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Congresso PSD – Objectivos

1 Abril, 2016

Hoje, amanhã e Domingo, estarei no congresso do PSD como convidado blogger. Como blogger, vejo a minha função não como de relatar os acontecimentos e sim como olho independente interessado em descobrir a correlação entre os acontecimentos do congresso e o que é reportado pelos média convencionais. A julgar pelas notícias desta manhã, os jornais parecem decididos em mostrar que, além do PS, também uma parte substancial do PSD está interessada na rápida substituição de Passos Coelho por um cordeirinho mais simpático para permitir latitude à geringonça. Partindo da dúvida oriunda da visível agenda mediática, quero ver se é mesmo assim.

àquela parte

30 Março, 2016
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Pedro+Passos+Coelho+Portuguese+PM+Coelho+Visits+_8ksa8mfWKil

As boas almas – e Portugal está cheio delas – contorcem-se com o destino do PSD liderado por Pedro Passos Coelho. Não há opinador que não garanta que Passos está a prazo, e o partido condenado à desgraça enquanto ele por lá andar. Rui Rio, a mais ilustre promessa da política portuguesa desde D. Sebastião no dia seguinte a Alcácer-Quibir, garantiu hoje à nação que só não irá ao congresso do seu partido por excesso de virtude e humildade, certo e seguro de que seria o centro das atenções dessa gloriosa epopeia social-democrata. Ele aposta, como faz desde que nasceu para a política, que, tal como Maomé, se ele não for ter com o PSD, o PSD irá ter inevitavelmente com ele. Mas, afinal de contas, qual foi a desgraça de Passos que o encheu de sarna e, ao partido, de lepra? Fez disparates irredimíveis enquanto governou? Recebeu um país rico e entregou-o falido? Não deu o peito às balas, quando o país precisava dele, e refugiou-se nalguma sinecura do regime ou de Bruxelas? Perdeu, absurdamente, as eleições a que se candidatou? Mistério! Para o resolver, talvez fosse interessante olhar aqui para o lado, para a vizinha Espanha, para o partido homólogo do PSD, o Partido Popular, e para o seu líder, Mariano Rajoy. Pois bem, Rajoy preside ao PP desde 2004. Só ganhou eleições em 2011. Nesse breve entretanto, de mais de sete anos, em que perdeu eleições, o PP soube aguardar. Não consta que tenha aparecido por lá nenhum Sebastião nortenho com ganas de o substituir. Levou o PP ao governo em 2011 e ganhou as eleições de 2015, mas também perdeu, por enquanto, o governo. Por estas e outras razões, deste humilde cantinho, deixo uma sugestão a Passos Coelho, em relação aos seus coveiros: levante a cabeça e mande-os à merda.

causas esganiçantes

30 Março, 2016
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Parece que o anedotário político lusitano vai ficar enriquecido com o processo que as senhoras do Bloco de Esquerda moveram ao Pedro Arroja, por este ter dito, na televisão, que elas eram umas «esganiçadas» e que não queria nenhuma delas em casa dele, «nem dadas».

Obviamente que se a matéria do delito for o tom de voz de cada uma das senhoras a quem o eventual criminoso (é assim que se escreve nas páginas de investigação criminal dos nossos jornais) se referia, bem pode o Pedro Arroja contar com pena de prisão efectiva, bem pesada. Como salientava, há dias, um escriba da nossa praça, nenhuma delas fala particularmente alto e quase todas têm vozes doces e meigas.

Mas se o «esganiçanço» de que o Pedro falava for mental e não verbal, aí, santa paciência, nenhuma delas escapa à adjectivação. Por definição, os radicalismos políticos são formas pouco suaves de esganiçanço ideológico, e pelo Bloco não há propriamente ideias suaves, a começar pelas sucessivas «causas fracturantes» com que, nos últimos anos, foram esganiçando o país.

De tomo o modo, vai ser um fartote de riso.

golpe de estado no brasil

30 Março, 2016
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Segundo a líder do Bloco de Esquerda, está em curso um «golpe de estado» no Brasil. A acusação é grave e deve ser ponderada, com apreensão.

Ora, o que se está a passar nesse país? Duas coisas, a saber:

A primeira, o apuramento de eventuais responsabilidades criminais da «presidenta» no processo Lava-Jato, que é relativo à corrupção na Petrobrás. Este processo está a ser desencadeado pelas autoridades previstas na Constituição Federal, sob a fiscalização e tutela do Supremo Tribunal Federal, sem qualquer atropelo às formalidades e exigências legais previstas. Não poderá ser nisto que Catarina Martins estava a pensar.

Por conseguinte, a deputada deveria querer referir-se às jogadas que têm ocorrido no Congresso brasileiro, com as manobras na base dos partidos que formam a coligação governamental, a última das quais ontem ocorrida com o abandono do PMDB do governo. Por aqui, se o governo brasileiro perder maioria nas câmaras parlamentares poderá cair e a «presidenta» será provavelmente substituída pelo seu actual vice-presidente, Michel Temer. Deve ser exactamente a isto que a deputada se queria referir.

Contudo, isto, a acontecer, será exactamente igual ao que sucedeu recentemente em Portugal, com a queda do segundo governo Passos e a ida para o governo de António Costa e do PS. Também aqui o PS não ganhou as eleições e está hoje a chefiar o governo. Na altura, houve também quem dissesse tratar-se de um «golpe de estado constitucional», mas a senhora deputada entendeu de outra maneira. Foi uma precursora do que hoje se passa no Brasil. Quase uma visionária!

