Blog recomendado
O novo blog do Carlos Guimarães Pinto, A Montanha de Sísifo.
Sorte a dele
Um artista que se apresenta como Valete vai actuar no Campo Pequeno. Sorte a dele só querer matar reis, presidentes dos EUA e líderes democráticos. Caso dissesse o mesmo sobre fundamentalistas islâmicos era logo rotulado de anti qualquer coisa e uns dias depois estava a explicar que tudo não passava de um grande mal entendido. Assim vai ter uma vidinha sossegada e muitos convites. O teor das suas letras é o que segue abaixo
Eu sou Valete, bro, e sempre quis ser regicida
Sacrificar a vida pela maioria oprimida
Sem contrapartida, pela revolução sou suicida
Reserva um bilhete de ida para mim, ‘tou de partida
E vou com anti-americanismo que Mao Tse Tung propagandeara
Com a filantropia com que Platão revolucionara, outrora
Com aquele Marxismo que Trotsky impulsionara
Estou farto da senzala, chao, só me galas em Guadalajara
A minha aversão ao imperialismo não sara
Não quero fama, nem glória, dá-me só uma T-shirt de Che Guevara
Põe-me num 7.4.7, México aqui vou
Viajo lembrando de como a segunda torre se desmoronou
Depois de 15 horas de voo, meu Boeing aterrou
Já fora do aeroporto, houve um bro que me identificou
“irmão Valete, eu vim-te buscar para a concentração
Entra no carro só faltas tu para começar a acção”
Chegámos ao ponto rapidamente, assim clandestinamente
Provavelmente eu nunca vira pela frente tanta gente
Era uma cidade subterrânea cheia de dissidentes
Só resistentes e combatentes naquele contingente
Eu vi Sardar, Saramago, Mia Couto e Chomsky
Também vi os mentores do atentado de Nairobi
Nipónicos pa’ vingar Hiroshima e Nagasaki
Fidel Castro, Arafat, Chavez e Khadafi
Activistas do Hamas, Jihad e Hezbollah
Zapatistas, Talibãs e bombistas da Fatah
Todos diferentes mas com um objectivo em comum:
Acabar com esta ditadura que a América implantou
A sede de vingança deixava todo o exército operante
Deram o sinal pa’ nos reunirmos numa sala gigante
Em cima do palanque ‘tava um fulano que elaborava o plano
Com style de saudita ou iraquiano, só queria saber quem é esse mano
Deixava toda a gente focada enquanto ele liderava
(Outro Revolucionário) “Yo Valete é o Bin Laden”
(Valete) “Bin Laden?!?”
Bin Laden
Voz alterada sem barba e com cara totalmente modificada
Eu não o curtia mas ele era o que a América merecia
Radical sem diplomacia, assim como se exigia
Formulou o plano perfeito pá’ revolução que se pretendia
Tínhamos túneis subterrâneos até à cidade de Alexandria
Hackers bloqueavam a informação da NSA e da CIA
Tínhamos M1’s, F 16’s e muita artilharia, eu ria.
Ler mais…
Coisas que fascinam
A 22 de Novembro o Insurgente fazia link para este texto: Saudi Arabia implements electronic tracking system for women
A 27 de Novembro o I deu a notícia: Arábia Saudita. Sistema informa maridos da saída das mulheres do país infelizmente sem qualquer fonte.
Um dos maiores mistérios das páginas on line dos jornais portugueses é o tempo que as notícias demoram a chegar lá e a incapacidade de fazer um link ou uma citação.
antes que seja tarde…
Um pouco à Jorge Sampaio, antes que surja alguém a estragar-lhe a festa, Marcelo Rebelo de Sousa vai-se posicionando na corrida para Belém. Até porque gato escaldado de água fria tem medo e o arguto professor de direito já sentiu na pele a ardência da técnicas maoístas da “guerra total contra os inimigos do povo“, não será desta vez que Durão Barroso o apanhará novamente distraído. Embora não seja propriamente um livro vermelho, este que agora acaba de ser lançado conterá, certamente, os ensinamentos necessários para fazer triunfar a revolução…
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Via PPM.
A conta manda-se ao cuidado de quem?
