Oh Catarina! O Estado não dá lucro!
Catarina Martins e Marisa Matias, duas “mentes raras” do partido de extrema esquerda portuguesa, o Bloco de Esquerda, saíram-se com uma pérola digna de registo. Num vídeo (veja aqui) Marisa conseguiu em 1:19 min dizer uma mão cheia de mentiras sem se rir. Espectacular! Explicou aos idiotas que a querem ouvir que o Tratado Orçamental assinado em 2012 pelo anterior executivo é o responsável pela austeridade que se vive em Portugal retirando rendimentos às famílias e que Portugal tem lucro de 6 mil milhões de euros mas que por causa da dívida terá de entregar às instituições financeiras 8 mil milhões que fazem falta ao país. Finaliza dizendo que a austeridade não é solução e por isso se vai opor a que o tratado orçamental seja lei europeia. Excitada com esta intervenção “brilhante” da camarada, Catarina escreveu este “magnífico” e elucidativo tweet: “”Como a Marisa explica, “um segredo bem escondido é que Portugal dá lucro. O excedente primário do OE será de 6 mil milhões de euros mas devido ao serviço da dívida, mais de 8 mil milhões será canalizados para o sistema financeiro. Pouco menos do que investimos no SNS”. Uau! Batam palmas à estupidez estratosférica disto!
A primeira grande mentira do vídeo é que a austeridade nunca foi nem nunca será uma consequência do Tratado Orçamental de 2012. A verdade incontornável que por muito que os camaradas se contorcem jamais irão conseguir alterar é que, as severas medidas que os portugueses tiveram de suportar na carne com todas as consequências nefastas para as suas vidas pessoais e empresas, foi consequência da irresponsabilidade criminosa de um ex governante e seus lacaios que sob uma impunidade total, desbarataram biliões de recursos financeiros do país com negócios ruinosos e desvios para offshores, deixando-o em falência técnica. Ainda no governo, esse mesmo ex governante viu-se obrigado a estancar o “sangramento financeiro” impondo cortes salariais, cortes em reformas, cortes em subsídios, aumento de IVA e outros impostos. (Recorde esse precioso momento aqui). Portanto, a austeridade severa, diga-se, terapia de choque de rigor orçamental, que tivemos de suportar foi consequência da bancarrota e não do tratado em si.
A segunda grande mentira é de que Portugal dá lucro. Ora se estupidez pagasse dívida soberana (quem dera), só com isto ficávamos superavit! Então desde quando é que um Estado tem capital próprio e com ele cria riqueza? É para rir? Bom, se era humor, foi bem conseguido porque na verdade o Estado gere os impostos que colecta das famílias e empresas. Esse dinheiro arrancado ao contribuinte e que é retirado ao seu orçamento, tenha ele excedentes ou não, é que enche os cofres do país. Esses impostos alimentam a máquina do Estado, que dá apenas despesa, para assegurar um determinado número de serviços. Até as empresas públicas que deveriam imperiosamente ter saldo positivo, só dão prejuízos elevados cuja factura é suportada pelos do costume: os cidadãos. O mais recente e vergonhoso caso foi o da CGD com a injecção de 5 mil milhões de euros de impostos!
A terceira grande mentira é sobre o excedente de 6 mil milhões que a Catarinocas diz haver. O que se deve a fornecedores e outros credores nunca pode ser dissociado das contas finais. Se há dívidas elas entram no balanço e só depois se vê o saldo: é positivo, há excedente; é negativo há prejuízo. Mais: se Portugal recorreu a empréstimos foi porque não tinha liquidez. Se não tinha liquidez é porque tinha despesas mais altas que receitas e foi neste desequilíbrio financeiro que se deu o fenómeno a que já nos habituamos: falência. Afirmar que há excedentes com todos os pagamentos cativados que colocaram todas as instituições do Estado em crise financeira, e contínuos pedidos de empréstimos, é brincar com a nossa inteligência. Todos nós, por esta teoria, seríamos milionários se nos limitássemos a receber salário, pedir empréstimos bancários sem pagar uma única despesa.
Aprenda de uma vez que o Estado não é rico porque a riqueza é roubada ao cidadão que a produz. Que enquanto a empresa quanto maior for o lucro mais prospera e cresce, porque resulta de uma mais valia, o Estado quanto mais cresce maior é o confisco, maior é a asfixia económica e menos prospera. É um parasita que sem o confisco ao contribuinte não sobreviveria nem um dia. Enquanto a empresa vive da aquisição voluntária dos seus produtos ou serviços pelo cliente, o Estado vive de roubo que destrói e mata toda a economia, ou seja, seus “clientes”. Exactamente o inverso das empresas.
Se houvesse realmente grandes excedentes nas contas do Estado isso só significaria que se estava a cobrar mais impostos do que os necessários. E aí a redução da carga fiscal teria de ser ponderada. Porquê? Porque receita de impostos não é lucro.
São estas pessoas que além destas mentiras todas, afirmam que a austeridade não é solução – mas viabilizaram-na nos OE de Centeno – se dizem estar preparados para governar.
Tenham medo. Muito muito medo.
dois caminhos
A partir de hoje, há duas estratégias assumidas no PSD: uma, de Rui Rio, aposta num entendimento com António Costa e numa reedição do Bloco Central, que poderá ter base simplesmente parlamentar, como a actual geringonça, ou mesmo ministerial, caso o PSD consiga uma resiliência eleitoral que, por ora, não aparenta; outra, protagonizada por Luís Montenegro e, provavelmente, por Miguel Morgado, que fará o PSD alinhar com a direita, com o CDS e a Aliança, formando um bloco político alternativo ao que está no governo.
A clarificação é sempre bem vinda em política, e Montenegro proporcionou, hoje, a Rui Rio, uma oportunidade única para afirmar o seu projecto político perante o país e um partido que anodinamente gere há um ano.
Por isso, parece uma estratégia profundamente errada, a que ele está a seguir, de acusar Montenegro de ser apenas um veículo de interesses pessoais e egoístas de deputados que não querem perder os seus lugares. Todos os seus apaniguados o têm repetido, orquestradamente, na comunicação social, desde a conferência de imprensa do Centro Cultural de Belém, mas qualquer pessoa sensata sabe bem que o problema do PSD – e da sua liderança – está longe de se esgotar nisso. Antes fosse. Como também será absurdo que Rio mantenha o seu habitual sorriso fechado de Gioconda, tentando passar ao lado de um problema real, que preocupa os militantes e eleitores do PSD, e não vá a terreno esclarecer o que, de facto, quer para o partido e para o próximo governo de Portugal. Rui Rio não pode ignorar que, desde que é presidente do PSD, o partido tem caído nas sondagens e, por sua culpa exclusiva, provocou a cisão da Aliança e a saída de Pedro Santana Lopes, que o tinha apoiado lealmente depois da derrota. É verdade que ele tem todo o direito de seguir a estratégia política que entender. De se encostar à esquerda e ignorar a direita. De se dispor a apoiar o governo e, até, de viabilizar projectos legislativos do Bloco. De ter importantes apoiantes a dizer que preferem um PSD pequeno a um PSD identificado com a direita. O que não pode é estranhar que lhe peçam responsabilidades por isso.
Montenegro: aquém do esperado
O discurso de candidatura de Luís Montenegro fez sentido na parte em que identificou a letargia taciturna do baronato balofo do PSD, personificado em Rui Rio. Foi um discurso interessante, com pontos muito válidos, mas não deixou de saber a pouco. Algumas das preocupações que Montenegro exprimiu pareceram uma prova de degustação gourmet: pratos minusculos, porém vistosos, com nomes mais longos que a sensação de satisfação que originam.
A inteligência artificial? O empreendedorismo? A falta de regulação de negócios na internet? Nada disto corresponde a questões com qualquer importância. Perante o risco de incêndio anunciado, ninguém se mobiliza para discutir a tragédia que será limpar a tinta feita por encomenda da marquise. Luís Montenegro falou, mas para um certo PSD habituado a alguma palha discursiva, exacerbando um voluntarismo pouco direccionado para as grandes questões. Europa, imigração, o sufoco fiscal, apesar de mencionados de raspão, obtiveram o mesmo destaque que a inteligência artificial e os negócios da internet. É pena: foi pouco e errou liminarmente ao referir mais regulação num país que até regula se um indivíduo pode expressar ideias no programa do Goucha.
Precisamos de mais. Muito mais. Precisamos que o discurso seja para pessoas reais, mobilizáveis, não um discurso baseado em clichés de brainstorming colectivos pouco editados. De qualquer das formas, está dado o mote: ainda há tempo para melhorar.
sensação de déjà vu
Um antigo presidente de Câmara de uma cidade ribeirinha do Douro ascende à liderança de um grande partido nacional. Incapaz de satisfazer a oposição interna, à qual se juntam até alguns dos seus apoiantes, é substituído, sem honra nem glória, antes sequer de ter tido a oportunidade de ver o partido participar em eleições nacionais.
