Menos mal, menos mal
Nada indica melhor a falência do regime que as intermináveis discussões sobre as características deste; se as golas não funcionam, o que conta é a intenção positiva de as distribuir; se o menino não entra na universidade, pode comprar a vaga; se o país arde é porque ao menos não congela; se a direita incomoda a virgindade noticiosa de percalços do governo, torna-se a direita em aliada da esquerda com “fact checking” de “fake news” contra o “populismo”; se o país cresce menos do que devia é porque os outros estão a crescer mais do que é suposto.
Tudo isto é verdadeiramente insuportável, mas sofrivelmente português: cá se vai andando, menos mal, menos mal. Podia ser bem melhor, mas, convenhamos, também podia ser pior. É essa possibilidade, a das coisas poderem sempre ser piores, que nos alenta nas noites frias das “alterações climáticas” e nas quentes do “aquecimento global”.
Podemos ir gamar aos estrangeiros todas as ideias que quisermos para evoluir o país: só não nos tirem o sentimento perpétuo de uma vida que podia sempre ser pior, pelo que menos mal, lá se vai andando. Há quem diga que é preciso mudar mentalidades: infelizmente, não são esses que emigram.
O silêncio explicado

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O comum dos mortais perante a legislação
A propósito das polémicas recentes, do desconhecimento de regulamentos existentes, da falta de proporcionalidade das sanções e da injustiça da legislação, pergunto-me se ao cidadão comum é concedida a faculdade de contemporizar perante as situações em que se veja envolvido, admitida a hipótese de questionar a sua aplicação e facultada a possibilidade de recurso em tempo útil e a custo comportável a pareceres jurídicos sobre os casos.
Quando a ética e a conduta moral são definidas pela legislação, o que o legislador nos impõe só pode dar mau resultado e virar-se contra as pessoas.
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“um exemplo de integração”
Un terrible crimen sirve de excusa a los ultras alemanes para avivar la xenofobia
Este título do El Pais é um símbolo do estado de negação a que a Europa chegou: houve um crime, não se sabe praticado por quem mas certo é que esse crime que não sabemos qual é nem quem o praticou está a avivar a xenofobia dos ultras alemães.
O crime foi tão só um homem ter atirado duas mulheres e uma criança à linha do comboio. A criança morreu. Dois parágrafos depois sabemos que o homem é natural da Eritreia, foi acolhido como refugiado na Suíça e segundo as autoridades era “um exemplo de integração”. No entrementes o “exemplo de integração” fechou a família em casa. ameaçou uma vizinha com uma faca e acabou a atirar mulheres e uma criança à linha do comboio.
Felizmente as autoridades já concluíram que o homem deve sofrer de um transtorno mental. Os últimos trẽs parágrafos do artigo são dedicados a detalhar como “el ataque ha servido a los ultras de excusa para exacerbar la xenofobia y extender la sombra de sospecha sobre todos los extranjeros.”
Degolação em curso?
A Helena pede o óbvio, mas Cabrita já vem sendo esturricado pelo folhetim das golas e dificilmente se manterá no cargo. Não pelo nível escabroso que todo este processo atingiu, que isso são minudências para um governo socialista, sempre apostado em mostrar ser possível cair ainda mais baixo; mas porque tudo deflagrou com uma machete do JN, um dos esteios da imprensa amestrada pelo PS e onde nada se publica sem passar pelo “lápis azul” de Costa.
Ou seja, as golas inflamáveis serão mero pretexto para uma degola inserida num processo de depuração interna que, depois, nos será naturalmente apresentado com a habitual fanfarra propagandística como um exemplo da ética republicana e socialista.
Mas o que fez Cabrita de tão grave que justifique a sua imolação? Quanto a mim, o homem cometeu a heresia suprema, quis intervir no “negócio do fogo”, um monopólio dominado por “instâncias superiores” e ainda por cima, fê-lo de uma forma assaz liberal, permitindo adjudicações numa base descentralizada. Hoje são os tipos de Arouca, amanhã serão os de Alvaiázere ou de Castanheira de Pêra e qualquer dia temos o negócio pulverizado por toda a plebe das Câmaras e Juntas de Freguesia. Nem a Constança faria tamanha asneira.
Com a sua próxima demissão, teremos mais um “assunto encerrado” (Costa dixit). O País envelhecido encolherá resignadamente os ombros e irá para férias. E o líder da oposição, em vez de pedir alto e em bom som a intervenção do Ministério Público, num tema em que para além da bolsa, está em causa a segurança dos cidadãos, a função mais core do Estado, limita-se a uma mui atenta, veneranda e respeitosa questão no Twitter. Costa naturalmente agradece a deferência.
Não há mas nem meio mas Eduardo Cabrita não reúne condições para ser ministro de coisa alguma e muito menos da Administração Interna. Eduardo Cabrita ou se demite ou é demitido.
Protecção Civil: honra e glória
Será pura coincidência, mas o secretário de estado da Protecção Civil é de Arouca e enquanto presidente da respectiva Câmara Municipal já tinha feito adjudicações directas a outra empresa dos mesmos sócios da BrainOne, constituida em Fev/2017, esta uma das sociedades consultadas no processo da produção das famosas golas da Foxtrot.

A BrainOne foi constituída em 2017-02-17 com sede em Arouca, tendo por objecto principal a consultoria e programação informática e por sócios Tiago Rodrigues, Nuno Mendes e Pedro Pereira. A Código Disponível foi constituída em 2015-04-02 tendo por objecto principal sistemas de deteção de incêndio e extinção automática, sistemas de controlo de acessos e assiduidade e tendo por sócios os mesmos Nuno Mendes e Pedro Pereira.
Entretanto, a AGIF-Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais gastou 52.000€ num estudo de opinião sobre a eficácia das campanhas de sensibilização da população denominadas “Aldeia Segura/Pessoa Segura” e “Floresta Segura”. (os dois contratos mencionados abaixo no portal Base penso que são o mesmo, embora com datas de registo diferente).

Entrementes, o filho do Secretário de Estado da Protecção Civil é sócio (50%) de uma empresa de serração de madeira, aplainamento, corte e secagem de madeira constituída em Maio de 2017:
POSTESCALIPTO, LDA
NIPC: 514408758
4540 – 048 Alvarenga – Arouca
Constituição: 2017-05-08
OBJECTO: Serração de madeira, aplainamento, corte e secagem de madeira;
CAPITAL : 5.000,00 Euros
QUOTA : 2.500,00 Euros
TITULAR: Nuno Valente Neves
Este membro do governo, aparentemente, terá omitido o registo deste interesse correlacionado na Assembleia da República, embora o tenha feito para outra sociedade em que o filho é sócio minoritário:

Esta é pois uma história de honra e glória.

