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obrigado, presidente marcelo!

7 Janeiro, 2019
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Numa época em que as democracias ocidentais são assaltadas por populistas sedentos de popularidade fácil, é um conforto saber que as mais altas instituições políticas portuguesas estão confiadas a personalidades sóbrias, que não utilizam os seus cargos levianamente. Obrigado, Presidente Marcelo!

I just called to say I love you

7 Janeiro, 2019

 

O populismo e coisa e tal…

7 Janeiro, 2019

Na estreia do “Programa da Cristina”, na SIC, o Presidente da República ligou para Cristina Ferreira para lhe desejar boa sorte. A apresentadora emocionou-se.

Porque não pedir ao chefe do Estado da Cidade do Vaticano que os acolha?

7 Janeiro, 2019

Papa pede que governos europeus acolham migrantes à deriva no Mediterrâneo

Um ‘foda-se’ seguido de uma ‘reflexão para o mais intelectual’

6 Janeiro, 2019

Nota inicial. Fui informado que no Blasfémias podemos fazer uso do vernáculo. Pelos vistos a única coisa que no Blasfémias não podemos ser é liberais…

Foda-se

Numa sociedade que pretende transformar, por decreto, putas em mães de família, foi com grande espanto que verifiquei que os progressistas (alguns padrecos incluídos) duvidam da virgindade carnal de Nossa Senhora. Não percebo porquê!

Num mundo onde todos aparentemente podem ser o que querem, não entendo a dúvida em torno da virgindade de Nossa Senhora. Em primeiro, Nossa Senhora pode ser o que muito bem entender. E se Nossa Senhora quer ser virgem, que seja; em segundo, o povo pode acreditar no que muito bem entender. E se o povo acredita (constrói socialmente, diriam os progressistas) que Nossa Senhora é virgem, pois então não há dúvidas: Nossa Senhora é virgem! Em terceiro, a ‘perda da virgindade’ não passa de mais um dos inúmeros mitos do heteropatriarcado. A virgindade é na verdade uma construção social e só existe enquanto mecanismo de poder do homem-branco sobre a mulher. Aliás, é por isso mesmo que é tão difícil mudar mentalidades, com os ‘maus do costume’ (conservadores, filhos duma grande puta) a não entenderem que a mulher é dona do seu próprio corpo e faz com o mesmo o que muito bem entender. Aliás, a mulher é mulher enquanto lhe der na puta da gana: se um dia quiser ser homem e foder uma cabra (com consentimento da cabra, para sossego do PAN), nada nem ninguém a pode impedir. Este vosso amigo não podia estar mais de acordo! Por isso digo: Nossa Senhora é virgem! Aliás, Nossa Senhora foi a primeira mulher a gritar contra o heteropatriarcado e a dizer: eu sou o que muito bem entender, e por isso vou ser a Mãe de Deus, Virgem Imaculada! Foi Nossa Senhora que quis ser, e por isso foi! Ora aí está o único dogma Católico que nunca, mas nunca, me levantou qualquer tipo de dúvida! Vivam os progressistas!

Reflexão para o mais intelectual

Para o leitor mais incauto, ainda a recuperar dos exageros pecaminosos do Santo Natal, este post tem como contexto vários artigos publicados nos media sobre a Virgindade de Nossa Senhora. Leiam o do Padre Álvaro Balsas, no Observador, que é o melhor de todos; não percam tempo com o artigo do senhor Anselmo Borges, também no Observador, o qual é uma lista de disparates sem nexo.

Não sou teólogo, com grande pena minha. É uma área do saber pela qual tenho imenso respeito. Aliás, tenho mais respeito pela teologia, enquanto forma de saber, do que pela economia, a qual não tem, para mim, interesse absolutamente nenhum. Com excepção de algumas formas de fazer história económica, como a da Deirdre McCloskey. Não vou por isso comentar o dogma da Virgindade de Nossa Senhora. Limito-me a aprender com quem sabe mais do que eu.

O que me parece importante realçar do debate em torno deste dogma Católico é a crispação que gerou. De um lado temos pseudo-católicos, alguns infelizmente padres, que ao fim de todo este tempo ainda não tinham percebido que a Fé Católica é dogmática. Mas qual era a dúvida? Do outro lado temos os do costume, progressistas e ateus pseudo-cientistas. Aos progressistas já disse o que tinha a dizer e é um grande ‘foda-se!’; aos ateus pseudo-cientistas convém recordar o seguinte: é tão absurdo acreditar em Deus como não acreditar. É este pequeno pormenor que escapa aos pequeninos, e que o Padre Álvaro Balsas colocou de forma brilhante quando, no final do seu artigo no Observador, diz: ‘Sendo um “fenómeno” irrepetível, não entra no conjunto de fenómenos que podem ser estudados pelas ciências naturais, esses sim, repetíveis e quantificáveis.’

Muitos outros fenómenos que fazem parte da vida são também eles irrepetíveis. Os fenómenos ligados ao tempo (não falo da mitologia construída em torno das mudanças climáticas, mas do que conhecemos como experiência do passado, do presente e do futuro) são disso exemplo: nenhuma forma de saber capta o tempo na sua plenitude, nem sequer a física (muito menos a economia, a qual nem se apercebeu que o tempo existe quanto mais tentar compreender o fenómeno…). A tentativa de classificar como importante somente aquilo que é passível de ser captado pelas ciências naturais é, no mínimo, perigoso. No limite é próprio de ignorantes!

Acreditar em Deus não é algo que se coloque no plano da racionalidade das ditas ciências naturais (as quais primam por ser aborrecidas ao ponto de nos fazerem acreditar no Diabo…). Por isso é tão absurdo acreditar como não acreditar. Torna-se por isso incompreensível que aqueles que acreditam sejam sistematicamente tomados por imbecis (os Católicos, porque para os outros é só compreensão, muita paz e amor…). Atacar os crentes, independentemente da sua religião, tentando mostrar a irracionalidade científica daquilo em que acreditam, é de uma ignorância atroz… mais não seja porque a ciência nunca demonstrou a existência de Deus, tal como não consegue demonstrar que Deus não existe. Daí o absurdo… Por isso é tão absurdo acreditar na Virgindade de Nossa Senhora como é não acreditar. É pena que isto tenha sido esquecido: lembrar pode ser que traga um pouco mais de elegância e respeito.