Análise: futuro do PSD e novos partidos
Arrisco armar-me em politólogo:
Depois da reacção de Luis Montenegro às declarações de Manuela Ferreira Leite, o anúncio da sua intenção de disputar a liderança do PSD não poderia passar deste fim-de-semana, sob pena de passar uma imagem de protagonista fraco e temeroso.
Perdeu, no entanto, a oportunidade de anunciar já ontem em conferência de imprensa que poderia ter organizado e chegar hoje à convenção do MEL já como “candidato” e mostrar nas televisões as “Cortes” a ouvi-lo.
Neste momento, a melhor hipótese de sobrevivência de Rui Rio à frente do partido será, a meu ver, também a pior notícia para a Direita. Ou seja, se Rio quiser maximizar as probabilidades de continuar presidente deverá permitir que eleições internas ocorram ainda antes das Europeias. Se pretender “vingar-se” dos críticos, o ideal para ele será convocar eleições também já e anunciar que não disputará a liderança, deixando Montenegro, Morgado ou outro que avance “queimar-se” com o resultado do PSD no próximo acto eleitoral para o Parlamento Europeu.
O melhor cenário para Montenegro será Rui Rio fazer birra e convocar eleições apenas após as Europeias, mas aí terá certamente uma contenda com outros nomes, nomeadamente Morgado.
Para este último, o que talvez mais lhe convenha é o mesmo que Montenegro, com a diferença de que Morgado se pouparia a desgaste imediato, mantendo-se na sombra até ser conhecido o resultado das Europeias.
Depois das Europeias, tanto Morgado como Montenegro (ou outros) terão uma tarefa hercúlea e sob alta pressão de tempo para juntar os cacos do PSD de forma a não ter um resultado desastroso para a Assembleia da República.
Quanto aos novos partidos Iniciativa Liberal e Aliança, julgo que só sobreviverão após as Legislativas se até lá Rio se mantiver à frente do PSD. Ambos terão de ir a votos nas Europeias, (independentemente de quando haja eleições no PSD) sob pena de defraudarem as elevadas expectativas dos seus apoiantes em tirar teimas e ver quanto valem em votos.
Se houver novo líder do PSD (antes ou depois das Europeias) tanto o Aliança como o Iniciativa Liberal terão muita dificuldade em congregar os descontentes com a liderança de Rio e/ou os agora abstencionistas. Neste quadro, o Aliança poderá fazer uma coligação para as legislativas com qualquer dos novos líderes do PSD. Quanto ao IL, será mais fácil com Morgado, mas uma coligação será um balde de água fria para quem lutou por algo fora do sistema.
Entretanto, se Costa tiver a sorte de conseguir continuar a mascarar razoavelmente a realidade do país, pior para todos nós.
Os tempos não se avizinham famosos e restam-me apenas dúvidas sobre o momento da grande queda que aí virá.
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o homem certo
Depois dos sucessos alcançados nos incêndios de 2017, na aquisição de comboios para resolver os problemas da CP, que, espera-se, sejam entregues em 2026, no novo Aeroporto de Lisboa que ninguém sabe quando abrirá e se abrirá, na gestão e aplicação de fundos comunitários que ainda não temos, nas inaugurações de obras inexistentes, não há duvida que o ministro Pedro Marques é o homem certo para ser o cabeça da lista candidata, pelo PS, a essa outra ficção política que é o Parlamento Europeu.
Finalmente!
Congratulo Luís Montenegro e Miguel Morgado, a julgar pelas notícias, pelo serviço que prestam à nação ao levarem o maior partido nacional, aquele com maior representação no eleitorado não-pendura, a clarificar que há um rumo para o país que não seja o de rastejar à mesa pelas migalhas que possam pingar da Europa e dos tipos que se esmifram na suas profissões liberais para chegarem com trocos ao fim do mês após o esbulho fiscal que penaliza tudo que não seja corte, a de Lisboa ou de Formentera.
Rui Rio, homem que sempre sublinhou a necessidade de transparência, irá, com toda a certeza, submeter-se ao escrutínio da sua paupérrima capacidade de mobilização contra este putrefacto estado de lambecuzismo do “estrito centro” em que a Intelligentsia mediática chafurda.
o psd é de esquerda?

De há uns anos para cá, começou a disseminar-se o mito de que o PSD nunca foi um partido da direita do regime democrático fundado com a Constituição de 1976.
Esse mito foi criado por figuras que ficaram na periferia do passismo, que tinham ganho alguma visibilidade durante o cavaquismo e procuraram tomar o partido na liderança de Manuela Ferreira Leite, entre elas José Pacheco Pereira. Essa versão enviesada da história do PSD teve eco, naturalmente oportunista, nos salões do PS, a quem convinha fazer de Pedro Passos Coelho um «extremista neoliberal», que renegava a tradição social-democrata, supostamente de centro-esquerda, do partido.
Nada há mais falso do que isto.
Independentemente do conceito de «direita» que se queira adoptar, admitindo que nas experiências governativas mais expressivas do PSD – os governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso (o de Passos não conta, porque foi um governo que teve de cumprir um programa de ajustamento financeiro que lhe foi imposto de fora) o partido foi sempre, desde a sua fundação, em 1974, um partido da direita, da pequena e média burguesia que queria e quer prosperar no mercado e numa economia em que o estado compareça o mínimo possível.
Foi essa direita sociológica eleitoral que aguentou Francisco Sá Carneiro contra as derivas social-democratas e esquerdistas dos «Inadiáveis» e de Balsemão, que impôs ao país a solução reformista, de direita e não socialista, da Aliança Democrática, em 1979, que levou Cavaco Silva ao poder contra a solução social-democrata do Bloco Central, em 1985, que deu a vitória a Durão Barroso e ao seu «choque fiscal», logo imediatamente traído, a seguir às eleições, por Manuela Ferreira Leite, em 2002, que quis Santana e Passos Coelho à frente dos destinos do partido, da Câmara de Lisboa e do país, em 2002 e 2011. Dizer que Francisco Sá Carneiro era um social-democrata, quase um socialista, em 74 e 75, é, obviamente, uma fraude histórica, quer pelas contingências políticas em que se vivia nesse tempo, quer, sobretudo, porque Sá Carneiro levou o PSD ao poder, logo em 1980, com uma coligação com o CDS e o PPM exactamente com o objectivo de desmantelar o socialismo que tinha sido imposto ao país, o que começou a fazer, até morrer dramaticamente.
É verdade que houve sempre, no PSD, uma segunda via mais esquerdista muito próxima do PS, desde logo na repartição de interesses do estado. Na fundação do partido, ainda ele era PPD, foi Francisco Pinto Balsemão quem a protagonizou. Balsemão que nunca se entusiasmou com a AD e por muito pouco não cau nos braços dos «Inadiáveis». Que apoiou Salgueiro, que queria Soares na presidência, contra Cavaco, que tinha um Freitas de outras eras como candidato a Belém. No Porto, este grupo estava ligado a Miguel Veiga e, numa ala mais juvenil, a Rui Rio. Cavaco Silva afastou-os quando chegou ao poder e, para seu desespero, constituiu a sua própria elite dirigente, onde pontificavam Fernando Nogueira, Dias Loureiro, Leonor Beleza, Miguel Cadilhe e Durão Barroso. Mas não deu qualquer protagonismo à facção histórica mais à esquerda do partido, o que, de resto, lhe valeu sempre a antipatia de Balsemão e dos órgãos de comunicação social por si controlados. Até ganhar, quase acidentalmente, a Câmara do Porto (com o apoio de Miguel Veiga e a indiferença da quase totalidade do aparelho local do partido), a facção social-democrata/esquerdista do PSD nunca ocupara postos de efectiva relevância no país. Exceptuando-se, obviamente, os governos Balsemão, de resto, com destino trágico. Só nesse momento é que Rui Rio, que sempre fora minoritário no Porto, passou a ter algum peso específico no partido e, com ele, algumas figuras subalternas, como Manuela Ferreira Leite e José Pacheco Pereira. Mas, de resto, nunca nenhuma dessas figuras da ala esquerda do partido foi capaz de ganhar uma eleição nacional ou de grande expressão local.
A verdadeira natureza ideológica e política do PSD está, portanto, no centro-direita e no centro, e muito residualmente no centro-esquerda. É assim que a maioria do eleitorado sempre olhou para esse partido, e é essa a razão que explica a sensação contra-natura com que é percepcionada esta liderança de Rui Rio, sempre encostado ao PS, sem uma agenda reformista que se veja e permanentemente a renegar todas as bandeiras políticas de uma direita mais liberal. É, obviamente por isso, que o PSD desce nas sondagens, mesmo perante um governo vulnerável do Partido Socialista.