Dicionário português-progressivo
Desacato: performance através da qual os portugueses demonstram o seu extraordinário amor pelos serviços públicos.
Fogo florestal:intenção de ofuscar o PS
A alimentação é o novo sexo: extraordinária evolução dos costumes que leva a que os adolescentes portugueses possam mudar de sexo sem relatório médico mas seham impedidos de ver os anúncios às bombocas.
Incidente e rixa: Um não sei quê que aconteceu em Queluz, que nasce não se sabe como na Amadora; Vem não se sabe como do Monte da caparica; e acontece não se sabe porquê.
Costa, o empresário
No ano passado o Observador publicou um artigo de fundo sobre o filho de António Costa, mas mesmo antes da sua publicação já se comentava que o futuro de Pedro Tadeu Costa estaria a ser cuidadosamente preparado.
Pois bem, mais cedo do que tarde estará a presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, lugar a que chegará em substituição do actual presidente Pedro Cegonho, dada a mais do que previsível eleição deste último como depudato à AR nas próximas Legislativas.
Segundo relatos da imprensa, Pedro Costa vê-se a si próprio “mais como homem de negócios e menos de política”. No entanto, aos 24 anos, decidiu aceitar o convite do seu primo António Cardoso e integrou a lista socialista de candidatos a uma Junta de Lisboa e acabou por ser eleito como membro da Assembleia de Freguesia.
Pouco tempo depois o presidente dessa junta foi acusado de assédio sexual e duas vogais pediram a demissão. Com esta circunstância Pedro Tadeu assumiu o pelouro da Inovação e do Empreendedorismo. Note-se que apesar de ser apenas o 14º na lista, foi nomeado para o executivo pelo seu primo António Cardoso. Um grande salto que o filho do primeiro-ministro justifica por ter sido “escolhido por razões que não me compete a mim explicar”.
O rapaz que diz ser um empreendedor foi membro da Juventude Socialista com ficha de proponentes assinada por Duarte Cordeiro (hoje secretário de estado no governo de António Costa) e Francisco César (sim, filho de Carlos César). Em 2017, o jovem empresário acaba por se filiar mesmo no Partido Socialista mas diz que essa decisão “foi muito refletida” e que “levou muito tempo a ser tomada“.
Nesse ano este homem de negócios foi ainda ter com o presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique e manifestou-lhe a disponibilidade para integrar as listas àquela autarquia nas eleições de 2017. O líder empresarial viria a ocupar o 3.º lugar da lista de candidatos, tendo sido eleito vogal na freguesia e lhe atribuído um pelouro.
Entre os cargos que assumiu nas duas Juntas, o filho de António Costa, certamente fazendo jus às suas intrínsecas qualidades de dirigente empresarial, contratou para seus assessores pessoais três amigos, pagando-lhes salários com o dinheiro dos contribuintes. Num desses casos justificou até a contratação do amigo por ser para “um cargo de confiança” que consistia em “andar na rua a ver o que está limpo e o que não está“.
Moral da história: Portugal tem excelentes empresários.

Se eu tivesse um jornal
Costa e as botas de sete léguas
Em 43 anos – desde o momento em que apresentava o programa de TV “Botas de Sete Léguas” até à data de hoje – António Costa conseguiu ficar a “falar” ainda pior Português e agravar a sua dicção.
Mas mantém o hábito de aparecer em público a dizer coisas assumindo que quem o ouve é infantil. Continua também a ser o pivô de um programa próprio de uma história de fadas.
O problema é que a simpática e popular crença de que calçando umas botas mágicas se consegue andar mais rápido e chegar mais longe não dura sempre. Ou chegamos a adultos e deixamos de acreditar em fábulas. Ou, caso prefiramos viver como num conto, a realidade da vida encarregar-se-à de se mostrar e impôr honesta e cruel.
Abaixo, um video curioso.
Boring Johnson

