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brasil

17 Março, 2016
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As instituições brasileiras parecem ter entrado em estado de catalepsia com a decisão asinina de Dilma Roussef e Lula da Silva de transformarem este último, que está em evidentes dificuldades com a justiça, num ilustre ministro do governo federal. Neste momento, o governo ficou partido e a sua base parlamentar de apoio irremediavelmente dividida. Temer, o vice-presidente, faltou à cerimónia de tomada de posse, em protesto. As instituições juriscidionais tomam decisões contrárias às do governo e mandam suspender a posse de Lula. O governo promete contestas a decisão. O povo vem para as ruas protestar e exigir a prisão de Lula e, agora, também de Dilma, ou para, em muito menor número, apoiar o governo do PT. A polícia atacou manifestantes em Brasília e abandonou a Avenida Paulista. Já houve confrontos sérios entre manifestantes e a sede da CUT foi atacada em Curitiba. A Procuradoria-Geral da República faz ameaças e diz que não se deixa intimidar pelo governo federal. O Supremo Tribunal Federal é visto com desconfiança e acusado de estar a soldo do PT. A comunicação social protesta veementemente e faz eco do que se passa nas ruas. Os opinion-makers estão todos, ou quase, a incentivar a população contra o governo do PT. Uns clamam pelo juiz Sérgio Moro, enquanto no governo federal ele é rotulado de «golpista» e lhe fazem ameaças explícitas. Saltam para a comunicação social escutas telefónicas envolvendo os principais figurões do governo e do PT, com revelações que fariam ruborizar um índio da Amazónia. Numas, Lula diz que o «pessoal da Lava-Jato precisa de ter medo». Noutras, desconsidera Dilma para, um pouco mais adiante, combinar com ela um esquema rasteiro para se safar do  Ministério Público. Marta Suplicy é adjectivada de forma pouco abonatória em conversa telefónica entre Lula e Jacques Wagner. A poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo decorou, ontem, a imponente fachada da sua sede na Paulista com as cores da bandeira brasileira e uma faixa dizendo «renúncia já». Neste fim-de-semana, as revistas Veja e Isto É preparam edições escaldantes, que certamente contribuirão para animar as hostes. Em face disto, de duas uma: ou surge rapidamente uma válvula de escape que acalme as coisas, ou dificilmente o Brasil evitará um desenlace que já conhece doutras eras.

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Mais que a morte, também a vida

17 Março, 2016

Ainda bem que puxas o assunto, Carlos. De outra forma, também o Helder o tinha feito. Acho que a geração será julgada por mais do que a forma com que lida com a morte em nome de um suposto direito: será julgada também pela forma como relativizou a morte e tudo o resto ao abrigo de uma moral colectiva inexistente sem um propósito que não a imposição, por força de Lei, de uma noção antropológica de progresso apoiada no barbarismo primário cuja retórica é agressiva e liminarmente impeditiva de discussão fora do cânone bélico. É uma conquista de outra civilização via Cavalo de Tróia, se não por armas, por acesso e abuso de poder.

O caso do aborto é particularmente sintomático: os portugueses tiveram oportunidade para se pronunciarem sobre se mulher que aborta deve ser penalizada criminalmente, nunca sobre se mulher que deseja abortar deve ser subsidiada para o fazer, que é o que acontece no SNS universal. Sobre a vida humana, quer na questão do aborto, quer na questão da eutanásia, a questão é sempre colocada de forma a que o alegado direito de uns se torne no dever incontestável de outros. Digamos que estas questões, ditas fracturantes, que segregam em barricadas os oponentes, explicam na perfeição como a questão da igualdade nos regimes socialistas é pura fachada propagandística. Iguais, sim, mas uns mais que os outros.

Nas últimas décadas, mesmo após o continuado declínio de questões fracturantes, que fracturam por serem pilares de uma sociedade, viu-se a substituição das questões simbólicas menores como a queima de soutiens (um direito próprio, a não usar soutien, se não lhe apetece, mesmo que o símbolo significasse mais que o uso de uma peça de vestuário) por questões simbólicas de identidade colectiva, como a desgraça de se identificar um brinquedo como de menina ou de menino, onde o que se pretende não é o direito de uma menina a ter um carrinho e sim a remoção física de identificações simbólicas e ancestrais sobre o ser humano e a sua vida em sociedade.

Não é sobre a morte, é sobre a vida: a forma como uma minoria decide que a maioria deve viver.

Tirem uns minutos

17 Março, 2016

Para ver e ouvir Pedro Ferraz da Costa

Mitos convenientes

17 Março, 2016

João César das Neves: «Há séculos que dirigentes e pensadores se deixam levar por fábulas e emoções, normalmente elegantes e convincentes, mas com pouca aderência à realidade. Os tempos rodam, o disparate torna-se evidente, mas então já a geração seguinte de analistas anda intensamente ocupada em criar novos mitos, que alimentam erros subsequentes. (…) Todos estes mitos, por mirabolantes que sejam, escondem o grande embuste que durante vinte anos constituiu a base da política nacional: o mito dos direitos inalienáveis que alguns grupos foram gozando, muito acima do que a produção nacional podia pagar. Funcionários, pensionistas, escolas, hospitais, banca, construtoras, municípios e tantos outros ganharam muito graças ao crescente endividamento público e privado, que a entrada no processo de unificação monetária permitiu, e que rebentou em 2008. A urgência vital da intelectualidade nestes anos tem sido justificar e recuperar esses ganhos o mais possível. A finalidade dos mitos é, portanto, esconder este golpe.»

separados à nascença

17 Março, 2016
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o resto virá depois

16 Março, 2016
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A entrada de Lula da Silva para o governo da «presidenta» Dilma terá uma única consequência: a inevitabilidade do processo de impeachment. O resto virá depois.