Reformismo de Passos Coelho versus reformismo de Costa

30 Março, 2016

Reformas de Passos Coelho:

  • Eliminar golden shares e privatizar empresas públicas
  • Liberalizar as rendas antigas
  • Reduzir indemnizações e outras restrições do mercado laboral
  • Reduzir custos do trabalho (via redução da TSU em certos casos, redução de feriados e de férias)
  • Liberalizar actividades relacionadas com o turismo incluindo alojamento local
  • Acabar com os horários zero no ensino público
  • Implementar mecanismos de mobilidade na administração pública
  • Tornar a ADSE num seguro pago pelos beneficiários
  • Redução dos benefícios sociais para os tornar adequados à contribuições e ao dinheiro disponível
  • Reduzir o IRC para tornar o país atractivo para investimento estrangeiro
  • Concessionar a privados os transportes urbanos, reduzindo custos e efeitos das greves.

Reformas propostas por António Costa (PDF):

  • Gastar mais dinheiro em educação
  • Gastar dinheiro em vários esquemas de fomento de empreendedorismo e apoio a empresas
  • Reduzir a precariedade laboral … no sector público
  • Gastar mais dinheiro nos transportes urbanos e em vários programas para as cidades
  • Subsídios à reabilitação urbana
  • Simplex (contrariando todas as outras medidas que envolvem microgestão da sociedade e da economia)
  • Duplicar o peso da economia do mar no PIB
  • Capitalizar as empresas com vários esquemas de subsídios (depois de ter travado a descida do IRC) e leis especiais.
  • Aumentar o complemento solidário para idosos e outras prestações sociais

 

Vamos lá ver se os polícias tivessem baleado três ciganos como seriam os títulos?

29 Março, 2016
Dois polícias e um civil baleados na Alta de Lisboa
Tiroteio em Lisboa faz cinco feridos
Três polícias entre cinco baleados em confrontos em Lisboa

Agradece-se informação sobre os critérios

29 Março, 2016

que levam a que a se use um dos seguintes termos/expressões

a) etnia cigana

b) residentes no bairro de…

c) familias

d) feirantes

e) comunidade cigana

“I have a dream”

29 Março, 2016

Um dia, Adalberto Mitra, emigrante em Leipzig desde 1973, oriundo de Samaiões, Chaves, bigode farfalhudamente branco dos seus 77 anos, será conhecido como o legítimo sucessor de Rosa Parks, ao sentar e recusar sair da carruagem destinada a mulheres quando a isso solicitado por pencuda progressista de skinny jeans envolvendo pernas rechonchudas.

Abracemos o ISIS, pelo multiculturalismo

29 Março, 2016

Há pessoas que, justificando acções macabras de muçulmanos, usam a ideia de culpa do Bush, do Aznar, do Blair e, sobretudo – porque é do PSD e esse é o alvo a abater – do Durão Barroso. Tudo bem. Outros ainda, quando não os mesmos, usam as Cruzadas, a Inquisição Espanhola e o que mais se lembrarem que tenha crucifixos para o efeito. Também tudo bem. Isto tem é dois problemas: como o Islão é uma religião mais recente que o Cristianismo – Jesus morreu e ressuscitou em 33, Maomé chega a Medina 589 anos depois – toda a violência muçulmana pode ser explicada à luz das Cruzadas, com um atraso de mais ou menos 600 anos. Desde o início da Inquisição Espanhola até que Ayatollah Khomeini declarou que Salman Rushdie devia morrer passaram 511 anos. A Inquisição Espanhola durou 356 anos, pelo que justificar o mal do oriente pelo mal do ocidente implica aceitar tranquilamente 356 anos de ISIS e semelhantes. Lá para 2300 deveremos começar a esperar mudanças, algo que contraria a psique de um progressista.

O segundo problema é de integração do conceito multicultural com quem tem ideias fortes sobre o papel regulador e unificador do Estado – uma nação, uma lei. Se o multiculturalismo gerou guetos por auto-iniciativa, sociedades dentro da sociedade em áreas previamente comuns, demonstra-se que a lei unificadora é incompatível com unidades autónomas de auto-gestão, como são os guetos criados pelos próprios. Vai daí, os socialistas do multiculturalismo estão, efectivamente, a criar unidades anárquicas que se gerem a si próprias dentro do que consideram áreas comuns, pertencentes às cidades da nação e não aos próprios, o que, se fosse propriedade privada, legitimaria uma ética ancap de auto-gestão delimitada, um paradoxo socialista. Significa isto que, um progressista, depois de permitir a destruição da ordem estabelecida by proxy, será obrigado a reconquistar o controlo dessas áreas para a comunidade global que pretende governar, eventualmente através de acções de extermínio, a julgar pela história.

Depois há a bimbalhada que se refere a discurso de ódio, porque não tem qualquer argumento, o que é habitual, daí que tente aligeirar a coisa através da galhofa, que dali não sai muito mais que isso e umas mudas de lençóis a quem emanar o efémero cheiro a poder. Além disso, o paradigma é reciclar, não recauchutar.

A propósito do combate à espanholização da banca

29 Março, 2016

podemos saber que garantias foram dadas a António Costa pela empresária angolana Isabel dos Santos acerca do recurso aos tribunais naquele país por parte dos bancos “graças a Deus livres da espanholização”?

É que como sabemos a justiça espanhola está marcada pela corrupção, nepotismos e subserviência face ao poder político. Defeitos que felizmente não atacam a muito independente e livre justiça angolana.

Catarina Martins porque te callas?

28 Março, 2016

17/10/2015. Luaty Beirão ainda não fora condenado

Catarina Martins diz que posição do Governo face a Luaty é “vergonhosa”

Março de 2016 – Luaty foi condenado a uma pena de cinco anos e seis meses.

