Novas ilusões
Para o dia de hoje aqui ficam alguns dos títulos que vão animar aquilo que César das Neves designa como “novas ilusões”:
I) Estado penhora pensões de idosos que são fiadores de filhos desempregados. Por dia, são penhorados 125 mil euros de pensões, num total arrecadado, até Novembro, de 39,5 milhões. As mesmas pessoas que são contra os cortes nas pensões hoje devem levar o dia com voz tremente de sensibilidade social comentando esta notícia do Jornal de Negócios nunca referindo que se as penhoras não forem efectuadas as dívidas não serão pagas. Não estou a dizer o que é pior ou melhor. Não se pode é fazer de conta que é uma maldade muito grande penhorar parte das pensões dos pais pensionistas dos filhos e netos desempregados ou simplesmente incumpridores e depois andar muito indignado a exigir que o Estado não perdoe dívidas a ninguém.
II) UGT acusa Governo de nova afronta ao Tribunal Constitucional Os criadores de ilusões adoram o sagrado. Se por acaso entendessem que os gatos os apoiam nos seus passa-culpas acabaríamos a adorar os gatos como no Antigo Egipto. Agora parecem umas vestais do TC ao qual na sua zeladora opinião já é uma afronta apresentar um texto que, supõem algumas vestais, pode contrariar as suas convicções. Graças aos deuses nem todos estão sob este manto de protecção divina e assim a UGT exige “plano B” ao Governo Exigência que felizmente nenhum tolinho diz ser uma afronta (Digo eu que é apenas uma imposssiblidade técnica: nós já estamos em plano B desde que em 2011 ficámos sem dinheiro!)
Ele bate nela quando quer
O “Observatório de Mulheres Assassinadas”, organismo integrante da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, divulga o número de mulheres assassinadas em 2013 como sendo de 33 (36 em 2012; 39 em 2005). Estes números terão a devida divulgação pelos média, pelo que estou mais interessado numa carta aberta ao ministério da educação emitida pela UMAR (entidade de utilidade pública, publicado em D.R., II Série, 30 de Julho de 2010) a propósito de um “exemplo inaceitável e sexista de mensagem estereotipada”. Aqui fica a sua transcrição: Ler mais…
A realidade ultrapassa sempre o que Marx concebeu
Narrativas austeritárias em fascículos
A austeridade continua a causar vítimas. As crianças nascem em ambulâncias depois das mães faltarem a consultas gratuitas por falta de dinheiro; depois, vão para a escola cheias de fome, o que é mau para os rankings e pode frustrar os meninos ao ponto do esfaqueamento de colegas; as mães, muito preocupadas com o desempenho dos alunos, acabam a agredir professores à porta da escola, levando professores a baixa psiquiátrica ou a acampamentos contra provas. As prostitutas ficam sem clientes, que também não vão aos estádios de futebol nem se dedicam à nanotecnologia. Os dentes apodrecem e já ninguém vai filmar em Los Angeles. A banca perde 50% do valor e os espanhóis perdem a sesta. A violência doméstica dispara mas as mulheres já não têm telefone para denunciar. Os idosos sofrem de violência financeira (aqui também) e os vinhos bons e baratos tornam-se perigosos. A falta de força da esquerda leva a que não se lute contra a guerra mesquinha destruidora da vida das pessoas que acabam por abandonar as consultas anti-tabaco em troca de cigarros de enrolar. Com a crise, as vítimas desta saem menos das prisões e os deficientes são despedidos; não, perdão, são os homossexuais. A discriminação racial e religiosa aumenta com a crise e quem mais sofre são as mulheres. A austeridade mata nascimentos de bebés, e até faz com que as pessoas sejam números, o que obriga ao encerramento do comércio à volta da maternidade. A crise gera o holocausto e faz com que uma pessoa se barrique num restaurante, acabando por morrer, numa forma elaborada de suicídio, que também é culpa da crise. As democracias corrigem excessos quando estes são cometidos e, talvez por isso, Sócrates tenha perdido as eleições em 2011, independentemente do que diz Vera Jardim.
