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Novas ilusões

25 Novembro, 2013

João César das Neves «Portugal viveu décadas de grandezas a crédito, que só podia acabar numa crise terrível. Agora, quando a inelutabilidade da dívida nos apanhou, inventamos novas ilusões para nos eximirmos às responsabilidades e justificarmos a raiva contra os cortes inevitáveis. E ai de quem desmascarar essas tolices! (…) Quando o choque rebentou e a primeira ilusão morreu, houve duas reacções. O povo em geral abriu os olhos e mudou mesmo de vida. Tem sido espantoso ver a atitude de famílias e pequenas empresas, que no meio de enormes sofrimentos, se desembrulham da terrível situação. Mas nas elites foi urgente construir novo mito que permitisse depositar a culpa em porta alheia, justificando os protestos. Afinal éramos todos inocentes e a maldade vinha de um punhado de corruptos incompetentes e da troika que nos ajudava. Esta segunda fantasia, em que todo o aparelho político-mediático anda apostado desde então, constitui uma magna operação de desinformação. E que se livrem de a contrariar! (…) Neste mito colectivo a explicação comum para os cortes indispensáveis é que o Governo é perverso e incompetente e os parceiros europeus oportunistas. Estes, que nos emprestam uma fortuna no fundo do nosso buraco, são criticados pela sua solidariedade, pois exigem-nos aquilo que tínhamos de fazer de qualquer maneira. Deste modo um país de inocentes busca explicações mirabolantes para o mal que criou. Pois não há maior cego do que o que não quer ver.»

Para o dia de hoje aqui ficam alguns dos títulos que vão animar aquilo que César das Neves designa como “novas ilusões”:

I) Estado penhora pensões de idosos que são fiadores de filhos desempregados. Por dia, são penhorados 125 mil euros de pensões, num total arrecadado, até Novembro, de 39,5 milhões.   As mesmas pessoas que são contra os cortes nas pensões hoje devem levar o dia com voz tremente de sensibilidade social comentando esta notícia do Jornal de Negócios nunca referindo que se as penhoras não forem efectuadas as dívidas não serão pagas.  Não estou a dizer o que é pior ou melhor. Não se pode é fazer de conta que é uma maldade muito grande penhorar parte das pensões dos pais pensionistas dos filhos e netos desempregados ou simplesmente incumpridores e depois andar muito indignado a exigir que o Estado não perdoe dívidas a ninguém.

II) UGT acusa Governo de nova afronta ao Tribunal Constitucional  Os criadores de ilusões adoram o sagrado. Se por acaso entendessem que os gatos os apoiam nos seus passa-culpas acabaríamos a adorar os gatos como no Antigo Egipto. Agora parecem umas vestais do TC ao qual na sua zeladora opinião já é uma afronta apresentar um texto que, supõem algumas vestais, pode contrariar as suas convicções. Graças aos deuses nem todos estão sob este manto de protecção divina e assim a UGT exige “plano B” ao Governo Exigência que felizmente nenhum tolinho diz ser uma afronta (Digo eu que é apenas uma imposssiblidade técnica: nós já estamos em plano B desde que em 2011 ficámos sem dinheiro!)

III) GNR morto no Pinhal Novo: faltam cinco mil militares nos quadros A propósito do assassínio de um guarda a Associação Profissional dos Guardas (APG/GNR) vaticina que a questão da segurança «certamente piorará, pois a proposta do Orçamento do Estado de 2014 incide em maior desinvestimento tanto na formação, como em meios e equipamentos, bem como os novos ingressos, que serão visivelmente insuficientes». Também a Associação Nacional de Guardas (ANAG-GNR) lamentou a morte do militar de 29 anos, e alerta «a tutela para diversas questões que podem condicionar a operacionalidade da GNR e a segurança dos cidadãos, nomeadamente a falta de cerca de cinco mil efetivos». A associação entre o sucedido no Pinhal Novo e estes títulos é apenas a criação de mais uma história no ciclo das Narrativas austeritárias em fascículos  do que uma reflexão sobre a falta de meios da GNR: ao Pinhal Novo dirigiu-se um carro com dois agentes. Um ficou dentro do carro. O outro saiu. Foi baleado. Pretendem dizer estas associações que as patrulhas devem ter mais que dois agentes?

