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Escandaloso!

28 Março, 2016

É escandaloso, de facto, não é como se fosse uma coisa simples como passear normalmente na rua, entrar no metro ou num restaurante. Vergonhoso. Onde já se viu, pessoas a andarem de cara tapada?

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Quando têm lugar manifestações de extrema-esquerda também protesta?

28 Março, 2016

Autarca de Bruxelas culpa Governo por protestos da extrema-direitaAutarca de Bruxelas culpa Governo por protestos da extrema-direita

Um dia, talvez

27 Março, 2016

Um dia, talvez, se correr tudo bem, poderá haver altura em que possamos encontrar num jornal a expressão “suspeitos de serem de extrema-esquerda”. Até lá, se Allah quiser, cá nós vamos entretendo com a suspeita de pessoas serem de extrema-direita.

  

Ao senhor bispo nunca lhe ocorreu levar essa mensagem aos pobres de Havana ou de Moscovo?

27 Março, 2016

Manuel Martins: “Igreja de Jesus Cristo deve ser de esquerda e não de direita”

um artista

27 Março, 2016
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Obama, o ainda presidente dos EUA, tem-se mostrado muito preocupado com a situação em que a Venezuela vive, por causa da «crise económica» e por esse país não ter um «governo legítimo». Felizmente nem tudo vai mal pela América Latina, como ficou bem patente da sua recente visita a Cuba, onde encontrou um país em franco desenvolvimento, promovido por um governo saído de eleições mais do que democráticas.

Desatenção

26 Março, 2016

A Comissão para a Igualdade de Género estava desatenta quando se deu este episódio:

“Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar”

 

Assim se fazem as cousas

26 Março, 2016

Abril de 2015: PS exige que processo de privatização da TAP pare imediatamente

“O problema da TAP está no processo de privatização e no Governo. É preciso parar o processo de privatização e é preciso mudar de Governo. O Governo não tem legitimidade política para o que está a fazer”, sustentou o deputado do PS, antes de acusar o atual executivo de ser “obcecado” com as privatizações em fase final de mandato, de ser “pouco transparente” e de não ter espírito de diálogo nem com os partidos da oposição nem com as estruturas sindicais

Agosto de 2015: PS promete inquérito à concessão por ajuste directo dos transportes do Porto

Agosto de 2015: PS avança com comissão de inquérito se Governo não travar ajuste directo de STCP e Metro do Porto

Fevereiro de 2016: Governo chega a acordo com Pedrosa [Barraqueiro] e Neeleman sobre a TAP

Fevereiro de 2016: Governo deixa entrar chineses no capital da TAP

Março de 2016: Barraqueiro fica na Metro do Porto por mais dois anos sem concurso público

Notas:

  1. TAP foi privatizada pelo governo PSD/CDS por concurso público internacional competitivo
  2. Metro do Porto foi concessionado pelo governo PSD/CDS por ajuste directo com consulta a 24 concorrentes depois de um concurso internacional competitivo sem vencedor
  3. Governo PS mudou a privatização da TAP em negociações secretas com os vencedores. Os contornos exactos desta negociação não são conhecidos.
  4. Concessão do metro do Porto à Barraqueiro foi prolongada pelo governo PS sem qualquer tipo de concurso.
  5. A Barraqueiro está no negócio da TAP e no negócio da Metro do Porto.
  6. Em nenhum destes negócios feitos pelo governo PS houve acusações de falta de transparência.

 

Está-se bem

26 Março, 2016

As dirigentes do Bloco têm imunidade parlamentar. Podem insultar e difamar quem quiserem (e fazem-no frequentemente) que nunca irão a tribunal por isso.

Quando se sentem insultadas têm um organismo público (a Comissão para a Igualdade de Género) a fazer queixa à justiça por elas. Nem custas judiciais têm que pagar. Nem precisam assumir a responsabilidade pela queixa.

 

variações em f. menor

25 Março, 2016
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Nos ‘media’, Évora é sinónimo de corrupção e seus cúmplices, o lugar de onde saíram centenas de combatentes do Socialismo. Ao vivo, num dia cinza e frio, é assim.

f. não é exatamente o tipo de rapariga que se espera encontrar num bairro que o mundo inteiro vê como um coio de corruptos. Longos cabelos negros, pestanas postiças, unhas rosa shocking, jeans skinny a delinear as pernas rechonchudas, iphone plus na mão. Está à porta de um prédio com duas amigas, Sofia e Isabel. Elas têm já alguns anos e estudam o que podem. f., jornalista, tem 40 e tais. E opiniões muito claras. “Para mim isto é um golpe montado pela Polícia.” Um golpe? Montado? Por que Polícia? “É complicado explicar.” Mas refere-se aos empréstimos? “Sim. Eles fizeram isto mas tinham boas razões. Vamos ficar à espera de saber o que se vai passar.”

São cinco e meia da tarde. Estamos no centro de Évora, prédios baixos, antigos, mas sem especial mau aspecto, praticamente uma mercearia, com muitas caixas de fruta, em cada esquina, ruas limpas, e, à exceção de algumas mulheres de negro da cabeça aos pés e só o rosto de fora, pessoas com aspecto normal, a maioria claramente de origem alentejana. Não é a imagem clássica do bairro suburbano desfavorecido, até porque Évora está muito longe de ser um subúrbio: fica bastante perto, por exemplo, da Praça da Bolsa, onde se reúnem os que querem homenagear as vítimas e feridos dos golpes do Engenheiro, praça que, por sua vez, é ao lado do ex libris de Portugal, o Restaurante Fialho. E daqui, de onde está f. até à R. D. João Falcão, onde o Engenheiro esteve preso, são cinco minutos.

