É má ideia aumentar o salário mínimo nacional
O Luís Aguiar-Conraria, insuspeito de ser um perigoso ultraneohiperliberal, já abordou o assunto do aumento do salário mínimo da forma mais pedagógica possível. Há também um trabalho interessante de Mário Centeno, Cláudia Duarte e Álvaro A. Novo, publicado pelo Banco de Portugal, com o título “O impacto do salário mínimo sobre os trabalhadores com salários mais baixos”, que conclui existir um “efeito negativo de aumentos de salário mínimo do emprego de trabalhadores com baixos salários”. É deste trabalho que retiro duas figuras, aqui reproduzidas. Ler mais…
(+1)+(-1)=0
As contradições no reino progressista estão ao rubro. Já nem é preciso analisar cada uma das propostas de forma individual, basta ver o efeito cumulativo no caso de serem implementadas.
O que disse Machete (pensemos um bocadinho)
No Jornal de Negócios ficaram espantados porque as declarações de Machete não provocaram uma subida dos juros da dívida pública. Um raciocínio um pouco estranho. Quanto muito as declarações de Machete poderiam levar à queda dos juros da dívida.
Pensemos um bocadinho:
O que querem os credores: querem que lhes paguem a dívida quando chegar a hora.
O que é que os credores não querem: que Portugal volte aos mercados de forma insustentável ou que haja um 2º resgate associado a um default
Os credores gostariam que Portugal fosse sujeito a um novo resgate? Sim, desde que não envolvesse default aos privados (veja-se por exemplo: S&P vê com bons olhos novo programa para Portugal. Seja ele qual for.)
Porquê? Porque o que os credores querem é o dinheiro de volta e um 2º resgate sem default asseguraria mais reformas do pagador e um periodo mais longo de pagamento garantidos.
O que disse o Machete: Disse que Portugal não regressaria aos mercados de forma insustentável e deu indicação que o juro máximo que o país estaria disposto a pagar após 2014 é 4,5%. E sugeriu que com um 2º resgate, com taxas inferiores a 4,5%, o país poderia pagar as suas dívidas.
E o que é que os credores tiram disto? Que a taxa indicativa para o programa cautelar será de 4,5% e que o BCE poderá vir a comprar títulos da dívida se eles cotarem acima deste valor.
A questão que se coloca não é porque é que os juros não subiram mas sim porque é que eles não iniciaram já uma descida para os 4,5%.
Fazem o favor de cumprir a vossa missão histórica
E voltem à convocatória da manifestação que é sempre a maior e vai aniquilar a direita, mais o texto sobre os compagnons que são sempre pessoas esforçadas, dedicadas e moralmente superiores (até ao momento em que desatam a acusar-se uns aos outros!) sem esquecer os retratos sempre a preto e branco sobre o mundo e particularmente sobre quem não pensa como eles e que naturalmente não passam de uma corja de corruptos, ignorante, vendidos… Em resumo eu preciso e o país precisamos do 5Dias porque de cada vez que por aí se divulga aquela imagem da unidade de esquerda, do comunismo de sociedade recreativa, que claro não tem nada a ver com o Estaline, dos deputados emocionadaos a ver os filmes sobre os amanhãs que iam cantar… eu lembro-me do 5Dias e daquilo que por lá se escreve.
Agora em 3D

O blogue 5 dias, famoso pela fraterna união igualitária entre gentes de boa vontade, arauto do lema “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”, entrou numa purga fraticida pela propriedade da cooperativa bloguística em plena crise latifundiária do burgo, tudo pelos direitos de imagem de messias falecido.
A revolução está mais pobre. Vão-se os anéis, ficam as pérolas.
Intervenções da Parque Escolar por população no escalão [0-14] anos
Vários comentadores referiram que o gráfico deste post é óbvio, alegando que os concelhos mais ricos são também aqueles que têm maior população. Isso será verdade para Lisboa, Oeiras ou Porto mas não é o caso geral. Fica aqui um gráfico que ilustra intervenções Parque Escolar (Fase 0, Fase 1, Fase 2, Fase 3 e Fase 4) em escolas secundárias pela população dos concelhos no escalão [0-14] (2011, Pordata).
