três importantes notícias
Isabel Jonet e a arrogância da esquerda ululante
Não há nada como em tempos ter feito parte de uma tribo da esquerda jacobina (no meu caso, uma tribo marxista-leninista-maoista) para entender muito bem a fúria da esquerda ululante face às declarações de Isabel Jonet na SICN. Ela não surpreende: é apenas um subproduto da arrogância intelectual dos que, à esquerda, se sentem intérpretes do sentido da História (com H maiúsculo) e proprietários monopolistas da preocupação com o destino dos mais pobres.
A Helena já aqui referiu como os nossos profissionais da indignação são selectivos e só viram as suas baterias para os que se situam fora da confraria e não lhes prestam vassalagem. É uma observação pertinente e reveladora porque o que realmente perturba essas almas é sentirem ameaçada a posição que acham que desempenham nesta santa terrinha: a de intérpretes do destino da Humanidade e, nesta, dos que eles designam como explorados.
A indignação – que nalguns casos assumiu proporções de real obscenidade, tal a grosseria dos seus protagonistas – contra Isabel Jonet não deriva de ela ter dito algumas coisas de bom senso, como pode comprovar quem se der ao trabalho de ver e rever o vídeo, como eu próprio fiz. Ler mais…
Próprio de quem escreve Portugal com p minúsculo
Na SIC- Notícias o programa Opinião Pública debateu hoje o seguinte tema posto nos seguintes termos:
| No Opinião Pública desta manhã falamos de como viver em tempo de crise. Vamos querer saber se os portugueses ainda vivem efectivamente acima das suas possibilidades e se ainda se vive um ambiente de consumismo exagerado em portugal. Queremos também saber a sua opinião sobre as declarações de Isabel Jonet: fazem sentido as recomendações da presidente do Banco Alimentar ou acabaram por ser desproporcionadas? |
(sublinhados meus)
Passar entre os pandeiretas peticionários
Presumo que Isabel Jonet deve estar a ser aconselhada explicar-se, pedir desculpas, fazer um desmentido… Enfim, o costume. Teve azar: os pandeiretas deram por ela. Como vêem muita televisão descobriram o que disse Isabel Jonet. (Uma das vantagens de viver em arquivos é que nunca se vê um pandeireta: investigam pouco e os raros que por lá passam têm de falar baixinho). Claro que aquilo que Isabel Jonet disse não tem nada de novo mas os pandeiretas que da realidade só lhes interessa o diz que disse das televisões e redes sociais ficaram indignados. E um pandeireta indignado twitta logo para outros pandeiretas e todos todos unidos fazem um caso. E aí o objecto da indignação dos pandeiretas vive uns dias de verdadeiro inferno. Parece não haver na terra uma pessoa tão iníqua quanto aquela que tanto indignou os pandeiretas. Todos se sentem obrigados a criticar essa pessoa. Das televisões e rádios pedem depoimentos sobre o assunto. Aqueles que pensam exactamente o mesmo que o alvo da fúria dos pandeiretas calam-se bem calados não vão os pandeiretas virar-se contra eles. Deixá-los por conta daquela vítima que enquanto pregam para aquele lado deixam uma pessoa em sossego! E assim neste medinho que inspiram os pandeiretas vão reforçando a sua estratégia. Porque de cada vez que se mobilizam reforçam-se: os alvos ficam reduzidos a fanicos e aqueles que estão à volta interrogam-se sobre quem será o próximo a ficar na berlinda. Também valha a verdade que é coisa que dura pouco tempo: mais ou menos uma semana e lá vão eles com as pandeiretas para outro lado. Para a semana que vem têm Merkel e também podem voltar àqueles pretéritos assuntos que lhes foram tão caros quanto as alterações climáticas, Guantanamo, ou o muro na faixa de Gaza…
Uma nova XXI nas bancas
Já está à venda a edição 2013 da revista XXI, Ter Opinião, o anuário da Fundação Francisco Manuel dos Santos de que sou director.
A edição deste ano tem artigos muito interessantes de José Manuel Félix Ribeiro, António Borges, João Ferreira do Amaral, André Azevedo Alves, Nuno Garoupa, Pedro Pita Barros, António Barreto, Paulo Guinote, Maria Filomena Mónica, Jorge Campos Costa e Carlos Fiolhais, entre muitos outros. Tem também um extraordinário exclusivo: duas dezenas de fotografias inéditas de Gèrard Castello-Lopes feitas em Praga em 1957. É um olhar muito revelador sobre a tristeza quotidiana do socialismo real que Jorge Calado foi descobrir no espólio desconhecido de um dos maiores, senão o maior, fotógrafo português do século XX.
