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Ai aguenta, aguenta!

31 Outubro, 2012
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O Fernando Ulrich referiu-se apenas a mais austeridade, não à austeridade máxima. Para esta, estão decerto preparadas as patrulhas da “moralidade” e da “sensibilidade social” que já andam por aí a diabolizá-lo. Como integram certamente o contingente do “não à troika”, aguentarão viver sem um chavo do financiamento daqueles “agiotas”, bem como o ajustamento imediato e brutal que se seguiria. Não haveria corte de salários e de prestações sociais, mas cessação de pagamentos, pura e simples. E sem possibilidade de reversão, por mais acórdãos que o TC emitisse.

E, quem sabe, teremos todos de aguentar essa situação extrema, para que façamos a mãe de todas as reformas, uma nova Constituição. Os situacionistas já clamam contra uma tal mudança que lhes mataria a intocável vaca sagrada. Consciente ou inconscientemente, sabem que é uma questão de tempo e que a realidade acabará por se impôr. Mas era bom que nos antecipássemos e cada vez mais lamento o que terá sido o grande erro de Passos Coelho.

O salazarento, o cunhalento e o soarento

31 Outubro, 2012

Não deixa de ser curioso fenómeno que no meio da discussão sobre receitas e despesas em que vivemos mergulhados no último ano se invoque Salazar ou melhor dizendo se use o termo “salazarento” para exprimir não se sabe ao certo o quê sobre a matéria da despesa versus receita. Com tanta invocação de Salazar ainda alguém descobrirá que o próprio é responsável involuntário pelo actual estado das finanças públicas à semelhança do que aconteceu com Manuel Loff que agora descobriu que Salazar foi cúmplice “involuntário” do Holocausto. Mas pese haver pessoas como o deputado Galamba que tendo morrido Salazar em 1970 e não governando ele desde Setembro de 1968 não conseguem viver em 2012 sem invocar Salazar no meio duma intervenção creio ser chegado o momento de acrescentarmos outros  “entos” ao nosso vocabulário. Eu por exemplo dada a carga fiscal acho o orçamento mais cunhalento que salazarento. E ao salazarento e cunhalento ainda teremos de acescentar o soarento que tanto inebria o partido do deputado Galamba e que em linhas gerais funciona como o Rui aqui descreve:  o próximo governo de maioria absoluta do Partido Socialista municiará os seus ministérios de fotocopiadores de última geração, com os quais fabricará os euros necessários para pagar as reformas dos pensionistas, os salários da função pública, os encargos com o Serviço Nacional de Saúde, as Universidades e os Politécnicos, as reformas do património do estado, a construção de novas escolas, tribunais e esquadras da polícia, os custos com as Forças Armadas, e, claro está, as subvenções à Fundação Mário Soares que, nessa altura, espera-se terem já igualado, ou desejavelmente ultrapassado, os valores anteriores aos do orçamento de 2013.   

Nada se perde. Tudo se transforma.

31 Outubro, 2012

O Camilo Lourenço acha que O país está a mudar. À força, mas está! À partida eu diria que não é apenas o país mas o mundo. Desta vez com Sandy ao contrário do que sucedeu no Katrina ninguém culpou as alterações climáticas ou o presidente dos EUA por ter desorganizado o clima.  Poder-se-ia acreditar que estamos a ficar mais sensatos. Mas para já duvido pois se o presidente dos EUA não fosse Obama a cobertura noticiosa seria certamente diferente e sobretudo temos de contar com a capacidade de renovação da loucura dogmática como estes exemplos colhidos no Insurgente mostram:  Recognizing The Right Of Plants To Evolve    e PETA wants sign to memorialize fish killed in crash