TSF: Manifestação: PSP aconselha comerciantes a fecharem lojas mais cedo A PSP aconselha os comerciantes em São Bento a fecharem mais cedo e a não venderem, por exemplo, garrafas de vidro. Em causa estão as manifestações, na terça-feira, em frente ao Parlamento. Além das taxas, do IRC, das licenças, da ASAE, do comité soviético do bom gosto sobre as esplanadas temos ainda a ditadura do vandalismo. Não se arranja mais nada?
sobre o liberalismo
Hoje é dia de “futebol”…
no Clube dos Pensadores (em V.N.Gaia, às 21h e 30m.)
o que é “salvar o estado social”?*
É manter o estado na educação como principal produtor de serviços de ensino, embora despedindo alguns milhares de professores e mantendo os outros com baixos salários por imposições de contenção orçamental.
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É falar na hipótese dos trabalhadores descontarem para sistemas privados de segurança social, mas continuar com a obrigação dos descontos para o sistema público, e propondo o aumento das suas taxas para subsidiar empresas privadas.
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É não ter dinheiro para assistir aos mais pobres na saúde e na necessidade, mas manter “universais” os ditos benefícios do estado social.
É dizer que o estado vai privatizar a RTP, desde que ela mantenha, pelo menos, um ou dois canais generalistas pagos com o dinheiro dos contribuintes, porque os portugueses não podem prescindir do “rigor” da RTP.
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É aumentar os impostos para financiar a despesa pública, em vez de pagar as indemnizações e os custos pela reestruturação dos serviços que originam o défices provocados por ela.
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É manter a Caixa Geral de Depósitos no sector público, porque o “povo”, e já agora a rapaziada do partido, tem de ter um banco.
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É anunciar privatizações e não as fazer.
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É manter 70% das subvenções a fundações, quando não há dinheiro para sustentar uma única delas.
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É despedir funcionários públicos mantendo intocados os serviços burocráticos onde eles trabalhavam.
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É gastar dinheiro dos contribuintes em campanhas eleitorais, quando a classe média começa a não ter dinheiro para chegar ao fim do mês, porque “a democracia não tem preço”…
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É não mexer na estrutura de custos do poder local porque vêm aí eleições autárquicas.
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É cortar os subsídios de férias à populaça e mantê-los aos boys do partido.
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É continuar a gastar milhões em pareceres técnicos e jurídicos, enquanto se mantêm estruturas ministeriais gigantescas cheias de “peritos” e “especialistas”.
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É confessar a incapacidade do estado e o colapso da justiça perdoando as dívidas aos devedores se eles não tiverem nada para penhorar, após terem vendido o que tinham em seu nome, graças à inépcia da justiça, para fugirem às suas responsabilidades.
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É mexer nalguma coisa porque os nossos credores assim o exigem para nos continuarem a financiar, para ver se tudo fica mais ou menos na mesma, assim passe a borrasca.
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* Dedicado ao Senhor Professor João Cardoso Rosas.
Dúvidas
Temos a violência doméstica. A violência de género. Os crimes de ódio… Nos últimos anos a violência e os crimes deixaram de ser crimes ou violência para passarem a ser violência de… crimes de… Como se já não chegasse serem crimes ou violência. Tenho muitas dúvidas sobre os resultados desta particularização. Em primeiro lugar porque desculpabiliza em parte os crimes que não cabem nestas alíneas e que não deixam de ser igualmente crimes por causa dessa falta de especificidade. Em segundo porque no meio de tanto enquadramento legal acontecem casos como este relatado no sítio do costume ou seja no CM o único jornal que em Portugal trata os crimes sem esperar que um activismo qualquer os coloque na moda: «Segundo o que o CM apurou, quando os elementos da PSP do Estoril chegaram à casa da família, na rua de Inglaterra, Miguel guardava ainda no bolso uma faca, que também foi apreendida. Mariana Espírito Santo foi encontrada no interior da habitação, junto às escadas que dão acesso ao primeiro andar, inconsciente e coberta de sangue. No local, os técnicos do INEM verificaram logo que a vítima tinha sofrido um traumatismo craniano grave. Levado para a esquadra, o agressor contactou a sua advogada e, minutos depois da chegada da defensora, saiu em liberdade, com termo de identidade e residência e notificação para se apresentar hoje de manhã no Tribunal de Família e Menores de Cascais. Isto porque o caso está a ser tratado como uma situação de violência doméstica e não de tentativa de homicídio.»