Tivemos esta semana, como se ainda fosse necessário, mais uma prova da imensa superioridade da democracia portuguesa em relação às suas congéneres internacionais. O Reino Unido viu-se sem primeiro-ministro e, numa manobra política rápida, previsível e tremendamente entediante, encontrou um substituto. Esse exercício, baseado num sistema excêntrico a que os nossos velhos aliados dão o nome de parlamentarismo, despertou, como é evidente, forte repulsa no nosso país. Habituados que estamos à excelência do nosso regime, e suportados por uma vasta e secular tradição democrática, era inevitável que não resistíssemos à tentação de dar umas lições a esses rústicos ilhéus.
A verdade é que o grau de civilização de um povo também se vê na complexidade da sua arquitectura institucional e, como é evidente – pelo menos para nós –, quanto mais complexo, melhor. É a diferença entre uma tasca que só serve sandes de leitão e copos de maduro tinto e um restaurante com um menu à la carte carregado de opções. No Reino Unido tiveram de comer, salvo seja, o bacorinho loiro e despenteado; já em Portugal, terra sofisticada, a coisa seria menos líquida. E estaria dependente, como é normal nos universos requintados, do ano e dos caprichos, perdão, do estado de espírito dos vários intervenientes. Se estivéssemos em 2015, ano em que se considerou que a Assembleia da República é soberana, Boris Johnson não teria qualquer problema; se fosse em 2004, durante o Verão, seria sujeito a um suspense de fazer inveja a Hitchcock e só depois poderia sentar o rabo no Palacete de São Bento; ainda em 2004, mas desta vez já com o cheiro a rabanadas no ar, teria de procurar outra ocupação e perceber que neste país, como esforçadamente nos transmitem variadíssimos comentadores, reina a “geometria variável”.
Pelo caminho, Boris Johnson perceberia também outra coisa: os parlamentaristas de 2004 são os antiparlamentaristas de 2015; os antiparlamentaristas de 2004 são os parlamentaristas de 2015; e um dos parlamentaristas de 2004 – chamemos-lhe, para harmonizar conteúdos, o “rainha de Inglaterra” – é simultaneamente um dos antiparlamentaristas de 2004, o que vem provar que o pénis masculino não é o único órgão que vê a sua grandeza diminuída pelo frio.
com que ideias, com que projecto e com quem?
Ao que tudo indica, a direita do regime sairá num estado comatoso do acto eleitoral do próximo dia 6 de Outubro. Pela primeira vez, desde o 25 de Abril de 1975, os partidos que hoje formam o seu conjunto – PSD, CDS, Aliança, Iniciativa Liberal e Chega, os cinco candidatos a eleições regidas pelas normas constitucionais vigentes – arriscam-se a ter um resultado inferior a 30% e, com isso, entregarem, não só, uma maioria parlamentar absoluta à esquerda, mas uma maioria qualificada de 2/3. O possibilitaria, pela primeira vez na nossa democracia, que uma única área política pudesse rever a Constituição sem necessidade da outra.
Consequentemente, e porque quatro anos passam depressa e a próxima legislatura pode até nem os esgotar, os partidos que pedem o nosso voto para o próximo dia 6 de Outubro deveriam dizer-nos o que querem fazer com ele para reconstituírem a área política que integram e apresentarem um projecto comum alternativo ao socialista. Sem isso, arriscamos a que o regime continue nas mãos da esquerda e da extrema-esquerda por muitos anos, mexicanizando-se, ou, pior ainda, a que alguns dos partidos da direita regressem ao poder sem saberem o que lá vão fazer. Como sucedeu com Durão Barroso, com os miseráveis resultados de que ainda hoje estamos a padecer.
Numa troca de tweets com o Carlos Guimarães Pinto, presidente da Iniciativa Liberal, ele adiantou-me que, em sua opinião, o caminho passaria por encontrar ideias que suportassem um projecto político, naturalmente de partidos e pessoas, por esta ordem sucessiva de importância. Posso concordar, mas não ignoro que as ideias e os projectos de nada valem sem pessoas que acreditem neles e sejam capazes de os realizar. Por mim, a ordem dos factores é, por isso, a inversa, já que sem as pessoas certas, nos lugares certos, nunca se chegará às ideias certas, nem a um projecto político acertado. Se assim não fosse, seria indiferente que à frente do PSD estivesse Rui Rio ou outro político qualquer, e creio que todos já percebemos que não é assim.
Deste modo, o que um humilde eleitor, como eu, pode, de momento, ambicionar é que os responsáveis partidários lhe digam o que farão com o seu voto depois do dia 6 de Outubro, caso ganhem as eleições (compreendo, estamos em campanha eleitoral…) ou as percam. Até agora, infelizmente, com excepção do Miguel Morgado, que não tem responsabilidades partidárias, não vi ninguém a fazê-lo. E convém ter presente que quatro anos passam muito depressa e não se arranjará uma solução para este problema de um dia para o outro.
O desacato do dia
Espantoso
O paradoxo da igualdade entre sexos
Neste primeiro episódio de um total de sete foram ouvidos especialistas de várias nacionalidades e áreas. A Noruega, um dos países do mundo em que a igualdade de género existe, tem por lá uns cientistas sociais que negaram veementemente o factor biológico nas escolhas entre meninas e meninos desde tenra idade e, mais tarde, nas profissões. Outros especialistas noruegueses ou de outros países, pelo contrário, concluíram o óbvio: que a biologia conta e a cultura também conta. Um deles até disse: a questão não é se conta ou não, mas sim por que razões é que conta e como isto evoluirá.
Mas o mais impressivo nisto tudo foi a recusa ideológica por parte dos cientistas sociais em se afastarem da sua hipótese inicial, isto é, que o factor biológico não conta. Foi até patética a forma como foi enunciado o método científico por um dos fulanos.
Evidentemente, isto não é inocente. A cultura igualitária (não falo de direitos, evidentemente) tem como objectivo satisfazer uma clientela política. Sucede que, paradoxalmente, quanto mais livres de escolher mais os homens preferem em média profissões de homem (no vídeo, engenheiros) e as mulheres profissões de mulher (no vídeo, enfermeiras). E note-se: houve quotas e políticas para tentar corrigir isto, mas, conforme referiu uma senhora do governo, o efeito foi de curto prazo; passados dois anos tudo voltou às escolhas normais. Um vídeo muito instrutivo para os deterministas sociais. Biologia conta, evidentemente.
A ler
Grande Cabrita!

Este Cabrita, depois dos 120 mortos de Pedrógão, ainda tem o descaramento de, hoje, mandar calar um presidente de câmara e acusá-lo de não estar interessado na segurança da população local.
Pois toma lá, oh Cabrita!
*
António Costa vai pedir ou não desculpa a Mação?
Costa refere que autarcas são “primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho” – Claro, aqui é fácil falar. Mas lá está calor, muito calor. Não há gente. São ruas e ruas de casas fechadas. Quando há alguém é velho.
E sim, muitos deles pagaram a limpeza dos terrenos que aqui em Lisboa, os comentadores, sentados nos estúdios de televisão, com os seus ares condicionados a funcionar, dizem com ar furioso que têm de ser limpos. Pois têm mas sabem quanto custa essa limpeza? Tẽm noção que aquilo aque chamam floresta – e enfatizam a palavra como quem está a ver um documentário em que as aŕvores estão todas no sítio certo – não passa muitas vezes de uma sucessão de mato e árvores sem valor comercial? Sabem por quanto se vende um pinheiro, caso este sobreviva à doença e aos fogos?
O que queria dizer António Costa com esta baboseira? Que cada autarquia vai dotar-se dos meios necessários para combater os incêndios? Então vamos ter um meio aéreo por concelho? Terá mesmo noção do que disse?
Após o incêndio de 2017, O município de Mação foi excluído do acesso ao Fundo da União Europeia que deveria financiar a 100% os prejuízos daquela catástrofe. Porquê? Alguém consegue explicar, porquê?
E agora em 2019 depois da vergonha que foi a actuação do poder central durante o combate ao incêndio em 2017, depois ainda do escândalo da exclusão do municipio de Mação do o acesso ao Fundo da União Europeia (em que o governo foi derrotado em tribunal), vem o primeiro-ministro sacudir culpar os autarcas? Ou será que o cerco tanbém já se aperta em torno dos autarcarcas não socialistas?
Resposta de Vasco Estrela, presidente da câmara de Mação, a António Costa
O que esconde a demolição do Prédio Coutinho?
A VianaPolis nasceu com Sócrates esse visionário das obras megalómanas que faliu Portugal. Só por aqui já se percebe a utilidade da “coisa”: criar bons tachos, bem remunerados (um dos administradores da VianaPolis ganha mais de 5000€/mês) para os boys do PS e tapar o gigante buraco financeiro deixado pela Parque Expo de mais de 100 milhões de contos indo buscar 9,4% de comissão em média às Polis como o comprovam vários documentos trocados entre PE e VianaPolis. Ah pois é…

E como nasceu então essa pérola das sociedades Polis? Pelo que se pode ler no relatório da auditoria feita em 2000 pelo TC às contas do Parque Expo, com vista ao saneamento das dívidas foi feito uma reestruturação da empresa celebrando com o Estado um Contrato-Programa no qual se determinava um conjunto de regras e princípios que visavam um revocacionamento estratégico da PE, a partir de 2000, com as missões, entre outras, de potenciar as competências desenvolvidas no projecto de intervenção urbana da Expo98 noutros projectos de recuperação e requalificação de zonas urbanas exteriores ao Parque das Nações; colocar à disposição de outros eventos relevantes as capacidades detidas pela PE. Ainda, no enquadramento da necessária reestruturação financeira, e à luz da sua nova missão empresarial, compensar o custo financeiro líquido da Exposição suportado pelo grupo; compensar os custos relacionados com os investimentos excepcionais em acções de “Requalificação Urbana” e “Bens Dominiais” assim como garantir as condições necessárias à sustentabilidade económica-financeira da PE”. Dúvidas?