A fava
Qual é a novidade?
O material das campanhas eleitorais por princípio tem de estar pronto a tempo das ditas campanhas. Ou não?
Será muito pedir?
Com as manifestações tranformadas em directos que valem por si mesmos os jornalistas esquecem-se do essencial: porque se manifestam os manifestantes? No caso concreto dos polícias o que reivindicam?
Nas vésperas do 25 de Novembro de 2013
a) os militares foram substituídos pelas forças de segurança como foco de instabilidade. Porquê? Por causa do medo da cidade aberta
b) todas as tentativas de mobilização dos trabalhadores, indignados… falharam
c) é facílimo às forças de segurança criarem situações insustentáveis para o governo e forçá-lo à demissão
Logo estamos à beira de assistir
A curto prazo:
a) reforço da importância simbólica das Forças Armadas como contraponto das forças de segurança tanto mais que aos militares só resta a via do golpe – coisa que não ousam tentar dada a falta de dinheiro e a complexidade de relações internacionais necessárias para o obter – e os polícias têm ao seu dispor mil e uma situações em que quotidianamente podem humilhar o governo ou criar-lhe embaraços terríveis;
b) os próximos governos não ousarão tocar no estatuto profissional das forças de segurança
c) o PCP vai usar a sua importância nas estruturas sindicais das polícias para pressionar o actual governo mas também “as esquerdas” ou seja o PS+BE e o futuro governo seja ele qual for
A médio prazo:
a) o poder político tem de ganhar às forças de segurança. Como? Dividindo-as, retirando-lhes áreas de competência, tirando-lhes o tapete em situações delicadas, fazendo campanhas em que se denuncia a presença de elementos radicais (de direita, claro, que os de esquerda não contam)… Não vai ser bonito de ver nem no balanço final positivo para o povo mas vai acontecer.
A população reaccionária não é povo
Um filme que ressalvados os considerandos sobre o libertador MPLA resume o pensamento dos presentes na Aula Magna: a população reaccionária não é povo (1.12) e quando suas escolhas do povo não coincidem com aquilo que pensa a esquerda está-se perante uma manobra do imperialismo e do capital. A rever quanto mais não seja porque esteticamente é muito mais interessante que as versões actuais disponíveis em qualquer televisão ou rádio perto de si.
Obs. Aquele senhor que a voz off diz de direita e que está coligado com a Igreja e que entre outros factos é referido por causa do caso República será naturalmente o primeiro a ser afastado por senilidade assim que levantar algumas dúvidas às propostas da frente que agora lidera
O povo pede desculpa por ainda não ter escolhido a violência
Não sabia eu ainda (mas calculava) o que se iria passar na Aula Magna, e já tinha escrito que,,,
Hoje, no Público.
Citoyens
depois da Festa do Ser Supremo de ontem rezem para que a manha do povo, o calculismo da troika e a teimosia de Cavaco vos livrem a vocês e a nós do dia em que passados da Aula Magna para um Comité de Salvação Pública acabassem como de costume: destruídos física e moralmente pelas acusações mútuas.
O triunfo da bondade
O artigo 326 do Código Penal é apenas um exemplo do desajustamento dos textos legais à sociedade portuguesa. Incitar à insurreição violenta só é verdadeiramente crime se este incitamento for proveniente de pessoas más; tal não é o caso de Mário Soares, que é uma pessoa boa.
Ontem foi um dia paradigmático da nossa disposição mental para a verdadeira democracia. Tudo é tolerado, desde que oriundo de pessoas boas, com boa fé, sem intenção de fazer verdadeiramente mal aos outros. Forças policiais invadem a escadaria do Parlamento mas isso não é grave, não é como se tivessem mesmo invadido o Parlamento; apenas mostraram que o podiam fazer, se quisessem, algo que não querem porque são pessoas boas. É como ir um careca na rua a acenar o bastão de basebol à pacata freira que passa: não é grave, é uma demonstração de bondade; se quisesse espalhar a mioleira da idosa pelas paredes do bairro podia fazê-lo mas, como no fundo é boa pessoa, tal como Mário Soares o é, não o faz.
