Triste Ocidente
Os deputados da Câmara dos Comuns aprovaram hoje por ampla maioria a participação do Reino Unido nos ataques aéreos da coligação internacional contra posições dos ‘jihadistas’ do grupo Estado Islâmico no Iraque. A moção, apresentada pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi aprovada com 524 votos a favor e 43 contra.
O texto autoriza “o recurso a ataques aéreos” no âmbito de um apoio pedido pelo governo iraquiano e precisa que Londres “não enviará nenhum soldado britânico para as zonas de combate”.
Isto é um erro crasso. A incapacidade de explicar às opiniões públicas e às publicadas que paz e pacifismo não se confundem, antes pelo contrário, leva a decisões desastrosas como anunciar datas de retirada muito antes de se saber se tal será possível ou, como neste caso, afirmar que nunca se enviarão tropas terrestres e que tudo se limitará a uns assépticos bombardeamentos que naturalmente só serão assépticos até chegarem as primeiras imagens de uma casa onde após um desses bombardeamentos morreu uma família. Aí os que agora apoiaram estes bombardeamentos que por sinal se baseiam numa coisa muito criticada noutros cenários – o uso desproporcionado da força – terão medo de se tornar menos simpáticos e depois começa o que já vimos.
os dias difíceis do mês
É sabido que certas almas mais sensíveis aguentam com maior dificuldade aqueles dias difíceis do mês, podendo mesmo, em casos extremos, ter ataques de raiva e agressividade incontida, proferindo insultos e impropérios sem fim, frequentemente acompanhados por coices, pontapés e socos no ar. Antigamente, antes de Freud, acreditava-se mesmo que estes recalcamentos mais extremados eram claros indícios de possessão diabólica, provocada por diabretes de baixo escalão nas hierarquias infernais, porque, para além das manifestações primitivas já referidas, as pobres vítimas ainda falavam e escreviam línguas que desconheciam, e tinham alucinações imaginando coisas que não viam e que não tinham existência.
Ora, vem isto a pretexto deste bom exemplo que aqui temos, em que uma criatura habitualmente gentil, provavelmente transtornada por esses dias difíceis do mês, verteu uma espécie de vómito pastoso e repugnante (outra das supostas provas de diabolismo) sobre um texto que aqui editei, que recortou, montou e colou com o esmero de uma costureirinha de província, invocando também, como destino das suas fúrias, coisas que certamente nunca viu nem leu, mas que ele imaginou que sim.
Vai-te tratar, pá!
Live and let die
Passos Coelho é inocente. Isto é uma cabala, uma campanha negra. O que os portugueses precisavam era que o doutor Passos Coelho virasse as costas a isto tudo e deixasse o país caminhar para a miséria que merece. Não gostam do Passos Coelho porque ele é incisivo, brilhante, sabe o que quer e moderniza o país contra esses lóbis instalados da oposição que quanto pior, melhor. O doutor Passos Coelho teve coragem e não se deixou condicionar pelos bandidos que mandam nisto tudo, por isso fez muitos inimigos que agora o querem denegrir. Isso não é gente, são bichos. O que este país precisava era que todos fossem tão honestos como o doutor Passos Coelho. Isto é só inveja do doutor Passos Coelho. Que mal tem o doutor Passos Coelho comprar casas a metade do preço? Só mostra que é esperto. Nunca ninguém fez tanto por este país como o doutor Passos Coelho, por isso o querem queimar, a começar por esse senhor Cavaco e toda a elite lisboeta. Destruam os documentos da exclusividade. É inadmissível que se viole assim a privacidade do senhor Primeiro-Ministro que tanto fez por nós. Eles querem é a gamela. Isto é uma rasteira, uma valente ignomínia, uma vergonha. Passos Coelho vai renascer das cinzas, como fénix, e há-de regressar, aclamado por todos, como o único imperador capaz de salvar o país. Passos Coelho adora-nos a todos.
Este é o tipo de post que, estranhamente, não se vê por aí, inspirado na moda Primavera-Verão 2011. Podem tirar ideias: não é um ambiente gasto, é vintage.
Racionalizar pela igualdade
É frequente ouvir-se da boca de proto- e candidatos a cargos as virtudes das políticas de emprego e de redução de desigualdade. Nenhum destes objectivos pode ser atingido aumentando o salário mínimo.
Aumentando o salário mínimo, pessoas cuja produtividade seja inferior ao novo valor de salário são despedidas. É uma afirmação tout court, sem direito a contraditório fora do manicómio ou suas delegações nas sedes dos vários partidos.
Com o aumento do desemprego, nem que marginalmente, o segundo objectivo também não pode ser concretizado: passam a existir, efectivamente, pessoas cujos rendimentos diminuem, nomeadamente para zero, aumentando o fosso entre elas e, digamos, o tipo que implementa estas políticas.
A única forma de garantir, em simultâneo, política de emprego e redução de desigualdade é através da fixação do salário máximo nacional. Actualmente proponho 600€. Isso, aliado a ilegalizar a emigração, garante muitos mais postos de trabalho e, em simultâneo, a verdadeira aproximação entre rendimentos.
Se é para intervencionar, que seja com racionalidade pela igualdade.
Eleitoralismo
Durante três anos a oposição protestou contra os cortes de salários, contra os aumentos de impostos e contra o fecho de serviços. Durante 3 anos a oposição pediu aumento do salário mínimo e obras públicas. Agora que o governo suspende os cortes, promete baixar impostos, aumenta o salário mínimo e lança obras públicas, a oposição diz que o que andou a pedir durante 3 anos é eleitoralismo. É óbvio que é.
