É isto o Brexit
O grande José Meireles Graça disse o que importa dizer (eu só acrescentaria: lamento que os nossos articulistas claramente não tenham lido o texto do acordo… caso tivessem, provavelmente não escreveriam os disparates que escrevem… o acordo não era mau – o acordo que foi a votos era um verdadeiro nojo, daí a derrota histórica do governo):
‘O Brexit é um pesadelo, mas é um pesadelo porque a União Europeia é um pesadelo. Não só a saída da CEE nunca levantaria o mesmo tipo de problemas como é improvável que dela algum país quisesse sair. E o que se vislumbra por trás do projecto de acordo derrotado hoje, um ilegível mastodonte com quase 600 páginas, é que é mais difícil sair da UE do que foi, por exemplo, a separação da Eslováquia da República Checa. Não é por acaso, é que a UE quer dar uma lição não apenas ao Reino Unido mas a todos os outros países onde exista, larvar ou já pujante, a pulsão da resistência à força integradora, burocrática e anti-democrática, da UE. Connosco, ou com alguns outros países que recebem da UE mais do que pagam, não precisam de se preocupar: trocamos alegremente soberania por subsídios. Mas o Reino Unido, previsivelmente, foi o primeiro a acordar, e é impossível sufocar, mesmo que agora se invente uma maneira de dar o dito por não dito, a crescente resistência à interferência supra-nacional de burocracias inimputáveis. Que fazem o que sempre fizeram e é inerente à sua natureza: centralizar, normalizar, regulamentar, aumentar o seu poder e, de caminho, beneficiar os seus membros. Se eu fosse inglês, insistiria no Brexit, mesmo que sem acordo, mesmo que correndo o risco de estilhaçar o Reino Unido, e mesmo vivendo pior durante algum tempo. E ingleses como eu não sou não faltam. São os melhores. Quanto a vós, amigos, adversários, inimigos, conhecidos, desconhecidos, se sois europeístas, tenho um conselho: ide-vos catar.’ (por José Meireles Graça)
UK: What happens now?
A convite do Blasfémias, o Director Executivo do Adam Smith Institute, Eamonn Butler escreve um novo texto original sobre o futuro do Brexit, já conhecido o resultado da votação de hoje na Câmara dos Comuns .
So what happens now? Theresa May’s government suffered a record defeat by a majority of 230 votes in the main chamber of Britain’s Parliament, the House of Commons. So then the Opposition tabled a motion of ‘This House has no confidence in Her Majesty’s government’. But losing a confidence motion means you have to step down—either to re-jig the government with a new leader such that the House of Commons decides it has confidence once more, or to hold a fresh election.
Of course, that was a non-starter. A group of MPs in Mrs May’s Conservative Party already had a go at unseating her a few weeks ago, and it came to nothing. Under the Party’s rules, they can’t try it again for another year. If Mrs May does not want to go, there is no way that her Party can push her. Also, any one of those MPs who voted against the government would ‘lose the whip’—in other words, they would be expelled from the parliamentary Party, and would become an ‘independent’. Not only would they lose several hundred friends, they would also have to face the next election as an independent, fighting a much better resourced, new Conservative opponent. Not a happy prospect for a politician.
In any case, Conservative MPs do not want a new general election because of the chance of the Opposition winning it—accidents do happen—and the awful prospect of Jeremy Corbyn becoming Prime Minister and his deputy John McDonnell becoming Chancellor of the Exchequer, Britain’s finance minister. Both of them are ardent socialists. Corbyn would like to get out of the EU so that he could start nationalising the railways, utilities, banks, the Royal Mail and much else without the EU’s ‘state aid’ regulations preventing him. McDonnell, meanwhile, thinks that Marxism is one of the biggest influences on his and Corbyn’s Labour Party, and cited Marx, Lenin and Trotsky as the most significant influences on his own thoughts. When asked by an interviewer if he saw his job as to overthrow capitalism, he cheerfully did not deny it. Both have defended socialism in Venezuela, complaining only that the current regime have not been “following the socialist policies that Chavez was developing”.
If Conservatives look on the prospect of a Corbyn government with horror, their coalition partners, Northern Ireland’s Democratic Unionist Party, look on it with terror. Corbyn was a notorious friend of many of the extremist politicians who backed the Irish Republican Army that caused so much bloodshed in the province during the 1970s and 1980s in particular. And he has an equally open attitude to other revolutionary movements associated with acts of terrorism.
So what next? Well, Theresa May remains as Prime Minister. But the House of Commons has decided it does not like the UK-EU deal that she has negotiated. In particular, many (including about 80 Conservatives and all the DUP) really hate the ‘backstop’ provisions, designed to kick in if there is no agreement about goods passing over the Irish-UK border. Others say the deal will sign the UK up to years of having to accept EU regulations, and will prevent the UK from negotiating trade deals with other countries.
But then again, the majority of MPs do not like the idea of leaving without any deal at all—and have already passed a finance measure that would make such an outcome difficult for the government. Add to that, there are MPs advocating a Norway-style arrangement; or a Swiss arrangement; or a ‘Canada +++’ arrangement. No plan at all can command a majority. It’s deadlock.
That is why another strong minority of MPs say the issue should go back to the people in a second referendum, a ‘People’s Vote’. To which others say we already had a ‘people’s vote two and a half years ago, and the majority want to leave the EU: Parliament had already pledged to accept the result (on the blinkered Establishment assumption that it would be an overwhelming victory for Remain), so now they should deliver on it. And if a second referendum voted Remain, what then? There would be turmoil. Best of three?
But that’s not going to happen, either. It took seven months to organise the last referendum. It would take another seven just to decide the question this time, there being so many options on the table. And the clock is ticking down to 29 March…
So now the front runner is that the EU graciously decides to stop the clock and give the UK more time to come round to its way of thinking. I am sure it will be offered, but will Mrs May accept…and prolong the agony even further. There’s a growing ‘Leave. Then negotiate’ mood around.
I voted Brexit to get the UK out of the EU’s political and regulatory spaghetti. And because I thought it would be interesting. I didn’t realise it would be this interesting…
–
Eamonn Butler
Director, Adam Smith Institute
Também era assim na URSS
A votação por braço no ar a uma moção de confiança é estalinista. Não me interessa se é o CDS, o PSD, o PS ou o Rancho Folclórico de Moimenta da Beira. Se há motivos de desconfiança da liderança, a única forma de a expressar livremente é através do voto secreto. Eu votaria a favor de uma moção de confiança do Maduro ou do Kim Jong-un porque os meus princípios não se sobrepõem à minha necessidade de ter uma cabeça para pensar princípios.
Se tatuar os dissidentes é liberdade, vou ali e venho já. Que Rio precise de mostrar força desta maneira é algo bastante esclarecedor. Fosse eu alguém com direito de voto no Conselho Nacional do PSD e amanhã votaria contra a moção de confiança mesmo que concordasse com a liderança de Rio.
o que quer rui rio para o país?
Se dúvidas subsistissem, António Costa acaba de as dissipar: quer um governo de frente-esquerda para os próximos quatro anos, após as eleições legislativas de Outubro.
Em face disto, o que tem Rui Rio a propor a país? Se é que tem alguma coisa, claro.
Theresa May coloca a questão central deste momento: o parlamento disse que não queria o acordo mas não disse o que queria. O parlamento não disse sobre como honrar a vontade expressa pelo povo num referendo que aquele mesmo parlamento resolveu realizar. Não sei se subscreveria o acordo negociado por May mas parecem-me insuportáveis o papel daqueles que ficaram sentados à espera que ela falhasse mais a arrogância de Bruxelas
O pincismo
Escreve Nuno Severiano Teixeira no PÚBLICO: «Desde o 11 de Setembro para cá os muros proliferaram, dizem que são mais de cinquenta em todo o mundo e todos contra os imigrantes e os refugiados. Neste novo mundo de muros muitos estão na Europa. E mesmo nos Estados Unidos, partes do muro tinham já sido construídas por Bush, depois suspensas por Obama, mas substituídas por tecnologias de vigilância mais sofisticada. A verdade é que os muros nunca deram bom resultado. Nem a Grande Muralha da China impediu os ataques dos mongóis, nem o Muro de Adriano evitou as invasões bárbaras. Assim como os 28 anos que durou o Muro de Berlim não impediram o colapso do comunismo e a reunificação da Alemanha.»