no mundo da lua

31 Outubro, 2012
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Quando António José Seguro chefiar o próximo governo de maioria absoluta do Partido Socialista municiará os seus ministérios de fotocopiadores de última geração, com os quais fabricará os euros necessários para pagar as reformas dos pensionistas, os salários da função pública, os encargos com o Serviço Nacional de Saúde, as Universidades e os Politécnicos, as reformas do património do estado, a construção de novas escolas, tribunais e esquadras da polícia, os custos com as Forças Armadas, e, claro está, as subvenções à Fundação Mário Soares que, nessa altura, espera-se terem já igualado, ou desejavelmente ultrapassado, os valores anteriores aos do orçamento de 2013.
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Só assim se entende que Seguro pretenda governar com o Estado Social da Constituição de 75, como nos tem vindo a afiançar. No meio disto, o líder socialista ainda não percebeu que o modelo traçado por esse arcaico documento já não existe: implodiu, pelas suas contradições intrínsecas e pela ajuda entusiástica que o seu próprio partido deu para o enterrar bem fundo, nos consulados de António Guterres e de José Sócrates. De certo modo, somos todos devedores deste gesto involuntário do PS, de que resultou a aceleração do fim de um modo de vida nefasto e inevitavelmente condenado a prazo. Imagino que, mesmo que Seguro chegue ao poder com as convicções que nos tem vindo a descrever, não chegará para ressuscitar o morto. Até porque, que se saiba, embora viva mais no mundo da lua do que neste, ainda ninguém lhe descobriu dotes espíritas.

“medidas contingentes”

30 Outubro, 2012
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Ainda se discutem os “enormes aumentos de impostos” previstos no orçamento de estado de 2013 e já Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro que foi eleito com a promessa de equilibrar as contas públicas essencialmente pela despesa, anuncia, para esse mesmo ano, “medidas contingentes” no valor de mais um subsídio (ainda sobra algum?), no caso de falhar a execução orçamental. Como Passos é incapaz de reconhecer a sua própria incompetência (“não há nenhum cenário macroeconómico infalivel”, vai já advertindo…), a justificação para o descontrolo das contas públicas em 2013 virá novamente da dificuldade de promover reformas que saneiem, de vez, o estado português. A falta de uma visão alternativa para o modelo social e político vigente e a insistência em manter o estado em todo o lado por onde tem andado nos últimos quarenta anos, apenas com ligeiros retoques de cosmética ditados pela falta de dinheiro, não têm nada a ver com a sobrevivência do monstro, claro está. No meio disto, dissemina-se a mais perigosa ideia para qualquer regime em crise profunda, sobretudo para um regime democrático: que ele é irreformável. Essa tem sido a fonte de todos os totalitarismos e mesmo Portugal, placidamente à beira-mar plantado, não resistirá por muito mais tempo a esta incompetência de quem o governa, paga a expensas do trabalho e dos sacrifícios sem fim à vista de todos nós,

Sempre na mesma

30 Outubro, 2012

Portanto, o  PSD e o PPD detestam este Orçamento. Mas votam a favor, porque tem  de ser.

O CDS e às vezes o PP também tapam o nariz e lá votam, porque tem de ser.

O Ministro Gaspar faz um orçamento que nega tudo o que foi dito pelos partidos governamentais e mesmo o compromisso constante no acordo internacional pois que o «esforço de consolidação», na previsão fantasista para 2013 é que 2/3 do «esforço» seja efectuado pelo incremento do esbulho aos contribuintes e apenas 1/3 de diminuição de despesa do estado. O inverso do que diziam que queriam que fosse….

Já temos um Governo Monti? Pelos vistos não é um governo que faz escolhas políticas, resultantes do voto, ou dos programas dos partidos que compõem a AR. É apenas um governo  que mantêm o mostro porque tem de ser. Ninguém o apoia, apenas o toleram.

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Gaspar fala agora que é preciso «pensar nas funções do estado e no preço que se está disposto a pagar por elas». Isto é dito 18 meses depois do governo ter iniciado funções precisamente com um alegado programa de reformulação dessas funções. Mas era só conversa. Ainda vão começar a ver como é que isso se poderia fazer. Tarde de mais.

Sempre os mesmos

30 Outubro, 2012

Quando alguém, infelizmente por excepção, defende os interesses dos eleitores directos que o elegeram, logo é apelidado de anti-patriota, paroquial, e outros mimos com que se tenta impedir e prevenir outros de fazerem o seu dever.

O cancro centralista,  empobrecedor e terceiro-mundista, não faz acepção de partidos.