Salário mínimo, pontos focais e incentivos
Sobre a possibilidade de o desconto na TSU constituir um incentivo para as empresas não subirem salário (ver aqui, aqui e aqui), sugiro que primeiro se veja qual é o efeito do salário mínimo na distribuição de salários, mesmo sem descidas especais de TSU.
Note-se que:
- O salário mínimo é um ponto focal, contribuindo para arrastar alguns salários para baixo. Facilita e dá poder de negociação à empresa. Facilita também a cartelização do mercado de trabalho, dando poder às empresas.
- Incerteza sobre legislação laboral leva os empresários a manter salários no SMN para não serem surpreendidos por custos imprevistos. Ou benesses imprevistas das quais não podem beneficiar se aumentarem prematuramente o salário. Esta descida da TSU é uma dessas incertezas. Os principais efeitos já estavam incorporados nas expectativas dos agentes.
- Incerteza sobre o valor e a data de aumento do SMN leva os empresários a serem conservadores nos aumentos salariais.
- Se existir uma pressão para aumentar o salário, os empresários preferirão pagar remunerações extraordinárias que podem ser revertidas quando o SMN aumentar.
- Uma fracção importante das pessoas que ganha o salário mínimo está a ganhar acima do seu valor de mercado pelo que o desconto na TSU é na realidade um incentivo para que mantenham o emprego (sendo ridícula a hipótese de serem aumentados).
Aumento do SMN
A oposição está contra o aumento do SMN. Dizem que é eleitoralismo. Por acaso tb acho que é. Mas não só. É uma má medida para os mais desfavorecidos e para aqueles trabalhadores que aspiravam a ganhar um pouco mais que o SMN pois as empresas como se percebe neste acordo terão um incentivo financeiro para concentrar a contratação de remunerações no SMN.
Cativos das corporações
A Air France pretendia expandir a companhia low cost Transavia com Hubs em França e na Holanda, numa tentativa de manter a quota de mercado da segunda maior empresa aérea da Europa.
Os pilotos da Air France convocaram uma greve contra a expansão da Transavia pois temem que viessem a ser contratados pilotos fora de França o que poderia deteriorar os seus salários, que estão entre os melhores da Europa.
Mais de 605 voos já foram cancelados. A greve custa diariamente 20 milhões de euros.
O ministro dos transportes francês já veio declarar que o plano da Air France de expandir a companhia low cost Transavia foi abandonado pela companhia.
As outras low cost agradecem.
Desintegração voluntária
Mário Soares apela à demissão voluntária de Seguro, “porque ainda podia salvar qualquer coisa”.
Duas hipóteses: ou receia que Costa perca as primárias; ou receia que a Terra se possa desintegrar antes do prazo previsto de 50 anos.
“Tu achas que o Passos se demite?”
Tema do meu artigo de hoje no Observador: a pergunta que Costa e Seguro no assanhamento de fazer sobressair o que detestam um no outro se esqueceram que está na cabeça dos portugueses: “Tu achas que o Passos se demite?”
a economia portuguesa está imparável
E, graças a ela, o défice continua a crescer. O facto do mês de agosto último ter sido o melhor agosto de sempre em termos de cobrança fiscal (é quase romântico), também ajudou, obviamente. Com tamanho sucesso – um recorde absoluto! – a felicidade espera-nos e está aí, ao virar da esquina. A economia agradece.
o rei vai nu
Passos Coelho escondeu, há cerca de vinte anos, umas massas ganhas numa empresa, não as declarando ao fisco e tendo-as recebido a latere do seu estatuto de deputado, que o obrigaria à exclusividade. Cometeu, assim, várias ilegalidades, embora naquele tempo não incidissem ainda sobre nenhuma delas o juízo censório que hoje as condena às penas do inferno, cada uma delas agora mais gravemente punida do que um homicídio qualificado, cometido com requintes de malvadez.
Por mim, que entendo não existirem, no plano metajurídico, crimes económicos contra o estado e que defendo que os únicos crimes desse género são os que o estado insistentemente comete contra a propriedade privada, Passos Coelho não seria incomodado. Até porque, como ele, nessa altura, antes e depois, muitos outros fizeram igual ou pior, isto admitindo que é mau e merecedor de responsabilização jurídico-criminal não entregar coervivamente ao estado aquilo que legitimamente nos pertence.
O problema é outro e está no facto de Passos Coelho chefiar um governo que promoveu o maior saque fiscal de que há memória aos contribuintes portugueses, e que ameaça os incumpridores com as penas do inferno, cuja execução efectiva tem sido motivo de especial orgulho dos responsáveis pelo ministério da tutela, desde logo do respectivo secretário de estado, por sinal saído das hostes do “partido dos contribuintes”.
Ora, mais do que a duplicidade de atitudes (quanto aos critérios, só nos poderemos pronunciar depois de haver uma conclusão sobre os factos), o que incomoda aqui é a hipocrisia do poder em relação a muita gente honesta que não entrega ao estado aquilo que ganha, por razões, por vezes, de mera sobrevivência, o que não terá sido certamente o caso de Passos Coelho, caso o tenha feito. Vejam-se, por exemplo, os milhares de gestores de empresas em risco de falência, que pagam salários com o que deveriam entregar ao estado, para ver se conseguem salvar as empresas e os postos de trabalho, e que se vêem a braços com processos-crime, condenações, penhoras e penas de prisão.
É para esta realidade de um país falido e asfixiado fiscalmente que os governos deveriam olhar quando põem os seus responsáveis a dizer baboseiras sobre a evasão fiscal e o que vão fazer a quem a comete. Até porque, quando menos se espera, em cima do melhor pano cai a nódoa.
Parecer – Parte II
O deputado Pedro Delgado Alves responde ao meu artigo «Parecer», o que desde já saúdo e agradeço.