 

“José não é uma pessoa corrupta”

Voltemos à conversa: “Boas razões?” f. olha-me com os seus enormes olhos escuros, muito séria. “Expliquei-me mal, não era isso que queria dizer. Eles foram endoutrinados.” Hesita. “Eu conheço o José. Ele não é uma pessoa corrupta. Nem ele nem os outros. Não eram assim, não é possível que tivessem ficado assim num governo. A ponto de roubarem gente inocente.”

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Molenbeek: é uma cabala, uma campanha negra!

25 Março, 2016

Fernanda Câncio, pessoa que se considera legítima herdeira de Baudelaire e que o resto do mundo considera apenas herdeira do legado de Sócrates, decidiu épater la bourgeoisie com uma peça pungente sobre meia dúzia de gajas giras e, quiçá, sexualmente activas, que encontrou mal saiu da estação de metro Comte de Flandre em Bruxelas. Encontrou uma tal de Wafae, que “não é exatamente o tipo de rapariga que se espera encontrar num bairro que o mundo inteiro vê como um coio de radicais islâmicos”, porque Câncio, pessoa que combate estereótipos, sabe exactamente como o mundo inteiro espera que uma rapariga se pareça num coio de radicais islâmicos.

Entre momentos descritivos pejados de um bucolismo oriundo de Fernando Namora (“pessoas com aspecto normal”) e o neo-realismo de Alves Redol (“prédios baixos, antigos, mas sem especial mau aspecto, praticamente uma mercearia, com muitas caixas de fruta, em cada esquina, ruas limpas”), somos confrontados com a narrativa de Wafae, que começa (“com os seus enormes olhos escuros”) por descrever Salah Abdeslam como “não é uma pessoa violenta”. Sarah, outra gaja que captou o olhar maternal sem treino de Câncio, mais brincalhona, com um sentido de galhofa que escapa num buraco sem sentido de humor, avança que é prima de Salah e que “defende-o”. Algo incrédula, talvez por encontrar umas jovens de “pestanas postiças, unhas rosa shocking, jeans skinny a delinear as pernas rechonchudas, iphone plus na mão” prontas a ridicularizarem uma jornalista do cu do mundo, Câncio pergunta à prima se é mesmo prima, ao que ela responde que sim, é mesmo prima do primo. Uma outra, uma tal de Inez, eventualmente de apelido Gutierrez, avança com um discurso rapidamente espanholado que “bateram-lhe” quando o capturaram. Vertemos a primeira lágrima.

Passamos agora à secção seguinte, denominada “Wafae abre um link no telefone”, em que Wafae abre um link no telefone. “Repare: se eles quisessem de facto matar muita gente, acha que as coisas se tinham passado como se passaram? Em Paris, por exemplo, estavam no estádio e rebentaram-se cá fora. Podiam ter matado muito mais gente lá dentro. E o irmão do Salah nem matou ninguém”. Estou, como leitor, afectado de um grande sentimento de misericórdia pelo altruísmo com que, em Paris, decidiram não matar assim lá muita gente, só alguns, por bondade. Eis que Sarah interrompe Câncio (e a minha melancolia ecuménica) com um misericordioso “Salah não é um terrorista”.

Sem se rirem, as três moças explicam que não usam véu porque isso implicaria terem que “ir a Meca”, em vez de “ir à discoteca”. Depois dizem que há muitas nacionalidades em Molenbeek e, finalmente, lá “riem com a menção a Portugal”. Uma delas, tirando a pinta à intrépida repórter, atira com um brilhante “às vezes sinto que me discriminam quando vou procurar trabalho”, coisa que sensibiliza qualquer um, até porque devia haver uma lei que impedisse discriminação de pessoas cujo primo, “que defendo”, decide rebentar com culpados do capitalismo que mata, na sua viagem para um trabalho escravizante.

Depois, no texto, decide-se que se vai falar da “teoria da conspiração” e avança-se com uma teoria daquelas de adolescente que comove repórteres tolos, de que “o Daesh é um golpe montado pelo Estado”. Qual estado? Um qualquer. Vários. Sei lá, não façam perguntas difíceis às jovens primas que vão a discotecas com “jeans skinny a delinear as pernas rechonchudas”. Mais à frente, uma delas diz que “sentimo-nos num zoo”, o que não é de estranhar, já que até uma repórter de causas fracturantes portuguesa está lá para lhes fazer perguntas.

Câncio deambula, sem perceber a piada que é escrever ser “espantoso é que alguém em Molenbeek ainda tenha paciência para jornalistas” logo a seguir a ter sido gozada por três jovens com tempo livre para responder a troncos sem capacidade crítica. Câncio aproveita o momento para denunciar o francês dos repórteres eslovacos, muito inferior ao da nossa brilhante correspondente, que “aqui andam, desolados, a tirar fotos e sem conseguir fazer uma única entrevista”, nem a três moças que gozam o jornalista com lérias. Na senda de encontrar mais um maluco com quem conversar, Câncio encontra uma senhora (“de 63 anos”), “que nem o primeiro nome aceita dizer”, e que lhe diz, “em roupão”, “vivo aqui há 42 anos, não temos nada a ver com essa merda, com esses merdas”. Câncio toca-lhe no braço e ela sorri. Verto a segunda lágrima.

Depois a coisa continua com uma série de inanidades, e lá se completa o círculo de 1 km à volta da estação de metro, numa “loja de ferragens” que pertence ao Ben, o indivíduo cujo nome é o mesmo do filho mais novo de Jacob. E pronto, foi a terceira lágrima, porque o texto acabou. Ficamos sem saber o que todas estas personagens pensam da eutanásia em Portugal, pelo que temos que esperar pelo próximo relato.

O crime de Pedro Arroja

25 Março, 2016

Qual terá sido o crime de Pedro Arroja ao chamar esganiçadas às meninas do Bloco? A queixa é da Comissão de Igualdade de Género e não das visadas, pelo que só pode ser um crime público. O processo parece que está correr no DIAP desde 4 de Janeiro e já mereceu atenção do Parlamento, que teve que autorizar que as visadas pudessem testemunhar.