É uma forma ainda assim educada de nomear os burros

16 Março, 2016

Tencionava passar uma tarde tranqüila, sem grandes aborrecimentos, ignorando o orçamento da geringonça em vigor até ao rectificativo de Abril, eis que sou confrontado com um artigo de opinião do doutor Rui Tavares1. Nesta brilhante obra de ficção, o doutor Tavares conclui que o Brasil está reconhecível, os brasileiros é que não, o que quer que isto queira dizer. Provavelmente, pensa o leitor, significa que o doutor Tavares reconheceu Copacabana – “sim, lembro-me, é isto” -, mas não reconheceu a senhora que a ele se dirigiu, pedindo para não lhe pisar o pé – “ei, eu conheço você! Você é o Antônio Sala, cara! Sou eu, a Gabrielly!” Mas não, não se trata disso, trata-se do doutor Tavares reconhecer Copacabana mas estranhar os “vícios machistas, racistas e classistas ainda alojados na psique coletiva de parte da sociedade brasileira”. Da última vez que o doutor Tavares esteve no Brasil, há “cinco anos”, não havia qualquer sinal de “vícios machistas, racistas e classistas ainda alojados na psique coletiva de parte da sociedade brasileira”, pelo que os “vícios machistas, racistas e classistas ainda alojados na psique coletiva de parte da sociedade brasileira” devem ter sido implantados desde 2011, altura em que o doutor Tavares não deu pela existência deles. Faz pensar se o doutor Tavares tem consciência do significado de “ainda alojados”, né?

O doutor Tavares continua, afirmando que “este não é o Brasil dos últimos anos, quando dois presidentes — Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva — mudaram para muito melhor a economia e a sociedade do país, a partir de uma política que sempre pareceu uma catástrofe adiada”. Vai-se a ver, doutor Tavares, acabou o adiamento da catástrofe, né? Depois, mais à frente, o doutor Tavares questiona se o cargo ministerial a atribuir a Lula será simbólico ou não; eu diria, doutor Tavares, que o simbolismo associado é bastante evidente, servindo apenas para safar o biltre com quem, inquestionavelmente, o doutor Tavares simpatiza. Não escolhemos as nossas simpatias, às vezes são elas que nos escolhem, se pensarmos na tragédia que foi a campanha do candidato da ala Livre do PS, o professor doutor Sampaio da Nóvoa; outras vezes, as simpatias são o que se consegue arranjar.

Apesar de tudo, queria saudar o doutor Tavares por identificar aquelas que, a partir de agora, são as culpas do Universo a tudo que desagrade o doutor Tavares: machismo, racismo e classismo. A solução para os males do mundo parecem ser o feminismo, miscigenação e abolição de classes. Para a última tenho uma solução imediata para o doutor Tavares: estou a precisar de um trolha que venha cá erguer um muro. Para restantes, também tenho: quem quiser – não pode ser branco – vir miscigenar-se com o doutor Tavares sem olhar a identificação retrógrada de géneros, que venha também.


1 Líder emérito do movimento unipessoal Livre, criado no âmbito do plano de diversidade de fauna e flora promovido pelo Partido Socialista.

Por que é que os deputados brincam às casinhas?

16 Março, 2016

Um exemplo: para quê baixar o IMI em 20 euros por cada criança? Qual é a lógica?

Vamos supor que queremos ajudar as famílias com filhos. Como se faz? Abono de família. Simples e directo. Todas as crianças em condições similares recebem abono de família de forma idêntica. Não é preciso criar um mecanismo novo. Se há necessidade de ajudar as famílias com crianças a solução é aumentar o abono de família em 20 euros. Porquê fazê-lo através do IMI? O IMI não chega a todas as crianças (só às de pais proprietários não isentos). O IMI não tem mecanismo nenhum de ajuda a crianças. É preciso criar uma nova burocracia. Então porquê?

A minha teoria: o deputado tem uma visão mágica da realidade e sente satisfação quando simula uma dádiva através da legislação. Dar através do IMI (que na realidade é um desconto no pagamento) dá ao deputado a sensação que ninguém paga e há alguém que recebe. Ocorreu magia e o deputado saiu satisfeito. Dar através do IMI, que é um esquema elaborado dá ao deputado a sensação de amenizar uma agrura da vida (a conta do IMI vem num dado mês e desequilibra as finanças das famílias). Tem uma história e uma elaboração que aumenta a satisfação do deputado. Aumentar o abono de família teria o mesmo efeito com a vantagem de ser menos burocrático, chegar a todos e dar mais flexibilidade financeira às famílias. Mas não é a mesma coisa. É uma história demasiado abstracta e sem drama que não dá satisfação ao deputado.