Na sua resposta defende que, ao contrário do que afirmo, não existirão inconstitucionalidades na proposta de lei apresentada.
Em primeiro lugar invoca que agora e em debates anteriores referentes a propostas similares sobre a mesma matéria «nunca qualquer putativa inconstitucionalidade foi invocada». Salvo o devido respeito, tal argumento é irrelevante, na medida em que se nunca ninguém detectou inconstitucionalidades nada impede que as mesmas não existam. Não seria a primeira vez nem seria certamente a última que determinada lei ainda que em vigor há largos anos, não fosse invocada em concreto uma determinada desconformidade com a CRP.
Refere ainda que «o TC analisou a matéria em acórdão de 2003 (Ac. 616/2013), no quadro de uma fiscalização sucessiva requerida pelo Provedor de Justiça». Correcto. Sucede que o pedido de inconstitucionalidade então feito tinha por base máteria diferente da que eu invoco. Nomeadamente a Provedoria de Justiça invocava então (na redacção original da lei 62/98), a ausência de determinação concreta das verbas a serem cobradas, pelo que a questão concreta da desconformidade pelos argumentos que utilizei não foram na prática analisados. O TC veio dar razão à Provedoria e a lei foi alterada pela lei 50/2004. sendo então fixada uma tabela com a indicação dos valores em concreto a serem cobrados nos diferentes suportes/aparelhos.
É certo que o TC se debruçou parcialmente sobre a classificação da «quantia/remuneração» então prevista, nomeadamente se seria uma taxa, concluindo, tal como bem refere o deputado Pedro Delgado Alves que não seria uma taxa: «“Conclui-se, pois, que a prestação pecuniária coactiva prevista no artigo 2º da Lei n.º 62/98 (…) não possui a característica de “bilateralidade” que define estruturalmente a figura das taxas». E sobre isso estamos de acordo. Ler mais…
V – o debate final

o que os une
- o guarda-roupa;
- as propostas para o país:
- “crescimento económico”;
- o que quer que seja preciso para atingir o crescimento económico;
- felicidade de o terem como primeiro-ministro;
- promessa de pedir mais dinheiro à Alemanha para reduzir o défice.
o que os separa
- motivação:
- Indivíduo A: ser primeiro-ministro graças à derrota do PM incumbente;
- Indivíduo B: ser primeiro-ministro graças à derrota do secretário-geral em funções e do PM incumbente;
- aparência física:
- Indivíduo A: duas semanas de praia ou solário;
- Indivíduo B: duas camadas de base ou lixívia;
o que pode o português esperar do resultado das primárias
- desejo por crescimento económico;
- crescimento monumental do Livre em caso de vitória do indivíduo A;
- substituição do termo “austeridade” por “rigor”
Um católico pode invocar a sua religião para não trabalhar ao Domingo?
espaço vital
Seguro pergunta a Costa por que razão não avançou, há três anos, para a liderança do PS? Pergunta de retórica: o elevador do Altis estava saturado.
Parecer
Refere o deputado Pedro Delgado Alves, em comentário neste artigo do Carlos Loureiro, que o seu parecer sobre a proposta de de revisão sobre a lei da Cópia privada concluiu por :« Inexistindo quaisquer fundamentos de inconstitucionalidade (o que nem sempre é o caso, verificando-se com frequência a identificação nesta sede de problemas de constitucionalidade), o parecer conclui pela reunião dos requisitos legais, regimentais e constitucionais para o agendamento em plenário.»
Ora, a meu ver, as coisas não serão assim tão simples. Não parece sequer ter sido feito qualquer esforço de analisar a constitucionalidade da questão, como era seu dever. Com efeito, sempre haveria que analisar a natureza da «compensação equitativa» que será exigida aos consumidores para efectivamente averiguar da sua conformidade com a Constituição. É que não se deverá de ânimo leve aceitar-se aprioristicamente como constitucional que o estado possa mandar retirar rendimento dos seus cidadãos para os entregar a outrem….
Assim e analisando em concreto a proposta, desde logo se pode pacificamente afirmar que tal «compensação equitativa» não é uma taxa. Estas, por definição, são uma prestação pela utilização de um serviço público ou o pagamento de um benefício auferido pelo particular pela disponiblidade de um bem público. Notoriamente, a «compensação equitativa» não tem tal natureza, uma vez que não pretende taxar a prestação de qualquer serviço ou disponibilidade de um serviço ou bem público. Assim, o que está em causa é uma mera relação entre particulares: os gestores de direitos de autor e os consumidores de bens sujeitos a direitos de autor. Em caso algum há a lugar a prestação ou disponibilidade, directa ou indirecta de serviços ou bens públicos do estado.
Excluida a hípotese de a «compensação equitativa » poder ser em termos juridicos e independentemente da sua denominação classificada de taxa, haverá então que ver da hipótese de ser um imposto. Isto é, uma «prestação pecuniária, unilateral, definitiva e coactiva» paga em favor do estado. Facilmente se comprova que não é um imposto, na medida em que a própria lei afirma que tal «compensação equitativa» se destina a «beneficiar os autores, os artistas interpretes ou executantes, os editores e os produtores fonográficos e videográficos». A lei refere que tal «quantia» tem a natureza de «compensação equitativa». Ou seja, visa beneficar os indicados autores e demais etc que serão os seus beneficiários. Ora, como decorrente do explícito no artigo 103, nº1 da CRP «O sistema fiscal visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e outras entidades públicas e uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza», pelo que a «contribuição equitativa» não é um imposto pois não visa «a satisfação das necessidades financeiras do Estado e outras entidades públicas» mas sim a dos benificiários directos da lei: os gestores de direitos de autor e demais eteceteras.