 

Bloco de Esquerda & Você na TV (TVI)

6 Janeiro, 2019

Revista Sábado 19 de Maio de 2018:

Em sete anos, as FP 25 mataram quatro militares da GNR e um agente da Polícia Judiciária (PJ); executaram com dois tiros na nuca o director-geral dos Serviços Prisionais, Gaspar Castelo-Branco; e com uma rajada de pistola-metralhadora o primeiro “arrependido”, José Barradas, que terá prestado as informações fundamentais para a PJ montar a Operação Orion; atingiram mortalmente um cliente de um banco e dispararam contra um popular que, de pistola em punho, tentou enfrentar um grupo que assaltava outro banco. Mas a vítima mais chocante, no que foi logo considerado um “engano” pela organização, foi o bebé de quatro meses, que morreu na sequência da explosão do engenho explosivo colocado na casa de um agricultor de S. Manços. Além de 13 homicídios, “castigaram” com tiros no joelho e feriram com disparos sem esta pontaria certeira empresários, administradores e agrários na sequência de conflitos laborais, colocando ainda explosivos em automóveis e residências, bem como em quartéis da GNR, sendo contabilizados 66 atentados à bomba. Simultaneamente, procediam à “expropriação” de bancos e outras “acções de subsistência”, roubando até empresas que se preparavam para pagar os salários no fim do mês. A operação mais aparatosa, entre os 99 assaltos, foi a que capturou, em pleno centro de Lisboa, uma carrinha de transporte de valores com 108 mil contos (538.701,70 euros), que, em 1984, era muito dinheiro.

Indulto do Presidente da República, Dezembro 1995:

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Lusa/Diário de Notícias 20 de Abril de 2010:

Luís Gobern Lopes, um dos fundadores das FP 25 e o primeiro a assumir-se em julgamento como membro da organização, afirmou, em entrevista à Lusa, que “no contexto em que surgiram, as FP-25 tinham um propósito forte”, acrescentando que, embora não se sinta arrependido, reconhece que houve momentos em que a organização perdeu o pé. “Situando-me na altura em que as coisas ocorreram, considerando a forma como eu pensava, como eu sentia, como eu via as coisas, não posso dizer que me arrependa de nada. Não tenho de que me arrepender. Todas as coisas foram feitas com uma atitude consciente. Talvez o trajecto que depois levaram é que se desvirtuou”, disse.

Maio de 2017, candidatura autárquica do Bloco de Esquerda ao Barreiro:

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Comentários de dirigentes do Bloco de Esquerda sobre entrevista há dias na TVI no programa de Manuel Luís Goucha – “Você na TV” – a um condenado por homicídio e envolvimento na morte de Alcino Monteiro e  indivíduo que cumpriu pena por diversos outros crimes nomeadamente roubo, sequestro, coacção e posse ilegal de arma.

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A duplicidade de critério e a falta de vergonha na cara dos bloquistas surpreende?

A mim, não!

Há homicídios “bons” e homicídios maus?

*

 

 

 

Os caça-fantasmas

6 Janeiro, 2019

Roubam-se armas em quartéis, a Lei de Programação Militar vai ser discutida em menos de uma hora no parlamento e sobre o que se pronuncia o ministro da Defesa? Sobre o programa de Manuel Luís Goucha!
É precisamente esta ausência de memória e de senso, que quase nos faz acreditar que estamos num mundo de absurdos, uma das característica do anti-fascismo táctico: arma-se um escândalo porque Mário Machado, defensor de ideais não democráticos pelos quais os portugueses mostram um enorme desinteresse, vai a um programa televisivo, mas mal se ouve uma palavra contras decisões autoritárias do Governo que agora, por exemplo, pressiona OCDE a mudar capítulo sobre corrupção.

Liberdade de concorrência

5 Janeiro, 2019

Portanto a extrema-esquerda que faz parte do governo, tem assento no conselho de estado, nas fundações do regime e controla os departamentos de várias universidades está em fúria e grita que a liberdade está em risco em Portugal porque um militante de extrema-direita foi à televisão?
É uma questão de livre concorrência. E não me venham com a conversa do se é possível debater com o Mário Machado. Deve ser tão frustrante debater com o Mário Machado como com o Arnaldo de Matos ou a Joana Mortágua.

Precisamos de um novo Salazar?

5 Janeiro, 2019

Precisamos de um novo Salazar? É uma pergunta interessante, que merece resposta. Quais os ingredientes de um novo Salazar – não confundir com um Homem Novo – que seriam desejáveis para que um novo Salazar pudesse ser considerado um Salazar novo?

Ser heterossexual
Isto é fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar que apregoam a igualdade de género, que isso é tudo malta que gosta de molhar o pincel ou ser a lata de tinta, como, afinal, todos os bichinhos, isto apesar de usarem mais os genitais que o género para a obtenção de satisfação. A igualdade de género é aquela série de clichés que batem as tradicionais linhas de engate como “és tão bonita” ou “buraco és tu”.

Ser branco
Isto também é fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar que não sejam pretos. Exclui-se o Mamadou Ba, ficam os restantes.

Ter um certo gosto por corporações controláveis
Felizmente, é muito fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar distribuídos por todos os reguladores como a ERC, a… momento, melhor por ordem alfabética: a ERA, a ERB, a ERC, a ERD, a ERE, a ERF, …, a ERZ, a ERAA, a ERAB, a ERAC…

Manter o país afastado de uma guerra mundial
Aqui é mais difícil. Só me ocorre o doutor Azeredo Lopes, que pode ou não enviar tropas que podem ou não voltar sem sabermos se chegaram sequer a alguma vez existirem tropas portuguesas.

Manter uma relação amorosa com servente (ou rumor disso)
Olha, o Sócrates. Ou o Marx. Ou aquelas pessoas que escrevem no Expresso. Ou até o Manuel Alegre, que é homem para as deslumbrar com um poema de leitura escolar obrigatória a 8,80€.

Ter uma visão para o país
Qualquer português ou indivíduo que habite no território nacional e ultramarino da língua portuguesa. Começar pelo Facebook.

Manter máquina de censura
Começaria pelos que escrevem no Expresso, depois da devida autorização do professor Louçã. Se quiser um autêntico bacanal de censura, convida-se também todos os que andaram a criminalizar o piropo e a legalizar o aborto, como se não fossem coisas contraditórias.

Ser sério
Aqui está a grande dificuldade. Alguma sugestão?

uma mentalidade

4 Janeiro, 2019
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b4c433fee50a2157222b08226e9e2d40Miguel Macedo e mais vinte pessoas foram, há cerca de quatro anos, acusados de quarenta e sete crimes supostamente praticados no âmbito de funções públicas. Com excepção de quatro dos arguidos, todos foram absolvidos. Os que foram condenados ficaram com penas suspensas, o que denota a pouca gravidade dos actos ilícitos por eles eventualmente praticados. Macedo era e deixou de ser ministro, ao tempo em que rebentou o escândalo e devido a ele. Tinha uma carreira política que ficou desfeita e, muito provavelmente, a sua via profissional não terá ficado melhor. No fim de contas, ninguém gosta de ser defendido por um advogado que é um presuntivo criminoso. As outras pessoas terão também, imagino, padecido graves consequências nas suas vidas profissionais e pessoais.