Já ninguém estranha

30 Outubro, 2012

Sexo fora de horas – ou uma estranha concepção de serviço público

Daqui a bocado

29 Outubro, 2012

José Manuel Fernandes apresenta o seu novo livro em Lisboa. Fico a aguardar a apresentação no Porto.

A propósito das reparações alemãs

29 Outubro, 2012

com que alguns tentam obrigar a Alemanha a pagar a dívida da Grécia – na Europa a Grécia foi um dos países que mais ajudas recebeu no pós-guerra mas há quem faça por ignorá-lo – cabe perguntar se está em aberto o pedido de reparações por guerras pretéritas. Se for esse o caso temos as invasões francesas no século XIX além da nossa própria declaração de guerra à Alemanha em 1916. Recordo que os bens dos “súbditos inimigos” em Portugal foram confiscados, os homens rapazes foram internados em campos de concentração em África e em fortes militares como o de Peniche. Os “súbditos inimigos” eram os alemães – e claro que não havia nada de equivalente para confiscar aos poucos portugueses que viviam na Alemanha – mas o confisco também sobrou para uns turcos que andavam a vender tapetes por esse Portugal fora e que acordaram um belo dia mais os tapetes na condição de súbditos inimigos porque a  Turquia era aliada  da Alemanha. E assim neste atirar das dívidas para trás do tempo  acabaremos a pedir indemnizações  a Castela, a Roma, aos fenícios, quiçá à alforreca primordial.

E agora vamos contribuir para que os gregos tenham as suas vidas de outrora de volta?

29 Outubro, 2012

«Novo perdão à Grécia. Portugal em risco de perder 1100 milhões de euros. Troika defende novo perdão de dívida à Grécia que, desta vez, atingirá os Estados que emprestaram dinheiro a Atenas em 2010 e 2011. Portugal é um deles, com mais de 1100 milhões» Aquelas pessoas que como o dr. Mário Soares ou José Sócrates defendiam que devíamos comprar dívida grega – e comprámos – podem explicar o que fazemos agora?

Comentador em luta

29 Outubro, 2012

12 de Agosto de 2012: Marcelo Rebelo de Sousa diz que é hora de Passos remodelar o Governo
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24 de Setembro de 2012: Marcelo Rebelo de Sousa defendeu ontem na TVI uma remodelação imediata do Governo.

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1 de Outubro de 2012: Marcelo: Remodelação “já”

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8 de Outubro de 2012: Marcelo Rebelo de Sousa: Governo tem 15 dias para ser remodelado
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29 de Outubro de 2012: Marcelo: Bases do PSD apoiam remodelação do Governo

Impressões

28 Outubro, 2012
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Queremos meter uma pessoa

Mas não queremos dar nas vistas. Metemos várias ao mesmo tempo.

O monstro

Continua muito glutão. Muitos dos seus tentáculos estão mais ou menos na mesma.

Ler mais…

Afinal o mundo não é a preto e branco

28 Outubro, 2012

«On Saturday, more than 15,000 students are expected to file into classrooms to take a grueling 95-question test for admission to New York City’s elite public high schools. (The exam on Sunday, for about 14,000 students, was postponed until Nov. 18 because of Hurricane Sandy.) No one will be surprised if Asian students, who make up 14 percent of the city’s public school students, once again win most of the seats, and if black and Hispanic students win few. Last school year, of the 14,415 students enrolled in the eight specialized high schools that require a test for admissions, 8,549 were Asian.   Because of the disparity, some have begun calling for an end to the policy of using the test as the sole basis of admission to the schools, and last month, civil rights groups filed a complaint with the federal government, contending that the policy discriminated against students, many of whom are black or Hispanic, who cannot afford the score-raising tutoring that other students can. The Shis, like other Asian families who spoke about the exam in interviews in the past month, did not deny engaging in extensive test preparation. To the contrary, they seemed to discuss their efforts with pride.» NYT

