Como vai ser
Passos demite-se.
O PS com António Costa chega ao governo.
O Tribunal Constitucional se tiver o topete de levantar qualquer reserva ao aprovado pelo governo tornar-se-á um inimigo da República (com R maiúsculo).
O BE passará a ridículo à excepção das suas figuras que se integraram nos compagnons do governo
O PCP voltará a ser considerado estalinista
A CIP viverá caladinha não se dê o infausto sucesso de ser trata como representante de vis capitalistas
Dom Januário vai definitivamente dizer missa
Das televisões desaparecerá o engraçadismo
O CDS ficará reduzido a fanicos
O PSD voltará à sua actividade principal: destruir os seus líderes e o seu eleitorado depois do chooque fiscal de 2012 ficará sem argumentos para criticar os socialistas
… Portugal lá irá no caminho do costume, ora pagando ora chorando mas todos muito felizes porque a República é socialista e ‘já há quem mande’
Ibéricos são os presuntos
«Europeus devem reconhecer esforços de governos ibéricos, diz Cavaco» – Num momento em que se coloca na mesa a secessão da Catalunha, em que os próprios dirigentes catalães invocam o exemplo português um PR português falar em Madrid de governos ibéricos é o mesmo que colocar Portugal ao nível de mais uma região. Ouvi a declaração de Cavaco e li os textos da suas intervenções . Não encontrei lá ibérico algum. Seria um erro gravíssimo. Mas a TSF que vive na ânsia da irmandade da federação ibérica vê ibérias em todo o lado. De qualquer modo fica a pergunta: Cavaco falou ou não de governos ibéricos em Madrid? Se falou deve explicações aos portugueses. Se não falou a TSF deve corrigir a notícia.
Um país contra os impostos
Ao longo do último ano os portugueses declararam-se nas mais diversas manifestações públicas contra o aumento das taxas moderadoras na saúde, contra a privatização da RTP, contra o corte de salários dos funcionários públicos, contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa e outros serviços hospitalares, contra o encerramento de escolas, contra o aumento do número de alunos por turma, contra o despedimento de professores contratados, contra cortes no subsídio de desemprego, contra cortes no rendimento mínimo, contra cortes no investimento público, contra a falta de apoios às empresas, contra o encerramento de Fundações na área da cultura e contra a austeridade porque causa efeito recessivo. Em suma, os portugueses não estão dispostos a abdicar do seu Estado Social. E também não estão dispostos a pagar os impostos necessários para sustentar o Estado Social. Há em Portugal um largo consenso contra aumentos de impostos. O Estado Social é bom enquanto for pago por défices, quando é preciso pagá-lo com impostos já não pode ser.
uma sensação desoladora
Acabou de terminar, na CNN, o primeiro debate das próximas eleições presidenciais norte-americanas, com uma supreendente, mas clara vitória de Romney sobre Obama, facto que reuniu o consenso de todos os comentadores da estação televisiva. O debate percorreu os temas considerados mais importantes desta eleição, a saber, a economia, as políticas de segurança social, educação e saúde, o papel do governo na sociedade, o equilíbrio orçamental. Ainda que Romney seja mais enfático na questão da redução dos impostos, os dois candidatos partilham da convicção de que só com impostos baixos a economia americana conseguirá sair do marasmo dos últimos anos e criar emprego. Ambos confiam, também, na livre-empresa como principal dinamizador da vida social, Romney mais, Obama um pouco menos. Sobre o mercado e a economia, Romney não hesita em dizer que, em todas as áreas, “a iniciativa privada faz melhor”, o que não foi nunca desmentido por Obama, apesar deste acreditar um pouco mais na função regulatória do governo federal sobre o mercado.
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No fim, uma sensação desoladora: a minha geração não assistiu, nem assistirá nunca um debate assim em Portugal.
Estou à espera…
… Do próximo Conselho nacional do CDS e da encenação mediática final, com Paulo Portas a informar o País do seu (des)acordo quanto a mais este esticão fiscal.