Não percam.
Tragam-lhes os sais!
«Apelo às crianças e famílias que aproveitem a necessidade de contenção para fazerem sopa em casa, por forma a não gastarem em ‘fast-food’ que, para além de fazer mal, é mais caro» – Lembram-se desta frase? Quantas petições gerou? Nenhuma. Porque a autora da frase foi Ana Jorge que felizmente para ela é de esquerda. Os enfanicados com as declarações de Isabel Jonet claro que estavam em Marte quando Ana Jorge falou e disse algo profundamente acertado tal como acertado é também aquilo que Isabel Jonet disse. Isabel Jonet não podia ter dito o que disse. Não é que não tenha razão. Claro que tem. Mas há coisas que só podem ser ditas pela esquerda. Caso contrário a milícia dos indignados tremelicantes cai-lhe em cima.
Mas não se queriam ver livres do capitalismo?
Faz-se uma revolução contra o capitalismo
Combate-se o país símbolo desse sistema odiado
Promove-se por todo o mundo o combate a essa país e a esse sistema
Depois de décadas neste glorioso combate vive-se na miséria e o único combate que resta aos revolucionários é tentar que o dito país lhe pague uns milhões por não ter relações comerciais com eles: Cuba acusa a EEUU de que el bloqueo ha costado a la isla 84.000 millones de euros
Em resumo: os EUA não só deviam ter relações comerciais com Cuba como passear os dirigentes cubanos pelos EUA. Eles mais do que ninguém amam a América, os dólares e o comércio livre. Não pedem outra coisa há anos.
Estado socialista
A grande diferença entre Portugal e os EUA é que nos EUA os artistas arranjam dinheiro para os candidatos e em Portugal são os contribuintes quem paga aos artistas para que estes contribuam para a boa imagem dos eleitos. No Má despesa pública mostra-se como o concerto gratuito a 5 de Outubro com Mariza no Martim Moniz cuja entrada era grátis teve um custo para a autarquia de pelo menos 28 mil euros. Uma pesquisa no no portal dos contratos públicos por termos como EGEAC ou espectáculo é uma espécie de versão numérica daqueles slogans sobre a cultura é resistência, leia-se sai mais um concerto por alguns milhares de euros.
Temos os habituais mistérios como o representado pelo facto de se gastar quase 300 mil euros em 2012 numa Prestação de serviços no Cinema São Jorge, nomeadamente Assegurar o esquema de rotinas definidas para o funcionamento deste equipamento no que concerne à abertura de salas ao público bem como da sua acomodação e prestação de informação. Colaboração com a equipa do Cinema na preparação da logística dos diversos eventos. Despesa esta justificada com a “falta de recursos próprios” sendo que na CML não deve faltar gente encostada pelos cantos e logo muito preparada para numa sala mais ou menos deserta boa parte do ano “Assegurar o esquema de rotinas definidas para o funcionamento deste equipamento no que concerne à abertura de salas ao público bem como da sua acomodação e prestação de informação.”
Mas o que me deixa absolutamente fascinada é a pesquisa por Tony Carreira Não tenho nada contra o senhor, acho muito bem que cante e que cobre os 45 mil euros do costume para o fazer. Tem até a vantagem, creio eu, de ao contrário doutros artistas não aparecer a fazer de conta que canta de graça, mas não percebo em que alínea do Estado Social está escrito que os contribuintes portugueses são obrigados a abonar o senhor Tony Carreira em mais de um milhão de euros. Tal como nas obras apoiadas pela UE se passou a incluir os valores em causa também os espectáculos “gratuitos” devem passar a incluir o seu custo.
É uma medida de Hollande, portanto é boa
França sobe IVA para descer TSU às empresas
Curioso que a França, uma potência tecnológica, pretende descer os custos salariais. Pretenderão competir na base dos baixos salários? Estarão a ser assessorados por António Borges?
Convenhamos que Passos Coelho foi (seria) bem mais liberal: restringia o financiamento dos “capitalistas” apenas aos respectivos trabalhadores, deixando abertura para negociações ao nível de cada empresa que, no limite, poderiam deixar tudo na mesma. Hollande vai pôr todos os consumidores, trabalhem ou não, a financiarem compulsivamente o “grande capital”.