As intervenções Parque Escolar são mesmo nos concelhos mais ricos, não nos mais populosos.

ADENDA: Após publicar o artigo, desconfiei daquele pico no patamar 10000-15000 e encontrei um erro na fórmula de cálculo desse patamar. O gráfico corrigido apresenta-se em baixo. Peço desculpa pelo erro. Em qualquer dos casos, as conclusões são as mesmas, mais vincadas ainda com os dados correctos.

Morreu o eduquês. Viva o sociolês.
Intervenções Parque Escolar por poder de compra do concelho
Exames do secundário por tipo de escola
Argumento a favor de cheque-escola
Circula por aí um estudo que, aparentemente, diz que alunos da escola pública têm melhor desempenho académico na Universidade do Porto que alunos oriundos de escolas privadas. Jornais e demais progressistas pegam nisso como argumento “em defesa da escola pública” – o que quer que isso seja – como se alguém propusesse a extinção do financiamento público aos alunos do ensino obrigatório; pelo contrário: o cheque-escola serve para que se financie todos os alunos ou, dito de outra forma, para que este financiamento não seja apenas assegurado em estabelecimentos físicos cuja propriedade é obrigatoriamente do estado. Ler mais…
Órgãos de soberania em greve
Não é inédito no nosso país ver titulares de órgãos de soberania em greve. Mas, como dizia Pinheiro de Azevedo, “é realmente assim fora do normal“.
Ele há “pressões” e “pressões”!
As corporações e a defesa corporativa dos respectivos interesses profissionais e/ou patrimoniais é, em princípio, legítima em democracia. Pode mesmo ser vista como a expressão da defesa da autoregulação de interesses. Um corolário da autonomia privada e da vitalidade contraditória de sociedades democráticas. Claro está que estas serão tão mais saudáveis, vivas e evolutivas quanto mais efectiva e melhor for a regulação e composição de interesses, nomeadamente, do interesse público e de interesses corporativos (que muitas vezes coincidem com o interese público).
Não me impressionam, por isso, as críticas – reiteradas e utilizadas (abusadas) como arma de arremesso político-partidário – de que há pressões sobre o TRIBUNAL CONSTITUCIONAL (a propósito do OE) ou, de um modo geral, sobre os Tribunais. Grave seria se, porventura, as respectivas decisões, sempre sujeitas, em liberdade e democracia, à crítica, fossem desrespeitadas.
Agora, o que me impressiona é que se “discriminem” (nomeadamente, no discurso político e na imprensa) as “pressões”; não se encarem todas as pressões com essa mesma lógica e com o mesmo peso e medida. Esta, por exemplo – independentemente da nota bizarra de ser feita por quem integra um “ORGÃO DE SOBERANIA”, como o Governo, a A.R. e o PR – é uma forma de crítica corporativa igual, igualzinha às outras e com o mesmo tipo de preocupações (também as remuneratórias, a questão do dinheiro)!
E será tão legítima (igualmente legítima) como todas as outras! Só não o será se assim não se assumir ou se não for tratada, nomeadamente, pela imprensa e pela opinião pública, como todas as demais (vg, as do Governo, dos Sindicatos, dos professores, dos reformados, dos aposentados, de outros grupos profissionais, dos partidos da oposição, etc., etc.).
Segregação entre escolas públicas
Os defensores da escola pública têm como principal argumento o facto da escola pública não ser segregadora (abdicando de ser professores e abraçando a profissão de assistentes sociais). Mas a verdade é que nem isso a escola pública consegue. Foi fácil à equipa da Universidade Católica que fez os rankings do público dividir as escolas públicas em 3 níveis sócio-económicos. É também evidente que quanto melhor o nível sócio-económico melhores são os resultados e maior é a estabilidade do corpo docente. Nota-se ainda que as escolas públicas que explicitamente seleccionam alunos (as escolas de ensino artístico) têm melhores resultados. Mais difícil de detectar é o efeito de selecção encapotada de alunos que muitas escolas fazem. Mas não adianta fingir que a escola pública não segrega. Segrega e muito.
