral para o país. Acho que levaremos anos a recuperar do desastre que representou a total inversão de valores que vai naquela cabeça mas irrita-me esta coisa do problema ser a família do Sócrates ser rica. A não ser que se estabeleça uma relação entre esse enriquecimento e a actividade política de José Sócrates o caso não passa da habitual sanha contra os ricos.
Ó Luís e a precariedade?
O Luís Rocha chama a atenção para a desatenção (passe a cacofonia) que impera sobre os rendimentos dos astros do futebol. Francamente Luís a coisa não se restringe aos impostos. E a precariedade? Jogadores, treinadores e presumo que restante pessoal são despedidos na hora. Não há recursos, nem embargos, nem coisa nenhuma. Malinhas feitas e cheque na mão. Outra enorme lacuna nas observações do Luís prende-se com a idade com que toda esta gente começa a trabalhar. Se a vida profissional dos craques não é uma apologia do trabalho infantil não sei o que será. Com que idade veio o Ronaldo para o Sporting?Já agora quanto tempo têm os jogadores de férias? Feitas as contas às viagens de barco, aos passeios etc etc… parece-me que não chega a três semanas. É uma escravatura!
Enfim, como se vê isto do futebol é muito relativo. É tão relativo que no mesmo país que achou por bem acabar com os tribunais militares ( a doideira ainda nos há-de sair cara) nunca ninguém questionou a importância das comissões disciplinares dos organismos do desporto. Espero em boa hora que a regulação chegue ao mundo futebol. Que os respectivos postos de trabalho sejam defendidos, que os jogadores não fiquem nas mãos do mercado, que os empresários sejam corridos como nefandos intermediários que são, que os treinadores se mantenham em cada clube independentemente dos resultados (tipo administração das empresas municipais como a EPUL), que no percurso dos jovens jogadores tal como acontece com os alunos nas escolas não se viva em função dos resultados em si mesmos, no caso os golos, mas sim da sua interacção com o meio e da sua capacidade para adquirir conhecimentos fora do âmbito do futebol.O Figo ficaria no Pastilhas para toda a vida, o Hulk lá na terra dele e assim sucessivamente porque não é justo que os clubes com mais dinheiro vão buscar jogadores aos mais pobres, privando-os assim de um futuro melhor.
Aliás a separação das equipas em ligas, divisões e estruturas discriminatórias quejandas é profundamente discriminatória. Não é aceitável no século XXI uma situação destas! As equipas deviam jogar todas com todas e no mesmo campeonato. Quantos aos resultados assim obtidos à semelhança do muitos defendem paraos rankings das escolas deviam ser só documentos para análise. O que se devia ressaltar era o espírito de participação. A questão da igualdade social, racial e de género também deve a estar presente nas equipas. Não se percebe como é que as equipas estão cheias de filhos de pobres. As classes médias e altas têm de ser integradas nas equipas de futebol tal como nos o devem ser nos hospitais e escolas públicas. É o chamado dever de frequência em nome da igualdade. Caso contrário corremos o risco do futebol passar a ser associado a determinados grupos sociais. Temos também o problema da cor, da etnia, da raça ou lá do que se lhe deve chamar a que se junta a questão da nacionalidade. Com tanto apelo para só usarmos produtos nacionais como se entende que a maior parte dos jogadores portugueses esteja no Real Madrid e não no Benfica ou Porto? Só se preocupam com a fuga dos cérebros. E a fuga dos pés não tem problema? E já agora como é que se arrancam as vestes porque os nosssos melhores valores vão para fora e deixamos o Mourinho estar em Espanha? Só visto! E olhem para as fotografias das equipas. Digam-me: aquilo representa a sociedade portuguesa? Quantas pessoas LGTB lá estão? Porque hão-de ser todos musculados? E a igualdade senhores?
Aqui chegados perceberão que resolvi o problema do Luís Rocha pois se ao futebol se aplicar a legislação que rege habitualmente o mundo do trabalho não haverá nada para tributar.
Porque será?…
… Que a populaça não se indigna com os rendimentos e sinais exteriores de riqueza da malta do futebol e de outros espectáculos? Então não era de toda a justiça tributar-lhes fortemente os salários milionários (mesmo que suadinhos), os Jaguares, os barcos de recreio e as mansões???