Ladrão de crimes
Agora que a estratégia da CIU na Catalunha fez duma espécie de Bloco lá do sítio – a ERC – a grande vencedora de ontem há tempo para ler uma fabulosa história que veio no ElPais. Na vida como na política – e a Catalunha prova-o – a realidade ultrapassa sempre a ficção: El ladrón de crímenes Sture Bergwall está recluido en una clínica psiquiátrica sueca desde 1991. Se autoinculpó de 32 crímenes, le condenaron por ocho. Un periodista pertinaz desmontó la leyenda del supuesto asesino en serie y denunció cómo jueces y policías se habían dejado engañar
mais uma
No encerramento do congresso do PSD madeirense, Passos Coelho confessou o que já há muito se suspeitava: que não está interessado em promover uma reforma profunda do modelo político que nos trouxe até aqui, mas remendá-lo, para o poder manter e desenvolver no futuro. Ele quer, com o dinheiro dos nossos impostos, «salvar o estado social», «distribuindo o mal pelas aldeias», o mesmo é dizer, manter o estado como ele é, reduzindo somente o seu financiamento, por imposições de circunstância. O problema, que ele já devia ter compreendido, é que o «mal distribuído» não pára de aumentar, e a salvação do bicho parece cada vez mais remota e distante. O PSD e a direita parecem querer perder, deste modo, mais uma oportunidade histórica de se distanciarem do padrão socialista de olhar para o estado e a sociedade, e de marcarem a diferença com o que tem sido a governação do país nos últimos anos.
Impressões
Televisão
Cabe aos que concordam com o sistema actual a sua defesa. Não aos que estão pela privatização/ gestão privada.
Desta vez não é o “sexo dos anjos”
Ocidente em dificuldades. Discute-se a neurociência sexual.
25 de abril, sempre!
Mas não ouvem mais ninguém?
No dia em que se celebra o 25 de Novembro o site da RTP foi ouvir Varela Gomes. Sendo Varela Gomes um dos protagonistas desse dia faz todo o sentido ouvi-lo mas seria importante chegar onde é que ele esteve, o que fez, que ordens deu… e já agora se não for muito pedir podiam ouvir outros protagonistas. Mas enfim é nisto que estamos.
O que nos espera
A ETA foi derrotada. As Brigadas Vermelhas também. Em Portugal as FP 25 foram derrotadas e a amnistiadas. Em Inglaterra o IRA deixou as armas… Num caminho difícil, cheio de contradições e de recuos as democracias venceram estas organizações terroristas. Pelo caminho ficaram as vítimas quase sempre gente anónima porque os terroristas na sua obra de morte manifestam um profundo ódio ao povo e à vida simples de todos os dias e por isso os seus atentados visam sobretudo o povo. Mas derrotadas as organizações terroristas o terrorismos esse mantém-se enquanto procedimento apoiado tal como no passado por filhos família, gente das universidades, dos meios ditos intelectuais… e por algum lumpen que vagueia entre a criminalidade comum e o dito activismo político. É óbvio que hoje não existem organizações capazes de reproduzir o rapto de Aldo Moro ou Ortega Lara. E isso é uma boa notícia. A má notícia é que há gente que se pudesse repetia esses e outro actos.
Não sei se as organizações terroristas vão voltar mas para já o que temos são uma criaturas que de cara tapada e artefactos mais ou menos disparatados procuram tornar o mais violentas possível as manifestações onde marcam presença. Mas apesar do lado óbvio de palhaçada inorgânica inerente a estas coisas – no dia seguinte estarão no conforto da casa paga pelos pais a olhar para os plasmas – esta gente é perigosa. Porque não mudaram nada: perante a violência há os que passam ao acto e os que estão ao lado e nada fazem para a impedir. Tal como na ETA, no IRA e ou nas BV continuam a viver em tribo, sem questionar as chefias e sentem-se possuídos da verdade absoluta. Não têm qualquer sentido da realidade e do ridículo.
