Todos os animais são iguais mas uns são mais iguais que outros
«A partir de Janeiro do próximo ano, os funcionários públicos que faltem por motivo de doença perdem a totalidade da remuneração nos primeiros três dias. A partir daí, e até ao trigésimo dia de falta, têm um corte de 10% do salário bruto, recebendo 90%. De acordo com a proposta enviada na segunda-feira aos sindicatos, estes cortes não se aplicam em casos de internamento hospitalar.
Actualmente, a lei prevê que, nos primeiros 30 dias de falta por doença, os funcionários percam um sexto do salário (correspondente ao vencimento de exercício). Mas o dirigente do serviço pode autorizar o pagamento dessa parcela e, na prática, a generalidade dos funcionários públicos acaba por receber a totalidade do salário.
(…) No sector privado, os trabalhadores de baixa também não têm direito a qualquer pagamento nos três primeiros dias. Daí para a frente e durante o primeiro mês, o subsídio de doença corresponde a 55% da remuneração de referência (até Julho era 65%).»
o tamanho importa, sr. ministro
«Não queria entrar num concurso de adjectivos», disse ontem o Ministro das Finanças ao ser inquirido por um jornalista sobre o tamanho do assalto fiscal previsto para 2013: se «enorme», como nos comunicara na passada semana, se grande, médio ou pequeno, como parece agora ser possível. Vitor Gaspar justifica esta surpreendente mudança com pressões exercidas pela troika e pelo Eurogrupo, que «considerarão positivo se for possível substituir algumas das medidas de agravamento do lado da receita por medidas de corte de despesa». Deste modo, de uma semana para a outra, os “cortes na despesa pública”, que permitiriam, num futuro indeterminado, alguma contenção fiscal, deixaram de ser uma hipótese sem data para passarem a ser uma “possibilidade” real, já no orçamento de 2013. Tamanha ligeireza fiscal só comprova uma coisa: que o ânimo “reformista” deste governo se fica por sucessivos aumentos de impostos e que só atacará, a sério, a despesa pública por pressão dos credores. Sobre isso, e apesar de Vitor Gaspar não querer discutir adjectivos, conviria que soubesse, já que é ministro das Finanças, que, para a economia de um país, o tamanho dos impostos importa. E, ao contrário do que afirmam algumas generosas senhoras para aliviarem a ansiedade anatómica dos seus companheiros em momentos de stress, quanto mais pequenos melhor.
Auto-serviço, serviço público e serviço ao público
Um dos melhores símbolos do paradoxo da função pública é que quando deixa de haver dinheiro nos serviços públicos a primeira coisa que se faz é deixar de servir o público. No privado despede-se, muda-se, tenta-se… mas enquanto não se abre falência tem de servir o público porque é ele quem paga o ordenado. Nos serviços públicos quando o dinheiro escasseia deixa-se de prestar serviço ao público e no resto mantém-se tudo igual. Fazendo parte do igual as declarações sobre a equidade.
A lata desta gente…
«Reformas na Função pública aos 65 anos JÁ em 2013»
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Destaquei aquele «já», pois que o normal deveria ser «Só».
A que propósito é que tal medida não foi tomada para vigorar hoje mesmo? Ou ontem? Ou há meses/anos atrás?
Querem «dar oportunidade» a que mais uns tantos milhares metam o pedido a correr e se reformem mais cedo que o resto dos cidadãos? Nunca mais acabam as castas.
Uma explicação que não me convence
«O Presidente da Associação Sócio-Profissional da Polícia (ASPP/PSP) afirmou hoje que há milhares de polícias a realizar serviços administrativos em vez de andarem nas ruas por causa da elevada idade a que se podem reformar. Dados de uma auditoria da Inspeção Geral das Finanças, citada hoje pelo Correio da Manhã, revelou que cerca de 11 mil polícias estão a desempenhar funções administrativas e não operacionais. “Temos milhares de elementos com mais de 50 anos, que não têm condições, nem físicas nem psíquicas, para estarem operacionais”, considerou, salientando que há uns anos a média de idades na PSP era de 35 anos e que agora ronda os 45.Paulo Rodrigues considerou que o Governo deveria considerar baixar a idade de reforma dos polícias, porque os agentes “com muita idade não podem exercer serviço operacional”.