Aprovado o orçamento

16 Março, 2016

Uma das principais fontes de burocracia e diarreia legislativa é a vontade dos deputados de brincar às casinhas lá na Assembleia. O governo fez um orçamento que define os destinos de cerca de 80 mil milhões de euros. Nesta fase aumentou impostos  a uns para reduzir impostos a outros e para aumentar salários a um terceiro grupo. Depois deu 50 milhões de euros para os deputados brincarem. E lá estiveram eles por ester dias a baixar o IVA do copo menstrual e do Seitan (que já tinham IVA reduzido, mas isso não impediu ninguém) ou a subir a taxa de TV em 1 euros a uns e a baixá-la em 20 cêntimos a outros (ou vice-versa), ou a dar benefícios fiscais aos animais domésticos e a tirá-los às crianças (desde que filhas de ricos), ou a reduzir o IMI aos pobres mas também aos ricos mas não a quem está ali pelo meio da escala social … Passou  a ser possível ter isenções fiscais com dívidas fiscais (para quê se não há intenção de pagar?), os transportes vão voltar a ser gratuitos para determinadas classes sociais ligadas ao Estado e vamos ter manuais escolares gratuitos (mas apenas para quem os usa, para o contribuinte não são gratuitos). Há também uma nova prestação social para quem já não recebe subsídio de desemprego e também já não recebe subsídio social de desemprego. Será algo como o subsídio social essencialíssimo de desemprego.

Acaba por ficar barato. Ocupa-se os deputados por vários dias e eles só gastam 50 milhões. Mas os custos burocráticos e do legado de direitos adquiridos  são 10 vezes maiores.

Antes que Cambridge coloque isto no index

16 Março, 2016

Revejam-se estas imagens agora que a voz de Lady Penelope desapareceu

Venham daí as estrias e a putrefacção

16 Março, 2016

Vi, n’O Observador, que podemos estar obcecados com o corpo pós-parto. Descobri que a barriga lisa de Deborah Secco foi notícia em todos os jornais, algo que me passou ao lado por não ler muitos jornais e, talvez, por desconhecer a pessoa denominada por Deborah Secco. Porém, admitindo que uma barriga lisa é algo que me interessa há já algum tempo, fui informar-me acerca do assunto para poder agora comentar este tema com a autoridade de um especialista daqueles que comentam assuntos na televisão ou, dadas as circunstâncias certas, até integrar um governo, provavelmente como ministro da educação ou, se o primeiro-ministro for suficientemente parvo, como ministro da economia.

Bem, voltando ao assunto, que tenho a certeza absoluta de não ter a importância letal de um McDonalds com desplante para sugerir que um Meu Pequeno Pónei é brinquedo para meninas, tenho a dizer que a Deborah Secco não é má. Não é, não senhor. Seria, inclusivamente, alguém que, nas circunstâncias adequadas, piroparia na ilegalidade, não fosse a desagradável – para mim – apetência para transformar as costas num letreiro para um extracto do Pai Nosso. “Livrai-me de todo o mal. Amém” pode ser lido em Deborah Secco, aparentemente como protecção contra um mal que não inclui uma agulha a picar a zona. Dir-me-ão que não faz sentido opinar sobre o que cada um manda escrever de forma permanente nas costas, o que até seria verdade, não estivéssemos nós obcecados com o corpo pós-parto, legitimando toda e qualquer preocupação com as costas através da nossa identificada obsessão com a barriga.

antichrist-chaosreignsTambém há umas senhoras que querem ter direito a terem o direito de publicar fotos de estritas pós-parto, nem que não as publiquem, como todos os indignados. Digo assim porque, como o entendi, ninguém coloca em questão se podem ou não ter estrias, só a ignomínia de um povo bruto que não mostra particular interesse pelo privilégio obtido por essas senhoras exibirem alegremente as ditas estrias. Não fosse estarmos obcecados com o corpo pós-parto e a dificuldade em nos concentrarmos em outras obsessões ao mesmo tempo, estaria, através deste post, a propor um paralelo entre comparações de fotos em corpos pós-parto com comparações de fotos de comida antes e depois de digerida. Por exemplo, todos deviam ter o dever de usufruir, sem crítica ou estereótipos castradores, o privilégio que é observar o direito de alguém que publica a foto do prato gourmet seguida da foto do cocó que tal prato gera umas horas depois. E, assim sim, seríamos transparentes, não discriminadores e sem obsessões castradoras que impedem uma mulher de comer à fartazana ou de procriar com medo de perder uma figura que acabará, como o prato gourmet, digerido e transformado em comida para vermes.

Daí que proponho uma boa tatuagem para as costas, que se querem lisas: “o pó retorne à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o concedeu” (Eclesiastes 12:7).

Isto está a compor-se

16 Março, 2016

Em Cambridge foi cancelada uma festa de estudantes cujo tema era A Volta ao Mundo em Oitenta Dias de Jules Verne. Não por reação dos estudantes apoiantes do Brexit ao uso de um autor da malévola Europa continental. Porque se considerou que como o livro que dava tema à festa se passava em fins do século XIX, numa época colonial europeia, tinha ‘potencial para ofensa’ aos estudantes estrangeiros que aparentemente estão ainda em 2016 oprimidos pela colonização dos tempos de Phileas Fogg.