O texto de Severiano Teixeira é um exemplo do pincismo, ou seja o excluir e omitir o que não serve a nossa argumentação. Assim Severiano Teixeira vai até à Muralha da China e ao Muro de Adriano mas não lhe ocorreu referir muros bem sucedidos como o que foi construído por Israel na Cisjordânia e que visa impedir a entrada de terroristas em Israel, coisa que de facto tem sido conseguida. Muito menos se lembrou da Vala de Ceuta construída anos antes do 11 de Setembro, em boa parte com verbas da UE e que se destina a impedir a entrada de imigrantes. Curiosamente achou por bem referir a interrupção da construção do muro na fronteira dos EUA com o México por Obama mas não só excluiu qualquer referência a Clinton como omitiu o apoio de Obama ao controlo dos migrantes na fronteira do México com a Guatemala, onde não foi levantado um muro mas foram levantadas estruturas em postos sensíveis.
Não sei e duvido que muito saibam se a melhor forma de impedir a entrada de ilegais nos EUA é um muro ou não. Mas sei que colocar a questão como fez Severiano Teixeira não ajuda nada.
Portugal ganhou o Euromilhões?
E não é que, do nada, o país da “Geringonça Esquizofrénica” que ainda há dias definhava a todo o vapor, ressuscita entre os “mortos económicos” e desata a prometer comprar e investir em tudo e mais alguma coisa como se tivesse ganho o jackpot no Euromilhões? É verdade! Quem diria que tão almejada sorte nos iria bater à porta em 2019. Fantástico! Com tantos milhões disponíveis a ver se com o entusiasmo o governo não nos compre a nós também! Bem… pensando melhor, ele já nos está a comprar desde que entrou, às prestações. Adiante.
O Estado agora milagrosamente “milionário” em 5 dias anunciou obras e aquisições que vão “resolver” todos os problemas com os quais nos enfrentamos neste momento para daqui a… 10 anos! Sim, 10 anos! Acha muito? Ora essa, uma década passa depressa, não seja pessimista que isso é coisa da direita realista e consciente dos embustes!
Assim, vamos ter mais 22 comboios apesar de neste momento fazerem falta já 35 urgentemente e daqui a 10-15 anos 400 para substituição da frota toda obsoleta que já se encontra em final de vida útil. Entretanto e enquanto esperamos, vamos continuar com as fórmulas de gestão alternativas que é a supressão de comboios substituindo-os por autocarros, aluguer de comboios a Espanha ou simplesmente ficar apeados por não haver serviço de todo. Portanto, 22 comboios daqui a 10 anos vão resolver uma frota totalmente envelhecida, comboios quase todos avariados, sem dinheiro para peças e oficinas sem pessoal suficiente para tamanha carga de trabalhos. Boa!
Foram anunciados também mais barcos: “Estamos a projectar a entrega do primeiro navio no final de 2020 ou no início de 2021, em princípio no final de 2020. Em 2021 a entrega de três navios e, depois, os seis seguintes serão ao ritmo de dois a cada ano. Significa que, em 2024, teremos os dez navios entregues”, disse à Lusa o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes.”(fonte Observador). Portanto, será um investimento a conta gotas pequeninas para não estragar o excell do Centeno. Com sorte muito depois das eleições. Até lá aguente-se com a falta de barcos para ir para o trabalho e habitue-se aos atrasos e caos. Se o seu patrão o despedir tem sempre “maravilhosos” apoios socais à sua espera. Não desanime.
Também vem aí mais um aeroporto no Montijo porque, claro está, não interessa para já só aumentar o de Lisboa porque fica muito mais barato e assim não vem tanto dinheiro da UE para desviar sorrateiramente para outras rubricas do balanço do Estado que disfarçadamente paga “outras despesas correntes” com os fundos, como o denunciou e muito bem João Miguel Tavares afirmando: “o Governo aproveita o maná europeu para pagar os apoios sociais e desorçamentar despesa” (leia aqui o artigo todo no Público). Por outro lado, ao assinar um acordo para a construção do aeroporto no Montijo sem o estudo de impacto ambiental está a pressionar para garantir um facto consumado e influenciar a decisão do estudo. Porquê? Ora porque o governo está “cheio de dinheiro ” para distribuir pelos amigos do costume.
Pelo caminho o “sem palavra honrada” dá garantia de 150 milhões aos lesados do BES. Mais uma vez. É só garantias de coisa nenhuma desde que o BES faliu. Que ternura. Ah! sem esquecer as propinas à borla para todos que isto de ter curso superior é um bem de “primeira necessidade” que não pode ser apoiado por bolsas, nem pode ser pago, como o meu, com o estatuto de trabalhador estudante. Trabalhar e estudar faz calos.
Portanto, em apenas cinco dias, tivemos cerca de 24 mil milhões de euros anunciados em investimentos com… ar. Porque Portugal não ganhou o Euromilhões, nem em 3 anos criou riqueza para tal. Por isso, esta treta toda da semana passada não passa de populismo eleitoralista para enganar, porque a taxa de execução dos Sistemas de Incentivos do Portugal 2020, no final de 2017, foi de 28,5% como concluiu uma auditoria do Tribunal de Contas, mas já fazem promessas à conta do Portugal 2023. Francamente.
Na verdade o que temos e não vale a pena fingir que não vemos, é um país pré-falido que tem todos os serviços do Estado a caminho da implosão por via da asfixia financeira grave imposta por Centeno. Por isso, só o SNS viu a sua dívida aumentar nesta legislatura em 52,6%. Imagine em que estado estarão todos os restantes serviços. Bom… é melhor não imaginar.
Para piorar ainda mais o cenário, com esta governação, o nosso PIB per capita baixou para 77% da media da zona euro o que nos coloca em 15º lugar em 19 posições. Significa isto que descemos 3 posições desde que estes assaltantes do poder se instalaram ao leme do país. A reversão das 35h provocaram ruptura de serviços e aumento de despesa pública. Se juntarmos a reposição compulsiva de regalias à função pública, temos aqui o sugadouro da pouca riqueza conseguida que, por não ser suficiente, foi depois compensada com o aumento obsceno dos impostos. Nunca o custo de vida foi tão alto com os bens essenciais a subirem acima da inflação. Ainda em 2018, somamos o valor mais alto da dívida pública – 251,1 mil milhões – que não pára de subir. Com novas medidas fiscais sempre na berra, o investimento caiu. E como se não bastasse, um abrandamento do mercado externo com a diminuição das exportações e aumento significativo das importações, levou a nossa balança comercial a registar um aumento do défice em 1.157 milhões.
Entretanto, o OE2019 deixa 850 milhões para Fundo de Resolução pôr no Novo Banco.
Se Portugal não ganhou o Euromilhões, vamos pagar muito caro esta “festa” toda.
Portanto o filho não tem espaço para acolher a mãe, logo a responsabilidade é do senhorio
Este artigo do PÚBLICO é uma peça notável de demagogia. Como sempre começa-se com um caso dramático:
“Há quase três anos, Nazaré perdeu a tia que era a titular do contrato de arrendamento. Como não é uma parente directa, e apesar de ter vivido com a tia quase 40 anos, o contrato cessou e Nazaré terá agora de deixar aquela casa, depois de dois anos de disputa judicial que deu razão à senhoria. A lei mudou, mas há franjas da população, sobretudo a mais idosa, que ainda continuam desprotegidas.” O QUE É SER DESPROTEGIDO? NÃO CONSEGUIR OBRIGAR O SENHORIO A RESPONSABILIZAR-SE PELO INQUILINO QUE NO CASO NEM O É PORQUE NUNCA TEVE UM CONTRATO EM SEU NOME
“Entre molduras com fotografias do filho, muitas estantes cheias de quinquilharia, Maria Nazaré Jorge, 82 anos, terá de encaixotar, nos próximos dias, 39 anos de vida num apartamento da rua Rodrigues Sampaio, junto ao Marquês de Pombal.” A SABER: NAZARÉ PAGA 202 EUROS POR UMA CASA NO CENTRO DE LISBOA. COMO EXPLICA O PÚBLICO: “São 202 euros da sua reforma que não chega aos 300. E de onde tem de sair dinheiro para pagar a conta da farmácia, da luz, da água, do gás.” VENDO BEM O SENHORIO DEVIA RECEBER MENOS.