Transferência privado–>público
Essas contas estão erradas. Não é possível, mantendo o corte no défice, devolver um salário à Função Pública sem que o sector privado pague mais impostos. A diferença entre o pacote de austeridade de 7 de Setembro e este é que este tem que cobrar mais cerca de 750 milhões de euros de impostos agregados ao sector privado para ajudar a pagar 1 salário a funcionários públicos e pensionistas.
o bom exemplo
A grande vantagem da conferência de imprensa de Vitor Gaspar foi a sua linear clareza: o anunciado “enorme aumento de impostos” é devido ao facto de “o ajustamento estar a revelar-se mais custoso do que o estimado”. Por outras palavras, o dinheiro vai todo para os cofres do estado, para que este possa pagar as suas dívidas. Nem mais, nem menos do que isto, e sem o álibi do recuo da medida para baixar a TSU, como é do mais elementar bom senso e bom gosto em circunstâncias tão dramáticas. Sobre as perspectivas de redução futura deste pesadíssimo fardo fiscal, Vitor Gaspar foi também claro: “ele será diminuído ao ritmo que conseguirmos efetivamente diminuir a dívida pública, e consequentemente não é vantajoso fazer comentários sobre calendários específicos”. Talvez para 2014, em resultado do que sair de um “grupo de trabalho”, que só agora será constituído. Ou seja, o governo anuncia que a redução da dívida do estado está para além das suas forças, o que já começara a ser perceptível de há algum tempo para cá. Sem juízos de valor sobre a delicada situação em que se encontra o governo de Passos Coelho, parece evidente que o país está irrecuperavelmente falido, que o governo se confessa impossibilitado de reverter a situação e que, muito em breve, os nossos credores serão chamados para novas conversações.
O lado bom
O lado bom destas novas medidas é que não há transferências dos trabalhadores para os patrões.
Já estão a perceber o que é …
… a equidade?
Já estão a perceber o que é uma falência do estado?
Escrito em 25 de Janeiro de 2010. Estamos na opção 4.
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Como vamos sair deste ciclo défice-endividamento, principal símbolo da governação socialista, perante a incapacidade e a falta de coragem de PP e PSD na proposta de alternativas? Não há muitas soluções. Uma destas virá:
- Golpe de estado – Para o descalabro da primeira república, a solução foi um golpe de estado. As medidas difíceis que os políticos da democracia não souberam ou não tiveram coragem de tomar foram decididas em ditadura, inesperadamente com grande apoio popular. Poderemos ter uma ditadura benigna, daquelas que põem ordem na casa e vão-se embora ou uma ditadura violenta por muitos anos. Provavelmente, implicaria a saída da UE.
- Novo Escudo – Saída do euro, criação de uma nova moeda a um câmbio que significaria uma forte desvalorização imediata. Na prática, seria o mesmo que criar um enorme imposto sobre as poupanças dos portugueses, empobrecendo-os a todos de uma só vez. A subida a pique das taxas de juro significaria a “falência” de muitos dos que vivem endividados. Os produtos importados aumentariam de preço e Portugal voltaria a ser competitivo em algumas indústrias baseadas em mão-de-obra barata. Portugal, no seu devido lugar.
- Socialismo Radical –Todos iguais, todos miseráveis. Baixamos os braços e entregamos isto aos Louçãs, Alegres, Soares, Bernardinos e outros chavistas da nossa praça. Aqueles que têm valor e dignidade saem e voltaremos a contabilizar todos os anos as crescentes remessas dos emigrantes – que seria a principal fonte de rendimento à nossa disposição.
- FMI – O FMI já não é o que era e sem a saída do Euro não terá a ferramenta da desvalorização a seu lado. No euro, só nos resta a redução significativa de salários da função pública (√) a par de despedimentos no estado (√), aumentos de impostos às empresas (√) e particulares (√), cortes violentos nas prestações sociais (√) e redução das transferências para as autarquias (√), saúde (√) , educação (√) e cultura (√). Teríamos que passar por alterações da constituição (Χ) e viver em clima de entropia social (√). No fim, estaríamos todos mais pobres (√), mas honrados (Χ) .
Haverá outra saída?
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Esperavam algo diferente?
Mário Soares, 2 de Outubro de 2012
Descubra as diferenças
Ontem às 12. 16 o EXPRESSO deu esta notícia: Ikea ‘apaga’ mulheres nos catálogos Gigante sueco do mobiliário está debaixo de fogo porque na edição 2013 do seu catálogo para a Arábia Saudita foram retiradas as imagens com mulheres. Mas o Expresso mostra que pelo menos desde 2010 que assim é. Nós aqui no Blasfémias desde as 8h 38m que já o tínhamos dito. Aliás desde Dezembro de 2010 que mostrávamos o catálogo da Ikea para a Arábia Saudita e até recomendávamos a página dos colchões. Enfim coincidências mas já que o EXPRESSO estão tão descobridor também pode procurar um link para as montras das grandes cadeias de roupa como a Zara que nesses países não usam os habituais modelos. Vai dar uma linda notícia de descoberta! Mas deixando de lado este descubras as diferenças ou as coincidências não deixa de me causa espanto este escândalo com o catálogo da Ikea. Ou seja nesta bendita Europa onde passa por progressista tolerar as mulheres de burka em Londres, em que umas almas abnegadas acham em França que as mulheres dos fundamentalistas islâmicos devem ser atendidas nos hospitais apenas por mulheres pois caso contrário os maridos enervam-se e batem nos médicos, em que se pressiona a segurança social de alguns países para que se reconheça na atribuição de pensões de viuvez a existência de poligamia, em que as jornalistas ocidentais se cobrem de mantos, véus e luvas para entrevistar na Europa os embaixadores desses países …. exige-se que uma empresa enfrente as leis e os hábitos da Arábia Saudita na própria Arábia Saudita. A isto chama-se hipocrisia, provavelmente com alguma guerra comercial à mistura.