“Temos muitas esquadras, principalmente nos comandos do interior, onde há comandos cuja média de idades ronda os 50 anos. Nenhum cidadão minimamente consciente aceita que um carro patrulha de intervenção rápida seja constituído por elementos com mais de 50 anos”, disse.»
Para lá de questões tão elementares quanto os 50 anos hoje não são 50 anos em 1980 ou que nem todas as patrulhas se revestem de características que impliquem uma excelente forma física acresce que num carro patrulha vão vários polícias, se um for mais velho não só não vejo problema algum como me parece muito importante a presença de polícias mais velhos nas patrulhas de rua. A experiência faz falta e é um valor acrescentado.
Não é possível reduzir o número de deputados? Falso!
Portugal é um país curioso. Passamos o tempo a dizer que precisamos de reformar o sistema político, e quando alguém (neste caso o PS) propõe uma reforma mínima – diminuir o número de deputados – todos começam a discutir o eventual populismo em vez de discutir o essencial: vale a pena? É uma reforma positiva?
O engraçadismo
Não tenho a menor paciência para o estilo piadístico que tomou conta do jornalismo. E também não acho esse tipo de jornalismo nada isento: sob aquele manto diáfano da piada há uns políticos que são quase sempre poupados porque fazem parte do mundo mais afectivo que ideológico das redacções e há outros, os populistas, que saem sempre a ganhar na medida em que ainda conseguem ser mais populistas do que notícias que fazem sobre eles. Daqui decorre que se nivela por baixo e que a maior parte destas supostas notícias engraçadas são mais patéticas do que engraçadas. E no meio disto existe um caso que acho de um profundo mau gosto ser misturado com os restantes. Refiro-me à gaffe de Guterres. Há ano que vemos Guterres a dizer que é só fazer as contas. Ao que foi revelado posteriormente Guterres saía de uma visita onde percebera que o estado de saúde da sua mulher, que era muito grave, era pior do que aquilo que ele sabia. SE for este o contexto da gaffe acho de uma profunda falta de gosto que ela continue a ser apresentada neste tom de laracha. Se o staff de Guterres arranjou esta desculpa – o que não creio possível – o caso também não tem graça alguma porque inventar uma desculpa dessas seria gravíssimo, moralmente falando.
Sendo um consenso nacional que é necessário reduzir na despesa qual é a despesa em que consensualmente se pode reduzir? Até agora nem uma!
Maternidade Alfredo da Costa não pode fechar
Fundações questionam os critérios para cortes do Governo Muitas fundações questionam os critérios do governo. As reacções aos cortes do financiamento do Estado vão do desânimo à contestação.
Cortes nos medicamentos voltam a gerar indignação
Autarcas do Interior lamentam dificuldades devido a cortes na ferrovia
PS: Privatização da RTP é opção “inadequada à realidade” e foge à tendência europeia
Os deputados e os números
António José Seguro trata de reduzir à sua expressão mais simples os seus futuros parceiros de coligação – isto se aguentar até chegar a hora do PS pq a corrida contra ele avança . Mas nesta proposta de Seguro para reduzir o número de deputados há um aspecto que me interessa: até quando um partido que não se apresenta a eleições como é o caso dos Verdes vai continuar a ter grupo parlamentar?
Impressões
Social-democracia
Estado “social”/ “providência” muito grande e que as regras tornam difícil reformar. Impostos enormes e crescentes.
Não foram os Alemães que fizeram as regras
Com estas regras, é difícil. A CRP não foi escrita e aprovada por Alemães.