Por último, poderia eventualmente alegar-se que a referida «contribuição equitativa» seria uma das inúmeras «contribuições financeiras» criadas pelo estado com carácter compulsório. Trata-se de figura juridica mais recente e que tem sido amiúde utilizada. Veja-se por exemplo e a título de exemplo a Contribuição Audiovisual, uma contribuição que não é uma taxa (por não estar dependente da efectiva utilização por parte do contribuinte , estando este sujeito ao seu pagamento independentemente da sua efectiva utilizaçao do serviço disponibilizado) nem é imposto, e que reverte em favor da RTP. Outros exemplos são as contribuições para a segurança social, as quotas das ordens profissionais, as «taxas» das entidades reguladores, etc.
Sucede no entanto que tais «contribuições financeiras» tem um requisto, que é o de reverterem em favor de entidades públicas. Assim, o afirma o artigo 165º, nº1, alínea i). O que no caso da «contribuição equitativa» não é o caso: as quantias arrecadadas pela «entidade colectiva de natureza associativa ou cooperativa» revertem em benefício das entidadades privadas gestoras de direitos de autores.
Assim, apenas se pode concluir que a «contribuição equitativa» prevista na Lei 62/98 reformada pela lei 50/2004 e objecto de proposta de lei nº163/XII/2014 , é manifestamente inconstitucional.
Faz sentido adiar a venda do Novo Banco?
Tenho lido várias pessoas que defendem que o Novo Banco deve ser mantido até haver condições para o vender mais caro. A ideia desta estratégia é, se bem entendi, valorizar o banco para depois o vender. Gostava que quem defende esta estratégia explicasse um pouco melhor o que tem em mente e respondesse às questões seguintes:
1. O valor actual de um bem, quando colocado à venda, já incorpora o potencial de valorização. Portanto, qual é exactamente o ganho se a valorização for feita antes da venda? Será que o actual gestor tem especiais e únicas condições para o valorizar, ao contrário do potencial comprador?
2. Qual é o plano de contingência se o Novo Banco não valorizar? Imagine-se que dento de 2 anos o valor do banco desceu. A ideia é prolongar ainda mais o tempo em que o Novo Banco permanece no limbo à espera que valorize? Se o raciocínio é válido agora, se se acredita que é melhor esperar para valorizar o banco, daqui a 2, 4 ou 6 anos continua válido. No limite, o banco ficaria sempre à espera de valorizar.
3. Qual é o plano caso se verifique dentro de 6 meses que o banco necessita de um aumento de capital? Quem entra com o dinheiro? O Estado? E se dentro de uns anos precisar de outro e de outro? Quem se responsabiliza?
4. Como lidam com os riscos políticos? Imagine-se que o próximo governo resolve fazer do Novo Banco um novo banco público, para estimular a economia, dirão. Ou que um próximo governo decide privatizar o Novo Banco para criar centros de decisão nacionais, como aliás se fez com o BES original. E que para isso usa a CGD para apoiar um capitalista sem dinheiro. Quem paga a conta e assume o risco?
O erro do meteorologista
As chuvas de ontem em Lisboa vieram mostrar várias coisas. Algumas políticas – a CML está em gestão de serviço – mas sobretudo técnicas. Em primeiro lugar os serviços municipais funcionam segundo lógicas administrativas logo estão em atividade reduzida ao fim de semana, mesmo quando se prevêem condições meteorológicas adversas. E assim como ao fim-de-semana não se fazem desobstruções preventivas dos sistemas de drenagem temos de confiar na sorte para que não chova muito à segunda-feira. Depois temos a questão das previsões. Previsões são isso mesmo. Em vários países com relevo para Itália aquando do sismo de Aquila o falhanço das previsões começa a ser transformado numa acusação. Ora previsões são isso mesmo: previsões.
Pink Flood

Sete Rios (via Rui Miranda)
É perfeitamente normal que a chuva inesperada – por falta de aviso do Instituto do Mar e da Atmosfera – provoque cheias em cidades antigas com vias estreitas – como a Avenida da Liberdade ou a Praça de Espanha;

Representante da educação, com bigode.
O que não é normal é o primeiro-ministro referir uma canção dos Pink Floyd, através da expressão “salsicha educativa”, em particular para se referir ao tema da educação quando, no mesmo álbum, tem disponível uma com título “Comfortably Numb”.
sobre o programa desta noite
Como é que um governante deve pedir desculpas pelas tolices que faz no desempenho das suas funções? “Demito-me”.
Um comediante português
Não é de admirar que Portugal seja um destino de férias para ingleses: é um país tão horrivelmente putrefacto que só bêbados, porcos e deploráveis poderiam encontrar no sinistro pardieiro à beira-mar mal-depurado qualquer jocosidade justificativa para 15 dias de martírio entre gordas das beiras, com tatuagens nos rins em sânscrito – mas com caracteres japoneses – em pleno mês de Agosto, nos seus fatos-de-banho de 1988, cheirando a entranhas de sardinhas, tal como os fatos-de-banho.
Porém, nem sempre assim foi. A grandiosidade deste país, antes do declínio mefistofélico forçado pela manifestação terrena da privação do Bem nos advocatus diaboli troikentos de Passos Coelho e Paulo Portas, com um pico de urbanidade nunca visto no mundo ocidental durante o período 2005–2011, foi completamente destruída pela austeridade que levou à fuga de cérebros, incluíndo o de João Magueijo, também ele próprio, o corpo, perfeitamente emigrado no abaixo-de-galinheiro Imperial College.
Não que tenha mal escrever mal dos hóspedes: para isso é que existe o livro amarelo. O que não fica bem é escrever tão mal sobre o mal da maldade dos hóspedes. Não que sequer importe o que os outros possam pensar de nós (uma pista: não é lá grande coisa) – importa o que nós pensamos de nós próprios e – lamento o embaraço pela epifania – o problema foi o João Magueijo pensar que conseguia ter piada (uma pista: não consegue).