Obs. Já agora também podem descobrir que em 2004 houve tumultos sérios – três mortos e dezenas de feridos – na abertura de uma loja da Ikea na Arábia Saudita. Porquê? Entre outras coisas porque não havia uma entrada separada para homens e mulheres. O link está aqui
Preservar as relações laborais lixando o trabalhador
Há uma tese que defende que os empresários foram contra a medida da TSU para preservar boas relações laborais com os seus trabalhadores. Mas se o objectivo era esse, bastava-lhes anunciar que usariam a baixa da TSU para repor os salários. Poucos optaram por esta via, o que sugere que o problema era outro. Mas os empresários preocupados com os seus trabalhadores ainda vão a tempo de repor o aumento de IRS que Vitor Gaspar vai anunciar amanhã. Só não têm é como. Esperemos que os trabalhadores não descubram que saíram a perder porque isso poderá azedar as relações laborais.
Um País de Inteligentes
20/Abril/2008 – Cavaco Silva avisa que é necessário “ter muito cuidado” com os off-shores. (link)
4/Junho/2010 – Louçã: fim da zona franca da Madeira evitava IVA a 6%. (link)
7/Dezembro/2010 – Fuga de milhões na zona franca (link)
10/Maio/2011 – Jerónimo de Sousa defende fim da zona franca da Madeira. (link)
21/Maio/2011 – Francisco Louçã critica Zona Franca da Madeira. (link)
5/Outubro/2011 – Louçã propõe imposto de 10% sobre empresas no offshore da Madeira. (link)
24/Novembro/2010 – Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais: “Enquanto estiver na Secretaria de Estado não haverá propostas para alargar benefícios fiscais à Zona Franca da Madeira” (link)
29/Novembro/2011 – Governo PSD/CDS chumba prolongamento de benefícios à Zona Franca. (link)
17/Abril/2012 – PCP quer acabar com benefícios fiscais ainda existentes para a Zona Franca da Madeira. (link)
17/Maio/2012 – PSD está a dar a machadada final na Zona Franca. (link)
Hoje: Estado perde 360 milhões de euros em 3 anos com saída de empresas da Zona Franca da Madeira. (link)
Trapalhadas Informativas
Em relação ao mau jornalismo reflectido nas notícias hoje publicadas no Jornal de Notícias Negócios e também no Público sobre um pretenso perdão fiscal, convém lembrar a história toda. Foi publicada aqui no Blasfémias, em 5 de Janeiro. Trapalhadas Fiscais.
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Cada vez mais, não acreditem em tudo o que se escreve nos jornais.
Se lessem um bocadinho mais não se perdia nada
Há muito que nos jornais se instalou numa preguiça de piloto automático. Nas secções de cultura a pequenez do meio faz o resto. E contudo há tanta coisa para descobrir. As capas dos livros, por exemplo. No Malomil que tem feito um levantamento das imagens usadas nas capas – há casos certamente de monomania! – discute-se o Maio de 1968 em Abril de 1974 como há muito tempo não se vê em jornal algum.
Obs. A propósito da recente descoberta de que as mulheres foram apagadas do catálogo da Ikea para a Arábia Saudita lamento informar que elas nunca estiveram lá como escrevi no Blasfémias em Dezembro de 2010 .
Entretanto, no 169º mercado de trabalho mais livre do mundo
Se os salários no sector privado resultam do livre jogo da oferta e da procura, porque é que a taxa de desemprego já atingiu os 16%? Porque é que os salários dos contratos antigos são maiores que os salários dos novos contratos? Porque é que a taxa desemprego jovem é mais do dobro da taxa média de desemprego?
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Nota: Há 10 países com mercados de trabalho menos livres que Portugal, são eles: Comores, Honduras, Turquemenistão, Zimbabwe, Marrocos, Paraguai, Birmânia, Cuba, Líbia e Coreia do Norte.