Em face deste vergonhoso resultado, o Ministério Público assobia para o ar. De nada vale a presunção de inocência de pessoas sobre as quais, como resulta da própria acusação, existem reduzidas provas sobre os indícios dos crimes que o Ministério Público imaginou terem acontecido. O procurador (ou procuradores) que tratou do caso, que investigou vinte e uma pessoas e contra elas deduziu acusação ficará na mesma, prosseguindo tranquilamente a sua vidinha, continuando a receber o seu cheque no fim do mês. Bem vistas as coisas, nem sequer sabemos quem ele é, ou são. Nenhuma responsabilidade lhe será assacada por ter acusado mal, com falta de prova sustentável, vinte e uma pessoas a quem desfez as vidas.

O problema não estaria, como é óbvio, neste caso e neste processo, fosse ele apenas um caso único sem, ou com reduzido, exemplo. Ele tem a ver com a chamada «criminalidade económica» e é muito mais profundo, porque se instalou, entre nós, há muitos anos, uma mentalidade miserável segundo a qual «onde há dinheiro há crime». É uma exploração da baixa sentimentalidade das ruas (o tal «populismo», de que muitos falam mas que quase todos se recusam a reconhecer nas suas verdadeiras fontes), acompanhada por uma comunicação social absolutamente incompetente e famélica, que vai sempre atrás de qualquer escandalozinho para ganhar audiências e uns dinheiritos. A criminalização de qualquer dever tributário para com o estado, os super-poderes dados ao fisco, a devassa de contas bancárias e da vida privada-económica dos cidadãos, o ataque político às actividades lucrativas, como o Alojamento Local, a perseguição a medidas governativas inteligentes e bem-sucedidas, como os «vistos Gold», não poderia dar outro resultado que não fosse criar um país policiesco, cheio de pequeninos pides sempre prontos a perseguir e a acusar quem tem algum sucesso.

Esta é a consequência bem visível de uma mentalidade de extrema-esquerda, que vê no lucro a fonte de todos os pecados, que reina, infelizmente, entre nós. A origem dessa tragédia – as infiltrações dessa “antiga” extrema-esquerda nas altas instâncias e nas cúpulas do estado e da justiça, e os interesses político-partidários e financeiros de muitas das prestimosas agremiações partidárias de beneméritos do povo – daria pano para muitas mangas. Mas esse é assunto que já não interessa a ninguém…

O verdadeiro problema de Marques Lopes

4 Janeiro, 2019

Chamar o Mário Machado a um programa de qualidade duvidosa, apresentado por uma figura representante da nacional piroseira, não representa qualquer perigo para a democracia dos Marques Lopes, esta modorra anestesiante ensopada num caldo socialista com tendências totalitárias. A pergunta do programa, sobre se precisamos de outro Salazar, é obviamente intencional no sentido de tentar ligar um arruaceiro a um estadista, tendo este, com defeitos e qualidades, o seu lugar na história, enquanto o primeiro é pouco mais do que um indigente. Ora, o que mete realmente medo aos democratas Marques Lopes é que se discuta a sério o salazarismo e que se convide para esse efeito intelectuais de vários quadrantes que pelo menos façam um contraponto à tese oficial de que a abrilada foi uma coisa maravilhosa. Pois, está claro que não foi. Assim como a longa noite negra do fascismo é uma história muito mal contada. Dito isto, não sou nem de perto nem de longe um admirador de Salazar nem do estado novo, nem vejo que um liberal o possa ser, mas isso não passa de uma breve declaração de interesses. O que sou, sobretudo, é um tipo pouco dado a consensos democráticos dos cortesãos e seus peões de brega. Nesse sentido, Portugal é o que já era no tempo do Eça. Uma choldra.

Buraco sois vós

4 Janeiro, 2019

Para falar do assunto “Mário Machado na TVI” é necessário um longuíssimo preâmbulo em que nos distanciamos das opiniões do fulano, mesmo que estas nos sejam conhecidas apenas pelo disse-que-disse de quem não sente grande necessidade de ouvir opiniões que considera parvas só por existirem, se é que existem. Depois, é necessário dizer que a liberdade de expressão é um valor absoluto, principalmente para indivíduos que querem dizer coisas que não gostamos de ouvir. Por fim, é necessário assegurar que nenhuma daquelas opiniões possui fundamentos de verdade, pelo que permitir que indivíduos idiotas se expressem é a única forma de, de facto, identificar os idiotas.

Não farei nada disso. Não ousarei escrever que o direito de alguém falar depende da minha ou da concessão de outro qualquer. Poderia mencionar a quantidade de imbecis que gracejam boçalidade nas rádios e televisões do país adornados pelo manto da impunidade subletrada que títulos académicos conferem, mas isso seria sublinhar o quão um Pacheco Pereira ou uma Mariana Mortágua se assemelham ao astrólogo Paulo Cardoso, cujo livro “Astrologia e Guia do Amor – Previsões Para 2019” está no top de vendas da FNAC, semelhança que é sobejamente conhecida pelos leitores deste blogue e cuja piada inerente reside, exactamente, em omitir a explicação que estraga qualquer anedota.

Uma televisão decide convidar um tipo para falar, esse assunto não me deveria interessar. No entanto, como há sempre um bando de coninhas que salta a correr para os braços do papá ERC a queixar-se de que o maninho disse coisas feias, cá estou eu a dizer coisas óbvias. Façam-se homens e mulheres, deixem de ser pirralhos mimados: aprendam a usar o comando ou, melhor ainda, tirem-o do canal onde aguardam que vos estimule por vazamento das pilhas. A obsessão do português pelo tirano que cala outros por sensação de conforto que o inexistente direito a não ser ofendido por opiniões alheias é do domínio sexual: não é de admirar que toda a gente passe mais tempo a tentar entrar em bailes de debutantes da corte do que a assegurar descendência que subsidie a subsistência futura do velho ranzinza quezilento que o adolescente bexigoso das redes sociais de hoje é.

Buraco sois vós.

Compre já antes que esgote!