Ele bate nela quando quer

25 Novembro, 2013

O “Observatório de Mulheres Assassinadas”, organismo integrante da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, divulga o número de mulheres assassinadas em 2013 como sendo de 33 (36 em 2012; 39 em 2005). Estes números terão a devida divulgação pelos média, pelo que estou mais interessado numa carta aberta ao ministério da educação emitida pela UMAR (entidade de utilidade pública, publicado em D.R., II Série, 30 de Julho de 2010) a propósito de um “exemplo inaceitável e sexista de mensagem estereotipada”. Aqui fica a sua transcrição: Ler mais…

A realidade ultrapassa sempre o que Marx concebeu

25 Novembro, 2013

Slavery case: two arrested ran a revolutionary Communist collective. Suspects in the slavery case set up a Communist collective in the 1970s and recruited women from other far left groups

Narrativas austeritárias em fascículos

24 Novembro, 2013

A austeridade continua a causar vítimas. As crianças nascem em ambulâncias depois das mães faltarem a consultas gratuitas por falta de dinheiro; depois, vão para a escola cheias de fome, o que é mau para os rankings e pode frustrar os meninos ao ponto do esfaqueamento de colegas; as mães, muito preocupadas com o desempenho dos alunos, acabam a agredir professores à porta da escola, levando professores a baixa psiquiátrica ou a acampamentos contra provas. As prostitutas ficam sem clientes, que também não vão aos estádios de futebol nem se dedicam à nanotecnologia. Os dentes apodrecem e já ninguém vai filmar em Los Angeles. A banca perde 50% do valor e os espanhóis perdem a sesta. A violência doméstica dispara mas as mulheres já não têm telefone para denunciar. Os idosos sofrem de violência financeira (aqui também) e os vinhos bons e baratos tornam-se perigosos. A falta de força da esquerda leva a que não se lute contra a guerra mesquinha destruidora da vida das pessoas que acabam por abandonar as consultas anti-tabaco em troca de cigarros de enrolar. Com a crise, as vítimas desta saem menos das prisões e os deficientes são despedidos; não, perdão, são os homossexuais. A discriminação racial e religiosa aumenta com a crise e quem mais sofre são as mulheres. A austeridade mata nascimentos de bebés, e até faz com que as pessoas sejam números, o que obriga ao encerramento do comércio à volta da maternidade. A crise gera o holocausto e faz com que uma pessoa se barrique num restaurante, acabando por morrer, numa forma elaborada de suicídio, que também é culpa da crise. As democracias corrigem excessos quando estes são cometidos e, talvez por isso, Sócrates tenha perdido as eleições em 2011, independentemente do que diz Vera Jardim.

A fava

24 Novembro, 2013

Alberto Gonçalves no DN: «Enquanto a polícia procurava o psicopata que andou aos tiros por Paris (e pelo jornal de esquerda Libération), inúmeros jornalistas preparavam os teclados para uma história-tipo do solitário de extrema-direita que abomina imigrantes em geral e árabes em particular, além de manter conversas no Facebook com organizações protonazis. Acrescentavam-se dois parágrafos acerca do perigo dos nacionalismos e o artigo estaria pronto. Azar. Saiu-lhes Abdelhakim Dekhar, com um interessante dinamismo em grupos de extrema-esquerda e participação em acções de “okupas”, aliás já envolvido em diversos homicídios nos anos 1990. Para cúmulo, é árabe. E, surpresa das surpresas, muçulmano. Não se faz»

Qual é a novidade?