«liberal de pacotilha»
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Miguel Frasquilho, 4ª República.
abraço de urso
Treze anos depois, o Partido Comunista prepara-se para engolir aquela que foi, até hoje, a maior ameaça à sua existência: o Bloco de Esquerda. Não sendo por razões de descontentamento circunstancial, a esquerda do Partido Socialista não tem espaço eleitoral para dois partidos de estatura média, como o Bloco e o PC chegaram a ser, facto que o Partido Comunista nunca ignorou. Pacientemente, aguardou que as incontornáveis “contradições burguesas” do Bloco viessem ao de cima, o que acabou por suceder com o desgaste da imagem do seu rival, as indecisões ideológicas e tácticas (enquanto o PC, seguindo o testamento poltico de Álvaro Cunhal, nunca saiu do mesmo sítio) e o desgaste dos principais protagonistas, com consequências palpáveis nas últimas eleições. Agora, com a anunciada saída de Louçã e os desentendimentos sobre a sua sucessão, é chegado o momento da aproximação, em nome da “unidade da esquerda”. Num só partido, obviamente.
Os erros de Passos Coelho
Desistências, cedências, retrocessos. Sempre com receio do clamor mediático, mas a comprometerem a governação, quiçá de forma irreversível.:
- Ter metido na gaveta a revisão constitucional ou uma nova Constituição. Esta era a mãe de todas as reformas, que teremos de fazer um dia, sem a qual estaremos bloqueados em mudar estruturalmente o que quer que seja neste País. O mainstream irá sempre clamar pela falta de oportunidade, haverá sempre reformas mais importantes que a sobrelevam, mas que ficarão eternamente adiadas, porque impossíveis no actual enquadramento. São necessários 2/3? Claro, mas o caminho faz-se caminhando. A este título, deve ser lembrado Sá Carneiro. Quando propôs a 1ª revisão constitucional em 1978, teve o país (político e mediático) todo contra ele. Persistiu sempre, contra tudo e contra todos, enfrentou inclusivamente uma cisão no Partido. Venceu a título póstumo.
- Ter levado Relvas para o governo. O tipo tem todos os vícios das “jotas”, todo o perfil de “arranjista”, mas era o homem do aparelho, velho compagnon de route da máxima confiança e que interessa ter por perto. Só que a lógica aparelhística, com todo o inerente tráfico de influências, gera anti-corpos e pontos fracos que a turba mediática nunca deixará de aproveitar. Repare-se que o desgaste de Relvas – as historietas do espião, as conversas com a jornalista ou o folhetim da sua formatura – não teve nada a ver com assuntos de governação, mas porventura muito com temas de televisão. Mas o que é certo é que ninguém hoje lhe reconhece um pingo de autoridade e a sua continuação no governo só desgastará Passos Coelho. Sairá na próxima remodelação pela porta baixa, legando uma Reforma Administrativa pífia que pouco mudará na substância.
- Ter cedido na TSU. Fica uma imagem de falta de convicção e, bem pior do que isso, de se ter vergado à rua, o que fragiliza terrivelmente um governo. Na realidade, vergou-se aos interesses económicos situacionistas muito bem representados no Conselho de Estado e no próprio governo através de Portas, que também comandam a rua, porventura mais que a CGTP. Já estão a exigir-lhe as cabeças de Gaspar e do Álvaro, sintomaticamente os ministros que mais afrontam os interesses instalados. E entretanto, a boa imagem que havia sido conquistada no exterior está a desvanecer-se e as taxas de juro a inverterem, de novo rumo à subida.
Era preciso um grande rasgo que não se antevê para recuperar a credibilidade perdida. Uma remodelação poderia ajudar, mas com Portas no governo não há relação de confiança que persista. Estou definitivamente bearish.
já era!
Reduzir a TSU é importante? Claro que sim, como será importante diminuir o IRS e a generalidade dos impostos e taxas, sobretudo aqueles que incidem sobre o rendimento e que, por isso, afectam a poupança. Na verdade, tão importante como contribuir para a sustentabilidade das nossas empresas é permitir que outras apareçam, e estas só poderão nascer do investimento que resulta do aforro e do crédito nele alavancado. Reduzir seja o que for à conta do rendimento alheio seria um erro grave, ainda que nas folhas de Excel utilizadas pelo governo o resultado da operação pudesse ser magnífico. Todavia, o que não se vê numa operação deste género são os seus múltiplos efeitos secundários e colaterais, como Alexandre Soares dos Santos (mais um analfabeto que não passaria no 1º ano do curso do clarividente Professor Borges) aqui explica.