Dito isto, parabéns ao João Magueijo por conseguir entrar, nem que temporariamente, no monopólio de mercado humorístico que há em Portugal: o do gajo fixe da esquerda porreira. A competição será dura com o espaço ocupado pelo Tubo de Ensaio, David Ferreira no Prós e Contras, as crónicas do Ricardo Araújo Pereira e o apoio do Pedro Abrunhosa ao Costa.
Palhaçadas II
No âmbito do processo legislativo destinado à aprovação da Lei da Cópia Privada (que ainda só foi aprovada na generalidade), a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos Liberdades e Garantias elaborou um parecer sobre a proposta apresentada pelo Governo. O parecer foi redigido por um deputado do PS, suplente daquela comissão, Pedro Delgado Alves. E qual a opinião do relator do parecer sobre a proposta: conta o número de artigos da proposta, constata que a mesma tem uma “exposição de motivos” e reserva a sua opinião para a discussão no plenário.
O parecer vem acompanhado por uma “nota técnica” elaborada pelos serviços da AR. Nessa nota, há um capítulo dedicado ao “direito comparado”, citando-se apenas 2 casos: Espanha e França.
Quanto à Espanha, afirma-se que no artigo 25 Lei espanhola de 2006 “é estabelecida numa rigorosa tabela de compensação equitativa pela cópia privada”. Curiosamente, apesar de o documento até ter uma hiperligação para a lei espanhola (actualizada), não se refere que aquele artigo (que previa uma taxa sobre equipamentos electrónicos) foi revogado em 2011, como se pode ler na própria hiperligação constante da própria nota técnica!
A nota técnica não vem assinada está datada de 12 de Setembro de 2014, mas o Sr. Deputado que a juntou ao parecer (e os restantes membros da CACDLG) nem a deve ter lido não teve a oportunidade de a ler antes de o elaborar.
Beta journalism
Alguns dos órgão de comunicação social que nos informaram que Passos Coelho estva em regime de exclusividade entre 1995 e 1999: Diário de Notícias, Jornal de Negócios, iOnline, Diário Económico, TVI, RTP, Bola, Porto Canal, Sol, Renascença, Expresso, TSF …
Palhaçadas
A aprovação, pela maioria do PSD/CDS da lei que alarga o âmbito de incidência do imposto da cópia privada é uma palhaçada que apenas pode ser explicada pelo desejo de sobrevivência política, pela obediência canina e pela acefalia partidária da parte de tais deputados.
Não há um argumento que qualquer dos deputados consiga articular em defesa de tal aumento de impostos, ou, e ainda mais grave, sobre qualquer justificação para a própria incidência e existência daquele imposto.
Pelo caminho transformaram os gestores de direitos de autor em autênticas carraças: alimentar-se-ão do sucesso, esforço e tenacidade de terceiros na venda de pens, memórias, tablets e portáteis. Essas carraças, bem sentados, apenas terão de contar os milhões que os deputados e o governo lhes ofereceram, a troco, sabe-se lá de quê.
- O subsídio de atendimento é um exclusivo do Ministério da Economia. Nem o levantamento oficial conseguiu apurar quantos funcionários beneficiam deste suplemento, que por ano custa €6595. Uma gota de água nos €6,3 milhões que a Economia paga anualmente em suplementos
- No Ministério do Ambiente, 66 trabalhadores recebem prémio de assiduidade num total de €138.307. Um exclusivo deste Ministério que, por ano, paga €1,4 milhões em suplementos
- No Ministério da Defesa há um trabalhador que aufere um suplemento classificado de “indeterminável”, que representa mais €5965 por ano de acréscimo ao seu salário
Estranha forma de vida
Declarações de Henrique Figueiredo presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP)
as estruturas sindicais na PSP foram-se multiplicando e cada sindicato, por sua vez, foi ampliando a sua estrutura. Não há qualquer limite ao número de dirigentes que um sindicato pode ter. Podem ser cinco, dez, 50 ou 100. Só depende da criatividade de quem fez o estatuto. E os delegados é a mesma coisa. Há um erro grave na lei: não dizer até que nível pode haver representação. Hoje em dia, na polícia, temos um delegado enfiado em cada gabinete. Actualmente, cerca de 10% de todo o efectivo da polícia tem funções sindicais.
A lei sindical só consagra direitos e não deveres e a dispensa sindical não está sujeita a autorização, só a mera comunicação. O que significa que qualquer pessoa, a qualquer altura, põe uma dispensa e dá cabo de uma escala de serviço numa esquadra que já está a trabalhar com o mínimo. Havendo 2100 elementos na polícia que têm direito a essas dispensas, é evidente que existem esquadras que não têm capacidade para assegurar as suas funções mínimas.
Sei de esquadras onde já aconteceu não se conseguir ter um carro-patrulha a circular porque os polícias estão a gozar dispensas sindicais. Não há, infelizmente, da parte da esmagadora maioria dos dirigentes e delegados sindicais, a preocupação de tentar perceber se o gozo da dispensa sindical vai ou não afectar a esquadra. Goza-se e pronto. Posso-lhe dizer que há elementos que têm folgas em atraso e pedem um dia ao comandante. Se, por questões de serviço, não é possível conceder o dia, então uma dispensa sindical e vão à vidinha. Tudo remunerado. Os delegados têm direito a um dia e meio por mês e os dirigentes a quatro dias. Em cada esquadra, como há 12 sindicatos, acumulam-se delegados e dirigentes.