A contestação da construção de um aeroporto em França foi o pretexto para mais uma manifestação dessa tribo. O Expresso num arrebatamento místico congénere daqueles que noutros tempos dedicava à ETA cuja estratégia vencedora contra Madrid impunha uma intervenção salvífica do dr. Soares até escreveu Guerrilha rural em França contra “o aeroporto do primeiro-ministro”. Ignoro se é necessário ou não construir este aeroporto mas o seu projecto tem décadas – logo não é deste primeiro-ministro – a maior parte dos agricultores foram indemnizados e não contestaram nada e por fim vários ecologistas apoiam o dito aeroporto. Mas o que se viu em Notre-Dame-des-Landes é aquilo com que temos de nos preparar para viver nos próximos anos: umas performances que de um momento para o outro podem degenerar em algo muito violento ou simplesmente esvair-se porque os participantes vão para outra flash mob
Agora já podem concordar
»Um cônjuge que mate o outro pode à mesma ser herdeiro da vítima e ainda receber uma pensão de sobrevivência da Segurança Social devido a uma lacuna da lei que as Mulheres Socialistas criticam, defendendo uma alteração legislativa “urgente”. “Isto não pode acontecer. É perverso, quase imoral. O homicida pode ser herdeiro legal do cônjuge que matou e ainda receber uma pensão de sobrevivência”, alertou Catarina Marcelino, presidente das Mulheres Socialistas (MS), em declarações à Lusa.» – Quando em 2009 a propósito desta morte escrevi sobre este assunto isso foi visto como uma perfídia não sei se liberal se de direita reaccionária. Felizmente que agora as Mulheres Socialistas pronunciaram-se sobre o assunto e toda a pátria vai estar de acordo sobre o assunto.
Da refundação..já realizada
O primeiro-ministro, numa daquelas frases para criar impacto e desviar atenções, afirmou há algumas semanas atrás que queria levar a cabo uma «refundação do memorando de entendimento» com as instituições da Troika.
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Sucede que isso já foi feito.
Vejamos: o défice do Estado em relação ao PIB teria de ser em 2012 de 4,5%. Já foi flexibilizado pela Troika para 5% e o governo encarregou-se de por sua iniciativa o flexibilizar no valor real de 6%.
Para 2013, o mesmo deficite teria de ser 3% do PIB. Pois foi também flexiblizado para 4,5% e veremos quanto será na realidade…..
Teria de se mexer na TSU, mas já não vai ser feito.
Teria de se fazer uma reorganização administrativa do território, mas também já não se vai fazer.
Teria o esforço de consolidação orçamental de ser feito através de 2/3 de redução na despesa e aumento de 1/3 das receitas, mas governo anuncia que em 2013 será feito por 2/3 de aumento da receita e 1/3 ( se tanto…) na despesa.
Teriam de se vender empresas públicas, mas tirando o remanescente da posição do Estado na EDP/Galp/REN nada mais foi feito.
Tinha o governo anunciado a intenção de repensar o papel do Estado na sociedade de forma a esta ser«libertada do peso» daquele e o governo anunciou a criação de um novo banco público e a imposição da criação de gasolinas low costs;
Ia-se privatizar a RTP, mas passados 2 anos, o ministro das Actividades Circenses apenas conseguiu anunciar a criação de um novo canal do Estado;
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Marquem na agenda
O Porto, como não podia deixar de ser. Dia 6 de Dezembro estarei lá para apresentar o meu livro “Era Uma Vez… A Revolução”. Será pelas 18h30 na Livraria Lello. A presentá-lo estarão o Nuno Azevedo (da Casa da Música) e o José Queirós (companheiro de muitas lides e actualmente Provedor do Leitor do Público). Como é óbvio, estão todos convidados.
Propriedade e indulgência
A RTP não vai apresentar queixa contras as pessoas que causaram danos no seu veículo aquando da manifestação de 14 de Novembro? Que eu saiba a RTP é uma empresa pública logo as imagens recolhidas pelos seus operadores não são propriedade dos jornalistas, nem das direcções , nem das comissões… mas sim dos portugueses. O mesmo se aplica à viatura em questão. Se amanhã alguém escaqueirar um carro da RTP não se apresenta queixa?