Mensagem aos futuros assistentes sociais
Os blogs dos professores continuam a enterrar a cabeça na areia (aqui e aqui) e a ignorar a realidade que os rankings de escolas expressam, a saber: de ano para ano as escolas públicas perdem cada vez mais alunos (sobretudo os melhores alunos) porque os pais que podem escolher não escolhem a escola pública. Podem insultar-me à vontade, mas o problema de as escolas públicas não serem escolhidas é das escolas públicas e de quem lá dá aulas. Um dia os professores da escola pública vão descobrir que já não são professores mas sim assistentes sociais. Quem quer um professor tenta procurar noutro sítio.
Faças o que fizeres, nunca digas a verdade
Rui Machete veio dizer que termos um 2º resgate se os juros no mercado secundário não descerem abaixo dos 4,5%. Claro que isto não se deve fazer num país em que as pessoas acreditam que tudo se resolve com um jeitinho, e que ajuda não explicitar o problema em público. Um país em que os responsáveis dizem em público o que as pessoas querem ouvir e a verdade em privado. Um país em que a conversa e a gestão da conversa são mais importantes que os factos.
Note-se que quem mais se indigna com as palavras de Machete são aqueles que dizem que a dívida é impagável. Se é impagável, o segundo resgate é inevitável. Mas embora se possa dizer que a dívida é impagável, não se pode dizer que não vamos conseguir pedir mais dinheiro aos credores.
Detalhe de alguns concelhos menos favorecidos
Há pessoas que se queixam do gráfico anterior, ora porque engloba concelhos como Lisboa (que consideram com grande variabilidade sócio-económica), ora porque engloba concelhos pequenos (com poucas provas realizadas). Vamos então ampliar uma parte do gráfico: estão aqui concelhos com menor poder de compra (inferior a 100%) e que tenham realizado entre 100 e 120 provas no 4º ano de escolaridade (portanto, os mais “pobres” e pequenos, onde a tal variabilidade sócio-econoómica será menor). Em nenhum destes concelhos há escolas privadas (pelo menos, que tenham realizado provas).
Querem tentar explicar os “factores sócio-económicos”?
Ranking das escolas do 1º ciclo – alguns dados – parte V
A desculpa “são as condições sócio-económicas” merece um gráfico.

Álvaro Cunhal
Escrito há 10 anos, no dia da morte de Álvaro Cunhal:
Na minha lista de posts ainda por escrever, constava um que seria dedicado ao camarada Bernardino Soares. Nesse texto, ambicionaria explicar com finíssima ironia porque razão o comunismo foi, é e será o astro que a todos ilumina; usaria de espúrio sarcasmo para afiançar que Cuba e a Coreia do Norte são as últimas reservas morais dos desfavorecidos e fundamentaria com ilusória convicção o fim do capitalismo, corroído pela sua própria ganância, como nos ensinou o camarada Karl Marx.
Seria uma metáfora que explanaria a minha visão do modo como a União Soviética combateu o imperialismo. Ou então, uma simples comparação, partindo do exemplo do modo como a Madeira combate a insularidade.
Logo de seguida, partiria de maldosas premissas para demonstrar que é devido à utilização pelo imperialismo de colossais meios materiais e ideológicos alienadores de mentes, que alguns povos parecem preferir o iníquo capitalismo ao socialismo moral.
Num parágrafo destacado, afirmaria peremptoriamente que numa sociedade de debate aberto e sem pressões, o resultado só poderia ser a escolha do camarada Bernardino para líder único de todos nós.
Maldosamente, proclamaria com evidente desrespeito pela verdade histórica, que apenas nos regimes não iluminados, os seres humanos deixaram de pensar. E seria num parágrafo importante que escreveria, com algum gozo, diga-se:
“O pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos à das potências e classes exploradoras e opressoras, como se viria a demonstrar na prática se os 2363 actos eleitorais em que as forças iníquas levaram a sua avante não tivessem sido manipulados.”
Perto do fim desse post, mentiria com elegância para expressar o meu desejo de que os países nos quais os comunistas estão no poder (China, Cuba, Vietname, Laos, Coreia do Norte) obtenham retumbantes vitórias na luta contra o capitalismo. E escreveria: “Acredito, convictamente que, apesar de estarem a perder por 82-0 aos 89 minutos de jogo, ainda conseguirão dar a volta ao resultado.”