A Parque Expo deveria ter tido custo zero sendo exclusivamente financiada pela venda dos terrenos e receitas do evento. Mas ao invés disso, depois de uma gestão com trabalhos a mais, prémios injustificados e sobrecustos, apresentou 113,6 milhões de contos de prejuízo. Em 2004 a PE pedia um aumento de capital entre 5 a 8 milhões em espécie – património imobiliário como terrenos urbanísticos, ao Estado – para sanar dívidas e eliminar passivo. Percebem agora a pressão sobre as Polis?

Não estava escrito em lado nenhum a inclusão do Prédio Coutinho na requalificação urbana. Apesar do actual Ministro do Ambiente afirmar que fazia parte do plano estratégico, foi desmentido pela própria Quartenaire de que fez parte. Então como surge este prédio na equação? Por proposta do ex-autarca Defensor Moura que o “ofereceu” à Polis por o considerar “inestético”.
Foi dado início à “criação” de um motivo “legal forte” para conseguir a expropriação demolindo primeiro o Mercado Municipal existente a 100 m do Prédio Coutinho, ainda novo, e bem no centro histórico, alegando à época (para não levantar suspeitas) que seria removido dali para a periferia da cidade porque às 3f e 6f, dias de mercado, o centro ficava intransitável. Mais tarde, a autarquia constrói um bloco habitacional, nesse mesmo local onde acabaria por realojar moradores do Coutinho. Entretanto, seguia a “declaração de utilidade pública” para demolição do prédio com base na necessidade de se construir ali o mercado e com carácter urgente! Nasce assim a primeira “manobra” da VianaPolis: criar uma necessidade para alegar depois a necessidade de utilidade pública.
Mas as “manobras” não se ficaram por aqui. Com o Estado a assumir a dívida 20 milhões através do OE em 2012, e com prejuízos sucessivos por não ter conseguido realizar as verbas necessárias com a venda de terrenos do parque da cidade, e a UE ter dito claramente que este tipo de obra (demolições por razões estéticas) não seriam financiadas, a autarquia consegue a proeza contabilística de apresentar 3 anos consecutivos de prejuízos, com resultados “zero”, evitando assim sua extinção o que segundo especialistas, é um “case study”. (Veja aqui)
E quais foram os gastos até 2017 com base nos documentos oficiais, referentes ao prédio Coutinho? Vejamos:
- Resultado negativo das expropriações e venda de terrenos do Parque da Cidade: 5 660 000,00€;
- demolição do mercado novo existente e construção de realojamentos: 9 175 126,27€;
- renda do aluguer do edifício do mercado: 440 869,16€;
- compra do edifício do mercado alugado: 1 105 725,15€;
- condomínio no prédio Coutinho: 132 000€;
- indemnizações aos moradores: 15 900 000€;
- o valor adjudicado para demolição custará (sem contar com os já recorrentes inflacionamentos das obras públicas depois de iniciadas) 1 168 536,41€;
- com advogados: 490 875,00€;
- remunerações com Mesa da Assembleia Geral, Conselho Administrativo, Fiscal Único: 129 323,80€;
- o SEGUNDO projecto do novo mercado (depois de pagar e anular o primeiro) adjudicado por ajuste directo: 73 700,00€.
Assim, foram subtraídos 34 216 155,79€ ao erário público só até 2017.
Não é difícil perceber o que está aqui em causa. Nunca foram as questões ambientais/visuais/estética que criaram esta necessidade polémica de demolição. Na verdade, foi sim o argumento para validar uma intenção de meia dúzia de indivíduos com interesses monetários nesta obra megalómana. Se as questões ambientais e arquitectónicas fossem tão prementes na cidade nunca esta autarquia teria autorizado a devastação da encosta do monte Santa Luzia com edifícios de grande volumetria e estética duvidosa completamente desenquadrada; nunca alteraria o plano de pormenor para que um Hotel previsto no Parque da Cidade inicialmente com 4 andares, crescesse para 8 (como fizeram em 1970); jamais autorizaria abortos arquitectónicos recentes tão altos como o Coutinho mas muito mais feios amontoados à entrada de Viana; nem teria aprovado um novo projecto futurista do mercado com arquitectura totalmente desenquadrada da zona histórica. Isto são factos.
Em Vancôver no Canadá um edifício numa das ruas comerciais mais caras, a Robson Street, estava desalinhado e avançava sobre o passeio 3m. O prédio com 2 andares não foi demolido por respeito às pessoas que lá habitam tendo sido dado uma licença de utilização para a vida física do edifício que, enquanto lá tiver moradores, não é demolido por questões estéticas (apenas se ali passasse uma estrada, por ex.). Mas isto é nos países culturalmente superiores que cuidam do seu património e não brincam como nós aos legos com as cidades nem com a vida das pessoas. Exemplo? O Hotel Estoril Sol que demoliram por “questões estéticas” para lá colocar outro de estética igualmente muito questionável.
Não tenho dúvidas que as administrações das entidades empresariais na esfera do Estado, no dia em que forem responsabilizadas financeiramente pelas suas decisões, já não brincarão mais com a vida dos cidadãos e pensarão 3 vezes antes de aprovar projectos. Até lá isto continuará a ser uma festança constante de constrói hoje para desconstruir amanhã e assim enriquecer alguns à conta do empobrecimento do contribuinte.
ninguém sabe