Os velhos reaccionários do costume
Ou seja: a independência da SIC e da TVI só existe porque existe RTP. A TSF e a Renascença também só são independentes porque existem as rádios públicas. Quanto aos jornais, coitados, desde a privatização dos diários do Estado que não passam de folhecas sem qualquer independência.
Há cabeças que nunca mudam. Paciência.
Privatizações
A minha crónica da Rádio Renascença.
Um dos nossos “clusters” mais promissores
Portugal gera 2% das exportações mundiais de calçado
Houve uma “revolução” neste sector, ocorrida nos últimos 3/4 anos. Sem subsídios, sem grandes planos de qualquer ministro da economia, fundamentalmente à custa da inovação dos nossos sempre diabolizados “empresários de vão de escada”. Que vêm aumentando as exportações, apesar de as fazerem numa moeda forte (será que eles defendem a nossa saída do euro???) e apresentando o 3º maior preço médio do mundo (USD 25,90 por par, face aos USD 3,39 da China), o que indicia estarem a concorrer na base da qualidade. Claro que à custa de uma vergonhosa exploração da classe operária: em 2010, os salários no sector do calçado aumentaram “apenas” 13%…
Uma estratégia a seguir pelos outros sectores, pois o futuro passa por aqui.
P.S.: Imagem retirada daqui
Óptimo!!!
S&P ameaça dar rating especulativo a eventuais eurobonds
Pelo racional das teorias da conspiração, estes tipos estarão a fazer o frete à Angela Merkel e(ou) aos “gringos” que querem destruir o euro. Mas se isto levar os governos a focalizarem-se no que é estruturante – reduzir despesas, défices e dívidas – estaremos perante uma louvável especulação, com a defesa implícita de uma boa causa.
Não haverá ideias luminosas para cortar na despesa?
Bastonário da Ordem dos Médicos defende criação de imposto sobre a fast-food
Começa realmente a ser irritante ver tantos “zelotas” preocupados em arranjar mais dinheiro para o Estado. Garantidamente que esperam vir a ser beneficiários.
O 74.º e último ‘Tiro ao Alvo’ na Notícias Sábado (3.IX.2011)
Uma antiga oração pela Justiça
Seria bom que se enfrentasse o problema da formação dos nossos magistrados: o modelo actual falhou. Foi idealizado para uma realidade entretanto superada, não se soube adaptar e apenas demonstra uma lógica de sobrevivência intrínseca, desinteressada das precisões do sistema que deveria servir. Há muito que o CEJ não forma magistrados dignos desse nome – plagiando o pior das faculdades, limita-se a expelir vagas de técnicos de direito que decoraram códigos, critérios e instrumentos de aplicação normativa sem procurarem atingir qualquer rudimento lógico que alicerça a sua função. Salvo algumas excepções, no momento precoce em que são soltados para os tribunais, os magistrados são culturalmente analfabetos e tentam colmatar as suas outras falhas no saber que só a experiência da vida confere com uma pose emproada, mas sem chão, que já só impressiona os demasiado sensíveis e cansa todos os demais. Um velho dito português, infelizmente esquecido nas suas várias dimensões, ensinava a seguinte prece: «Que Deus nos livre dos juízes novos e das rameiras velhas»…
Freud deve explicar isto
Vale a pena ler este artigo do El Mundo «Elia Kazan, genio y traidor» porque ele é bem sintomático daquilo que se chama superioridade moral da esquerda. Qual é a traição de Kazan? Leia-se o palavreado do El Mundo e fica a perceber-se: Kazan quando era jovem era de esquerda: «Una conciencia de clase que le llevó a unirse al Partido Comunista en su juventud, cuajada de idealismo y amor por el teatro y la actuación» Enfim a adesão ao comunismo resulta de coisas positivas como a consciência de classe e da juventude cheia de idealismo. Quando mais tarde Kazan depôs no Comité de Actividades Antiamericanas e aí denuncia «antiguos compañeros del Group Theatre» ter-se-á tornado um traidor: «Él nunca aclaró por qué lo hizo, parece que por convicción, que acabó eligiendo el capitalismo“» explica ao El Mundo o director do ciclo de cinema dedicado a Kazan. Como é de esperar na opção pelo capitalismo não se invoca a consciência de classe ou o idealismo que tinham sido invocados para explicar a sua pretérita adesão ao comunismo. Quanto à delação de Kazan ela só entra no âmbito da traição porque Kazan «acabó eligiendo el capitalismo». Se Kazan continussa na área do comunismo poderia como alguns intelectuais fizeram em Portugal em 1974/1975 denunciar, perseguir e sanear colegas que jamais lhe chamariam traidor. E caso tivesse participado no interrogatório a presos políticos como sucedeu com alguns intelectuais angolanos na tristemente conhecida Comissão das Lágrimas andaria pelo mundo tranquilamente a apresentar-se como um resistente.