O outro problema de Paulo Porta
Sendo o CDS um partido com eleitorado volátil, interessava ao CDS consolidar clientelas. Por isso a mais ambiciosa proposta de corte na despesa por parte de ministros do CDS é no ar condicionado. E por isso é que o CDS está interessado em ministérios que servem as clientelas tradicionais do partido (agricultura), em ministérios que permitem criar clientelas novas (Turismo) ou em ministérios clientelares por natureza (Economia, Segurança Social). Acontece que o CDS teve azar. Chegou ao governo no preciso momento em que não há dinheiro. Embora tenha um discurso anti-impostos, o CDS tem uma prática pró-despesa que é incompatível com a falta de dinheiro.
Racismo pouco subtil
«As pessoas de origem africana que vivem em Portugal estão sub-representadas nos processos de tomada de decisão política e institucional. Não têm igualdade de acesso à educação, aos serviços públicos, ao emprego. São discriminadas no sistema de justiça, vítimas de discriminação racial e de violência pela polícia. O reconhecimento como pertencendo à sociedade portuguesa e os seus contributos ao longo da história para a construção e desenvolvimento do país são insuficientes. Finalmente: são vítimas de exclusão e marginalização, e em Portugal “o racismo é sobretudo subtil”.
Este é, em traços gerais, o retrato da situação das pessoas de ascendência africana que vivem em Portugal feito por peritos da Organização das Nações Unidas (ONU), a partir de uma visita ao país em Maio de 2011, e que ontem esteve a debater o relatório, agora concluído, com representantes portugueses numa sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, Suíça.»
Esta concepção dos peritos das Nações Unidas é um exemplo de racismo pouco subtil. O que entenderão esses peritos por “pessoas de origem africana”? Estarão nessas pessoas os milhares e milhares de retornados? Os milhares de pessoas que independentemente da sua cor nasceram e viveram em África? Existem em Portugal milhares de negros que nunca puseram um pé em África e milhares de brancos que são africanos. Vamos dar aos filhos dos primeiro saulas de batuque e de vira do Minho aos segundos? Enfim como escreveu Gaston Kelman Je suis noir et je n’aime pas le manioc
Quais as despesas que se podem cortar?
Segundo um especialista ouvido pelo Público, fechar linhas de comboio que dão prejuízo não pode ser. A CP está falida, mas o que é prioritário é ter duas linhas de comboio para Sines ou 2 linhas independentes para Espanha (nenhuma das quais viável).
O diabo está nos detalhes
O que sucedeu com a bandeira neste 5 de Outubro não é alvo de investigação? Pois se não é devia ser. Cavaco Silva e António Costa hasteiam a bandeira. Esta está ao contrário. Mas não foram certamente Cavaco Silva ou António Costa quem colocou a bandeira ao contrário. Eles limitaram-se a hasteá-la. Quem a colocou naquela posição? Fê-lo por negligência ou por má fé? A CML além de um pedido de desculpas deve uma explicação pelo sucedido.
falar por não ter nada para dizer
O PS de Seguro também quer “introduzir maior transparência na vida pública”, criar uma “maior proximidade entre eleitos e eleitores e uma menor dependência dos eleitos face às direções partidárias” e, ainda, pasme-se!, “reduzir o número de deputados na Assembleida da República”. Tudo prodígios originalíssimos e nunca vistos, e muito oportunos no presente momento de penúria. Já quanto ao número de deputados da nova Assembleia, “a assessoria do PS escusou-se a avançar o número, remetendo mais pormenores para mais tarde”. É coisa para se ver um dia destes.
um banco seguro
Não bastando a faraónica Caixa Geral de Depósitos e a muita massa espatifada com a nacionalização do BPN, o PS propõe agora, pela voz do seu ainda secretário-geral, António José Seguro, que o governo crie e seja proprietário de mais um banco “de fomento destinado a apoiar investimentos em articulação com os fundos comunitários e o Banco Europeu de Investimentos”. Com que dinheiro o estado faria essa “articulação”, o Dr. Seguro não nos explica. O assunto foi apresentado “sem detalhar pormenores”, muito naturalmente. Não há ninguém pelo PS que explique ao seu secretário-geral que os portugueses estão saturados de parlapatices e que este não é o melhor momento para lhes torrar a paciência?