 

nunca visto

15 Março, 2016
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O que se está a passar no Brasil é coisa nunca vista em lado nenhum. Com raríssimas excepções, não há na classe dirigente desse imenso país um só político que não esteja envolvido em escândalos de corrupção. E se me pedirem para pôr as mãos no fogo por qualquer uma dessas «excepções raríssimas», garantidamente não o farei. A verdade é que atrás de um sempre vêm outros e que os acusadores de hoje são os acusados de amanhã. O sistema, muito norte-americano, da «delação premiada» leva a que quem se sente no sufoco ponha a boca no trombone para se tentar safar, ou, pelo menos, para levar uma pancada menos forte, e entregue toda a gente.

Os anos que passei no Brasil permitiram-me entender a origem do fenómeno. Ela reside, a meu ver, numa verdadeira concepção patrimonialista do estado, segundo a qual quem o governa nos seus diferentes níveis federal, estadual ou municipal o tem como coisa sua, que usa como mais lhe convier. Por essa razão, o tradicional conceito de corrupção política não se aplica, a meu ver, nesse país. Até porque, geralmente, a corrupção é uma excepção à regra, ao passo que, no Brasil, a regra é a nossa excepção. Entre os governantes, senadores, congressistas e autarcas do PT – que se fartaram de roubar, à descarada, nos últimos quinze anos – e dos demais partidos, há, essencialmente, uma diferença temporal: os primeiros chegaram ao poder depois dos outros e trataram de se abastecer mais depressa e com maior voracidade do que o habitual, com medo de o perder mais cedo. Por conseguinte, não causa grande espanto encontrar como beneficiários e agentes do «Petrolão», ou de outro escândalo qualquer (para quando uma auditoria a sério ao BNDES…), o Lula, a Dilma, o Aécio, ou outro qualquer marmanjo que faça da política o seu modo de vida. Essa é a regra do Brasil, confirmada pelo excelente nível de vida ostentado pela generalidade dos políticos com cargos executivos prolongados no tempo.

No meio desta algazarra que por lá vai, há, contudo, uma coisa verdadeiramente difícil de compreender: donde vem a força dos (poucos) homens do Ministério Público e da Polícia Federal que andam a prender meio Brasil político e se preparam para prender a outra metade. Só para se ter uma ideia da dimensão disto, a Operação Lava-Jato vai na sua 24ª fase, na qual se prepara a prisão do Lula, e tem previstas, ao que se sabe, 70… Por outro lado, a proclamação ao país de Sérgio Moro, em forma de nota à comunicação social, após as manifestações do último domingo, na qual dizia que será «importante que as autoridades e partidos ouçam a voz que vem das ruas», também é coisa bizarra, a precisar ainda de ser bem entendida.

Social-democracia sempre, meu irmão!

14 Março, 2016

“Se não os podes vencer, junta-te a eles” é uma expressão que fica sempre a meio. O resto da expressão é “e rebenta-os por dentro”.

A direita portuguesa tem duas hipóteses: ou procura um rumo (e, inevitavelmente, falha), ou deixa-se estar quietinha, só repetindo o inócuo mantra da “social-democracia”, enquanto o (também inevitável) incêndio acontece. Quietinha, sem espernear, sem consumir oxigénio necessário à sobrevivência neste período de regabofe. Não há denúncia possível das políticas irresponsáveis do Costa e pantomineiros associados; denunciar o quê? O rumo ao socialismo? Denunciar a óbvia constitucionalidade do desígnio nacional? O PS foi para o governo, deve governar, nem que isso signifique (que significa sempre) o degredo. As pessoas vão aprender a não mais votarem em palermas e a aceitarem que estes governem mesmo perdendo as eleições? Provavelmente, não; mas não será denunciando de forma exuberante as palermices de palermas que algo mudará, só chateará mais quem já anda nisto dos amanhãs há mais de 20 ou 30 anos.

Para mim, a única forma de alguém (eventualmente) aprender alguma coisa, é deixando a limpeza para quem suja. Aprendi isso com o PEC4, abençoado seja Sócrates, o pedagogo.

Não percebo

14 Março, 2016

Um terço dos dirigentes do Instituto do Emprego substituído Esta substituição é explicada pela “necessidade de imprimir uma nova dinâmica à prossecução das prioridades”.
Como se sabe que os 2/3 que não são susbtituídos conseguem “imprimir uma nova dinâmica à prossecução das prioridades”?
Dir-me-ão que este 1/3 corresponde à gente que lá foi metida pelo PSD/CDS. Muito provavelmente sim. O que não deixa de abonar a favor da PAF, senão reparem ao fim de quatro anos de governo tinham 1/3 dos dirigentes deste institituto. Pois os outros 2/3 em que os socialistas agora não mexem serão de que partido?

Dos queridos líderes àqueles que viram páginas…

14 Março, 2016

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Que tanto com Sócrates como com Lula tenha sido necessário chegar aos extremos policiais por todos conhecidos é bem sintomático desse síndroma do “querido líder ao grande líder mas sempre com o líder” que ataca a esquerda. Tal sucede não porque a esquerda seja mais corrupta mas sim porque a complacência em relação aos seus se tornou na sua forma de sobreviver no poder e consequentemente também na sua maldição assim que o deixa.

O reverso desta complacência é a judicialização da vida e da política. Mas sejamos claros: se não tivessem acabado envolvidos em casos de corrupção, homens como Sócrates e Lula continuariam a ser considerados não só grandes políticos como promotores do desenvolvimento dos respectivos países. 