De tempos a tempos, fala-se da questão de não haver direito à greve na polícia. Mas isto é melhor do que a greve! Porque se um elemento fizer greve, não recebe. Mas se tirar dias do sindicato recebe. Não sei para que é que querem a greve.
Uma vez, enquanto comissário, foi-me apresentado um documento de um dirigente sindical a anunciar que ia gozar um dia. Eu olhei para o cabeçalho da folha e não reconheci o nome do sindicato. Pensei: será que este indivíduo se associou a um sindicato de outra coisa qualquer? Pesquisei na Internet e não encontrei nada. Entretanto pedi a uma pessoa que fez uma pesquisa mais aprofundada e que conseguiu chegar aos estatutos, publicados em 2012. O sindicato tinha um ano e meio. Mais tarde, numa reunião com o director nacional da PSP, perguntei-lhe se ele conhecia o tal sindicato e ele nunca tinha ouvido falar. Mas gozam os dias! Nunca lhe tinham pedido uma audiência, um esclarecimento ou enviado um simples ofício!
E depois a lei sindical não impede que um mesmo agente seja dirigente em três e quatro sindicatos ao mesmo tempo e que tenha direito a acumular os quatro dias de dispensa de cada um. Também é possível ser-se dirigente e delegado sindical ao mesmo tempo. Tenho um elemento na minha divisão que é as duas coisas e tem direito aos quatro dias por ser dirigente e às 12h por ser delegado.
Um elemento do meu serviço contou-me, uma vez, que recebeu um email de uns agentes que começava assim: “Queres ter dias de folga? Vamos fazer um sindicato novo.”
Há delegados que não sabem onde é a sede do sindicato a que pertencem. Estes sindicatos mais recentes… quantos associados têm? O SINAPOL, por exemplo, tem 66 dirigentes. Mais dirigentes do que tem o sindicato mais representativo da polícia! Tem de se impor limites. E se não conseguirmos, impõem-se limites ao número de dirigentes. Se também não for possível, limites ao número de créditos remunerados.
Devia chamar-se “Querido contribuinte português”
2014 (Setembro): O navio-ferry Atlântida foi comprado pelo grupo Douro Azul que pagou 8,7 milhões. O novo nome da embarcação ainda não está definido.
2014 (Julho): Os gregos da Thesarco Shipping, que venceram o concurso público internacional para a compra do ‘ferry’ Atlântida, dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, voltaram a falhar, pela segunda vez, o pagamento de quase 13 milhões de euros que tinham proposto para a compra do navio
Em Setembro de 2006, os ENVC e a Atlânticoline assinam o contrato onde os estaleiros assumiram a obrigação de elaborar o projecto de construção do navio, tendo conhecimento do teor da memória descritiva e desenho de arranjo geral facultados pela Atlânticoline.
Em Março de 2009, os velocidade e potência realizadas pela Germanischer Lloyd ao navio Atlântida apuraram uma velocidade de 16,56 nós medida a 85% de potência, com 5 metros de calado, valores abaixo dos limites contratualizados.
A 9 de Abril de 2009, o Governo Regional dos Açores tomou a decisão de rescindir o contrato de construção do navio com os estaleiros. A rescisão deveu-se ao incumprimento do caderno de encargos.5 Em conferência de imprensa, o então secretário da Economia do governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro, disse que o Executivo açoriano já não queria o segundo navio de transporte inter-ilhas, que estava a ser construído em Viana do Castelo, por não atingir a velocidade pretendida e não ter sido entregue na data prevista.
Em 19 de Maio de 2009, a Empordef avançou com uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Braga para evitar a devolução dos quase 32 milhões de euros em garantias bancárias pagos pela AtlânticoLine aos ENVC .
No final de 2009, os ENVC e a Atlânticoline chegaram a um acordo prevendo que os estaleiros pagariam 40 milhões de euros e ficavam com o Atlântida e com o Anticiclone.
Em Janeiro de 2010, foi criada na Assembleia Legislativa dos Açores a Comissão Parlamentar de Inquérito à construção dos navios Atlântida e Anticiclone.
Em Outubro de 2010, de visita a Portugal, Hugo Chavez fez questão de ver de perto o navio Atlântida e anunciou a intenção de criar uma linha de transportes marítimos entre o porto de La Guaira e as ilhas de Orchila, Los Roques e Margarita .
A 20 Fevereiro de 2011 foi anunciado publicamente pelo Governo português e Venezuelano o acordo para a compra do navio Atlântida por parte do governo da Venezuela por 42,5 milhões de euros .
Em Junho de 2011, o então presidente do Conselho de Administração dos ENVC, Carlos Veiga Anjos, admitiu que a venda do “Atlântida” à Venezuela, acordada anteriormente, continuava num impasse, apesar de a entrega ter estado prevista para o Verão, depois da sua reconversão em navio cruzeiro .
Em 28 de Agosto de 2011, o navio Atlântida foi ancorado no Arsenal do Alfeite, depois de provas de mar na viagem de Viana do Castelo .
Em Novembro de 2011, foi confirmada a desistência da compra do navio Atlântida por parte do governo Venezuelano .
Em Novembro de 2012, o presidente da Atlânticoline, Carlos Reis, revelou que aquela empresa teria processado judicialmente os ENVC para exigir o pagamento de uma dívida de 7,9 milhões de euros. Esta dívida corresponderia à última tranche do acordo e que estaria por liquidar há dois anos .
A 20 de Fevereiro de 2013, o ministro da Defesa do XIX Governo Constitucional de Portugal, José Pedro Aguiar Branco, anunciou durante uma comissão parlamentar de Defesa que enviou o acordo sobre o ferry Atlântida encomendado pelo Governo Regional dos Açores para a Procuradoria-Geral da República (PGR) a fim de procurar responsabilidades. Na sequência da queixa, a PGR abriu um processo-crime.