Portugal gosta de viver de ilusões. Quem ler os jornais ou vir as televisões, descobrirá que tudo se vai resolver neste rectângulo à beira-mar plantado no dia em que se cortar nas despesas do Estado. Dos mais sisudos “senadores” aos mais azougados repórteres, passando por atarantados deputados, tudo se resolve com um Estado mais pequeno. Ou seja, parece existir em Portugal um enorme consenso “neoliberal”.
Nada mais enganador. Primeiro, porque já se está a cortar imenso na despesa do Estado mas isso não tem chegado. Depois porque a esmagadora maioria dos que exigem cortes discordam de todo e qualquer um dos cortes em concreto.
Na semana passada, o presidente do BPI, Fernando Ulrich, surpreendeu muita gente ao declarar que devia ser motivo de orgulho para Portugal “que a despesa primária, sem juros, e sem medidas extraordinárias, tenha passado de 83,5 mil milhões de euros em 2010, para pouco mais de 70 mil milhões de euros” em 2012. Ler mais…
O problema do Portas
7 mil milhões de euros
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Este é o défice que tem que ser cortado em 2 ou 3 anos. Quem ambiciona ser um político relevante em Portugal nos próximos anos tem que ter uma solução realista para este problema. O Portas não tem nenhuma melhor que o programa da troika. Nem ele nem ninguém.
decida-se, dr. portas
Tem que se decidir. Não anda na política há mais de 30 anos, sofrendo pressões e correndo riscos pessoais, para se deixar ir na enxurrada de um governo mal preparado para responder a uma crise violenta, na qual você tem poucas responsabilidades e pouco espaço de manobra para impor soluções. É certo que a queda do governo e novas eleições seriam, neste momento, mais uma grave complicação para Portugal, mas, a verdade, é que a base eleitoral que o elegeu já se encontra praticamente desfeita, e a execução orçamental do próximo ano dará pouco espaço a recuperações de popularidade. Com uma recessão sem fim à vista e um ambiente social e político profundamente degradado, acha mesmo que este governo aguenta a legislatura? E se cair mais para diante, o tombo será maior ou menor do que agora? E quem lhe sucederá? O PS de Seguro, com uma votação de protesto expressiva, menos preparado ainda para governar do que o governo actual e com uma visão do país que é precisamente a que originou o sarilho em que estamos? Uma frente de esquerda para arrumar com o resto? Um governo de iniciativa presidencial sem nenhum líder político com expressão no país? Por outro lado, Dr. Portas, não dá para continuar a assobiar para o ar e fazer de conta que, para além de um ligeiro desconforto e algumas diferenças pontuais, não se passa mais nada. O seu grupo parlamentar está em clara oposição ao orçamento do próximo ano, o mesmo é dizer, ao governo. Alguns dos seus deputados já nem aplaudem o primeiro-ministro quando ele fala na Assembleia da República. Os barões do seu partido, de Pires de Lima a Bagão Félix e a Ribeiro e Castro, protestam na comunicação social contra as medidas de Gaspar, como qualquer dirigente da CGTP. E, quanto a si, está visto há muito, desde, pelo menos, o debate eleitoral das legislativas com Passos Coelho, que não deposita qualquer confiança nele, sentimento que lhe é retribuído e que ele também deixou bem claro quando, nesse mesmíssimo debate, o mandou olhá-lo nos olhos, em vez de você continuar a fazer de conta que ele não estava ali. Algo me diz que não lhe deve ter perdoado a afronta. Você está, por isso, Dr. Portas, na maior encruzilhada política da sua vida: a de tentar escapar à hecatombe sem porta de fuga, nem saídas de emergência. Qualquer decisão que tome agora poderá sair-lhe cara. Qualquer decisão que deixe de tomar não lhe sairá certamente barata. No ambiente de degradação em que a coligação e o governo se encontram, e que todo o país já percebeu, talvez só lhe reste mesmo retirar o seu partido do governo na próxima remodelação e firmar um acordo parlamentar com o PSD, se eles forem nisso, que lhe permita apoiar ou rejeitar o que entender, em vez de andar por aí a fazer cara de enjoo sempre que o governo toma decisões. E correr os riscos altíssimos, para o país, para o seu partido e para si próprio, desta ou de qualquer outra decisão que venha a tomar. Seja qual ela for, decida-se, Dr. Portas.