24 Novembro, 2013

O material das campanhas eleitorais por princípio tem de estar pronto a tempo das ditas campanhas. Ou não?

Inquérito à troika fica pronto antes das eleições europeias: O inquérito aberto pelo Parlamento Europeu à actuação da troika – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – nos países regatados, incluindo em Portugal, deverá estar concluído nos próximos meses. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse ao jornal i que os relatores deverão entregar as suas conclusões ainda antes das eleições para presidência da Comissão Europeia, que se realizam em Maio do próximo ano.

Será muito pedir?

23 Novembro, 2013

Com as manifestações tranformadas em directos que valem por si mesmos os jornalistas esquecem-se do essencial: porque se manifestam os manifestantes? No caso concreto dos polícias o que reivindicam?

Nas vésperas do 25 de Novembro de 2013

23 Novembro, 2013

a) os militares foram substituídos pelas forças de segurança como foco de instabilidade. Porquê? Por causa do medo da cidade aberta

b) todas as tentativas de mobilização dos trabalhadores, indignados…  falharam

c) é facílimo às forças de segurança criarem situações insustentáveis para o governo e forçá-lo à demissão

 

Logo estamos à beira de assistir

  A curto prazo:

a) reforço da importância simbólica das Forças Armadas como contraponto das forças de segurança tanto mais que aos militares só resta a via do golpe – coisa que não ousam tentar dada a falta de dinheiro e a complexidade de relações internacionais necessárias para o obter  –   e os polícias têm ao seu dispor mil e uma situações em que quotidianamente podem humilhar o governo ou criar-lhe embaraços terríveis;

b) os próximos governos não ousarão tocar no estatuto profissional das forças de segurança

c) o PCP vai usar a sua importância nas estruturas sindicais das polícias para pressionar  o actual governo mas também “as esquerdas” ou seja o PS+BE e o futuro governo seja ele qual for

 

A médio prazo:

a) o poder político tem de ganhar às forças de segurança. Como? Dividindo-as, retirando-lhes áreas de competência, tirando-lhes o tapete em situações delicadas, fazendo campanhas em que se denuncia a presença de elementos radicais (de direita, claro, que os de esquerda não contam)… Não vai ser bonito de ver nem no balanço final positivo para o povo mas vai acontecer.

 

A população reaccionária não é povo

23 Novembro, 2013

Um filme que ressalvados os considerandos sobre o libertador MPLA resume o pensamento dos presentes na Aula Magna: a população reaccionária não é povo (1.12) e quando suas escolhas do povo não coincidem com aquilo que pensa a esquerda está-se perante uma manobra do imperialismo e do capital.  A rever quanto mais não seja porque esteticamente é muito mais interessante que as versões actuais disponíveis em qualquer televisão ou rádio perto de si.

Obs. Aquele senhor que a voz off diz de direita e que está coligado com a Igreja e que entre outros factos é referido por causa do caso República será naturalmente o primeiro a ser afastado por senilidade assim que levantar algumas dúvidas às propostas da frente que agora lidera

O povo pede desculpa por ainda não ter escolhido a violência

22 Novembro, 2013
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Não sabia eu ainda (mas calculava) o que se iria passar na Aula Magna, e já tinha escrito que,,,

,,,A acreditar nas previsões dos mais avisados políticos e dos mais ponderados senadores, o país devia estar a ferro e fogo. (…) Não sei, ninguém sabe, se o nosso país vai conseguir atravessar estes dias difíceis sem episódios com a gravidade de alguns que já ocorreram noutros países. Nunca se está livre de um episódio, que até pode ser isolado – como foram, esta semana, os tiroteios em Paris –, atear tempestades maiores. Mas julgo sinceramente que não é o cenário mais provável. Mais: isso não decorrerá dos nossos míticos “bons costumes”, antes de existir a percepção, mesmo que difusa e poucas vezes assumida, de que houve um tempo de fartura (relativa) que passou e que agora há um tempo de contenção que durará vários anos e vários governos.