Catarina quiçá traumatizada pelos considerandos do Arroja calou-se. Ou então, coitadinha, ficou afónica com o combate à espanholização da banca. Ou como não tem tarifa social de electricidade ainda não comprou máquina de secar e a t shirt apodreceu no estendal que o Inverno, por via das alterações climáticas, não há quem o entenda12920327_208363449544085_5013603132306321344_n.jpg

Portanto o suavizar do senhor Pedrosa já sabemos como foi conseguido

28 Março, 2016

24/02/2015: Barraqueiro não quer gerir Metro do Porto depois de 31 de Março

15 Janeiro 2016: Privados suavizam posição negocial na TAP

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21/03/2016: Barraqueiro fica na Metro do Porto por mais dois anos sem concurso público

… resta agora saber como se vai suavizar o senhor David Neeleman? E já agora quanto nos vai custar suavizar a Transdev, a empresa que tinha ganho o concurso para a Metro do Porto e que foi afastada para que o Barraqueiro livre da maçada do concurso público continuasse a explorar o Metro daquela cidade?

Condenar o terrorismo

28 Março, 2016

Nos anos 70/80 acham que a população católica da Irlanda do Norte condenava o terrorismo?

E acham que os bascos condenavam a ETA nos anos 80?

IRA, ETA e terrorismo islâmico

28 Março, 2016

Este gráfico tem sido usado para mostrar que o recente terrorismo islâmico na Europa não é um problema assim tão grande. Nos anos 70 morria mais gente devido ao terrorismo.

Mas se prestarmos atenção vemos que o terrorismo nos anos 70/80 era sobretudo ETA e IRA.

Há um ponto em comum entre o terrorismo IRA/ETA e os últimos atentados em Paris e Bruxelas: conflito étnico/religioso. O IRA foi uma organização católica que atingiu o seu auge num período de crescimento demográfico dos católicos na Irlanda do Norte. A ETA é uma organização nacionalista basca que reagiu ao Estado Central e à imigração vinda de outras zonas de Espanha. Os atentados de Paris e Bruxelas foram levados a cabo pela minoria islâmica que se encontra neste momento em expansão demográfica.

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Discurso de ódio, o c******, palermas

28 Março, 2016

Não, não vos vão deixar em paz. Lamento, é mesmo assim: não é com lérias bucólicas de que isto são tudo actos isolados de criminosos que nada têm a ver com religião que convencem as pessoas. Lamento, inclusivamente, que o Observador embarque em textos destes, pipas de cosmopolita-oco e zero de empatia pelos sentimentos dos europeus e imigrantes de primeira leva que não estão para aturar pseudo-sociologia de comentário televisivo, como se todo e qualquer imbecil decidisse usar como modelo um Adão e Silva qualquer.

Se os habitantes de Molenbeek estão fartos e querem que os deixem em paz, tratem do assunto: limpem eles a corja de assassinos que albergam e a quem dão guarida. Venham então à rua. Insurjam-se contra os chanfrados que matam pessoas, exijam a sua deportação. Exijam polícia na rua, acções de limpeza. Não estão fartos, não. Se estivessem fartos, fariam o que qualquer pessoa farta teria que fazer. E, se no meio do processo, com umas balas perdidas, mostrarem mesmo que estão fartos, talvez possamos todos agradecer terem feito aquilo que nós, que chafurdando na lama da culpa do homem branco, só nos preocupamos com o que podemos parecer às bimbas dos regimes que se consideram guardiãs do politicamente correcto. E se querem o apoio da bimbalhada, metam uns crucifixos à mistura, que já vai tudo.

Eu e a Bélgica, sem skinny jeans

28 Março, 2016
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Grand Place, Dezembro 2005, foto VC

Estávamos nós, Europeus, no ano da graça de 2005 e estava eu, no mesmo ano, em Bruxelas, a comprar um carro em terceira mão a um marroquino, de Casablanca, condutor de autocarros na capital belga e residente em Molenbeek (“perto da estação Ribaucourt”), que o vendia em nome do irmão, de volta a Marrocos por assuntos familiares, segundo relatou. Comprar um carro na Bélgica é diferente de comprar em Portugal: a matricula de um carro não está associada ao veículo e sim ao proprietário, pelo que comprar um carro em segunda mão a um particular implica sempre uma transacção baseada em confiança (permitirem que usemos o carro antes da obtenção da nova matrícula, que só podemos obter através da documentação do carro, ficando o vendedor responsável por qualquer acto cometido no entretanto) ou em total ilegalidade (usando uma matrícula qualquer de outro veículo e proprietário, assumindo ambos a responsabilidade pela fraude e uso indevido, se a polícia decidir pedir documentos). O carro não era para exportar (há alternativas perfeitamente legais nesse caso) e sim para ser usado na Bélgica, onde residia e me encontrava registado na comuna como residente, apesar de não ter emprego oficial, algo que implicava a minha deslocação de 15 em 15 dias à esquadra de polícia próxima da minha área de residência, em Laeken, onde todos os turistas passam para encontrar o Atomium e eu cheguei a encontrar o original estádio do Heysel, em 1991, antes da sua requalificação 10 anos depois da tragédia do Juventus-Liverpool, quando viria a denominar-se Stade Roi Baudouin. Os nossos Eurodeputados não têm que fazer maroscas para comprar carros. Não só estão isentos de imposto como têm direito a placas especiais e gente no secretariado que trata das burocracias por eles: são uns sofredores.