Revoluções

28 Outubro, 2012

Por cá podem ler Era uma vez a Revolução mas se se quiserem dar ao trabalho de ler em castelhano experimentem «La revolución divertida»  de González Férriz:  «la revolución de los sesenta fue en todo caso cultural, nunca política –«los logros políticos llegarían más tarde, y lo harían casi siempre por medios inesperados»–. La explosión de libertad coincidió con el impulso de los medios de comunicación. Juntos, esos dos elementos confeccionaron la figura del «rebelde», heredera de la cultura pop y modelo para las sucesivas revueltas. Fracasaron entonces y fracasaron después, con la paradoja de que los revolucionarios que un día protestaron contra el capitalismo no solo se enriquecieron gracias a él, sino que lo reforzaron hasta hacerlo casi indestructible, «incluso en mitad de una crisis histórica». «Rebelarse vende –insiste González Férriz, que conjuga ironía y sensatez en una visión netamente liberal–. Es la esencia del capitalismo. Ser diferente, pensar diferente, vestir diferente, hablar diferente». AJohn Lennon, «héroe de la clase trabajadora» le nombraron miembro de la Orden del Imperio Británico junto al resto de los Beatles. Sus canciones liberadoras, como «Revolution», terminarían generando cuantiosos beneficios a Michael Jackson y siendo utilizadas en losanuncios de Nike. Hoy, el alcalde comunista José Manuel Sánchez Gordillo promueve la revolución cívica con el aval de una nómina de 3.000 euros por su escaño y su condición de aforado. (…) La última mutación de esta corriente revolucionaria la protagonizan en España los «indignados» del 15-M, relacionados tangencialmente con la «Primavera Árabe» y «Ocupa Wall Street». Protestas grabadas con teléfonos de la tecnología más avanzada. «Más allá del aspecto revolucionario de sus proclamas», las reivindicaciones de una mayor autogestión o la nacionalización de la banca, explica González Férriz, han dado un giro ideológico: «Proclaman su derecho a acceder a la vida burguesa: el empleo estable, el confort material, el futuro predecible y asegurado por un Estado benefactor y generador de empleos».

Vamos continuar a ouvir a rua? Ou quais ruas?

27 Outubro, 2012

A rua grega: La ultraderecha griega gana la calle    Dizem mais ou menos o mesmo que os alucinados de cá. Só que os nossos usam t-shirts com o Che. Bem, nem sempre mas a esses os fotógrafos não fotografam 

A rua italiana: ‘Echemos al Gobierno de Mario Monti  As mesmas televisões, rádios e jornais que mal se anuncia uma manifestação em Espanha contra Rajoy enviam repórteres mantêm um estranho silêncio sobre este “No Monti day”.

Agarrem o Mota Soares, ele ainda corta mesmo na despesa

27 Outubro, 2012

Mota Soares: Temos de encontrar mais cortes na despesa para aliviar esforço fiscal

Não é um euro de aumento de impostos?

27 Outubro, 2012

Mota Soares. “Um euro mal atribuído, é um euro retirado a quem é mais pobre”

Eu defendo o corte no cheque dentista, e você?

27 Outubro, 2012

Bastonário dos dentistas considera “fundamental” continuação dos cheques-dentista
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Alguém alinha numa manifestação para defender este corte de despesa?

Tolerância à adversidade

27 Outubro, 2012

Vítor Gaspar: Portugal está “na fase final da maratona” e precisa de “vontade de vencer”
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Luís Filipe Vieira reeleito presidente do Benfica com 83% dos votos
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Interessante que a tolerância dos portugueses para sacrifícios sem fim à vista e sem resultados visíveis em nome de um futuro incerto é maior no futebol que na política.

Napalm de demagogia

27 Outubro, 2012

Avolumam-se os sinais de que a luta dos portugueses por cortes na despesa está a esmorecer. Afinal o Bagão Félix chama napalm fiscal a cortes nas pensões de reforma. Tudo indica que nas dele.