A 10 de Agosto de 2013, a Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) apelou ao boicote dos produtos dos Açores face ao novo concurso internacional lançado pelo Governo Regional para fretar navios, quando o “Atlântida” continua ancorado.
A 11 de Agosto de 2013, a Atlânticoline deu entrada no Tribunal de Ponta Delgada um requerimento judicial exigindo a execução da penhora do navio Atlântida, reclamando a cobrança de créditos no montante de 8,4 milhões de euros sobre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo.
A 24 de Novembro 2013, o Governo dos Açores anunciou na Horta, Ilha do Faial, durante a cerimónia da bênção do navio “Mestre Simão”, que iria encomendar a construção de dois novos barcos para transporte de passageiros e viaturas.
A 16 de Dezembro de 2013, o presidente da Empordef, Vicente Ferreira, acusou a gestão dos Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo (ENVC) de praticarem uma gestão “ruinosa”, em parte devido à forma como o caso do navio Atlântida foi gerido.1 Vicente Ferreira afirmou que “O Atlântida foi a certidão de óbito daquele estaleiro. Levou a que ficassem com 70 milhões de euros de prejuízo em cima dos 120 milhões de euros que já tinham”.
Soa bem mas não se aplica automaticamente
“Uma creche não pode ser mais cara do que um curso superior” diz relatório – Este é o tipo de frases que os jornalistas adoram. A frase pode ser sonora mas pode não ter grande fundamento. Digamos que dependerá dos cursos. Lembro-me de ter aulas em salas cheias de gente e presumo que os assistente que as ministravam não eram excepcionalmente remunerados. Coisa bem diferente das exigências para uma creche cujas salas têm de ter determinada dimensão, número de funcionários por grupo de criança, mobiliário específico…
Taxa da cópia de contestação
A contestação transversal à lei da cópia privada é incompreensível, tal como é incompreensível a forma como se acusa o secretário de estado Barreto Xavier de favorecer um grupo de interesse em detrimento do consumidor de artigos apenas marginalmente relacionados com o que a taxa pretende compensar. Não houve contestação transversal quando se distribuíram Magalhães; não houve contestação transversal quando se construiu a ponte Vasco da Gama; não houve contestação transversal quando se aumentaram taxas moderadoras e em simultâneo se atirou dinheiro para que a Qimonda só fechasse quando outro estivesse na poltrona da administração central.
A taxa da cópia privada é a essência da portugalidade contemporânea. A taxa da cópia privada é solidariedade para o que o comité decide ser Bom e Justo. O conceito da taxa da cópia privada é o mesmo que permite que o edil portuense ache que pode expropriar proprietários de locais que o comité decide serem do Interesse Comum para assegurar o Bom e Justo.
A taxa da cópia privada é uma SCUT. A taxa da cópia privada é uma Parque Escolar. A taxa da cópia privada é o custo de uma colecção Miró em caixotes.
A taxa da cópia privada é o “não pagamos”, Troika fora daqui, o “Alemanha tem que aumentar salários”. A taxa da cópia privada é a solidariedade europeia, é quantitative easing, é a ASAE e o carro eléctrico, o TGV e a TAP, a RTP e a Lusa.
A taxa da cópia privada é uma bosta. Mas é bosta de que gostamos de gostar. Pelo menos, é a bosta de que costumamos gostar.
Se isto prossegue a este ritmo
ainda vai haver gente a reivindicar a regulação do trabalho dos mortos: Romance inacabado de José Saramago será publicado em outubro
Rui Moreira e as expropriações
Um exemplo de como o socialismo destruiu os princípios morais das elites ao ponto de estas passarem a defender injustiças semelhantes às que lhes foram feitas. Rui Moreira em entrevista ao Negócios:
Quando é que deu o salto, e deixou de lhe fazer espécie trabalhar num espaço como esse?
Nunca me fez espécie. O meu pai foi preso a seguir ao 11 de Março de 75 – foi daqueles a quem disseram para fugir e que não fugiu, achou que não tinha feito mal nenhum e resolveu ficar. Tínhamos passado para uma casa mais moderna. Vivia lá um tio meu, solteirão. Uma vez fui visitar o pai a Caxias e ele disse: “Têm de montar algum negócio na casa de família senão ela vai ser ocupada”. E como eu estava a montar a navegação nessa altura…, foi uma maneira de a casa não ser ocupada. Durante anos foi estranho: na casa convivia o meu negócio, que eu geria, com uma data de gente nova, cabeluda, com camisas Levis Strauss, e o meu tio e as empregadas que serviam à mesa… O meu tio morreu cedo, num desastre de automóvel. O negócio foi crescendo e acabámos por ocupar a casa toda.
[…]
Como é que ficaram as finanças da família com a revolução?
Muito mal. O que tínhamos em África, perdemos de um momento para o outro. Tínhamos uma grande empresa em Angola semelhante à Molaflex. Aqui, a empresa foi intervencionada. Os nossos bens foram congelados. Quando o meu pai regressa à liberdade em Novembro de 75 e volta à Molaflex, a empresa tinha sido estragada pelos senhores sargentos e capitães que lá tinham estado. Foi possível recuperar, mas, como muitas famílias, passámos uma fase de transição complicada.
Pequeno tríptico
Antigamente os pais ficavam tranquilos quando um filho arranjava emprego como funcionário público; agora, e enquanto precisarmos de alojamento digital, já ficam tranquilos quando um filho decide ser artista.
…
O miúdo perguntou-me hoje se me zangava muito por ele ter pintado a parede do quarto. Respondi-lhe que me zangava caso não registasse a obra na SPA.