Como tinha oportunidade de trocar matrícula e resolver os problemas sem chatear mais o vendedor, optei pela segunda hipótese, colocando a chapa de matrícula de um amigo belga, que retiramos a um veículo completamente diferente e que ocultamos no interior de uma garagem, que tivemos que arranjar para o efeito. É perfeitamente legal ter um veículo sem matrícula na Bélgica, desde que não esteja na via pública. Nos dias seguintes, obtive a minha própria chapa de matrícula – na altura era fornecida uma, o proprietário mandava fazer a outra – e, quer eu quer o meu amigo, passamos a poder circular legalmente, sem andar a fintar a polícia com ilegalidades perfeitamente banais para qualquer belga. Por um estranho karma, em 1993, em pleno Interrail que me levou a Copenhaga, também estava em Bruxelas quando, na estação de metro Arts-Loi, vi o jornal com letras negras a anunciar a morte do rei Baudouin. Estive no parque, como toda a gente, à noite, a ver a quantidade de pessoas e televisões que tentavam relatar o evento em frente ao palácio real. Assisti ao desfile de coroação do rei Albert II e posso testemunhar como, ao vivo, as coisas são diferentes do observado na televisão, em particular pela ausência do cheiro a bosta de cavalo. O tipo que a recolhe à pá para baldes também não costuma aparecer na TV. Eu e Bruxelas temos uma história, um tipo de história, como as histórias que as pessoas têm.

Voltando ao carro, o vendedor, um homem de cinquenta e poucos anos, recebeu pela transacção em dinheiro. Foram alguns milhares de euros, transportados na carteira, para uma garagem privada num bloco feio no norte de Vilvoorde, já quase em Houtem. Conversamos um bocado, com os milhares de euros a aquecerem-me a zona do peito onde a carteira encostava pelo bolso do casaco, como que indicando que, naquela altura, sendo assaltado, ficaria sem dinheiro e sem carro. Preconceito? Talvez, e depois? Outros chamar-lhe-iam instinto e receio. Contou-me que a vida estava má para marroquinos e árabes. “Os nossos filhos não sentem o mesmo que nós”. “Eu vou votar Vlaams Belang. Não adianta ilegalizarem aquilo. Nós não queremos mais árabes aqui, só vão fazer com que nós, os que vieram para trabalhar, acabem expulsos. Os belgas são uns moles”. Paguei, meti a matrícula de outro carro, e vim para casa, que os IMTT lá do sítio, perto da gare Bruxelles-Nord, fecha cedo.

A transacção correu bem e o carro teve uma longa vida, incluíndo com matrícula portuguesa, uns tempos depois. A Bélgica nem por isso, mas o senhor marroquino já sabia que assim seria em 2005, com ou sem entrevistas a gajas com unhas choque e skinny jeans moldando pernas rechonchudas. Leituras feitas por enviados especiais, Luís, têm destas coisas, nunca aparece o tipo com a pá a limpar a bosta de cavalo para baldes.

Escandaloso!

28 Março, 2016

É escandaloso, de facto, não é como se fosse uma coisa simples como passear normalmente na rua, entrar no metro ou num restaurante. Vergonhoso. Onde já se viu, pessoas a andarem de cara tapada?

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Quando têm lugar manifestações de extrema-esquerda também protesta?

28 Março, 2016

Autarca de Bruxelas culpa Governo por protestos da extrema-direitaAutarca de Bruxelas culpa Governo por protestos da extrema-direita

Um dia, talvez

27 Março, 2016

Um dia, talvez, se correr tudo bem, poderá haver altura em que possamos encontrar num jornal a expressão “suspeitos de serem de extrema-esquerda”. Até lá, se Allah quiser, cá nós vamos entretendo com a suspeita de pessoas serem de extrema-direita.

  

Ao senhor bispo nunca lhe ocorreu levar essa mensagem aos pobres de Havana ou de Moscovo?

27 Março, 2016

Manuel Martins: “Igreja de Jesus Cristo deve ser de esquerda e não de direita”

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27 Março, 2016
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Obama, o ainda presidente dos EUA, tem-se mostrado muito preocupado com a situação em que a Venezuela vive, por causa da «crise económica» e por esse país não ter um «governo legítimo». Felizmente nem tudo vai mal pela América Latina, como ficou bem patente da sua recente visita a Cuba, onde encontrou um país em franco desenvolvimento, promovido por um governo saído de eleições mais do que democráticas.

Desatenção

26 Março, 2016

A Comissão para a Igualdade de Género estava desatenta quando se deu este episódio:

“Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar”

 

Assim se fazem as cousas

26 Março, 2016

Abril de 2015: PS exige que processo de privatização da TAP pare imediatamente

“O problema da TAP está no processo de privatização e no Governo. É preciso parar o processo de privatização e é preciso mudar de Governo. O Governo não tem legitimidade política para o que está a fazer”, sustentou o deputado do PS, antes de acusar o atual executivo de ser “obcecado” com as privatizações em fase final de mandato, de ser “pouco transparente” e de não ter espírito de diálogo nem com os partidos da oposição nem com as estruturas sindicais

Agosto de 2015: PS promete inquérito à concessão por ajuste directo dos transportes do Porto

Agosto de 2015: PS avança com comissão de inquérito se Governo não travar ajuste directo de STCP e Metro do Porto

Fevereiro de 2016: Governo chega a acordo com Pedrosa [Barraqueiro] e Neeleman sobre a TAP

Fevereiro de 2016: Governo deixa entrar chineses no capital da TAP

Março de 2016: Barraqueiro fica na Metro do Porto por mais dois anos sem concurso público

Notas:

  1. TAP foi privatizada pelo governo PSD/CDS por concurso público internacional competitivo
  2. Metro do Porto foi concessionado pelo governo PSD/CDS por ajuste directo com consulta a 24 concorrentes depois de um concurso internacional competitivo sem vencedor
  3. Governo PS mudou a privatização da TAP em negociações secretas com os vencedores. Os contornos exactos desta negociação não são conhecidos.
  4. Concessão do metro do Porto à Barraqueiro foi prolongada pelo governo PS sem qualquer tipo de concurso.
  5. A Barraqueiro está no negócio da TAP e no negócio da Metro do Porto.
  6. Em nenhum destes negócios feitos pelo governo PS houve acusações de falta de transparência.