Porque hoje é sábado
*Depois de anos de luta contra a presença dos EUA nas Lajes os americanos preparam-se para partir. Presumo que os jornais farão páginas e páginas com entrevistas àqueles que durante anos defenderam a cedência das Lajes ao imperialismo norte-americano
*A propósito do conceito de artesanato aplicado aos rockets ler no 31 da Armada: Sentem-se numa explanada no Chiado, por exemplo, e contem 5 metros para cada lado do sítio onde estão sentados. Sem nenhum sistema de alarme terão 30 segundos para se lembrarem de ir pagar a conta ao balcão ou o dia vai-vos correr mal.
Angústia*/**
* ….. Ou “O que seria o mundo sem a construção europeia?” (usando e abusando do título do Insurgente):
Desde 1951, a Europa foi trilhando um caminho político ousado e inovador. O Tratado de Paris (CECA), instituindo a primeira comunidade setorial de integração, conseguiu, a custo, ultrapassar a histórica clivagem entre a Alemanha e a França, sendo certo que, nos idos anos do pós-guerra e do início da reconstrução europeia, os responsáveis políticos daqueles Estados “fundadores”, tudo fizeram para que a coisa não resultasse. De Gaulle e Adenauer, a propósito da Alta Autoridade para o Ruhr e do controlo da indústria pesada alemã, quase que inviabilizaram a assinatura do Tratado que marca o início da construção política mais ousada e improvável que, em tempos de paz, a Europa (e o mundo?) conheceu. Uma construção tão improvável quanto surpreendentemente bem-sucedida. A sua força, em grande medida, reside nisso mesmo, na capacidade de transformar aquilo que parecia quase impossível, em algo de natural e quotidiano.
Da importância da t shirt com o Che Guevara
DN: «PSP já havia solicitado imagens televisivas das claques de futebol para investigações. MAI ordena inquérito urgente a este procedimento. Este é um dos assuntos em destaque na edição de hoje do DN.» Como já aqui tinha assinalado e esta notícia do DN veio confirmar temos dois tipos de legislação em Portugal para desordens: quando os desordeiros gritam palavra de ordem e apresentam iconografia de esquerda os petardos são formas de expressão e as agressões performances da revolta. Se os desordeiros que até podem ser os mesmos actuarem em estádios de futebol ou integrarem claques não há expressão nem revolta. Apenas actos e castigo para os mesmos.
Revisionismos não, está bem?
«O presidente do Sindicato dos Jornalistas, diz que terão de ser destruídas as imagens não editadas que possam ter chegado às mãos da polícia sem a autorização dos repórteres.» – Tão grave quanto a possibilidade de as imagens não editadas terem sido visionadas por elementos estranhos à edição sem se atender aos procedimentos legais é pretender destruí-las para que elas não sejam vistas. As imagens foram pagas pelos contribuintes portugueses que também pagam o Arquivo da RTP. É nesse arquivo que as imagens devem ser guardadas definindo-se quando poderão ser visionadas como qualquer outra peça do arquivo.
A grande irmandade dos eurocratas da virtude e do vício
Now Brussels takes aim at the Famous Five! Books portraying ‘traditional’ families could be barred (Que saudades da santa tolerância das famílias tradicionais e muito conservadoras que não se chocavam por os seus filhos lerem uns livros que uma das meninas queria ser rapaz, os pais – à excepção da tia Clara – não tinham muita paciência para os filhos e um dos pais detestava sê-lo.) Mas há mais na grande irmandade dos eurocratas da virtude e do vício como se informa no Insurgente
Deus anda distraído
Entre os anglicanos os bispos querem que as mulheres possam ser ordenadas bispos mas os fiéis votaram contra. Já os católicos confrontam-se com uma das notícias mais perturbantes dos últimos anos: Bento XVI declarou que não havia burro nem vaca no presépio. Enfim desconhecendo-se absolutamente o que pensará Deus destas matérias no particular caso do presépio garanto que tem burro, vaca, banda de música, lavadeiras com roupa à cabeça, perús, cães, bêbedos…
Macau
Veja e ouça até ao fim: http://forteapache.blogs.sapo.pt/788679.html
afinal, não vai haver mosca na sopa
serviço público
Nuno Santos demite-se de director de informação da RTP
Administração dá início a processo interno
Decisão da RTP está nas mãos de Miguel Relvas
Trabalhadores da RTP receiam entrega à polícia de imagens em bruto
António Beato Teixeira: «O serviço público de televisão e rádio não está em causa»
Miguel Relvas repreende presidente da RTP
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Este é o «serviço público» de televisão que continuamos a pagar. Na verdade, um espectáculo circense a que dificilmente assistiríamos numa estação privada. Por amor de Deus: quanto mais não seja, em nome da memória da primeira emissora televisiva portuguesa, vendam rapidamente a RTP a quem lhe possa restituir alguma dignidade.