A decadência de um regime que achou que a governação se fazia com golpes de estado e que a pobreza se resolvia com leis
Uma bandeira ao contrário
Discursos que são recados
Uma cerimónia sem povo e com medo dele
Uma mulher que aos 57 anos vive de uma pensão de 200 euros e se diz desesperada
A vida antes do défice era mais fácil
Durante o século XX a política fazia-se num ambiente de baixo endividamento, crescimento na casa dos 3% e inflação quanto baste. A população era jovem e a percentagem da população dependente da segurança social era baixa. Neste ambiente, os socialistas podiam seguir uma política de taxar e gastar porque a economia conseguia ainda assim crescer. A direita podia seguir uma política de baixar impostos para estimular a economia porque a dívida era diluída pelo crescimento. Se alguma coisa falhasse, emitia-se moeda para gerar inflação, o que reduzia salários e dívidas.
À atenção de Passos e Seguro
o que diz portas?
Que só está à espera da melhor oportunidade para sair do governo e provocar eleções antecipadas.
de fora
Enquanto, por Portugal, os indígenas andam naturalmente obcecados com a extorsão fiscal que lhes tem sido imposta pelo “governo mais liberal de sempre”, o tal que ia resolver o défice das contas públicas pelo lado da despesa e não apenas da cobrança, o que se está a passar nos EUA poderá ajudá-los mais do que possam pensar: se Mitt Romney mantiver o bom discurso liberal-conservador de ontem e se com ele ganhar as eleições e orientar o governo do seu país, o futuro poderá demonstrar que uma economia em crise profunda se recupera diminuindo o paternalismo do governo e não aumentando-o, como acreditamos actualmente.
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Sucede que Portugal e a generalidade dos países da Europa Ocidental Continental são particularmente sensíveis ao que vem de fora, e acompanham as tendências e os ciclos de influência ideológica dominantes. Nas décadas de 70 e 80 éramos socialistas à maneira de França e dos nórdicos, na década seguinte, graça a Reagan e a Thatcher, compreendemos que a “inevitabilidade do socialismo” era uma fraude mais do que indesejável, tendo regressado ao nanny state com Clinton e Blair, agravado, mais tarde, pelo governo de Barack Obama (e, agora, o inefável Monsieur Hollande), de que foram plagiadores sucessivos, em Portugal e Espanha, António Guterres, José Sócrates e Zapatero.
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Por consequência, se a política americana voltar a desprezar o paternalismo do estado e se, a partir de uma situação de crise profunda como a que vive actualmente, conseguir provar que o que move a economia é menos e não mais estado, mais liberdade económica e menos proteccionismo, pode ser que, por cá, consigamos finalmente compreender que as medidas de engenharia fiscal deste e de qualquer outro governo, para manterem o que é já uma pálida sombra de um modo de vida ineficiente e suicida, só agravarão os nossos problemas, em vez de contribuírem para os resolver.