Hoje, no Público. 

Citoyens

22 Novembro, 2013

depois da Festa do Ser Supremo de ontem rezem para que a manha do povo, o calculismo da troika e a teimosia de Cavaco vos livrem a vocês e a nós do dia em que passados da Aula Magna para um Comité de Salvação Pública acabassem como de costume: destruídos física e moralmente pelas acusações mútuas.

O triunfo da bondade

22 Novembro, 2013

O artigo 326 do Código Penal é apenas um exemplo do desajustamento dos textos legais à sociedade portuguesa. Incitar à insurreição violenta só é verdadeiramente crime se este incitamento for proveniente de pessoas más; tal não é o caso de Mário Soares, que é uma pessoa boa.

Ontem foi um dia paradigmático da nossa disposição mental para a verdadeira democracia. Tudo é tolerado, desde que oriundo de pessoas boas, com boa fé, sem intenção de fazer verdadeiramente mal aos outros. Forças policiais invadem a escadaria do Parlamento mas isso não é grave, não é como se tivessem mesmo invadido o Parlamento; apenas mostraram que o podiam fazer, se quisessem, algo que não querem porque são pessoas boas. É como ir um careca na rua a acenar o bastão de basebol à pacata freira que passa: não é grave, é uma demonstração de bondade; se quisesse espalhar a mioleira da idosa pelas paredes do bairro podia fazê-lo mas, como no fundo é boa pessoa, tal como Mário Soares o é, não o faz.

Vasco Lourenço diz que o governo pode ser corrido “à paulada”. Isto não é grave; não é como se Vasco Lourenço fosse pegar ele próprio no pau e correr com o governo; Vasco Lourenço é bom, as pessoas boas não fazem isso; poderiam fazer, mas não fazem, porque são boas.

Mário Soares diz que governo e presidente devem apresentar a demissão “enquanto ainda podem ir para as suas casas pelo seu próprio pé”. Isto é só bondade; é um aviso – de uma pessoa boa – dos riscos que governo e presidente correm; não é como se fosse um vulgar fascista a dizer semelhante coisa; não é como se um membro do PNR andasse a afirmar coisas graves, isso seria inaceitável, esses não são pessoas boas; Soares é boa pessoa.

No país da cunha, só é crime aquilo que é feito mesmo (mas mesmo) por mal, por maldade pura. Se é para o bem, se não faz mal a ninguém bom, se não causa qualquer transtorno ao lado do bem, o crime não é crime, é uma pequena malandrice, inconsequente, de pessoas que só querem o paraíso terreno.

E este governo é ilegítimo; é ilegítimo porque houve pessoas más que votaram neles; pessoas com mau fundo, sem coração, gente que não pensa no bem comum, pessoas que não merecem o privilégio de votarem já que não sabem o que andam a fazer. Uma pessoa não pode andar por aí a estragar a democracia votando errado: isso põe em causa a própria democracia. Ou aprendem a votar como deve ser ou então nós, as pessoas boas, os guardiões da portugalidade, os que têm coração, nós teremos que vos correr “à paulada” e já têm sorte se conseguirem ir para as vossas casas “pelo vosso próprio pé”. Nós ainda não fizemos isso, mas podemos fazer. Porque nós sim, nós somos democratas e defendemos o país desses infiltrados no povo que continuam a achar que podem fazer tudo o que lhes apetece. É preciso respeitar a vontade dos verdadeiros portugueses.

Povo oferece-se para experiência

22 Novembro, 2013

Como reage um povo que elegeu um governo de centro-direita quando todos os dias a todas horas televisões e rádios, antigos PR’s e ex-responsáveis militares os convocam à violência contra as instituições democráticas?