Por isso é uma satisfação, quase um alívio, ver Luís Montenegro e de Miguel Morgado a candidatarem-se a líderes do PSD. Esperemos que um dos dois, ou os dois em bom entendimento, recoloquem o PSD naquele que é o seu espaço natural: o centro-direita reformista.
“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal (1)

Naquela que ficou para a história como a primeira colectânea de rap português (o álbum Rapública, lançado em 1994), o tema Nadar, do grupo Black Company, assumiu um lugar de grande destaque, tendo-se tornado num êxito nacional. A expressão “não sabe nadar, yo” entrou de rompante no dia-a-dia e era partilhada por diversas gerações nos mais variados contextos. Não foi assim de estranhar que já em 1995, no meio de um intenso duelo entre as gravuras rupestres encontradas no vale do rio Côa e a barragem da EDP que as ia submergir, o grito “as gravuras não sabem nadar” tenha sido lançado pelos movimentos de defesa daquelas milenares obras de arte.
Durante o apaixonado debate dessa época, que contou com a participação de numerosos especialistas nacionais e estrangeiros, todo o país foi atingido por informação e conceitos normalmente afastados do quotidiano. Era possível, por esses dias, intercalar conversas de café sobre a última jornada do campeonato de futebol com trocas de argumentos sobre a importância da arte rupestre e do Paleolítico Superior. Quando a idade de algumas das figuras foi calculada pelos arqueólogos em cerca de 20 000 anos, os portugueses mostraram-se surpreendidos, e logo começaram as piadas sobre a antiguidade da presença de “artistas” no nosso território. Uma certa ideia de ancianidade da nação, já bem presente no imaginário colectivo, saiu reforçada, como se os homens que gravaram as rochas do Côa fossem portugueses de gema, trabalhando a pedra com um palito no canto da boca enquanto deitavam o canto do olho às moças que passavam.
É por isso importante salientar que os artistas em causa (agora sem aspas) não eram portugueses; que o famoso Viriato, muitas vezes apresentado como uma espécie de avozinho da nação, também não era português; e que o próprio D. Afonso Henriques, tendo evidentemente morrido na condição de português, nasceu numa “zona cinzenta” capaz de propiciar debates infinitos sobre a identidade nacional e as origens do nosso país. Como afirmam alguns historiadores, não há portugueses antes de haver Portugal. E a construção de Portugal como país independente foi um processo longo e sinuoso, muito mais dependente da força de alguns homens do que de uma marcada identidade étnica, cultural ou geográfica, realçando-se que essa força era não só de vontade como também física, pois, sem algum gosto e jeito para a pancadaria, não teria havido independência para ninguém.
O extremismo, quando é de esquerda, é “fofinho”
A TVI, na sua crónica criminal (sim, criminal) do programa Você na TV, subordinada ao tema “Precisamos de um novo Salazar?”, decidiu convidar Mário Machado um ex-recluso e antigo líder do movimento Portugal Hammerskins (PHS) para uma entrevista. Imediatamente foi o fim do mundo! O PCP (sim esse!) pediu uma audiência urgente da ERC afirmando que “a Assembleia da República, enquanto órgão de soberania representativo da democracia portuguesa, não deve permanecer indiferente perante atentados aos valores democráticos e humanistas” quando é o próprio a defender e louvar as ditaduras sanguinárias que nada têm de humanistas e ignora todos os dias as matanças que por lá se fazem! Os comentadores marxistas, que defendem também as maravilhosas ideologias leninistas, estalinistas, trotskistas, maiostas, chavistas responsáveis pelos genocídios que todos conhecemos da História, indignaram-se coitadinhos e não pouparam críticas severas (deve ser por medo da concorrência). Entretanto, os “humanistas democráticos moderados e tolerantes” ameaçaram de morte o autor da rubrica Bruno de Carvalho e sua família. Mas que hipocrisia monumental é esta?
A ver se nos entendemos: a TVI é uma empresa privada e a decisão boa ou má de trazer este convidado ou outros ao programa, é da sua única e inteira responsabilidade e um direito ao abrigo da liberdade de expressão numa sociedade que se diz democrática. Não coagiram ninguém a assistir ao programa. Há um botão na TV que liga e desliga para quem quiser. Somos livres. Estava enquadrado num programa de entretenimento numa rubrica criminal (repito, criminal). A escolha, mesmo que polémica, não deve ser condicionada porque isso é censura. É o regresso do “lápis azul”. E para quem enche a boca constantemente para relembrar a censura de Salazar, não deixa de ser irónico esta colagem fascista da malta da esquerda ao “ditador”. Decidam-se! Porque se é para proibir os extremistas, proíbam-se TODOS! Ponto.
Tenho tolerância zero à hipocrisia. Não, não sou defensora de extremismos sejam de direita ou esquerda. O que está aqui em causa é a dualidade de critérios que os esquerdistas impõem consoante suas conveniências apelidando de “fofinho” e heróico todo o extremismo CRIMINOSO de esquerda. Só isso. Vamos a exemplos?
Comecemos pelos “artistas” da extrema esquerda do BE e PCP que têm assento no Parlamento e que assumidamente enaltecem, defendem e louvam ditadores assassinos como o foi Fidel Castro, Che Guevara e ainda o são, Nicolás Maduro e Kim Jong-un e que nos entram a toda a hora, pela casa adentro em horário nobre, em tudo quanto é tv, a defender essa ideologia hedionda, que quer no presente quer no passado, exterminou milhões de pessoas (mais de 100 milhões) só para impor à força o comunismo. E pior: só com 8% de votos estão em coligação a decidir (destruir) nossas vidas colados ao Costa, à espera de uma oportunidade para colocar essa ideologia mortífera em prática. Alguém se incomoda com isto?
Depois temos Otelo que foi um dos fundadores das FP25, um grupo terrorista perigoso que assassinou gente só por questões ideológicas nos anos 80 e que não foi condenado porque foi amnistiado por Mário Soares, mas mesmo assim encheu as televisões de entrevistas. Veja aqui mais detalhes sobre o tema. Alguém se incomoda com isto?
Recuando ainda mais no tempo, temos Rolão Preto um líder do Movimento Nacional-Sindicalista inspirado em Hitler que se descrevia como anti-democrático, anti-comunista, anti-burguês, anti-parlamentar, nacionalista, corporativista e familiar. Ou seja um radical extremista que queria derrubar Salazar para impor outra ditadura mais “fofinha” – a dele. Como lutou contra o ditador, Mário Soares acabou por, a título póstumo, condecorá-lo com a Ordem do Infante D. Henrique pelo seu «entranhado amor pela liberdade», leia-se, amor ao poder. Ou seja, Soares condecorou um Nazi português. Alguém se incomodou com isto?
Mais recente, na RTP, uma grande entrevista com Isabel do Carmo, um ex-membro do extinto grupo armado terrorista “Brigadas Revolucionárias” em que ela foi bombista e assaltante de bancos, reconhecendo que incitou à tomada do poder pela violência, diga-se, terrorismo, e que nesse exercício morreu gente inocente, entre elas crianças. Na entrevista que pode ver aqui, não só explicou animadamente como assaltava para financiar as armas e material para fazer bombas, como se se tivesse tratado de uma brincadeira inofensiva de adolescentes, como branqueou completamente a gravidade daquelas acções afirmando que foram para derrubar o Estado Novo e devolver a liberdade. Acontece que este grupo formado em 1973, intensificou suas acções terroristas precisamente depois do 25 Abril, já o governo tinha caído e desmembrou-se para formar as FP25 que actuaram até 1980. Ou seja, o objectivo destes terroristas era tomar o poder absoluto que ainda não tinham conquistado com a revolução dos cravos. Como prémio foi condecorada por Sampaio. Alguém se insurgiu contra esta entrevista?
E para terminar em grande, o famoso Camilo Mortágua a quem já se deu palco nas TV’s, um terrorista da LUAR, também este a tentar impor o comunismo com bombas e sangue e que segundo a filhota foi tudo a “brincar”. Alguém se revolta com isto?
Se demos palco a estes terroristas e ainda deixamos que eles estejam representados no Parlamento a apregoar a ideologia que só se consegue impor com derramamento de sangue, qualquer outro também pode. Vamos lá ser sérios, ok?
A mim não me incomoda que os entrevistem e os mostrem (até agradeço) desde que os jornalistas façam um trabalho exemplar de investigação isento, fazendo o contraditório com perguntas pertinentes e certeiras que ajudem a percebermos quem são realmente estes indivíduos para que possamos fazer um juízo correcto sobre suas acções. Isso é serviço público e pedagógico porque dá a conhecer as personagens, o seu modo de pensar e actuar elucidando-nos sobre suas motivações. É com informação de qualidade, disponível a todos, que se protege a sociedade dos extremismos e não o contrário. Porque esconder aumenta a ignorância e isso sim é perigoso.