Por favor, não deixem o CDS cortar mais na despesa

27 Outubro, 2012

Mota Soares: “Não vamos tocar na duração do subsídio de desemprego” para quem descontou mais tempo
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Prestações sociais mantêm isenção em sede de IRS, diz Mota Soares

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Mota Soares: Majoração atribuída a casais desempregados fica isenta do corte de 6%

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Mota Soares revela que um milhão de pessoas terá aumento acima da inflação

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Mota Soares admite recuar no corte do subsídio de desemprego
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Pedro Mota Soares, revelou, esta sexta-feira, que a legislação para atribuição de subsídio de desemprego a pequenos e médios comerciantes deverá estar pronto até ao final do ano.

Pode haver esperança depois dos tempos sombrios?

26 Outubro, 2012
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Hoje, no Público, reflecti sobre este tempo em que o relógio da História parece ter começado a rodar ao contrário e em que não sabemos como lidar com as novas realidades:

Há dias em que uma pessoa nem acredita no que ouve. Então não é que Jorge Sampaio, numa das muitas entrevistas que deu a propósito do lançamento da sua biografia, decidiu considerar que a sua inoportuna e lamentável frase sobre haver vida para além do défice era hoje mais actual do que nunca? Compreende-se que uma adolescente como a que beijou o polícia no 15 de Setembro faça declarações a lamentar a existência de dinheiro, escusando-se a explicar, por exemplo, sobre que critério seguiria para trocar laranjas por umas sandálias novas. Já se compreende pior que um antigo Presidente da República insista numa boutade politicamente explosiva que muito ajudou a estragar o debate político e a permitir que nos enfiassem no poço negro onde hoje desesperamos. Bem sei que é de bom tom, em certos sectores da esquerda lunática, duvidar da genuinidade da dívida que pesa sobre o nosso presente e o nosso futuro, mas ver uma figura como Sampaio regressar à desculpabilização do défice quando se sabe que a dívida não é mais do que os défices acumulados de muitos e muitos anos, deixa qualquer um incrédulo. Pelos vistos Mário Soares não estará sozinho: Ler mais…

Pensões sem sustento

26 Outubro, 2012
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Posso estar enganado mas julgo que Francisco Louçã nunca teria direito a subvenção vitalícia, pelo menos nos termos em que tal tem sido anunciado: esse benefício terminou em 2005 e, a partir daí, apenas ficaram abrangidos aqueles deputados que ANTERIORMENTE a essa data tinham perfazido 12 anos de mandato. Ora esse não era o caso de Francisco Louçã, donde não julgo que subsista qualquer direito a subvenção e, assim, também não se coloca a questão de Francisco Louçã renunciar a um direito juridicamente inexistente.
Ao contrário, recordo-me bem, que muitos deputados que terminaram funções em 2011 fizeram apelo a esse privilégio pressurosamente e sem rebuço – foi o caso de Manuela Ferreira Leite e de outros supostos senadores que agora vertem catilinárias moralizantes sobre todos os demais…

O gratuito está pela hora da morte

26 Outubro, 2012

Adjudicante: Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

OBJETO DO CONTRATO: a prestação de serviços de assessoria de assessoria jurídica, quanto à qualidade e condições técnicas de execução previstas neste Caderno de Encargos, nomeadamente emissão de pareceres jurídicos, produção de documentos recebidos de Ministérios ou outras entidades, emissão de pareceres escritos, pré-contencioso e contencioso judicial, acompanhamento de natureza jurídica em matérias de carácter administrativo e de contencioso, orientações na implementação da legislação após publicada e a que entretanto vigora nos diversos domínios da actividade da ESEnfC, bem como o acompanhamento na sua aplicação.

PREÇO CONTRATUAL: 43.200,00 €

ENTIDADE ADJUDICATÁRIA – ver aqui

a parábola dos talentos

26 Outubro, 2012
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Francisco Louçã é uma pessoa com capacidades intelectuais francamente acima da média, que foi desperdiçando o seu talento, ao longo dos anos, sempre nas piores causas e pelos piores princípios. Só não nos causou grandes estragos graças à sua natureza (e à dos projectos políticos que liderou) diletante, e porque o país já está suficientemente estragado, há muito tempo, para que se possa estragar muito mais. É, então, merecedor da nossa admiração e do nosso respeito pelas qualidades pessoais que deperdiçou na vida pública? Nem por isso…

“Todos à RGA!”