Obs. Dos presentes na Aula Magna quantos à excepção de Carlos do Carmo cuja vida é cantar já passaram pela experiência de não receber ordenado no fim do mês ou não ter dinheiro para os pagar, ser despedido ou ter de despedir, ver as encomendas a diminuir ou não ter trabalho? É que quem fala da queda de um governo com tanta facilidade e alegria deve viver naquela maravilhoso mundo dos militares de 1975 que levavam a vida em assembleias, congeminações de golpes e contra-golpes… mas recebiam sempre o dia certo.

Lei é lei é lei

21 Novembro, 2013

Os portugueses são brutos, rudes, iletrados, incapazes de pegar num livro para algo que não seja providenciar um calço para o frigorífico. É preciso criar hábitos de leitura através de programas Ler, Ler+, e, quem sabe, Ler++. Se todos lermos mais, a sociedade beneficia como um todo, yada yada yada.

Livreiros independentes apresentam queixa contra redes FNAC e Bertrand.

Que homenagem?

21 Novembro, 2013

A 25 de Novembro Eanes vai ser homenageado. O 25 de Novembro foi há 38  anos. (Algumas circunstâncias do seu percurso repetem-se nos detalhes: Eanes falta à homenagem mas Manuela Eanes vai.) Como é natural algumas das opções do antigo PR como a formação do PRD são agora subestimadas. O que me leva a perguntar: daqui a 30 anos que Soares e que Cavaco iremos recordar?

 

Vamos falar de canção com mensagem?

21 Novembro, 2013

 

Mais que um jogo

20 Novembro, 2013
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No clube de futebol local, a equipa de crianças dos 6 aos 9 anos apenas aparenta a idade fora de campo; quando delimitados pelo rectângulo tornam-se mártires voluntários por uma causa que não articulam. Transcendendo o frio, a dor, o cansaço e a sua própria incapacidade para perceberem o jogo, correm com o objectivo único da sublime visão de uma bola a entrar na baliza. Nestas idades é pouco importante a baliza onde o golo ocorre, desde que ocorra. É primário, instintivo, tão bélico como sexual – inerentemente masculino – completamente biológico, completamente individualista. O resultado da equipa é irrelevante: importante é que a criança vença o jogo, bastando para isso um golo mais que qualquer um dos outros, seja em que baliza for, seja de que equipa for. As crianças não querem saber do “bem comum”, não fazem ideia do que isso seja e não é claro o momento em que os adultos de uma dada geração os transformam para assimilarem a dialéctica de comunidade enquanto mantêm o primarismo biológico da individualidade.

O treinador – mister na adoptada nomenclatura anglo-saxónica – torna-se no absolutista de Hobbes, garantido o contrato social através do poder absoluto da punição pela recolha ao banco de suplentes. O resultado expande-se sem que o diferencial da satisfação pelo golo se dilate: golo é golo. No fim vencem todos, mesmo os derrotados, os que marcaram menos ou nenhum golo: venceram o objectivo (goal) de no próximo jogo transcenderem novamente a sinédoque da vida que os espera quando o estatismo os aglutinar.

Liberdade de escolha da escola numa cidade cheia de pobres

20 Novembro, 2013
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Os adversários da liberdade de escolha estão sempre a dizer que esta acabaria por segregar os pobres e que não há evidência que melhore a qualidade do sistema de ensino – isto para além das habituais inanidades sobre os “interesses privados” no sector da Educação. 

Por isso recomenda-se a leitura de uma extensa reportagem do Wall Street Journal sobre a mais extensiva experiência de school choice dos Estados Unidos, a levada a cabo na cidade de New Orleans no pós Katrina. 

O seus resultados são claros:

Graduation rates went to 78% last year from 52% before Katrina—surpassing Detroit, Baltimore, Washington, D.C., and Oakland, Calif., cities also struggling to boost achievement among lower-income students. The share of New Orleans students proficient in math, reading, science and social studies increased to 58% in 2012 from 35% before the 2005 storm, state data shows.