França no rumo certo
Hollande prepara mexidas na TSU idênticas às de Passos
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Uma delas – a que provavelmente vai ser escolhida, segundo revela o jornal “Le Monde” – será a de uma baixa dos encargos patronais de perto de 10 mil milhões de euros por ano, durante os próximos quatro anos.
O financiamento desta medida virá de um aumento da CSG (Contribuição Social Generalizada, a TSU francesa), acrescenta o mesmo jornal. Os salários mais baixos ficarão de fora dos aumentos, mas a classe média será atingida dado que a ideia é de aumentar a CSG para quem ganha mais de 2300 euros/mês.
Hoje, às 22h, “Ordem do Dia”
Hoje, pelas 22h, na RTP informação, estarei novamente em debate no “Ordem do Dia”.
Portugal, 2012, sob cortes brutais da despesa pública
Como vai ser
Passos demite-se.
O PS com António Costa chega ao governo.
O Tribunal Constitucional se tiver o topete de levantar qualquer reserva ao aprovado pelo governo tornar-se-á um inimigo da República (com R maiúsculo).
O BE passará a ridículo à excepção das suas figuras que se integraram nos compagnons do governo
O PCP voltará a ser considerado estalinista
A CIP viverá caladinha não se dê o infausto sucesso de ser trata como representante de vis capitalistas
Dom Januário vai definitivamente dizer missa
Das televisões desaparecerá o engraçadismo
O CDS ficará reduzido a fanicos
O PSD voltará à sua actividade principal: destruir os seus líderes e o seu eleitorado depois do chooque fiscal de 2012 ficará sem argumentos para criticar os socialistas
… Portugal lá irá no caminho do costume, ora pagando ora chorando mas todos muito felizes porque a República é socialista e ‘já há quem mande’
Ibéricos são os presuntos
«Europeus devem reconhecer esforços de governos ibéricos, diz Cavaco» – Num momento em que se coloca na mesa a secessão da Catalunha, em que os próprios dirigentes catalães invocam o exemplo português um PR português falar em Madrid de governos ibéricos é o mesmo que colocar Portugal ao nível de mais uma região. Ouvi a declaração de Cavaco e li os textos da suas intervenções . Não encontrei lá ibérico algum. Seria um erro gravíssimo. Mas a TSF que vive na ânsia da irmandade da federação ibérica vê ibérias em todo o lado. De qualquer modo fica a pergunta: Cavaco falou ou não de governos ibéricos em Madrid? Se falou deve explicações aos portugueses. Se não falou a TSF deve corrigir a notícia.
Um país contra os impostos
Ao longo do último ano os portugueses declararam-se nas mais diversas manifestações públicas contra o aumento das taxas moderadoras na saúde, contra a privatização da RTP, contra o corte de salários dos funcionários públicos, contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa e outros serviços hospitalares, contra o encerramento de escolas, contra o aumento do número de alunos por turma, contra o despedimento de professores contratados, contra cortes no subsídio de desemprego, contra cortes no rendimento mínimo, contra cortes no investimento público, contra a falta de apoios às empresas, contra o encerramento de Fundações na área da cultura e contra a austeridade porque causa efeito recessivo. Em suma, os portugueses não estão dispostos a abdicar do seu Estado Social. E também não estão dispostos a pagar os impostos necessários para sustentar o Estado Social. Há em Portugal um largo consenso contra aumentos de impostos. O Estado Social é bom enquanto for pago por défices, quando é preciso pagá-lo com impostos já não pode ser.