A frase da semana

13 Março, 2016

É de Afonso Camões. Sim, o próprio , escreveu a propósito de Assunção Cristas: «ser mulher e mãe de quatro filhos, ter dado um passo, atravessar-se, chegar-se à frente, são tudo sinais de que a Direita, tradicionalmente portadora do preconceito sexista, quer e está a saber renovar-se»

Enfim, ente os tradicionalmente não portadores de preconceitos sexistas, tipo o PS, quais foram as mulheres que ocuparam cargos equivalentes aos de Cristas e de Manuela Ferreira Leite?

 

 

o que portas podia agora fazer

13 Março, 2016
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Voto útil e o CDS

13 Março, 2016

A estratégia do novo CDS parece ser aproximar-se do centro, dizer que o Costa acabou o voto útil e tirar uns votos ao PSD. A ideia que o voto útil acabou é apenas wishful thinking, não é estratégia. Se realmente acreditam nisso deviam agir pela calada, crescendo e tornando-se alternativa ao PSD. Na verdade, se a jogada do Costa tivesse consequências permanentes seria a de que a esquerda formaria um bloco estanque e a direita outro bloco estanque, e governaria o que tivesse maioria absoluta. O problema é que, com este seu posicionamento, o CDS coloca-se como potencial aliado do PS. E isso não o imuniza contra o voto útil.

Procura-se (M/F)

13 Março, 2016

Há duas hipóteses para uma mulher que seja líder de um partido. A primeira hipótese é agir como mulher, de forma pragmática, sem grandes considerações pelas nomenclaturas e ortodoxia, com atenção ao detalhe e capaz de embelezar os pontos fracos de forma a que se integrem num todo agradável, maior que a soma das partes. A segunda hipótese é agir como homem, caçando, mostrando o tamanho do pescado na foto sobre a lareira – óbvia substituição para uma foto do pénis -, entrando em quezílias sobre controlo territorial e fazendo fúteis tentativas de redefinição dos papéis antropologicamente herdados, procurando controlar tudo e mais alguma coisa bem para lá das competências, capacidade e autoridade.

Agora, Cristas, é escolher. Podes ser Thatcher ou podes ser António Costa.

o eterno feminino

13 Março, 2016
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Por qualquer motivo que me escapa, o CDS anda amofinado com o Governador do Banco de Portugal, e parece estar disponível para promover uma «reforma» (não esquecer que o CDS é o partido a quem todos devemos a última grande reforma do estado) no sentido de tornar essa função mais dependente dos outros órgãos de soberania, a saber, do governo e do próprio presidente da República. Esta foi, por enquanto, a mais forte mensagem do Congresso do CDS e da nova líder do partido, a Dra. Assunção Cristas, a quem talvez tenhamos ainda a sorte de ver propor outras medidas reformistas do mesmo sentido, como, por exemplo, a nomeação governamental dos presidentes do Benfica e do Futebol Clube do Porto. A última personagem que me lembro de ter feito idêntica inflexão na independência de um banco central face ao governo, independência que é inadmissível num verdadeiro estado de direito, foi a «presidenta» Dilma Roussef, que pôs o Banco Central do Brasil ao serviço da economia produtiva e das estratégias de crescimento económico do seu governo federal. Foi um sucesso, como se tem constatado.

É vintage, é bom

12 Março, 2016

Há um tipo de português, o serôdio, com expressão significativa no governo e na coligação que o suporta, que vive apaixonado por uma ideia de um Portugal que crê ter existido, tal é o ensino da história nas escolas portuguesas. Catarina Portas é uma moça que se veste bem, com vestidos caros e sapatos daqueles tão giros que justificam um Carlos Santos Silva para quem não possui a fortuna (nem o engenho) para os adquirir sem bondade de estranhos; felizmente – para ela -, Catarina tem.

Portugal antigo, vintage, de traça conservada, sem McDonalds e Zaras, sem sushi e sem gin, que cá é só ginjinha e aguardente de passível apreensão pela ASAE. Sem esgotos e sem hospitais privados para a elite socialista, com baldes de trampa a serem atirados da janela para a via pública, de preferencia antes de se enterrarem os mortos, acto que permitiu desintoxicar o ar para o usufruto do odor de escorbuto e do hálito a dentes retirados no ferreiro. Unhas tratadas coçando os excrementos depositados nas virilhas e sífilis, tão cosmopolita, nessa ternura vintage da época áurea da grandeza lusitana, a cantada por Camões ao povo, que protesta contra os gazes de suínos que partilham o curral com o leito da donzela. Ou o Portugal vintage mais tardio, sem turistas em horda, com fadistas portuguesas e não romenas ou tailandesas, em que os problemas se resolviam no quarto, ao bofetão, antes, durante e após a tuberculose. Tudo com pasta medicinal Couto e sabonetes Oprah, que boca que beija os filhos quer-se lavada de colonialismos imperialistas sem comprimidos azuis para maricas: homem que é homem estava sempre pronto para propagar o português suave.

Depois veio o McDonalds e estragou tudo. Estávamos nós tão entretidos com a traça original das cidades, com a rota dos tascos e com as vielas das putas, vieram estragar tudo com carne no meio do pão, descaracterizando o nosso belo país. Haveremos de nos reerguer e assegurar a grandeza de antigamente, de morrer aos 37 sem saber ler nem escrever, vintage-style.