É evidente que existem problemas, que o sistema continua a evoluir, que as escolas totalmente privadas só agora começaram a aderir, mas muitos preconceitos cairão conhecendo-se esta realidade (estou a ser optimista: os nossos ideólogos não gostam de factos, e aqui há muitos factos). 

fazedor de reis, construtor de impérios

20 Novembro, 2013
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Conheço o Fernando Moreira de Sá há muitos anos e, confesso, nunca esperei vê-lo nesta condição de fazedor de reis e construtor de impérios a que se guindou e a que o guindaram. Não propriamente porque lhe falte talento para isso ou para muito mais, mas porque, francamente, num país que cogita fazer de António José Seguro chefe do governo, os seus prestimosos serviços são certamente desnecessários.

Sent from my iPhone

20 Novembro, 2013

O Filipe Nunes Vicente fez-me perceber que os médicos sabem que as grávidas não vão a consultas gratuitas por “dificuldades económicas” porque estas dão-se ao trabalho de telefonar ou enviar emails a explicar a situação.

Doutor, não posso ir à consulta por dificuldades económicas.
— Sent from my iPhone

De graça é muito caro

20 Novembro, 2013
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Ouvi, na TSF, que grávidas faltam a consultas por falta de dinheiro. Isto levanta algumas questões, por exemplo, como se determina o motivo pelo qual faltaram à consulta se não estiveram na dita para explicar a sua ausência? Ou ainda, por exemplo, de que adianta isentar de taxas moderadoras todas as grávidas – ricas ou pobres, remediadas ou miseráveis – se as que podem efectivamente beneficiar continuam a faltar por “dificuldades económicas”? Ou ainda, por exemplo, quando a criança nascer, como assegurarão o seguimento médico desta? Ou ainda, quando a criança crescer e aparecer invariavelmente numa turma da escola pública, como assegurar que os filhos dos outros, com acesso a livros e experiências culturais não hiper-subsidiadas, não acabam nivelados pelas “dificuldades económicas” crónicas da gratuitidade do sistema, a tal gratuitidade que mesmo assim “não se aguenta”, a tal que é sempre insuficiente?

O gratuito anda caríssimo!

20 Novembro, 2013

Para lá do verbo arrasar existe no jornalismo português uma paixão pelo adjectivo gratuito. E o gratuito dá sempre direito a  notícias bonitas e fofinhas. Vejam-se estes títulos recentes sobre uns postos prometidos pela CML para arranjo de bicicletas:

Mobilidade: Lisboa vai ter posto grátis para reparar bicicletas

O primeiro posto ‘self-service’ gratuito de reparação e manutenção de bicicletas de Lisboa vai estar disponível no Largo do Intendente a partir de 30 de novembro.

Lisboa vai ter posto grátis para reparar bicicletas

(…) Gratuito é uma forma de dizer pois este postos gratuitos estão integrados num programa designado BIP/ZIP patrocinado pela CML que é o mesmo que dizer pelos contribuintes. É um mundo de oficialmente gratuito. Pode ser interessante mas gratuito é que não é.

E acham que isto não merece ser património imaterial, material ou lá o que quiserem?

20 Novembro, 2013

Obs. Com menos conteúdo revolucionário ou talvez não porque se trata duma denúncia à vida nos bairros de barracas aqui fica este clássico de Artur Gonçalves

Mortandade intelectual ao serviço do socialismo

19 Novembro, 2013

Uma das notícias mais badaladas desde o início da crise é o aumento da taxa de suícidio grega*. Todas estas fontes noticiosas correm conscientemente o risco de oferecerem uma resposta, nem que simplista (e provavelmente errada), para uma questão que tem intrigado investigadores do comportamento humano durante gerações: “porque se suicidam pessoas?” Se o leitor ainda não ouve os sinos de alarme para algo suspeito, deveria. Ler mais…

amanhã

19 Novembro, 2013
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Amanhã, quarta-feira, 20, o Pedro Arroja lança o seu novo livro F. – Portugal é uma Figura de Mulher, na FNAC do Norte Shopping, às 18,30.