Quando Rui Rio ganhou as eleições no PSD, fez questão de deixar claras as seguintes coisas: a) que, consigo, o PSD nunca seria um partido de direita liberal; b) que o seu parceiro natural, para as “grandes reformas”, não era o CDS, mas o PS; c) que o partido tinha andado por maus caminhos, com Pedro Passos Coelho, e ele iria agora repô-lo nos carris certos.
Esta mensagem foi aplaudida entusiasticamente por figuras do PSD, a quem esse partido nada deve a não ser derrotas, encabeçadas pela entusiasmante Manuela Ferreira Leite, que chegou a dizer que preferia um PSD “piqueno” a um PSD de direita. Muitos viam nela uma estratégia genial do líder, a quem vaticinavam um regresso rápido ao governo, de mão dada com António Costa. Mas essa mensagem contém um erro fatal: é que, desconsiderando a velha questão de saber se o PSD é, ou não, ideologicamente um partido de direita ou se é um partido de centro-esquerda e social-democrata, boa parte do seu eleitorado foi-o sempre.
Ora, esse eleitorado ficou profundamente desagradado com as danças nupciais que Rui Rio ia fazendo ao primeiro-ministro António Costa. Porque, como alguém dizia há uns dias, “para social-democrata já temos o PS; o PSD tem de ser um partido liberal”.
Como, de resto, sempre o foi, desde a sua fundação, a cargo dos mais destacados deputados da “Ala Liberal” marcelista, e como sempre o perspectivaram os eleitores: o PSD foi o partido que abriu o governo à direita, no pós-25 de Abril, com a AD e Francisco Sá Carneiro, e os eleitores votaram nesse projecto alternativo ao socialismo; o PSD foi o partido que pôs fim ao Bloco Central com o PS, com Cavaco Silva, e os eleitores deram duas maiorias absolutas a esse projecto alternativo ao socialismo; e foi o PSD de Durão Barroso e de Pedro Passos Coelho que ganhou eleições contra o PS, contra o pântano de Guterres e a bancarrota de Sócrates, porque os eleitores votaram em projectos alternativos ao socialismo.
Qualquer cego vê isto, menos o Dr. Rui Rio. Sucede que o Dr. Rui Rio não está à porta dos Congregados a pedir esmola, mas à porta de cada português a pedir-lhe o voto. Se estes não lho derem e entregarem o poder ao PS e à esquerda radical, o Dr. Rio só se poderá queixar de si mesmo e da sua inépcia política. Porque, no fim de contas, ninguém consegue hoje responder à pergunta essencial: que projecto alternativo ao do PS nos oferece o PSD de Rui Rio?
Eleições para líder da Oposição e Presidenciais
A menos que uma calamidade do estilo de Pedrogão aconteça e/ou que as sondagens sejam uma completa burla, tudo indica que a partir de 06 de Outubro próximo a Direita vai escolher quem pretende ter para líder da Oposição, se quiser fazer oposição, entenda-se…
Uma vez tendo António Costa de novo a chefiar um governo (agora sim, eleito) o primeiro e talvez único momento em haja oportunidade de encontrar um contrapeso e um travão ao acelerar da deriva totalitária socialista (por maioria de razão se ancorada novamente nos trotskistas e marxistas do Bloco e PCP) será em Janeiro de 2021 com as eleições Presidenciais.
Como Assunção Cristas já anunciou o seu apoio à recandidatura de Marcelo Cuecas de Sousa, o CDS só tem uma de duas alternativas: ou apoia um ajudante de Costa ou se livra da líder do partido, abrindo uma válvula de escape à escolha de outro candidato presidencial.
Mantendo-se Rui Rio à frente do PSD não é plausível a indicação de uma figura concorrente a Marcelo. Se houver uma mudança na chefia dos sociais-democratas o novo líder terá de se diferenciar e se afirmar através de um nome muito forte para a Presidência da República.
Não creio que tenha neste momento vontade para tal, penso que nem sequer as circunstâncias pessoais lho permitiriam e acho que não é justo que se lhe “exija” mais uma renúncia do seu interesse e conveniência próprias, mas a única pessoa que vejo com uma réstia de hipótese de vencer MRS é Pedro Passos Coelho. Dois ex-lideres do PSD em confronto será extremamente improvável, mas quiçá aquilo por que teria de passar a refundação da Direita.
Acaso não aconteça esta surpresa, resta-nos a certeza assegurada por Costa de uma longa noite de crise económica que se tornará evidente após as Legislativas e uma progressiva mas sustentada perda das nossas liberdades individuais.

Especifiquemos
business as usual
São vulgares estas coisas dos políticos em cargos executivos de importância distribuírem prebendas por amigos e apoiantes. Sem isso, o regime democrático não funciona, porque a sua essência é disputar e ganhar eleições, e estas só se vencem com apoios e dinheiro. Logo, uma vez no poder, é necessário retribuir, porque, sem isso, os apoios não se repetirão.
Uma das formas clássicas dessa retribuição, que a lei não impede, são os famosos contratos de prestação de serviços de escritórios de advogados, por onde saem milhões do governo central e das autarquias locais. Quem estiver minimamente atento aos últimos, pelo menos, trinta anos da política portuguesa, sabe muito bem quem são os escritórios e advogados beneficiados pelo regime que, nesta matéria, funciona plenamente em bloco central.
É evidente que quando mudam os titulares dos cargos políticos podem mudar os escritórios contratados, e, quando isso acontece, é um “ai-Jesus”, porque há folhas de salários para pagar e a vida não é fácil. Se os “despejados” são agressivos, podem tentar vingar-se de quem lhes tirou a gamela.
É isso, nem mais nem menos, que significa este caso de que está a atingir Rui Moreira, que, obviamente, contratou os seus para essas funções e afastou quem lá estava. Daqui por uns meses a coisa passa, num daqueles inquéritos sem fim do Ministério Público, e os que sucederem aos que estão agora na Câmara do Porto farão o mesmo aos seus antecessores.
Business as usual.
catástrofe
O PSD de Rio, ou melhor, o PSD a que Rio nos condenou, a 14% de distância do Partido Socialista. O CDS a descer abaixo dos 5% e de regresso fatal ao táxi. Os pequenos partidos não-socialistas recentemente criados, a Aliança e a Iniciativa Liberal (que insiste, com uma ingenuidade um tanto pueril, em dizer-se distante da direita) sem expressão eleitoral. A direita, no seu conjunto, se é que chega a formar um “conjunto”, com menos de 30% de intenções de voto, e uma frente de esquerda reforçada, que já começou a anunciar medidas do próximo governo, que serão muito mais agressivas e predatórias do que as do anterior. A direita sem liderança percepcionável depois da catástrofe de 6 de Outubro e até com a possibilidade de se esfrangalhar ainda mais após esse dia, com conflitos internos insolúveis. Os quadros e as pessoas competentes que a poderiam renovar fogem da política, porque ela não é um sítio bem frequentado. Um cenário que, nem nos tempos do deserto cavaquista, se tinha visto, em Portugal. Como é que se sai disto, ninguém sabe. Só parece saber-se que, nos próximos anos, é a isto que estaremos condenados. Nós, ou seja, Portugal.