Espero que esta loja icónica abra em Lisboa

12 Março, 2016

Afinal o fatinho em causa só custa 1200 libras valor que pelos vistos só a mim que o cobiço me parece excessivo. Mas se tudo correr bem o Chiado ficará livre da Zara onde um conjuntinho destes custará para aí 40 euros.Mas a Zara não é uma loja icónica. É o grande capitalismo internacional. Isto para não falar desta outra  loja icónica também abrir no Chiado porque estas malitas ficariam muito bem na montra e nas mãos de muita gente.

Se tudo correr bem ficaremos cheios de lojas icónicas, o Governo apoiará fiscalmente as lojas icónicas. E nós voltaremos a fazer fatinhos em casa porque a iconografia está um pouco cara.

Orgulhosamente sós

12 Março, 2016

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Catarina Portas não quer Mc Donalds na baixa de Lisboa e anda preocupada com as lojas antigas que vão ter que fechar porque não conseguem pagar rendas actualizadas.

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Catarina Martins e o Bloco são contra as privatizações porque põem em causa a soberania nacional.

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Marcelo Rebelo de Sousa quer combater a dominância da banca espanhola. Mas aceita aliar-se aos capitais angolanos. (Primeira visita de Marcelo é ao Vaticano e a Espanha. A seguir vai a Moçambique onde o pai foi governador).

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Vitor Bento quer nacionalizar o Novo Banco, também para combater a dominância do capital estrangeiro. As elites estão aflitas. Não sabem viver sem um banco.

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PS – Ministro da Economia pediu aos portugueses para não abastecerem em Espanha. Por outro lado, os suinicultores andam lixados com a carne de porco espanhola, mais barata. Tanto os suinicultores como os produtores de leite querem quotas de produção para resistirem à concorrência estrangeira.

Eu sei que os portugueses são esmagadoramente ricos

12 Março, 2016

tão ricos que quando viajam para outros países pobres com restaurantes mais que acessíveis às nossas bolsas como a Holanda ou a Noruega nem entram no McDonald’s.

Mas admitam que há uns portugueses pobres que dão graças aos céus por existir um McDonald’s nessas e noutras paragens porque a não ser que levem o cartão de crédito até ao fim não se sentam mais a família nos magníficos, típicos e ancestrais restaurantes que as nossas élites adoram e onde pelos vistos comem sem qualquer problema.

Quanto ao McDonald’s no Chiado que tanto preocupa Catarina Portas só posso dizer que talvez os empregados da McDonald’s sorriam o que será uma vantagem comparativa com os da Brasileira. E sobre o Starbucks na estação dos Restauradores  assim que me lembre antes não estava lá nada. Ou estavam umas coisas da CP e um cheiro horrível. Mas isto sou eu a falar claro que sou uma fanática do capitalismo internacional e que por isso ando de transportes públicos – e por isso conheci a estação dos Restauradores antes de a Starbucks se ter lá instalado – e que no estrangeiro e às vezes cá vou comer ao McDonald’s.

E por fim dou graças aos céus de todos os deuses por existir a Zara e não apenas aquelas lojas magnificas com preços proibitivos.

a tinoransnização em curso

12 Março, 2016
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Marcelo foi sempre um bicho frio e racional. Nunca esteve perto do estilo do «Paulinho das Feiras», que, aliás, se retira simbolicamente da política um dia depois dele ter entrado na presidência. Os seus «afectos» estiveram sempre na Quinta da Marinha, no Grémio Literário e no Conselho Científico da Faculdade de Direito de Lisboa, onde não consta que escorra ternura das paredes. Não são, seguramente, os «afectos» do people do hip-hop do Cerco, com quem hoje confraternizou ridiculamente e fez umas rimas apatetadas. Marcelo também não é o papa Francisco para ter de espalhar a «Boa Nova» em terras onde Cristo ainda não chegou. Júdice, que é tudo menos parvo, disse que Marcelo corre o risco de desiludir, por ter colocado muito alta a parada. Diria mais: por este bizarro caminho, quando as rimas do «hip-hop» secarem e os afectos se esvaírem, não ficará nada. O anti-Cavaco não precisa de ser o Tino de Rans. Alguém que lhe dê bons conselhos.

Ana Avoila e Arménio Carlos uhuhu…Onde estão?

11 Março, 2016

Protesto dos Suinicultores. PSP encaminha 250 camiões para a Alta de Lisboa. Um grupo de suinicultores foi recebido no Ministério da Agricultura, mas não chegou a haver reunião. À medida que as horas vão passando, o trânsito complica-se na área da grande Lisboa.

Fossem manifestar-se em frente à AR e a avaliar pelo acontecido antes eram tratados como heróis

11 Março, 2016

«Tensão entre suinicultores e polícias junto à 2ª Circular em Lisboa»

Atenção: Apelo a todos os portugueses

11 Março, 2016

Em nome do Senhor Ministro da Economia, Professor Doutor Cabral, apelo a todos os portugueses para que não abasteçam em Espanha. Se, por motivos alheios à vossa vontade, ficarem com um depósito vazio em território espanhol, podem solicitar o serviço de abastecimento nacional, que diligentemente e prontamente levará um camião-cisterna com combustível até ao local desejado por uma taxa de valor insignificante.