“O filho, Carlos, que estaria disponível para receber a mãe, não fosse o apartamento pequeno que tem em Algés e que não tem condições para a acolher os dois.” CLARO, O FILHO PODIA LÁ RECEBER A MÃE EM CASA! O SENHORIO É QUE TEM A RESPONSABILIDADE DE ASSEGURAR UMA CASA À DONA NAZARÉ.
Maria Manuel Rola, deputada do Bloco de Esquerda, diz que lhe têm comunicado vários casos como o de Nazaré, que não estão protegidos pela lei. “Existem duas situações principais: ou porque não vivem no mesmo local há mais de 15 anos, ou porque o titular do contrato era um familiar próximo mas não directo”, nota a bloquista, explicando que a transmissão dos contratos de arrendamento em caso de morte abrange apenas familiares directos. ESTÁ PARA NASCER O ASSUNTO EM QUE OS JORNALISTAS DO PÚBLICO NÃO TENHAM UM DEPUTADO DO BE COM UMA PROPOSTA MARAVILHOSAMENTE HUMANA E SOLIDÁRIA. A PROPOSTA DESTA SENHORA MANUELA ROLA É UM EXEMPLO DESSA BONDADE CATASTRÓFICA: QIER UMA CASA COM RENDA BAIXA? VÁ VIVER COM UM CIDADÃO IDOSO.
Estas questões têm também implicação com os cuidadores informais, alerta Maria Manuel Rola, uma vez que se encontram também desprotegidos em situações em que não são os arrendatários e poderão não ter relação de parentesco directo com a pessoa que estão a cuidar.Maria Manuel Rola espera que quando for criado o “estatuto do cuidador informal” — que está a ser trabalhado no Parlamento — se preveja essa questão da habitação. “Acaba por ser algo injusto. As pessoas acabam também por ser arrendatárias”, diz a bloquista. PORTANTO O ESTATUTO DO CUIDADOR INFORMAL IMPLICA RESPONSABILIDADES PARA OS SENHORIOS? PODIA LÁ CRIAR-SE ALGO QUE NÃO IMPLICASSE MAIS UM DEVER PARA OS SENHORIOS?!!
TUDO ISTO JÁ ACONTECEU NO PASSADO MAS PELOS VISTOS NÃO SE APRENDEU NADA
critérios para a decisão de voto
Não rejeitar a herança de Pedro Passos Coelho, por isto se entendendo o meritório trabalho que fez à frente do governo de Portugal e aqueles que com ele estiveram, como se fossem leprosos.
Excluir todos quantos votam ao lado do Bloco de Esquerda em questões tão importantes como as que violam desnecessariamente o direito ao sigilo bancário em favor do fisco.
Por hoje, é isto.
Rui Rio e as Europeias

Com o desafio de Luis Montenegro parece que Rui Rio teve um sobressalto de ânimo.
Porém, depois de um ano encostado a António Costa (passe o pleonasmo) e com um discurso político alinhado com a narrativa da Esquerda, caso a reunião do Conselho Nacional do PSD lhe seja favorável, conviria que o presidente desta agremiação se comprometesse a lutar pela vitória nas eleições para o Parlamento Europeu e, no mínimo, a ter um resultado próprio de um partido grande.
É natural que a Direita sociológica (incluindo abstencionistas) se reparta em votos também pelo CDS, Iniciativa Liberal e Aliança, nestes últimos aproveitando o factor de novidade da IL e a empatia pessoal com Santana Lopes. No entanto, cabe a Rui Rio afirmar o PSD como o partido largamente maioritário e de referência neste espaço político.
Apesar de as eleições serem europeias, o voto do eleitorado de Direita certamente irá sinalizar se a estratégia de Rui Rio é ou não a mais acertada e eficaz para combater a geringonça. É isto que os não-socialistas terão em mente quando estiverem perante as urnas.
O sentido de urgência que a Direita tem em se libertar da frente de esquerda não se compagina com a espera pelas Legislativas para ser esse o momento de confirmação ou substituição dos protagonistas partidários.
*
Em resumo
Portanto pode mudar-se de sexo ( até se aprova legislação para que essa mudança seja decidida o mais rapidamente possível a partir da ponderada idade dos 16 anos) mas um homossexual não pode querer deixar de ser homossexual? Ou tão só falar sobre essa circunstância da sua vida ? Não estou a discutir se essa opção – querer deixar de ser homossexual – faz sentido mas há algo de esquizofrénico na discussão em torno deste assunto.
À atenção dos jornalistas e seu sindicato: já repararam que há mais notícias no continente americano?
Nicarágua: os jornalistas Lucía Pineda Ubau e Miguel Mora foram presos. Jornais como La Prensa estão em risco de deixar de ser publicados porque a sautoridades retẽm o papel que encomendam.
Portanto vamos fazer assim: todos os dias, logo pela manhã, despacham a notícia obrigatória sobre “o muro do Trump” que por sinal começou a ser construído muito antes do Trump e em seguida dedicam cinco minutos a tentar perceber o que está a acontecer naquele continente.
Os sem palavras
Há coincidências do coiso
O presidente da república quis falar com o líder de um partido no dia em que uma pessoa desse partido o desafiou a eleições para aferir a vontade que os militantes têm para que se mantenha líder.
Isto faz-me lembrar uma história que aconteceu comigo esta sexta-feira, quando o Quim decidiu convocar uma assembleia de condóminos para disputar a minha impecável administração do mesmo. Estava eu a ponderar sobre aquela convocatória, atónito por alguém insistir na ideia peregrina de que as luzes da escadaria deviam funcionar quando se carrega no botão, tentando ganhar tempo para poder reagir adequadamente dado o meu treino como ex-campeão de malho da freguesia, eis que recebi o telefonema. Era a Cristina Ferreira.
Encontramo-nos para uma conversa sobre crustáceos e milho trangénico num antigo hotel portuense que agora é um Airbnb de uma senhora que já foi fadista (ou assim) nas Galinheiras. À saída, exibindo o meu diploma de malhador, disse às palettes de jornalistas, e passo a citar: “claro que vou falar sobre esta questão; não posso fingir que não se passou nada”. Depois saí e fui para casa fingir que não se passou nada.
Cheguei a casa e soube que o Quim tinha pedido uma audiência à Cristina. Vou passar o resto do fim-de-semana preocupado.
Oh Catarina! O Estado não dá lucro!
Catarina Martins e Marisa Matias, duas “mentes raras” do partido de extrema esquerda portuguesa, o Bloco de Esquerda, saíram-se com uma pérola digna de registo. Num vídeo (veja aqui) Marisa conseguiu em 1:19 min dizer uma mão cheia de mentiras sem se rir. Espectacular! Explicou aos idiotas que a querem ouvir que o Tratado Orçamental assinado em 2012 pelo anterior executivo é o responsável pela austeridade que se vive em Portugal retirando rendimentos às famílias e que Portugal tem lucro de 6 mil milhões de euros mas que por causa da dívida terá de entregar às instituições financeiras 8 mil milhões que fazem falta ao país. Finaliza dizendo que a austeridade não é solução e por isso se vai opor a que o tratado orçamental seja lei europeia. Excitada com esta intervenção “brilhante” da camarada, Catarina escreveu este “magnífico” e elucidativo tweet: “”Como a Marisa explica, “um segredo bem escondido é que Portugal dá lucro. O excedente primário do OE será de 6 mil milhões de euros mas devido ao serviço da dívida, mais de 8 mil milhões será canalizados para o sistema financeiro. Pouco menos do que investimos no SNS”. Uau! Batam palmas à estupidez estratosférica disto!