Vasco Lourenço diz que o governo pode ser corrido “à paulada”. Isto não é grave; não é como se Vasco Lourenço fosse pegar ele próprio no pau e correr com o governo; Vasco Lourenço é bom, as pessoas boas não fazem isso; poderiam fazer, mas não fazem, porque são boas.
Mário Soares diz que governo e presidente devem apresentar a demissão “enquanto ainda podem ir para as suas casas pelo seu próprio pé”. Isto é só bondade; é um aviso – de uma pessoa boa – dos riscos que governo e presidente correm; não é como se fosse um vulgar fascista a dizer semelhante coisa; não é como se um membro do PNR andasse a afirmar coisas graves, isso seria inaceitável, esses não são pessoas boas; Soares é boa pessoa.
No país da cunha, só é crime aquilo que é feito mesmo (mas mesmo) por mal, por maldade pura. Se é para o bem, se não faz mal a ninguém bom, se não causa qualquer transtorno ao lado do bem, o crime não é crime, é uma pequena malandrice, inconsequente, de pessoas que só querem o paraíso terreno.
E este governo é ilegítimo; é ilegítimo porque houve pessoas más que votaram neles; pessoas com mau fundo, sem coração, gente que não pensa no bem comum, pessoas que não merecem o privilégio de votarem já que não sabem o que andam a fazer. Uma pessoa não pode andar por aí a estragar a democracia votando errado: isso põe em causa a própria democracia. Ou aprendem a votar como deve ser ou então nós, as pessoas boas, os guardiões da portugalidade, os que têm coração, nós teremos que vos correr “à paulada” e já têm sorte se conseguirem ir para as vossas casas “pelo vosso próprio pé”. Nós ainda não fizemos isso, mas podemos fazer. Porque nós sim, nós somos democratas e defendemos o país desses infiltrados no povo que continuam a achar que podem fazer tudo o que lhes apetece. É preciso respeitar a vontade dos verdadeiros portugueses.
Povo oferece-se para experiência
Como reage um povo que elegeu um governo de centro-direita quando todos os dias a todas horas televisões e rádios, antigos PR’s e ex-responsáveis militares os convocam à violência contra as instituições democráticas?
Obs. Dos presentes na Aula Magna quantos à excepção de Carlos do Carmo cuja vida é cantar já passaram pela experiência de não receber ordenado no fim do mês ou não ter dinheiro para os pagar, ser despedido ou ter de despedir, ver as encomendas a diminuir ou não ter trabalho? É que quem fala da queda de um governo com tanta facilidade e alegria deve viver naquela maravilhoso mundo dos militares de 1975 que levavam a vida em assembleias, congeminações de golpes e contra-golpes… mas recebiam sempre o dia certo.
Lei é lei é lei
Os portugueses são brutos, rudes, iletrados, incapazes de pegar num livro para algo que não seja providenciar um calço para o frigorífico. É preciso criar hábitos de leitura através de programas Ler, Ler+, e, quem sabe, Ler++. Se todos lermos mais, a sociedade beneficia como um todo, yada yada yada.
Livreiros independentes apresentam queixa contra redes FNAC e Bertrand.
Que homenagem?
A 25 de Novembro Eanes vai ser homenageado. O 25 de Novembro foi há 38 anos. (Algumas circunstâncias do seu percurso repetem-se nos detalhes: Eanes falta à homenagem mas Manuela Eanes vai.) Como é natural algumas das opções do antigo PR como a formação do PRD são agora subestimadas. O que me leva a perguntar: daqui a 30 anos que Soares e que Cavaco iremos recordar?
Vamos falar de canção com mensagem?