A história interminável
Temos um caso de fugas de informação nas secretas que é todos os dias noticiado com base em novas fugas de informação que, por sua vez, motivam novas investigações e consequentemente mais fugas de informação. A par disto temos uns serviços de informações que não podem efectuar escutas – o que no século XXI equivale a ter uma rede de transportes internacionais baseada no triciclo e que obviamente é para ser desrespeitado todos os dias. Para tornar mais fantástica esta história temos ainda o facto de empresas terem recorrido ao SIS e ao SIED por uma espécie de porta do cavalo para obterem informações sobre a segurança de certos investimentos/ investidores. Então o que andam a fazer os homens do Programa de Segurança Económica criado pelo mesmo SIS?
Há raposa no galinheiro
Parece-me inevitável que um serviço de informações tente infiltrar as instituições onde existem informações. As empresas de telemóveis são um caso óbvio. Mas há outras. Por exemplo, os serviços que controlam o Cartão do Cidadão, sistema de informações da justiça e serviços de geolocalização (empresas de telemóveis, BRISA, serviços de GPS). Os serviços de informação terão até interesse em infiltrar empresas especializadas em segurança informática, como as que fazem as auditorias que nos garantem que os sistemas informáticos públicos são seguros. Quem se dedica à recolha de informação está a um passo de se dedicar à manipulação de informação. Alguns alvos apetecíveis: resultados eleitorais, registros de propriedade e o cadastro criminal. E quem se dedica à recolha e manipulação de informação tem todo o interesse em controlar a Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Também estarei neste Forte…
Ele há coisas
Andámos anos a fazer de Kadhafi um líder carismático. Em 2003 a Líbia foi escolhida para presidir ao comité de direitos humanos da ONU. E agora estão todo muito chocados porque este governo e aquele se serviram de Kadhafi. Aliás o azar de Kadhafi foi estar Obama na Casa Branca. Caso estivesse um republicano a Líbia seria hoje um país mártir, anunciar-se-iam catástrofes futuras imensas, a Europa estaria cheia de manifestações de “Não à guerra” e o professor Boaventura já andaria aos gritos com o petróleo.
Assim a Líbia é um oásis de esperança. Enfim como escreveu o Rui Ramos no Expresso
A oriente nada de novo.
serve-se fria
MFL.
Nada de novo
O governo já aumentou os impostos. Anunciou que irá fazer cortes na despesa.
A diferença temporal entre os dois momentos serve para pagar aumento de despesa.
Um disparate?!
“Pagar obras na escola foi um disparate dos pais”. Foi assim que o Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Albino Almeida, reagiu a esta notícia.
Hipotéticas questões jurídicas e/ou (eventualmente) procedimentais à parte, não se percebe muito bem o receio de Albino de Almeida. Menos ainda os argumentos avançados: “Não podemos construir no sistema público escolas privadas”, afirmou Albino Almeida, para quem “o desafio do pais é qualificar todas as escolas”.
Não se compreende onde é que Albino de Almeida vislumbra, nesse simples acto, o nascimento de uma “escola privada”, enxertada numa escola pública (?!), nem sequer porque é que aqueles pais, daquelas 56 crianças em particular, têm que se preocupar em “qualificar todas as escolas”! Preocupar, até com certeza que se preocupam, cívica e abstractamente…mas, no caso, naturalmente, preocuparam-se, antes de mais (e bem), em resolver o seu problema e o dos seus filhos.
Será que para Albino de Almeida coisas como, por exemplo, doações ou mecenato (cuja Lei, infelizmente, entre nós, quase não funciona) são também perigosas e um disparate? Não poderão, quando, porventura, os beneficiários sejam entes públicos, criar serviços privados dentro do Estado?!