26 Outubro, 2012
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Começa assim:
“Tinha 15 anos quando o assassinato de um estudante, Ribeiro Santos, catalisou os sentimentos difusos de revolta que eu já sentia e me levou a tornar-me primeiro num activista das associações de estudantes, logo a seguir num militante radical. Durante os anos que se seguiram dei o melhor de mim, e praticamente todo o meu tempo, à causa da revolução social e política. Até que, ao entrar na maioridade, comecei a ter dúvidas. Depois das dúvidas, veio a refutação das falsas certezas, e à passagem dos 23 anos já compreendera a fatal ilusão em que me deixara envolver. Libertei-me então da ratoeira ideológica do marxismo e dessa sua declinação extrema, o maoismo. Este livro conta a história desses oito anos. Ou, para ser mais exacto, as minhas memórias do que como vivi esse período. São naturalmente memórias pessoais, informadas pelo meu próprio olhar e apenas por ele.”

É já na próxima segunda-feira o lançamento do meu novo livro, umas memórias dos anos da nossa revolução. Regressarei ao “local do crime”, o antigo ginásio do Liceu Pedro Nunes, em Lisboa. Pelas 18h30. Apareçam, pois agora como então, a palavra de ordem é: “Todos à RGA!”*

*Decifração para os mais novos: RGA=Reunião Geral de Alunos

“Mas o que é isto?”

26 Outubro, 2012

Naquilo que o Carlos Abreu Amorim escreveu sobre Louçã falta o essencial: poderia o PSD bancada a que o CAA pertence  ter um deputado que usasse aquele tipo de linguagem e aquele estilo acusador? Não. Seria afastado o mais depressa possível entre a condenação geral das outras bancadas. Durante anos Louçã falou de roubos, aldrabices, tramóias… todos os outros líderes à excepção dele mesmo e de Jerónimo de Sousa estavam vendidos ao capital e cheiravam a petróleo… Mas quando na AR Teresa Leal Coelho se dirigiu à bancada do BE aludindo aos financiamentos dos soviéticos – em bom rigor a senhora deputada  faria bem melhor em ter aludido à Líbia de Kadhafi – Louçã indignou-se e admirado perguntou Mas o que é isto?”. Louçã foi um bom parlamentar num registo que a AR só tolera a algumas bancadas.

Seja no público ou no privado

26 Outubro, 2012

com as contas do DE

DE: Num colégio financiado pelo Estado, um aluno custa mais 107 euros que numa escola pública.

ou dos outros:

DN: Pagar a colégios fica 400 euros mais barato ao Estado

I: Um aluno de estabelecimento de ensino particular ou cooperativo custa ao Estado quase menos 400 euros/ano

JN: Custo por aluno do ensino público inferior ao do particular

TSF: Alunos das escolas privadas custam menos ao Estado

SOL: Alunos no ensino privado custam menos que no público

o investimento é de facto colossal. E os meninos e respectivas famílias deviam receber um documento anualmente que desse conta de quanto NÃO pagaram mas gastaram. E sim deviam estar muito agradecidos ao país!

Francisco Louçã

25 Outubro, 2012
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Poucas terão sido as vezes em que estive de acordo com Francisco Louçã. Da ideologia política à mundividência, da ideia de liberdade ao modelo de sociedade, nos conceitos mais essenciais e nas coisas mais elementares, quase tudo nos divide.

Mas seria impróprio não reconhecer que hoje a Assembleia da República perdeu um dos deputados mais brilhantes que a nossa Democracia conheceu.

De uma inteligência provocadora e fulgurante, detentor de um verbo inusitadamente acutilante, sustentado numa cultura invulgarmente sólida, Francisco Louçã era um parlamentar temível que raramente vacilava fosse qual fosse o seu adversário. E enfrentou muitos, ao mais alto nível: Guterres, Barroso, Santana, Sócrates e Passos Coelho, entre tantos outros.

Quando escutava as suas intervenções políticas, sentia uma mistura de malquerença e de admiração, uma repulsa pelo conteúdo estranhamente embaralhada no respeito pela dimensão do parlamentar que sempre percebi muito acima da maioria dos seus pares.