4 Janeiro, 2019

 

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a convenção de todas as liberdades

3 Janeiro, 2019
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Pensava eu que o PSD, o CDS e a ALIANÇA eram partidos onde só existiam conservadores e onde o liberalismo não entrava. Afinal, constato agora que, muito sensatamente, a Iniciativa Liberal comparecerá nesta cimeira de liberais portugueses, que terá como parceiros representantes, ao mais alto nível, dessas agremiações partidárias: Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Paulo Portas, Assunção Cristas, Pedro Duarte e Santana Lopes, entre outros. Francisco Assis, pelos liberais socialistas, comparecerá e falou-se mesmo na presença, infelizmente não confirmada, desse ícone de todas as liberdades que é António José Seguro. Finalmente, os liberais portugueses reúnem-se em cimeira pré-eleitoral para debaterem os destinos da Pátria. Podemos ter esperança, portugueses!

A emenda é melhor que o soneto

3 Janeiro, 2019

Alguns comentadores explicaram-me, como parece ser hábito de comentadores que gostam de explicar, que não é necessário comprar os livros de leitura obrigatória como a bela obra que referi aqui ontem. As razões apontadas são as seguintes:

  • A biblioteca da escola tem disponível umas 125 cópias de cada livro obrigatório para disponibilizar a 5 turmas de um dado ano;
  • A leitura obrigatória consiste no professor dirigir-se para a sala e ler ele o livro para que os desgraçados possam dormir (uma espécie de audiobook sem que se possa fazer pause, uma leitura obrigatória sem necessidade de ser confrontado com coisas chatas como letras);
  • A gente (o professor, o encarregado de educação, o dealer, outro qualquer) arranja uma versão mitrada em PDF para aculturar a criança com formas de assegurar a gratuitidade do sistema.

Assim sendo, retiro o que disse no post. As emendas explicativas são todas melhores que o soneto (literalmente).

Substância espessa e doce, amarelada ou acastanhada: mel.

3 Janeiro, 2019

Nas últimas semanas vários amigos referiram nas redes sociais que o MEL-Movimento Europa e Liberdade é “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Eu, parolinho como sou, até fiquei envergonhado de quase nada saber sobre a instituição… Lembrava-me de há tempos me ter parecido que a coisa estava associada a uma espécie de “vaga de fundo” que se estaria a criar para promover Santana Lopes e de ter associado um jornal recentemente criado. Mas a minha memória era apenas difusa e sem quaisquer certezas, pelo que me dediquei a uma rápida light due dilligence sobre a coisa.

O website do MEL nada diz, tendo apenas publicado o programa da sua próxima convenção. Na sua página no Facebook pouco mais tem. Recorri, portanto, a fontes públicas sem sair do sofá e verifiquei que o MEL foi constituído em Novembro de 2018. Ou seja, mal nasceu, tornou-se “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Notável!

Pensei eu: de certeza que tem histórico e acções desenvolvidas no passado. Fui ver. Tem.

Salvo melhor e mais completa informação que possa existir, aquilo de que me apercebi é que tudo tem origem em 2009 sob a liderança de Daniel Proença de Carvalho com o Projecto Farol. Tratou-se de uma iniciativa a que esteve associada grande parte da nomenclatura lusa habitual e que foi formalizada em Fevereiro de 2013 tendo como sócio fundador único o grupo Delloite Consultores S.A.

Em Maio desse ano (2013), o Projecto Farol cria uma espécie de spin-off. Um outro think-tank, desta vez chamado Missão Crescimento. Nesta versão, além da Delloite/Projecto Farol, associam-se a Associação Comercial do Porto (na altura ainda dirigida por Rui Moreira), as Ordens dos Engenheiros e dos Economistas e o Fórum de Administradores de Empresas. A rebaptizada organização tinha por objectivo “encontrar, ao nível da política económica, respostas capazes de atenuar o impacto recessivo do acordo de reajustamento assinado por Portugal com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário internacional, no âmbito do programa de assistência financeira.

Finalmente, em 21 de Novembro de 2018, pela mão das mesmas pessoas que foram impulsionadoras e estiveram na origem das anteriores versões do think-tank, chegamos ao MEL, formalmente constituído por Paulo Carmona e João Costa e cujo objecto é este:

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Feito o levantamento histórico de enquadramento, gostaria de comentar o programa anunciado da sua primeira Convenção.

Desde logo, Jorge Marrão (Delloite e dirigente do MEL), diz que o think-tank é formado por liberais de direita e de esquerda, mas olhando para alguns dos nomes com maior notoriedade que participarão no evento, interrogo-me qual será o mais liberal: Marques Mendes, Paulo Trigo Pereira, Pedro Duarte, Luís Amado, Paulo Portas ou António José Seguro?

Curioso é também notar que no painel dedicado ao tema do combate aos interesses instalados um dos oradores é José Miguel Júdice.

Registo também que a Pedro Santana Lopes é dada honra de “Convidado de Abertura” de trabalhos, ficando por exemplo o presidente da Iniciativa Liberal, nesse mesmo dia, apenas a coordenar um dos painéis.

Depois, ainda hei de perguntar pessoalmente ao Carlos Guimarães Pinto que ideia foi a dele em convidar para key-note speaker sobre “Novas Ameaças à Liberdade” o socrático Carlos Magno.

Assunção Cristas, quiçá outra liberal, é Convidada de Encerramento.

Os promotores do MEL lá terminam com mais uma vassalagem ao poder, convidando o já insuportável Marcelo – presidente famoso pelas suas cuecas – para o fecho da sessão. Marcelo, fino, ainda nem sequer lhes confirmou a presença.

Para quem se diz farto de ver o estado capturado pelos interesses instalados, este programa é uma salgalhada incompreensível, com os mesmos protagonistas de sempre e um conjunto de companhias muito estranha para meu gosto.

Não tenho de facto paciência nenhuma para convénios urbano-progressistas da capital.

Sr. Presidente, não era a descrispação?