Mais que um jogo
No clube de futebol local, a equipa de crianças dos 6 aos 9 anos apenas aparenta a idade fora de campo; quando delimitados pelo rectângulo tornam-se mártires voluntários por uma causa que não articulam. Transcendendo o frio, a dor, o cansaço e a sua própria incapacidade para perceberem o jogo, correm com o objectivo único da sublime visão de uma bola a entrar na baliza. Nestas idades é pouco importante a baliza onde o golo ocorre, desde que ocorra. É primário, instintivo, tão bélico como sexual – inerentemente masculino – completamente biológico, completamente individualista. O resultado da equipa é irrelevante: importante é que a criança vença o jogo, bastando para isso um golo mais que qualquer um dos outros, seja em que baliza for, seja de que equipa for. As crianças não querem saber do “bem comum”, não fazem ideia do que isso seja e não é claro o momento em que os adultos de uma dada geração os transformam para assimilarem a dialéctica de comunidade enquanto mantêm o primarismo biológico da individualidade.
O treinador – mister na adoptada nomenclatura anglo-saxónica – torna-se no absolutista de Hobbes, garantido o contrato social através do poder absoluto da punição pela recolha ao banco de suplentes. O resultado expande-se sem que o diferencial da satisfação pelo golo se dilate: golo é golo. No fim vencem todos, mesmo os derrotados, os que marcaram menos ou nenhum golo: venceram o objectivo (goal) de no próximo jogo transcenderem novamente a sinédoque da vida que os espera quando o estatismo os aglutinar.
Liberdade de escolha da escola numa cidade cheia de pobres
Os adversários da liberdade de escolha estão sempre a dizer que esta acabaria por segregar os pobres e que não há evidência que melhore a qualidade do sistema de ensino – isto para além das habituais inanidades sobre os “interesses privados” no sector da Educação.
Por isso recomenda-se a leitura de uma extensa reportagem do Wall Street Journal sobre a mais extensiva experiência de school choice dos Estados Unidos, a levada a cabo na cidade de New Orleans no pós Katrina.
O seus resultados são claros:
É evidente que existem problemas, que o sistema continua a evoluir, que as escolas totalmente privadas só agora começaram a aderir, mas muitos preconceitos cairão conhecendo-se esta realidade (estou a ser optimista: os nossos ideólogos não gostam de factos, e aqui há muitos factos).
fazedor de reis, construtor de impérios
Conheço o Fernando Moreira de Sá há muitos anos e, confesso, nunca esperei vê-lo nesta condição de fazedor de reis e construtor de impérios a que se guindou e a que o guindaram. Não propriamente porque lhe falte talento para isso ou para muito mais, mas porque, francamente, num país que cogita fazer de António José Seguro chefe do governo, os seus prestimosos serviços são certamente desnecessários.
Sent from my iPhone
O Filipe Nunes Vicente fez-me perceber que os médicos sabem que as grávidas não vão a consultas gratuitas por “dificuldades económicas” porque estas dão-se ao trabalho de telefonar ou enviar emails a explicar a situação.
Doutor, não posso ir à consulta por dificuldades económicas.
— Sent from my iPhone
De graça é muito caro
Ouvi, na TSF, que grávidas faltam a consultas por falta de dinheiro. Isto levanta algumas questões, por exemplo, como se determina o motivo pelo qual faltaram à consulta se não estiveram na dita para explicar a sua ausência? Ou ainda, por exemplo, de que adianta isentar de taxas moderadoras todas as grávidas – ricas ou pobres, remediadas ou miseráveis – se as que podem efectivamente beneficiar continuam a faltar por “dificuldades económicas”? Ou ainda, por exemplo, quando a criança nascer, como assegurarão o seguimento médico desta? Ou ainda, quando a criança crescer e aparecer invariavelmente numa turma da escola pública, como assegurar que os filhos dos outros, com acesso a livros e experiências culturais não hiper-subsidiadas, não acabam nivelados pelas “dificuldades económicas” crónicas da gratuitidade do sistema, a tal gratuitidade que mesmo assim “não se aguenta”, a tal que é sempre insuficiente?
O gratuito anda caríssimo!