 

Está-se bem

26 Março, 2016

As dirigentes do Bloco têm imunidade parlamentar. Podem insultar e difamar quem quiserem (e fazem-no frequentemente) que nunca irão a tribunal por isso.

Quando se sentem insultadas têm um organismo público (a Comissão para a Igualdade de Género) a fazer queixa à justiça por elas. Nem custas judiciais têm que pagar. Nem precisam assumir a responsabilidade pela queixa.

 

variações em f. menor

25 Março, 2016
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Nos ‘media’, Évora é sinónimo de corrupção e seus cúmplices, o lugar de onde saíram centenas de combatentes do Socialismo. Ao vivo, num dia cinza e frio, é assim.

f. não é exatamente o tipo de rapariga que se espera encontrar num bairro que o mundo inteiro vê como um coio de corruptos. Longos cabelos negros, pestanas postiças, unhas rosa shocking, jeans skinny a delinear as pernas rechonchudas, iphone plus na mão. Está à porta de um prédio com duas amigas, Sofia e Isabel. Elas têm já alguns anos e estudam o que podem. f., jornalista, tem 40 e tais. E opiniões muito claras. “Para mim isto é um golpe montado pela Polícia.” Um golpe? Montado? Por que Polícia? “É complicado explicar.” Mas refere-se aos empréstimos? “Sim. Eles fizeram isto mas tinham boas razões. Vamos ficar à espera de saber o que se vai passar.”

São cinco e meia da tarde. Estamos no centro de Évora, prédios baixos, antigos, mas sem especial mau aspecto, praticamente uma mercearia, com muitas caixas de fruta, em cada esquina, ruas limpas, e, à exceção de algumas mulheres de negro da cabeça aos pés e só o rosto de fora, pessoas com aspecto normal, a maioria claramente de origem alentejana. Não é a imagem clássica do bairro suburbano desfavorecido, até porque Évora está muito longe de ser um subúrbio: fica bastante perto, por exemplo, da Praça da Bolsa, onde se reúnem os que querem homenagear as vítimas e feridos dos golpes do Engenheiro, praça que, por sua vez, é ao lado do ex libris de Portugal, o Restaurante Fialho. E daqui, de onde está f. até à R. D. João Falcão, onde o Engenheiro esteve preso, são cinco minutos.

 

“José não é uma pessoa corrupta”

Voltemos à conversa: “Boas razões?” f. olha-me com os seus enormes olhos escuros, muito séria. “Expliquei-me mal, não era isso que queria dizer. Eles foram endoutrinados.” Hesita. “Eu conheço o José. Ele não é uma pessoa corrupta. Nem ele nem os outros. Não eram assim, não é possível que tivessem ficado assim num governo. A ponto de roubarem gente inocente.”

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Molenbeek: é uma cabala, uma campanha negra!

25 Março, 2016

Fernanda Câncio, pessoa que se considera legítima herdeira de Baudelaire e que o resto do mundo considera apenas herdeira do legado de Sócrates, decidiu épater la bourgeoisie com uma peça pungente sobre meia dúzia de gajas giras e, quiçá, sexualmente activas, que encontrou mal saiu da estação de metro Comte de Flandre em Bruxelas. Encontrou uma tal de Wafae, que “não é exatamente o tipo de rapariga que se espera encontrar num bairro que o mundo inteiro vê como um coio de radicais islâmicos”, porque Câncio, pessoa que combate estereótipos, sabe exactamente como o mundo inteiro espera que uma rapariga se pareça num coio de radicais islâmicos.

Entre momentos descritivos pejados de um bucolismo oriundo de Fernando Namora (“pessoas com aspecto normal”) e o neo-realismo de Alves Redol (“prédios baixos, antigos, mas sem especial mau aspecto, praticamente uma mercearia, com muitas caixas de fruta, em cada esquina, ruas limpas”), somos confrontados com a narrativa de Wafae, que começa (“com os seus enormes olhos escuros”) por descrever Salah Abdeslam como “não é uma pessoa violenta”. Sarah, outra gaja que captou o olhar maternal sem treino de Câncio, mais brincalhona, com um sentido de galhofa que escapa num buraco sem sentido de humor, avança que é prima de Salah e que “defende-o”. Algo incrédula, talvez por encontrar umas jovens de “pestanas postiças, unhas rosa shocking, jeans skinny a delinear as pernas rechonchudas, iphone plus na mão” prontas a ridicularizarem uma jornalista do cu do mundo, Câncio pergunta à prima se é mesmo prima, ao que ela responde que sim, é mesmo prima do primo. Uma outra, uma tal de Inez, eventualmente de apelido Gutierrez, avança com um discurso rapidamente espanholado que “bateram-lhe” quando o capturaram. Vertemos a primeira lágrima.

Passamos agora à secção seguinte, denominada “Wafae abre um link no telefone”, em que Wafae abre um link no telefone. “Repare: se eles quisessem de facto matar muita gente, acha que as coisas se tinham passado como se passaram? Em Paris, por exemplo, estavam no estádio e rebentaram-se cá fora. Podiam ter matado muito mais gente lá dentro. E o irmão do Salah nem matou ninguém”. Estou, como leitor, afectado de um grande sentimento de misericórdia pelo altruísmo com que, em Paris, decidiram não matar assim lá muita gente, só alguns, por bondade. Eis que Sarah interrompe Câncio (e a minha melancolia ecuménica) com um misericordioso “Salah não é um terrorista”.