A primeira grande mentira do vídeo é que a austeridade nunca foi nem nunca será uma consequência do Tratado Orçamental de 2012. A verdade incontornável que por muito que os camaradas se contorcem jamais irão conseguir alterar é que, as severas medidas que os portugueses tiveram de suportar na carne com todas as consequências nefastas para as suas vidas pessoais e empresas, foi consequência da irresponsabilidade criminosa de um ex governante e seus lacaios que sob uma impunidade total, desbarataram biliões de recursos financeiros do país com negócios ruinosos e desvios para offshores, deixando-o em falência técnica. Ainda no governo, esse mesmo ex governante viu-se obrigado a estancar o “sangramento financeiro” impondo cortes salariais, cortes em reformas, cortes em subsídios, aumento de IVA e outros impostos. (Recorde esse precioso momento aqui). Portanto, a austeridade severa, diga-se, terapia de choque de rigor orçamental, que tivemos de suportar foi consequência da bancarrota e não do tratado em si.
A segunda grande mentira é de que Portugal dá lucro. Ora se estupidez pagasse dívida soberana (quem dera), só com isto ficávamos superavit! Então desde quando é que um Estado tem capital próprio e com ele cria riqueza? É para rir? Bom, se era humor, foi bem conseguido porque na verdade o Estado gere os impostos que colecta das famílias e empresas. Esse dinheiro arrancado ao contribuinte e que é retirado ao seu orçamento, tenha ele excedentes ou não, é que enche os cofres do país. Esses impostos alimentam a máquina do Estado, que dá apenas despesa, para assegurar um determinado número de serviços. Até as empresas públicas que deveriam imperiosamente ter saldo positivo, só dão prejuízos elevados cuja factura é suportada pelos do costume: os cidadãos. O mais recente e vergonhoso caso foi o da CGD com a injecção de 5 mil milhões de euros de impostos!
A terceira grande mentira é sobre o excedente de 6 mil milhões que a Catarinocas diz haver. O que se deve a fornecedores e outros credores nunca pode ser dissociado das contas finais. Se há dívidas elas entram no balanço e só depois se vê o saldo: é positivo, há excedente; é negativo há prejuízo. Mais: se Portugal recorreu a empréstimos foi porque não tinha liquidez. Se não tinha liquidez é porque tinha despesas mais altas que receitas e foi neste desequilíbrio financeiro que se deu o fenómeno a que já nos habituamos: falência. Afirmar que há excedentes com todos os pagamentos cativados que colocaram todas as instituições do Estado em crise financeira, e contínuos pedidos de empréstimos, é brincar com a nossa inteligência. Todos nós, por esta teoria, seríamos milionários se nos limitássemos a receber salário, pedir empréstimos bancários sem pagar uma única despesa.
Aprenda de uma vez que o Estado não é rico porque a riqueza é roubada ao cidadão que a produz. Que enquanto a empresa quanto maior for o lucro mais prospera e cresce, porque resulta de uma mais valia, o Estado quanto mais cresce maior é o confisco, maior é a asfixia económica e menos prospera. É um parasita que sem o confisco ao contribuinte não sobreviveria nem um dia. Enquanto a empresa vive da aquisição voluntária dos seus produtos ou serviços pelo cliente, o Estado vive de roubo que destrói e mata toda a economia, ou seja, seus “clientes”. Exactamente o inverso das empresas.
Se houvesse realmente grandes excedentes nas contas do Estado isso só significaria que se estava a cobrar mais impostos do que os necessários. E aí a redução da carga fiscal teria de ser ponderada. Porquê? Porque receita de impostos não é lucro.
São estas pessoas que além destas mentiras todas, afirmam que a austeridade não é solução – mas viabilizaram-na nos OE de Centeno – se dizem estar preparados para governar.
Tenham medo. Muito muito medo.
dois caminhos
A partir de hoje, há duas estratégias assumidas no PSD: uma, de Rui Rio, aposta num entendimento com António Costa e numa reedição do Bloco Central, que poderá ter base simplesmente parlamentar, como a actual geringonça, ou mesmo ministerial, caso o PSD consiga uma resiliência eleitoral que, por ora, não aparenta; outra, protagonizada por Luís Montenegro e, provavelmente, por Miguel Morgado, que fará o PSD alinhar com a direita, com o CDS e a Aliança, formando um bloco político alternativo ao que está no governo.
A clarificação é sempre bem vinda em política, e Montenegro proporcionou, hoje, a Rui Rio, uma oportunidade única para afirmar o seu projecto político perante o país e um partido que anodinamente gere há um ano.
Por isso, parece uma estratégia profundamente errada, a que ele está a seguir, de acusar Montenegro de ser apenas um veículo de interesses pessoais e egoístas de deputados que não querem perder os seus lugares. Todos os seus apaniguados o têm repetido, orquestradamente, na comunicação social, desde a conferência de imprensa do Centro Cultural de Belém, mas qualquer pessoa sensata sabe bem que o problema do PSD – e da sua liderança – está longe de se esgotar nisso. Antes fosse. Como também será absurdo que Rio mantenha o seu habitual sorriso fechado de Gioconda, tentando passar ao lado de um problema real, que preocupa os militantes e eleitores do PSD, e não vá a terreno esclarecer o que, de facto, quer para o partido e para o próximo governo de Portugal. Rui Rio não pode ignorar que, desde que é presidente do PSD, o partido tem caído nas sondagens e, por sua culpa exclusiva, provocou a cisão da Aliança e a saída de Pedro Santana Lopes, que o tinha apoiado lealmente depois da derrota. É verdade que ele tem todo o direito de seguir a estratégia política que entender. De se encostar à esquerda e ignorar a direita. De se dispor a apoiar o governo e, até, de viabilizar projectos legislativos do Bloco. De ter importantes apoiantes a dizer que preferem um PSD pequeno a um PSD identificado com a direita. O que não pode é estranhar que lhe peçam responsabilidades por isso.
Montenegro: aquém do esperado
O discurso de candidatura de Luís Montenegro fez sentido na parte em que identificou a letargia taciturna do baronato balofo do PSD, personificado em Rui Rio. Foi um discurso interessante, com pontos muito válidos, mas não deixou de saber a pouco. Algumas das preocupações que Montenegro exprimiu pareceram uma prova de degustação gourmet: pratos minusculos, porém vistosos, com nomes mais longos que a sensação de satisfação que originam.
A inteligência artificial? O empreendedorismo? A falta de regulação de negócios na internet? Nada disto corresponde a questões com qualquer importância. Perante o risco de incêndio anunciado, ninguém se mobiliza para discutir a tragédia que será limpar a tinta feita por encomenda da marquise. Luís Montenegro falou, mas para um certo PSD habituado a alguma palha discursiva, exacerbando um voluntarismo pouco direccionado para as grandes questões. Europa, imigração, o sufoco fiscal, apesar de mencionados de raspão, obtiveram o mesmo destaque que a inteligência artificial e os negócios da internet. É pena: foi pouco e errou liminarmente ao referir mais regulação num país que até regula se um indivíduo pode expressar ideias no programa do Goucha.
Precisamos de mais. Muito mais. Precisamos que o discurso seja para pessoas reais, mobilizáveis, não um discurso baseado em clichés de brainstorming colectivos pouco editados. De qualquer das formas, está dado o mote: ainda há tempo para melhorar.
sensação de déjà vu
Um antigo presidente de Câmara de uma cidade ribeirinha do Douro ascende à liderança de um grande partido nacional. Incapaz de satisfazer a oposição interna, à qual se juntam até alguns dos seus apoiantes, é substituído, sem honra nem glória, antes sequer de ter tido a oportunidade de ver o partido participar em eleições nacionais.
Análise: futuro do PSD e novos partidos
Arrisco armar-me em politólogo:
Depois da reacção de Luis Montenegro às declarações de Manuela Ferreira Leite, o anúncio da sua intenção de disputar a liderança do PSD não poderia passar deste fim-de-semana, sob pena de passar uma imagem de protagonista fraco e temeroso.
Perdeu, no entanto, a oportunidade de anunciar já ontem em conferência de imprensa que poderia ter organizado e chegar hoje à convenção do MEL já como “candidato” e mostrar nas televisões as “Cortes” a ouvi-lo.