Para lá do verbo arrasar existe no jornalismo português uma paixão pelo adjectivo gratuito. E o gratuito dá sempre direito a notícias bonitas e fofinhas. Vejam-se estes títulos recentes sobre uns postos prometidos pela CML para arranjo de bicicletas:
Mobilidade: Lisboa vai ter posto grátis para reparar bicicletas
Lisboa vai ter posto grátis para reparar bicicletas
(…) Gratuito é uma forma de dizer pois este postos gratuitos estão integrados num programa designado BIP/ZIP patrocinado pela CML que é o mesmo que dizer pelos contribuintes. É um mundo de oficialmente gratuito. Pode ser interessante mas gratuito é que não é.
E acham que isto não merece ser património imaterial, material ou lá o que quiserem?
Obs. Com menos conteúdo revolucionário ou talvez não porque se trata duma denúncia à vida nos bairros de barracas aqui fica este clássico de Artur Gonçalves
Mortandade intelectual ao serviço do socialismo
Uma das notícias mais badaladas desde o início da crise é o aumento da taxa de suícidio grega*. Todas estas fontes noticiosas correm conscientemente o risco de oferecerem uma resposta, nem que simplista (e provavelmente errada), para uma questão que tem intrigado investigadores do comportamento humano durante gerações: “porque se suicidam pessoas?” Se o leitor ainda não ouve os sinos de alarme para algo suspeito, deveria. Ler mais…
amanhã

Amanhã, quarta-feira, 20, o Pedro Arroja lança o seu novo livro F. – Portugal é uma Figura de Mulher, na FNAC do Norte Shopping, às 18,30.
Já se pode perguntar quanto custam os sindicatos das empresas do estado?
O website hagreve.com lista 266 greves desde Abril de 2011. O campeão destacado é a CP, com 48 greves, equivalente a uma greve de 20 em 20 dias. Em segundo lugar, a Metro de Lisboa, com 26 greves, fica quase a metade da sua congénere sobre carris, com apenas uma greve de 37 em 37 dias. Eis o top 10:
- CP: 48
- Metro de Lisboa: 26
- STCP: 20
- Carris: 17
- Soflusa e Transtejo: 15
- Greve Geral e Metro Transportes do Sul: 13
- TAP: 12
- Soflusa e NAV Portugal: 11
- Transportes Sul do Tejo: 10
De acordo com a base de dados do hagreve.com, existe, em média, uma greve a cada 3,59 dias.
É difícil competir com o Assurancetourix mas não há como tentar
Tendo em conta o que se estuda em muitas universidades e institutos portugueses até que este curso nem é dos mais bizarros e sai relativamente em conta: Curso de Bardo devidamente certificado pela Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas (mais informações procurar aqui)
Económico e com muita apresentação
As cozinhas são os novos quartéis tema do meu artigo de hoje no DE: A cozinha é o único espaço onde, neste momento, se assume livre de preconceitos, uma cadeia de comando e a respectiva hierarquia. Quando nas escolas os professores e funcionários são sovados com regularidade, quando nos transportes públicos ninguém ousa pedir ao grupo de adolescentes que baixem o volume da música com que presenteiam os restantes passageiros (…) sobraram-nos as cozinhas como lugar onde a hierarquia se mantém às vezes até ao absurdo.
Pequeno esclarecimento e não se fala mais nisto
Hoje fui insultado, mais uma vez, nas redes sociais. Admito que sinto um certo prazer em gerar manifestações de pedantismo ao ser mencionado como “primário” ou “gentinha sem arcaboiço” mas lamento que – invariavelmente – não seja apresentada outra explicação que não a falácia do homem de palha. Assim, decidi escrever alguns pontos que poderão ser reutilizados por outros autores numa espécie de “guia do animal social de caixa de comentários”.
Soares foi ouvido mas as suas profecias tornaram-se realidade no local errado. Moral da História: tem de se ter cuidado com o que se deseja
A património mundial, já!!!!
A canção de intevenção faz parte do património português. E é um tesouro que se arrisca a desaparecer. Como podemos perder tesouros como este:
Não sei bem como teria acabado o país se se ele tivesse tido o tal chicote para intervir perante “homem que viva do homem” :
De qualquer modo temos também um momento bucólico:
Segunda-feira normalíssima

História ilustrada da trepanação (em inglês)
Como seguir notícias em Portugal? Alimentando-as, como muito carinho e dedicação, em nome do PREC – Processo Revolucionário de Estupidificação em Curso.