sérgio lavos n’ o insurgente?
Uma das facetas mais fascinantes de um mercado livre, como é o caso (por enquanto) da blogosfera portuguesa, é que as coisas andam depressa e sem intermediários: “teremos muito gosto em convidar o Sérgio para escrever por cá uns textos”; “Sérgio, já sabe, as portas desta casa liberal estarão sempre abertas para si”, escreveu o Ricardo Lima, certamente em representação do Colectivo Insurgente, cujos critérios de admissão na casa são, como se sabe, exigentíssimos. Parabéns, Sérgio, pelo honroso convite, a que nem o João Carlos Espada teve ainda direito. Ficamos agora, com justificada ansiedade, à espera da sua resposta.
o melhor é estar quieto…
No exacto momento em que estava a terminar um post sobre a empresa privada e a luta de classes, que pretendia dedicar ao Sérgio Lavos, eis que sou surpreendido por este post que ele publicou hoje no Arrastão, no qual transcreve o Carlos Guimarães Pinto, cita a Ayn Rand (de quem discorda frequentemente, embora reconheça que “nem tudo o que ela defendia está errado”), não crucifica integralmente o Partido Republicado dos E.U.A., e ainda se confessa um “liberal no sentido clássico” e um defensor do “capitalismo”. “Social”, é certo, mas sempre se tem de começar por algum lado e, muito francamente, este é um dos começos mais promissores a que tenho assistido nos últimos anos (talvez só comparável ao do João Carlos Espada, mas esse já tem muito tempo e já não me consigo recordar de alguns pormenores). Como é do senso comum, nestes momentos de conversão é sempre melhor evitarem-se influências de terceiros, que podem prejudicar a reflexão interior e a evolução natural das coisas, pelo que aguardarei melhor ocasião para publicar o meu post. Isto, se ela vier a proporcionar-se, não vá entretanto o Sérgio Lavos começar a escrever n’ O Insurgente…
A perspectiva da bolacha
Nicolau Santos escreve hoje este texto no EXPRESSO: «Supermercado do centro comercial das Amoreiras, fim da tarde de terça-feira. Uma jovem mãe, acompanhada do filho com seis anos, está a pagar algumas compras que fez: leite, manteiga, fiambre, detergentes e mais alguns produtos. Quando chega ao fim, a empregada da caixa revela: são 84 euros. A mãe tem um sobressalto, olha para o dinheiro que traz na mão e diz: vou ter de deixar algumas coisas. Só tenho 70 euros. Começa a pôr de lado vários produtos e vai perguntando à empregada da caixa se já chega. Não, ainda não. Ainda falta. Mais uma coisa. Outra. Ainda é preciso mais? É. Então este pacote de bolachas também fica. Aí o menino agarra na manga do casaco da mãe e fala: Mamã, as bolachas não, as bolachas não. São as que eu levo para a escola. A mãe, meio envergonhada até porque a fila por trás dela começava a engrossar, responde: tem de ser, meu filho. E o menino de lágrima no canto do olho a insistir: mamã, as bolachas não. As bolachas não. O momento embaraçoso é quebrado pela senhora atrás da jovem mãe. Quanto são as bolachas, pergunta à empregada da caixa. Ponha na minha conta. O menino sorriu. Mas foi um sorriso muito envergonhado. A mãe agradeceu ainda mais envergonhada. A pobreza de quem nunca pensou que um dia ia ser pobre enche de vergonha e pudor os que a sofrem. Tenho a certeza que o ministro Vítor Gaspar não conhece este menino, o que seria obviamente muito improvável. Mas desconfio que o ministro Vítor Gaspar não conhece nenhuns meninos que estejam a passar pela mesma situação. Ou se conhece considera que esse é o preço a pagar pela famoso ajustamento. É isso que é muito preocupante»
Claro que se o PS fosse governo a crónica do Nicolau Santos seria mais na base do menino que estava a aprender a fazer escolhas alimentarmente saudáveis e que o primeiro-ministro tinha anunciado a construção em parceria público-privada de um gigantesco complexo industrial de produção de bolachas que iria revolucionar o mercado mundial da bolacha além de garantir a cada criança portuguesa uma caixa de bolachas dieteticamente equilibradas por mês. E o primeiro-ministro ele mesmo mais o ministro das finanças criariam uma linha onde os meninos beneficiados pelas novas bolachas deixariam o seu testemunho.