Neste momento, a melhor hipótese de sobrevivência de Rui Rio à frente do partido será, a meu ver, também a pior notícia para a Direita. Ou seja, se Rio quiser maximizar as probabilidades de continuar presidente deverá permitir que eleições internas ocorram ainda antes das Europeias. Se pretender “vingar-se” dos críticos, o ideal para ele será convocar eleições também já e anunciar que não disputará a liderança, deixando Montenegro, Morgado ou outro que avance “queimar-se” com o resultado do PSD no próximo acto eleitoral para o Parlamento Europeu.
O melhor cenário para Montenegro será Rui Rio fazer birra e convocar eleições apenas após as Europeias, mas aí terá certamente uma contenda com outros nomes, nomeadamente Morgado.
Para este último, o que talvez mais lhe convenha é o mesmo que Montenegro, com a diferença de que Morgado se pouparia a desgaste imediato, mantendo-se na sombra até ser conhecido o resultado das Europeias.
Depois das Europeias, tanto Morgado como Montenegro (ou outros) terão uma tarefa hercúlea e sob alta pressão de tempo para juntar os cacos do PSD de forma a não ter um resultado desastroso para a Assembleia da República.
Quanto aos novos partidos Iniciativa Liberal e Aliança, julgo que só sobreviverão após as Legislativas se até lá Rio se mantiver à frente do PSD. Ambos terão de ir a votos nas Europeias, (independentemente de quando haja eleições no PSD) sob pena de defraudarem as elevadas expectativas dos seus apoiantes em tirar teimas e ver quanto valem em votos.
Se houver novo líder do PSD (antes ou depois das Europeias) tanto o Aliança como o Iniciativa Liberal terão muita dificuldade em congregar os descontentes com a liderança de Rio e/ou os agora abstencionistas. Neste quadro, o Aliança poderá fazer uma coligação para as legislativas com qualquer dos novos líderes do PSD. Quanto ao IL, será mais fácil com Morgado, mas uma coligação será um balde de água fria para quem lutou por algo fora do sistema.
Entretanto, se Costa tiver a sorte de conseguir continuar a mascarar razoavelmente a realidade do país, pior para todos nós.
Os tempos não se avizinham famosos e restam-me apenas dúvidas sobre o momento da grande queda que aí virá.
*
o homem certo
Depois dos sucessos alcançados nos incêndios de 2017, na aquisição de comboios para resolver os problemas da CP, que, espera-se, sejam entregues em 2026, no novo Aeroporto de Lisboa que ninguém sabe quando abrirá e se abrirá, na gestão e aplicação de fundos comunitários que ainda não temos, nas inaugurações de obras inexistentes, não há duvida que o ministro Pedro Marques é o homem certo para ser o cabeça da lista candidata, pelo PS, a essa outra ficção política que é o Parlamento Europeu.
Finalmente!
Congratulo Luís Montenegro e Miguel Morgado, a julgar pelas notícias, pelo serviço que prestam à nação ao levarem o maior partido nacional, aquele com maior representação no eleitorado não-pendura, a clarificar que há um rumo para o país que não seja o de rastejar à mesa pelas migalhas que possam pingar da Europa e dos tipos que se esmifram na suas profissões liberais para chegarem com trocos ao fim do mês após o esbulho fiscal que penaliza tudo que não seja corte, a de Lisboa ou de Formentera.
Rui Rio, homem que sempre sublinhou a necessidade de transparência, irá, com toda a certeza, submeter-se ao escrutínio da sua paupérrima capacidade de mobilização contra este putrefacto estado de lambecuzismo do “estrito centro” em que a Intelligentsia mediática chafurda.
o psd é de esquerda?

De há uns anos para cá, começou a disseminar-se o mito de que o PSD nunca foi um partido da direita do regime democrático fundado com a Constituição de 1976.
Esse mito foi criado por figuras que ficaram na periferia do passismo, que tinham ganho alguma visibilidade durante o cavaquismo e procuraram tomar o partido na liderança de Manuela Ferreira Leite, entre elas José Pacheco Pereira. Essa versão enviesada da história do PSD teve eco, naturalmente oportunista, nos salões do PS, a quem convinha fazer de Pedro Passos Coelho um «extremista neoliberal», que renegava a tradição social-democrata, supostamente de centro-esquerda, do partido.
Nada há mais falso do que isto.
Independentemente do conceito de «direita» que se queira adoptar, admitindo que nas experiências governativas mais expressivas do PSD – os governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso (o de Passos não conta, porque foi um governo que teve de cumprir um programa de ajustamento financeiro que lhe foi imposto de fora) o partido foi sempre, desde a sua fundação, em 1974, um partido da direita, da pequena e média burguesia que queria e quer prosperar no mercado e numa economia em que o estado compareça o mínimo possível.
Foi essa direita sociológica eleitoral que aguentou Francisco Sá Carneiro contra as derivas social-democratas e esquerdistas dos «Inadiáveis» e de Balsemão, que impôs ao país a solução reformista, de direita e não socialista, da Aliança Democrática, em 1979, que levou Cavaco Silva ao poder contra a solução social-democrata do Bloco Central, em 1985, que deu a vitória a Durão Barroso e ao seu «choque fiscal», logo imediatamente traído, a seguir às eleições, por Manuela Ferreira Leite, em 2002, que quis Santana e Passos Coelho à frente dos destinos do partido, da Câmara de Lisboa e do país, em 2002 e 2011. Dizer que Francisco Sá Carneiro era um social-democrata, quase um socialista, em 74 e 75, é, obviamente, uma fraude histórica, quer pelas contingências políticas em que se vivia nesse tempo, quer, sobretudo, porque Sá Carneiro levou o PSD ao poder, logo em 1980, com uma coligação com o CDS e o PPM exactamente com o objectivo de desmantelar o socialismo que tinha sido imposto ao país, o que começou a fazer, até morrer dramaticamente.
É verdade que houve sempre, no PSD, uma segunda via mais esquerdista muito próxima do PS, desde logo na repartição de interesses do estado. Na fundação do partido, ainda ele era PPD, foi Francisco Pinto Balsemão quem a protagonizou. Balsemão que nunca se entusiasmou com a AD e por muito pouco não cau nos braços dos «Inadiáveis». Que apoiou Salgueiro, que queria Soares na presidência, contra Cavaco, que tinha um Freitas de outras eras como candidato a Belém. No Porto, este grupo estava ligado a Miguel Veiga e, numa ala mais juvenil, a Rui Rio. Cavaco Silva afastou-os quando chegou ao poder e, para seu desespero, constituiu a sua própria elite dirigente, onde pontificavam Fernando Nogueira, Dias Loureiro, Leonor Beleza, Miguel Cadilhe e Durão Barroso. Mas não deu qualquer protagonismo à facção histórica mais à esquerda do partido, o que, de resto, lhe valeu sempre a antipatia de Balsemão e dos órgãos de comunicação social por si controlados. Até ganhar, quase acidentalmente, a Câmara do Porto (com o apoio de Miguel Veiga e a indiferença da quase totalidade do aparelho local do partido), a facção social-democrata/esquerdista do PSD nunca ocupara postos de efectiva relevância no país. Exceptuando-se, obviamente, os governos Balsemão, de resto, com destino trágico. Só nesse momento é que Rui Rio, que sempre fora minoritário no Porto, passou a ter algum peso específico no partido e, com ele, algumas figuras subalternas, como Manuela Ferreira Leite e José Pacheco Pereira. Mas, de resto, nunca nenhuma dessas figuras da ala esquerda do partido foi capaz de ganhar uma eleição nacional ou de grande expressão local.
A verdadeira natureza ideológica e política do PSD está, portanto, no centro-direita e no centro, e muito residualmente no centro-esquerda. É assim que a maioria do eleitorado sempre olhou para esse partido, e é essa a razão que explica a sensação contra-natura com que é percepcionada esta liderança de Rui Rio, sempre encostado ao PS, sem uma agenda reformista que se veja e permanentemente a renegar todas as bandeiras políticas de uma direita mais liberal. É, obviamente por isso, que o PSD desce nas sondagens, mesmo perante um governo vulnerável do Partido Socialista.