Que ninguém o duvide – o Parlamento ficou muito mais pobre.

Mas mais habitual para quem?

25 Outubro, 2012

«A manter-se este último corte, reduzir o subsídio de morte, reduzir ainda mais as prestações sociais, seguramente que o setor vai ter dificuldades. Se calhar, as pessoas que não têm dinheiro para pagar medicamentos, não têm dinheiro para alimentação adequada, irão morrer mais depressa, irá haver mais óbitos. Se houver mais óbitos, não é bom para o setor, ao contrário de outros, uma vez que não há capacidade para pagar os funerais», disse Carlos Almeida à TSF. O presidente da ANEL afirma que o subsídio por morte, com a redução anunciada no Orçamento do Estado para 2013, vai ser insuficiente para realizar um funeral «habitual». «Os 1.200 euros de que se fala não chegarão para a maioria das pessoas que quer fazer um funeral dito mais habitual», afirmou.» 

Um «funeral dito mais habitual» custa de facto mais de 1200 euros. Mas esse «funeral dito mais habitual» é aquele que muito habitualmente as agências se propõem fazer. O mais habitual é uma definição do ponto de vista da agência e não certamente de quem encomenda o funeral já que não se é consumidor habitual de funerais. Contudo existem outros preços. Portugal que é um país que tudo legisla até tem legislação sobre funerais sociais revista e actualizada. Logo se as famílias querem um funeral dito mais habitual devem pagar por ele.  O Estado se acha que deve atribuir subsídios para despesas de funeral não deve ir além desse limite. Porque não tem dinheiro e também porque à conta deste esbanjamento estatal o preço dos funerais está absolutamente inflacionado.

Euro-logical

25 Outubro, 2012

Fiz este quiz «How european are you?»

O meu resultado, 26%, corresponde a: «I’m either indifferent or ambivalent about a union headquartered in a city with a urinating boy as its principal icons»……

 

sondagem

25 Outubro, 2012
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Dicionário breve da crise

25 Outubro, 2012

Corte cego / Austeridade cega  – Redução de despesa que afecta os interesses do emissor

Cortes nas despesas – Expressão usada para designar uma redução de despesa não se sabe onde nem em quê mas que se tem como urgente e miraculosa já que impediria os cortes cegos

Insensibilidade social – Expressão usada pelas corporações para protestar contra medidas que as afectam e que parte do princípio que os governos se dividem em sensíveis e insensíveis. Quanto ao social propriamente dito refere-se a um grupo de pessoas que nunca fala mas por quem todos falam todos os dias. Todos os governos portugueses dos séculos XX e XXI reivindicaram ter sensibilidade social. Aliás quanto mais se agrava a vida dos portugueses mais sensibilidade eles dizem ter.  Recomenda-se com urgência a criação de uma tabela para aferir a sensibilidade social.

Estímulo à economia – Versão politizada dos pretéritos electro-choques: administra-se o estímulo sob a forma de dinheiros públicos e espera-se que a crise passe

Inconstitucional – Expressão idiomática em voga no final de 2012 que se traduz por: esperemos que os juízes do tribunal constitucional resolvam o problema por nós. Em resumo uma actualização da frase de Pilatos enquanto lavava as mãos: “Levem-no e julguem-no conforme a vossa lei

Indignado – Pessoa com enorme disponibilidade de tempo que lhe permite permanecer acampado ou sentado com intermitências de simulações de ataque/defesa perante a polícia. Falam de utopia e de ter de volta a vida que lhes permite essa oscilação entre ‘o sentado/acampado e vou ali mas volto já’. Alguns manifestam um profundo horror ao banho, outros pelo contrário fazem um esforço tremendo para transformar o look casual chic em revolucionário romântico. Cabelo desgrenhado é essencial. Em geral pautam-se por ter um péssimo gosto em matéria de poesia e adoram fazer manifestos absolutamente ilegíveis.