“Não à TSU, queremos o nosso IVA!” – lema que sugiro desde já para as grandiosas manifestações que certamente se irão realizar por toda a França.
prognóstico eua
sondagem eua
Não foi não ter “ousado tocar”. Criou-o num 28 de Maio
«Chegou a dizer que nem Salazar tinha ousado tocar no Inatel. Acha que a sua demissão ficou decidida nesse momento?» – Pergunta o I a Vítor Ramalho como se no estrambólico dessa frase estivesse a explicação para esta demissão.
Há só um problema de base: Salazar não ousou tocar no INATEL porque o INATEL não existia antes de Salazar. Salazar criou o INATEL. Chamou-lhe FNAT. Foi num dia 28 de Maio. Em 2012, certamente em honra a esse dia o Estado mantém uma rede hoteleira ao certo não se sabe para quê. Ou quando se sabe era melhor não saber.
Continuamente vemos novidades
No Malomil trata-se dos manuais escolares. Do seu preço e do papel que tem sido desempenhado nesta imposição desta despesa anual aos pais pelo Observatório dos Recursos Educativos (ORE) cujo presidente o Professor Adalberto Dias de Carvalho afirmou que, feitas as contas, o sistema de empréstimo fica mais caro ao Estado O Presidente do Observatório dos Recursos Educativos não está só nessa posição: a DECO por exemplo quando muitos pais e alunos começaram a comprar e vender livros na internet também manifestou a sua preocupação com essa prática não regulamentada e Albino Almeida o eterno pai-presidente da CONFAP tb acha que não vale a pena apostar na reutilização dos manuais escolares. Fantástico, não é?
Por fim não é apenas uma questão de despesa mas também da completa inutilidade de muitos destes manuais. Aconselho mais uma vez que abram esses manuais e os leiam.
Mistérios da fé
ÀS vezes interrogo-me se os teólogos da Santa Sé terão noção que em Portugal Nossa Senhora apadrinha o jogo e as touradas, a par de ir passear o Menino para Mouraria. Aliás em matéria de fado existe matéria qb para um concílio. Contudo D. Januário a pronunciar-se sobre o Benfica é coisa que não lembrava ao diabo. Isto não vai acabar bem.
Shortfall
«The European Commission requested an extra €9bn (…) to fill a shortfall in the European Union’s 2012 budget.»(*)
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Ora cá está o verdadeiro o mau exemplo: a União Europeia já estourou o seu orçamento em Outubro e ainda pede mais uns tantos mil milhões de euros para poder funcionar até ao final do ano. Então? Como é isso? Exige aos outros o que não farás em casa? Esta gente nem vergonha tem.
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E para os próximos anos? O rebanho no dito Parlamento Europeu lá aprovou uma proposta que pretende aumentar em 6,8% o orçamento. Haja dinheiro…. O Conselho contrapôs um «simples» aumento de 2,7%. Todos satisfeitos?
Nem por isso.
Os holandeses foram dos primeiros a dizer que nem pensar. Os suecos também (querem cortes na maldita PAC, vejam lá…). Mas isso não consta nas notícias, pois não são oficialmente «eurocépticos». Tal fica reservado apenas para os britânicos.
E o que pretendia o governo do UK?: senão uma diminuição ainda que simbólica, pelo menos, manter o Orçamento exactamente igual.
Mas a oposição (os tais, segundo Bruxelas, eurocépticos…), formada por trabalhistas e mais uns quantos conservadores impuseram um mandato a exigir que o governo britânico consiga uma redução do orçamento comunitário.
Espera aí, disseste trabalhistas? O Partido Trabalhista exigiu cortes no orçamento da União europeia, votando contra a posição dos conservadores que queriam meramente congelar? A Teresa de Sousa ainda não denunciou esta deriva «nacionalista, eurocéptica, isolacionista» da esquerda britânica? Tsss, o mundo já não é o que era….
e por falar em ensino superior…
Bom regresso
A social-democracia continua a querer lixar-nos
«Luís Campos Ferreira defende a urgência do Estado criar um banco de fomento que controle, que seja de serviço público à economia, com taxas justas e financiamento rápido.»(*)
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É o paraíso na Terra criado por decreto.