É isto!
19. de Julho. Bloco quer englobar rendimentos prediais e de capitais no IRS
19 de Julho. BE quer fim das propinas durante a próxima legislatura
18 de Julho. BE quer adoção de medidas para proteger repúblicas de estudantes de Coimbra
18 de Julho. Rede de Teatros e Cineteatros. BE quer financiamento independente
15 de Julho. BE quer Serviço Nacional de Justiça e Lei de Bases da Justiça
15 de Julho. BE quer salário mínimo de 650€ em 2020
14 de Julho. BE quer legislar sobre o outsourcing e a “uberização” das relações laborais
13 de Julho. BE quer suspensão da linha circular do Metro de Lisboa
12 de Julho. BE quer mais vagas e rede pública gratuita de creches e jardins de infância
12 de Julho. BE quer contratos de trabalho para cuidadores formais e trabalhadores domésticos
12 de Julho. BE quer 100 mil casas com rendas acessíveis através de programa público até 2023
12 de Julho. BE quer apuramento de responsabilidades no processo Ambifaro
7 de Julho. BE quer criação de Ministério para a Alteração Climática<
3 de Julho. Bloco de Esquerda quer alargar dispensa de três horas para levar filhos à escola ao privado
…
Portanto os contribuintes pagam 30 mil euros por mês à VianaPolis que não serve para nada?
O ministro do Ambiente anunciou que a acção contra os últimos moradores no prédio Coutinho, em Viana do Castelo, pelos custos causados ao Estado com o adiar da demolição do edifício, será apresentada no fim das férias judiciais.
E que custos são esses? O funcionamento da sociedade VianaPolis detida em 60% pelo Estado e em 40% pela Câmara de Viana do Castelo. Quanto custa a VianaPólis? 30 mil euros por mês.
Silly silly season
As pessoas andam entretidas a discutir o racismo, as quotas e outras coisas que mostrem o quão virtuosos somos em relação aos outros. Acho engraçado porque é Verão. Temos todos recordações (completamente ficcionais) dos verões passados a discutir à mesa da nossa villa com vista para o Mediterrâneo os méritos de Fellini sobre Bergman no retrato da decadência burguesa, se La Traviata consegue atingir os píncaros cénicos da Turandot e quais as implicações da luta armada da ETA para o estabelecimento de uma mudança de mentalidades rumo à verdadeira luta de classes. Na realidade, tudo o que se passou em verões passados foi estarmos sentados à mesa desdobrável de um apartamento na sexta linha da Praia da Rocha ou de Benidorm a discutir se as gajas alemãs têm mamas grandes por natureza ou se são simplesmente gordas enquanto emborcando mijo a que o fabricante chamou por ironia de cerveja, tudo isso enquanto os miúdos mais novos nos cagavam nos pés por “ser uma boa altura para lhes tirar a fralda”, segundo a tia esquisita que até fez topless uma vez em Afife.
Há grandes deambulações sobre se o racismo é uma característica inata dos seres humanos ou se é uma invenção dos palermas que, mesmo assim, e por muito que se esforcem, não conseguem vender jornais. Eu acho que é uma delas ou até uma terceira. Há autos de fé sobre artigos que ninguém leria se não se tivesse iniciado o processo burocrático de crucificação por delito de opinião. Jesus teve sorte: não havia internet na altura, pelo que o processo decorreu com a normalidade necessária para não incomodar as pessoas desinteressadas com gritaria excessiva em zona árida.
Rui Rio quer mudar o nome do ministério da saúde para qualquer coisa que leu ao Orwell, o que acho bem, também alivia da outra maluquice. Como qualquer ressaca se cura com outra ressaca, também a histeria se cura com nova indignação histérica. O que não tem cura é a apetência dos portugueses pela indiferença perante problemas reais. A continuar assim, nos verões do futuro, podemos todos recordar o quão sagazmente discutimos a epistemologia dos média e redes sociais no Verão de 2019 debaixo da ponte com vista para o rio Lima. Com sorte, os moradores do prédio Coutinho nem precisam esperar.
Reformas à lá Rui Rio
Ministério da Saúde > Ministério da Promoção do Bem-estar
Ministério dos Negócios Estrangeiros > Ministério dos Assuntos Não-Autóctones.
Ministério da Defesa > Ministério da Protecção contra Ameaça Externa
Ministério da Administração Interna > Ministério dos Cuidados e Socorro à População
Ministério das Finanças > Ministério das Contas e Dinheiro do Contribuinte
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O racismo e discriminação não tem cor