O extremo-centro
A frequência do extremo-centro institucionaliza-se com o MEL.
Além de nascer bolorento e com companhias a quem eu nunca compraria um carro em segunda mão, este think-tank que trocou de nome várias vezes desde que Daniel Proença de Carvalho impulsionou as suas actividades, veio recentemente choramingar para o Facebook que a comunicação social é mazinha e os associou à Direita.
Logo vieram pedir desculpa pela ousadia de não dizerem ámen a António Costa e esclarecer, pela pena do seu presidente, que o MEL se pode rever “num governo PS sozinho ou apoiado por forças europeias e progressistas“.
Em reacção ao anúncio de que Francisco Assis deixaria de estar presente na convenção desta agremiação, num lambebotismo meloso e através da mesma rede social, quiseram deixar claro aos olhos de todos os cortesãos que lamentam a decisão deste eurodeputado e o quanto admiram a sua coragem. Acrescentam que Assis e o MEL lutam por “valores comuns da Europa e da Liberdade“, o que atendendo às posições públicas do militante socialista deduzo sejam o Federalismo e maior integração na União Europeia.
Que o MEL não é de Direita, já eu tinha percebido de início, mas os jornalistas parece que não…
Os membros da corte deslumbram-se com a mobilização de “personalidades” e revelam necessidade de ser reconhecidos como relevantes. Julgam-se ungidos por um sentido de “interesse nacional” e sentem no seu íntimo ter “uma ideia para o país”.
Com tamanha amálgama de gente que se vai mostrar na esperança de ser visto na tal convenção, os seus organizadores não percebem que o esterco político que por lá misturam não substitui o cheiro a bolor por um odor mais agradável. Será difícil que gente nova fique imune ao fedor.
O mel guarda-se em potes e muitos esperam a sua vez de se servir do pote.

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explicar o que é óbvio, excepto para o governo que temos
Mas seria necessário vir o Tribunal de Contas explicar o que é óbvio para qualquer espírito sensato: que o estado não cria riqueza, quando muito, distribui (e mal) parte da que existe? E que para haver distribuição de riqueza, seja pelos mecanismos de intervenção governativa, seja pelo livre jogo do mercado, é preciso que ela seja anteriormente criada? Que, por si mesma, a natureza, por mais generosa que seja, não produz riqueza, e que só o trabalho humano é capaz de a criar? Pois bem, a estratégia do actual governo acreditou que o crescimento económico se fazia a partir de medidas e de políticas intervencionistas, meramente administrativas e legislativas. Por isso, desconsiderou a iniciativa privada, impediu privatizações, combateu legislação amiga de quem quer empreender o seu capital e esforço na criação de riqueza e de empregos, atacou o Alojamento Local e o Turismo, e chegou agora à conclusão de que não tem recursos para manter aquilo que está, infelizmente, sob a sua gestão. Pois não tem. Não tem e não vai ter. E não é somente na Saúde e na Protecção Social que é preciso mais, muito mais dinheiro para que as coisas possam funcionar minimamente: é na CP, na Justiça, na Educação, na Segurança Pública, nos Transportes Públicos, na conservação do Património e das Estradas e Rodovias, etc.. Onde vai, agora, o governo buscar dinheiro que não ajudou a iniciativa privada a criar? Ao Totta? À rotativa, que já não tem (e ainda bem), da Casa da Moeda? Mais uma vez, aos exauridos bolsos dos portugueses, como sugere o relatório do TC? Eu diria que, talvez, mais ano menos ano, ao FMI. Como sempre acontece quando gastamos o que não temos e impedimos que outros criem a riqueza que não possuímos. Nos últimos quarenta anos foi assim por três vezes. Por que motivo há-de ser agora diferente?
O buraco volta a atacar
Isto é maravilhoso!… O Carlos Guimarães Pinto em grande
Mostra a tua que eu mostro a minha
Disseram-me que não é bonito andar aí preocupado com quem dorme com quem, com quem paga férias a quem e com quem recebe presentes de milionários do volfrámio. Nós até podemos desejar que a pessoa com quem dormimos nos arranje um emprego — estilo #MeToo, mas ao contrário — ou nos compre uma estação de televisão ou, quem sabe, um buraco imobiliário para esticarmos os joanetes em frente ao ecrã onde desperdiçamos os últimos anos férteis a assegurar que os maus genes não chegam à geração seguinte. Uma pessoa até pode decidir que a vida glamorosa de Julia Roberts em Pretty Woman é algo que nos apraz, e, nesse caso, quem são os outros para questionar o que cada um decide fazer da sua vida? Então, como me disseram que não é bonito, não o vou fazer: deixo-o para quem sabe.
Portanto, rapazes, ouviram o repto? Mostrem.

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Ano novo, série nova. A partir do próximo post, provavelmente amanhã, uma “História” de Portugal, em fascículos, do Paleolítico até à conquista da 3ª Liga dos Campeões pelo FCP (esta série vai ser longa, o Presidente Pinto da Costa não precisa de se sentir pressionado).
“História” está entre aspas porque não sou historiador. Será, por isso, uma “História” concisa, aproximada e descontraída do nosso país. No entanto, apesar da descontracção, o assunto é sério, sendo por isso involuntárias todas as tolices que forem surgindo. E a resposta é sim: vão, com certeza, surgir bastantes.
Tou, sim? É pra mim!
– Tou?
– Tou.
– Tou?
– Sim! Tou!
– É a Cristina?
– Sou!
– Tou?
– Tou!
– Sou eu, Cristina, quero felicitar-te!
– Quem?
– O presidente da república portuguesa. O Marcelo. O Celinho.
– Celinho! Que surpresa!
– Sim, sim, eu tou agora numa reunião mas tive que te ligar porque…
– Não estava nada à espera…
– …és mesmo muito mais boa do que o Goucha. Boa, boa, boa, mesmo muito b…
– Tou?
– Tou!
– Senhor presidente!
– ..muito muito muito boa apresentadora e quero pedir-te…
– Estamos em directo!
– …se queres vir comigo andar na carriage na big square…
– Vou ter que continuar com o programa…
– …e eu mostro-te a minha presidenciável piro…
– AIIIIII!!!!
– …tecnia governativa. Tenho sempre caralh…
– NÃO!!!
– …ota de Almerim e o chouriço assado para os convidados…
– …
– Tou?
– …
– Tou?
obrigado, presidente marcelo!
Numa época em que as democracias ocidentais são assaltadas por populistas sedentos de popularidade fácil, é um conforto saber que as mais altas instituições políticas portuguesas estão confiadas a personalidades sóbrias, que não utilizam os seus cargos levianamente. Obrigado, Presidente Marcelo!
I just called to say I love you
O populismo e coisa e tal…
Um ‘foda-se’ seguido de uma ‘reflexão para o mais intelectual’
Nota inicial. Fui informado que no Blasfémias podemos fazer uso do vernáculo. Pelos vistos a única coisa que no Blasfémias não podemos ser é liberais…
Foda-se
Numa sociedade que pretende transformar, por decreto, putas em mães de família, foi com grande espanto que verifiquei que os progressistas (alguns padrecos incluídos) duvidam da virgindade carnal de Nossa Senhora. Não percebo porquê!
Num mundo onde todos aparentemente podem ser o que querem, não entendo a dúvida em torno da virgindade de Nossa Senhora. Em primeiro, Nossa Senhora pode ser o que muito bem entender. E se Nossa Senhora quer ser virgem, que seja; em segundo, o povo pode acreditar no que muito bem entender. E se o povo acredita (constrói socialmente, diriam os progressistas) que Nossa Senhora é virgem, pois então não há dúvidas: Nossa Senhora é virgem! Em terceiro, a ‘perda da virgindade’ não passa de mais um dos inúmeros mitos do heteropatriarcado. A virgindade é na verdade uma construção social e só existe enquanto mecanismo de poder do homem-branco sobre a mulher. Aliás, é por isso mesmo que é tão difícil mudar mentalidades, com os ‘maus do costume’ (conservadores, filhos duma grande puta) a não entenderem que a mulher é dona do seu próprio corpo e faz com o mesmo o que muito bem entender. Aliás, a mulher é mulher enquanto lhe der na puta da gana: se um dia quiser ser homem e foder uma cabra (com consentimento da cabra, para sossego do PAN), nada nem ninguém a pode impedir. Este vosso amigo não podia estar mais de acordo! Por isso digo: Nossa Senhora é virgem! Aliás, Nossa Senhora foi a primeira mulher a gritar contra o heteropatriarcado e a dizer: eu sou o que muito bem entender, e por isso vou ser a Mãe de Deus, Virgem Imaculada! Foi Nossa Senhora que quis ser, e por isso foi! Ora aí está o único dogma Católico que nunca, mas nunca, me levantou qualquer tipo de dúvida! Vivam os progressistas!