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Em virtude de muitas razões, entre elas a ininteligibilidade, para a esmagadora maioria dos portugueses, do que, sobre a medida, foi anunciado pelo primeiro-ministro, a TSU já era! Insistir nela, argumentando com a “estupidez” do povo e a cegueira complacente e proteccionista das elites, é um delírio de quem não entende coisa nenhuma de política e está completamente divorciado da realidade do país que governa. E é sinal de fim de ciclo, o que, para um governo que não leva um ano e meio de vida, resultaria num atestado de óbito muito precoce.
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Assim, em vez de continuar a dar tiros nos pés, nos próprios e nos nossos, Passos Coelho tem que demonstrar que é homem capaz de chefiar um governo em período de crise grave, e não apenas o responsável por um bando de carpideiras desconsoladas pelo facto do povo ignaro que governam não comer os croissants que lhes recomendaram.
“Crise TSU”: Lobos e cordeiros*.
A Democracia é, segundo Benjamin Franklin (um dos “pais fundadores” dos Estados Unidos da América e o inventor do para-raios), dois lobos e um cordeiro decidindo conjuntamente o que comerão ao almoço. Porém, não há democracia sem liberdade e, para aquele político, diplomata e inventor norte-americano, esta traduzir-se-ia, naquele improvável conclave animal, no facto de o cordeiro estar suficientemente armado para poder impugnar os votos dos dois lobos – ou seja, dispor de poder suficiente para evitar transformar-se no almoço dos seus convivas. Dito de outro modo, em Democracia está em causa o voto da maioria, com limites “naturais”, superiores e tendencialmente absolutos, como o respeito pela liberdade e individualidade das minorias, sejam elas de “lobos” ou de “cordeiros”.
Impressões
Se o governo fosse constituído por membros do PSD
Poderia perder-se alguma capacidade técnica conferida por ministros
independentes. Poderia ganhar-se experiencia política.
Se o governo fosse constituído por membros do PSD
Alguns ministros poderiam ter alguma influência dentro do partido. As
suas opiniões poderiam ter um maior relevo dentro do governo.
Proposta: Baixar a TSU aos trabalhadores para estimular o consumo
Um dos argumentos de Miguel Frasquilho contra a TSU é que faria aumentar o desemprego porque o efeito via queda do consumo seria maior que o efeito da redução da TSU para as empresas:
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Logo, os potenciais (embora acredito que muito reduzidos na actual conjuntura) efeitos para o emprego resultantes da descida da TSU para as empresas seriam mais do que compensados com a subida do desemprego resultante da retracção da procura (daí que, em geral, os empresários se tivessem manifestado contra uma medida que, em teoria, os beneficiaria).
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Este argumento é notável porque, a ser assim, devemos fazer ao contrário: baixa-se a TSU para os trabalhadores para estimular o consumo e aumenta-se a TSU para as empresas para financiar a medida. Como os efeitos no consumo são mais importantes, o desemprego baixa.
A alternativa de Pacheco Pereira
Pacheco Pereira escreve um longo artigo contra a ideia de que não há alternativas no qual a única alternativa que apresenta é o imposto Cadilhe sobre o património. E é este o estado das nossas elites. A solução de Pacheco Pereira para uma crise de sobreendividamento e de excesso de despesa do Estado, num país descapitalizado e em que os investidores desconfiam do Estado, é um imposto sobre o património que deixa intacta a despesa do Estado e que obrigaria contribuintes endividados e sem liquidez a pagar impostos sobre património. E pagariam o imposto com quê? Pedaços da casa?
O imposto Cadilhe seria impraticável uma vez que muitos agentes não teriam liquidez para o pagar. Mesmo que fosse aplicado, o efeito estrutural seria contrário ao necessário. A despesa pública seria mantida e a economia produtiva seria penalizada com uma perda de património que teria que ser reposto com poupança.
Tudo depende de quem o faz
O JN chama-lhes Os cartazes mais audazes da manifestação da CGTP Não valendo a pena discutir o conceito de audácia em vigor cabe perguntar se se acharia audaz caso estes cartazes tivessem como protagonistas Louçã, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa ou Ana Avoila?
Falácia do Nirvana (um exemplo)
Um exemplo da falácia do Nirvana é este post de Miguel Frasquilho. Analisa todos os efeitos negativos da medida da TSU mas não faz uma análise comparativa entre os efeitos da TSU e os efeitos das medidas alternativas. O post foi escrito 3 semanas após o início do debate sobre a TSU e 1 semana depois de ficar claro que a alternativa à TSU é subir impostos ao privado para repor parte dos subsídios do sector público.