3 Janeiro, 2019

Greves de hoje: HOJE OS ENFERMEIROS NÃO ESTÃO EM GREVE. OS COMBOIOS TAMBÉM NÃO. CONSOANTE O PONTO DE VISTA AS EMPRESAS RODOVIÁRIAS ORA VÃO TRABALHANDO ORA  VÃO FAZENDO GREVE: HOJE A GREVE É EM Leiria e Santarém)

Estivadores entregam novo pré-aviso de greve de seis meses OS ESTIVADORES JÁ VÃO NAS GREVES POR CAUSA DAS LUTAS ENTRE SINDICATOS

Professores vão hoje a São Bento dizer a Costa que estão prontos para voltar a negociar. Luta pelo cumprimento do horário de trabalho semanal de 35 horas também volta hoje às escola DEUS SEJA LOUVADO: VÃO RECOMEÇAR AS NEGOCIAÇÕES PELAS 35 HORAS, MAIS OS DESCONGELAMENTOS…

Oficiais de Justiça em greve parcial durante dez meses
AGORA AS GREVES SÃO LOGO AOS MESES. COMO OS PRAZOS DA JUSTIÇA TB SE CONTAM PELAS DEZENAS DE ANOS, AS GREVES NA JUSTIÇA DEVEM DURAR PELO MENOS UMA DEZENA DE MESES

Um grupo de reclusos ameaça fazer greve ao trabalho a partir de 06 de janeiro, se os guardas prisionais prolongarem a paralisação, JÁ VAMOS NAS GREVES DENTRO DAS GREVES. O CONCEITO AGRADA-ME E ACHO QUE SENDO NÓS TODOS RECLUSOS DO FISCO DEVEMOS FAZER UMA GREVE AOS IMPOSTOS

Se fizer um décimo daquilo a que se propõe já será imenso…

3 Janeiro, 2019

 

Tens falta de dinheiro? Torna-te em “leitura obrigatória”

2 Janeiro, 2019

Acabei de comprar um livro com 16 páginas (inclui as “intencionalmente deixadas em branco”). Custou 8,80€, ou, em linguagem de saloio, 1.47% do novo salário mínimo nacional (o equivalente, em linguagem de gente, a oito cheesburgers no McDonalds e um café). Trata-se da 15ª edição de uma obra que diz na capa “leitura obrigatória” e “6º ano”. Fora a capa, a contra-capa e a biografia dos — ahem — autores, possui, no seu corpo de texto, exactamente 852 palavras, pelo que cada uma delas tem, naturalmente, para mim, o custo de 1,033 cêntimos.

Não sei quantos alunos frequentam o 6º ano. Vou supor que o número de alunos em 2017 se distribuem uniformemente do primeiro ao nono ano, originando então uns 95 mil a frequentarem o 6º. Vou supor que a 15ª edição da obra foi vendida 50 mil alunos durante os 15 anos em que eventualmente foi “obrigatória”, orginando, então, um total de vendas de 750 mil unidades a 8,80€ ou seja, 6,6 milhões de euros. Isto dá 7746€ por cada palavra da obra até ao momento, um lucro de aproximadamente 7500% por palavra.

Obrigado, Leya. Obrigado Ministério da Educação. O Manuel Alegre e o filho também têm direito a uma renda. E assim se aprende, em “As Naus de Verde Pinho”, para não mais esquecer, o quão a viagem de Bartolomeu Dias foi uma valente asneira (mas lucrativa).

num país perto de si

2 Janeiro, 2019
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Imagine-se que, graças a uma extraordinária conjugação astral favorável e ao irresistível carisma telegénico do seu presidente, um novo Partido Liberal Português dos Verdadeiros Portugueses Liberais (PLPVPL) obtinha a vitória nas eleições legislativas deste ano. Em razão disso, o presidente Marcelo convidava o chefe do partido a formar governo, o que este conseguia, ao fim de uns dias de negociação com o CDS, de modo a garantir uma maioria parlamentar firme. Uma vez no poder, o que faria essa coligação? Provavelmente, para além de gerir a conta e o passivo do estado, pouco mais. Revia umas decisões do governo anterior, cortava nuns impostos mas seria obrigada a aumentar outros (as regras do euro não consentem veleidades), continuava a gerir a escola pública, o Serviço Nacional de Saúde (que abriria, timidamente, à iniciativa privada, sob o coro de protestos dos partidos de esquerda, dos sindicatos e da opinião publicada), por pressão do CDS evitava chatices com o dr. Balsemão à conta da RTP e inventava, para a coisa, um qualquer «conselho orientador» saído da mais genuína «sociedade civil», reduzia simbolicamente o funcionalismo público (onde se perdem e ganham eleições), mas empregava devidamente os seus em bons postos da administração do estado, num momento de arrojado atrevimento, o líder ameaçava privatizar a Universidade de Coimbra, mas era de imediato chamado ao presidente para levar um puxão de orelhas e deixar-se de tolices. Por fim, no termo da legislatura, que poderia nem durar quatro anos, a probabilidade de perder eleições seria elevada e, com a derrota e o mais do que seguro abandono do líder, a «aventura liberal» ficaria esquecida durante muito tempo.

Este é um cenário de ficção que, porém, não está muito distante da realidade que aconteceu em Portugal, entre 2011 e 2014. Lembro, para quem não o tiver presente, que Pedro Passos Coelho surgiu como candidato a líder do PSD como um «liberal». Eu próprio, convicto de que ele estaria muito próximo de o ser (e ainda hoje acredito nisso) dei um modestíssimo contributo para um blogue de campanha para a sua eleição interna no PSD, para o que fui convidado, não pela minha condição de militante desse partido – que não era (nem sou) -, mas pelo facto de ser uma das poucas avis raras que, neste pequeno país, se diziam pertencer a essa estranha espécie.

O que resultou dessa experiência governativa, malgrado as dificuldades que lhe foram impostas pelas circunstâncias que são de todos conhecidas, foi o que se viu: Passos foi responsabilizado pelas poucas medidas liberalizadoras que tomou (e às quais devemos hoje boa parte da modesta recuperação do país, como as modificações no arrendamento e a legislação sobre o turismo) e condenado pelo seu excessivo «neoliberalismo», com o qual – horror dos horrores! – pretendeu ir além da troika.

A verdade das coisas é que nem Passos Coelho nem o seu PSD estavam minimamente preparados para governar Portugal. Não o estavam, seguramente, numa tão difícil conjuntura, mas onde, apesar disso, contaram com o apoio e a pressão das instituições internacionais credoras, mas também não o estariam em condições de normalidade económico-financeira. Para, por exemplo, se entenderem com o CDS de Portas sobre um conjunto de políticas elementares, consta que foram consumidos meses de governação, e que só com a crise do «irrevogável» a coisa encarreirou.

Em suma, PSD e o CDS não têm – talvez nunca tenham tido – uma verdadeira ideia sobre o país, nunca prepararam um projecto de direita, que fosse simultaneamente liberal e razoavelmente conservador, para o aplicar quando chegassem ao governo, e tão-pouco as têm sobre questões sectoriais fundamentais, como a educação, a saúde ou a justiça. Em quarenta e quatro anos de democracia, nunca a direita partidária portuguesa se preparou para ser poder e a pensar no que isso pudesse ter de significado e de exigência. A seguir ao 25 de Abril, os alemães da Konrad Adenauer ainda cá vieram buscar uns mancebos para lhes darem alguma formação política e económica, mas os resultados foram muito rudimentares, como todos podemos constatar. O CDS, com Francisco Lucas Pires, organizou um think-tank que produziu algumas coisas com interesse, o «Grupo de Ofir», mas a coisa esvaiu-se assim que conquistaram o poder no partido. No PSD e no CDS sobram, nos dias que correm, o Instituto Francisco Sá Carneiro e o Instituto Amaro da Costa. Alguém conhece, nos últimos anos, uma linha saída desses interessantes conventículos que mereça ser, já não digo citada, mas ao menos lida? Por fim, a Universidade de Verão do PSD, onde ex-líderes e outras figuras fulgurantes dessa e doutras agremiações partidárias explicam aos promissores jovens que os escutam como é que eles progrediram na política e no estado.