Eis o «presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas», a mandar uns bitaites aparentemente inconsequentess, mas nos dias que correm, que ninguém se surpreenda se tal vier mesmo a ver a luz do dia.
«Desde logo só faz sentido se tiver uma participação forte do Estado». CGD? «O banco do estado [afinal já existe…] tem perdido a sua vocação e missão [não existe uma maioria parlamentar que controla 100% da CGD?]. «O banco de fomento deve ser em primeiro lugar agregador dos capitais dispersos por diversos instrumentos financeiros da esfera do Estado». Ok, portanto há dinheiro, o Estado aplica mal e quer-se criar uma nova camada para passar a gerir bem, embora ali ao lado já exista um outro banco que é do Estado. «A isto juntar-se-ia as capitais de risco do Estado». Capitais de risco do Estado? Mas ele saberá porventura do que está a falar? Risco, do estado? »…poderia emitir obrigações com garantia da republica portuguesa. Esta seria a grande novidade do banco para conseguir recursos, já que ele não iria captar depósitos». Aconselha-se o senhor deputado a ler o Diário da República: tem lá muitas obrigações emitidas pelos bancos portugueses com garantia da República portuguesa. Não sendo propriamente «novidade», quer ainda mais? «Que instrumentos pode disponibilizar às empresas? Ao nível de financiamento, linhas de crédito [já existem] mas também garantias bancárias [já existem], seguros de crédito [já existem] e, em meu entender [bitaite] pode até subscrever acções de determinadas empresas num papel quase de capital de risco [não existem já as ditas capitais de risco do estado?]». «Um banco dedicado às empresas é o instrumento que falta à economia portuguesa». Uma economia socialista portanto, com financiamento público. «A que chama taxas justas? Varia muito [pois…] Mas se for financiar-se a 1% lá fora, nalguns casos pode emprestar a 1,1% para pagar os custos administrativos»: Campos Ferreira para administrador já de qualquer banco!
Por favor mandar a factura aos pais da constituição
Leitura aconselhada a guerreiros de bancada e àqueles que nem à tropa foram e também por isso lhes acham graça
«La historia de Europa en el periodo de inmediata posguerra no es una de reconstrucción y rehabilitación, es en primer lugar una historia de la caída en la anarquía”, avisa en la introducción. No hay ley ni orden: no hay policías ni jueces. No hay bancos, ni puentes, ni trenes, ni escuelas, ni bibliotecas, ni tiendas, ni fábricas, ni correos, ni teléfonos. No hay sentido del bien ni del mal. “Hombres armados deambulan por las calles”, describe Lowe, “cogiendo lo que quieren y amenazando a cualquiera que se interponga en su camino. Mujeres de todas las clases y edades se prostituyen a cambio de comida y protección. No hay vergüenza. No hay moralidad. Solo la supervivencia”. Y la venganza.» – Europa, continente selvagem
Impressões
Madeira.
Quase mudou. Foi por pouco, mas ficou o sinal.
Exemplo da Madeira
Pode ter um paralelo no continente. Neste caso, não é necessária uma bola de cristal para se ter uma ideia do que se poderá passar.
Comece já!
o que é a a3es?
É isto que o governo português quer para o ensino superior (com a devida vénia ao leitor Joaquim Amado Lopes, pela lembrança)?
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«Nos últimos anos verificou-se um contexto internacional de mudança das relações entre as instituições de ensino superior, o Estado e a sociedade: as políticas de pendor neoliberal e a emergência da Nova Gestão Pública (NGP), as políticas de culpabilização (blame policies) que atacando as autonomias profissionais, o setor público e os seus funcionários abriram caminho para a privatização das atividades do Estado, a defesa da superioridade da gestão privada e a perda de confiança nas instituições.»
não há meio de aprenderem
Num momento de confessada falência do estado português, quando se fala na necessidade de rever as «funções do estado», por isso se entendendo a redução da sua presença nos sectores tradicionais por onde tem andado nas últimas décadas, entre eles a educação, e quando ouvimos, todos os dias, os reitores e responsáveis das universidades e escolas superiores públicas a reclamarem da falta de condições de trabalho e de dinheiro, chegando ao ponto de afirmarem que não o têm para os salários dos seus professores, essa bizarra instituição que dá pelo nome de A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior) acabou de anunciar que mandou encerrar uma elevada quantidade de cursos de instituições privadas, algumas das quais que ficam, por isso, «em risco de fechar», fazendo disso a bandeira dos resultados da sua «avaliação» do ensino superior português para que foi criada.