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PS-Miguel Frasquilho escusava de baralhar a medida da TSU tomada em condições normais com a medida da TSU tomada após duas brutais recessões num país em que os salários são muito rígidos à descida. É evidente que a medida só faz sentido como forma de compensar a rigidez dos salários num momento em que muitas empresas ainda têm salários nominais aos níveis anteriores à crise. O segundo parágrafo do post só serve para criar ruído e desviar o debate daquilo que neste momento é prioritário.
Tudo depende de quem o diz
Durante décadas a esquerda malhou forte e feio nos empresários portugueses. Eles não tinham visão. Eram de vão de escada. Não tinham estudos. Não arriscavam. Só faziam contas de merceiro (ainda alguém me há-de explicar que outras contas existem nas empresas mais importantes que as do deve e haver de que as meninges dos merceeiros não se conseguem libertar pq no fim eles sabem que serão eles a responder pelas dívidas)… Enfim os empresários do restante mundo eram um poço de virtudes. Os nossos, coitados, um espelho da mediocridade. António Borges teve o condão de colocar o país das declarações a defender os empresários portugueses. Jamais alguém fez tanto pelo empresariado português.
TSU na terra das Marias
Este post do Joaquim sobre medidas como a TSU num país de cultura feminina é muito bem apanhado. A ideia leva-me a pensar que se calhar gastar dinheiro no ensino universitário em Portugal é deitar dinheiro ao lixo.
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PS- Claro que o post será visto como um insulto num país em que o uso de um sistema para entender a cultura terá uma leitura pessoalizada.
TSU e a falácia do Nirvana
A medida da TSU foi criticada como se a alternativa fosse manter o status quo, isto é, a mesma carga fiscal e o mesmo nível de consumo. Essa alternativa é utópica e nunca esteve em cima da mesa. O cenário alternativo à TSU é um cenário em que a reposição dos subsídios à função pública tem que ser pago com aumentos de impostos e em que o ajustamento da economia é retardado. A curto prazo as empresas sentirão de imediato um aumento do custo do trabalho, sobretudo nas novas contratações e nos profissionais mais indispensáveis à empresa, uma vez que o salário líquido vai baixar. Mesmo que o consumo se mantenha, será mantido de forma insustentável, o que só retardará o ajuste que as empresas têm que fazer. A médio prazo, com um ajustamento mais lento terão que ser tomadas novas medidas de austeridade para compensar o facto de um ajustamento pelo lado dos impostos ter efeitos mais negativos na economia que um ajustamento do lado da despesa. Os empresários portugueses comportaram-se como jogadores de xadrez que só pensam na jogada actual. Vão perder, e muito, nas jogadas seguintes.
As dificuldades de comunicação de António Borges
O Borges fala para um país em quase ninguém percebe o que se está a passar. Digamos que há uma dificuldade de comunicação entre quem percebe e quem não percebe os factos seguintes:
- A dívida portuguesa atingirá 120% PIB no fim do ano e cada ano que passa soma mais de 5% do PIB à dívida. O default é provável dentro de 2 ou 3 anos se não forem cumpridas as metas do programa de ajustamento.
- Os bancos portugueses estão a desalavancar. Têm que reduzir empréstimos para reforçar o peso dos capitais próprios. Não haverá crédito à economia tão cedo. Os bancos portugueses não têm crédito externo porque o país também não tem e porque os bancos estão no limiar da falência.
- os salários nominais do sector privado estavam ajustados ao nível de procura pré-crise. Essa procura era sustentada por dívida. Agora não há crédito, há menos procura mas os salários nominais são os mesmos, excepto nos casos em que foi possível negociar (pelo que percebi só com truques é que é possível reduzir salários, mesmo negociando). Por isso o desemprego disparou.
- Se não houver uma desvalorização salarial por algum truque tipo TSU, a inflação demorará vários anos a baixar o valor real dos salários para valores consistentes com a procura actual.
- Os níveis da procura não voltarão tão cedo aos valores pré-crise. Quanto mais tempo de tentar atrasar o ajuste mais tempo demorará a procura a voltar aos níveis anteriores.
- Estimular artificialmente a procura, como pedem muitos empresários, apenas agrava o problema. Reduz a poupança, aumenta o défice e retarda a redução do endividamento externo. Sem redução do endividamento externo o crédito não volta.
- Austeridade é necessária para que em simultâneo se reduza o défice do Estado, se reduza o défice externo e se aumente a poupança. Redução dos salários é necessária para capitalizar as empresas e libertar fundos para investimento. Redução dos salários pode ser lento, via inflação, ou rápido, via desvalorização interna. Quanto mais tempo demorar pior. Só quando este processo estiver completo é que voltará a haver mais procura, crédito, investimento e crescimento.