Novas da fé
Passado o entusiamo com os eurobonds mais os ricos que podiam pagar a crise vamos entrar na missa da vida para lá da dívida. Como a fé dos crentes nestas vidas paradisíacas não tem limites e os seus pregadores têm uma energia inesgotável convém recordar o inferninho que tem sido a nossa vida para lá défice. À laia de guia laico em prol do viver com os pés na terra e descrença absoluta nos paraísos que nos dizem existir para lá da dívida e do défice aqui deixo uma lista das frases inventariadas pelo João Miranda e que é o esse catecismo “da vida para lá”. A primeira dessas frases – as contas públicas estão controladas – foi proferida em Julho de 2009. 2 077 695 de portugueses acreditaram.
E ninguém lhe perguntou que coisas são essas?
Não posso acreditar que as alminhas que estão em Castelo de Vide não tenham tentado perceber o que existe para lá da dívida quanto mais não seja porque estamos a amargar com tiradas do género sobre a vida para lá do défice e do orçamento!
PPC esmaga PPC
Com tanto novo imposto, o PPC (Pedro Passos Coelho) vai conseguir diminuir, ou até esmagar, o PPC (pib per capita).
Abriu a caça aos ricos. Suspeito que os pobres é que vão sofrer
É fácil, é popular e, dizem, dá milhões. Há crise? Paguem os ricos. Durante dias a fio fomos ouvindo a cantilena – aumente-se a taxa de IRS paga pelos mais ricos, como em França; aumente-se o IRC para quem tem milhões de lucro; exproprie-se uma parte das grandes fortunas; taxem-se as heranças e as deduções – e tudo ficará mais fácil para os pobres. Ou até para os remediados.
Anteontem o governo fez parcialmente a vontade a este coro de carpideiras. E se em França o imposto pago pelos ricos deles (mais de 500 mil euros/ano) passou de 41 para 44 por cento, em Portugal os nossos “ricos” (mais de 150 mil euros/ano) terão de pagar 49 por cento. Pior: os rendimentos acima dos 50 mil euros/ano serão todos penalizados com uma taxa de 2,5 por cento. Mesmo assim este “imposto de solidariedade” não renderá mais do que uns meros 100 milhões de euros, uma pequena gota no oceano dos quase 10 mil milhões que vale o IRS.
Os partidos da despesa pública
Primeiro açoitavam o Governo porque, diziam, não cortava na despesa pública. Acolitados por muitos idiotas úteis que se juram de ‘direita’ e, até, ‘liberais,’ em irrecuperável estado de adição a qualquer modismo medático, os muitos que ainda vêem a governação como um exercício incessante de dissipação do erário público acusavam um Governo com 2 meses de não podar a despesa do Estado.
Contudo, mal surgem os tão almejados cortes, o discurso muda (embora com os mesmos protagonistas) – em uníssono, denunciam os cortes cegos, falam da insensibilidade social, dos perigos em poupar dinheiro e, claro, surgem as demissões concertadas da rapaziada socialista.
Esta turbulência política não parece perturbar muita gente. Muito menos os media que lhe dão voz…
Viva, apoiado, bis, parabéns….
Lestos e implacáveis a cobrar, lentos e suaves a cortar
Desde que tomou posse, o governo já anunciou 3 (três!!!) aumentos de impostos, dois dos quais (IRS extraordinário sobre o subsídio de Natal e aumento do IVA sobre a electricidade) se efectivarão no corrente ano.
Diz-se que hoje será finalmente anunciado o corte na despesa para 2012, num montante equivalente a 1,3% do PIB, o que cumprirá o acordado com a Troika.
Para quem queria ir além do proposto pela Troika, convenhamos que é um objectivo muito pouco ambicioso. Estamos a falar numa redução na ordem de 2,2 mil milhões, valor exíguo numa despesa total que anda nos 87 mil milhões e num défice que deverá rondar os 17 mil milhões. Considerando que o acréscimo de receita dificilmente se cumprirá, por via da recessão e emigração que se irão aprofundar em 2012, seria prudente no mínimo duplicar o objectivo no corte da despesa. Mas já sei que isto é uma quase impossibilidade pelos interesses em jogo.