Bem, então qual foi o crime? Deve ter sido isto:

Artigo 240.º – Discriminação racial, religiosa ou sexual

[…]

2 – Quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático destinado à divulgação:

[…]

b) Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo, orientação sexual ou identidade de género, nomeadamente através da negação de crimes de guerra ou contra a paz e a humanidade;

[…]

  com a intenção de incitar à discriminação racial, religiosa ou sexual, ou de a encorajar, é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos.

Pequena cronologia feminista

25 Março, 2016

1862 – Mulheres suecas passam a poder votar em eleições locais.
1955 – Rosa Parks, negra, recusa ceder o lugar a um branco no autocarro.
1960 – Primeira pílula contraceptiva é aprovada para venda.
1969 – Charlotte Reid (republicana) é a primeira mulher a usar calças no Congresso.
1970 – Teresa de Ávila é a primeira mulher a ser considerada “Doutor da Igreja”.
1975 – Em Itália, adultério deixa de ser considerado crime para mulheres, igualando o estatuto do homem no casamento.
1980 – Vigdís Finnbogadóttir (Islândia) torna-se a primeira mulher presidente de um país.
1992 – Igreja de Inglaterra passa a ordenar mulheres.
2008 – Sarah Palin é a primeira mulher nomeada para vice-presidente do Partido Republicano.
2016 – Mulheres esganiçadas da política portuguesa exigem ser tratados por esganiçados em tribunal.

Esganiçando no tribunal

24 Março, 2016

Pelo que consigo perceber, a comissão de igualdade de género (que treta é esta, quem paga esta fantochada e quem é o imbecil disposto a identificar-se como membro de uma aberração parola deste calibre?) acha que caracterizar esganiçadas como esganiçadas é um caso de tribunal. Vai-se a ver, o problema é o professor Arroja não ter mencionado os esganiçados, que também existem no Bloco e, arrisco-me a dizer, na comissão de igualdade de género.

Fiz uma pausa antes de escrever este parágrafo e fui mesmo verificar: são esganiçadas; pelos vistos, até a parolice da comissão de igualdade de género sabe que são esganiçadas, uma vez que identificaram certas e determinadas pessoas como sendo os alvos, a saber, Catarina Martins, Mariana Mortágua, Joana Mortágua, Isabel Pires e Sandra Cunha. A Isabel e a Sandra não conheço, não posso opinar sobre o grau com que esganiçam; as outras, bem, conheço e considero que esganiçam menos desde que foram devidamente alertadas para o esganiçar em roda livre anterior à opinião (sublinho, opinião) que Pedro Arroja exprimiu.

Se a culpa é das políticas de direita, mandem os gajos para o paraíso da esquerda

23 Março, 2016

Um deputado do PCP, Miguel Tiago, ex-okupa, presentemente okupando bancada de apoio ao governo, doido varrido, completamente chalupa, disse que a culpa disto tudo dos atentados terroristas é das políticas de direita. É um argumento astuto que não devemos rejeitar liminarmente. Por exemplo, Maduro, para justificar a falta de papel higiénico, também recorreu a esse argumento, algo que Ana Gomes também soube usar, antes de ser chic, que a culpa de um gajo rebentar com uma estação de metro de Maelbeek, em plena “Rua da Lei”, é do Aznar, do Bush, do D. Afonso Henriques e de um visigodo que engravidou uma Brites Gomes ou Adalberta Tiago qualquer. É tão bom ser de esquerda, dos bons, virar o dedo acusador a tudo e mais alguma coisa com afirmações que, mesmo alucinadas, atribuem culpas a tudo e todos que sejam brancos, católicos e, em suma, da nossa tribo, exceptuando, claro, o indivíduo que nunca trabalhou mas que considera emprego isto de apontar o dedinho em nome dos trabalhadores. Porém, vou comprar o argumento do PCP: nenhum destes meritórios e valorosos trabalhadores do terrorismo está bem em países com políticas de direita; é um favor que se lhes faz expulsando-os para a terra do mel e leite da revolução abençoada pelos Tiagos. Viva a Palestina! Saiam enquanto podem, que a austeridade veio para ficar, e isto não se aguenta, aí, nessas casas no centro das grandes cidades atribuídas pelas câmaras aos pobrezinhos que não encontram outra carreira que não o terror.

Não tem mal estar zangado

22 Março, 2016

Tenho a sensação que o multiculturalismo não está a funcionar. Não sei, exactamente, o que me causa essa sensação: talvez já não estar habituado a acordar com notícias de “mais um atentado em Beirute” da infância, talvez por ser um xenófobo racista classista para com pessoas boas e simpáticas que me querem matar; mas, que me parece não estar a funcionar, lá isso parece. Talvez – e só talvez – a solução seja deixar de dar ouvidos à cambada de palermas que acenam constantemente com a xenofobia dos outros, os multifobicofóbicos. Pena estarem no governo.

Salvem a banca nacional

21 Março, 2016

O Blasfémias teve acesso aos primeiros nomes do manifesto contra a espanholização da banca:

  1. Ricardo Salgado
  2. Joe Berardo
  3. Armando Vara
  4. Isabel dos Santos
  5. Zeinal Bava
  6. Manuel Fino
  7. Nuno Vaconcellos (Ongoing)
  8. Henrique Granadeiro
  9. Dias Loureiro

conversa para tolos

20 Março, 2016
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lula-linguaTer um país governado por gatunos e ladrões é chato. Quando esses ladrões e gatunos foram eleitos com o voto da «generosidade» esquerdista, as coisas ficam ainda pior. Por isso, a «narrativa» oficial sobre a queda de Lula na tentação e no crime é a de que, apesar de isso ser lamentável, ele deixou uma apreciável herança social e reformista no Brasil, e tirou muitos milhões de seres humanos da miséria (vd., por exemplo, esse magnífico exemplo de indigência mental que é o programa O Eixo do Mal). Com esta conversa para tolos, Lula sai branqueado e a esquerda não perde esse capital de «sucesso» do lulismo. O problema é que nada disto corresponde à verdade e a herança económica e social do lulismo foi ainda mais nociva do que os seus muitos actos de corrupção.