Assistindo, nos últimos tempos, ao lançamento de um número elevado de projectos partidários de cariz assumidamente liberal que quer ir a votos em eleições nacionais, seria oportuno perceber o que têm essas novas agremiações a oferecer aos indígenas a quem pedem que votem neles. No fim de contas, o que fariam com o poder se, por milagre ou talento próprio, este lhe caísse no regaço.

liberalismo à portuguesa

2 Janeiro, 2019
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جرامشي-485x255Em quarenta e dois anos de democracia espanhola, a direita democrática agregou-se sempre em torno de um partido nuclear com vocação de poder: primeiro, de 1977 a 1983, a UCD (União de Centro Democrático), quase sempre liderada por Adolfo Suárez; simultaneamente, ainda que com pouca expressão eleitoral, e, depois, herdando parte do que fora a UCD, de 1976 a 1989, a Aliança Popular/Coligação Popular, partido fundado e dirigido por um ex-ministro reformista de Franco, Manuel Fraga Iribarne, que deu, naquele último ano, origem ao Partido Popular. Este último, por sua vez, foi liderado, durante quase trinta anos, por apenas três presidentes: José Maria Aznar, Mariano Rajoy e, de há uns meses para cá, Pablo Casado. A direita espanhola foi governo na transição do franquismo para a democracia, a ela se devendo, em boa parte, o sucesso pacífico desse processo de extrema complexidade, voltando a sê-lo, depois de anos de socialismo, entre 1996 e 2004, com Aznar, regressando à Moncloa com Rajoy, de 2011 a 2018. Em todos estes períodos, a Espanha sentiu muito bem a diferença entre um governo de direita liberal e conservadora e os governos do PSOE. Em todos esses governos, até mesmo no de Rajoy, a ideologia nunca foi desconsiderada, e a direita espanhola ora se afirmou mais liberal, com Aznar e Casado, ora foi mais conservadora, com Rajoy e Suárez, mas corporizou sempre um projecto político ideologicamente claro.

Em quarenta e quatro anos de democracia portuguesa, a direita do regime dividiu-se em dois partidos, o PPD/PSD e o CDS. Durante esses anos, o PSD teve dezoito, repito, dezoito líderes, enquanto que o CDS se ficou por uns modestos sete presidentes. Esteve no poder em dez governos, que chefiou, e esteve presente em mais um (1983-1985, do Bloco Central), governando por cerca de vinte e um anos. Se pensarmos em medidas reformistas marcantes dos governos da direita portuguesa, esquecendo o brevíssimo e promissor ano de Francisco Sá Carneiro, teremos as privatizações de Cavaco Silva, de resto, indispensáveis para a adesão plena à CEE, os anos de ajustamento de Passos Coelho e por aí nos ficamos. Um ponto é absolutamente comum à direita partidária portuguesa: a absoluta ausência de um pensamento político e de uma ideologia identificáveis. Mais ainda: sempre que houve o “atrevimento” de enunciar alguns princípios, uma vez no poder os governos da direita portuguesa fizeram o completo oposto do que proclamavam na oposição. Basta rememorarmos o que foi o tristíssimo governo de Durão Barroso para demonstrarmos esta afirmação. Presentemente, não se lhes consegue apanhar uma única ideia inteligível.

Vêm estes dois parágrafos a propósito de uma polémica que mantenho há muitos anos com alguns liberais que querem formar partidos onomasticamente assim denominados e levá-los a votos. Não vou entrar na vexata quaestio de saber se um partido com vocação de poder pode ser verdadeiramente liberal ou se o liberalismo deve ser transversal a diversos partidos, por ser um peditório para o qual já não me apetece mais contribuir. Vou apenas salientar que, enquanto em Espanha a UCD e o PP sempre foram projectos partidários com ideologia identificável e compreensível, formada em think tanks conservadores e liberais, ancorados na Konrad Adenauer e em organizações nacionais (actualmente, só para se perceber a importância da coisa, José Maria Aznar é o presidente da FAES – Fundación para el Análisis y los Estudios Sociales, que se define como «una fundación privada sin ánimo de lucro que trabaja en el ámbito de las ideas», em Portugal, nos emergentes movimentos partidários liberais, quase ninguém pensa coisa nenhuma, e há até quem considere que «essa coisa das ideias é uma espécie de masturbação intelectual», sendo que o que interessa é «ir a votos» e «passar à acção». Pois bem, que mais não fosse, o recente exemplo do Instituto Mises–Brasil e a sua contribuição para parte do que poderá ser o governo que hoje tomou posse nesse país, deveria fazer pensar os que julgam que o liberalismo se deve plasmar em projectos de acção partidária, sem mais. Mas parece que nem esse exemplo lhes é útil. Por mim, que conheço razoavelmente a história do liberalismo português, não tenho dúvidas que, por esse caminho, passaremos mais quarenta e quatro anos sem o privilégio de sermos bafejados pela governação de tão enormes talentos. Felizmente, no fim de mais esse período, já cá não estarei para me condoer com mais essas décadas de merecido socialismo. Cada um tem o que merece e nós não merecemos mais do que o que temos tido.

O Reino Unido sai da Europa?

1 Janeiro, 2019

Pode um Presidente da República dizer em mensagem oficial televisionada e transcrita na íntegra no website da Presidência que a “Europa fica mais pobre com a partida do Reino Unido“?

Pode, mas não devia dizê-lo, até porque não é verdade.

Com o Brexit o Reino Unido sai da União Europeia.

A Europa e a União Europeia são coisas bem diferentes!

Eu acho que o Expresso devia vir num saco de palha

1 Janeiro, 2019

O Expresso vai mudar. Saco de plástico substituído por saco de papel

Como é que se substitui o plástico por papel ao mesmo tempo que se diabolizam as plantações de eucalipto?

Vá lá, pesquisem um bocadinho

31 Dezembro, 2018

Vá lá antes que comece a noite da passagem de ano em França com aquele cortejo de “voitures brulees paris nouvel an” seria interessante os jornalistas portugueses interromperem a sua fixação trumpiana e pesquisarem “Alexandre Benalla”.