Terminaria afirmando que os princípios fundamentais do marxismo (filosofia, economia, socialismo), respondendo criativamente às mudanças no mundo, mantêm inteira validade, tal como os pneus de corda e o comboio a vapor.
Eu bem queria escrever esse artigo. Infelizmente, Álvaro Cunhal antecipou-se.
Ranking das escolas do 1º ciclo – alguns dados – parte IV

| Distrito | Média Total | Média Público | Média Privado |
|---|---|---|---|
| Beja | 2,55 | 2,54 | 3,45 |
| Bragança | 2,62 | 2,57 | 3,24 |
| Braga | 2,85 | 2,82 | 3,48 |
| Castelo Branco | 2,64 | 2,62 | 3,28 |
| Guarda | 2,78 | 2,78 | 3,36 |
| Aveiro | 2,83 | 2,81 | 3,37 |
| Porto | 2,81 | 2,75 | 3,30 |
| Açores | 2,45 | 2,42 | 2,95 |
| Lisboa | 2,78 | 2,64 | 3,14 |
| Setúbal | 2,69 | 2,62 | 3,07 |
| Faro | 2,66 | 2,61 | 3,06 |
| Viseu | 2,85 | 2,84 | 3,28 |
| Coimbra | 2,85 | 2,82 | 3,25 |
| Vila Real | 2,70 | 2,67 | 3,02 |
| Santarém | 2,73 | 2,71 | 3,05 |
| Viana do Castelo | 2,88 | 2,88 | 3,21 |
| Leiria | 2,85 | 2,83 | 3,16 |
| Madeira | 2,80 | 2,76 | 2,99 |
| Évora | 2,57 | 2,56 | 2,72 |
| Portalegre | 2,62 | 2,62 | 2,63 |
| Estrangeiro | 2,49 | — | 2,49 |
E sobre os responsáveis pelas causas nem uma palavrinha?
Ranking das escolas do 1º ciclo – alguns dados – parte III
As médias por concelho das médias das respectivas escolas no exame do 4º ano para o distrito do Porto são as seguintes:
| Concelho | Número de Privadas | Média Total | % de Escolas acima da média | % de Privadas acima da média |
|---|---|---|---|---|
| Amarante | 1 | 2,74 | 57 | 100 |
| Baião | 0 | 2,45 | 50 | — |
| Felgueiras | 2 | 2,77 | 53 | 0 |
| Gondomar | 4 | 2,78 | 53 | 100 |
| Lousada | 2 | 2,96 | 48 | 100 |
| Maia | 4 | 2,86 | 53 | 100 |
| Marco de Canavezes | 0 | 2,70 | 48 | — |
| Matosinhos | 9 | 2,91 | 49 | 100 |
| Paços de Ferreira | 2 | 2,77 | 43 | 50 |
| Paredes | 2 | 2,97 | 53 | 100 |
| Penafiel | 1 | 2,65 | 57 | 100 |
| Porto | 30 | 2,88 | 51 | 93,3 |
| Póvoa de Varzim | 2 | 2,97 | 48 | 100 |
| Santo Tirso | 5 | 2,76 | 50 | 100 |
| Trofa | 1 | 2,83 | 53 | 100 |
| Valongo | 6 | 2,87 | 46 | 83,3 |
| Vila do Conde | 0 | 2,88 | 45 | — |
| Vila Nova de Gaia | 11 | 2,75 | 48 | 100 |
No distrito do Porto, 92,7% das escolas privadas obtiveram melhor média no exame do 4º ano que a média total dos concelhos onde se inserem.
Ranking das escolas do 1º ciclo – alguns dados – parte II
Fazendo as médias das médias de escola por público e privado separadas por distrito e grafando a diferença entre o resultado do privado e do público, obtemos:

O que isto indica é que nos distritos de Lisboa, Porto, Aveiro, Guarda, Castelo Branco, Braga, Bragança e Beja, a diferença das médias é superior ou igual a 0.5 pontos (melhor no privado).