Reflexão para o mais intelectual
Para o leitor mais incauto, ainda a recuperar dos exageros pecaminosos do Santo Natal, este post tem como contexto vários artigos publicados nos media sobre a Virgindade de Nossa Senhora. Leiam o do Padre Álvaro Balsas, no Observador, que é o melhor de todos; não percam tempo com o artigo do senhor Anselmo Borges, também no Observador, o qual é uma lista de disparates sem nexo.
Não sou teólogo, com grande pena minha. É uma área do saber pela qual tenho imenso respeito. Aliás, tenho mais respeito pela teologia, enquanto forma de saber, do que pela economia, a qual não tem, para mim, interesse absolutamente nenhum. Com excepção de algumas formas de fazer história económica, como a da Deirdre McCloskey. Não vou por isso comentar o dogma da Virgindade de Nossa Senhora. Limito-me a aprender com quem sabe mais do que eu.
O que me parece importante realçar do debate em torno deste dogma Católico é a crispação que gerou. De um lado temos pseudo-católicos, alguns infelizmente padres, que ao fim de todo este tempo ainda não tinham percebido que a Fé Católica é dogmática. Mas qual era a dúvida? Do outro lado temos os do costume, progressistas e ateus pseudo-cientistas. Aos progressistas já disse o que tinha a dizer e é um grande ‘foda-se!’; aos ateus pseudo-cientistas convém recordar o seguinte: é tão absurdo acreditar em Deus como não acreditar. É este pequeno pormenor que escapa aos pequeninos, e que o Padre Álvaro Balsas colocou de forma brilhante quando, no final do seu artigo no Observador, diz: ‘Sendo um “fenómeno” irrepetível, não entra no conjunto de fenómenos que podem ser estudados pelas ciências naturais, esses sim, repetíveis e quantificáveis.’
Muitos outros fenómenos que fazem parte da vida são também eles irrepetíveis. Os fenómenos ligados ao tempo (não falo da mitologia construída em torno das mudanças climáticas, mas do que conhecemos como experiência do passado, do presente e do futuro) são disso exemplo: nenhuma forma de saber capta o tempo na sua plenitude, nem sequer a física (muito menos a economia, a qual nem se apercebeu que o tempo existe quanto mais tentar compreender o fenómeno…). A tentativa de classificar como importante somente aquilo que é passível de ser captado pelas ciências naturais é, no mínimo, perigoso. No limite é próprio de ignorantes!
Acreditar em Deus não é algo que se coloque no plano da racionalidade das ditas ciências naturais (as quais primam por ser aborrecidas ao ponto de nos fazerem acreditar no Diabo…). Por isso é tão absurdo acreditar como não acreditar. Torna-se por isso incompreensível que aqueles que acreditam sejam sistematicamente tomados por imbecis (os Católicos, porque para os outros é só compreensão, muita paz e amor…). Atacar os crentes, independentemente da sua religião, tentando mostrar a irracionalidade científica daquilo em que acreditam, é de uma ignorância atroz… mais não seja porque a ciência nunca demonstrou a existência de Deus, tal como não consegue demonstrar que Deus não existe. Daí o absurdo… Por isso é tão absurdo acreditar na Virgindade de Nossa Senhora como é não acreditar. É pena que isto tenha sido esquecido: lembrar pode ser que traga um pouco mais de elegância e respeito.
Bloco de Esquerda & Você na TV (TVI)
Revista Sábado 19 de Maio de 2018:
Em sete anos, as FP 25 mataram quatro militares da GNR e um agente da Polícia Judiciária (PJ); executaram com dois tiros na nuca o director-geral dos Serviços Prisionais, Gaspar Castelo-Branco; e com uma rajada de pistola-metralhadora o primeiro “arrependido”, José Barradas, que terá prestado as informações fundamentais para a PJ montar a Operação Orion; atingiram mortalmente um cliente de um banco e dispararam contra um popular que, de pistola em punho, tentou enfrentar um grupo que assaltava outro banco. Mas a vítima mais chocante, no que foi logo considerado um “engano” pela organização, foi o bebé de quatro meses, que morreu na sequência da explosão do engenho explosivo colocado na casa de um agricultor de S. Manços. Além de 13 homicídios, “castigaram” com tiros no joelho e feriram com disparos sem esta pontaria certeira empresários, administradores e agrários na sequência de conflitos laborais, colocando ainda explosivos em automóveis e residências, bem como em quartéis da GNR, sendo contabilizados 66 atentados à bomba. Simultaneamente, procediam à “expropriação” de bancos e outras “acções de subsistência”, roubando até empresas que se preparavam para pagar os salários no fim do mês. A operação mais aparatosa, entre os 99 assaltos, foi a que capturou, em pleno centro de Lisboa, uma carrinha de transporte de valores com 108 mil contos (538.701,70 euros), que, em 1984, era muito dinheiro.
Indulto do Presidente da República, Dezembro 1995:

Lusa/Diário de Notícias 20 de Abril de 2010:
Luís Gobern Lopes, um dos fundadores das FP 25 e o primeiro a assumir-se em julgamento como membro da organização, afirmou, em entrevista à Lusa, que “no contexto em que surgiram, as FP-25 tinham um propósito forte”, acrescentando que, embora não se sinta arrependido, reconhece que houve momentos em que a organização perdeu o pé. “Situando-me na altura em que as coisas ocorreram, considerando a forma como eu pensava, como eu sentia, como eu via as coisas, não posso dizer que me arrependa de nada. Não tenho de que me arrepender. Todas as coisas foram feitas com uma atitude consciente. Talvez o trajecto que depois levaram é que se desvirtuou”, disse.
Maio de 2017, candidatura autárquica do Bloco de Esquerda ao Barreiro:

Comentários de dirigentes do Bloco de Esquerda sobre entrevista há dias na TVI no programa de Manuel Luís Goucha – “Você na TV” – a um condenado por homicídio e envolvimento na morte de Alcino Monteiro e indivíduo que cumpriu pena por diversos outros crimes nomeadamente roubo, sequestro, coacção e posse ilegal de arma.

A duplicidade de critério e a falta de vergonha na cara dos bloquistas surpreende?
A mim, não!
Há homicídios “bons” e homicídios maus?
*
Os caça-fantasmas
Liberdade de concorrência
Portanto a extrema-esquerda que faz parte do governo, tem assento no conselho de estado, nas fundações do regime e controla os departamentos de várias universidades está em fúria e grita que a liberdade está em risco em Portugal porque um militante de extrema-direita foi à televisão?
É uma questão de livre concorrência. E não me venham com a conversa do se é possível debater com o Mário Machado. Deve ser tão frustrante debater com o Mário Machado como com o Arnaldo de Matos ou a Joana Mortágua.
Precisamos de um novo Salazar?

Precisamos de um novo Salazar? É uma pergunta interessante, que merece resposta. Quais os ingredientes de um novo Salazar – não confundir com um Homem Novo – que seriam desejáveis para que um novo Salazar pudesse ser considerado um Salazar novo?
Ser heterossexual
Isto é fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar que apregoam a igualdade de género, que isso é tudo malta que gosta de molhar o pincel ou ser a lata de tinta, como, afinal, todos os bichinhos, isto apesar de usarem mais os genitais que o género para a obtenção de satisfação. A igualdade de género é aquela série de clichés que batem as tradicionais linhas de engate como “és tão bonita” ou “buraco és tu”.
Ser branco
Isto também é fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar que não sejam pretos. Exclui-se o Mamadou Ba, ficam os restantes.
Ter um certo gosto por corporações controláveis
Felizmente, é muito fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar distribuídos por todos os reguladores como a ERC, a… momento, melhor por ordem alfabética: a ERA, a ERB, a ERC, a ERD, a ERE, a ERF, …, a ERZ, a ERAA, a ERAB, a ERAC…
Manter o país afastado de uma guerra mundial
Aqui é mais difícil. Só me ocorre o doutor Azeredo Lopes, que pode ou não enviar tropas que podem ou não voltar sem sabermos se chegaram sequer a alguma vez existirem tropas portuguesas.
Manter uma relação amorosa com servente (ou rumor disso)
Olha, o Sócrates. Ou o Marx. Ou aquelas pessoas que escrevem no Expresso. Ou até o Manuel Alegre, que é homem para as deslumbrar com um poema de leitura escolar obrigatória a 8,80€.
Ter uma visão para o país
Qualquer português ou indivíduo que habite no território nacional e ultramarino da língua portuguesa. Começar pelo Facebook.