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Estas decisões da A3ES exaltam o espírito do indígena, que julga ver nelas vestígios de «rigor» e «exigência», do qual resultarão evidentes melhorias do sistema português de ensino superior. Por outro lado, confirmam-lhe as eternas suspeições que incidem horizontalmente sobre toda a sociedade e que são muito próprias da sua natureza, de que o «privado» é a fonte de todos os vícios e o «público» de todas as virtudes. Quanto ao governo português, em vez de se preocupar com a sustentabilidade do seu próprio sistema, anda entretido a meter o nariz em instituições onde não gasta um cêntimo e das quais, pelo contrário, recebe muito dinheiro em impostos e taxas, e que deveria aproveitar para que o ajudassem a suprir as suas cada vez mais gritantes dificuldades no sector. E fá-lo, ainda por cima, com uma instituição nomeada pelo governo anterior, manifestamente contrário ao ensino superior privado, presidida pelo Professor Alberto Amaral, um velho fóssil da extrema esquerda portuguesa e um eterno inimigo declarado do ensino superior privado.
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Com atitudes hostis, como esta, em relação à iniciativa privada, e comissões fiscalizadoras com esta predisposição contra o ensino privado, o governo há-de explicar-nos como irá rever a posição do estado no ensino superior. Talvez seja necessário que o FMI lhes explique, porque, por eles, sozinhos, está visto que não aprendem nada.
Antes pelo contrário
O desafio do nosso tempo é precisamente esse: sermos capazes de o fazer em democracia. Caso contrário por mais que aparentemente o problema complexo seja resolvido cria-se outro bem maior: o do regime. Por outro lado esta frase parte do princípio que quem governa fora da democracia está ou pode estar acima das corporações. Não só isso não é necessariamente verdade, antes pelo contrário, como esse é o caldo de cultura ideal para o medrar das corporações. O que nós temos é falta de democracia – veja-se o dramático caso da construção europeia – e não o contrário.
Quebra-cabeças de Domingo
Descobrir qual destes artigos foi publicado em primeiro lugar:
ABC: CINE Diez escenas míticas de la historia del cine que no estaban en el guión
DN: HISTÓRIA DO CINEMA Cenas fora do guião afinal tornaram-se míticas
Os jornais e as televisões até podiam instalar lá não as redacções por inteiro mas umas secções seria muito educativo
»Maçon assumido, Michel instalou uma escola de cozinha em várias das lojas que a empresa municipal dos bairros sociais de Lisboa, a Gebalis, tem na freguesia de Marvila. Aos alunos dos cursos anuais eram cobradas mensalidades da ordem dos 650 euros, mas a renda que o chef pagava em 2011 à autarquia era substancialmente inferior: 382 euros por mês» – Não conheço as lojas em questão mas a não ser que estas sejam uma gloriosa excepção a verdade é que nem de borla a CML consegue arranjar inquilinos para muitas das lojas que mantém fechadas nos bairros sociais.
Hoje, no Público, defendi que o debate sobre as funções do Estado devia ter começado há ano e meio, mas que é melhor tarde do que nunca:
O jornalista, proclamou solene o douto professor universitário, é “um funcionário da Humanidade”. A frase é bonita, soa bem e a Fátima Campos Ferreira não deixou de acenar com a cabeça. Infelizmente, a frase não quer dizer nada. Nem responde ao que devia estar a ser discutido naquele Prós e Contras: se o jornalismo é importante, como é que o pagamos? É que eu, por exemplo, não me estou a ver a ir pedir o meu cheque às Nações Unidas.
O nosso espaço público está cheio de frases como aquela: grandiloquentes, capazes de arrancarem aplausos às plateias, mas mistificadoras, quando não abertamente idiotas. Lembram-se, por exemplo, de quando se andou para aí a glosar a ideia de que “o lugar onde se nasce nunca devia morrer” a propósito da Alfredo da Costa? Também era uma frase bonita, que dava títulos lindos, mas tão disparatada como capaz de bloquear qualquer debate racional.