Por isso é uma satisfação, quase um alívio, ver Luís Montenegro e de Miguel Morgado a candidatarem-se a líderes do PSD. Esperemos que um dos dois, ou os dois em bom entendimento, recoloquem o PSD naquele que é o seu espaço natural: o centro-direita reformista.
“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal (1)

Naquela que ficou para a história como a primeira colectânea de rap português (o álbum Rapública, lançado em 1994), o tema Nadar, do grupo Black Company, assumiu um lugar de grande destaque, tendo-se tornado num êxito nacional. A expressão “não sabe nadar, yo” entrou de rompante no dia-a-dia e era partilhada por diversas gerações nos mais variados contextos. Não foi assim de estranhar que já em 1995, no meio de um intenso duelo entre as gravuras rupestres encontradas no vale do rio Côa e a barragem da EDP que as ia submergir, o grito “as gravuras não sabem nadar” tenha sido lançado pelos movimentos de defesa daquelas milenares obras de arte.
Durante o apaixonado debate dessa época, que contou com a participação de numerosos especialistas nacionais e estrangeiros, todo o país foi atingido por informação e conceitos normalmente afastados do quotidiano. Era possível, por esses dias, intercalar conversas de café sobre a última jornada do campeonato de futebol com trocas de argumentos sobre a importância da arte rupestre e do Paleolítico Superior. Quando a idade de algumas das figuras foi calculada pelos arqueólogos em cerca de 20 000 anos, os portugueses mostraram-se surpreendidos, e logo começaram as piadas sobre a antiguidade da presença de “artistas” no nosso território. Uma certa ideia de ancianidade da nação, já bem presente no imaginário colectivo, saiu reforçada, como se os homens que gravaram as rochas do Côa fossem portugueses de gema, trabalhando a pedra com um palito no canto da boca enquanto deitavam o canto do olho às moças que passavam.
É por isso importante salientar que os artistas em causa (agora sem aspas) não eram portugueses; que o famoso Viriato, muitas vezes apresentado como uma espécie de avozinho da nação, também não era português; e que o próprio D. Afonso Henriques, tendo evidentemente morrido na condição de português, nasceu numa “zona cinzenta” capaz de propiciar debates infinitos sobre a identidade nacional e as origens do nosso país. Como afirmam alguns historiadores, não há portugueses antes de haver Portugal. E a construção de Portugal como país independente foi um processo longo e sinuoso, muito mais dependente da força de alguns homens do que de uma marcada identidade étnica, cultural ou geográfica, realçando-se que essa força era não só de vontade como também física, pois, sem algum gosto e jeito para a pancadaria, não teria havido independência para ninguém.
O extremismo, quando é de esquerda, é “fofinho”
A TVI, na sua crónica criminal (sim, criminal) do programa Você na TV, subordinada ao tema “Precisamos de um novo Salazar?”, decidiu convidar Mário Machado um ex-recluso e antigo líder do movimento Portugal Hammerskins (PHS) para uma entrevista. Imediatamente foi o fim do mundo! O PCP (sim esse!) pediu uma audiência urgente da ERC afirmando que “a Assembleia da República, enquanto órgão de soberania representativo da democracia portuguesa, não deve permanecer indiferente perante atentados aos valores democráticos e humanistas” quando é o próprio a defender e louvar as ditaduras sanguinárias que nada têm de humanistas e ignora todos os dias as matanças que por lá se fazem! Os comentadores marxistas, que defendem também as maravilhosas ideologias leninistas, estalinistas, trotskistas, maiostas, chavistas responsáveis pelos genocídios que todos conhecemos da História, indignaram-se coitadinhos e não pouparam críticas severas (deve ser por medo da concorrência). Entretanto, os “humanistas democráticos moderados e tolerantes” ameaçaram de morte o autor da rubrica Bruno de Carvalho e sua família. Mas que hipocrisia monumental é esta?
A ver se nos entendemos: a TVI é uma empresa privada e a decisão boa ou má de trazer este convidado ou outros ao programa, é da sua única e inteira responsabilidade e um direito ao abrigo da liberdade de expressão numa sociedade que se diz democrática. Não coagiram ninguém a assistir ao programa. Há um botão na TV que liga e desliga para quem quiser. Somos livres. Estava enquadrado num programa de entretenimento numa rubrica criminal (repito, criminal). A escolha, mesmo que polémica, não deve ser condicionada porque isso é censura. É o regresso do “lápis azul”. E para quem enche a boca constantemente para relembrar a censura de Salazar, não deixa de ser irónico esta colagem fascista da malta da esquerda ao “ditador”. Decidam-se! Porque se é para proibir os extremistas, proíbam-se TODOS! Ponto.
Tenho tolerância zero à hipocrisia. Não, não sou defensora de extremismos sejam de direita ou esquerda. O que está aqui em causa é a dualidade de critérios que os esquerdistas impõem consoante suas conveniências apelidando de “fofinho” e heróico todo o extremismo CRIMINOSO de esquerda. Só isso. Vamos a exemplos?
Comecemos pelos “artistas” da extrema esquerda do BE e PCP que têm assento no Parlamento e que assumidamente enaltecem, defendem e louvam ditadores assassinos como o foi Fidel Castro, Che Guevara e ainda o são, Nicolás Maduro e Kim Jong-un e que nos entram a toda a hora, pela casa adentro em horário nobre, em tudo quanto é tv, a defender essa ideologia hedionda, que quer no presente quer no passado, exterminou milhões de pessoas (mais de 100 milhões) só para impor à força o comunismo. E pior: só com 8% de votos estão em coligação a decidir (destruir) nossas vidas colados ao Costa, à espera de uma oportunidade para colocar essa ideologia mortífera em prática. Alguém se incomoda com isto?
Depois temos Otelo que foi um dos fundadores das FP25, um grupo terrorista perigoso que assassinou gente só por questões ideológicas nos anos 80 e que não foi condenado porque foi amnistiado por Mário Soares, mas mesmo assim encheu as televisões de entrevistas. Veja aqui mais detalhes sobre o tema. Alguém se incomoda com isto?
Recuando ainda mais no tempo, temos Rolão Preto um líder do Movimento Nacional-Sindicalista inspirado em Hitler que se descrevia como anti-democrático, anti-comunista, anti-burguês, anti-parlamentar, nacionalista, corporativista e familiar. Ou seja um radical extremista que queria derrubar Salazar para impor outra ditadura mais “fofinha” – a dele. Como lutou contra o ditador, Mário Soares acabou por, a título póstumo, condecorá-lo com a Ordem do Infante D. Henrique pelo seu «entranhado amor pela liberdade», leia-se, amor ao poder. Ou seja, Soares condecorou um Nazi português. Alguém se incomodou com isto?
Mais recente, na RTP, uma grande entrevista com Isabel do Carmo, um ex-membro do extinto grupo armado terrorista “Brigadas Revolucionárias” em que ela foi bombista e assaltante de bancos, reconhecendo que incitou à tomada do poder pela violência, diga-se, terrorismo, e que nesse exercício morreu gente inocente, entre elas crianças. Na entrevista que pode ver aqui, não só explicou animadamente como assaltava para financiar as armas e material para fazer bombas, como se se tivesse tratado de uma brincadeira inofensiva de adolescentes, como branqueou completamente a gravidade daquelas acções afirmando que foram para derrubar o Estado Novo e devolver a liberdade. Acontece que este grupo formado em 1973, intensificou suas acções terroristas precisamente depois do 25 Abril, já o governo tinha caído e desmembrou-se para formar as FP25 que actuaram até 1980. Ou seja, o objectivo destes terroristas era tomar o poder absoluto que ainda não tinham conquistado com a revolução dos cravos. Como prémio foi condecorada por Sampaio. Alguém se insurgiu contra esta entrevista?
E para terminar em grande, o famoso Camilo Mortágua a quem já se deu palco nas TV’s, um terrorista da LUAR, também este a tentar impor o comunismo com bombas e sangue e que segundo a filhota foi tudo a “brincar”. Alguém se revolta com isto?