Se o PCP fosse governo os meninos não compravam bolachas não só porque as prateleiras estavam vazias mas sobretudo porque as bolachas eram feitas em sessões dos pioneiros: a bolacha resulta de um processo colectivo de transformação dos bens produzidos nas unidades colectivas, logo existe toda uma perspectiva comunitária da bolacha. E o Nicolau Santos caso ainda tivesse coluna no Expresso escreveria sobre poesia e sobre a importância do preço tabelado nas bolachas uma iniciativa que remonta a um portaria revolucionária de Setembro de 1974 quando em plena crise de demissão de Spínola um membro do governo criava um regime de preços máximos de venda para a bolacha Maria dado que esta, explicava o legislador, ao contrário doutros tipos de biscoitos, era consumida “em especial pelas classes de menores rendimentos”
Se o BE fosse governo não havia bolachas para comprar a não ser nos clubes gourmet da élite e o povo ia-se abastecendo de biscoitos artesanais numas feiras de trocas de produtos. O Nicolau Santos não escrevia sobre os meninos e as bolachas porque no dia seguinte caía-lhe em cima uma campanha acusando-o de promover a obesidade infantil e a habituação a alimentos geneticamente modificados como são os cerais usados nas bolachas.
Em conclusão: a bem da qualidade literária da página on line do Expresso o PS tem de ir rapidamente para o governo.
back to basics
Passos Coelho anunciou que irá pedir apoio comunitário para a reforma do estado português, já que esta, como ele disse e bem, “constitui uma peça fundamental na modernização dos nossos países e que também requer enquadramento financeiro europeu”. Na verdade, se o projecto europeu quiser preservar o que lhe é essencial – as velhas “quatro liberdades” instituidoras, que visam a criação de um mercado comum de produtores e consumidores baseado nas regras do livre mercado -, então, é mais do que justo que apoios comunitários sejam destinados à adequação dos estados-membros aos princípios da liberdade económica e empresarial. Mesmo porque, em boa medida, muitos dos entraves e empecilhos à concretização desses princípios, que contaminam, hoje, muitos dos seus estados-membros (entre eles Portugal), resultaram de políticas europeias dos últimos anos, inspiradas no famoso “modelo social europeu”. É, pois, muito boa altura de deixarmos de lado os devaneios construtivistas de alguma burocracia e classe política europeia, e regressarmos ao essencial.
A barbárie

Hamas lincha palestinianos que acusa de colaboração com Israel
A ler
Foi para isto que mudaram o Conselho de Administração?
Alberto da Ponte, o novo presidente do Conselho de Administração da RTP, reuniu ontem com os promotores de um abaixo-assinado para lhes dizer que não imagina o “serviço público” sem dois canais de televisão e três de rádio. Ou seja, tal como está. Ou seja, o situacionismo do costume à conta do dinheiro dos contribuintes.