Manter máquina de censura
Começaria pelos que escrevem no Expresso, depois da devida autorização do professor Louçã. Se quiser um autêntico bacanal de censura, convida-se também todos os que andaram a criminalizar o piropo e a legalizar o aborto, como se não fossem coisas contraditórias.
Ser sério
Aqui está a grande dificuldade. Alguma sugestão?
uma mentalidade
Miguel Macedo e mais vinte pessoas foram, há cerca de quatro anos, acusados de quarenta e sete crimes supostamente praticados no âmbito de funções públicas. Com excepção de quatro dos arguidos, todos foram absolvidos. Os que foram condenados ficaram com penas suspensas, o que denota a pouca gravidade dos actos ilícitos por eles eventualmente praticados. Macedo era e deixou de ser ministro, ao tempo em que rebentou o escândalo e devido a ele. Tinha uma carreira política que ficou desfeita e, muito provavelmente, a sua via profissional não terá ficado melhor. No fim de contas, ninguém gosta de ser defendido por um advogado que é um presuntivo criminoso. As outras pessoas terão também, imagino, padecido graves consequências nas suas vidas profissionais e pessoais.
Em face deste vergonhoso resultado, o Ministério Público assobia para o ar. De nada vale a presunção de inocência de pessoas sobre as quais, como resulta da própria acusação, existem reduzidas provas sobre os indícios dos crimes que o Ministério Público imaginou terem acontecido. O procurador (ou procuradores) que tratou do caso, que investigou vinte e uma pessoas e contra elas deduziu acusação ficará na mesma, prosseguindo tranquilamente a sua vidinha, continuando a receber o seu cheque no fim do mês. Bem vistas as coisas, nem sequer sabemos quem ele é, ou são. Nenhuma responsabilidade lhe será assacada por ter acusado mal, com falta de prova sustentável, vinte e uma pessoas a quem desfez as vidas.
O problema não estaria, como é óbvio, neste caso e neste processo, fosse ele apenas um caso único sem, ou com reduzido, exemplo. Ele tem a ver com a chamada «criminalidade económica» e é muito mais profundo, porque se instalou, entre nós, há muitos anos, uma mentalidade miserável segundo a qual «onde há dinheiro há crime». É uma exploração da baixa sentimentalidade das ruas (o tal «populismo», de que muitos falam mas que quase todos se recusam a reconhecer nas suas verdadeiras fontes), acompanhada por uma comunicação social absolutamente incompetente e famélica, que vai sempre atrás de qualquer escandalozinho para ganhar audiências e uns dinheiritos. A criminalização de qualquer dever tributário para com o estado, os super-poderes dados ao fisco, a devassa de contas bancárias e da vida privada-económica dos cidadãos, o ataque político às actividades lucrativas, como o Alojamento Local, a perseguição a medidas governativas inteligentes e bem-sucedidas, como os «vistos Gold», não poderia dar outro resultado que não fosse criar um país policiesco, cheio de pequeninos pides sempre prontos a perseguir e a acusar quem tem algum sucesso.
Esta é a consequência bem visível de uma mentalidade de extrema-esquerda, que vê no lucro a fonte de todos os pecados, que reina, infelizmente, entre nós. A origem dessa tragédia – as infiltrações dessa “antiga” extrema-esquerda nas altas instâncias e nas cúpulas do estado e da justiça, e os interesses político-partidários e financeiros de muitas das prestimosas agremiações partidárias de beneméritos do povo – daria pano para muitas mangas. Mas esse é assunto que já não interessa a ninguém…
O verdadeiro problema de Marques Lopes
Chamar o Mário Machado a um programa de qualidade duvidosa, apresentado por uma figura representante da nacional piroseira, não representa qualquer perigo para a democracia dos Marques Lopes, esta modorra anestesiante ensopada num caldo socialista com tendências totalitárias. A pergunta do programa, sobre se precisamos de outro Salazar, é obviamente intencional no sentido de tentar ligar um arruaceiro a um estadista, tendo este, com defeitos e qualidades, o seu lugar na história, enquanto o primeiro é pouco mais do que um indigente. Ora, o que mete realmente medo aos democratas Marques Lopes é que se discuta a sério o salazarismo e que se convide para esse efeito intelectuais de vários quadrantes que pelo menos façam um contraponto à tese oficial de que a abrilada foi uma coisa maravilhosa. Pois, está claro que não foi. Assim como a longa noite negra do fascismo é uma história muito mal contada. Dito isto, não sou nem de perto nem de longe um admirador de Salazar nem do estado novo, nem vejo que um liberal o possa ser, mas isso não passa de uma breve declaração de interesses. O que sou, sobretudo, é um tipo pouco dado a consensos democráticos dos cortesãos e seus peões de brega. Nesse sentido, Portugal é o que já era no tempo do Eça. Uma choldra.
Buraco sois vós
Para falar do assunto “Mário Machado na TVI” é necessário um longuíssimo preâmbulo em que nos distanciamos das opiniões do fulano, mesmo que estas nos sejam conhecidas apenas pelo disse-que-disse de quem não sente grande necessidade de ouvir opiniões que considera parvas só por existirem, se é que existem. Depois, é necessário dizer que a liberdade de expressão é um valor absoluto, principalmente para indivíduos que querem dizer coisas que não gostamos de ouvir. Por fim, é necessário assegurar que nenhuma daquelas opiniões possui fundamentos de verdade, pelo que permitir que indivíduos idiotas se expressem é a única forma de, de facto, identificar os idiotas.
Não farei nada disso. Não ousarei escrever que o direito de alguém falar depende da minha ou da concessão de outro qualquer. Poderia mencionar a quantidade de imbecis que gracejam boçalidade nas rádios e televisões do país adornados pelo manto da impunidade subletrada que títulos académicos conferem, mas isso seria sublinhar o quão um Pacheco Pereira ou uma Mariana Mortágua se assemelham ao astrólogo Paulo Cardoso, cujo livro “Astrologia e Guia do Amor – Previsões Para 2019” está no top de vendas da FNAC, semelhança que é sobejamente conhecida pelos leitores deste blogue e cuja piada inerente reside, exactamente, em omitir a explicação que estraga qualquer anedota.
Uma televisão decide convidar um tipo para falar, esse assunto não me deveria interessar. No entanto, como há sempre um bando de coninhas que salta a correr para os braços do papá ERC a queixar-se de que o maninho disse coisas feias, cá estou eu a dizer coisas óbvias. Façam-se homens e mulheres, deixem de ser pirralhos mimados: aprendam a usar o comando ou, melhor ainda, tirem-o do canal onde aguardam que vos estimule por vazamento das pilhas. A obsessão do português pelo tirano que cala outros por sensação de conforto que o inexistente direito a não ser ofendido por opiniões alheias é do domínio sexual: não é de admirar que toda a gente passe mais tempo a tentar entrar em bailes de debutantes da corte do que a assegurar descendência que subsidie a subsistência futura do velho ranzinza quezilento que o adolescente bexigoso das redes sociais de hoje é.
Buraco sois vós.
Compre já antes que esgote!

a convenção de todas as liberdades
Pensava eu que o PSD, o CDS e a ALIANÇA eram partidos onde só existiam conservadores e onde o liberalismo não entrava. Afinal, constato agora que, muito sensatamente, a Iniciativa Liberal comparecerá nesta cimeira de liberais portugueses, que terá como parceiros representantes, ao mais alto nível, dessas agremiações partidárias: Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Paulo Portas, Assunção Cristas, Pedro Duarte e Santana Lopes, entre outros. Francisco Assis, pelos liberais socialistas, comparecerá e falou-se mesmo na presença, infelizmente não confirmada, desse ícone de todas as liberdades que é António José Seguro. Finalmente, os liberais portugueses reúnem-se em cimeira pré-eleitoral para debaterem os destinos da Pátria. Podemos ter esperança, portugueses!
A emenda é melhor que o soneto
Alguns comentadores explicaram-me, como parece ser hábito de comentadores que gostam de explicar, que não é necessário comprar os livros de leitura obrigatória como a bela obra que referi aqui ontem. As razões apontadas são as seguintes:
- A biblioteca da escola tem disponível umas 125 cópias de cada livro obrigatório para disponibilizar a 5 turmas de um dado ano;
- A leitura obrigatória consiste no professor dirigir-se para a sala e ler ele o livro para que os desgraçados possam dormir (uma espécie de audiobook sem que se possa fazer pause, uma leitura obrigatória sem necessidade de ser confrontado com coisas chatas como letras);
- A gente (o professor, o encarregado de educação, o dealer, outro qualquer) arranja uma versão mitrada em PDF para aculturar a criança com formas de assegurar a gratuitidade do sistema.