Já se pode perguntar quanto custam os sindicatos das empresas do estado?

19 Novembro, 2013
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O website hagreve.com lista 266 greves desde Abril de 2011. O campeão destacado é a CP, com 48 greves, equivalente a uma greve de 20 em 20 dias. Em segundo lugar, a Metro de Lisboa, com 26 greves, fica quase a metade da sua congénere sobre carris, com apenas uma greve de 37 em 37 dias. Eis o top 10:

  1. CP: 48
  2. Metro de Lisboa: 26
  3. STCP: 20
  4. Carris: 17
  5. Soflusa e Transtejo: 15
  6. Greve Geral e Metro Transportes do Sul: 13
  7. TAP: 12
  8. Soflusa e NAV Portugal: 11
  9. Transportes Sul do Tejo: 10

De acordo com a base de dados do hagreve.com, existe, em média, uma greve a cada 3,59 dias.

É difícil competir com o Assurancetourix mas não há como tentar

19 Novembro, 2013

Tendo em conta o que se estuda em muitas universidades e institutos portugueses até que este curso nem é dos mais bizarros e sai relativamente em conta: Curso de Bardo devidamente certificado pela Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas (mais informações procurar aqui)

Económico e com muita apresentação

19 Novembro, 2013

As cozinhas são os novos quartéis tema do meu artigo de hoje no DE:  A cozinha é o único espaço onde, neste momento, se assume livre de preconceitos, uma cadeia de comando e a respectiva hierarquia. Quando nas escolas os professores e funcionários são sovados com regularidade, quando nos transportes públicos ninguém ousa pedir ao grupo de adolescentes que baixem o volume da música com que presenteiam os restantes passageiros (…) sobraram-nos as cozinhas como lugar onde a hierarquia se mantém às vezes até ao absurdo.

Obs.  Para os profetas da “crise maior de sempre” e que partilham da recente fé do progressismo nacional resumida no dogma “nem no tempo do Salazar se passou tão mal” recomendo vivamente uma releitura da Tele-Culinária do mestre Silva. Não só as receitas têm algo de simples e honesto como são escritas numa linguagem escorreita e despretensiosa que deixa a léguas as actuais nuvens em cama disto e daquilo. Mas sobretudo são um retrato do País numa época em que também tivemos de pedir que nos pagassem as contas enquanto as ruas se enchiam de gente indignada com quem nos emprestava dinheiro: a Tele-Culinária nasceu no final de 1977, ano em que o FMI chegou a Portugal. Venderam-se 111 toneladas de ouro e o escudo desvalorizou. Do que representou essa desvalorização no bolso dos portugueses dá a Tele-Culinária um excelente retrato em expressões como “prato dispendioso” porque levava natas, no elogio de uma receita porque tinha muita apresentação mas era económica e na contabilidade sobre as vantagens para a poupança de fazer certo empadão apesar de implicar gastar meia dúzia de ovos.

Pequeno esclarecimento e não se fala mais nisto

18 Novembro, 2013

Hoje fui insultado, mais uma vez, nas redes sociais. Admito que sinto um certo prazer em gerar manifestações de pedantismo ao ser mencionado como “primário” ou “gentinha sem arcaboiço” mas lamento que – invariavelmente – não seja apresentada outra explicação que não a falácia do homem de palha. Assim, decidi escrever alguns pontos que poderão ser reutilizados por outros autores numa espécie de “guia do animal social de caixa de comentários”.

Ler mais…

Soares foi ouvido mas as suas profecias tornaram-se realidade no local errado. Moral da História: tem de se ter cuidado com o que se deseja

18 Novembro, 2013

EN DIRECT – Un homme armé sème la terreur à Paris

Tirs à “Libération” : Manuel Valls parle d’une “scène de guerre” dans les locaux du quotidien

Les agriculteurs veulent bloquer Paris jeudi

Les maires attendent Ayrault de pied ferme

Un camp rom menacerait l’alimentation en chauffage de Paris

L’avocate de Leonarda menacée

(…)

A património mundial, já!!!!