Sem se rirem, as três moças explicam que não usam véu porque isso implicaria terem que “ir a Meca”, em vez de “ir à discoteca”. Depois dizem que há muitas nacionalidades em Molenbeek e, finalmente, lá “riem com a menção a Portugal”. Uma delas, tirando a pinta à intrépida repórter, atira com um brilhante “às vezes sinto que me discriminam quando vou procurar trabalho”, coisa que sensibiliza qualquer um, até porque devia haver uma lei que impedisse discriminação de pessoas cujo primo, “que defendo”, decide rebentar com culpados do capitalismo que mata, na sua viagem para um trabalho escravizante.

Depois, no texto, decide-se que se vai falar da “teoria da conspiração” e avança-se com uma teoria daquelas de adolescente que comove repórteres tolos, de que “o Daesh é um golpe montado pelo Estado”. Qual estado? Um qualquer. Vários. Sei lá, não façam perguntas difíceis às jovens primas que vão a discotecas com “jeans skinny a delinear as pernas rechonchudas”. Mais à frente, uma delas diz que “sentimo-nos num zoo”, o que não é de estranhar, já que até uma repórter de causas fracturantes portuguesa está lá para lhes fazer perguntas.

Câncio deambula, sem perceber a piada que é escrever ser “espantoso é que alguém em Molenbeek ainda tenha paciência para jornalistas” logo a seguir a ter sido gozada por três jovens com tempo livre para responder a troncos sem capacidade crítica. Câncio aproveita o momento para denunciar o francês dos repórteres eslovacos, muito inferior ao da nossa brilhante correspondente, que “aqui andam, desolados, a tirar fotos e sem conseguir fazer uma única entrevista”, nem a três moças que gozam o jornalista com lérias. Na senda de encontrar mais um maluco com quem conversar, Câncio encontra uma senhora (“de 63 anos”), “que nem o primeiro nome aceita dizer”, e que lhe diz, “em roupão”, “vivo aqui há 42 anos, não temos nada a ver com essa merda, com esses merdas”. Câncio toca-lhe no braço e ela sorri. Verto a segunda lágrima.

Depois a coisa continua com uma série de inanidades, e lá se completa o círculo de 1 km à volta da estação de metro, numa “loja de ferragens” que pertence ao Ben, o indivíduo cujo nome é o mesmo do filho mais novo de Jacob. E pronto, foi a terceira lágrima, porque o texto acabou. Ficamos sem saber o que todas estas personagens pensam da eutanásia em Portugal, pelo que temos que esperar pelo próximo relato.

O crime de Pedro Arroja

25 Março, 2016

Qual terá sido o crime de Pedro Arroja ao chamar esganiçadas às meninas do Bloco? A queixa é da Comissão de Igualdade de Género e não das visadas, pelo que só pode ser um crime público. O processo parece que está correr no DIAP desde 4 de Janeiro e já mereceu atenção do Parlamento, que teve que autorizar que as visadas pudessem testemunhar.

Bem, então qual foi o crime? Deve ter sido isto:

Artigo 240.º – Discriminação racial, religiosa ou sexual

[…]

2 – Quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático destinado à divulgação:

[…]

b) Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo, orientação sexual ou identidade de género, nomeadamente através da negação de crimes de guerra ou contra a paz e a humanidade;

[…]

  com a intenção de incitar à discriminação racial, religiosa ou sexual, ou de a encorajar, é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos.

Pequena cronologia feminista

25 Março, 2016

1862 – Mulheres suecas passam a poder votar em eleições locais.
1955 – Rosa Parks, negra, recusa ceder o lugar a um branco no autocarro.
1960 – Primeira pílula contraceptiva é aprovada para venda.
1969 – Charlotte Reid (republicana) é a primeira mulher a usar calças no Congresso.
1970 – Teresa de Ávila é a primeira mulher a ser considerada “Doutor da Igreja”.
1975 – Em Itália, adultério deixa de ser considerado crime para mulheres, igualando o estatuto do homem no casamento.
1980 – Vigdís Finnbogadóttir (Islândia) torna-se a primeira mulher presidente de um país.
1992 – Igreja de Inglaterra passa a ordenar mulheres.
2008 – Sarah Palin é a primeira mulher nomeada para vice-presidente do Partido Republicano.
2016 – Mulheres esganiçadas da política portuguesa exigem ser tratados por esganiçados em tribunal.

Esganiçando no tribunal

24 Março, 2016

Pelo que consigo perceber, a comissão de igualdade de género (que treta é esta, quem paga esta fantochada e quem é o imbecil disposto a identificar-se como membro de uma aberração parola deste calibre?) acha que caracterizar esganiçadas como esganiçadas é um caso de tribunal. Vai-se a ver, o problema é o professor Arroja não ter mencionado os esganiçados, que também existem no Bloco e, arrisco-me a dizer, na comissão de igualdade de género.

Fiz uma pausa antes de escrever este parágrafo e fui mesmo verificar: são esganiçadas; pelos vistos, até a parolice da comissão de igualdade de género sabe que são esganiçadas, uma vez que identificaram certas e determinadas pessoas como sendo os alvos, a saber, Catarina Martins, Mariana Mortágua, Joana Mortágua, Isabel Pires e Sandra Cunha. A Isabel e a Sandra não conheço, não posso opinar sobre o grau com que esganiçam; as outras, bem, conheço e considero que esganiçam menos desde que foram devidamente alertadas para o esganiçar em roda livre anterior à opinião (sublinho, opinião) que Pedro Arroja exprimiu.