Para assegurar que não abastecem em Espanha, solicito a todos os condutores que adquiram um bidão de 85 litros, devidamente homologado, à venda na loja do Ministério da Economia, que deverão ter na mala do carro sempre atestado com o combustível correcto para o veículo em questão.

Portugal agradece a todos a colaboração.

Deflação e demografia I

11 Março, 2016

Alemanha:

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Japão (população):

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Momento de boa disposição anotado

11 Março, 2016

Como hoje é sexta-feira e a previsão metereológica dá esperanças de um fim-de-semana agradável, decidi presentear os leitores com o comentário mental que acompanha a elaboração de um texto do doutor Pedro Lains, doutor, comentário este dotado de uma profundidade e uma latitude apenas alcançável por mentes luminosas, eventualmente por emissões radioactivas ou acidentes do género.

Já nem há maneira de dizer o mesmo, vezes sem conta.

Mas vou tentar na mesma. Ler mais…

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11 Março, 2016
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O estatismo projectou a ideia, que vingou em sociedades mais frágeis, como a portuguesa, de que os governantes são uma espécie de seres superiores ao comum dos mortais, de elevada inteligência, com capacidades para além do normal, que zelam, abnegadamente, pela nossa felicidade. Erro fatal: não apenas são homens exactamente iguais aos outros nas suas limitações e incapacidades, como muitos deles têm um elevado quociente de estupidez congénita, que o vício e a dependência da política agravaram e obstruíram o mais elementar sentido crítico. E esta gente toma decisões que a todos nos podem afectar. É bom estarmos conscientes disso.

Manuais gratuitos, que o ar é de todos, e o c******

11 Março, 2016

Os manuais escolares dividem-se em dois grupos: o manual propriamente dito e os cadernos de actividades, estes últimos podendo incluir coisas tão variadas como um CD-ROM (só para Windows) ou, nos casos mais extremos, um cacto, um cavalo, uma locomotiva a vapor ou uma estátua em tamanho real de uma namorada de Sócrates (objectos hipotéticos, enquadrados no plano pedagógico nacional, decidido por uma pessoa tão brilhante que até mora em Lisboa). Obrigatório, obrigatório, só mesmo o manual. O resto é “facultativo”, no mesmo sentido que um rim é facultativo, sendo perfeitamente possível viver apenas com um, se assim desejar, que a liberdade é muito bonita. Porém, se “decidir” que “deseja” comprar os cadernos de “actividades”, isto para “ajudar” o petiz a encarar as “dificuldades” de “aprendizagens” que “adquirirá” ao longo do “ano” lectivo, desembolsará tanto como desembolsa para o “manual” propriamente dito (nos casos em que as editoras são simpáticas).

Uma coisa que foi simpática para as editoras foi o “acordo” ortográfico. Sim, aquela trampa demonstrativa da inépcia de uma certa academia balofa de artolas inúteis que serviu apenas para obrigar a máquina keynesiana que escava e tapa buracos a republicar tudo e mais alguma coisa, não fosse um C perdido prejudicar gravemente a psique do petiz que nunca deverá ser confrontado com tal aberração ortográfica sob pena de exclusão social permanente e irreversível por associação subconsciente ao fássismo de Salazar. Outra coisa que será simpática para as editoras será a revogação da aberração sem regras, senso, lógica ou fundamento que é o dito aborto ortográfico (agora sem aspas). 

Agora, que os manuais para os petizes ranhosos serão gratuitos – viva António Costa, o grande! -, haverá oportunidade para triplicar o custo dos cadernos de actividades e objetos apensos. Manual grátis, caderno de actividades encadernado a couro e decorado a ouro pela módica quantia de 98,89€, que é para aprenderes cedinho o que acontece quando socialistas se esforçam para distorcer o mercado. Se fosse um livreiro sabia bem o que fazer nestes meses: além de planear mais uns anexos (sei lá, um pôster do Carlos Cruz, um avental para meninos e uma tenaz de ferreiro para meninas, por exemplo), estaria a protestar contra o acordo ortográfico a ver se se revia a coisa a tempo de reeditar tudo mais uma vez.

internem-no!

10 Março, 2016
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Mario-Draghi-laughingA loucura total apossou-se, de vez, de Mario Draghi e do Banco Central Europeu. Depois do fracasso de anos sucessivos a manter as taxas de juros artificialmente baixas, convencido de que, com isso, criaria incentivos para relançar a economia, percebeu que os bancos estão falidos e sem capital para emprestarem às pessoas. Vai daí, o BCE, sob a irresponsabilidade suicida do seu presidente, prepara-se para «pagar» aos bancos para que estes financiem as pessoas e as empresas. Pagar com o quê? Com mais pedaços de papel pintados pelo seu banco, ao qual dão o nome de «dinheiro». Mas, como é evidente, só um tolinho poderá convencer-se que o aumento da circulação de pedaços de papel pintados pelo sr. Draghi poderá incentivar seja o que for. A economia real, aquela que as pessoas e os bancos efectivamente sentem, continuará a piorar. Porque, se Draghi quer que as coisas melhorem, a solução é elementar, apesar de ser a exactamente contrária à que Mario Draghi tem posto em prática: deixar as pessoas e os bancos desenvolverem livremente a sua actividade, não os forçando a juros artificialmente baixos, com os quais ninguém está disposto a depositar as suas economias em bancos que todos desconfiamos estarem falidos. Porque a questão é mesmo essa: qual a vantagem, nos dias que correm, em ter as poupanças num banco falido, que nada nos paga por esse risco, ou tê-las debaixo do colchão? E, sem as economias das pessoas depositadas, aonde vão os bancos buscar capital para desenvolverem a sua actividade? A resposta parece evidente, embora Mario Draghi continue sem a perceber.