Pois eu imagino, e os milhões de portugueses que dispensam qualquer desses canais também imaginam. De resto fazem eles bem. Hoje, por exemplo, no que é seguramente um exercício de masoquismo, acordei a ouvir a Antena Um. Para além de ter de ouvir as inanidades do costume a propósito da situação em Gaza, o prato do dia era a grande descoberta da rádio de que tinham aumentado as multas por ausência de seguro automóvel obrigatório. Com os jornalistas a salivar para conseguirem mais uma cacha sobre a gravidade da crise, a notícia de arranque começava por quase omitir que as estatísticas disponíveis indicavam menos multas por ausência de inspecção obrigatória dos veículos. Depois foram à procura de entrevistar alguém do sector segurador, mas esse alguém desdramatizou os números, pelo que a selecção das suas citações nos noticiários foi criteriosa para dar a ideia de dramatização que pivots e jornalistas desejavam. Como os dados relativos às inspecções eram bons, foram substituídos pelas queixas impressionistas de uma das oficinas que se dedica a essa tarefa. Por fim lá encontraram alguém que carregasse nas cores negras da crise, o presidente dos Cidadãos Automobilizados, que disse a propósito daqueles números relativos a haver mais cidadãos a circular sem seguro (mais 4%, uma percentagem estratosférica) que tal podia levar a um aumento da sinistralidade. Ou seja, os cidadãos sem seguro iriam correr mais riscos e ter mais acidentes. Não faz sentido, mas era o que os dedicados jornalistas da rádio pública queriam ouvir, por isso passaram a dar destaque a esta opinião.
Este lixo jornalístico é pago com os meus impostos e as taxas que me são extorquidas quando pago a contra da electricidade. E ainda dizem que são preciso dois canais de televisão e três de rádio…
Já cansa
Rádio Renascença: Encontro entre Obama e Suu Kyi marca visita histórica
Rádio Renascença:“Frau” Merkel em Portugal
uma sugestão
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou, há poucos dias, um projecto-lei de iniciativa popular (que recolhera mais de um milhão e meio de subscritores em 2006) que obriga à inclusão discriminada na factura dos impostos pagos pelo consumidor pelos bens ou serviços adquiridos.
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Numa altura em que, sob ameaças de toda a espécie, se exigem, em Portugal, facturas para tudo e para nada (parece que a próxima novidade é a sua obrigação para as gorjetas e gratificações), seria excelente que o estado desse, também ele, um exemplo de transparência, e informasse os cidadãos com quanto lhes fica por cada transação comercial. Seria uma boa maneira de todos percebermos ainda melhor como o estado nos pesa, para além do muito que já nos cobra sobre os rendimentos e a propriedade. Fica aqui a sugestão.
Igualdade?
O senhor Obama visita a Birmânia durante seis horas. Será que o senhor Soares vai fazer um texto como fez aquando desta recente visita a Portugal de Angela Merkel? E que o senhor Marcelo vai falar do senhor Obama, do senhor Rajoy, do senhor Seguro e do senhor Passos como fala da senhora Merkel?
Figuras
À falta de melhor assunto e provavelmente na ausência de inspiração – isso de ter de ter graça por obrigação deve ser dificílimo – Bruno Nogueira faz uma crónica a propósito de um telefonema que lhe foi feito por uma jornalista presumo que dessas revistas do social. Bruno Nogueira trata a jornalista com sobranceria e arrogância. Enfim a pergunta era tão tonta quanto aquelas que os actores e humoristas acham muito interessantes quando estão à procura de trabalho e muito estúpidas quando estão na mó de cima. Mas enfim só responde quem quer e pode ser que a jornalista em causa que não sei quem é nem onde trabalha ao menos aprenda com esta crónica que Bruno Nogueira lhe dedicou que nem tudo é o que parece. Mas sempre pode responder-lhe que ela faz as perguntas tontas que lhe mandam fazer na redacção. Já ele tem estatuto suficiente para não fazer figuras tristes como sucedeu na crónica em que referiu o comandante Oliveira e Carmo.
Impressões
Visita
Simpática e talvez proveitosa. Veremos se tem sequência no caso dos aeroportos.
“Revolução” fica na gaveta
Alguns dirigentes são pagos com o dinheiro da “troika”. Talvez a economia melhore.