Ouvir a rua – Ao contrário do que se possa pensar “ouvir  a rua” não se refere à poluição sonora mas sim à exigência para que os governantes cedam perante determinados grupos que gritam na rua. Desde que esses grupos se digam de esquerda. A rua só tem direito a ser ouvida se for de esquerda. Se não for de esquerda a rua deve ser ignorada porque é populista e demagógica.  É essencial não esquecer que se a rua for de direita  é arruaceira.  Se for de esquerda é a voz da cidadania.

Escutar o povo – Expressão idiomática portuguesa que significa as eleições não contam nada

Cortar com a PPP’s –  Reivindicação formulada com vigor no semestre de 2012 pelas mesmas pessoas que no primeiro trimestre de 2011 as defendiam, negociavam e aprovavam. Ou seja estamos perante uma versão actualizada em prosa do cultismo gongórico anunciador do barroco do soneto Amor é fogo que  arde e não se sente 

Goldfinger

25 Outubro, 2012

Bundesbank slashed London gold holdings in mystery move Germany withdrew two thirds of its vast holdings of gold from Bank of England vaults shortly after the launch of the euro more than a decade ago, according to a confidential report that emerged on Wednesday.

GERMAN PARLIAMENT DENIED ACCESS TO INSPECT GERMAN GOLD RESERVES DUE TO ‘LACK OF VISITING ROOMS’

Germany Wants Its Gold Back From The U.S. Federal Reserve

 

Desde que o governo espanhol da II República enviou as reservas de ouro da Espanha para Moscovo e para Paris que o ouro não era pretexto para um enredo destes

sondagem

24 Outubro, 2012
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Cortar na despesa

24 Outubro, 2012

Um bom ponto de partida para pensar onde se pode cortar na despesa pública são estes dois mapas da proposta de orçamento para 2013:

Mapa II: DESPESAS DOS SERVIÇOS INTEGRADOS

Mapa VII: DESPESAS DOS SERVIÇOS E FUNDOS AUTÓNOMOS

Deve ter-se em conta que se trata de mapas de despesa (aquilo que cada serviço pode gastar) e que a receita correspondente terá várias fontes (impostos, taxas, emissão de dívida e outros empréstimos e receitas de verdadeiras prestações de serviços) e que maior parcela (68% do total do mapa 2) é a gestão da dívida e da tesouraria (pagamento de dívida antiga, com emissão de dívida nova).

Há alguns números extraordinários:

 

Cortes na despesa segundo os portugueses

24 Outubro, 2012

1. Todos os portugueses são a favor de cortes na despesa.

2. É melhor cortar na despesa do que aumentar impostos.

3. Os cortes não podem ser em bens essenciais como educação, saúde e segurança social.

4. Os cortes também não podem ser feitos na cultura, nem na segurança, nem na justiça.

5. As empresas de transportes são essenciais.

6. Não pode haver cortes no serviço público de televisão. Cortar na RTP levaria à degradação da programação televisiva.

7.Cortar nos transportes, no subsídio de desemprego e nos complementos para idosos é prejudicar os mais fracos.

8. A minha área específica de trabalho é absolutamente essencial. Nem pensar em cortar aí.

9. Protestos contra corte de despesa são sempre maiores que as manifestações a favor de cortes na despesa.

10. Não há memória de protestos contra aumentos de despesa.

11. Ganham-se eleições a prometer aumento de despesa. Nunca se ganham eleições a prometer cortes.

12. Corte-se em tudo menos nos salários das pessoas.  E menos nas pensões. E menos no apoio às empresas.

13. Cortar no investimento público causa desemprego.

14. Os cortes não devem ser cegos, embora o aumento da despesa o possa ser.

15. Todos os cortes devem ser precedidos de estudos infindáveis. Esta regra não se aplica ao aumento da despesa.

Choradinho por mais despesa

24 Outubro, 2012

Jornal de Negócios, defensor intermitente do corte na despesa, hoje tem um editorial a criticar os cortes na Segurança Social. Na página 8 há um choradinho a pedir um plano Marshal para a Comunicação Social. Pago pelo contribuinte, claro …

Corte no subsídio de desemprego

24 Outubro, 2012

Hoje está toda a gente contra cortes na despesa. Governo fez bem em optar por aumentos de impostos.