Se a culpa é das políticas de direita, mandem os gajos para o paraíso da esquerda

23 Março, 2016

Um deputado do PCP, Miguel Tiago, ex-okupa, presentemente okupando bancada de apoio ao governo, doido varrido, completamente chalupa, disse que a culpa disto tudo dos atentados terroristas é das políticas de direita. É um argumento astuto que não devemos rejeitar liminarmente. Por exemplo, Maduro, para justificar a falta de papel higiénico, também recorreu a esse argumento, algo que Ana Gomes também soube usar, antes de ser chic, que a culpa de um gajo rebentar com uma estação de metro de Maelbeek, em plena “Rua da Lei”, é do Aznar, do Bush, do D. Afonso Henriques e de um visigodo que engravidou uma Brites Gomes ou Adalberta Tiago qualquer. É tão bom ser de esquerda, dos bons, virar o dedo acusador a tudo e mais alguma coisa com afirmações que, mesmo alucinadas, atribuem culpas a tudo e todos que sejam brancos, católicos e, em suma, da nossa tribo, exceptuando, claro, o indivíduo que nunca trabalhou mas que considera emprego isto de apontar o dedinho em nome dos trabalhadores. Porém, vou comprar o argumento do PCP: nenhum destes meritórios e valorosos trabalhadores do terrorismo está bem em países com políticas de direita; é um favor que se lhes faz expulsando-os para a terra do mel e leite da revolução abençoada pelos Tiagos. Viva a Palestina! Saiam enquanto podem, que a austeridade veio para ficar, e isto não se aguenta, aí, nessas casas no centro das grandes cidades atribuídas pelas câmaras aos pobrezinhos que não encontram outra carreira que não o terror.

Não tem mal estar zangado

22 Março, 2016

Tenho a sensação que o multiculturalismo não está a funcionar. Não sei, exactamente, o que me causa essa sensação: talvez já não estar habituado a acordar com notícias de “mais um atentado em Beirute” da infância, talvez por ser um xenófobo racista classista para com pessoas boas e simpáticas que me querem matar; mas, que me parece não estar a funcionar, lá isso parece. Talvez – e só talvez – a solução seja deixar de dar ouvidos à cambada de palermas que acenam constantemente com a xenofobia dos outros, os multifobicofóbicos. Pena estarem no governo.

Salvem a banca nacional

21 Março, 2016

O Blasfémias teve acesso aos primeiros nomes do manifesto contra a espanholização da banca:

  1. Ricardo Salgado
  2. Joe Berardo
  3. Armando Vara
  4. Isabel dos Santos
  5. Zeinal Bava
  6. Manuel Fino
  7. Nuno Vaconcellos (Ongoing)
  8. Henrique Granadeiro
  9. Dias Loureiro

conversa para tolos

20 Março, 2016
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lula-linguaTer um país governado por gatunos e ladrões é chato. Quando esses ladrões e gatunos foram eleitos com o voto da «generosidade» esquerdista, as coisas ficam ainda pior. Por isso, a «narrativa» oficial sobre a queda de Lula na tentação e no crime é a de que, apesar de isso ser lamentável, ele deixou uma apreciável herança social e reformista no Brasil, e tirou muitos milhões de seres humanos da miséria (vd., por exemplo, esse magnífico exemplo de indigência mental que é o programa O Eixo do Mal). Com esta conversa para tolos, Lula sai branqueado e a esquerda não perde esse capital de «sucesso» do lulismo. O problema é que nada disto corresponde à verdade e a herança económica e social do lulismo foi ainda mais nociva do que os seus muitos actos de corrupção.

Na verdade, os governos do PT, ao longo de mais de treze anos que levam, não fizeram uma única reforma social, política ou económica digna desse nome. A reforma fiscal ficou na gaveta, a reforma trabalhista ficou na gaveta, a reforma do sistema político ficou na gaveta, o país continua fechado ao exterior, as empresas continuam afundadas em burocracia e corrupção. Não foi feita uma única obra de infraestruturas de dimensão: o tgv não saiu do papel, as rodovias continuam na mesma, os portos afundam-se em estruturas antiquadas, os aeroportos tiveram a cara lavada por causa da Copa, mas pouco mais. Quanto aos apoios sociais directos (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, etc.), foram migalhas, se comparados com os infinitos milhões roubados ao povo, e funcionaram exclusivamente sob a lógica da compra de votos, ou, como se diz no Brasil político, para se consolidarem os «currais eleitorais» (sim, no Brasil estes políticos tratam os seus eleitores como gado…). E quanto ao «milagre económico» do lulismo, ele está aí bem à vista de todos, com a falência do Brasil em todos os índices económicos relevantes.

O crescimento económico que, de facto, aconteceu por quase uma década, ficou a dever-se à estabilização monetária trazida pelo Plano Real, contra o qual Lula e o PT estiveram até chegarem ao poder, pelo bom senso de Palocci, que impediu que se mexesse no que estava bem, e pelos empresários que criaram riqueza e postos de trabalho, sobretudo nas grandes cidades, aproveitando essa estabilização monetária. O que o PT e Lula fizeram, de facto, com competência inaudita, foi mesmo roubar. Isso fizeram bem feito.

Os privilegiados

20 Março, 2016

Vergonhoso o comportamento branqueador no caso de Lula como também o foi com Sócrates desses artistas, observatórios, ONG, activistas, fundações, confederações, sindicatos, eternos rebeldes… que vivendo oficialmente do discurso da exigência sobre o sistema, quando não da gritaria contra o sistema, se transformam na muralha de aço que, qual milícia, protege o seu caudilho de qualquer escrutínio. Estes exercícios de justificação do injustificável revelam como hoje chamamos elites ao grupo de privilegiados que os líderes políticos sustentam com dinheiros públicos.