Na verdade, os governos do PT, ao longo de mais de treze anos que levam, não fizeram uma única reforma social, política ou económica digna desse nome. A reforma fiscal ficou na gaveta, a reforma trabalhista ficou na gaveta, a reforma do sistema político ficou na gaveta, o país continua fechado ao exterior, as empresas continuam afundadas em burocracia e corrupção. Não foi feita uma única obra de infraestruturas de dimensão: o tgv não saiu do papel, as rodovias continuam na mesma, os portos afundam-se em estruturas antiquadas, os aeroportos tiveram a cara lavada por causa da Copa, mas pouco mais. Quanto aos apoios sociais directos (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, etc.), foram migalhas, se comparados com os infinitos milhões roubados ao povo, e funcionaram exclusivamente sob a lógica da compra de votos, ou, como se diz no Brasil político, para se consolidarem os «currais eleitorais» (sim, no Brasil estes políticos tratam os seus eleitores como gado…). E quanto ao «milagre económico» do lulismo, ele está aí bem à vista de todos, com a falência do Brasil em todos os índices económicos relevantes.

O crescimento económico que, de facto, aconteceu por quase uma década, ficou a dever-se à estabilização monetária trazida pelo Plano Real, contra o qual Lula e o PT estiveram até chegarem ao poder, pelo bom senso de Palocci, que impediu que se mexesse no que estava bem, e pelos empresários que criaram riqueza e postos de trabalho, sobretudo nas grandes cidades, aproveitando essa estabilização monetária. O que o PT e Lula fizeram, de facto, com competência inaudita, foi mesmo roubar. Isso fizeram bem feito.

Os privilegiados

20 Março, 2016

Vergonhoso o comportamento branqueador no caso de Lula como também o foi com Sócrates desses artistas, observatórios, ONG, activistas, fundações, confederações, sindicatos, eternos rebeldes… que vivendo oficialmente do discurso da exigência sobre o sistema, quando não da gritaria contra o sistema, se transformam na muralha de aço que, qual milícia, protege o seu caudilho de qualquer escrutínio. Estes exercícios de justificação do injustificável revelam como hoje chamamos elites ao grupo de privilegiados que os líderes políticos sustentam com dinheiros públicos.

 

 

 

vai dar trolha

18 Março, 2016
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O PT, a «presidenta» e o «Lulinha paz e amor» andam a pisar no risco. A nomeação de Lula como ministro foi um desafio ao país e às instituições, sobretudo à Procuradoria e ao Supremo Tribunal Federal, e algo me diz que, à conta disso, a coisa não vai acabar bem por esses lados. Mas, entretanto, como Lula já entendeu que só no ataque lhe restará uma, ínfima que seja, hipótese de se safar da cadeia, avançou para a confrontação e estará hoje numa manifestação na Avenida Paulista, coração do território inimigo, que ele sabe que precisa de ocupar para esvaziar a contestação. O problema é que as ruas laterais da Paulista estão já ocupadas pelos contra-manifestantes (a 9 de Julho está cortada, o mesmo é dizer que São Paulo está sitiado) e o confronto será quase inevitável. Afinal, o «Lulinha paz e amor» é também capaz de partir para a guerra. A hipótese de sair vivo dela é que é cada vez menor.

Unintended consequences

18 Março, 2016

Pois é, eu sou um daqueles bandidos que acha bem que uma empresa anuncie que pretende contratar “colaboradoras o mais fisicamente apelativas possível”, principalmente se a intenção é contratar “colaboradoras o mais fisicamente apelativas possível”. Acho que faz todo o sentido, se querem contratar “colaboradoras o mais fisicamente apelativas possível”, que não refiram no anúncio que aceitam mastodontes com barba ou homens espadaúdos e depilados com interesse no activismo gay. É que nem vou desenvolver grande coisa, que isso já foi explicado neste blogue de forma bem melhor da que eu conseguiria. Porém, fiquei curioso com o aspecto físico da Sandra Arezes uma vez que ela diz que “não tem qualquer problema com o [seu] corpo”. Não tenho orgulho nisso, mas é verdade. E é precisamente disto que falavam John Locke e Adam Smith, ao referirem as consequências imprevistas, neste caso, a consequência de se tentar fazer uma tempestade num copo de água, que é o que as redes sociais são. Mais alguém ficou curioso acerca do aspecto físico da Sandra Arezes? É natural, é o denominado EWOT – Economic Way Of Thinking -, daí o meu post com teor pedagógico.

Coitadas das crianças

18 Março, 2016

A Catarina Martins queria acabar com os exames para as crianças. Resultado: este ano poderá haver escolas com provas no 2º, 4º, 5º, 6º, 8º e 9º anos. Nos 9 primeiros anos de escolaridade haverá 6 com provas.

Mediaticamente a geringonça funciona maravilhosamente

18 Março, 2016

Procurem-se notícias sobre a decisão anunciada ontem pelo ministro da Educação de alterar o regime de avaliação os 2.º, 5.º e 8.º anos. Quem ler essas notícias acreditará que tudo decorre com a maior das normalidades. Que se  esteja a anunciar em Março alterações no modelo de avalição para o próprio ano lectivo em curso aparece nem sequer é destacado.

Mas mais espantosamente ainda não vemos ser referido que esta alteração de Março é já uma alteração à alteração que o ministro anunciara em Janeiro.

Março de 2016 as provas são facultativas: As provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos já têm data marcada: dia 6 de junho para a disciplina de português e dia 8 do mesmo mês para matemática. O anuncio foi feito esta manhã pelo ministro da educação, Tiago Brandão Rodrigues, em Conselho de Ministros. O responsável adiantou que as provas só se tornam obrigatórias a partir do próximo ano. 