Não percebo a indignação

10 Março, 2016

Estas santas e disponíveis almas rumaram à apresentação do livro do Henrique Raposo e cantaram

Note-se que até nem cantaram mal e em boa verdade a sessão de cantoria até podia passar por uma animação.
Se o Henrique Raposo tivesse apresentado o livro ali por 2012/2013 teria umas inapresentáveis criaturas a interromper a sessão aos gritos alegando que tinham fome, que a cultura estava a ser sufocada e outros dislates que os autores, editores e demais presentes tinham de aguentar com cara de dalai lama até que o destrambelho acabasse. E quando cantavam a coisa era péssima. Deu-lhes para as grandoladas, para mais cantavam pior que mal – devia ser da fome! – e para cúmulo havia sempre umas mulheres com aquelas roupas algures entre a Desigual e aquelas barracas de roupa étnica que enxameiam o litoral.
Ora estes senhores não sé cantam bem como são umas criaturas sóbrias. Quem os quiser contratar para futuras actuações em casamentos, baptizados e lançamento de livros deve ligar para?

Canto I

10 Março, 2016

As frases e as imagens proibidas,
Que em boa hora brotam do Correio
Depois de manhãs de manchetes perdidas
Por vã tentativa de porco asseio,
Se ora já expõem a nu más vidas
Que outrora nunca olharam a meios,
Como, aliás, é hábito do Rato,
É só porque “tu é que és um buraco”.

Se há quem diga que é até imoral
Por bondade para com vil putaria,
Digo que é um caso bem especial
Porque manso só se for a tua tia.
E se vida se perde por erro fatal,
Tornando a carne do bicho em fria,
É olho por olho e dente por dente,
Que quem não se sente não é boa gente.

O Sindicato dos Jornalistas afinal não se auto-extinguiu

10 Março, 2016

Descobri que o Sindicato dos Jornalistas ainda existe. E fala. Tem opiniões. Faz acusações. É certo que as mesmas são dirigidas a Bruno de Carvalho, presidente do Sporting. Mas certamente que aproveitando esta quebra na sua hibernação vai também este sindicato dizer alguma coisita, mesmo que pequenita sobre o facto de Arons de Carvalho, membro da ERC, surgir na investigação a Sócrates a discutir com o próprio um processo deste contra o Correio da Manhã. Aliás segundo se escreve neste jornal Arons “Não só discute o agendamento do caso como dá o conteúdo da defesa do CM.”“Não só discute o agendamento do caso como dá o conteúdo da defesa do CM.”

espero que Bruno de Carvalho, e já agora Pinto da Costa mais o Jesus e Luís Filpe Vieira subam o tom das acusações aos jornalistas para que o Sindicato dos Jornalistas se mantenha desperto. E assim quem sabe um dia lá se pronunciarão sobre o assunto.

 

Fujam! Vem aí outro espaço mítico: a discoteca Jamaica

10 Março, 2016

Começou o “Ninguém quer que o Jamaica acabe” mais o “Jamaica, espaço mítico”. Espaço mítico não sei o que significará no resto do mundo. Já na cidade de Lisboa esta expressão quer dizer local que graças a campanhas mediáticas se mantém inalterado, degradando-se por décadas. Afinal, além de mais despesa, o que resultou da “salvação” dos cinemas Paris, Europa, Roma e São Jorge?

Robalos, disse robalos?

9 Março, 2016

Na ementa do almoço hoje servido em Belém constava robalo. Fosse Cavaco o presidente e os augures do regime já estavam a ler as mensagens inscritas na escolha de tal peixe.

as mãos bem visíveis

9 Março, 2016
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No seu discurso inaugural, Marcelo Rebelo de Sousa condenou «a mão invisível» que «apagou, subalternizou e marginalizou» os portugueses. Houve quem visse nisto uma crítica ao capitalismo e ao liberalismo de mercado. Erro puro. Marcelo, que é tudo menos analfabeto, sabe bem que o estado em que o país se encontra é devido a muitas mãos bem visíveis que o encaminharam para esse misero estado. As mãos do BPN, do BES, das PPPs, dos gastos irresponsáveis dos sucessivos governos suportados pelos impostos dos contribuintes, das megalomanias do betão, dos legisladores que põem em fuga os capitais estrangeiros e que dificultam, à exaustão, a vida das empresas, das leis proteccionistas que aumentam o desemprego e apenas protegem os profissionais do sindicalismo, etc.. Essas mãos têm braços, troncos, cabeças, rostos e nomes. Podem é andar escondidas ou disfarçadas. Ou pode Marcelo ter tido uma quebra de memória provocada elevado stress com que deve andar. Como ele tem fama de hipocondríaco ou de, pelo menos, ter a obsessão por medicamentos, não lhe fazia mal nenhum começar a tomar qualquer coisa para a melhorar. Vai precisar dela fresca nos próximos tempos.