- Tudo isto já seria complicado se não existisse uma possibilidade real de default. O risco de default implica que a janela temporal em que é possível resolver os problemas é muito estreita. Se não se aproveitar essa janela temporal, Portugal será um país zombie por muitos anos.
Aquilo que distingue o Borges da restante cambada de personalidades públicas que se pronunciam sobre os problemas do país é que, por um lado, o Borges percebe isto, por outro não deve nada a ninguém. De um lado está o Borges, que percebe isto, e cuja mensagem é basicamente “o socialismo acabou”, e do outro empresários focados em manter o status quo de um mercado interno que depende de um consumo insustentável.
sombras
Saído de uma série televisiva americana dos anos 80, tipo Dallas, ou de uma das novelas xaroposas de Jeffrey Archer, das que rodam o mundo da alta finança e da baixa sentimentalidade, o Professor António Borges, sempre que abre a boca – e abre-a vezes de mais – faz o governo perder popularidade e votos. Ademais, fragiliza a coligação que o sustenta, porque desautoriza frequentemente o Dr. Paulo Portas, como sucedeu recentemente com o seu plano para a RTP, e voltou a suceder ontem, ao chamá-lo de «ignorante» por este discordar da medida proposta pelo governo para a redução da TSU. Na sua cabecinha iluminada e cheia de «extrema inteligência», o Professor Borges que consta ter sido o genial inventor daquela medida, convenceu-se que tinha descoberto a salvação da pátria e pretendeu impingi-la aos seus concidadãos. Vá-se lá saber porquê, os destinatários da sua luminosa inteligência, seres «completamente ignorantes», não a quiseram para nada. é evidente que Borges, cujo curriculum profissional oscila entre os bancos da Universidade e a burocracia financeira, desconhece o que seja uma empresa, e ignora quais sejam as normais preocupações de um empresário português. Mas o governo, que o nomeou para uma coisa qualquer, não o devia deixar utilizar esse analfabetismo para vilipendiar quem trabalha e paga salários e impostos ao fim do mês. Num país normal e decente, com um governo decente e normal, este «ministro sombra» do governo já teria sido corrido e desautorizado há muito tempo. Com a sombra do governo que temos, é de admitir que continue a palrar por aí.
Aquilo que nenhum político vos dirá
Quando pensamos que nada pode correr pior, é sempre possível que tudo piore ainda mais. Por isso é bom começar a pensar nos cenários de que ninguém nos fala, sobretudo não nos falam os políticos. Os cenários de falhanço completo da estratégia seguida nas últimas décadas. Pois é a isso que estamos a assistir.
Há 20 anos, quando Portugal assinou o Tratado de Maastricht, ainda Cavaco Silva era primeiro-ministro, vivíamos duas imensas ilusões. Nos anos anteriores a economia portuguesa tinha crescido a um ritmo que não conhecia desde o final da década de 60, início da década de 70. A adesão à União Europeia e o cavaquismo triunfante pareciam estar a cumprir o sonho de gerações de portugueses, isto é, a rápida aproximação ao nível de vida da Europa desenvolvida. Ler mais…
o problema
“Isto é, as fundações servem fundamentalmente para recolher e sustentar a iliteracia e a ignorância indígena (por exemplo 13 672 funcionários nas fundações que Passos Coelho pensa fechar). E o que é que sucedia ao país se ele amanhã parasse de estipendiar esta turba sem nome? Nada, queridos portugueses, rigorosamente nada. E talvez, com isso, o governo adquirisse alguma confiança e dignidade.”
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Vasco Pulido Valente, no Público de hoje
Com as poupanças a edição deve estar por conta do Hezbollah
Quem matou o embaixador dos EUA foi o autor do filme? Se por causa deste video os espanhóis desatarem a atacar tudo o que tenha a ver com Taiwan escreverá o Expresso uma frase desculpabilizante para os agressores?
Enfim nesta matéria está o grupo Impresa muito bem acompanhado. Veja-se como o El Pais começou por descrever Shalit, que é adepto do Barça e que está a provocar agitação em Espanha por ter sido convidado pelo Barça a assistir a um jogo daquele clube com o Real Madrid : Polémica por la supuesta invitación del Barça a un militar israelí involucrado en la matanza de Gaza para que asista en el Camp Nou al clásico del 7 de octubre contra el Madrid
A frase depois de vários protestos ficou assim: Polémica por la supuesta invitación del Barça a un militar israelí cautivo durante un lustro por Hamas para que asista en el Camp Nou al clásico del 7 de octubre contra el Madrid
Mas ainda restar saber porque há-de ser Shalit Un incómodo espectador ?