Mais recentemente, o país comoveu-se com um enfermeiro que pediu ao Presidente que não criasse um “imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade” e sucederam-se programas indignados sobre essa indignidade que seria ter de emigrar. Em momento algum, talvez em nome das tais lágrimas e da tal saudade, vi alguém interrogar-se sobre o facto de o número de enfermeiros em Portugal ter duplicado entre 1999 e 2010 (ver Pordata) e de, ao mesmo tempo, se terem multiplicado os cursos superiores de Enfermagem (muitos criados para satisfazer clientelas locais) que lançam para o mercado de trabalho milhares de profissionais que o sistema de saúde já não consegue absorver. Nada disso. O que dominou foi outra frase grandiloquente: “Estamos a perder a geração mais qualificada de sempre”. É possível, mas de novo ninguém se interroga sobre se essa geração terá as qualificações certas ou se, em muitos casos, não se fica pelas qualificações que foram mais convenientes às carreiras dos senhores professores universitários.
Confesso que eu, “funcionário da Humanidade”, tenho cada vez menos paciência Ler mais…
O mundo mudou!!!
A crise e a falência do País estão a forçar as decisões e as reformas que se impunham há mais de 2 décadas as quais, fossem então implementadas e não estaríamos na situação depauperada de hoje. O acórdão de má memória do TC sobre os subsídios da função pública, as peripécias do OE2013, as frases cirúrgicas de Vítor Gaspar e de Passos Coelho (“enorme aumento de impostos”, “queremos Estado social, mas não queremos pagá-lo”, “as garantias da Constituição de nada valem sem dinheiro”), colocaram definitivamente em discussão o papel do Estado. Esta discussão irá inevitavelmente extravasar para a opinião pública e um número crescente de cidadãos consciencializar-se-á que o estado-providência ultrapassou todos os limites e é hoje insustentável.
A recente proposta de “refundação do memorando” (à boa maneira tuga, já se gastaram rios de tinta a discutir a terminologia) visa, no fundo, redefinir o papel do Estado na sociedade e redimensioná-lo em consonância. É ponto assente que o País não consegue sustentar este Estado paquidérmico e ele tem de emagrecer numa base estruturante. De nada vale cortar despesas hoje numa base transitória para amanhã voltar a repô-las. E isto, por muito que custe a alguns, vai obrigar a substituir a actual Constituição, que obriga a muita da despesa rígida em que o Estado hoje incorre. Qualquer constituição que se preze, tem de estabelecer limites claros ao poder do Estado; a nossa maximiza-os. Deve permitir a existência do Estado máximo e do Estado mínimo, mas sempre numa base reversível; a nossa obriga ao Estado máximo.
Acabou-se o dinheiro, o crédito e o Estado deixou há muito de comandar a rotativa das notas. Temos uma Constituição que obriga a gastar o que não há e um sistema político com um claro défice de representatividade, em que impera a partidocracia. Ambos estão em rota de colisão com a realidade, que ameaça esmagá-los. Isto coloca a esquerda e a direita estatista num estado de completa impotência em que tudo recusam – subida de impostos, redução de despesa, reforma do Estado – mas nada têm para oferecer. A recente indignação do PS por causa da vinda dos técnicos do FMI, não passa de ridículo fait-divers para disfarçar que continua como a avestruz.
O mundo mudou (a frase mais assertiva de Sócrates), mas muitos continuam em estado de negação.
Estamos muito indignados
Há 15 dias estavam todos indignados com o aumento de impostos.
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Há uma semana estavam indignados com os cortes na Segurança Social.
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Esta semana a indignação é com o apoio do FMI a um programa de reforma do Estado.
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Portanto, nem mais impostos, nem menos despesa, nem reforma do Estado.
Perceberam agora?
Que se acabarem as touradas acabam os touros bravos?
Futilidades de quem não se preocupa com o fim do mês
Um capelão das Forças Armadas que prega a rebelião militar
Um capitão que participou num golpe alegadamente contra uma guerra e que agora anseia por outra
Deputados que no parlamento exigem muito respeitinho institucional e depois participam em manifestações chamadas Cerco ao Parlamento
Prémio memória muito selectiva
“Há, pela primeira vez, miséria desde a Revolução dos Cravos”.
Mário Soares, primeiro-ministro de Portugal em 1983-85
matar saudades
De passagem pelo Portugal Contemporâneo.