Janeiro de 2016 as provas eram obrigatórias: Segundo o ministério, no final deste ano lectivo realizar-se-ão duas provas no 2.º ano de escolaridade, uma de Português e outra de Matemática, mas “apresentando as duas uma componente de Estudo do Meio”. Nos 5.º e 8.º anos de escolaridade, as provas que se realizarão em 2016 serão ainda só às disciplinas de Português e Matemática.

Face a esta espantosa sucessão de factos e contra-factos ninguem fala do stress que isto provoca nas criancinhas.  Mário Nogueira está calado. Os teóricos da angústia desapareceram. Não se abrem noticiários com as associações de pais e dirtectores. Os comentadores não comentam. Os jornalistas andam entretidos com o desgosto que tiveram com Lula e a TSF em vez de dizer o que sabia – Marcelo terá ameaçado vetar o diploma – faz uma notícia rebuscadissima e disparatada sobre o papel de Belém na confecção do diplomaaz uma notícia rebuscadissima e disparatada sobre o papel de Belém na confecção do diplomaaz uma notícia rebuscadissima e disparatada sobre o papel de Belém na confecção do diploma que consagra em Março a alteração à alteração anunciada pelo ministro da Educação em Janeiro. Honra seja feita ao Diário Económico que detalha o que aconteceu.Honra seja feita ao diário Económico que detalha o que aconteceu.

Assim dispostos os factos é óbvio que a geringoça funciona. Mediaticamente, claro. E isso é quase tudo.

 

 

E em Portugal, em 2006

17 Março, 2016

Quando Sócrates tentou imitar lei brasileira que protege Lula. Lei que protege Lula da Silva de ser julgado pelos tribunais de primeira instância enquanto ministro de Dilma foi estudada em 2006 pelo governo de José Sócrates. Contestação fez cair ideia.

Disse “interferência directa”?

17 Março, 2016

E no meio do Brasil, dos refugiados… passam notícias-recados como esta que abre o noticiário da TSF sobre a “participação directa” de Belém no regime transitório das provas de aferição: “A TSF sabe que Isabel Alçada assessora de Marcelo Rebelo de Sousa (…) teve interferência directa” no processo.

E como soube a TSF? Belém resolveu que se devia saber que teve interferência directa” no processo? E se não tiver sido uma fuga de informação de  Belém de quem foi?

brasil

17 Março, 2016
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As instituições brasileiras parecem ter entrado em estado de catalepsia com a decisão asinina de Dilma Roussef e Lula da Silva de transformarem este último, que está em evidentes dificuldades com a justiça, num ilustre ministro do governo federal. Neste momento, o governo ficou partido e a sua base parlamentar de apoio irremediavelmente dividida. Temer, o vice-presidente, faltou à cerimónia de tomada de posse, em protesto. As instituições juriscidionais tomam decisões contrárias às do governo e mandam suspender a posse de Lula. O governo promete contestas a decisão. O povo vem para as ruas protestar e exigir a prisão de Lula e, agora, também de Dilma, ou para, em muito menor número, apoiar o governo do PT. A polícia atacou manifestantes em Brasília e abandonou a Avenida Paulista. Já houve confrontos sérios entre manifestantes e a sede da CUT foi atacada em Curitiba. A Procuradoria-Geral da República faz ameaças e diz que não se deixa intimidar pelo governo federal. O Supremo Tribunal Federal é visto com desconfiança e acusado de estar a soldo do PT. A comunicação social protesta veementemente e faz eco do que se passa nas ruas. Os opinion-makers estão todos, ou quase, a incentivar a população contra o governo do PT. Uns clamam pelo juiz Sérgio Moro, enquanto no governo federal ele é rotulado de «golpista» e lhe fazem ameaças explícitas. Saltam para a comunicação social escutas telefónicas envolvendo os principais figurões do governo e do PT, com revelações que fariam ruborizar um índio da Amazónia. Numas, Lula diz que o «pessoal da Lava-Jato precisa de ter medo». Noutras, desconsidera Dilma para, um pouco mais adiante, combinar com ela um esquema rasteiro para se safar do  Ministério Público. Marta Suplicy é adjectivada de forma pouco abonatória em conversa telefónica entre Lula e Jacques Wagner. A poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo decorou, ontem, a imponente fachada da sua sede na Paulista com as cores da bandeira brasileira e uma faixa dizendo «renúncia já». Neste fim-de-semana, as revistas Veja e Isto É preparam edições escaldantes, que certamente contribuirão para animar as hostes. Em face disto, de duas uma: ou surge rapidamente uma válvula de escape que acalme as coisas, ou dificilmente o Brasil evitará um desenlace que já conhece doutras eras.

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Mais que a morte, também a vida

17 Março, 2016

Ainda bem que puxas o assunto, Carlos. De outra forma, também o Helder o tinha feito. Acho que a geração será julgada por mais do que a forma com que lida com a morte em nome de um suposto direito: será julgada também pela forma como relativizou a morte e tudo o resto ao abrigo de uma moral colectiva inexistente sem um propósito que não a imposição, por força de Lei, de uma noção antropológica de progresso apoiada no barbarismo primário cuja retórica é agressiva e liminarmente impeditiva de discussão fora do cânone bélico. É uma conquista de outra civilização via Cavalo de Tróia, se não por armas, por acesso e abuso de poder.

O caso do aborto é particularmente sintomático: os portugueses tiveram oportunidade para se pronunciarem sobre se mulher que aborta deve ser penalizada criminalmente, nunca sobre se mulher que deseja abortar deve ser subsidiada para o fazer, que é o que acontece no SNS universal. Sobre a vida humana, quer na questão do aborto, quer na questão da eutanásia, a questão é sempre colocada de forma a que o alegado direito de uns se torne no dever incontestável de outros. Digamos que estas questões, ditas fracturantes, que segregam em barricadas os oponentes, explicam na perfeição como a questão da igualdade nos regimes socialistas é pura fachada propagandística. Iguais, sim, mas uns mais que os outros.