- Julho 2010: Oposição impõe cortes nos gabinetes políticos
- Novembro 2013: Governo isenta de corte motoristas, auxiliares e secretariado dos gabinetes
Não será de estranhar que, em nome da equidade, esta notícia seja a mais partilhada do dia, graças à indignação sebastianista por uns não serem mais taxados que outros, em nome da igualdade. Juntando aos insultos a César das Neves por umas declarações óbvias, será uma segunda-feira normalíssima, que culminará num recentrar da polémica nas questões do SNS, graças ao voluntarista-progressista José Manuel Silva e as suas tendências suicidas.
Faz muita falta
- PTP – Partido Trabalhista Português: “socialismo democrático”
- POUS – Partido Operário de Unidade Socialista: “proibição dos despedimentos”
- PH – Partido Humanista: humanistas1, “propriedade participada pelos trabalhadores”
- PAN – Partido pelos Animais e pela Natureza: “criação de hospitais veterinários comparticipados pelo Estado”
- MEP – Movimento Esperança Portugal: Er…
- PDA – Partido Democrático do Atlântico: RUA COM ESTES AGIOTAS!
- PCTP/MRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado: “maoísmo”, “Cavaco e governo para a rua, por um governo democrático patriótico”
- BE – Bloco de Esquerda – “alternativas ao capitalismo”, “socialismo como expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e opressão”
- PCP – Partido Comunista Português: “vanguarda da classe operária”, “projecto de uma nova sociedade”
- PS – Partido Socialista: “construção de uma sociedade livre, igualitária, solidária, económica e socialmente desenvolvida”
Rufar de tarola…
- LIVRE – (acrónimo não entendido pelo autor do post): “socialismo, no sentido de recusa da mercantilização das pessoas, do trabalho e da natureza”
1 Humanismo, sim; mas não para patrões.
A escola pública e a difícil relação da nossa esquerda com a liberdade
Leituras:
«Governo esmaga Norte e Centro», por Daniel Deusdado
Espiral recessiva (In Memoriam) II
Espiral recessiva (In Memoriam)
Longe vão os tempos (foi em Abril deste ano) em que o Luis M. Jorge citava com agrado patacoadas sobre a espiral recessiva. Agora diz-nos que uma economia não cai para sempre ou, pelo menos, não cai para sempre sem oscilações.
A importância da taxa de juro
A Irlanda não vai precisar de programa cautelar. Porquê? Porque chegou ao fim do programa de ajustamento com taxas de juro a 10 anos no mercado secundário de 3,6%. Portugal está nos 6% e a malta enerva-se quando alguém sugere que teremos de chegar aos 4,5%.
A ler
Moçambique: árvore e floresta de Gabriel Mithá Ribeiro.
É melhor ir ao cardiologista
No 5Dias resolveram interromper o frenesi auto-acusatório em que se envolveram para responder a este meu post. Só posso confirmar que o 5Dias está bem e recomenda-se no jeito fantasista do costume. Embora comovida por o autor declarar «guardei no coração as declarações da Helena Matos sobre aqueles que (como eu, necessariamente) promoviam a manifestação «agarrados ao canudo como os aristocratas caquéticos se agarravam aos quartéis de nobreza» garanto-lhe que não me recordo de ter escrito tal coisa. E os aristocratas caquéticos também não me parece uma imagem muito inspirada. Todos nós temos momentos fracotes na hora de escrever e quem sou eu para tirar alguma coisa do coração de alguém mas como se diz em algumas sociedades recreativas “quartéis de nobreza” é uma expressão que não me assiste. Quanto à doideira sobre as sociedades recreativas, os stilletos e a minha pessoa a conduzir – nunca me viu guiar pois não? – é o registo da fantasia do outro habitual no 5Dias a que aludi precisamente no meu post.