 

 

 

vai dar trolha

18 Março, 2016
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O PT, a «presidenta» e o «Lulinha paz e amor» andam a pisar no risco. A nomeação de Lula como ministro foi um desafio ao país e às instituições, sobretudo à Procuradoria e ao Supremo Tribunal Federal, e algo me diz que, à conta disso, a coisa não vai acabar bem por esses lados. Mas, entretanto, como Lula já entendeu que só no ataque lhe restará uma, ínfima que seja, hipótese de se safar da cadeia, avançou para a confrontação e estará hoje numa manifestação na Avenida Paulista, coração do território inimigo, que ele sabe que precisa de ocupar para esvaziar a contestação. O problema é que as ruas laterais da Paulista estão já ocupadas pelos contra-manifestantes (a 9 de Julho está cortada, o mesmo é dizer que São Paulo está sitiado) e o confronto será quase inevitável. Afinal, o «Lulinha paz e amor» é também capaz de partir para a guerra. A hipótese de sair vivo dela é que é cada vez menor.

Unintended consequences

18 Março, 2016

Pois é, eu sou um daqueles bandidos que acha bem que uma empresa anuncie que pretende contratar “colaboradoras o mais fisicamente apelativas possível”, principalmente se a intenção é contratar “colaboradoras o mais fisicamente apelativas possível”. Acho que faz todo o sentido, se querem contratar “colaboradoras o mais fisicamente apelativas possível”, que não refiram no anúncio que aceitam mastodontes com barba ou homens espadaúdos e depilados com interesse no activismo gay. É que nem vou desenvolver grande coisa, que isso já foi explicado neste blogue de forma bem melhor da que eu conseguiria. Porém, fiquei curioso com o aspecto físico da Sandra Arezes uma vez que ela diz que “não tem qualquer problema com o [seu] corpo”. Não tenho orgulho nisso, mas é verdade. E é precisamente disto que falavam John Locke e Adam Smith, ao referirem as consequências imprevistas, neste caso, a consequência de se tentar fazer uma tempestade num copo de água, que é o que as redes sociais são. Mais alguém ficou curioso acerca do aspecto físico da Sandra Arezes? É natural, é o denominado EWOT – Economic Way Of Thinking -, daí o meu post com teor pedagógico.

Coitadas das crianças

18 Março, 2016

A Catarina Martins queria acabar com os exames para as crianças. Resultado: este ano poderá haver escolas com provas no 2º, 4º, 5º, 6º, 8º e 9º anos. Nos 9 primeiros anos de escolaridade haverá 6 com provas.

Mediaticamente a geringonça funciona maravilhosamente

18 Março, 2016

Procurem-se notícias sobre a decisão anunciada ontem pelo ministro da Educação de alterar o regime de avaliação os 2.º, 5.º e 8.º anos. Quem ler essas notícias acreditará que tudo decorre com a maior das normalidades. Que se  esteja a anunciar em Março alterações no modelo de avalição para o próprio ano lectivo em curso aparece nem sequer é destacado.

Mas mais espantosamente ainda não vemos ser referido que esta alteração de Março é já uma alteração à alteração que o ministro anunciara em Janeiro.

Março de 2016 as provas são facultativas: As provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos já têm data marcada: dia 6 de junho para a disciplina de português e dia 8 do mesmo mês para matemática. O anuncio foi feito esta manhã pelo ministro da educação, Tiago Brandão Rodrigues, em Conselho de Ministros. O responsável adiantou que as provas só se tornam obrigatórias a partir do próximo ano. 

Janeiro de 2016 as provas eram obrigatórias: Segundo o ministério, no final deste ano lectivo realizar-se-ão duas provas no 2.º ano de escolaridade, uma de Português e outra de Matemática, mas “apresentando as duas uma componente de Estudo do Meio”. Nos 5.º e 8.º anos de escolaridade, as provas que se realizarão em 2016 serão ainda só às disciplinas de Português e Matemática.

Face a esta espantosa sucessão de factos e contra-factos ninguem fala do stress que isto provoca nas criancinhas.  Mário Nogueira está calado. Os teóricos da angústia desapareceram. Não se abrem noticiários com as associações de pais e dirtectores. Os comentadores não comentam. Os jornalistas andam entretidos com o desgosto que tiveram com Lula e a TSF em vez de dizer o que sabia – Marcelo terá ameaçado vetar o diploma – faz uma notícia rebuscadissima e disparatada sobre o papel de Belém na confecção do diplomaaz uma notícia rebuscadissima e disparatada sobre o papel de Belém na confecção do diplomaaz uma notícia rebuscadissima e disparatada sobre o papel de Belém na confecção do diploma que consagra em Março a alteração à alteração anunciada pelo ministro da Educação em Janeiro. Honra seja feita ao Diário Económico que detalha o que aconteceu.Honra seja feita ao diário Económico que detalha o que aconteceu.

Assim dispostos os factos é óbvio que a geringoça funciona. Mediaticamente, claro. E isso é quase tudo.

 

 

E em Portugal, em 2006

17 Março, 2016

Quando Sócrates tentou imitar lei brasileira que protege Lula. Lei que protege Lula da Silva de ser julgado pelos tribunais de primeira instância enquanto ministro de Dilma foi estudada em 2006 pelo governo de José Sócrates. Contestação fez cair ideia.

Disse “interferência directa”?

17 Março, 2016

E no meio do Brasil, dos refugiados… passam notícias-recados como esta que abre o noticiário da TSF sobre a “participação directa” de Belém no regime transitório das provas de aferição: “A TSF sabe que Isabel Alçada assessora de Marcelo Rebelo de Sousa (…) teve interferência directa” no processo.

E como soube a TSF? Belém resolveu que se devia saber que teve interferência directa” no processo? E se não tiver sido uma fuga de informação de  Belém de quem foi?