Nas últimas décadas, mesmo após o continuado declínio de questões fracturantes, que fracturam por serem pilares de uma sociedade, viu-se a substituição das questões simbólicas menores como a queima de soutiens (um direito próprio, a não usar soutien, se não lhe apetece, mesmo que o símbolo significasse mais que o uso de uma peça de vestuário) por questões simbólicas de identidade colectiva, como a desgraça de se identificar um brinquedo como de menina ou de menino, onde o que se pretende não é o direito de uma menina a ter um carrinho e sim a remoção física de identificações simbólicas e ancestrais sobre o ser humano e a sua vida em sociedade.

Não é sobre a morte, é sobre a vida: a forma como uma minoria decide que a maioria deve viver.

Tirem uns minutos

17 Março, 2016

Para ver e ouvir Pedro Ferraz da Costa

Mitos convenientes

17 Março, 2016

João César das Neves: «Há séculos que dirigentes e pensadores se deixam levar por fábulas e emoções, normalmente elegantes e convincentes, mas com pouca aderência à realidade. Os tempos rodam, o disparate torna-se evidente, mas então já a geração seguinte de analistas anda intensamente ocupada em criar novos mitos, que alimentam erros subsequentes. (…) Todos estes mitos, por mirabolantes que sejam, escondem o grande embuste que durante vinte anos constituiu a base da política nacional: o mito dos direitos inalienáveis que alguns grupos foram gozando, muito acima do que a produção nacional podia pagar. Funcionários, pensionistas, escolas, hospitais, banca, construtoras, municípios e tantos outros ganharam muito graças ao crescente endividamento público e privado, que a entrada no processo de unificação monetária permitiu, e que rebentou em 2008. A urgência vital da intelectualidade nestes anos tem sido justificar e recuperar esses ganhos o mais possível. A finalidade dos mitos é, portanto, esconder este golpe.»

separados à nascença

17 Março, 2016
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o resto virá depois

16 Março, 2016
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A entrada de Lula da Silva para o governo da «presidenta» Dilma terá uma única consequência: a inevitabilidade do processo de impeachment. O resto virá depois.

É uma forma ainda assim educada de nomear os burros

16 Março, 2016

Tencionava passar uma tarde tranqüila, sem grandes aborrecimentos, ignorando o orçamento da geringonça em vigor até ao rectificativo de Abril, eis que sou confrontado com um artigo de opinião do doutor Rui Tavares1. Nesta brilhante obra de ficção, o doutor Tavares conclui que o Brasil está reconhecível, os brasileiros é que não, o que quer que isto queira dizer. Provavelmente, pensa o leitor, significa que o doutor Tavares reconheceu Copacabana – “sim, lembro-me, é isto” -, mas não reconheceu a senhora que a ele se dirigiu, pedindo para não lhe pisar o pé – “ei, eu conheço você! Você é o Antônio Sala, cara! Sou eu, a Gabrielly!” Mas não, não se trata disso, trata-se do doutor Tavares reconhecer Copacabana mas estranhar os “vícios machistas, racistas e classistas ainda alojados na psique coletiva de parte da sociedade brasileira”. Da última vez que o doutor Tavares esteve no Brasil, há “cinco anos”, não havia qualquer sinal de “vícios machistas, racistas e classistas ainda alojados na psique coletiva de parte da sociedade brasileira”, pelo que os “vícios machistas, racistas e classistas ainda alojados na psique coletiva de parte da sociedade brasileira” devem ter sido implantados desde 2011, altura em que o doutor Tavares não deu pela existência deles. Faz pensar se o doutor Tavares tem consciência do significado de “ainda alojados”, né?

O doutor Tavares continua, afirmando que “este não é o Brasil dos últimos anos, quando dois presidentes — Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva — mudaram para muito melhor a economia e a sociedade do país, a partir de uma política que sempre pareceu uma catástrofe adiada”. Vai-se a ver, doutor Tavares, acabou o adiamento da catástrofe, né? Depois, mais à frente, o doutor Tavares questiona se o cargo ministerial a atribuir a Lula será simbólico ou não; eu diria, doutor Tavares, que o simbolismo associado é bastante evidente, servindo apenas para safar o biltre com quem, inquestionavelmente, o doutor Tavares simpatiza. Não escolhemos as nossas simpatias, às vezes são elas que nos escolhem, se pensarmos na tragédia que foi a campanha do candidato da ala Livre do PS, o professor doutor Sampaio da Nóvoa; outras vezes, as simpatias são o que se consegue arranjar.

Apesar de tudo, queria saudar o doutor Tavares por identificar aquelas que, a partir de agora, são as culpas do Universo a tudo que desagrade o doutor Tavares: machismo, racismo e classismo. A solução para os males do mundo parecem ser o feminismo, miscigenação e abolição de classes. Para a última tenho uma solução imediata para o doutor Tavares: estou a precisar de um trolha que venha cá erguer um muro. Para restantes, também tenho: quem quiser – não pode ser branco – vir miscigenar-se com o doutor Tavares sem olhar a identificação retrógrada de géneros, que venha também.


1 Líder emérito do movimento unipessoal Livre, criado no âmbito do plano de diversidade de fauna e flora promovido pelo Partido Socialista.

Por que é que os deputados brincam às casinhas?

16 Março, 2016

Um exemplo: para quê baixar o IMI em 20 euros por cada criança? Qual é a lógica?

Vamos supor que queremos ajudar as famílias com filhos. Como se faz? Abono de família. Simples e directo. Todas as crianças em condições similares recebem abono de família de forma idêntica. Não é preciso criar um mecanismo novo. Se há necessidade de ajudar as famílias com crianças a solução é aumentar o abono de família em 20 euros. Porquê fazê-lo através do IMI? O IMI não chega a todas as crianças (só às de pais proprietários não isentos). O IMI não tem mecanismo nenhum de ajuda a crianças. É preciso criar uma nova burocracia. Então porquê?