Nesta foto tirada há 47 anos estou eu com apenas 5 anos. Acabara de entrar para a primeira classe. Desde o primeiro minuto fui vítima de racismo por ser estrangeira no Canadá. Sofri bullying assim que entrei para o ensino primário. O fotógrafo viera à escola e no dia em que a professora entregou as fotos, assim que vi a minha – feiinha e sem um dente – sabendo que ia ser chacota de toda a turma, (mais uma vez), tentei escondê-la, mas eles vieram atrás de mim. Queriam à força que mostrasse a foto e perante a minha resistência, arrancaram-na das minhas mãos e numa gargalhada sonora, andaram depois pela escola a exibi-la com desdém.
Foi sempre assim. Uma chacota constante: por causa do meu aspecto de chinesa; os meus lábios a que chamavam de beiças; por causa do meu apelido português (lá era obrigada a ter apelido do meu pai “Gonçalves” que soava extremamente mal quando pronunciado por canadianos); por ser portuguesa e falar uma língua esquisita; por causa da forma provinciana (aqui o termo é “parolo”) e humilde de como a minha mãe me vestia. Tudo servia para me atacar. Até um lanche que levei um dia que por ter uma banana, me chamaram de macaca aos gritos e risos sonoros.
Recordo que tantas vezes cheguei a casa e não queria voltar para a escola. Que em choro compulsivo dizia ao meu pai que não queria estes olhos, que não queria aquele nome, que não queria estes lábios. Recordo a ternura com que o meu pai me fazia sentir que era bela, por dentro e por fora, para acreditar em mim, e que tudo aquilo era inveja, que tinha de ser superior a isso pois era assim que as pessoas inteligentes superavam as adversidades. Dizia para mostrar o meu valor crescendo cada vez mais como indivíduo. “Sê o melhor dos melhores” de forma honrada – dizia ele.
Mas não era fácil. Não ter amigos no recreio, ter uma escola inteira reunida no ginásio a rir-se de nós às gargalhadas quando nos chamavam ao palco, mesmo que para receber um prémio de atletismo por ser das melhores da escola. A propósito do nome, recordo um momento no 4º ano em que eu perco o controlo e aos gritos no meio de um choro de raiva, dizer à professora que meu nome era MIRANDA e para parar de me chamar Gonçalves!
Sentir que somos postos à margem por sermos diferentes sem termos culpa era revoltante. Por isso a minha infância foi muito infeliz e solitária.
Podia ter deixado que isto afectasse a minha vida mas ao invés disso, decidi lutar. Se não podia mudar o meu aspecto exterior podia me “vingar” investindo no meu interior tornando-me a melhor em tudo. E assim fiz: como resposta ao bullying, fiz questão em ser sempre a melhor ou das melhores da turma. Sempre. E fui a melhor no 2º ano, no 3º, no 4º e no 5º tendo perdido o primeiro lugar do pódio no 6º por um valor apenas. Recebi vários prémios, fui para o quadro de honra e dentro da sala de aula (e apenas aí), todos queriam pertencer ao meu grupo de trabalho. Foi a minha primeira “pequena vitória”.
Quando em 1978 com 12 anos meu pai decide vir para Portugal, o meu primeiro receio foi: “Como vai ser na escola? Vão todos novamente gozar comigo por ser “estrangeira”, meus olhos de chinesa, não saber falar… Vai tudo repetir-se?” Mas o inesperado acontece. Assim que fui apresentada como novo aluno, no intervalo todos os miúdos me rodearam curiosos, atenciosos e muito afáveis a querer saber quem era, donde vinha, como era lá fora, e de uma extraordinária humanidade que me fez sentir logo no primeiro minuto, a pessoa mais feliz do mundo. A aceitação foi tão imediata que esqueci todos os anos de bullying que vivi. Pela primeira vez senti-me “bonita”.
A vitimização por racismo ou pobreza HOJE, não passa de um argumento para desculpabilizar a inércia de alguns indivíduos na luta por objectivos e assim culpabilizar a sociedade pelos seus fracassos. Só não o sabe quem nunca o viveu. Eu vivi essa realidade mesmo sendo branca.
Portugal não é racista. Dá oportunidade a todos para lutar pelo que desejam. Está na Constituição Portuguesa e qualquer vítima pode recorrer à justiça para fazer valer seus direitos. A cor da pele, as orientações sexuais e etnias até já são vantagem em detrimento de quem como eu é apenas e somente gente comum.
Por isso parem lá com as narrativas falsas de criação à força de racismo só para justificar emprego às associações que em vez de lutar contra ele, o promove, o instiga e fomenta.
Vítimas de racismo e discriminação em Portugal são todos aqueles que trabalham arduamente para conseguir objectivos e sem pedir nada a ninguém vão à luta para que outros, que se vitimizam – porque são incentivados pelos Mamadous a isso – possam usar o argumento do “racismo” para terem tudo facilitado com quotas e subsídios à conta do esforço dos outros. Isso é que é racismo e discriminação.
A matriz continua a ser esta
Com as devidas adaptações e tendo em conta que o tempo político agora corre mais rapidamente quanto vai demorar a que cumpramos as diversas étapas deste processo:
- 14 de Julho: Tomada da Bastilha – o início simbólico da Revolução francesa.
- 15 de Julho: A “jornada sinistra” estende-se aos campos, com pilhagens de igrejas, queima de colheitas, casas, etc..
- 28 de Julho: A Assembleia Nacional institui um comité de investigação de “complots” aristocráticos.
- 4 de Agosto: Sob proposta do visconde de Noailles e do duque de Aiguillon, a Assembleia Nacional suprime todos os privilégios das comunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades, e os direitos feudais.
- 26 de Agosto – “Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão“.
- 10-11 de Setembro: Derrota dos monárquicos – afirmação da Câmara Única e rejeição do Veto Suspensivo do Rei.
- 6 de Outubro: A família real é forçada a deixar o Palácio de Versalhes e é escoltada por Lafayette e a Guarda Real. A Família Real é transferida para as Tulherias.
- 2 de Novembro: Nacionalização dos bens de rendimento da Igreja Católica para garantia dos assignats.
- 19 de Abril: O Estado nacionaliza e passa a administrar todos os bens da Igreja Católica.
- Maio – Publicação dos decretos de aplicação da abolição dos direitos feudais; início do assalto e destruição dos arquivos notariais e senhoriais.
- 12 de Julho: Constituição Civil do Clero.[1]
- No Verão de 1790: início da organização, sob inspiração de Marat e Danton de “Les Cordeliers“, que vêm a ser muito reprimidos por Lafayette em Julho de 1791.
- 27 de Novembro: Sob proposta do protestante Barnave, a Assembleia decide que todos os eclesiásticos católicos que se mantivessem em funções teriam que jurar manter a Constituição Civil do Clero.
Carta aberta ao Presidente da Câmara de Viana do Castelo
Caro Sr. Presidente José Maria, permitam-me estas palavras que lhe dirijo:
Não me lembro da cidade sem o Prédio Coutinho mas lembro-me deste ser uma referência e de uma amiga do colégio, a Paula Fernandes, filha de um deputado à época, viver lá e ter ficado muitos fins de semana naquele luxuoso apartamento com vistas lindíssimas! Únicas! Para se poder habitar ali era preciso ter poder de compra. Daí muita elite da cidade e fora dela ter investido naquele prédio. Defensor Moura foi um dos que lá morou, que ironia. Enquanto interessou, o Prédio, e segundo as palavras deste ex-autarca, era do melhor que havia em Viana e não se poupou a elogios. Agora é aberração e tem de vir abaixo? Curiosamente a mesma esquerda que agora quer a demolição do Prédio Coutinho por ser alto e inestético é a mesma que em 1993, quando o autarca Branco Morais do PSD quis eliminar 6 andares, o acusou de megalomania. Isto faz sentido?
Inicialmente era por questões “paisagísticas” e de “estética” e como não colheu muitos aplausos pela maioria dos cidadãos, mudaram a narrativa para poderem seguir com o “negócio”: porque precisavam daquele terreno para lá colocar o centro cultural; mais tarde um mercado municipal depois de demolido o existente a 100 metros do Coutinho; depois porque era um perigo em caso de sismo, e por fim porque a cidade era candidata a Património Mundial! Ou seja, o vale tudo para levar avante este sugadouro obsceno de dinheiros públicos por mera ambição de meia dúzia de pessoas.
Acontece que o mercado já existia no centro da cidade mas demoliram-no para poder justificar uma declaração de utilidade pública; as preocupações com os sismos são tantas que estão-se marimbando com as enormes torres construídas em terreno pantanoso, à entrada da cidade, onde uma até inclinou (e continua inclinada); as preocupações ambientais e paisagísticas atormentam tanto que ainda não pararam de avançar com construções – algumas de grande volumetria – na encosta do monte Santa Luzia.