Se demos palco a estes terroristas e ainda deixamos que eles estejam representados no Parlamento a apregoar a ideologia que só se consegue impor com derramamento de sangue, qualquer outro também pode. Vamos lá ser sérios, ok?
A mim não me incomoda que os entrevistem e os mostrem (até agradeço) desde que os jornalistas façam um trabalho exemplar de investigação isento, fazendo o contraditório com perguntas pertinentes e certeiras que ajudem a percebermos quem são realmente estes indivíduos para que possamos fazer um juízo correcto sobre suas acções. Isso é serviço público e pedagógico porque dá a conhecer as personagens, o seu modo de pensar e actuar elucidando-nos sobre suas motivações. É com informação de qualidade, disponível a todos, que se protege a sociedade dos extremismos e não o contrário. Porque esconder aumenta a ignorância e isso sim é perigoso.
O extremo-centro
A frequência do extremo-centro institucionaliza-se com o MEL.
Além de nascer bolorento e com companhias a quem eu nunca compraria um carro em segunda mão, este think-tank que trocou de nome várias vezes desde que Daniel Proença de Carvalho impulsionou as suas actividades, veio recentemente choramingar para o Facebook que a comunicação social é mazinha e os associou à Direita.
Logo vieram pedir desculpa pela ousadia de não dizerem ámen a António Costa e esclarecer, pela pena do seu presidente, que o MEL se pode rever “num governo PS sozinho ou apoiado por forças europeias e progressistas“.
Em reacção ao anúncio de que Francisco Assis deixaria de estar presente na convenção desta agremiação, num lambebotismo meloso e através da mesma rede social, quiseram deixar claro aos olhos de todos os cortesãos que lamentam a decisão deste eurodeputado e o quanto admiram a sua coragem. Acrescentam que Assis e o MEL lutam por “valores comuns da Europa e da Liberdade“, o que atendendo às posições públicas do militante socialista deduzo sejam o Federalismo e maior integração na União Europeia.
Que o MEL não é de Direita, já eu tinha percebido de início, mas os jornalistas parece que não…
Os membros da corte deslumbram-se com a mobilização de “personalidades” e revelam necessidade de ser reconhecidos como relevantes. Julgam-se ungidos por um sentido de “interesse nacional” e sentem no seu íntimo ter “uma ideia para o país”.
Com tamanha amálgama de gente que se vai mostrar na esperança de ser visto na tal convenção, os seus organizadores não percebem que o esterco político que por lá misturam não substitui o cheiro a bolor por um odor mais agradável. Será difícil que gente nova fique imune ao fedor.
O mel guarda-se em potes e muitos esperam a sua vez de se servir do pote.

*
explicar o que é óbvio, excepto para o governo que temos
Mas seria necessário vir o Tribunal de Contas explicar o que é óbvio para qualquer espírito sensato: que o estado não cria riqueza, quando muito, distribui (e mal) parte da que existe? E que para haver distribuição de riqueza, seja pelos mecanismos de intervenção governativa, seja pelo livre jogo do mercado, é preciso que ela seja anteriormente criada? Que, por si mesma, a natureza, por mais generosa que seja, não produz riqueza, e que só o trabalho humano é capaz de a criar? Pois bem, a estratégia do actual governo acreditou que o crescimento económico se fazia a partir de medidas e de políticas intervencionistas, meramente administrativas e legislativas. Por isso, desconsiderou a iniciativa privada, impediu privatizações, combateu legislação amiga de quem quer empreender o seu capital e esforço na criação de riqueza e de empregos, atacou o Alojamento Local e o Turismo, e chegou agora à conclusão de que não tem recursos para manter aquilo que está, infelizmente, sob a sua gestão. Pois não tem. Não tem e não vai ter. E não é somente na Saúde e na Protecção Social que é preciso mais, muito mais dinheiro para que as coisas possam funcionar minimamente: é na CP, na Justiça, na Educação, na Segurança Pública, nos Transportes Públicos, na conservação do Património e das Estradas e Rodovias, etc.. Onde vai, agora, o governo buscar dinheiro que não ajudou a iniciativa privada a criar? Ao Totta? À rotativa, que já não tem (e ainda bem), da Casa da Moeda? Mais uma vez, aos exauridos bolsos dos portugueses, como sugere o relatório do TC? Eu diria que, talvez, mais ano menos ano, ao FMI. Como sempre acontece quando gastamos o que não temos e impedimos que outros criem a riqueza que não possuímos. Nos últimos quarenta anos foi assim por três vezes. Por que motivo há-de ser agora diferente?
O buraco volta a atacar
Isto é maravilhoso!… O Carlos Guimarães Pinto em grande
Mostra a tua que eu mostro a minha
Disseram-me que não é bonito andar aí preocupado com quem dorme com quem, com quem paga férias a quem e com quem recebe presentes de milionários do volfrámio. Nós até podemos desejar que a pessoa com quem dormimos nos arranje um emprego — estilo #MeToo, mas ao contrário — ou nos compre uma estação de televisão ou, quem sabe, um buraco imobiliário para esticarmos os joanetes em frente ao ecrã onde desperdiçamos os últimos anos férteis a assegurar que os maus genes não chegam à geração seguinte. Uma pessoa até pode decidir que a vida glamorosa de Julia Roberts em Pretty Woman é algo que nos apraz, e, nesse caso, quem são os outros para questionar o que cada um decide fazer da sua vida? Então, como me disseram que não é bonito, não o vou fazer: deixo-o para quem sabe.
Portanto, rapazes, ouviram o repto? Mostrem.

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Ano novo, série nova. A partir do próximo post, provavelmente amanhã, uma “História” de Portugal, em fascículos, do Paleolítico até à conquista da 3ª Liga dos Campeões pelo FCP (esta série vai ser longa, o Presidente Pinto da Costa não precisa de se sentir pressionado).
“História” está entre aspas porque não sou historiador. Será, por isso, uma “História” concisa, aproximada e descontraída do nosso país. No entanto, apesar da descontracção, o assunto é sério, sendo por isso involuntárias todas as tolices que forem surgindo. E a resposta é sim: vão, com certeza, surgir bastantes.
Tou, sim? É pra mim!
– Tou?
– Tou.
– Tou?
– Sim! Tou!
– É a Cristina?
– Sou!
– Tou?
– Tou!
– Sou eu, Cristina, quero felicitar-te!
– Quem?
– O presidente da república portuguesa. O Marcelo. O Celinho.
– Celinho! Que surpresa!
– Sim, sim, eu tou agora numa reunião mas tive que te ligar porque…
– Não estava nada à espera…
– …és mesmo muito mais boa do que o Goucha. Boa, boa, boa, mesmo muito b…
– Tou?
– Tou!
– Senhor presidente!
– ..muito muito muito boa apresentadora e quero pedir-te…
– Estamos em directo!
– …se queres vir comigo andar na carriage na big square…
– Vou ter que continuar com o programa…
– …e eu mostro-te a minha presidenciável piro…
– AIIIIII!!!!
– …tecnia governativa. Tenho sempre caralh…
– NÃO!!!
– …ota de Almerim e o chouriço assado para os convidados…
– …
– Tou?
– …
– Tou?
obrigado, presidente marcelo!
Numa época em que as democracias ocidentais são assaltadas por populistas sedentos de popularidade fácil, é um conforto saber que as mais altas instituições políticas portuguesas estão confiadas a personalidades sóbrias, que não utilizam os seus cargos levianamente. Obrigado, Presidente Marcelo!
I just called to say I love you
O populismo e coisa e tal…
Um ‘foda-se’ seguido de uma ‘reflexão para o mais intelectual’
Nota inicial. Fui informado que no Blasfémias podemos fazer uso do vernáculo. Pelos vistos a única coisa que no Blasfémias não podemos ser é liberais…
Foda-se
Numa sociedade que pretende transformar, por decreto, putas em mães de família, foi com grande espanto que verifiquei que os progressistas (alguns padrecos incluídos) duvidam da virgindade carnal de Nossa Senhora. Não percebo porquê!