uma sensação desoladora
Acabou de terminar, na CNN, o primeiro debate das próximas eleições presidenciais norte-americanas, com uma supreendente, mas clara vitória de Romney sobre Obama, facto que reuniu o consenso de todos os comentadores da estação televisiva. O debate percorreu os temas considerados mais importantes desta eleição, a saber, a economia, as políticas de segurança social, educação e saúde, o papel do governo na sociedade, o equilíbrio orçamental. Ainda que Romney seja mais enfático na questão da redução dos impostos, os dois candidatos partilham da convicção de que só com impostos baixos a economia americana conseguirá sair do marasmo dos últimos anos e criar emprego. Ambos confiam, também, na livre-empresa como principal dinamizador da vida social, Romney mais, Obama um pouco menos. Sobre o mercado e a economia, Romney não hesita em dizer que, em todas as áreas, “a iniciativa privada faz melhor”, o que não foi nunca desmentido por Obama, apesar deste acreditar um pouco mais na função regulatória do governo federal sobre o mercado.
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No fim, uma sensação desoladora: a minha geração não assistiu, nem assistirá nunca um debate assim em Portugal.
Estou à espera…
… Do próximo Conselho nacional do CDS e da encenação mediática final, com Paulo Portas a informar o País do seu (des)acordo quanto a mais este esticão fiscal.
Transferência privado–>público
Essas contas estão erradas. Não é possível, mantendo o corte no défice, devolver um salário à Função Pública sem que o sector privado pague mais impostos. A diferença entre o pacote de austeridade de 7 de Setembro e este é que este tem que cobrar mais cerca de 750 milhões de euros de impostos agregados ao sector privado para ajudar a pagar 1 salário a funcionários públicos e pensionistas.
o bom exemplo
A grande vantagem da conferência de imprensa de Vitor Gaspar foi a sua linear clareza: o anunciado “enorme aumento de impostos” é devido ao facto de “o ajustamento estar a revelar-se mais custoso do que o estimado”. Por outras palavras, o dinheiro vai todo para os cofres do estado, para que este possa pagar as suas dívidas. Nem mais, nem menos do que isto, e sem o álibi do recuo da medida para baixar a TSU, como é do mais elementar bom senso e bom gosto em circunstâncias tão dramáticas. Sobre as perspectivas de redução futura deste pesadíssimo fardo fiscal, Vitor Gaspar foi também claro: “ele será diminuído ao ritmo que conseguirmos efetivamente diminuir a dívida pública, e consequentemente não é vantajoso fazer comentários sobre calendários específicos”. Talvez para 2014, em resultado do que sair de um “grupo de trabalho”, que só agora será constituído. Ou seja, o governo anuncia que a redução da dívida do estado está para além das suas forças, o que já começara a ser perceptível de há algum tempo para cá. Sem juízos de valor sobre a delicada situação em que se encontra o governo de Passos Coelho, parece evidente que o país está irrecuperavelmente falido, que o governo se confessa impossibilitado de reverter a situação e que, muito em breve, os nossos credores serão chamados para novas conversações.
O lado bom
O lado bom destas novas medidas é que não há transferências dos trabalhadores para os patrões.
Já estão a perceber o que é …
… a equidade?
Já estão a perceber o que é uma falência do estado?
Escrito em 25 de Janeiro de 2010. Estamos na opção 4.
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Como vamos sair deste ciclo défice-endividamento, principal símbolo da governação socialista, perante a incapacidade e a falta de coragem de PP e PSD na proposta de alternativas? Não há muitas soluções. Uma destas virá:
- Golpe de estado – Para o descalabro da primeira república, a solução foi um golpe de estado. As medidas difíceis que os políticos da democracia não souberam ou não tiveram coragem de tomar foram decididas em ditadura, inesperadamente com grande apoio popular. Poderemos ter uma ditadura benigna, daquelas que põem ordem na casa e vão-se embora ou uma ditadura violenta por muitos anos. Provavelmente, implicaria a saída da UE.
- Novo Escudo – Saída do euro, criação de uma nova moeda a um câmbio que significaria uma forte desvalorização imediata. Na prática, seria o mesmo que criar um enorme imposto sobre as poupanças dos portugueses, empobrecendo-os a todos de uma só vez. A subida a pique das taxas de juro significaria a “falência” de muitos dos que vivem endividados. Os produtos importados aumentariam de preço e Portugal voltaria a ser competitivo em algumas indústrias baseadas em mão-de-obra barata. Portugal, no seu devido lugar.