Um outro género de jornalismo: o activista

31 Dezembro, 2018

DN: Enquanto vários países debatem o reconhecimento legal de uma terceira categoria de género, um novo estudo sugere que uma civilização persa abraçou a diversidade, há três mil anos, reconhecendo um terceiro género além do masculino e do feminino.

Maravilhas para 2019

30 Dezembro, 2018

Se nesta época festiva posso formular um desejo, então que seja o de voltarmos a admirar as maravilhas da cooperação voluntária e da ordem espontânea.

Que se compreenda um pouco melhor o mundo em que vivemos e se dê espaço à liberdade individual.

Votos de Feliz Ano Novo!

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Nunca pior para 2019

30 Dezembro, 2018

Com a aproximação do fim do ano pensei em enumerar as grandes ações destrutivas do doutor Costa e da sua extravagante Geringonça. Contudo, reflectindo sobre o que a oposição fez ao longo do ano, conclui que o melhor mesmo é esperar que os próximos anos sejam apenas tão maus como estes, não piores. Assim sendo, que Deus nos mantenha o doutor Costa no governo. Nunca pior.

Entretanto, na Nicarágua…

30 Dezembro, 2018

Após meses de repressão de manifestações que se saldaram em mais de 400 mortos e centenas de presos políticos, a 12 de Outubro a Assembleia Nacional da Nicarágua retirou, de forma ilegal, a personalidade jurídica a 7 organizações de defesa dos direitos humanos. No dia seguinte a principal dessas organizações, o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh)  foi invadido pela polícia e teve as suas instalações parcialmente destruídas e apreendidos o seu material. Também o regime expulsou duas missões internacionais de observação dos Direitos Humanos, já depois de ter expulso uma missão do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a qual acusa o regime de «execuções extrajudiciais, torturas, negação de assistência médica, detenções arbitrárias, sequestros e violência sexual».

A 14 de Dezembro, a polícia do regime de Daniel Ortega e de sua mulher Rosario Murillo invadiu as instalações das revistas Confidencial e Niú onde também eram produzidos os programas de televisão Esta Semana e Esta Noche, agredindo o seu director e vários jornalistas ali presentes, apreendendo material e destruindo parcialmente as instalações.

A 21, foi a vez do canal de televisão 100% Notícias ver as suas instalações invadidas sem qualquer mandato judicial, dois dos seus directores foram presos. Uma outra directora foi raptada pela policia desconhecendo-se o seu paradeiro. Foi roubado material da emissora, a qual foi proibida de continuar as suas emissões.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) reunida de emergência face aos acontecimentos, ameaçou de expulsão aquele país, por violação da sua Carta Democrática, ao que Daniel Ortega respondeu acusando a OEA de apoiar a «desestabilização e golpes de Estado». O mesmo sucedeu com os bispos da Nicarágua que apelaram ao diálogo na sociedade ao que o presidente respondeu que eles tem  «mentalidade terrorista e criminosa» acusando-os igualmente de apoiarem insurreição e golpes de estado.

Aquilo vai descambar ainda mais e acabar mal.  Ah, é verdade: quase nada disto vem publicado nos jornais portugueses. E o PCP claro que apoia a ditadura Ortega/Murillo

O ano do Processo de Degradação em Curso (PDC)

30 Dezembro, 2018

O que de mais relevante nos aconteceu em 2018? O Processo de Degradação em Curso. No PREC os amanhãs cantavam. No PDC os amanhãs só querem voltar a ser ontens. No PDC, o “Capital” deu lugar ao “Ó Tempo Volta Para Trás/ traz-me tudo o que perdi” e assim “repor” é palavra de ordem. Mas o Prémio Símbolo Político do Ano vai para esse enigma que é o presidente da câmara de Borba.

Este homem tem um parafuso fora do sítio

28 Dezembro, 2018

António Anselmo, presidente da Câmara Municipal de Borba, disse estar orgulhoso do Estado por o Governo ter anunciado que vai avançar com o pagamento de indemnizações às vítimas da queda da estrada 255 em Borba

à vista de todos

27 Dezembro, 2018
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naom_5a8b0364d9c02Depois de atacar os seus parceiros da coligação que o mantém há três anos no poder, afirmando, taxativamente, que não levará nenhum deles para o governo, António Costa iniciou um discurso de antecipação de dificuldades, que certamente não serão subscritas pelo Bloco e pelo PC. Numa altura em que Costa cai nas sondagens e o PS parece estar cada vez mais distante da maioria absoluta, estará o líder do PS a precipitar-se para o abismo, revelando instintos suicidas que contrastam com o seu proverbial «optimismo irritante»? Talvez. Mas há outra hipótese muito mais plausível do que essa: o primeiro-ministro está, novamente, a cuidar do seu futuro político e a preparar os argumentos que poderão justificar um bloco central com o PSD: os seus anteriores parceiros são irresponsáveis, a crise internacional vem aí e é necessário salvar o país, logo… Para isso falta-lhe apenas um elemento: que Rui Rio consiga um resultado eleitoral que não seja péssimo e lhe dê forças para se manter à frente do partido. O resto já aí está à vista de todos.

Cultura: o que fazer com a “maldição” de Manuel Maria Carrilho

26 Dezembro, 2018

 

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Nos anos 60, depois de um período de grande sucesso, o treinador Béla Guttmann, também por causa de dinheiros, foi-se embora do Benfica, deixando para trás, alegadamente, uma maldição. Não sabemos se a história é verdadeira ou não, mas sabemos que, até hoje, a realidade ainda não a conseguiu desmentir. Será que Manuel Maria Carrilho, que não é propriamente conhecido pelo seu bom feitio, deixou na Ajuda algo do género, uma espécie de “depois de mim, ninguém será feliz neste lugar”?

 

 

Eu era dos que dizia “Feliz Natal”, mas a Fernanda Câncio motivou-me a dizer “Santo Natal”

22 Dezembro, 2018

“Reformar o sistema” é uma daquelas expressões de auto-ajuda recorrentes, que temos que gramar sempre que alguém percebe que há uma certa insatisfação mais aparente do que real com o regime. Consiste em formar grupos de trabalho que tentarão construir manifestos compostos de frases com o menor significado possível e que permitem a obtenção de caloroso conforto ao comunicar à plebe que o regime é reformável ou, mais propriamente, recorrentemente reformável.