Num mundo onde todos aparentemente podem ser o que querem, não entendo a dúvida em torno da virgindade de Nossa Senhora. Em primeiro, Nossa Senhora pode ser o que muito bem entender. E se Nossa Senhora quer ser virgem, que seja; em segundo, o povo pode acreditar no que muito bem entender. E se o povo acredita (constrói socialmente, diriam os progressistas) que Nossa Senhora é virgem, pois então não há dúvidas: Nossa Senhora é virgem! Em terceiro, a ‘perda da virgindade’ não passa de mais um dos inúmeros mitos do heteropatriarcado. A virgindade é na verdade uma construção social e só existe enquanto mecanismo de poder do homem-branco sobre a mulher. Aliás, é por isso mesmo que é tão difícil mudar mentalidades, com os ‘maus do costume’ (conservadores, filhos duma grande puta) a não entenderem que a mulher é dona do seu próprio corpo e faz com o mesmo o que muito bem entender. Aliás, a mulher é mulher enquanto lhe der na puta da gana: se um dia quiser ser homem e foder uma cabra (com consentimento da cabra, para sossego do PAN), nada nem ninguém a pode impedir. Este vosso amigo não podia estar mais de acordo! Por isso digo: Nossa Senhora é virgem! Aliás, Nossa Senhora foi a primeira mulher a gritar contra o heteropatriarcado e a dizer: eu sou o que muito bem entender, e por isso vou ser a Mãe de Deus, Virgem Imaculada! Foi Nossa Senhora que quis ser, e por isso foi! Ora aí está o único dogma Católico que nunca, mas nunca, me levantou qualquer tipo de dúvida! Vivam os progressistas!
Reflexão para o mais intelectual
Para o leitor mais incauto, ainda a recuperar dos exageros pecaminosos do Santo Natal, este post tem como contexto vários artigos publicados nos media sobre a Virgindade de Nossa Senhora. Leiam o do Padre Álvaro Balsas, no Observador, que é o melhor de todos; não percam tempo com o artigo do senhor Anselmo Borges, também no Observador, o qual é uma lista de disparates sem nexo.
Não sou teólogo, com grande pena minha. É uma área do saber pela qual tenho imenso respeito. Aliás, tenho mais respeito pela teologia, enquanto forma de saber, do que pela economia, a qual não tem, para mim, interesse absolutamente nenhum. Com excepção de algumas formas de fazer história económica, como a da Deirdre McCloskey. Não vou por isso comentar o dogma da Virgindade de Nossa Senhora. Limito-me a aprender com quem sabe mais do que eu.
O que me parece importante realçar do debate em torno deste dogma Católico é a crispação que gerou. De um lado temos pseudo-católicos, alguns infelizmente padres, que ao fim de todo este tempo ainda não tinham percebido que a Fé Católica é dogmática. Mas qual era a dúvida? Do outro lado temos os do costume, progressistas e ateus pseudo-cientistas. Aos progressistas já disse o que tinha a dizer e é um grande ‘foda-se!’; aos ateus pseudo-cientistas convém recordar o seguinte: é tão absurdo acreditar em Deus como não acreditar. É este pequeno pormenor que escapa aos pequeninos, e que o Padre Álvaro Balsas colocou de forma brilhante quando, no final do seu artigo no Observador, diz: ‘Sendo um “fenómeno” irrepetível, não entra no conjunto de fenómenos que podem ser estudados pelas ciências naturais, esses sim, repetíveis e quantificáveis.’
Muitos outros fenómenos que fazem parte da vida são também eles irrepetíveis. Os fenómenos ligados ao tempo (não falo da mitologia construída em torno das mudanças climáticas, mas do que conhecemos como experiência do passado, do presente e do futuro) são disso exemplo: nenhuma forma de saber capta o tempo na sua plenitude, nem sequer a física (muito menos a economia, a qual nem se apercebeu que o tempo existe quanto mais tentar compreender o fenómeno…). A tentativa de classificar como importante somente aquilo que é passível de ser captado pelas ciências naturais é, no mínimo, perigoso. No limite é próprio de ignorantes!
Acreditar em Deus não é algo que se coloque no plano da racionalidade das ditas ciências naturais (as quais primam por ser aborrecidas ao ponto de nos fazerem acreditar no Diabo…). Por isso é tão absurdo acreditar como não acreditar. Torna-se por isso incompreensível que aqueles que acreditam sejam sistematicamente tomados por imbecis (os Católicos, porque para os outros é só compreensão, muita paz e amor…). Atacar os crentes, independentemente da sua religião, tentando mostrar a irracionalidade científica daquilo em que acreditam, é de uma ignorância atroz… mais não seja porque a ciência nunca demonstrou a existência de Deus, tal como não consegue demonstrar que Deus não existe. Daí o absurdo… Por isso é tão absurdo acreditar na Virgindade de Nossa Senhora como é não acreditar. É pena que isto tenha sido esquecido: lembrar pode ser que traga um pouco mais de elegância e respeito.
Bloco de Esquerda & Você na TV (TVI)
Revista Sábado 19 de Maio de 2018:
Em sete anos, as FP 25 mataram quatro militares da GNR e um agente da Polícia Judiciária (PJ); executaram com dois tiros na nuca o director-geral dos Serviços Prisionais, Gaspar Castelo-Branco; e com uma rajada de pistola-metralhadora o primeiro “arrependido”, José Barradas, que terá prestado as informações fundamentais para a PJ montar a Operação Orion; atingiram mortalmente um cliente de um banco e dispararam contra um popular que, de pistola em punho, tentou enfrentar um grupo que assaltava outro banco. Mas a vítima mais chocante, no que foi logo considerado um “engano” pela organização, foi o bebé de quatro meses, que morreu na sequência da explosão do engenho explosivo colocado na casa de um agricultor de S. Manços. Além de 13 homicídios, “castigaram” com tiros no joelho e feriram com disparos sem esta pontaria certeira empresários, administradores e agrários na sequência de conflitos laborais, colocando ainda explosivos em automóveis e residências, bem como em quartéis da GNR, sendo contabilizados 66 atentados à bomba. Simultaneamente, procediam à “expropriação” de bancos e outras “acções de subsistência”, roubando até empresas que se preparavam para pagar os salários no fim do mês. A operação mais aparatosa, entre os 99 assaltos, foi a que capturou, em pleno centro de Lisboa, uma carrinha de transporte de valores com 108 mil contos (538.701,70 euros), que, em 1984, era muito dinheiro.
Indulto do Presidente da República, Dezembro 1995:

Lusa/Diário de Notícias 20 de Abril de 2010:
Luís Gobern Lopes, um dos fundadores das FP 25 e o primeiro a assumir-se em julgamento como membro da organização, afirmou, em entrevista à Lusa, que “no contexto em que surgiram, as FP-25 tinham um propósito forte”, acrescentando que, embora não se sinta arrependido, reconhece que houve momentos em que a organização perdeu o pé. “Situando-me na altura em que as coisas ocorreram, considerando a forma como eu pensava, como eu sentia, como eu via as coisas, não posso dizer que me arrependa de nada. Não tenho de que me arrepender. Todas as coisas foram feitas com uma atitude consciente. Talvez o trajecto que depois levaram é que se desvirtuou”, disse.
Maio de 2017, candidatura autárquica do Bloco de Esquerda ao Barreiro:

Comentários de dirigentes do Bloco de Esquerda sobre entrevista há dias na TVI no programa de Manuel Luís Goucha – “Você na TV” – a um condenado por homicídio e envolvimento na morte de Alcino Monteiro e indivíduo que cumpriu pena por diversos outros crimes nomeadamente roubo, sequestro, coacção e posse ilegal de arma.

A duplicidade de critério e a falta de vergonha na cara dos bloquistas surpreende?
A mim, não!
Há homicídios “bons” e homicídios maus?
*
Os caça-fantasmas
Liberdade de concorrência
Portanto a extrema-esquerda que faz parte do governo, tem assento no conselho de estado, nas fundações do regime e controla os departamentos de várias universidades está em fúria e grita que a liberdade está em risco em Portugal porque um militante de extrema-direita foi à televisão?
É uma questão de livre concorrência. E não me venham com a conversa do se é possível debater com o Mário Machado. Deve ser tão frustrante debater com o Mário Machado como com o Arnaldo de Matos ou a Joana Mortágua.