A minha teoria: o deputado tem uma visão mágica da realidade e sente satisfação quando simula uma dádiva através da legislação. Dar através do IMI (que na realidade é um desconto no pagamento) dá ao deputado a sensação que ninguém paga e há alguém que recebe. Ocorreu magia e o deputado saiu satisfeito. Dar através do IMI, que é um esquema elaborado dá ao deputado a sensação de amenizar uma agrura da vida (a conta do IMI vem num dado mês e desequilibra as finanças das famílias). Tem uma história e uma elaboração que aumenta a satisfação do deputado. Aumentar o abono de família teria o mesmo efeito com a vantagem de ser menos burocrático, chegar a todos e dar mais flexibilidade financeira às famílias. Mas não é a mesma coisa. É uma história demasiado abstracta e sem drama que não dá satisfação ao deputado.

Aprovado o orçamento

16 Março, 2016

Uma das principais fontes de burocracia e diarreia legislativa é a vontade dos deputados de brincar às casinhas lá na Assembleia. O governo fez um orçamento que define os destinos de cerca de 80 mil milhões de euros. Nesta fase aumentou impostos  a uns para reduzir impostos a outros e para aumentar salários a um terceiro grupo. Depois deu 50 milhões de euros para os deputados brincarem. E lá estiveram eles por ester dias a baixar o IVA do copo menstrual e do Seitan (que já tinham IVA reduzido, mas isso não impediu ninguém) ou a subir a taxa de TV em 1 euros a uns e a baixá-la em 20 cêntimos a outros (ou vice-versa), ou a dar benefícios fiscais aos animais domésticos e a tirá-los às crianças (desde que filhas de ricos), ou a reduzir o IMI aos pobres mas também aos ricos mas não a quem está ali pelo meio da escala social … Passou  a ser possível ter isenções fiscais com dívidas fiscais (para quê se não há intenção de pagar?), os transportes vão voltar a ser gratuitos para determinadas classes sociais ligadas ao Estado e vamos ter manuais escolares gratuitos (mas apenas para quem os usa, para o contribuinte não são gratuitos). Há também uma nova prestação social para quem já não recebe subsídio de desemprego e também já não recebe subsídio social de desemprego. Será algo como o subsídio social essencialíssimo de desemprego.

Acaba por ficar barato. Ocupa-se os deputados por vários dias e eles só gastam 50 milhões. Mas os custos burocráticos e do legado de direitos adquiridos  são 10 vezes maiores.

Antes que Cambridge coloque isto no index

16 Março, 2016

Revejam-se estas imagens agora que a voz de Lady Penelope desapareceu

Venham daí as estrias e a putrefacção

16 Março, 2016

Vi, n’O Observador, que podemos estar obcecados com o corpo pós-parto. Descobri que a barriga lisa de Deborah Secco foi notícia em todos os jornais, algo que me passou ao lado por não ler muitos jornais e, talvez, por desconhecer a pessoa denominada por Deborah Secco. Porém, admitindo que uma barriga lisa é algo que me interessa há já algum tempo, fui informar-me acerca do assunto para poder agora comentar este tema com a autoridade de um especialista daqueles que comentam assuntos na televisão ou, dadas as circunstâncias certas, até integrar um governo, provavelmente como ministro da educação ou, se o primeiro-ministro for suficientemente parvo, como ministro da economia.

Bem, voltando ao assunto, que tenho a certeza absoluta de não ter a importância letal de um McDonalds com desplante para sugerir que um Meu Pequeno Pónei é brinquedo para meninas, tenho a dizer que a Deborah Secco não é má. Não é, não senhor. Seria, inclusivamente, alguém que, nas circunstâncias adequadas, piroparia na ilegalidade, não fosse a desagradável – para mim – apetência para transformar as costas num letreiro para um extracto do Pai Nosso. “Livrai-me de todo o mal. Amém” pode ser lido em Deborah Secco, aparentemente como protecção contra um mal que não inclui uma agulha a picar a zona. Dir-me-ão que não faz sentido opinar sobre o que cada um manda escrever de forma permanente nas costas, o que até seria verdade, não estivéssemos nós obcecados com o corpo pós-parto, legitimando toda e qualquer preocupação com as costas através da nossa identificada obsessão com a barriga.

antichrist-chaosreignsTambém há umas senhoras que querem ter direito a terem o direito de publicar fotos de estritas pós-parto, nem que não as publiquem, como todos os indignados. Digo assim porque, como o entendi, ninguém coloca em questão se podem ou não ter estrias, só a ignomínia de um povo bruto que não mostra particular interesse pelo privilégio obtido por essas senhoras exibirem alegremente as ditas estrias. Não fosse estarmos obcecados com o corpo pós-parto e a dificuldade em nos concentrarmos em outras obsessões ao mesmo tempo, estaria, através deste post, a propor um paralelo entre comparações de fotos em corpos pós-parto com comparações de fotos de comida antes e depois de digerida. Por exemplo, todos deviam ter o dever de usufruir, sem crítica ou estereótipos castradores, o privilégio que é observar o direito de alguém que publica a foto do prato gourmet seguida da foto do cocó que tal prato gera umas horas depois. E, assim sim, seríamos transparentes, não discriminadores e sem obsessões castradoras que impedem uma mulher de comer à fartazana ou de procriar com medo de perder uma figura que acabará, como o prato gourmet, digerido e transformado em comida para vermes.

Daí que proponho uma boa tatuagem para as costas, que se querem lisas: “o pó retorne à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o concedeu” (Eclesiastes 12:7).