No distrito de Portalegre (onde há apenas 2 escolas privadas), não há diferença significativa entre as médias dos alunos do privado e do público. Em todos os outros distritos há e é superior a 0.9 pontos no distrito de Beja (onde há apenas 1 escola privada). A imagem à esquerda mostra a média global por distrito (verde é melhor que amarelo, que é melhor que laranja, que é melhor que vermelho).
O maior rácio entre número de privadas e número de públicas é no distrito de Lisboa (Há 0,397 privadas por cada pública – 213 para 537). Apesar disto, o distrito de Lisboa (média total: 2,78; média pública: 2,64; média privada: 3,14) tem apenas a 10ª melhor média global do país, ficando atrás de Viana do Castelo, Viseu, Coimbra, Braga, Leiria, Aveiro, Porto, Madeira e Guarda. Depois de Lisboa vêm Santarém, Vila Real, Setúbal, Faro, Castelo Branco, Portalegre, Bragança, Évora, Beja e, por fim, Açores.

A nível distrital, não existe correlação entre as médias das escolas privadas e das escolas públicas.

Na parte III tentarei escrutinar a situação em alguns concelhos.
Ranking das escolas do 1º ciclo – alguns dados – parte I
Há 4135 escolas públicas e 506 privadas no ranking publicado das escolas básicas do 1º ciclo para 2013.
A média das médias das notas é 2,77 com desvio padrão 0,4217.
A média das médias das notas no público é 2,72 com desvio padrão 0,3909.
A média das médias das notas no privado é 3,15 com desvio padrão 0,4664.
A média mínima (1,00) foi obtida nas escolas públicas EB do 1º Ciclo Casal da Vala (Peniche, Leiria) e EB de Francos (Sintra, Lisboa).
A média máxima (4,50) foi obtida nas escolas públicas EB Sala de Apoio de Carvalhal Formoso (Belmonte, Castelo Branco) e EB de Covelas, Cinfães (Cinfães, Viseu).
A maior dispersão de médias ocorre nas escolas públicas (amplitude 3,50 contra amplitude 2,83).
A distribuição normalizada é a do gráfico seguinte (os intervalos são do tipo [x,y[, excepto para o último patamar, que é [x,y]).

É notória a diferença de classificação entre público e privado.
Na parte II farei uma análise regional.
Rankings
1. Rankings vão mostrando a fuga das classes A e B para o ensino privado. Um fenómeno mais visível no básico. Escolas privadas dominam quase todos os rankings dos concelhos onde existem. Escola pública vai ficando com os piores alunos. Em breve começará a perder os melhores professores.
2. Ranking do Público é acompanhado de uma classificação das escolas públicas por contexto sócio-económico. Uma informação muito útil porque identifica de forma mais clara as escolas a evitar.
3. Escolas públicas continuam a apresentar como mais valia o facto de não seleccionarem alunos. Tudo o que um pai de classe média com aspirações não deseja para o filho.
4. Há directores de escola que apresentam como mais valia da sua escola (pública) os alunos não acabarem na prisão. É bom, mas não impressiona. Não atrai classe média. Não sei bem quem possa atrair com este discurso.
5. Escolas com o pior contexto sócio-económico são também as que têm piores resultados nos exames nacionais. Não há mesmo nada que as recomende. Quem as frequenta? Quem não pode ou nem tem noção que devia poder escolher melhor.
6. Não se percebe bem como é que as escolas públicas num contexto sócio-económico mau e com maus resultados (a regra) podem melhorar. É que estas escolas não têm capacidade de atrair os melhores proofessores nem têm mecanismos de gestão (escolha de professores, por exemplo). É mesmo improvável que tenham um director interessado em desenvolver a escola. Directores continuam a ser escolhidos com base nos interesses egoístas e mesquinhos dos professores e da pequena política local.
7. A esquerda continua a agarrar-se ao contexto sócio-económico como desculpa dos maus resultados do ensino público. É uma declaração de impotência e rendição às virtudes da selecção de alunos e da gestão privada. Sim, a escola privada pode fazer escolhas: alunos, professores, instalações, métodos de ensino. A pública é o que calha.