da indigência
As declarações do secretário-geral socialista concedidas à rádio espanhola Cadena SER, cuja síntese pode ser lida aqui, são deprimentes e raiam a indigência política. Como é possível manter este desnível de liderança no partido que chefia a oposição e que ainda há pouco tempo era governo, numa altura em que Portugal está falido, os portugueses a sofrer e o governo desentendido e praticamente trepanado? Como pode António José Seguro falar de Portugal e dos problemas seriíssimos que a todos nos atingem, e que em boa medida foram criados pelo governo do partido que agora dirige, deste modo lampeiro, com uma sentimentalidade de telenovela mexicana e uma conversa de café, como se estivesse numa secção de província da Juventude Socialista a pedir votos para uma lista aos órgãos locais? A vacuidade política de António José Seguro devia constranger o PS, e obrigar este partido a assumir as suas responsabilidades na história recente da crise do país e, sobretudo, no contributo que poderá dar para remediar o mal que fez. Infelizmente, parece que vamos ficar muito distantes dessa possibilidade.
A mesada das elites
O governo seguiu uma má estratégia política ao deixar coincidir o anúncio dos cortes na fundações com o período de preparação do orçamento de Estado. Não se deve incomodar despropositadamente as elites. Coincidência ou não, muitas das críticas feitas ao governo têm vindo a ser feitas por personalidades ligadas a fundações em risco de perder dinheiro.
Quem espera nem sempre alcança
Luís Mira Amaral faz parte de uma geração do PSD que esteve na política com Cavaco Silva. Desde que Cavaco deixou de ser PM que esperaram pelo seu momento. Nunca avançaram com ideias próprias para o partido. Zero de ideologia. Apenas táctica numa estratégia que no limite os levaria ao lugar que fora de Cavaco. A cada novo líder dos sociais-democratas eles remexiam-se na cadeira à espera que ele caísse porque de queda em queda chegaria o seu momento. Só que nesta tão bem arquitectada estratégia eles esqueceram em primeiro lugar que não estavam sós nessa corrida invisível. Em segundo nunca foram capazes de dar o passo. A luta pelo poder não se pode fazer sempre nos bastidores. Há um momento em que se fica só e exposto. Mas eles só queriam esse momento com a garantia de que ganhavam. E isso para sua tristeza nunca aconteceu. E por isso o seu tempo passou. Agora é tarde.
Uma decisão gravíssima
Que o PCP via Associação Nacional de Sargentos faça o seu trabalho de degradação das instituições é uma coisa sabida embora frequentemente esquecida. Mas que o Constitucional tome uma decisão que coloca em causa a própria existência da instituiçãoo militar é outra. Desconheço o que levou recentemente o PR a chamar a Belém as chefias militares mas sendo Cavaco Silva Comandante Supremo das Forças Armadas espera-se que se pronuncie sobre o assunto quanto mais não seja como sucedeu no Estatuto dos Açores para dar conta da sua indignação. Caso esta decisão seja escamoteada ele mesmo e certamente o próximo PR acabarão comandantes supremos duma milícia que nos dias pares recorre aos tribunais civis para boicotar a instituição e nos dias ímpares para a manutenção das suas regalias exige respeito institucional pela mesma instituição.
Obs. Espero apenas que uma qualquer associação do futebol recorra ao Constitucional e que este naturalmente decida em igual sentido. Teremos um tempo santo: não há jogos, não há declarações dos dirigentes…
os filhos de minerva
Continuamos a ser um país próspero e rico, como se depreende da disponibilidade financeira do governo para continuar a apoiar generosamente as fundações portuguesas. Na verdade, se está prevista uma poupança de 200 milhões de euros por uma redução média de 30% nos apoios anteriormente concedidos, isso significa que continuaremos a gastar com elas, pelo menos, 500 milhões, por ano. E entre as que conseguiram escapar com a simpática fatia de 70% dos subsídios concedidos, encontramos coisas francamente bizarras, como a Fundação Minerva, cuja actividade conhecida é gerir uma Universidade privada, a Universidade Lusíada, mais precisamente. Ao que se sabe, a única instituição de ensino superior privado a receber apoios directos do estado. E dos contribuintes, claro está.
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Em tempo: Alertado pelo nosso sempre atento e dedicado leitor profissional anti-comuna, reparei que a lista dos beneficiados com uma redução de apenas 30% incluí, também, a Fundação Ensino e Cultura Fernando Pessoa, que mantém e administra a Universidade Fernando Pessoa. Curiosamente, ontem, a referida instituição prontificou-se a declarar publicamente que não recebe qualquer apoio público, como se pode ler aqui. Provavelmente, teremos ocasião de ler, por estes dias, um documento similar da Fundação Minerva.