- Socialismo Radical –Todos iguais, todos miseráveis. Baixamos os braços e entregamos isto aos Louçãs, Alegres, Soares, Bernardinos e outros chavistas da nossa praça. Aqueles que têm valor e dignidade saem e voltaremos a contabilizar todos os anos as crescentes remessas dos emigrantes – que seria a principal fonte de rendimento à nossa disposição.
- FMI – O FMI já não é o que era e sem a saída do Euro não terá a ferramenta da desvalorização a seu lado. No euro, só nos resta a redução significativa de salários da função pública (√) a par de despedimentos no estado (√), aumentos de impostos às empresas (√) e particulares (√), cortes violentos nas prestações sociais (√) e redução das transferências para as autarquias (√), saúde (√) , educação (√) e cultura (√). Teríamos que passar por alterações da constituição (Χ) e viver em clima de entropia social (√). No fim, estaríamos todos mais pobres (√), mas honrados (Χ) .
Haverá outra saída?
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Esperavam algo diferente?
Mário Soares, 2 de Outubro de 2012
Descubra as diferenças
Ontem às 12. 16 o EXPRESSO deu esta notícia: Ikea ‘apaga’ mulheres nos catálogos Gigante sueco do mobiliário está debaixo de fogo porque na edição 2013 do seu catálogo para a Arábia Saudita foram retiradas as imagens com mulheres. Mas o Expresso mostra que pelo menos desde 2010 que assim é. Nós aqui no Blasfémias desde as 8h 38m que já o tínhamos dito. Aliás desde Dezembro de 2010 que mostrávamos o catálogo da Ikea para a Arábia Saudita e até recomendávamos a página dos colchões. Enfim coincidências mas já que o EXPRESSO estão tão descobridor também pode procurar um link para as montras das grandes cadeias de roupa como a Zara que nesses países não usam os habituais modelos. Vai dar uma linda notícia de descoberta! Mas deixando de lado este descubras as diferenças ou as coincidências não deixa de me causa espanto este escândalo com o catálogo da Ikea. Ou seja nesta bendita Europa onde passa por progressista tolerar as mulheres de burka em Londres, em que umas almas abnegadas acham em França que as mulheres dos fundamentalistas islâmicos devem ser atendidas nos hospitais apenas por mulheres pois caso contrário os maridos enervam-se e batem nos médicos, em que se pressiona a segurança social de alguns países para que se reconheça na atribuição de pensões de viuvez a existência de poligamia, em que as jornalistas ocidentais se cobrem de mantos, véus e luvas para entrevistar na Europa os embaixadores desses países …. exige-se que uma empresa enfrente as leis e os hábitos da Arábia Saudita na própria Arábia Saudita. A isto chama-se hipocrisia, provavelmente com alguma guerra comercial à mistura.
Obs. Já agora também podem descobrir que em 2004 houve tumultos sérios – três mortos e dezenas de feridos – na abertura de uma loja da Ikea na Arábia Saudita. Porquê? Entre outras coisas porque não havia uma entrada separada para homens e mulheres. O link está aqui
Preservar as relações laborais lixando o trabalhador
Há uma tese que defende que os empresários foram contra a medida da TSU para preservar boas relações laborais com os seus trabalhadores. Mas se o objectivo era esse, bastava-lhes anunciar que usariam a baixa da TSU para repor os salários. Poucos optaram por esta via, o que sugere que o problema era outro. Mas os empresários preocupados com os seus trabalhadores ainda vão a tempo de repor o aumento de IRS que Vitor Gaspar vai anunciar amanhã. Só não têm é como. Esperemos que os trabalhadores não descubram que saíram a perder porque isso poderá azedar as relações laborais.