18 Novembro, 2013

A canção de intevenção faz parte do património português. E é um tesouro que se arrisca a desaparecer. Como podemos perder tesouros como este:

Não sei bem como teria acabado o país se  se ele tivesse tido o tal chicote para intervir perante “homem que viva do homem” :

De qualquer modo temos também um momento bucólico:

Segunda-feira normalíssima

18 Novembro, 2013
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História ilustrada da trepanação (em inglês)

Como seguir notícias em Portugal? Alimentando-as, como muito carinho e dedicação, em nome do PREC – Processo Revolucionário de Estupidificação em Curso.

Não será de estranhar que, em nome da equidade, esta notícia seja a mais partilhada do dia, graças à indignação sebastianista por uns não serem mais taxados que outros, em nome da igualdade. Juntando aos insultos a César das Neves por umas declarações óbvias, será uma segunda-feira normalíssima, que culminará num recentrar da polémica nas questões do SNS, graças ao voluntarista-progressista José Manuel Silva e as suas tendências suicidas.

Faz muita falta

16 Novembro, 2013

Rufar de tarola…


1 Humanismo, sim; mas não para patrões.

A escola pública e a difícil relação da nossa esquerda com a liberdade

15 Novembro, 2013
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Há uma esquerda que desconfia da liberdade de escolha das famílias com o mesmo tipo de raciocínio com que Salazar desconfiava do voto dos cidadãos.

 (hoje, no Público)

Leituras:

15 Novembro, 2013

«Governo esmaga Norte e Centro», por Daniel Deusdado

Espiral recessiva (In Memoriam) II

15 Novembro, 2013

espiral

Variação do PIB homólogo e alguns dos alertas que foram sendo feitos para a “espiral recessiva”

Espiral recessiva (In Memoriam)

15 Novembro, 2013

Longe vão os tempos (foi em Abril deste ano) em que o Luis M. Jorge citava com agrado patacoadas sobre a espiral recessiva. Agora diz-nos que uma economia não cai para sempre ou, pelo menos, não cai para sempre sem oscilações.

A importância da taxa de juro

14 Novembro, 2013

A Irlanda não vai precisar de programa cautelar. Porquê? Porque chegou ao fim do programa de ajustamento com taxas de juro a 10 anos no mercado secundário de 3,6%. Portugal está nos 6% e a malta enerva-se quando alguém sugere que teremos de chegar aos 4,5%.

A ler

14 Novembro, 2013

Moçambique: árvore e floresta de Gabriel Mithá Ribeiro.

É melhor ir ao cardiologista

14 Novembro, 2013

No 5Dias resolveram interromper o frenesi auto-acusatório em que se envolveram para responder a este meu post. Só posso confirmar que o 5Dias está bem e recomenda-se no jeito fantasista do costume. Embora comovida por o autor declarar «guardei no coração as declarações da Helena Matos sobre aqueles que (como eu, necessariamente) promoviam a manifestação «agarrados ao canudo como os aristocratas caquéticos se agarravam aos quartéis de nobreza» garanto-lhe que não me recordo de ter escrito tal coisa. E os aristocratas caquéticos também não me parece uma imagem muito inspirada. Todos nós temos momentos fracotes na hora de escrever e quem sou eu para tirar alguma coisa do coração de alguém mas como se diz em algumas sociedades recreativas “quartéis de nobreza” é uma expressão que não me assiste. Quanto à doideira sobre as sociedades recreativas, os stilletos e a minha pessoa a conduzir – nunca me viu guiar pois não? – é o registo da fantasia do outro habitual no  5Dias a que aludi precisamente no meu post.