Assim sendo, retiro o que disse no post. As emendas explicativas são todas melhores que o soneto (literalmente).
Substância espessa e doce, amarelada ou acastanhada: mel.
Nas últimas semanas vários amigos referiram nas redes sociais que o MEL-Movimento Europa e Liberdade é “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Eu, parolinho como sou, até fiquei envergonhado de quase nada saber sobre a instituição… Lembrava-me de há tempos me ter parecido que a coisa estava associada a uma espécie de “vaga de fundo” que se estaria a criar para promover Santana Lopes e de ter associado um jornal recentemente criado. Mas a minha memória era apenas difusa e sem quaisquer certezas, pelo que me dediquei a uma rápida light due dilligence sobre a coisa.
O website do MEL nada diz, tendo apenas publicado o programa da sua próxima convenção. Na sua página no Facebook pouco mais tem. Recorri, portanto, a fontes públicas sem sair do sofá e verifiquei que o MEL foi constituído em Novembro de 2018. Ou seja, mal nasceu, tornou-se “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Notável!
Pensei eu: de certeza que tem histórico e acções desenvolvidas no passado. Fui ver. Tem.
Salvo melhor e mais completa informação que possa existir, aquilo de que me apercebi é que tudo tem origem em 2009 sob a liderança de Daniel Proença de Carvalho com o Projecto Farol. Tratou-se de uma iniciativa a que esteve associada grande parte da nomenclatura lusa habitual e que foi formalizada em Fevereiro de 2013 tendo como sócio fundador único o grupo Delloite Consultores S.A.
Em Maio desse ano (2013), o Projecto Farol cria uma espécie de spin-off. Um outro think-tank, desta vez chamado Missão Crescimento. Nesta versão, além da Delloite/Projecto Farol, associam-se a Associação Comercial do Porto (na altura ainda dirigida por Rui Moreira), as Ordens dos Engenheiros e dos Economistas e o Fórum de Administradores de Empresas. A rebaptizada organização tinha por objectivo “encontrar, ao nível da política económica, respostas capazes de atenuar o impacto recessivo do acordo de reajustamento assinado por Portugal com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário internacional, no âmbito do programa de assistência financeira.”
Finalmente, em 21 de Novembro de 2018, pela mão das mesmas pessoas que foram impulsionadoras e estiveram na origem das anteriores versões do think-tank, chegamos ao MEL, formalmente constituído por Paulo Carmona e João Costa e cujo objecto é este:
Feito o levantamento histórico de enquadramento, gostaria de comentar o programa anunciado da sua primeira Convenção.
Desde logo, Jorge Marrão (Delloite e dirigente do MEL), diz que o think-tank é formado por liberais de direita e de esquerda, mas olhando para alguns dos nomes com maior notoriedade que participarão no evento, interrogo-me qual será o mais liberal: Marques Mendes, Paulo Trigo Pereira, Pedro Duarte, Luís Amado, Paulo Portas ou António José Seguro?
Curioso é também notar que no painel dedicado ao tema do combate aos interesses instalados um dos oradores é José Miguel Júdice.
Registo também que a Pedro Santana Lopes é dada honra de “Convidado de Abertura” de trabalhos, ficando por exemplo o presidente da Iniciativa Liberal, nesse mesmo dia, apenas a coordenar um dos painéis.
Depois, ainda hei de perguntar pessoalmente ao Carlos Guimarães Pinto que ideia foi a dele em convidar para key-note speaker sobre “Novas Ameaças à Liberdade” o socrático Carlos Magno.
Assunção Cristas, quiçá outra liberal, é Convidada de Encerramento.
Os promotores do MEL lá terminam com mais uma vassalagem ao poder, convidando o já insuportável Marcelo – presidente famoso pelas suas cuecas – para o fecho da sessão. Marcelo, fino, ainda nem sequer lhes confirmou a presença.
Para quem se diz farto de ver o estado capturado pelos interesses instalados, este programa é uma salgalhada incompreensível, com os mesmos protagonistas de sempre e um conjunto de companhias muito estranha para meu gosto.
Não tenho de facto paciência nenhuma para convénios urbano-progressistas da capital.
Sr. Presidente, não era a descrispação?
Greves de hoje: HOJE OS ENFERMEIROS NÃO ESTÃO EM GREVE. OS COMBOIOS TAMBÉM NÃO. CONSOANTE O PONTO DE VISTA AS EMPRESAS RODOVIÁRIAS ORA VÃO TRABALHANDO ORA VÃO FAZENDO GREVE: HOJE A GREVE É EM Leiria e Santarém)
Estivadores entregam novo pré-aviso de greve de seis meses OS ESTIVADORES JÁ VÃO NAS GREVES POR CAUSA DAS LUTAS ENTRE SINDICATOS
Professores vão hoje a São Bento dizer a Costa que estão prontos para voltar a negociar. Luta pelo cumprimento do horário de trabalho semanal de 35 horas também volta hoje às escola DEUS SEJA LOUVADO: VÃO RECOMEÇAR AS NEGOCIAÇÕES PELAS 35 HORAS, MAIS OS DESCONGELAMENTOS…
Oficiais de Justiça em greve parcial durante dez meses AGORA AS GREVES SÃO LOGO AOS MESES. COMO OS PRAZOS DA JUSTIÇA TB SE CONTAM PELAS DEZENAS DE ANOS, AS GREVES NA JUSTIÇA DEVEM DURAR PELO MENOS UMA DEZENA DE MESES
Um grupo de reclusos ameaça fazer greve ao trabalho a partir de 06 de janeiro, se os guardas prisionais prolongarem a paralisação, JÁ VAMOS NAS GREVES DENTRO DAS GREVES. O CONCEITO AGRADA-ME E ACHO QUE SENDO NÓS TODOS RECLUSOS DO FISCO DEVEMOS FAZER UMA GREVE AOS IMPOSTOS
Se fizer um décimo daquilo a que se propõe já será imenso…
Tens falta de dinheiro? Torna-te em “leitura obrigatória”
Acabei de comprar um livro com 16 páginas (inclui as “intencionalmente deixadas em branco”). Custou 8,80€, ou, em linguagem de saloio, 1.47% do novo salário mínimo nacional (o equivalente, em linguagem de gente, a oito cheesburgers no McDonalds e um café). Trata-se da 15ª edição de uma obra que diz na capa “leitura obrigatória” e “6º ano”. Fora a capa, a contra-capa e a biografia dos — ahem — autores, possui, no seu corpo de texto, exactamente 852 palavras, pelo que cada uma delas tem, naturalmente, para mim, o custo de 1,033 cêntimos.
Não sei quantos alunos frequentam o 6º ano. Vou supor que o número de alunos em 2017 se distribuem uniformemente do primeiro ao nono ano, originando então uns 95 mil a frequentarem o 6º. Vou supor que a 15ª edição da obra foi vendida 50 mil alunos durante os 15 anos em que eventualmente foi “obrigatória”, orginando, então, um total de vendas de 750 mil unidades a 8,80€ ou seja, 6,6 milhões de euros. Isto dá 7746€ por cada palavra da obra até ao momento, um lucro de aproximadamente 7500% por palavra.
Obrigado, Leya. Obrigado Ministério da Educação. O Manuel Alegre e o filho também têm direito a uma renda. E assim se aprende, em “As Naus de Verde Pinho”, para não mais esquecer, o quão a viagem de Bartolomeu Dias foi uma valente asneira (mas lucrativa).
num país perto de si
Imagine-se que, graças a uma extraordinária conjugação astral favorável e ao irresistível carisma telegénico do seu presidente, um novo Partido Liberal Português dos Verdadeiros Portugueses Liberais (PLPVPL) obtinha a vitória nas eleições legislativas deste ano. Em razão disso, o presidente Marcelo convidava o chefe do partido a formar governo, o que este conseguia, ao fim de uns dias de negociação com o CDS, de modo a garantir uma maioria parlamentar firme. Uma vez no poder, o que faria essa coligação? Provavelmente, para além de gerir a conta e o passivo do estado, pouco mais. Revia umas decisões do governo anterior, cortava nuns impostos mas seria obrigada a aumentar outros (as regras do euro não consentem veleidades), continuava a gerir a escola pública, o Serviço Nacional de Saúde (que abriria, timidamente, à iniciativa privada, sob o coro de protestos dos partidos de esquerda, dos sindicatos e da opinião publicada), por pressão do CDS evitava chatices com o dr. Balsemão à conta da RTP e inventava, para a coisa, um qualquer «conselho orientador» saído da mais genuína «sociedade civil», reduzia simbolicamente o funcionalismo público (onde se perdem e ganham eleições), mas empregava devidamente os seus em bons postos da administração do estado, num momento de arrojado atrevimento, o líder ameaçava privatizar a Universidade de Coimbra, mas era de imediato chamado ao presidente para levar um puxão de orelhas e deixar-se de tolices. Por fim, no termo da legislatura, que poderia nem durar quatro anos, a probabilidade de perder eleições seria elevada e, com a derrota e o mais do que seguro abandono do líder, a «aventura liberal» ficaria esquecida durante muito tempo.