Despedidas de solteiro
Ao ver o grotesco de muitas das manifestações ditas de pessoas em luta contra as medidas de austeridade – sobretudo daquelas que fazem os jornalistas ter tremeliques na voz – lembro-me cada vez mais das despedidas de solteiro sobretudo daquelas em que os limites do bom gosto e do bom senso são ultrapassados até se cair numa coisa entre o grotesco e o javardo. Ou das excursões de finalistas a Lloret del Mar.- Enfim uns dias ou uns momentos de aparente subversão para no dia seguinte os noivos estarem compostos no altar. E os estudantes a ligar aos paizinhos pedindo-lhes que paguem os vidros partidos. Tal como estes manifestantes no da seguinte estão na boa vida do costume e alguns no fim do mês a receber a bolsa, o subsídio, o complemento… e no caso dos sindicalistas o respectivo ordenado. Não querem mudança alguma. Muito menos revoluções. Querem apenas um intervalo que reforce o status quo instituído o mesmo que os tem sustentado tão generosamente.
Piquetes em Espanha em que os ditos grevistas agridem os trabalhadores:
Em que ficamos?
«“Haverá um combate radical aos graffiti”, declarou o autarca durante o debate sobre o estado da cidade que decorreu na terça-feira na Assembleia Municipal de Lisboa. Sá Fernandes explica que a mega-operação de limpeza deverá arrancar em Janeiro ou Fevereiro e implicará custos que “não chegam a um milhão de euros”.» – José Sá Fernandes representa uma das maiores mistificações da política portuguesa: levado ao colo pelo BE e pelo PS no caso do túnel do Marquês acabou relegado para a obscuridade pela equipa de António Costa pois era evidente que nem a boa imprensa de António Costa era qb para anular os efeitos de cada aparição pública de José Sá Fernandes e tanto disparate em torno das corvinas e das amêijoas Enfim o Zé que fazia falta acabou o Zé que é melhor que ninguém sabe onde anda e muito menos o que diz ou fez. Agora voltou com anunciando o fim dos graffiti. Por acaso concordo mas pode começar pela própria CML cuja vereadora da cultura não lhe ocorreu melhor que promover a proliferação dos ditos.
uma lógica que impressiona
Na sua crónica de hoje do DN, Ferreira Fernandes começa pela constatação de uma evidência: o falhanço das autoridades federais dos EUA na forma como reagiram ao Katrina. Depois, a partir de uma frase muito sensata de Mitt Romney («De cada vez que se passa alguma coisa do governo federal para os estaduais, vai-se na direção certa, e se puder ir-se mais longe e passar para o setor privado, ainda melhor.»), embarca na onda do comprometido New York Times para malhar no candidato republicano e retirar a notável conclusão de que o «discurso do estado mínimo» é absurdo. Caso tenha escapado a Ferreira Fernandes, esclarecem-se duas coisas: que o que Romney afirmou não é mais do que o princípio da subsidiariedade, muito na moda da retórica política corrente (ele próprio já o deve ter proclamado nalgumas das suas crónicas), ainda que pouco praticado, e até incluso nos tratados da União Europeia; e que a sua peça se inicia com a crítica ao que, no final, acaba por exaltar: os poderes do estado central. Uma lógica impressionante, não haja dúvida!
Insultam todos ou como em 1975 alguns levam vivas e beijinhos?
«Apupos, insultos e palavras de ordem acompanharam a saída dos automóveis dos deputados de uma garagens da Assembleia da República, tendo a polícia criado um cordão para afastar os manifestantes dos veículos.
Os carros estão a sair do parlamento pela saída lateral da Assembleia da República, virada para a calçada da Estrela, em Lisboa, e elementos da PSP criaram um cordão para permitir a saída das viaturas.
Junto a esta saída está concentrada cerca de centena e meia de pessoas que gritam palavras de ordem e insultos aos automóveis que saem do edifício.
Alguns manifestantes seguram cartazes com mensagens contra o Governo e gritam «Está na hora do Governo se ir embora».
«Abaixo regime traidor» e «Passos Coelho vai badamerkel» são outras palavras de ordem.»
Intervenção de Encerramento do Debate da Generalidade OE 2013
Aqueles que cercam a Assembleia da República, sobretudo os que agora dão entrevistas (aos jornalistas que temos) de cara tapada e petardos na mão, deveriam perceber que não estão a cercar um edifício e as pessoas que lá trabalham – estão a tentar sequestrar a própria Democracia.
Não é a primeira vez: já em 1975 isso aconteceu.
Agora, tal como então, não terão êxito.