Há especialistas consagrados nessa área de dinâmica dos fluidos e há a liga dos pequeninos, uma espécie de distrital que ambiciona chegar a um estatuto de estrela, competindo para alcançar a pretigiada Taça Garoupa ou o Trofeu Aguiar-Conraria, para mencionar apenas dois da longa bicha ministeriável. Parêntesis: nós cá no norte também sabemos dizer “fila”, mas “bicha” é mais eloquente, como tudo que parte das raízes minhotas e transmontanas. Hoje encontrei mais uma dessas equipas, via mensagem de amigo.

Sim, Deus errou.

Com a disponibilização de reflexões de um “Doutorado em Economia da Felicidade” [sic], de um “activista da felicidade” [sic] e até de um “Neo-Generalista em Florescimento Humano” [sic], o leitor poderá passar um Santo Natal entretido a pensar sobre a tragédia que foi Jesus Cristo vir por vontade de Deus à Terra para morrer pela salvação da humanidade. Se precisar de mais provas de que Deus também toma más decisões, visite Portugal. Melhor ainda, enfie um colete amarelo e vá para a rua lamentar-se da existência, mas, por favor, e porque é Natal, diga logo ao que vai em vez de perder energia a massacrar os outros desgraçados conformados com a fortuna de não terem que viver numa das esterqueiras socialistas bem piores que esta.

Um Santo Natal para todos.

A minha mensagem de Feliz Natal e Bom Ano Novo

21 Dezembro, 2018

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Paz e amor para todos!

Saúdinha!

Poupai o que conseguirdes.

Cuidai-vos e diverti-vos.

Blasfemai muito!

 

uma vergonha

21 Dezembro, 2018
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Os nossos conspiradores da extrema-direita-nazi-fascista são de péssima qualidade! Uma vergonha para um mundo onde as «extremas» obtêm sucessos extraordinários e conquistam presidências, governos e as ruas das capitais. Steve Bannon, esse tenebroso Joseph Goebbels da era contemporânea, está desolado e já ameaçou desistir da Península Ibérica, para desespero do VOX, que se precipitou a telefonar-lhe, hoje de manhã, dizendo «pero Steve, los portugueses son mui sueltos, una trampa, Aljubarrota fue una mala suerte, mas nosotros los tenemos en su sitio! no lo hagas eso, hombre!». A vergonha que se abateu hoje sobre nós não pode, todavia, limitar-se ao insucesso das manifestações. Ela é-o, sobretudo, pela estupidez latente em conspiradores que marcam revoluções para sextas-feiras natalícias chuvosas, sem qualquer pretexto evidente. É muita incompetência para tanta presunção!

Gás lacrimogénio para disfarçar o fedor

21 Dezembro, 2018

Rui Ramos diz-nos hoje que “aos nossos oligarcas dava certamente jeito um bocado de gás lacrimogénio para disfarçar o fedor“.

Oligarcas

Eu vendo as imagens de ontem da sessão de apresentação de cumprimentos de Natal ao PR acho que seriam precisos também uns colossais canhões de água para limpeza do ambiente fétido.

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Marcelo comenta morte de Manuel Nascimento de Tondela

19 Dezembro, 2018

 

 

 

 

| Fim de comentário.

 

Nota Editorial: Manuel Nascimento era de Alambique, Tondela. Corrigido o título do post.

 

Recordar é viver

19 Dezembro, 2018

CarlosCesarDeputadosFraudulentos

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a responsabilidade da direita

19 Dezembro, 2018
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rrO país está a cair aos pedaços, fruto de políticas que não fomentaram o investimento em Portugal. Um governo integrado por comunistas e extremistas, que orientou a sua política pela hostilidade – latente e expressa – à iniciativa privada, que reverteu privatizações e impediu que outras se fizessem em empresas públicas falidas, que atacou as escolas privadas, que quer acabar com as parcerias público-privadas em hospitais de referência, que castigou a propriedade imobiliária criando novos impostos e aumentando os existentes, que fez do Alojamento Local, com o que se reavivaram cidades e conquistaram turistas, um inimigo a abater, que fez subir o preço dos combustíveis e de cada novo orçamento um momento de temor de novas tributações, o que se poderia esperar? Que o capital acorresse ao país? Que as pessoas investissem em novos negócios e criassem emprego? Que as empresas prosperassem? E o que se ganhou com isto? Algumas dezenas de euros a mais nas pensões e reformas, devoradas pelo aumento dos preços dos bens essenciais? A expectativa da progressão – sempre adiada ou insuficiente – das carreiras dos funcionários públicos? A manutenção de companhias falidas no sector público, como a CP, que ameaça desmoronar-se a qualquer momento? A degradação, por todos visível, do Serviço Nacional de Saúde, dos Tribunais e da Justiça, da Escola Pública (e Privada), das Polícias e Serviços de Segurança, dos Municípios, sem dinheiro para manter o que têm de gerir? Poderemos sempre dizer que a decadência da economia portuguesa não nasceu com este governo. É, em parte, verdade. Mas só em parte, porque, após um duro período de ajustamento imposto pelos nossos credores da massa falida que era Portugal em 2011, a economia começou a reanimar, graças a meia-dúzia de medidas tomadas com a finalidade de atrair investidores e capital. Depois disso, era necessário fazer mais. Muito mais. Era preciso dar sinais claros de que Portugal aprendera com os erros do passado e que estava, agora, receptivo a modernizar a sua economia e a deixar criar empresas privadas e riqueza. Mas foi o contrário que foi feito, e os indicadores de que estávamos a sair da crise estão todos, agora, a reverter-se.

Nestas circunstâncias, quando entramos no último ano de mandato de um governo desnorteado pela insatisfação das pessoas que viram frustradas as promessas do «fim da austeridade», fustigado por greves sem fim, causadas por esse descontentamento e pela pressão dos partidos extremistas que querem tirar ao PS a hipótese da maioria absoluta, para continuarem a ser imprescindíveis nos próximos quatro anos de governação, onde está uma alternativa clara a este socialismo de miséria a que parece estarmos condenados? Não está.

O PSD, de Rui Rio, continua preso a uma politiquice de estilo dito institucional, onde se limita a fazer de conta que a oposição tem de ser «responsável», não aceitando que as coisas têm de mudar profundamente e que o próximo governo precisa de uma agenda profundamente reformadora do atraso que tivemos nos últimos três anos.

Por conseguinte, não podemos contar com nada de diferente de quem nos tem governado, nem acreditar que haja uma oposição que possa fazer diferente do que tem sido feito. Esta é uma responsabilidade que tem de ser assacada a um PSD, que tem meia-dúzia de meses para nos convencer de que é capaz de ser uma alternativa real ao descalabro que se anuncia abater sobre nós.

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18 Dezembro, 2018

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