“Claramente desprotegido”
A culpa é da Alemanha exportadora
Muita gente aderiu à ideia de que uma Alemanha exportadora prejudica os países do Sul da Europa (numa lógica de que sendo exportadora não estimula a produção dos parceiros do sul). Estes dados (de Janeiro a Setembro de 2013) talvez ajudem a perceber a idiotice:
Exportações da Alemanha para a zona euro: 301 mil milhões de euros, resto do mundo 517 mil milhões de euros
Importações da Alemanha da zona euro: 300.1 mil milhões de euros, resto do mundo 370.1 mil milhões de euros
Portanto, a Alemanha tem uma balança comercial equilibrada com a zona euro e superavit com o resto do mundo.
Contribuição para narrativas – parte III

Fonte: Pordata
Contribuição para narrativas – parte II
Emigração afecta pouco a taxa de desemprego (razão teórica)
O emprego é criado pela produção, que cria bens e serviços para troca, o que leva à necessidade de outros contratarem pessoas para produzir outros bens e serviços para troca. Cada emprego produz o necessário para criar um emprego idêntico. Esta é a principal razão teórica para a emigração/imigração serem pouco relevantes para as taxas de desemprego*. Por cada pessoa que emigra, emigra um trabalhador que também é consumidor. A oferta de trabalho é afectada de forma idêntica à procura por trabalho. É por este motivo que um país como os EUA consegue absorver milhões de imigrantes sem que isso provoque problemas graves na taxa de desemprego. Ou, no caso de Portugal, 1 milhão de retornados em 1975.
Os keynesianos, que tanto valorizam a importância da procura interna, foram os primeiros a aderir à tese de que a emigração faz baixar a taxa de desemprego. Mas então a emigração não leva à queda da procura interna devido à saída de consumidores do país?
*existem sempre ajustamentos de curto prazo, mas é um efeito menor do que se imagina
A ideia não é estúpida
António Costa afirma que debates quinzenais propostos por Seguro são uma ideia “estúpida” A ideia não é estúpida. O que é estúpido é António José Seguro não ter equacionado que para que essa ideia fose uma boa ideia tinham de estar reunidas duas condições: a primeira que ele, Seguro, fosse bom orador e tivesse um grupo parlamentar escolhido por si e que a cada debate trouxesse dados e propostas; a segunda que o governo caísse rapidamente porque como bem se viu no último debate paralmentar não é possível o líder do PS manter-se meses e meses no não negoceio, não apresento propostas, exijo que o governo caia. Como nenhuma das condições foi conseguida a ideia mais do que estúpida tornou-se perigosa para quem a propôs.
Patéticos
No meio da discussão em torno dos critérios editoriais (ou da falta deles) que levam os jornalistas a correr atrás das declarações bombásticas de Manuel Maria Carrilho espanta-me que ninguém se questione sobre esta espécie de MMC da política que todas as semanas quer acreditar que se mantém importante porque ainda faz dois títulos na chamada imprensa de referência.
Contribuição para narrativas

Fonte: The World Factbook
Uma explicação simples para a queda do desemprego
O divertido do debate económico em Portugal é que ele é quase sempre politicamente motivado pelo que as explicações para os fenómenos económicos são frequentemente aquelas que dão jeito politicamente. Já li várias explicações desse tipo para a queda do desemprego em dois trimestres consecutivos: é sazonal, é a decisão do TC, é a emigração, é o INE que só contabiliza os inscritos no centro de emprego [totalmente falso] … Um qualquer acidente ou imperfeição estatística gerou este resultado.
Eu tenho uma explicação mais simples que não envolve acidentes. Recorre antes à teoria económica mais básica e é interessante como os economistas que falm em públicos tendem a ignorar este tipo de explicação. É aliás a explicação padrão para uma descida sustentada do desemprego após uma recessão: o desemprego desce porque o preço do trabalho desceu. Quer as várias medidas tomadas pelo governo (redução de feriados, redução do custo das horas extra, redução das indemnizações, redução do direito a férias, redução do RSI, redução do valor e duração do subsídio de desemprego) quer a existência de uma grande população desempregada (muita da qual já perdeu o subsídio de desemprego) levaram à queda do preço do trabalho. Quando o preço do trabalho desce a procura sobe.