Este é um cenário de ficção que, porém, não está muito distante da realidade que aconteceu em Portugal, entre 2011 e 2014. Lembro, para quem não o tiver presente, que Pedro Passos Coelho surgiu como candidato a líder do PSD como um «liberal». Eu próprio, convicto de que ele estaria muito próximo de o ser (e ainda hoje acredito nisso) dei um modestíssimo contributo para um blogue de campanha para a sua eleição interna no PSD, para o que fui convidado, não pela minha condição de militante desse partido – que não era (nem sou) -, mas pelo facto de ser uma das poucas avis raras que, neste pequeno país, se diziam pertencer a essa estranha espécie.
O que resultou dessa experiência governativa, malgrado as dificuldades que lhe foram impostas pelas circunstâncias que são de todos conhecidas, foi o que se viu: Passos foi responsabilizado pelas poucas medidas liberalizadoras que tomou (e às quais devemos hoje boa parte da modesta recuperação do país, como as modificações no arrendamento e a legislação sobre o turismo) e condenado pelo seu excessivo «neoliberalismo», com o qual – horror dos horrores! – pretendeu ir além da troika.
A verdade das coisas é que nem Passos Coelho nem o seu PSD estavam minimamente preparados para governar Portugal. Não o estavam, seguramente, numa tão difícil conjuntura, mas onde, apesar disso, contaram com o apoio e a pressão das instituições internacionais credoras, mas também não o estariam em condições de normalidade económico-financeira. Para, por exemplo, se entenderem com o CDS de Portas sobre um conjunto de políticas elementares, consta que foram consumidos meses de governação, e que só com a crise do «irrevogável» a coisa encarreirou.
Em suma, PSD e o CDS não têm – talvez nunca tenham tido – uma verdadeira ideia sobre o país, nunca prepararam um projecto de direita, que fosse simultaneamente liberal e razoavelmente conservador, para o aplicar quando chegassem ao governo, e tão-pouco as têm sobre questões sectoriais fundamentais, como a educação, a saúde ou a justiça. Em quarenta e quatro anos de democracia, nunca a direita partidária portuguesa se preparou para ser poder e a pensar no que isso pudesse ter de significado e de exigência. A seguir ao 25 de Abril, os alemães da Konrad Adenauer ainda cá vieram buscar uns mancebos para lhes darem alguma formação política e económica, mas os resultados foram muito rudimentares, como todos podemos constatar. O CDS, com Francisco Lucas Pires, organizou um think-tank que produziu algumas coisas com interesse, o «Grupo de Ofir», mas a coisa esvaiu-se assim que conquistaram o poder no partido. No PSD e no CDS sobram, nos dias que correm, o Instituto Francisco Sá Carneiro e o Instituto Amaro da Costa. Alguém conhece, nos últimos anos, uma linha saída desses interessantes conventículos que mereça ser, já não digo citada, mas ao menos lida? Por fim, a Universidade de Verão do PSD, onde ex-líderes e outras figuras fulgurantes dessa e doutras agremiações partidárias explicam aos promissores jovens que os escutam como é que eles progrediram na política e no estado.
Assistindo, nos últimos tempos, ao lançamento de um número elevado de projectos partidários de cariz assumidamente liberal que quer ir a votos em eleições nacionais, seria oportuno perceber o que têm essas novas agremiações a oferecer aos indígenas a quem pedem que votem neles. No fim de contas, o que fariam com o poder se, por milagre ou talento próprio, este lhe caísse no regaço.
liberalismo à portuguesa
Em quarenta e dois anos de democracia espanhola, a direita democrática agregou-se sempre em torno de um partido nuclear com vocação de poder: primeiro, de 1977 a 1983, a UCD (União de Centro Democrático), quase sempre liderada por Adolfo Suárez; simultaneamente, ainda que com pouca expressão eleitoral, e, depois, herdando parte do que fora a UCD, de 1976 a 1989, a Aliança Popular/Coligação Popular, partido fundado e dirigido por um ex-ministro reformista de Franco, Manuel Fraga Iribarne, que deu, naquele último ano, origem ao Partido Popular. Este último, por sua vez, foi liderado, durante quase trinta anos, por apenas três presidentes: José Maria Aznar, Mariano Rajoy e, de há uns meses para cá, Pablo Casado. A direita espanhola foi governo na transição do franquismo para a democracia, a ela se devendo, em boa parte, o sucesso pacífico desse processo de extrema complexidade, voltando a sê-lo, depois de anos de socialismo, entre 1996 e 2004, com Aznar, regressando à Moncloa com Rajoy, de 2011 a 2018. Em todos estes períodos, a Espanha sentiu muito bem a diferença entre um governo de direita liberal e conservadora e os governos do PSOE. Em todos esses governos, até mesmo no de Rajoy, a ideologia nunca foi desconsiderada, e a direita espanhola ora se afirmou mais liberal, com Aznar e Casado, ora foi mais conservadora, com Rajoy e Suárez, mas corporizou sempre um projecto político ideologicamente claro.
Em quarenta e quatro anos de democracia portuguesa, a direita do regime dividiu-se em dois partidos, o PPD/PSD e o CDS. Durante esses anos, o PSD teve dezoito, repito, dezoito líderes, enquanto que o CDS se ficou por uns modestos sete presidentes. Esteve no poder em dez governos, que chefiou, e esteve presente em mais um (1983-1985, do Bloco Central), governando por cerca de vinte e um anos. Se pensarmos em medidas reformistas marcantes dos governos da direita portuguesa, esquecendo o brevíssimo e promissor ano de Francisco Sá Carneiro, teremos as privatizações de Cavaco Silva, de resto, indispensáveis para a adesão plena à CEE, os anos de ajustamento de Passos Coelho e por aí nos ficamos. Um ponto é absolutamente comum à direita partidária portuguesa: a absoluta ausência de um pensamento político e de uma ideologia identificáveis. Mais ainda: sempre que houve o “atrevimento” de enunciar alguns princípios, uma vez no poder os governos da direita portuguesa fizeram o completo oposto do que proclamavam na oposição. Basta rememorarmos o que foi o tristíssimo governo de Durão Barroso para demonstrarmos esta afirmação. Presentemente, não se lhes consegue apanhar uma única ideia inteligível.
Vêm estes dois parágrafos a propósito de uma polémica que mantenho há muitos anos com alguns liberais que querem formar partidos onomasticamente assim denominados e levá-los a votos. Não vou entrar na vexata quaestio de saber se um partido com vocação de poder pode ser verdadeiramente liberal ou se o liberalismo deve ser transversal a diversos partidos, por ser um peditório para o qual já não me apetece mais contribuir. Vou apenas salientar que, enquanto em Espanha a UCD e o PP sempre foram projectos partidários com ideologia identificável e compreensível, formada em think tanks conservadores e liberais, ancorados na Konrad Adenauer e em organizações nacionais (actualmente, só para se perceber a importância da coisa, José Maria Aznar é o presidente da FAES – Fundación para el Análisis y los Estudios Sociales, que se define como «una fundación privada sin ánimo de lucro que trabaja en el ámbito de las ideas», em Portugal, nos emergentes movimentos partidários liberais, quase ninguém pensa coisa nenhuma, e há até quem considere que «essa coisa das ideias é uma espécie de masturbação intelectual», sendo que o que interessa é «ir a votos» e «passar à acção». Pois bem, que mais não fosse, o recente exemplo do Instituto Mises–Brasil e a sua contribuição para parte do que poderá ser o governo que hoje tomou posse nesse país, deveria fazer pensar os que julgam que o liberalismo se deve plasmar em projectos de acção partidária, sem mais. Mas parece que nem esse exemplo lhes é útil. Por mim, que conheço razoavelmente a história do liberalismo português, não tenho dúvidas que, por esse caminho, passaremos mais quarenta e quatro anos sem o privilégio de sermos bafejados pela governação de tão enormes talentos. Felizmente, no fim de mais esse período, já cá não estarei para me condoer com mais essas décadas de merecido socialismo. Cada um tem o que merece e nós não merecemos mais do que o que temos tido.
O Reino Unido sai da Europa?
Pode um Presidente da República dizer em mensagem oficial televisionada e transcrita na íntegra no website da Presidência que a “Europa fica mais pobre com a partida do Reino Unido“?
Pode, mas não devia dizê-lo, até porque não é verdade.
Com o Brexit o Reino Unido sai da União Europeia.
A Europa e a União Europeia são coisas bem diferentes!