…
Pais que incentivam os filhos ao conhecimento, devem, em idade pré-escolar, expor os petizes a instrumentos musicais, tintas, dança e construção de mobiliário com tampões higiénicos.
Razões para não investir no Porto
Rui Moreira avisa que pode expropriar edifícios para salvar lojas ameaçadas pelo aumento das rendas
Rui Moreira, em vez de representar os portuenses, é representante dos inquilinos de rendas congeladas:
A sala do Hotel Intercontinental, no Porto, estava cheia de investidores, proprietários e potenciais proprietários de edifícios no centro da cidade e foi a eles que o presidente da autarquia, Rui Moreira, se dirigiu, com um aviso muito claro: “Se porventura pensarem que vão expulsar [cafés e lojas históricas] resistentes da cidade, saibam que a Câmara do Porto utilizará todos os recursos legais ao seu alcance para o impedir. Para sermos claros, no Estado Novo usavam-se expropriações por esta razão”
Veja-se como Rui Moreira se esquece dos senhorios (muitos deles cidadãos do Porto) que durante anos receberam rendas simbólicas pelos seus prédios:
Rui Moreira defendeu que a actualização de rendas era “razoável e útil”, mas não a qualquer preço. E, depois, voltou-se para os proprietários, dizendo que, apesar do “muito respeito” que tem por eles, irá estar “muito alerta” em relação à forma como eles lidam com espaços emblemáticos da cidade. “Estou muito preocupado com os cafés históricos e lojas tradicionais da cidade. Eles que aguentaram tanto tempo, subitamente, podem ser excluídos, quando, pela primeira vez, vêem que o investimento que fizeram começa a dar frutos?”, questionou. E afiançou: “Não queremos transformar o Porto na República Dominicana das cidades”.
Parece que a malta que investiu foram os parasitas que nem uma renda a preços de mercado pagam ao proprietário do prédio.
De que espaços históricos é que Rui Moreira está a falar, e que devem manter as rendas abaixo das de mercado? Dois deles são cafés para turistas que cobram 2 euros por um café e têm receitas anuais de centenas de milhar de euros:
À margem da conferência, o autarca confirmou aos jornalistas que “no limite” está disposto a avançar com expropriações, caso espaços que o município considere serem de interesse municipal estejam em risco de fechar as portas por causa do aumento das rendas. “Não consigo imaginar a cidade sem o [café] Guarany, sem o [café] Majestic, sem a Loja das Sementes”, disse.
O preço da independência
Pacheco Pereira, hoje no Público, considera que o referendo à independência da Escócia é uma espécie de pedrada no charco contra o pensamento europeu dominante, uma prova de que existem vias alternativas à autoridade imposta pela Europa etc etc.
Curiosamente, os escoceses votaram maioritariamente no NÃO. Os factores que mais pesaram a favor do NÃO foram o risco de não conseguirem pagar por eles próprios o estado social e o risco de terem que sair da união monetária com Inglaterra, e consequente fuga de capitais. O principal argumento do SIM para memorizar estes riscos foi o petróleo no Mar do Norte. E apesar do petróleo, os partidários do SIM defendiam uma independência mas mantendo a Escócia na libra. O seja, prevaleceu a realidadezinha. E note-se que a realidade é o que é. Não é imposta pela Europa.
Ou seja, a independência é hoje em dia um privilégio bastante caro, pouco compatível com malta que não tem petróleo e está sempre a dizer que não aguenta.
Carta aberta à família da pessoa Tolstoi
Senhora Doutora Inês Pedrosa,
Foi com extremo gosto que deslindei o novelo épico que compõe a V. prosa através da resposta objectiva e linearmente esclarecedora de Maria João Nogueira, deveras surpreendente pelo afã rigoroso perante o V. texto original, uma verdadeira ode ao surrealismo inerente ao heroísmo das criaturas que padecem de limitações cognitivas semelhantes às de V. Excelência.
Neste contexto, e usando, se me é permitido, da lisura imensurável do terreno cultural que V. Excelência possui, venho, desta singela forma, urgir para que V. Excelência se dedique, efectivamente e sem demoras, à hercúlea provação que será a escrita de um “Guerra e Paz” português, em prol do bem comum da urbanidade lusitana, e obra que, como Deus sabe, só V. Excelência poderá almejar acometer através das V. extraordinárias capacidades e refinadas pulcritudes de edificação literária. Se V. me permite a mera sugestão cerimoniosa, e tratando o original de Tolstoi de invasões napoleónicas à querida mãe Rússia, poderia, eventualmente, V. Excelência, se assim o entender, e se pretender regalar este vulgar súbdito, baptizar o magno florilégio como “Em ti vejo o rio Volga”, ou ainda, num plano mais epistemológico, “Fica comigo esta noite, alucinação” ou “Fazes-me falta, juízo”.
Com o mais abnegado servilismo, me subscrevo,
Atentamente,
VC
Irlanda já está a aplicar as ideias de António Costa
Better together

Better Together.
Ouvi comentadores dizerem que o referendo escocês colocaria em causa não só a união britânica como a própria união europeia e o euro.
Assim sendo, com o resultado apurado de 55% a favor da manutenção da Escócia no Reino Unido, podemos também concluir que os escoceses escolheram o euro.
Por outro lado, e em alternativa, podemos concluir que há comentadores muito parvos.
Foram felizes
Pode não parecer mas os protagonistas deste video
São estes que aqui acabaram num tribunal

Estes três rapazes e raparigas foram presos por terem gravado este video no Irão. Posteriormente pediram desculpas publicamente e foram julgados. A pena por enquanto suspensa chegou agora: prisão e chicotadas.
No fim do video lê-se: “Happy” is an excuse to be happy. We enjoyed every second of making it. Hope it puts a smile on your face”