Note-se que atribuir a queda do desemprego ao crescimento da economia inverte a ordem dos factores. Não é o crescimento que causa a baixa do desemprego, é a baixa do preço do trabalho que torna a economia mais competitiva e causa crescimento e baixa o desemprego (há obviamente outros factores que explicam o crescimento como referi aqui).
Desemprego desce … outra vez
É talvez cedo para incluir este gráfico na série “O ajustamento português”, mas são 2 trimestres muito bons. Sobre este evento recomendo a leitura deste post do Pedro Romano.
Que se lixe a troika, temos os depósitos
No terceiro trimestre, os três maiores bancos portugueses aumentaram em 6.2% a quantidade de dívida nacional que detêm. Agora, o valor em questão ascende a 17.2 mil milhões de euros.
Dos 5.3 mil milhões de euros em dívida pública que o BES detem, 1.8 mil milhões vencem em menos de 12 meses.
Segundo o Banco de Portugal, nos 6 maiores grupos bancários (em Março de 2013), 56.9 % dos recursos são oriundos de depósitos dos clientes. Os fundos próprios dos bancos, em Março de 2013, têm o valor de 29.6 mil milhões de euros.
“A dívida é impagável” significa, tão somente, que os vossos depósitos não são recuperáveis. Vamos ser consequentes: quando alguém manda lixar a troika, devia apresentar o seu saldo bancário em bancos nacionais.
Mundo cão
O que é mais importante: a morte de uma criança ou de um cão? Do cão, pelo menos a fazer fé nesta notícia do DN: «Mulher esfaqueou o seu cão por lhe matar a filha. Uma mulher inglesa esfaqueou, na terça-feira, o seu cão, numa tentativa de salvar a filha de quatro anos de ser fatalmente atacada pelo animal. No entanto, a menina, que acabou por ser atacada, morreu no hospital. Segundo as autoridades policiais, Jodie Hudson esfaqueou o seu cão Mulan, de cerca de oito anos, com uma faca de cozinha, após este ter atacado sua filha Lexi Branson, no apartamento onde viviam, em Mountsorrel, perto de Loughborough (Inglaterra). A menina, de quatro anos, acabou por morrer no hospital, devido aos ferimentos provocados pelo ataque do animal.» O destaque da notícia vai para o facto da mulher ter esfaqueado o cão. A morte da criança vem em segundo plano.
Desorientações
Via António Balbino Caldeira descubro que a American Psychiatric Association (APA), reclassificou a pedofilia como «distúrbio» mental e parafilia deixando cair a classificação «orientação sexual» que havia feito no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5.ª edição (DSM-5). Como refere Balbino Caldeira existe de facto uma tendência subtil de normalização da pedofilia, inscrita numa vasta campanha de submissão da ciência à ideologia politicamente correcta.
Convém lembrar
Que as escolas públicas não são de borla. Antes pelo contrário. O Estado português impõe a escolaridade obrigatória. Mas o dever de frequência do ensino público não existe. O dinheiro dos contribuintes com que o Estado financia cada aluno deve ser entregue à escola que a respectiva família escolher. Seja ela pública ou privada. Algumas fecharão? Certamente. tanto mais que apesar de em Portugal existir quem o admita, a demografia influencia as nossas vidas.
Relatório da OIT
O BZ faz aqui um bom resumo das asneiras do relatório da OIT. Note-se que a posição do relatório em relação à contratação colectiva também não é favorável à criação de emprego. O relatório favorece mecanismos de contratação colectiva, que não sendo consentidos por todas as partes envolvidas, mais não são do que mecanismos de cartelização do mercado de trabalho que fazem subir artificialmente o preço do trabalho e excluem empresas e trabalhadores que usem o preço para competir. A OIT favorece a contratação colectiva pela mesma razão que a CIP aceita aumentar o salário mínimo: a contratação colectiva favorece os insiders da concertação social que a OIT representa.
![Poder de compra relativo (2011) [Portugal = 100%; Lisboa = 216%] e intervenções Parque Escolar no respectivo concelho. Parque Escolar renova escolas nos concelhos mais ricos.](https://blasfemias.net/wp-content/uploads/2013/11/intervencoes-parque-escolar-por-poder-de-compra.png?w=600&h=402)