A demolição do Prédio Coutinho não é uma causa ambiental, nem de estética, nem de segurança. É um negócio que urge levar adiante porque tem muito dinheiro em jogo. Foi tudo decidido no tempo do “ilustre” ex-ministro da bancarrota, Sócrates, agora réu em vários processos de corrupção. Gente tão preocupada com o ambiente que foi autorizar o Freeport em reserva natural. E o actual ministro do Ambiente que integrou a Quartenaire investigada pelo MP, prepara-se para esventrar o país de lés a lés, destruindo reservas naturais, por causa da corrida ao lítio. Onde está a lógica disto? Sabe explicar?
Mas não obstante ter sido iniciado o processo por Defensor Moura, a verdade é que tudo é reversível. Não foi assim com os Estaleiros Navais que agora são uma referência mundial e que você mesmo fez questão de o afirmar em plena gala?
Se optar por requalificar o Prédio vai ser lembrado como o autarca mais corajoso da história desta cidade. Aquele que ousou desafiar os lobbies pelo bem de toda uma Nação em crise financeira. Terá um país inteiro a aplaudir de pé. Porque o Prédio, sem demolição, pode ser valorizado e: receber o novo mercado no seu parque automóvel nas traseiras e nos fundos com excelentes condições; receber um magnífico restaurante panorâmico único no país no último andar e assim preservar as águias migratórias que têm ninho na cobertura; ser o primeiro edifício ecológico com jardins nas varandas e vegetação suspensa; voltar a receber os ex-moradores que queiram regressar e serem vendidos por muito mais de meio milhão as fracções vazias a investidores, depois da requalificação. Pode tudo isto e com isto ser uma atracção turística ímpar no país. Voltar a encher o prédio, que marcou uma época, com 300 pessoas que vão trazer vida e dinâmica à cidade, depois de requalificado, é muito mais sensato e trará muito mais retorno financeiro que a demolição sem necessidade. Para não falar da relação custo-benefício que esta proposta claramente supera em relação à demolição.
Por isso pergunto, com que direito podemos pôr um país inteiro a pagar esta obra megalomana, que era suposto ser auto-sustentável, e que nunca teve aprovação da UE para fundos, sem qualquer necessidade com tanta gente a viver MISERAVELMENTE por causa do nível de vida que não pára de aumentar? Só o hospital de Viana tem o equipamento TODO obsoleto e sem manutenção colocando em perigo os utentes enquanto disputam esta demolição. Como poderão as consciências daqueles que teimam em levar este projecto de Sócrates avante, viver com isto?
A minha missão é de poupar as pessoas a mais impostos, mais austeridade, corrigir erros de governação e não derrubar quem está no poder. Porque o dinheiro não chega para tudo e não nasce nas árvores, nasce dos impostos arrancados a ferros ao orçamento doméstico de cada família portuguesa com o suor do seu trabalho. Acredito que esteja a sofrer pressão mas não tem que temer. Não são eles, os DDT, que mandam nas cidades. São as pessoas e as pessoas Sr. Presidente, estão primeiro. DEVOLVER Viana capturada pelos lobbies às pessoas é uma prioridade para a fazer renascer das cinzas.
Tem a opção de ser relembrado como o pior autarca de sempre e sofrer a maior derrocada política a nível nacional ou por aquele que soube reconhecer a tempo que o país e as pessoas estão primeiro e ser louvado por isso. Não tem de manter a birra do seu ex-colega que usa perfis que não são dele para o atacar e está à espera da sua estrondosa queda. Precisa isso sim, de dar um passo corajoso que só os verdadeiros líderes são capazes. Se persistir neste erro, será lembrado pela sua teimosia e crueldade ao decidir pelos lobbies primeiro em detrimento das pessoas. E tenho a certeza que sempre que olharmos para o vazio que o Coutinho vai deixar naquele lugar, tal como as torres gémeas em Nova Iorque, recordaremos sempre nesse local, à semelhança do “ground zero”, as lágrimas de dor profunda de gente que viu suas memórias e dinheiro de uma vida esfumarem-se nas mãos de 20 anos consecutivos de socialismo autocrático. E nós os cidadãos revoltados, não esqueceremos.
Porque este processo demonstra que não vivemos em democracia mas em autocracia e que o Estado pode apropriar-se e chamar a si qualquer bem privado alegando interesse público por questões tão fúteis quanto a simples estética ou gosto pessoal de quem decide.
Não bastava, pela mão do ex-autarca, ter destruído por completo a economia desta cidade – que quando cá cheguei em 1978 jorrava de vida – com os lobbies dos parques subterrâneos onde se paga quase 3€ por duas horas na cidade; com o elefante branco – o shopping – plantado bem no centro e que matou todo o pequeno comércio deixando as lojas às moscas; com a limitação de trânsito automóvel de todas as artérias que afastou clientes e por isso ninguém lá passa; com as condicionantes à vida nocturna que a transformou num dormitório gigante, sem qualquer interesse, sem vivalma a partir das 19h? Não! Tinham também de destruir profundamente a vida das pessoas que investiram na cidade. Com que direito?
Lutarei para que um dia haja neste país leis que condenem duramente os responsáveis de órgãos públicos que não respeitem os direitos de propriedade, que gerem dolosamente dinheiro públicos para que sejam obrigados a responder criminalmente e indemnizar com património próprio todos os prejuízos que resultarem do seu exercício. Só assim pensarão duas vezes antes de brincarem com a vida das pessoas. Verifiquei enquanto contestava em frente ao prédio na semana de “sequestro” aos moradores, que tal como as gentes de Melgaço, os vianenses têm medo de se pronunciar por receio de represálias da câmara. Quando lhes disse que lhe iria escrever, estas dezenas de cidadãos amordaçados e indignados que me rodeavam só diziam: “faça isso menina! por nós! pela cidade! pelo país!”
Os erros dos ex-autarcas podem sempre ser corrigidos. Ainda vamos a tempo de impedir o ESBANJAMENTO de dinheiro público. Porém se a teimosia prevalecer, sairá cara não só ao país, mas a quem insistir nos erros pois jamais será perdoado por ter agido em detrimento das pessoas. Reconhecer que essa utilidade pública já não faz sentido e promover a recuperação do património fará subir em muito a consideração por si. Pois a maior virtude de um homem está na sua capacidade de assumir erros e humildade em os saber corrigir.
A minha dúvida é: será capaz?
Pelo bem desta Nação, espero sinceramente que sim.
Uma cidadã vianense
Von der Leyen mostrou-se preparada para assegurar um salário mínimo justo em todos os Estados-membros
A ainda ministra alemã da Defesa tentou ‘seduzir’ a bancada dos Socialistas e Democratas (S&D), comprometendo-se a completar a União de Capitais, a recorrer à flexibilidade do Pacto de Estabilidade e Crescimento e a taxar os gigantes tecnológicos a operar na União Europeia, três das bandeiras defendidas pelos socialistas.
Numa declaração muitas vezes aplaudida, e ‘recheada’ de promessas, a candidata indigitada pelo Conselho Europeu em 02 de julho assegurou que a sua Comissão Europeia será paritária.
“Se os Estados-membros não propuserem mulheres, não hesitarei em pedir outro nome”, asseverou, antes de anunciar a intenção de incluir a violência contra mulheres nos crimes previstos nos tratados europeus.
O estranho desaparecimento noticioso de Luna-15*
Esta é a capa de O SÉCULO de 16 de Julho de 1969. Para lá da Apolo-11 existe uma referência a Luna-15. O que era Luna-15 a tal nave de que se falava em Cabo Kennedy? Luna 15 era a nave com que os soviéticos contavam para no último momento venceram os norte-americanos na corrida à Lua. Luna 15 acabou espatifada na superfície lunar. A Apollo 11 chegou lá. Se tivesse sido ao contrário ainda hoje ouviríamos falar do enorme falhanço norte-amercicano. Os soviéticos não chegaram primeiro à Lua mas em matéria de propaganda estiveram sempre à frente: mesmo quando os companheiros de estrada não lhes celebravam as vitórias escamoteavam-lhe os falhanços. Após Julho de 1969 Luna 15 desapareceu da primeira página dos jornais tão rapidamente quanto lá havia chegado e subitamente as viagens à Lua passaram a ser mostradas como mais um sinal dos absurdos despesistas do capitalismo. Entretanto nas Honduras acontecia isto Em conclusão o mundo muda menos do que parece.
*Retirado do arquivo Blasfémias de 2009