Isto está a compor-se

16 Março, 2016

Em Cambridge foi cancelada uma festa de estudantes cujo tema era A Volta ao Mundo em Oitenta Dias de Jules Verne. Não por reação dos estudantes apoiantes do Brexit ao uso de um autor da malévola Europa continental. Porque se considerou que como o livro que dava tema à festa se passava em fins do século XIX, numa época colonial europeia, tinha ‘potencial para ofensa’ aos estudantes estrangeiros que aparentemente estão ainda em 2016 oprimidos pela colonização dos tempos de Phileas Fogg.

 

nunca visto

15 Março, 2016
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O que se está a passar no Brasil é coisa nunca vista em lado nenhum. Com raríssimas excepções, não há na classe dirigente desse imenso país um só político que não esteja envolvido em escândalos de corrupção. E se me pedirem para pôr as mãos no fogo por qualquer uma dessas «excepções raríssimas», garantidamente não o farei. A verdade é que atrás de um sempre vêm outros e que os acusadores de hoje são os acusados de amanhã. O sistema, muito norte-americano, da «delação premiada» leva a que quem se sente no sufoco ponha a boca no trombone para se tentar safar, ou, pelo menos, para levar uma pancada menos forte, e entregue toda a gente.

Os anos que passei no Brasil permitiram-me entender a origem do fenómeno. Ela reside, a meu ver, numa verdadeira concepção patrimonialista do estado, segundo a qual quem o governa nos seus diferentes níveis federal, estadual ou municipal o tem como coisa sua, que usa como mais lhe convier. Por essa razão, o tradicional conceito de corrupção política não se aplica, a meu ver, nesse país. Até porque, geralmente, a corrupção é uma excepção à regra, ao passo que, no Brasil, a regra é a nossa excepção. Entre os governantes, senadores, congressistas e autarcas do PT – que se fartaram de roubar, à descarada, nos últimos quinze anos – e dos demais partidos, há, essencialmente, uma diferença temporal: os primeiros chegaram ao poder depois dos outros e trataram de se abastecer mais depressa e com maior voracidade do que o habitual, com medo de o perder mais cedo. Por conseguinte, não causa grande espanto encontrar como beneficiários e agentes do «Petrolão», ou de outro escândalo qualquer (para quando uma auditoria a sério ao BNDES…), o Lula, a Dilma, o Aécio, ou outro qualquer marmanjo que faça da política o seu modo de vida. Essa é a regra do Brasil, confirmada pelo excelente nível de vida ostentado pela generalidade dos políticos com cargos executivos prolongados no tempo.

No meio desta algazarra que por lá vai, há, contudo, uma coisa verdadeiramente difícil de compreender: donde vem a força dos (poucos) homens do Ministério Público e da Polícia Federal que andam a prender meio Brasil político e se preparam para prender a outra metade. Só para se ter uma ideia da dimensão disto, a Operação Lava-Jato vai na sua 24ª fase, na qual se prepara a prisão do Lula, e tem previstas, ao que se sabe, 70… Por outro lado, a proclamação ao país de Sérgio Moro, em forma de nota à comunicação social, após as manifestações do último domingo, na qual dizia que será «importante que as autoridades e partidos ouçam a voz que vem das ruas», também é coisa bizarra, a precisar ainda de ser bem entendida.

Social-democracia sempre, meu irmão!

14 Março, 2016

“Se não os podes vencer, junta-te a eles” é uma expressão que fica sempre a meio. O resto da expressão é “e rebenta-os por dentro”.

A direita portuguesa tem duas hipóteses: ou procura um rumo (e, inevitavelmente, falha), ou deixa-se estar quietinha, só repetindo o inócuo mantra da “social-democracia”, enquanto o (também inevitável) incêndio acontece. Quietinha, sem espernear, sem consumir oxigénio necessário à sobrevivência neste período de regabofe. Não há denúncia possível das políticas irresponsáveis do Costa e pantomineiros associados; denunciar o quê? O rumo ao socialismo? Denunciar a óbvia constitucionalidade do desígnio nacional? O PS foi para o governo, deve governar, nem que isso signifique (que significa sempre) o degredo. As pessoas vão aprender a não mais votarem em palermas e a aceitarem que estes governem mesmo perdendo as eleições? Provavelmente, não; mas não será denunciando de forma exuberante as palermices de palermas que algo mudará, só chateará mais quem já anda nisto dos amanhãs há mais de 20 ou 30 anos.

Para mim, a única forma de alguém (eventualmente) aprender alguma coisa, é deixando a limpeza para quem suja. Aprendi isso com o PEC4, abençoado seja Sócrates, o pedagogo.

Não percebo

14 Março, 2016

Um terço dos dirigentes do Instituto do Emprego substituído Esta substituição é explicada pela “necessidade de imprimir uma nova dinâmica à prossecução das prioridades”.
Como se sabe que os 2/3 que não são susbtituídos conseguem “imprimir uma nova dinâmica à prossecução das prioridades”?
Dir-me-ão que este 1/3 corresponde à gente que lá foi metida pelo PSD/CDS. Muito provavelmente sim. O que não deixa de abonar a favor da PAF, senão reparem ao fim de quatro anos de governo tinham 1/3 dos dirigentes deste institituto. Pois os outros 2/3 em que os socialistas agora não mexem serão de que partido?

Dos queridos líderes àqueles que viram páginas…

14 Março, 2016

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Que tanto com Sócrates como com Lula tenha sido necessário chegar aos extremos policiais por todos conhecidos é bem sintomático desse síndroma do “querido líder ao grande líder mas sempre com o líder” que ataca a esquerda. Tal sucede não porque a esquerda seja mais corrupta mas sim porque a complacência em relação aos seus se tornou na sua forma de sobreviver no poder e consequentemente também na sua maldição assim que o deixa.

O reverso desta complacência é a judicialização da vida e da política. Mas sejamos claros: se não tivessem acabado envolvidos em casos de corrupção, homens como Sócrates e Lula continuariam a ser considerados não só grandes políticos como promotores do desenvolvimento dos respectivos países.